Autor Tópico: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'  (Lida 35054 vezes)

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Offline Diego

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Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos', diz coordenador da Anistia Internacional

Corrupção no serviço público. Violência em áreas rurais e contra povos indígenas. Grupos de parapoliciais e traficantes que dividem domínio de cidade. Todos esses casos tiveram exemplos ocorridos de forma sistemática no Brasil em 2008, segundo o Relatório Anual da Anistia Internacional (organização não governamental que luta por direitos humanos), divulgado nesta quinta-feira, em Londres (à 1h, horário de Brasília). Em entrevista ao UOL Notícias, o coordenador da Anistia Internacional para assuntos brasileiros, o britânico Tim Cahill, "existe um conceito infeliz no Brasil que é que os direitos humanos só defendem bandidos".

Para Cahill, esse conceito de que só "bandidos" são beneficiados "é popularizado e utilizado por pessoas que tem interesse em mantê-lo". Com isso, várias ações governamentais no Brasil acabam sendo executadas para satisfazer àqueles que não acreditam nos direitos humanos.

"Isso ajuda na justificação de adotar políticas de comportamento repressivo, como as megaoperações no Rio de Janeiro ou a ideia de que os índios ameaçam os interesses econômicos do Mato Grosso do Sul", diz Cahill. "Se a população percebesse que se todos tivéssemos os direitos humanos garantidos a economia e a segurança, por exemplo, seriam melhoradas", completa.

O relatório
Apesar de algumas mudanças nas disparidades sociais, resultado de projetos do governo e da expansão econômica, 2008 foi mais um ano em que as violações dos direitos humanos quase não receberam atenção no Brasil, de acordo com o Relatório Anual da Anistia.


Até mesmo as mais de cem mortes e os 80 mil desabrigados com as chuvas de Santa Catarina são considerados casos de violação de direitos humanos pela Anistia Internacional. A reportagem do UOL Notícias voltou recentemente ao local e verificou que seis meses depois da tragédia os milhares de atingidos pelas enchentes ainda vivem sem casa e sem perspectiva.

Segundo Tim Cahill, a entidade coloca os direitos humanos em um conceito mais amplo. Para a Anistia, "se os direitos econômicos e sociais forem assegurados os direitos humanos também serão".

"Quem não recebe saúde ou educação está mais vulnerável aos abusos da polícia ou à tortura", diz Cahill. Além da falta de políticas específicas voltadas a melhorar a vida de comunidades carentes, Cahill destaca que a sociedade brasileira tem um conceito errado de direitos humanos.

Violência policial
No Rio de Janeiro, as milícias formadas, na maioria das vezes, por policiais e os traficantes de drogas e que controlam cerca de 170 favelas disputaram o controle de diversas partes da cidade. A Anistia lembra que durante as eleições o Exército precisou ser destacado para garantir a segurança de candidatos em algumas localidades.

"As milícias são consequência da impunidade. As milícias, hoje, acabam ameaçando a vida dos moradores e a estrutura democrática do Estado já que estão elegendo até deputados estaduais", diz Tim Cahill.

Ainda na capital fluminense, o ano foi marcado por diversas incursões de policiais nas favelas, resultando na morte de várias pessoas. A Anistia diz que o número de homícidios na cidade diminuiu, mas as pessoas mortas pela polícia em casos registrados como "autos de resistência" representaram aproximadamente 15% do total de mortes violentas ocorridas entre janeiro e outubro de 2008.

Em São Paulo, também houve redução na quantidade de homicídios, mas o número de pessoas mortas por policiais militares, assim como no Rio, aumentou. De janeiro a setembro de 2008, a polícia paulista matou 353 pessoas.

Tim Cahill lembra a ocupação da favela de Paraisópolis pela polícia como forma de ação errada do governo contra o crime.

"A ocupação de Paraisópolis por 90 dias não trouxe elementos de Estado, não garante segurança em longo prazo. Eles não fazem planos com outros departamentos como saúde e educação. Essas medidas são pura publicidade. O governo quer mostrar que está fazendo alguma coisa", diz.

No Nordeste a situação não é diferente. A Anistia cita um relatório da ONU que revela que o Ministério Público em Pernambuco estimou, em 2007, que cerca de 70% dos homicídios em Pernambuco são cometidos por esquadrões da morte.

Índios
Os povos indígenas continuaram a ser vítimas de assassinatos, violência, intimidações, discriminação, expulsões forçadas e outras violações de direitos humanos, segundo a Anistia Internacional.

A ONG lembra a luta dos índios da Reserva Raposa Serra do Sol em Roraima que lutaram contra arrozeiros pela demarcação da terra. Em 20 de março deste ano, o STF confirmou a homologação contínua da Raposa Serra do Sol e determinou a retirada dos não-indígenas da região.

Luta no campo
Para a Anistia Internacional, as expulsões forçadas no campo, na maioria das vezes praticadas por empresas de segurança privadas irregulares ou insuficientemente regularizadas, contratadas por proprietários de terras, e a tentativa de criminalizar os movimentos que apoiam as pessoas sem terra continuaram a ocorrer em 2008.

No Rio Grande do Sul, promotores e policiais militares montaram um dossiê com diversas alegações contra integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Milícias armadas ilegais continuaram a atacar trabalhadores sem terra no Paraná.

Já o Pará é considerado pela ONG como o Estado com os maiores números de ameaças e de homicídios de ativistas rurais. A Anistia lembra que Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, foi absolvido, em maio do ano passado, da alegação de assassinato da freira Dorothy Stang em 2005. A freira defendia causas ambientais e trabalhadores sem-terra. Em abril deste ano a Justiça do Pará anulou o julgamento de 2008 e determinou a prisão preventiva de Vitalmiro Bastos de Moura.

Corrupção
A Anistia Internacional considera a corrupção no Brasil como uma forma de violação dos direitos humanos. O relatório anual cita casos como um esquema de desvio de verbas públicas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para serviços contratados por Câmaras municipais.

Para Tim Cahill, o assunto pode ser considerado violência contra a população do país. "A corrupção é um elemento importante. Ela tira recursos do Estado que são requisitados para o investimento em desenvolvimento social", disse.

Melhoras
Apesar de não exemplificar no relatório, a Anistia destaca que o Brasil conquistou algumas vitórias no campo dos direitos humanos.

Tim Cahill cita como conquistas o início do debate pela lei da anistia e a CPI das milícias no Rio de Janeiro.

