Autor Tópico: Argumento Cosmológico Kalam.  (Lida 17287 vezes)

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Offline Sócrates

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Re: Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #125 Online: 03 de Junho de 2009, 15:19:01 »
Acerca da criação do universo,há três hipóteses básicas:

1)Origem espontânea sem a necessidade de uma causa suficiente.2)Origem por uma interseção acidental entre causas anteriores.3)Origem pelo Propósito,intenção.

A primeira hipótese é filosofica e cientificamente infundada (Infalseável e Infértil).A segunda hipótese é refutada pela unicidade da Causa Primeira no tempo e no espaço.Logo,só temos a terceira.
Acerca da criação do universo,há três hipóteses básicas:

1) Origem pelo Propósito, intenção.
2) Origem por uma interseção acidental entre causas anteriores.
3) Origem espontânea sem a necessidade de uma causa suficiente.

A primeira hipótese é filosofica e cientificamente infundada (ausência de indícios/evidências que a sustentem, além da falta da demonstração de que o evento tenha se dado de maneira consciente). A segunda hipótese é refutada pela unicidade da Causa Primeira no tempo e no espaço. Logo, só temos a terceira.


Que outro mecanismo,além da consciência,age livremente?Até vc não fornecer esta informação,o teu raciocínio será considerado falacioso.

Offline Sócrates

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Re: Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #126 Online: 03 de Junho de 2009, 15:31:22 »
Vamos enfocar o debate.Qual é a objeção de vcs às seguintes premissas:

Citar
2)A eternidade não pode ser definida como infinita,mas limitada,pois a introdução de um limite no passado implica em um princípio de existência.Logo a eternidade deve ser considerada tanto infinita quanto ilimitada.

3)É impossível ter havido infinitos dias no passado pois então uma quantidade ilimitada de dias teria de preceder o dia de Hoje,o que tornaria o dia de Hoje eternamente distante de ocorrer.A quantidade total de dias percorridos é limitada pelo dia de Hoje, e portanto existe apenas uma série limitada de dias percorridos antes de Hoje.

Offline HFC

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Re: Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #127 Online: 03 de Junho de 2009, 16:42:25 »

Neurônios necessitam de átomos,prótons e elétrons, como de sua própria estrutura.Logo,neurônios e cérebros são apenas uma configuração específica da Física Quântica.
Pedras  também necessitam de átomos, prótons e elétrons.  Logo, pedras e pedregulhos são uma configuração da Física Quântica. Mas o non sequitur de sua alegação segue ...
[/quote]


Se vc encontrar um relógio na rua,o que vc vai deduzir?É proposital ou fruto do acaso?De qualquer forma,o acaso ou é fruto do nada ou é resultado de um encontro acidental de causas.Não existe uma terceira opção.

É vc quem afirma que não existe 3ª opção. Demonstre que a sua dicotomia  (propósito/acaso) é real.

E arranje uma sustentação melhor que a de Paley. Vc já inicia este argumento com uma falácia.
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Offline Unknown

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Re: Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #128 Online: 03 de Junho de 2009, 19:00:32 »
Acerca da criação do universo,há três hipóteses básicas:

1)Origem espontânea sem a necessidade de uma causa suficiente.2)Origem por uma interseção acidental entre causas anteriores.3)Origem pelo Propósito,intenção.

A primeira hipótese é filosofica e cientificamente infundada (Infalseável e Infértil).A segunda hipótese é refutada pela unicidade da Causa Primeira no tempo e no espaço.Logo,só temos a terceira.
Acerca da criação do universo,há três hipóteses básicas:

1) Origem pelo Propósito, intenção.
2) Origem por uma interseção acidental entre causas anteriores.
3) Origem espontânea sem a necessidade de uma causa suficiente.

A primeira hipótese é filosofica e cientificamente infundada (ausência de indícios/evidências que a sustentem, além da falta da demonstração de que o evento tenha se dado de maneira consciente). A segunda hipótese é refutada pela unicidade da Causa Primeira no tempo e no espaço. Logo, só temos a terceira.
Que outro mecanismo,além da consciência,age livremente?Até vc não fornecer esta informação,o teu raciocínio será considerado falacioso.
Eu já respondi essa pergunta e deixei outra questão para você responder, e você simplesmente ignorou minha mensagem.

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Offline Tex Willer

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Re: Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #129 Online: 06 de Junho de 2009, 21:08:49 »
Citação de: Buckaroo Banzai
Caso discorde, queira apresentar alguma referência sobre volição não-cerebral em fenômenos físicos, aleatórios ou não.


