Autor Tópico: Americanos tentaram comunismo em 1621 e fracassaram  (Lida 1245 vezes)

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Offline Fernando Silva

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Americanos tentaram comunismo em 1621 e fracassaram
« Online: 08 de Julho de 2009, 07:39:27 »
"O Globo"  07/07/09

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A tragédia dos comuns
JOÃO LUIZ MAUAD

Diversos condomínios têm utilizado uma fórmula bastante simples para economizar água: a instalação de medidores individuais nas respectivas unidades familiares, de forma que cada uma pague exatamente por aquilo que consumiu. O mais interessante quando se olham as estatísticas, porém, é observar que o gasto global tenha caído de modo consistente onde quer que a fórmula tenha sido implementada, e não apenas a conta individual de um ou outro condômino.

Este, sem dúvida, é um exemplo clássico de como se deve agir para escapar daquilo que se convencionou chamar de “Tragédia dos Comuns”, uma teoria do comportamento humano segundo a qual a maioria dos indivíduos, sempre que puder apropriar-se de partes de um bolo comum, sem importar-se com quanto contribuiu para a sua produção, será incentivada a fazer o mínimo possível em prol do bolo e dele retirar o máximo proveito.

Uma das primeiras colônias a instalarse na América do Norte — a Plymouth Colony, estabelecida no estado de Massachusetts, no ano de 1621— passou por uma experiência tão interessante quanto amarga, que demonstrou empiricamente algo que o filósofo Aristóteles já havia deduzido mais de dois mil anos antes: “Aquilo que é comum ao maior número despertará sobre si os menores cuidados.” Um contrato coletivo, assinado pelos imigrantes antes mesmo de sua chegada ao Novo Mundo, estabelecia um sistema no qual as propriedades seriam todas comuns. Além disso, toda a produção deveria ser entregue para armazenamento comunitário, do qual cada indivíduo receberia uma fração igual, não importando com quanto contribuísse.

Não por acaso, a produção em Plymouth naqueles primeiros anos era insuficiente até mesmo para as necessidades da própria gente. Faltava comida, embora sobrasse ócio e acomodação.

A insensatez coletivista levou rapidamente a economia da colônia à penúria.


Em 1623, apenas dois anos após a chegada dos primeiros Pilgrims, a fome já era desesperadora. William Bradford, que viria a ser governador da província algumas vezes, assim descreveu aquele triste momento da história americana em seu famoso diário: “Aquela experiência durou alguns anos... e bem evidencia a vilania desse conceito de Platão e outros patriarcas antigos, aplaudido por muitos ultimamente, segundo o qual se acabarmos com a propriedade, em prol da riqueza comum, isto fará a comunidade feliz e próspera... Para esta nossa comunidade (até onde aquilo poderia ser chamado de comunidade) o experimento causou muita confusão e descontentamento. Os homens...lamentavam ter que gastar seu tempo e esforços trabalhando para as mulheres e as crianças de outros homens, sem que obtivessem qualquer recompensa...”

Em pouco tempo, encurralada pelas terríveis circunstâncias, a liderança dos colonos resolveu abolir a estrutura socialista que engessava qualquer possibilidade de progresso, transferindo para cada família uma parcela das terras, e permitindo o usufruto de tudo quanto seu trabalho produzisse. A eliminação da propriedade comunal em favor da propriedade privada logo mudou o panorama.

Os colonos rapidamente começaram a produzir muito mais do que eles mesmos poderiam consumir. Não tardou para que o comércio também florescesse e os excedentes da produção fossem trocados com os índios, que lhes entregavam carnes de caça e peles, estas últimas exportadas com largas margens de lucro para a Europa.“ Esta decisão foi um grande sucesso, pois tornou todas as mãos diligentes e industriosas”, escreveria Bradford pouco tempo depois.

A história de Plymouth não causa qualquer surpresa a quem conhece um pouco a natureza humana. Quando as pessoas obtêm o mesmo retorno, não importa o esforço que precisem fazer, a maioria optará pelo empenho mínimo, basta olhar o desempenho de qualquer economia comunista.

Ademais, como bem resumiu John M. Keynes, “a relação entre cada homem e os frutos do seu trabalho é muito forte... ‘seu’ e ‘meu’ são expressões comuns em todas as línguas, familiares entre os selvagens e entendidas mesmo pelas crianças”.

A grande virtude da propriedade privada é justamente estabelecer a conexão entre esforços e ganhos, custos e benefícios, criando incentivos para que as pessoas produzam (ou economizem, como no caso do consumo de água) conforme as suas necessidades e ambições. Porém, o direito de propriedade é também, e acima de tudo, a melhor arma contra a barbárie, a garantia de que “o pão obtido com o suor do próprio rosto” não será tomado de ninguém arbitrariamente.

Offline Eleitor de Mário Oliveira

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Re: Americanos tentaram comunismo em 1621 e fracassaram
« Resposta #1 Online: 08 de Julho de 2009, 07:50:21 »
Ótimo texto!