"Tivemos vitórias importantes que são consquências de lutas longas e perigosas. Há um reconhecimento, mesmo que pequeno, por parte do governo da importância dos direitos humanos", afirma.



http://noticias.uol.com.br/ultnot/internacional/2009/05/28/ult1859u1047.jhtm


Offline Athena

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #1 Online: 28 de Maio de 2009, 12:19:28 »
Direitos Humanos deveriam ser apenas para Humanos Direitos, é o que eu penso.
Você nasce sem pedir e morre sem querer.
Aproveite o intervalo!

Offline Diegojaf

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #2 Online: 28 de Maio de 2009, 12:41:02 »
Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos', diz coordenador da Anistia Internacional

Eles não ganharam essa fama da noite pro dia e sim trabalharam arduamente para conquistá-la.
"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto." - Rui Barbosa

http://umzumbipordia.blogspot.com - Porque a natureza te odeia e a epidemia zumbi é só a cereja no topo do delicioso sundae de horror que é a vida.

Offline Arcanjo Lúcifer

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #3 Online: 28 de Maio de 2009, 12:51:18 »
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Até mesmo as mais de cem mortes e os 80 mil desabrigados com as chuvas de Santa Catarina são considerados casos de violação de direitos humanos pela Anistia Internacional.


Pena que não posso perguntar ao fulano quantos membros dos DH apareceram para ajudar a população desabrigada na época. No entanto apareceram três idiotas dos DH para proteger os assassinos de Liana Friedenbach...

E ainda acham que sou nazista quando falo que são um bando de desocupados.

Offline Pregador

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #4 Online: 28 de Maio de 2009, 13:41:57 »
Acho que o conceito é extremamente feliz... Não endosso em nada a opinião da anistia. Aliás, por mim eu expulsava eles daqui :)

Brincadeira quanto a expulsão rs
"O crime é contagioso. Se o governo quebra a lei, o povo passa a menosprezar a lei". (Lois D. Brandeis).

Offline O Grande Capanga

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Offline O Grande Capanga

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #6 Online: 29 de Maio de 2009, 15:20:31 »
http://rv.cnt.br/viewtopic.php?p=385646#p385646

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O fato é que as ONG’s ditas de defesa dos Direitos Humanos no Brasil estão mais sujas que pau de galinheiro.

Tem gente na esquerda que usaria a frase acima para provar o quanto os perversos direitistas odeiam a noção de Direitos Humanos, uma vez que os reaças querem mais é pendurar todo mundo no pau de arara.

Bullshit...

Primeiro porque, no Brasil, quem despreza as ONG’s ditas de defesa dos Direitos Humanos não é a direita, esquerda, vanguarda, retaguarda, encima ou embaixo.
É o povão mesmo. Principalmente o favelado que tem que agüentar horrores da bandidagem e não gosta nem um pouco de quem vai paparicá-la quando malaco finalmente recebe o que merece.

Depois que boa parte destas ONG’s, não sei se a maioria, mas poucas não são, fazem por merecer o desprezo que recebem.

Quando mandaram o filho da puta do Leonardo Pareja acertar as contas com o capeta, a ONG Tortura Nunca Mais teve a idéia estúpida de cobrir com a bandeira do Brasil o caixão do vagabundo, bandido, seqüestrador, líder de rebelião prisional e, como já disse, filho da puta.

Ora, o caixão coberto com a bandeira nacional é honra destinada aos que viveram e/ou morreram por seu país. Já é de lascar a vulgarização do rito, com o pavilhão sendo usado para esquentar esquife de qualquer bunda mole mais ou menos famoso.

Mas prestar este tipo de homenagem a bandido..., ora, vão se catar.

Como num ato extremamente elogiável, o comandante do batalhão de choque da Polícia Militar de Goiás, tenente Nilton Neri de Castilho, ordenou que resgatassem a bandeira do Brasil daquela condição desonrosa, sob os resmungos chochos dos ongueiros, o sr. Valdomiro Batista, idealizador da “homenagem”, declarou à imprensa que os policiais “não podiam fazer isso com um homem que se tornou um símbolo de Goiás”.

Que que é isso minha gente?
Preterindo milhões de goianos e goianas honestos, trabalhadores e de bem, o amiguinho do filho da puta me vem dizer que o homem símbolo do estado é um vagabundo, bandido, seqüestrador e líder de rebelião prisional?

Ora, vão se catar de novo.

E não é só isto. Casos como este se acumulam aos borbotões.
O dia que a turma destas ONG’s tomar vergonha na cara e parar de dar estes vexames, talvez até tenham o direito de cobrar mais atenção àquelas que fazem um trabalho verdadeiramente sério e digno.

Até lá, a nobre causa dos Direitos Humanos está muito mal representada no Brasil.

Offline O Grande Capanga

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Offline Stéfano

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #8 Online: 29 de Maio de 2009, 15:32:46 »
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Ainda na capital fluminense, o ano foi marcado por diversas incursões de policiais nas favelas, resultando na morte de várias pessoas. A Anistia diz que o número de homícidios na cidade diminuiu, mas as pessoas mortas pela polícia em casos registrados como "autos de resistência" representaram aproximadamente 15% do total de mortes violentas ocorridas entre janeiro e outubro de 2008.

Em São Paulo, também houve redução na quantidade de homicídios, mas o número de pessoas mortas por policiais militares, assim como no Rio, aumentou. De janeiro a setembro de 2008, a polícia paulista matou 353 pessoas.

É difícil analisar a situação só com esses números. Dependendo de quem está morrendo, meus parabéns !

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Para a Anistia Internacional, as expulsões forçadas no campo, na maioria das vezes praticadas por empresas de segurança privadas irregulares ou insuficientemente regularizadas, contratadas por proprietários de terras, e a tentativa de criminalizar os movimentos que apoiam as pessoas sem terra continuaram a ocorrer em 2008.

No Rio Grande do Sul, promotores e policiais militares montaram um dossiê com diversas alegações contra integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Milícias armadas ilegais continuaram a atacar trabalhadores sem terra no Paraná.

 :ok:
"Alternative and mainstream Medicine are not simply different methods of treating ilness. They are basically incompatible views of reality and how the material world works." Arnold S. Relman

Offline O Grande Capanga

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #9 Online: 29 de Maio de 2009, 15:45:21 »
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Para a Anistia Internacional, as expulsões forçadas no campo, na maioria das vezes praticadas por empresas de segurança privadas irregulares ou insuficientemente regularizadas, contratadas por proprietários de terras, e a tentativa de criminalizar os movimentos que apoiam as pessoas sem terra continuaram a ocorrer em 2008.

No Rio Grande do Sul, promotores e policiais militares montaram um dossiê com diversas alegações contra integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Milícias armadas ilegais continuaram a atacar trabalhadores sem terra no Paraná.