Citação de: Unknown
Além disso, há outro ponto importante: você também precisa provar que a consciência também é livre. Particularmente, não vejo porque seria, já que todos os exemplos de consciência já comprovados só existem em humanos e animais. E como você já declarou que esses são parte dos não-livres, então fica difícil entender como algo livre depende de algo não-livre.


Vocês ficam atrelando volição, consciência e outras funções mentais a necessidade de sistema nervoso, cérebro... assim não dá pra ter um debate "metafísico", gente! :biglol:
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Offline Bruno Coelho

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Re: Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #130 Online: 07 de Junho de 2009, 15:57:01 »
O tempo é contínuo?

Offline Orbe

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Re: Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #131 Online: 08 de Junho de 2009, 20:27:19 »
Já repararam que esse Sócrates está postando o tal "argumento cosmológico kalam" em todos os fóruns céticos/ateus que encontra? Já vi esse tópico em mais 3 fóruns além daqui.
Se você se importasse não estaria discutindo e sim agindo...

Offline Unknown

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Re: Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #132 Online: 09 de Junho de 2009, 04:05:10 »
Sim, ele até postou um tópico sobre a comunidade "Contradições do Ateísmo" no Orkut, onde ele também já havia postado esse argumento.

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Offline ronysalles

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Re: Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #133 Online: 09 de Junho de 2009, 17:26:57 »
O que levou deus (qual é a causa) a criar o mundo? teria sido tédio, inquietação, uma ideia, uma obrigação, o que?

E se foi isso ou qualquer coisa, qual teria sido a causa desse "isso"?

O Argumento Da primeira Causa (E Intermediários Desnecessários)

A primeira frase do Livro de Gênesis, "E no começo" sugere o argumento da primeira causa para a existência de Deus. No esclarecimento da estrutura do argumento, Bertrand Russel convenientemente cita um diferente relato do princípio -- O mito Hindu de que o mundo se apóia em um elefante e o elefante se apóia numa tartaruga. Quando questionando sobre a tartaruga, o Hindu replica, "Suponho que devamos mudar de assunto."
   Mas não vamos mudar de assunto. Tão quão eu vou trânscorrendo o livro, eu inicio com áspero esquema do argumento em questão:

   1. Tudo tem uma causa, ou talvez muitas causas.
   2. Nada é a sua própria causa.
   3. Correntes casuais não se sustentam eternamente.

   4. Então deve haver uma primeira causa.
   5. Que a primeira causa é Deus, cujo  consequêntemente existe.


Trecho do livro Irregilion - John Allen Paulos
“A maior decepção de um crente fervoroso seria, ao chegar no céu, vê um ateu”. ronysalles

Offline RainorX

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Re: Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #134 Online: 11 de Junho de 2009, 14:30:35 »
Acredito que o tempo seja uma ilusão causada pelo movimento. Se nada se movimentasse não haveria a noção de tempo. Logo, creio que não há um início nem um fim, tudo sempre foi e sempre será, apenas mudará o arranjo das coisas (visto que tudo está em movimento). Eisntein já dizia não existe tempo e espaço, apenas espaço-tempo (uma coisa única). A velocidade em que os astros se afastam é que causa a ilusão de o tempo avançar, se (ou quando) os astros começarem a se aproximar, o tempo correrá ao contrário.

Offline Orbe

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Re: Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #135 Online: 11 de Junho de 2009, 15:43:47 »
Eu acho bem difícil que, graças a reversão do afastamento de corpos celestes, pessoas comecem a ficar mais jovens, mortos levantem das tumbas, objetos deteriorados voltem a sua forma original...
Se você se importasse não estaria discutindo e sim agindo...

Offline O Grande Capanga

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Re: Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #136 Online: 11 de Junho de 2009, 18:23:14 »
Prá quem não sabe, o Sócrates é o pensador.

Coloquei bem evidente prá que essa informação não passe desapercebida, já que discutir com ele é um ad infinitum.

Offline lusitano

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Re: Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #137 Online: 11 de Junho de 2009, 18:38:23 »
 :ok:  :arrow:  :idea:
« Última modificação: 11 de Junho de 2009, 18:58:36 por lusitano »
Vamos a ver se é desta vez que eu acerto, na compreensão do sistema.