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E por acaso há "tentativa de crimininalização" contra uma organização clandestina, sem pessoa jurídica instituída, cujo principal modo de ação é a violência de massas, contra a qual existem acusações de assassinato, sequestro, tortura, destruição de propriedade pública e privada, extorsão, porte ilegal de arma etc, etc, etc? O MST é criminoso. Ponto. Que haja lá buchas de canhão manipulados pela liderança, mas é preciso não ter vergonha na cara para apoiar aquela corja.

Por que a Anistia Internacional não denuncia os homicídios cometidos pelo MST? Por que as famílias dos seguranças assassinados são menos humanas que as dos bandidos e invasores de terra?

E desde quando promotores e policiais apresentarem dossiês contra uma organização com o currículo de mortes, violências e destruição do MST é violação de direitos humanos? Quer dizer que o certo é deixar aquela bandidagem fazer o que quiser, sem sequer poder relatar o que fazem?

http://rv.cnt.br/viewtopic.php?p=385647#p385647
« Última modificação: 30 de Maio de 2009, 08:04:00 por Jack Torrance »

Offline Stéfano

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #10 Online: 29 de Maio de 2009, 15:48:50 »
Ah, o meu "  :ok: " foi pra "criminalização" e a ação do MP contra o MST, não pro imbecial da Anistia.
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Offline Buckaroo Banzai

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #11 Online: 29 de Maio de 2009, 17:46:14 »
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Até mesmo as mais de cem mortes e os 80 mil desabrigados com as chuvas de Santa Catarina são considerados casos de violação de direitos humanos pela Anistia Internacional.


Pena que não posso perguntar ao fulano quantos membros dos DH apareceram para ajudar a população desabrigada na época. No entanto apareceram três idiotas dos DH para proteger os assassinos de Liana Friedenbach...


Não existem "membros dos DH", só podem existir membros de organizações que defendem os DH. E não há problema algum em se focar na defesa especificamente do tratamento humano aos presos, não considerando foco do grupo a situação de pessoas vítimas de fenômenos naturais.

Offline Stéfano

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #12 Online: 29 de Maio de 2009, 18:13:53 »
Não existem "membros dos DH", só podem existir membros de organizações que defendem os DH. E não há problema algum em se focar na defesa especificamente do tratamento humano aos presos, não considerando foco do grupo a situação de pessoas vítimas de fenômenos naturais.
Mas o AS***LE (preciso parar de assistir tanto Bullshit!....) disse que isso é problema de DH sim.
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Offline Luiz Souto

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #13 Online: 29 de Maio de 2009, 19:18:25 »
O Relatório Anual da Anistia Internacional sobre as condições dos direitos humanos no mundo foi divulgado ontem , 28/05, em Londres onde fica a sede da organização. São analisadas as condições dos direitos humanos em 157 países e em seu discurso a presidente da AI , Irene Khan ,  caracterizou a situação como uma "bomba-relógio mundial".
O texto inicial de sua introdução segue abaixo , orestante pode ser lido aqui.
Para acessar o relatório completo para cada continente acesse aqui. . Em cada página há o link para o relatório detalhado por país.

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A CRISE NÃO É SÓ DA ECONOMIA, É DOS DIREITOS HUMANOS

Irene Khan

Em setembro de 2008, em Nova York, estive presente à reunião de alto nível organizada pelas Nações Unidas sobre as Metas de Desenvolvimento do Milênio – os objetivos estabelecidos pelos membros da comunidade internacional para reduzir a pobreza até 2015. Um após o outro, os delegados discorriam sobre a necessidade de haver mais recursos financeiros disponíveis para erradicar a fome, para reduzir a mortalidade infantil e a mortalidade materna durante a gravidez, para prover água potável e saneamento básico, e para que as meninas também possam ter acesso à educação. O que estava em jogo eram a vida e a dignidade de bilhões de pessoas; porém, havia uma disposição muito limitada para liberar o dinheiro que esses discursos conclamavam. Assim que deixei a sede da ONU, eu podia ver os letreiros luminosos que traziam uma história bem diferente vinda de outro lado de Manhattan: a quebra de um dos maiores bancos de investimento de Wall Street. As manchetes apontavam para onde, realmente, se dirigia toda a atenção do planeta – e também os seus recursos. De uma hora para outra, os governos mais ricos e mais poderosos tinham sido capazes de dispor de uma quantia imensamente maior do que aquela que não encontraram para erradicar a pobreza. Essas somas, fornecidas em abundância, beneficiaram bancos que estavam à beira da falência e financiaram pacotes de estímulo para certas economias que, depois de anos vivendo de farra, agora não conseguiam superar a ressaca.
No final de 2008, ficava claro que esse mundo arranjado em dois níveis, um de consumo desenfreado e outro de privações extremas, com alguns vivendo na miséria para sustentar a ganância de outros, estava com seus alicerces deteriorados.

Aconteceu com a recessão econômica o mesmo que aconteceu com a mudança climática: os ricos se beneficiaram e foram responsáveis pelos maiores atos lesivos, mas foram os pobres que pagaram a maior parte da conta, sofrendo as piores consequências. Apesar de ninguém estar sendo poupado pela recessão, os efeitos nos países ricos são irrisórios se comparados aos desastres que estão se desenrolando nos países mais pobres. Desde os trabalhadores migrantes da China até os mineiros de Katanga, na República Democrática do Congo, as pessoas que vivem tentando, desesperadamente, fugir da pobreza estão sentindo, bem mais, esse peso. A previsão do Banco Mundial foi de que, neste ano, mais 53 milhões de pessoas seriam empurradas para a pobreza, indo se juntar às outras 150 milhões que já estavam nessa situação, depois de terem sido atingidas pela crise alimentar do ano passado. Isso anula totalmente os progressos obtidos nessa área na última década. As estatísticas da Organização Internacional do Trabalho sugerem que entre 18 e 51 milhões de pessoas podem ficar desempregadas. A alta nos preços dos alimentos está provocando ainda mais fome e mais doenças. Os despejos e as expulsões estão deixando cada vez mais pessoas desabrigadas e destituídas.

Se ainda é muito cedo para prever os impactos que os excessos dos últimos anos vão causar sobre os direitos humanos, é evidente que os custos e as consequências da crise econômica vão ter efeitos de longo prazo nessa área. Também ficou claro, além disso, que os governos não só abdicaram de toda regulamentação econômica e financeira das forças do mercado, como também falharam, lamentavelmente, no seu dever de proteger os direitos humanos, a vida e os meios de subsistência das populações.

A insegurança, as injustiças e a falta de dignidade estão afetando a vida de bilhões de seres humanos. São os direitos humanos que estão em crise.