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Offline lusitano

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Re: Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #138 Online: 11 de Junho de 2009, 18:56:51 »
 :ok:  :arrow:  :idea:
Vamos a ver se é desta vez que eu acerto, na compreensão do sistema.

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Offline RORSCHACH

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Re: Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #139 Online: 12 de Junho de 2009, 13:24:30 »
Acredito que o tempo seja uma ilusão causada pelo movimento. Se nada se movimentasse não haveria a noção de tempo. Logo, creio que não há um início nem um fim, tudo sempre foi e sempre será, apenas mudará o arranjo das coisas (visto que tudo está em movimento). Eisntein já dizia não existe tempo e espaço, apenas espaço-tempo (uma coisa única). A velocidade em que os astros se afastam é que causa a ilusão de o tempo avançar, se (ou quando) os astros começarem a se aproximar, o tempo correrá ao contrário.
Na verdade eu diria materenergia-espaço-tempo. Para mim a matéria é apenas uma manifestação energética e  o espaço-tempo, seria mais um elemento inseparável do conjunto "MET" (matéria-espaço-tempo). Se se conseguisse criar espaço, automaticamente se criaria energia, que, por sua vez, moldariam partículas (matéria) e tempo. Se se conseguisse criar energia ou partículas (matéria), se criaria com isso espaço e tempo. Se se conseguisse criar tempo se criaria matéria e espaço. Desculpem-me mai uma vez pelo péssimo português, mas é assim que encaro as coisas. Para mim, a energia e a matéria são a mesma coisa em estados diferentes e, o espaço e o tempo seriam como gêmeos siameses, inseparáveis. Juntos e inseparáveis, o espaço o tempo e a matéria seriam a "santa trindade" científica.

É muitíssimo provável que o universo que tomamos como referência (único até agora confirmado) tenha, de fato, tido um princípio. Isso não quer dizer que tenha se formado a partir do nada. Também não quer dizer que tal ocorrência tenha sido única. Talvez se trate de um processo infinito e eterno, no qual universos e universos se formem e se desconstituem por toda a extenção da "existencialidade", como prefiro chamar o infinito. Mas tudo isso não passa de uma especulação de um leigo em ciências. Leigo, porém curioso.  
« Última modificação: 12 de Junho de 2009, 13:26:45 por RORSCHACH »
Chega de papo! Vamos ao que interessa!

Offline lusitano

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Re: Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #140 Online: 12 de Junho de 2009, 16:26:46 »
Citar
Rorschach:

Para mim, a energia e a matéria são a mesma coisa em estados diferentes e, o espaço e o tempo seriam como gêmeos siameses, inseparáveis. Juntos e inseparáveis, o espaço o tempo e a matéria seriam a "santa trindade" científica.

:idea: :arrow: :ok: :arrow: Aposto que você está certo :!:
Vamos a ver se é desta vez que eu acerto, na compreensão do sistema.

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Offline HFC

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Re: Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #141 Online: 06 de Julho de 2009, 11:47:07 »
Prá quem não sabe, o Sócrates é o pensador.

Coloquei bem evidente prá que essa informação não passe desapercebida, já que discutir com ele é um ad infinitum.

Discordo:
Sócrates é o jogador e bebedor de cerveja

Vc o encontra facilmente em bares de Ribeirão Preto.

Estou falando de nosso colega que quer discutir infinitamente as idéias dos árabes  ...
« Última modificação: 06 de Julho de 2009, 11:54:55 por HFC »
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Offline Euler1707

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Re: Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #142 Online: 16 de Maio de 2016, 23:17:24 »
Citar
Sócrates:
Além das evidências científicas temos o argumento filosófico de que o Universo não poderia ser eterno.Em uma eternidade de tempo nosso presente jamais aconteceria pois estaria sempre eternamente distante de ocorrer.Logo,o Universo teve princípio.
Essa afirmação é extremamente confusa. Quer dizer que o momento atual nunca poderia vir a acontecer pois há uma infinidade que o antecede? Essa não é uma qualidade exclusiva dos intervalos infinitos, mas sim dos intervalos contínuos, portanto, se o tempo teve um princípio e é continuo, o momento atual ainda sim nunca poderia acontecer. Ainda sim, esse argumento de que algo não poderia vir a acontecer, pois há uma infinidade de coisas que o antecedem, me parece inválido. Considere dois momentos distintos quaisquer no tempo (que é discreto), por exemplo, a e b, tal que a>b. Há dois casos a se analisar:
-Ou o universo evolui de b para a,
-Ou não evolui de b à a.
Se o primeiro caso vier à acontecer, então nada impede que o momento atual venha a acontecer se esse momento estiver entre a e b, pois [b,a] é um intervalo finíto e discreto. Como não há restrição à a e b, não importa se o tempo é infinito ou não, o momento atual pode vir à acontecer. (POR FAVOR, ME CORRIJAM SE HOUVER ALGUMA FALHA).
Sobre a segunda hipótese, teríamos como conclusão a estaticidade do tempo, o que é um absurdo.