Essa é uma crise de falta de alimentos, de empregos, de água potável, de terra e de moradias. É uma crise em que aumentam as desigualdades e a insegurança, a xenofobia e o racismo, a violência e a repressão. Juntos, esses fatores conformam uma crise global que exige soluções globais com base na cooperação internacional, nos direitos humanos e no Estado de direito. Infelizmente, as grandes potências estão se voltando para dentro e enfocando somente as consequências econômicas e financeiras no campo mais estreito de suas fronteiras, ignorando uma crise que atinge o mundo inteiro. Ou, então, nos casos em que consideram tomar alguma providência no plano internacional, suas medidas se limitam apenas à área econômica ou financeira, recaindo, desse modo, nos mesmos erros do passado.

O mundo precisa de um tipo diferente de liderança, de um tipo diferente de política e também de economia – de um sistema que funcione para todos e não apenas para alguns privilegiados. Precisamos de uma liderança capaz de fazer com que os Estados abandonem seus próprios interesses estreitos para focarem em uma colaboração multilateral, de modo que as soluções sejam inclusivas, abrangentes, sustentáveis e que respeitem os direitos humanos. Devem ser desfeitas as alianças entre governos e corporações que forem construídas sobre expectativas de enriquecimento financeiro à custa dos mais despossuídos. Alianças de interesse, que permitem a governos abusivos não prestar contas de seus atos, têm de terminar.

As várias faces da injustiça
Muitos especialistas afirmam que o crescimento econômico tirou milhões de pessoas da pobreza. Mas a verdade é que uma quantidade muito maior de pessoas foi deixada para trás. Como ficou demonstrado pela recente crise econômica, os progressos obtidos até aqui foram muito frágeis, e seu custo, em termos de direitos humanos, foi muito elevado. Nesses últimos anos, os direitos humanos foram, demasiadas vezes, relegados a um segundo plano, enquanto o rolo compressor da globalização desregulada passava desenfreado pelo planeta. As consequências são evidentes: aumentou a desigualdade, o desamparo, a marginalização e a insegurança; as vozes de quem protestava foram silenciadas de modo audacioso e impune; e os responsáveis pelos abusos – governos, grandes empresas e instituições financeiras internacionais – seguiram praticamente sem nada lastimar e sem ter de prestar contas. Os sinais de inquietação e de violência política se multiplicam. Eles vêm se somar à crise global de segurança que já existe por causa dos conflitos mortais que a comunidade internacional parece não ter capacidade ou não ter vontade para resolver. Em outras palavras,  estamos sentados em cima de um barril de desigualdade, de injustiça e de insegurança que está prestes a explodir.

Embora muitas partes da África venham apresentado um crescimento econômico contínuo, milhões de pessoas permanecem abaixo da linha de pobreza, tendo de lutar para satisfazer suas necessidades mais básicas. A América Latina é, provavelmente, a região mais desigual do mundo. Tanto nas áreas rurais quanto nas urbanas, as comunidades indígenas e outras comunidades marginalizadas não conseguem ter acesso a serviços de saúde, a água potável, a educação e a moradias adequadas, apesar do impressionante crescimento das economias de seus países. A Índia, uma das maiores potências emergentes da Ásia, ainda não se dedicou a enfrentar as privações pelas quais passam os pobres que vivem nas suas cidades ou as comunidades marginalizadas das zonas rurais. Na China, o padrão de vida dos trabalhadores migrantes e dos que vivem no campo tem se distanciado de forma cada vez mais acentuada do padrão de vida de suas afluentes classes urbanas.

Atualmente, a maior parte da população mundial vive em áreas urbanas, sendo que um bilhão de pessoas mora em favelas. Ou seja, um em cada três habitantes de uma cidade vive em moradias inadequadas, com pouco ou nenhum serviço básico e convive, diariamente, com a insegurança, com a violência e com os despejos forçados. Sessenta por cento da população de Nairobi, no Quênia, vive em favelas – em Kibera, a maior favela da África, moram um milhão de pessoas. Em situação semelhante estão cerca de 150 mil cambojanos que vivem ameaçados por despejos: seja por causa de disputas por terras, de confisco de terras ou de projetos agroindustriais ou de replanejamento urbano.
 
A desigualdade resultante da globalização não se limitou apenas aos habitantes de países em desenvolvimento. Como mostra um relatório publicado em 2008 pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), também nos países industrializados “o crescimento econômico das últimas décadas beneficiou mais os ricos do que os pobres”. Entre os 30 países membros da OCDE, os Estados Unidos, o país mais rico do mundo, ficou em 27º lugar em termos de desigualdade na distribuição de renda de sua população e de uma pobreza endêmica que ainda persiste.

Por trás da situação dos pobres, desde os que vivem nas favelas urbanas do Rio de Janeiro até as comunidades ciganas dos países europeus, esconde-se uma incômoda verdade: muitas pessoas são pobres porque existem políticas dissimuladas que visam a sua marginalização e a sua exclusão, as quais são executadas ou consentidas pelo Estado, em cumplicidade com atores do ramo privado ou empresarial. Não é mera coincidência que a maioria dos pobres no mundo são mulheres, imigrantes, minorias étnicas e religiosas. Não é por acaso que a mortalidade materna continua sendo uma das maiores causas de morte da atualidade, apesar de se poder salvar as vidas de centenas de milhares de mulheres em idade fértil com gastos mínimos em atendimento obstetrício.

Um exemplo bem claro de cumplicidade entre o Estado e o mundo empresarial com a intenção de espoliar certos grupos de suas terras e de seus recursos naturais, levando-os a uma situação de pobreza, é o que acontece com as comunidades indígenas. Na Bolívia, um grande número de famílias indígenas da região do Chaco está vivendo em condições que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos descreveu como sendo análogas à escravidão. Após sua visita ao Brasil, em agosto de 2008, o relator especial da ONU sobre povos indígenas criticou “a persistente discriminação subjacente à elaboração de políticas públicas, à prestação de serviços e à administração da Justiça” que prejudica os povos indígenas do país.

As iniquidades estão também no próprio sistema de justiça. Em um esforço para estimular a economia de mercado e incentivar os investimentos do setor privado e das empresas estrangeiras, as instituições financeiras internacionais financiaram reformas jurídicas no setor comercial de diversos países em desenvolvimento. Nenhuma iniciativa comparável foi feita para assegurar que as populações pobres pudessem ter seus direitos garantidos recorrendo aos tribunais, a fim de obterem compensação pelas violações dos seus direitos humanos, cometidas por governos ou por empresas. Segundo a Comissão da ONU para o Empoderamento Jurídico dos Pobres, cerca de dois terços da população mundial não consegue, verdadeiramente, ter acesso à Justiça.