Enfim, estou aqui para transcrever o seguinte argumento (bastante falho, diga-se de passagem, mas ainda sim interessante) que eu vi aqui
Citar
1. Argumento cosmológico da contingência
O argumento cosmológico apresenta­se de várias formas. Eis uma versão simples da famosa versão da contingência:
1. Tudo que existe tem uma explicação para a sua existência, quer na necessidade de sua própria natureza, quer numa causa externa.
2. Se o universo tem uma explicação para sua existência, essa explicação é Deus.
3. O universo existe.
4. Logo, o universo tem uma explicação para sua existência (de 1, 3).
5. Logo, a explicação da existência do universo é Deus (de 2, 4).
Ora, esse é argumento logicamente perfeito. Quer dizer, se as premissas forem verdadeiras, logo a conclusão será inevitável. Não interessa se gostamos ou não da conclusão. Não importa que tenhamos outras objeções à existência de Deus. Uma vez que admitamos a validade das três premissas, temos de aceitar a conclusão. Portanto, a pergunta é: o que é mais plausível, essas premissas serem verdadeiras ou falsas?
1.1. Premissa 1
Consideremos primeiro a Premissa 1. De acordo com ela, há dois tipos de coisas: as que existem necessariamente, e as que são produzidas por alguma
causa externa. Permitam­me explicar.
As coisas que existem necessariamente existem por uma necessidade da sua própria natureza. Para elas, é impossível não existir. Muitos matemáticos pensam que números, conjuntos numéricos e outras entidades matemáticas existam dessa forma. A sua existência não foi causada por outra coisa qualquer; elas apenas existem necessariamente. Comparativamente, as coisas cuja existência foi causada por outra coisa qualquer, não existem necessariamente. Essa explicação, quando se pensa nela, parece plausivelmente verdadeira. Objetos físicos conhecidos, como pessoas, planetas e galáxias, pertencem a essa categoria. Portanto, a Premissa 1 assevera que tudo quanto existe pode ser explicado de uma dessas duas maneiras. Essa afirmação, quando se reflete nela, parece
muito plausivelmente verdadeira. Imagine que você está fazendo uma caminhada pela mata e dá de cara com uma bola translúcida no chão do bosque. Naturalmente, você fica pensando em como foi que ela chegou ali. Se algum de seus companheiros de caminhada lhe dissesse: “Não se preocupe com isso! Não existe explicação para a existência disso!”, você acharia que ele é maluco ou que apenas queria que você continuasse andando. Ninguém levaria a sério a sugestão de que a bola existia ali literalmente sem nenhuma explicação. Suponha agora que você aumente a bola dessa história para o tamanho de um carro. Isso nada serviria para satisfazer ou remover a exigência de uma explicação. Imagine que fosse do tamanho de um cavalo, a exigência continuaria. Presuma que fosse do tamanho de um continente ou de um planeta. O mesmo problema. Considere que seja do tamanho de um universo inteiro. Mesmo problema. O mero aumento do tamanho da bola nada faz para afetar a necessidade de uma explicação. Uma vez que qualquer objeto poderia ser substituído pela bola nessa história, isso proporciona a base para pensar que a Premissa 1 deve ser verdadeira.
Deve­se dizer que, conquanto a Premissa 1 seja verdadeira para todas as coisas que há no universo, não é verdadeira quanto ao universo em si. Tudo quanto existe no universo tem uma explicação, mas o próprio universo não tem explicação. Essa resposta comete o engano que tem sido apropriadamente chamado de “falácia do táxi”. Pois, segundo o gracejo de Arthur Schopenhauer, filósofo ateu do século XIX, a Premissa 1 não pode ser despachada como um táxi, uma vez que se chegue ao destino desejado! Não se pode dizer que há uma explicação para a existência de tudo e então, de repente, deixar o universo de fora. Seria arbitrário alegar que o universo é uma exceção à regra. (Deus não é uma exceção à Premissa 1: ver abaixo em 1.4). A nossa ilustração da bola no meio da mata mostra que o mero aumento do tamanho do objeto a ser explicado, até mesmo tornando­se o próprio universo, nada faz para dispensar a necessidade de uma explicação para sua existência. Pode­se tentar justificar considerando­se o universo como uma exceção à Premissa 1. Alguns filósofos sustentam que é impossível haver uma explicação para a existência do universo, pois tal explicação estaria em algum estado prévio de coisas em que o universo não existia ainda. Mas isso seria o nada, e o nada não pode ser a explicação de alguma coisa. Portanto, o universo deve existir exatamente de modo inexplicável. Essa linha de raciocínio é, portanto, obviamente falaciosa, pois assume que o universo é tudo o que existe; se o universo não existisse, nada existiria.
Noutras palavras, a objeção considera que o ateísmo é verdadeiro. Quem levanta a objeção está, assim, utilizando uma petição de princípio em favor do ateísmo, argumentando em círculos. O teísta concordará que a explicação do universo deve ser (explicativamente) algum estado de coisas anterior em que o universo não existia, mas esse estado de coisas é Deus e sua vontade, não o nada.
Logo, parece que a Premissa 1 é mais plausivelmente verdadeira do que falsa, tudo o que precisamos para um bom argumento.