Múltiplas formas de insegurança
Em meio a um clima de recessão econômica, a combinação de diversos fatores provavelmente fará aumentar o número de pessoas que vivem na pobreza e que são submetidas a abusos de seus direitos humanos. Primeiro, foram as políticas de ajuste estrutural, prescritas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial até o final da década de 1990, que desfizeram as redes de proteção social tanto nos países desenvolvidos quanto nos que estavam em vias de se desenvolver. Essas políticas foram concebidas para criar condições favoráveis a uma economia de mercado dentro dos Estados e para abrir os mercados domésticos ao comércio internacional. Elas promoviam a idéia de um Estado mínimo, em que os governos eliminassem suas obrigações com os direitos econômicos e sociais para favorecer o mercado. Além de preconizar a liberalização econômica, as políticas e ajustes estruturais também estipulavam a privatização dos serviços públicos, a desregulamentação das relações de trabalho e cortes nas redes de proteção social. As taxas que o Banco Mundial e o FMI propunham que se cobrasse dos usuários nas áreas de saúde e de educação muitas vezes faziam com que esses serviços ficassem fora do alcance dos mais pobres. Agora, com a situação econômica em descalabro e com o desemprego aumentando, muitas pessoas estão tendo de enfrentar não apenas a queda de sua renda, mas também uma grande insegurança social, sem nenhuma rede de proteção para ampará-las nesses tempos difíceis.

Um outro fator foi o surgimento de insegurança alimentar em um nível global, algo que, apesar de sua gravidade, não vem recebendo atenção suficiente por parte da comunidade internacional. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), quase um bilhão de pessoas estão padecendo de fome e de desnutrição. Por vários motivos, esse problema aumentou de forma acentuada como consequência de décadas de sub-investimentos na agricultura; de políticas comerciais que incentivavam a prática de dumping, levando à ruína os produtores locais; das mudanças climáticas que agravaram a escassez de água e a degradação dos solos; das pressões cada vez maiores de uma população que não para de crescer; da alta nos custos da energia e da corrida em busca de biocombustíveis.

Em muitos lugares, a crise alimentar foi exacerbada pela discriminação e pela manipulação política da distribuição de alimentos, pela obstrução de ajuda humanitária urgente, pela insegurança e pelos conflitos armados que impossibilitam o trabalho na agricultura e que não permitem que as pessoas tenham acesso aos recursos de que precisam para produzir ou para comprar alimentos. No Zimbábue, onde, no final de 2008, mais de cinco milhões de pessoas precisavam de ajuda alimentar, o governo utilizou os alimentos como uma arma contra seus oponentes políticos. Na Coréia do Norte, a ajuda alimentar foi propositadamente restringida pelas autoridades com o objetivo de oprimir a população e de mantê-la em uma situação de fome. A tática de ‘terra arrasada’, empregada pelas forças armadas sudanesas e pelas milícias aliadas Janjawid para combater a insurgência, destruíram tanto as fontes de subsistência quantos as vidas das pessoas em Darfur. Os civis desabrigados, que ficaram encurralados no norte do Sri Lanka devido ao conflito na região, foram privados de alimentos e de outros tipos de ajuda humanitária porque o grupo armado Tigres Tâmeis não permitia que as pessoas deixassem o local. Enquanto isso, as forças armadas do Sri Lanka não permitiam o livre acesso das organizações assistenciais. Um dos exemplos mais escandalosos de negação do direito à alimentação em 2008 foi dado pelas autoridades de Mianmar. Por três semanas, recusaram-se a permitir que ajuda alimentar de emergência chegasse a 2,4 milhões de sobreviventes do ciclone Nargis que precisavam desesperadamente de comida. Enquanto isso, o governo desviava seus próprios recursos para promover um referendo problemático sobre uma Constituição ainda mais cheia de problemas.

Tudo isso, somado à alta nos preços dos alimentos e à demissão de centenas de milhares de trabalhadores migrantes ou estrangeiros, acontece em meio a um cenário em que as economias desaceleram e o protecionismo começa a mostrar sua face. As remessas de dinheiro no valor de aproximadamente 200 bilhões de dólares – o dobro do montante da assistência para o desenvolvimento em todo o mundo –, feitas anualmente pelos trabalhadores estrangeiros, são uma importante fonte de renda para uma série de países menos ou mais desenvolvidos como Bangladesh, Filipinas, Quênia e México. Uma queda nesse tipo de remessas significa menos renda para esses governos e, consequentemente, menos verbas para investir em produtos e serviços essenciais. Além disso, o fechamento do mercado para a mão-de-obra estrangeira em alguns países deixa desiludida e indignada uma quantidade ainda maior de jovens que vivem ociosos em suas cidades de origem, os quais acabam por se tornarem presas fáceis da política e da violência extremistas.

Enquanto isso, embora o mercado de trabalho encolha, a pressão que leva as pessoas a emigrarem não deixa de crescer, e os países para onde essas pessoas querem ir recorrem a métodos cada vez mais severos para mantê-las fora de suas fronteiras. Em junho de 2008, estive no cemitério público de Tenerife, nas Ilhas Canárias, onde as lápides anônimas são um testemunho silencioso dos planos frustrados de imigrantes africanos que queriam chegar à Espanha. Somente em 2008, 67 mil pessoas se arriscaram na perigosa travessia entre o Mediterrâneo e a Europa. Inúmeras vidas naufragaram nessa jornada. Os que conseguiam completar a travessia tinham de levar uma vida nas sombras, sem documentos de identidade, expostos à exploração e a abusos. Além disso, em consequência de uma diretiva da União Européia sobre o repatriamento de imigrantes irregulares, ainda pairava sobre suas cabeças a ameaça de longos períodos de detenção antes de serem deportados.

Alguns Estados-membros da UE, como a Espanha, concluíram acordos bilaterais com países africanos para repatriar imigrantes ou para, muito antes, impedi-los de deixar seus países. Países como a Mauritânia interpretam tais acordos como uma licença para praticar prisões arbitrárias, para deter as pessoas em condições lamentáveis e para deportar, sem acesso a recursos jurídicos, um grande número de estrangeiros de seu território. Isso costuma ser feito sem que se tenha nenhuma prova de que essas pessoas pretendiam deixar o país, embora não seja considerado crime sair com regularidade da Mauritânia.

Com um número crescente de pessoas levado a viver em condições cada vez mais precárias, intensificam-se as tensões sociais. Em maio, a África do Sul foi palco de uma das piores explosões de violência racista e xenofóbica de 2008, que deixou 60 mortos, 600 feridos e dezenas de milhares desalojados. Ao mesmo tempo, outras dezenas de milhares de pessoas entravam no país para buscar refúgio da violência política e das privações que estavam sofrendo no vizinho Zimbábue. Apesar de os inquéritos oficiais não terem conseguido estabelecer as causas desses ataques, a maioria dos observadores estima que eles tenham sido motivados por sentimentos xenofóbicos e pela competição por empregos, por moradias e por serviços sociais, em um contexto ainda mais agravado pela corrupção.