1.2. Premissa 2
O que dizer, então, da Premissa 2? É mais plausivelmente verdadeira do que falsa? Embora, à primeira vista, essa premissa talvez pareça controversa, o que é embaraçoso de fato para o ateu é que ela equivale à resposta ateísta típica ao argumento da contingência. (Duas declarações são logicamente equivalentes se for impossível que uma seja verdadeira e a outra seja falsa. Elas permanecem ou caem juntas.) Assim, o que é que o ateu quase sempre diz em resposta ao argumento da contingência? Ele, tipicamente, afirma o seguinte:
A. Se o ateísmo é verdadeiro, não há explicação para a existência do universo.
Visto que, no ateísmo, o universo é a realidade máxima, ele existe exclusivamente como fato bruto. Isso equivale logicamente a dizer que:
B. Se o universo tem uma explicação para sua existência, então o ateísmo não é verdadeiro.
Logo, não é possível afirmar (A) e negar (B). Mas (B) é praticamente sinônima da Premissa 2! (Basta compará­las.) Portanto, ao afirmar que, dado o ateísmo, o universo não tem explicação, o ateu está admitindo implicitamente a Premissa 2: se o universo tem de fato uma explicação, então Deus existe.
Além disso, a Premissa 2 é por si só muito plausível. Pois pensem naquilo de que o universo é composto: toda a realidade espaço­temporal, inclusive toda matéria e energia. Por isso, se há uma causa para que o universo exista, tal causa deve ser um ser não físico, imaterial, além do tempo e do
espaço. Ora, só há dois tipos de coisa que caberiam nessa descrição: um objeto abstrato, como um número, ou então uma mente incorpórea. Mas objetos abstratos nada podem causar; faz parte do significado de ser abstrato. O número sete, por exemplo, não é capaz de causar nenhum efeito. Logo, se há uma causa para a existência do universo, ela tem de ser uma Mente incorpórea e transcendente que os cristãos entendem ser Deus.

1.3. Premissa 3
A Premissa 3 é inegável para qualquer um que sinceramente procure a verdade. É óbvio que o universo existe!

1.4. Conclusão
Dessas três premissas, infere­se que Deus existe. Ora, se Deus existe, a explicação para a sua existência está na necessidade da sua própria natureza, visto que, conforme até mesmo os ateus admitem, é impossível que Deus tenha uma causa. Portanto, se for válido, esse argumento prova a existência de um Criador do universo que é necessário, incausado, atemporal, ilimitado, imaterial, pessoal. Isso é realmente extraordinário!