A recuperação econômica só virá com estabilidade política. Contudo, aqueles mesmos líderes mundiais que se esforçam para conseguir fechar pacotes de ajuda econômica para restabelecer a economia global continuam a ignorar conflitos mortais que ocorrem em vários lugares do planeta. Esses conflitos produzem inúmeras violações de direitos humanos, em grandes proporções, aprofundando a miséria das pessoas e pondo em risco a estabilidade regional.

As condições econômicas e sociais em Gaza, um território submetido a bloqueios e arrasado por ataques militares, são apavorantes. Os abalos políticos e econômicos resultantes do choque entre Israel e os Territórios Palestinos Ocupados são sentidos muito além de sua vizinhança imediata.

Os conflitos de Darfur e da Somália estão afetando áreas onde existem ecossistemas delicados. Nesses locais, a maior demanda por água e pelo aumento da capacidade de fornecer alimentos para sustentar a população são tanto a causa quanto a consequência das guerras constantes. Esses conflitos têm provocado deslocamentos em massa de pessoas, o que exerce uma enorme pressão sobre os países vizinhos, que agora têm de arcar com as consequências adicionais de uma crise econômica global.

No leste da República Democrática do Congo, o jogo pelo poder político regional se desenrola em um cenário de ambições, de corrupção e de interesses econômicos que deixam a população cada vez mais empobrecida, presa em um ciclo contínuo de violência. Com uma enorme riqueza natural, esse país agora assiste aos seus esforços de reconstrução e de recuperação retrocederem, pois, com a recessão econômica, os investimentos estrangeiros diminuíram.

No Afeganistão, a insegurança generalizada restringiu a capacidade de seus habitantes terem acesso a alimentos, a cuidados com a saúde e a educação – condição que atinge principalmente as mulheres e as meninas. E a insegurança cruzou a fronteira para o vizinho Paquistão, um país já afetado pela incapacidade de seu governo de manter uma situação de respeito pelos direitos humanos e de enfrentar a pobreza e o desemprego entre os jovens – algo que está afundando o país em uma espiral de violência extremista.

Se é que podemos tirar alguma lição dessa crise financeira, é que as fronteiras internacionais não nos protegem de danos. Uma solução para os piores conflitos do mundo e para a ameaça crescente da violência extremista deve ser encontrada por meio de mais respeito pelos direitos humanos. Esse aspecto é fundamental para dar nova vida à economia mundial.

Continua...
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Offline Diegojaf

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #14 Online: 29 de Maio de 2009, 20:52:54 »
Não existem "membros dos DH", só podem existir membros de organizações que defendem os DH. E não há problema algum em se focar na defesa especificamente do tratamento humano aos presos, não considerando foco do grupo a situação de pessoas vítimas de fenômenos naturais.

Não há problema algum, mas então que não reclamem da imagem conquistada. Ela reflete somente as ações e a imagem que os DH possuem no Brasil.
"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto." - Rui Barbosa

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #15 Online: 29 de Maio de 2009, 21:01:00 »
Nas eleições de 2000 para prefeito em BH, haviam dois candidatos principais. João Leite e Pimentel.

João Leite liderou por um bom tempo e na reta final das eleições, foi derrubado quando Pimentel passou a divulgar a atuação do rival na luta pelos Direitos Humanos.

Quem deixou de votar em João Leite? Somente os favorecidos ou todas as classes que consideram DH como coisa de bandido?

EDIT: Correção. Foram as eleições de 2004.
« Última modificação: 29 de Maio de 2009, 21:05:33 por Diegojaf »
"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto." - Rui Barbosa

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Offline Buckaroo Banzai

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #16 Online: 29 de Maio de 2009, 23:24:38 »
Não existem "membros dos DH", só podem existir membros de organizações que defendem os DH. E não há problema algum em se focar na defesa especificamente do tratamento humano aos presos, não considerando foco do grupo a situação de pessoas vítimas de fenômenos naturais.

Não há problema algum, mas então que não reclamem da imagem conquistada. Ela reflete somente as ações e a imagem que os DH possuem no Brasil.

Acho que reflete também um pouco ignorância dos objetivos deles. Não duvido que hajam os que sejam mais literalmente pró-bandidos, e os idiotas, como o caso da bandeira do Brasil sob o caixão de um seqüestrador. Mas o que deveria ser realmente, o que é esperado que fosse, seriam protestos contra violações dos direitos humanos feitas pelo estado, contra pessoas sob tutela estatal. Não se trataria de "coitadinhos dos bandidos, soltem eles, vai", como as coisas são interpretadas e geralmente respondidas com o clássico "leva para casa".

As pessoas por exemplo, reclamam coisas como "por que não vão lá na favela com faixas pelos direitos humanos das vítimas dos traficantes?", como se isso fizesse tanto sentido cobrar de gangues de criminosos quanto do estado.

Eu até sou bastante mais do time que fala "leva para casa" do que DH, tendo a ser a favor da pena de morte, por exemplo, mas acho importante que hajam grupos assim, não tenho confiança cega no estado ou na polícia -- apesar também de não ter aquela visão de que a polícia praticamente deu um mini golpe de estado e somos todos (você não :P ) reféns dela, composta essencialmente por psicopatas que matam por prazer e saem impunes.


Vou postar um texto por aqui de algo que achei meio interessante/preocupante, como exemplo.

Offline Arcanjo Lúcifer

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #17 Online: 30 de Maio de 2009, 00:16:42 »
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Acho que reflete também um pouco ignorância dos objetivos deles.

E quais são os objetivos deles se só os vejo dando proteção a assassinos e traficantes? Como perguntei acima, se consideram os estragos causados pelo clima e a falta de ajuda governamental como uma violação dos DH, porque não mandaram ninguém ajudar? E porque mandaram três idiotas protegerem quatro estupradores que assassinaram uma adolescente de 16 anos?

Que não reclamem da imagem que batalharam para conseguir, esses FDP* a merecem mesmo.

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As pessoas por exemplo, reclamam coisas como "por que não vão lá na favela com faixas pelos direitos humanos das vítimas dos traficantes?", como se isso fizesse tanto sentido cobrar de gangues de criminosos quanto do estado.

Na verdade já perguntei a foristas do CC o que os defensores dos DH deveriam fazer em caso de tiroteio em favela já que sempre culpam a polícia por tudo que acontece lá. Perguntei porque eles (Dos DH) não sobem o morro sob o fogo cruzado entre traficantes para oferecer flores a todos e acabar com a briga, assim evitando que a polícia tenha que fazer o que eles (dos DH) que tem soluções maravilhosas e pacíficas para tudo não têm culhões de fazer.

Fiquei sem resposta*.

*Aliás, tive uma resposta do Betinho quando citei o caso de um policial que teve problemas depois de meter uma bala em um drogado no momento em que estava esfaqueando um recém nascido durante um assalto, a solução do cara :

"Deviam ter chamado o advogado dele antes de dar o tiro!"

Ou seja, deixe a criança morrer para salvar um adulto vagabundo que se colocou voluntariamente em uma situação de mata ou morre.

Coisa de gênio.



Offline Buckaroo Banzai

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #18 Online: 30 de Maio de 2009, 02:42:05 »
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Acho que reflete também um pouco ignorância dos objetivos deles.

E quais são os objetivos deles se só os vejo dando proteção a assassinos e traficantes? Como perguntei acima, se consideram os estragos causados pelo clima e a falta de ajuda governamental como uma violação dos DH, porque não mandaram ninguém ajudar? E porque mandaram três idiotas protegerem quatro estupradores que assassinaram uma adolescente de 16 anos?

Que não reclamem da imagem que batalharam para conseguir, esses FDP* a merecem mesmo.

Eu não acompanho a ação de grupos de defesa dos DH, não sei bem o que eles fizeram ou deixaram de fazer.

O meu ponto é: você concorda com tortura na prisão e FEBEM, ou qualquer que seja o nome atual para esse tipo de instituição? Com execuções aleatórias ou ilegais conduzidas pela polícia? Acha que todos os presos devem mesmo ficar só jogados num buraco imundo e superlotado?

Se acha que não, e por acaso tivesse alguém conhecido ou familiar que tivesse a infelicidade de ser preso e não ter curso superior, talvez estivesse fazendo coro aos terríveis "pró-DHs". Eu não tenho, só acho que é uma possibilidade, não são só um bando de pró-bandidos, acho. Não que esses não existam. Como disse, não sei o que os grupos fazem ou deixam de fazer, se uns querem dar uma coroa de ouro para o estuprador-laranja "de menor" do caso Liana & Felipe, não importa num sentido mais amplo do que é a defesa dos DHs.

Talvez não tenha infelizmente nenhuma ONG que preste, realmente não sei. Não conheço uma sequer, o que dizer de todas.


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As pessoas por exemplo, reclamam coisas como "por que não vão lá na favela com faixas pelos direitos humanos das vítimas dos traficantes?", como se isso fizesse tanto sentido cobrar de gangues de criminosos quanto do estado.

Na verdade já perguntei a foristas do CC o que os defensores dos DH deveriam fazer em caso de tiroteio em favela já que sempre culpam a polícia por tudo que acontece lá. Perguntei porque eles (Dos DH) não sobem o morro sob o fogo cruzado entre traficantes para oferecer flores a todos e acabar com a briga, assim evitando que a polícia tenha que fazer o que eles (dos DH) que tem soluções maravilhosas e pacíficas para tudo não têm culhões de fazer.

Fiquei sem resposta*.




Assim. Vivemos num estado. Somos cidadãos. Temos direitos. Os tiroteios do morro, dos traficantes, são algo que não é promovido pelo estado. São os criminosos que fazem isso. Eles estão pouco se lixando pelos seus direitos, e, eles não tem, a obrigação teórica de preservá-los. Na verdade, por definição, os criminosos são aqueles que violam nossos direitos. Já o estado, tem, talvez como principal função, preservar nossos direitos, inclusive os "humanos". Daí só fazer sentido ir ao governo reclamar de ação policial que desrespeitasse esses direitos, pois a polícia é um órgão do governo.

É isso.


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*Aliás, tive uma resposta do Betinho quando citei o caso de um policial que teve problemas depois de meter uma bala em um drogado no momento em que estava esfaqueando um recém nascido durante um assalto, a solução do cara :

"Deviam ter chamado o advogado dele antes de dar o tiro!"

Ou seja, deixe a criança morrer para salvar um adulto vagabundo que se colocou voluntariamente em uma situação de mata ou morre.

Coisa de gênio.

Espero que tivesse sido só ironia.

Offline Arcanjo Lúcifer

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #19 Online: 30 de Maio de 2009, 06:43:16 »
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O meu ponto é: você concorda com tortura na prisão e FEBEM, ou qualquer que seja o nome atual para esse tipo de instituição?

E o meu ponto é: Detentos brigam entre sí, se matam entre sí e toda vez que alguém aparece com um olho roxo culpa os carcereiros pelo simples fato de que pela lei da cadeia se vc apontar o dedo para outro detento vai morrer.

Simples assim, o pessoal da carceragem não pode tratar traficantes e assassinos com florzinhas, mas tb não pode levar a culpa por tudo que acontece lá.

E é exatamente o que o pessoal dos DH faz, culpar os carcereiros por qualquer coisa que aconteça, ou vc já viu algum deles se preocupar em saber se um detento foi agredido por outro?

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Se acha que não, e por acaso tivesse alguém conhecido ou familiar que tivesse a infelicidade de ser preso e não ter curso superior, talvez estivesse fazendo coro aos terríveis "pró-DHs". Eu não tenho, só acho que é uma possibilidade, não são só um bando de pró-bandidos, acho. Não que esses não existam. Como disse, não sei o que os grupos fazem ou deixam de fazer, se uns querem dar uma coroa de ouro para o estuprador-laranja "de menor" do caso Liana & Felipe, não importa num sentido mais amplo do que é a defesa dos DHs.

Se vc vier a ter algum parente preso, esqueça qualquer ajuda do pessoal dos DH.
Ou vc sabe de algum caso como o da doméstica que foi presa por roubar uma tralha em um supermercado, passou meses presa e perdeu um olho em uma agressão de outra detenta , se recebeu qualquer visita dos DH?
Mas em compensação não perdem a oportunidade de colocar a cara na televisão quando tem rebelião na Febem, defender bandido chave-de-cadeia dá lucro para muita gente e seu parente não dá.

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Assim. Vivemos num estado. Somos cidadãos. Temos direitos. Os tiroteios do morro, dos traficantes, são algo que não é promovido pelo estado. São os criminosos que fazem isso. Eles estão pouco se lixando pelos seus direitos, e, eles não tem, a obrigação teórica de preservá-los. Na verdade, por definição, os criminosos são aqueles que violam nossos direitos. Já o estado, tem, talvez como principal função, preservar nossos direitos, inclusive os "humanos". Daí só fazer sentido ir ao governo reclamar de ação policial que desrespeitasse esses direitos, pois a polícia é um órgão do governo.