1.5. A resposta de Dawkins
E, então, o que Dawkins tem a dizer em resposta a esse argumento? Nada! Basta olhar nas páginas 77–78 de seu livro, nas quais se esperaria que esse E, então, o que Dawkins tem a dizer em resposta a esse argumento? Nada! Basta olhar nas páginas 77–78 de seu livro, nas quais se esperaria que esse argumento aparecesse. Tudo o que se acha é a rápida discussão de algumas versões diluídas dos argumentos de Tomás de Aquino, mas nada a respeito do argumento da contingência. Isso é fato admirável, já que é um dos argumentos mais famosos a favor da existência de Deus, sendo defendido hoje por filósofos como Alexander Pruss, Timothy O’Connor, Stephen Davis, Robert Koons e Richard Swinburne, só para citar alguns

É interessante as afirmações sem base que ele faz. O que eu quero fazer é me atentar a um ponto em específico: "Tudo que existe tem uma explicação para a sua existência, quer na necessidade de sua própria natureza, quer numa causa externa". Seria essa afirmação razoavelmente válida?
« Última modificação: 16 de Maio de 2016, 23:23:08 por Euler1707 »

Offline Brienne of Tarth

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Re:Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #143 Online: 17 de Maio de 2016, 11:35:51 »
Se a "explicação" não for confundida com "propósito", sim.
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Offline Buckaroo Banzai

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Re:Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #144 Online: 17 de Maio de 2016, 12:01:03 »
Acho que ter que haver sempre uma "causa" pressupõe a "oniexistência" de determinismo, a menos que a "causa" de haver algo aparentemente sem causa sejam eventualidades de suspensão desse determinismo, para não dizer algo "sem causa".

Offline Euler1707

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Re:Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #145 Online: 17 de Maio de 2016, 12:15:10 »
Estou interessado é na parte do "Tudo que existe tem uma explicação para a sua existência, quer na necessidade de sua própria natureza". Ele está afirmando que há coisas cuja existência é uma necessidade da sua própria natureza, isto é, são impossíveis de não existir, e dá como exemplo os números. A existência dos números se deve a sua função operacional, são consequências de leis algébricas. Eles não existem per si, mas por meio dessas leis algébricas, e não podem ser independentes dessas leis. A sua existência não é uma necessidade de sua natureza algébrica, mas é sua própria natureza algébrica. Isto é diferente de dizer que a explicação de sua existência é a necessidade da sua própria natureza(???), porque simplesmente não há diferença entre a sua natureza e sua existência. Ele é o que é.

Offline Fernando Silva

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Re:Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #146 Online: 17 de Maio de 2016, 14:05:13 »
Não basta fazer sentido. Sem evidências objetivas, é apenas uma possibilidade lógica.

Só que continuo não vendo sentido em se dizer "Tudo tem que ter uma causa, exceto Deus".
É arbitrário se abrir uma exceção para ele.

"Ah, mas sem esta premissa, a hipótese não funciona!"

Pois é...

Offline Euler1707

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Re:Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #147 Online: 17 de Maio de 2016, 14:36:30 »
O argumento dele é de que deus existe, pois se ele não existir, a sua não existência não fará sentido segundo os seus argumentos e definições.
« Última modificação: 17 de Maio de 2016, 18:13:45 por Euler1707 »

Offline Euler1707

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Re:Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #148 Online: 17 de Maio de 2016, 22:32:54 »
Citar
Sócrates:
Além das evidências científicas temos o argumento filosófico de que o Universo não poderia ser eterno.Em uma eternidade de tempo nosso presente jamais aconteceria pois estaria sempre eternamente distante de ocorrer.Logo,o Universo teve princípio.
A noção de que o momento atual nunca poderia chegar, pois há uma infinidade de momentos que o antecedem não é uma relação de ordem, mas sim de tempo. Olha só que interessante, esse argumento requer uma segunda entidade temporal!!!
SQN. Caramba, como eu sou confuso. A relação temporal de antecedência é sim uma relação de ordem.  :stunned:
« Última modificação: 17 de Maio de 2016, 23:06:39 por Euler1707 »

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Argumento Cosmológico Kalam.
« Resposta #149 Online: 17 de Maio de 2016, 23:45:46 »
Acho que esse argumento talvez fosse melhor expresso mais ou menos como "o tempo é necessariamente finito, pois é necessária uma seqüência finita de instantes para finalmente chegar ao instante presente".

O que não deve ser equivalente a se dizer que, empiricamente, talvez o tempo "tenda ao infinito".

Acho que um tempo infinitamente "espacial", meio como uma dimensão que se estende infinitamente (ao que acho que não seria levantado o problema de que "não poderia ser, pois senão nunca chegaríamos aqui) deve requerer mesmo algum "outro tipo de tempo", ou então entrar naquelas de que o tempo em si é uma ilusão e "não existe" (...de algum jeito) um "agora" ilusoriamente experienciado (...agora?), só a extensão do tempo, "estático" e "onipresente" como o espaço, que não surge apenas na medida em que o percorremos.

 

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