É isso.

E como vc pararia um tiroteio de favela para preservar os direitos de quem mora lá no fogo cruzado sem nada a ver com a briga? Pois é, nunca vi nenhum  defensor dos DH subir o morro para tal feito, no entanto caem de pau em quem faz.

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Espero que tivesse sido só ironia.

Que nada, cansei de ouvir a mesma baboseira saindo da boca de um bando de FDP* da igreja, a maioria pensa exatamente deste modo.

Em uma das rebeliões da Febem em que um detento cortou a cabeça do outro e jogou lá para fora sobre um bando de policiais, ouvi um religioso dizer algo do tipo "o que estão fazendo com esses meninos é uma agressão..blá blá blá.."

Ou seja, a policia que ainda estava lá fora é que estava agredindo um grupo que havia acabado de degolar outro menor....

Dá vontade de jogar o religioso lá dentro da Febem sem as roupas e apagar a luz para ver o que ele falará depois sobre as criancinhas.






« Última modificação: 30 de Maio de 2009, 06:48:30 por Arcanjo Lúcifer »

Offline O Grande Capanga

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #20 Online: 30 de Maio de 2009, 08:03:35 »
Ah, o meu "  :ok: " foi pra "criminalização" e a ação do MP contra o MST, não pro imbecial da Anistia.

Sorry.

Offline Diegojaf

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #21 Online: 30 de Maio de 2009, 08:09:56 »
Não existem "membros dos DH", só podem existir membros de organizações que defendem os DH. E não há problema algum em se focar na defesa especificamente do tratamento humano aos presos, não considerando foco do grupo a situação de pessoas vítimas de fenômenos naturais.

Não há problema algum, mas então que não reclamem da imagem conquistada. Ela reflete somente as ações e a imagem que os DH possuem no Brasil.

Acho que reflete também um pouco ignorância dos objetivos deles. Não duvido que hajam os que sejam mais literalmente pró-bandidos, e os idiotas, como o caso da bandeira do Brasil sob o caixão de um seqüestrador. Mas o que deveria ser realmente, o que é esperado que fosse, seriam protestos contra violações dos direitos humanos feitas pelo estado, contra pessoas sob tutela estatal. Não se trataria de "coitadinhos dos bandidos, soltem eles, vai", como as coisas são interpretadas e geralmente respondidas com o clássico "leva para casa".

As pessoas por exemplo, reclamam coisas como "por que não vão lá na favela com faixas pelos direitos humanos das vítimas dos traficantes?", como se isso fizesse tanto sentido cobrar de gangues de criminosos quanto do estado.


O conceito formal de Direitos Humanos é: a proteção do indivíduo frente ao poder do Estado ou ao abuso praticado contra esses mesmos indivíduos ferindo a Carta dos Direitos Humanos. Independente de onde e por quem. Em países sérios, as entidades de DH atuam juntamente com empresas, sindicatos e trabalhadores para garantir o cumprimento de normas que visem a dignidade da pessoa do trabalhador. Você vê isso no Brasil?

Só no Brasil existe essa cabeça de manifestar-se somente contra ações do Estado. E mesmo assim, se essas manifestações fossem contra ações abusivas, teríamos uma imagem diferente dessas entidades.

O que vemos ocorrer é que mesmo em ações legítimas onde todos os princípios da legalidade e do uso progressivo da força foram observados, essas entidades bradam aos sete ventos sobre incompetência, despreparo e abuso.
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Offline Diegojaf

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #22 Online: 30 de Maio de 2009, 08:29:34 »
O meu ponto é: você concorda com tortura na prisão e FEBEM, ou qualquer que seja o nome atual para esse tipo de instituição? Com execuções aleatórias ou ilegais conduzidas pela polícia? Acha que todos os presos devem mesmo ficar só jogados num buraco imundo e superlotado?

Eu fui processado por tortura após prender um traficante homicida condenado e que estava foragido. A razão? Ele machucou os pulsos quando ficou girando com as algemas (de propósito).

Quem apresentou a denúncia? Um advogado de uma entidade de DH ligada a um certo Dep. Estadual. Em juízo eu fui chamado de "bandido de farda", "torturador" e coisas menos legais.

Minha testemunha de defesa foi a tia do sujeito, que acompanhou a prisão e a abordagem e que testemunhou que nós não encostamos no cara além do necessário e que ele realmente estava muito nervoso e sob o uso de entorpecentes no momento da prisão.

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Talvez não tenha infelizmente nenhuma ONG que preste, realmente não sei. Não conheço uma sequer, o que dizer de todas.

Como eu disse, nada contra entidades que atuem frente a abusos. No caso, que trabalhem pela melhoria do sistema carcerário. Mas no Brasil, eles atuam contra a prisão de indivíduos em flagrante e não contra a superlotação. Se o cara é criminoso, tem que ser preso, ponto. Não consigo entender como alguém consegue achar isso abuso.


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É isso.

Não, não é isso. Entidades de DH, a Anistia Internacional inclusive, foram criadas para quaisquer casos de desrespeito à Declaração Universal dos Direitos Humanos, seja pelo Estado ou por entidades privadas. Algumas delas denunciam condições irregulares trabalho. No Brasil nem mesmo nos casos de trabalho escravo (que existe com certa abundância em alguns estados) vemos entidades investigando ou se interessando.
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Offline Luiz Souto

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #23 Online: 30 de Maio de 2009, 15:03:12 »
Não, não é isso. Entidades de DH, a Anistia Internacional inclusive, foram criadas para quaisquer casos de desrespeito à Declaração Universal dos Direitos Humanos, seja pelo Estado ou por entidades privadas. Algumas delas denunciam condições irregulares trabalho. No Brasil nem mesmo nos casos de trabalho escravo (que existe com certa abundância em alguns estados) vemos entidades investigando ou se interessando.


Quanto ao trabalho escravo existe uma ONG bastante atuante , a Repórter Brasil , que mantem uma rede de informação sobre trabalho escravo e abusos dos direitos trabalhistas.

Se não queres que riam de teus argumentos , porque usas argumentos risíveis ?

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Offline Diegojaf

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Re: Brasil tem 'conceito infeliz' de que direitos humanos são 'para bandidos'
« Resposta #24 Online: 30 de Maio de 2009, 15:58:34 »
Atuante em que aspecto?
"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto." - Rui Barbosa

http://umzumbipordia.blogspot.com - Porque a natureza te odeia e a epidemia zumbi é só a cereja no topo do delicioso sundae de horror que é a vida.

 

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