Offline Fabi

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Re: Americanos tentaram comunismo em 1621 e fracassaram
« Resposta #2 Online: 09 de Julho de 2009, 00:57:11 »
A tragédia dos comuns

JOÃO LUIZ MAUAD

Diversos condomínios têm utilizado uma fórmula bastante simples para economizar água: a instalação de medidores individuais nas respectivas unidades familiares, de forma que cada uma pague exatamente por aquilo que consumiu. O mais interessante quando se olham as estatísticas, porém, é observar que o gasto global tenha caído de modo consistente onde quer que a fórmula tenha sido implementada, e não apenas a conta individual de um ou outro condômino.

Este, sem dúvida, é um exemplo clássico de como se deve agir para escapar daquilo que se convencionou chamar de “Tragédia dos Comuns”, uma teoria do comportamento humano segundo a qual a maioria dos indivíduos, sempre que puder apropriar-se de partes de um bolo comum, sem importar-se com quanto contribuiu para a sua produção, será incentivada a fazer o mínimo possível em prol do bolo e dele retirar o máximo proveito.

Uma das primeiras colônias a instalarse na América do Norte  — a Plymouth Colony, estabelecida no estado de Massachusetts, no ano de 1621— passou por uma experiência tão interessante quanto amarga, que demonstrou empiricamente algo que o filósofo Aristóteles já havia deduzido mais de dois mil anos antes: “Aquilo que é comum ao maior número despertará sobre si os menores cuidados.” Um contrato coletivo, assinado pelos imigrantes antes mesmo de sua chegada ao Novo Mundo, estabelecia um sistema no qual as propriedades seriam todas comuns. Além disso, toda a produção deveria ser entregue para armazenamento comunitário, do qual cada indivíduo receberia uma fração igual, não importando com quanto contribuísse.

Não por acaso, a produção em Plymouth naqueles primeiros anos era insuficiente até mesmo para as necessidades da própria gente. Faltava comida, embora sobrasse ócio e acomodação. (leiam é o que acontece em escala maior nos regimes comunistas)
A insensatez coletivista levou rapidamente a economia da colônia à penúria.

Em 1623, apenas dois anos após a chegada dos primeiros Pilgrims, a fome já era desesperadora. William Bradford, que viria a ser governador da província algumas vezes, assim descreveu aquele triste momento da história americana em seu famoso diário: “Aquela experiência durou alguns anos... e bem evidencia a vilania desse conceito de Platão e outros patriarcas antigos, aplaudido por muitos ultimamente, segundo o qual se acabarmos com a propriedade, em prol da riqueza comum, isto fará a comunidade feliz e próspera... Para esta nossa comunidade   (até onde aquilo poderia ser chamado de comunidade) o experimento causou muita confusão e descontentamento. Os homens...lamentavam ter que gastar seu tempo e esforços trabalhando para as mulheres e as crianças de outros homens, sem que obtivessem qualquer recompensa...”

Em pouco tempo, encurralada pelas terríveis circunstâncias, a liderança dos colonos resolveu abolir a estrutura socialista que engessava qualquer possibilidade de progresso, transferindo para cada família uma parcela das terras, e permitindo o usufruto de tudo quanto seu trabalho produzisse. A eliminação da propriedade comunal em favor da propriedade privada logo mudou o panorama.
(por que será? ::))
Os colonos rapidamente começaram a produzir muito mais do que eles mesmos poderiam consumir. Não tardou para que o comércio também florescesse e os excedentes da produção fossem trocados com os índios, que lhes entregavam carnes de caça e peles, estas últimas exportadas com largas margens de lucro para a Europa.“ Esta decisão foi um grande sucesso, pois tornou todas as mãos diligentes e industriosas”, escreveria Bradford pouco tempo depois.

A história de Plymouth não causa qualquer surpresa a quem conhece um pouco a natureza humana. Quando as pessoas obtêm o mesmo retorno, não importa o esforço que precisem fazer, a maioria optará pelo empenho mínimo, basta olhar o desempenho de qualquer economia comunista.

Ademais, como bem resumiu John M. Keynes, “a relação entre cada homem e os frutos do seu trabalho é muito forte... ‘seu’ e ‘meu’ são expressões comuns em todas as línguas, familiares entre os selvagens e entendidas mesmo pelas crianças”.

A grande virtude da propriedade privada é justamente estabelecer a conexão entre esforços e ganhos, custos e benefícios, criando incentivos para que as pessoas produzam (ou economizem, como no caso do consumo de água) conforme as suas necessidades e ambições. Porém, o direito de propriedade é também, e acima de tudo, a melhor arma contra a barbárie, a garantia de que “o pão obtido com o suor do próprio rosto” não será tomado de ninguém arbitrariamente.

Fonte: "O Globo"  07/07/09 mas tirei daqui: http://realidade.org/forum/index.php?topic=6143.msg79126#msg79126
*Em azul, meus comentários.
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Offline Leafar

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Re: Americanos tentaram comunismo em 1621 e fracassaram
« Resposta #3 Online: 09 de Julho de 2009, 03:45:17 »
Essa "tragédia dos comuns" já deixou uma marca negra na história da humanidade, na grande fome russa de 1921 e 1922. Foi a mesma coisa: em função da extinção da propriedade privada, todo o excedente de produção passou a ser confiscado para distribuição nas cidades e os camponeses só podiam ficar com o suficiente para a própria subsistência. Resultado: os camponeses passaram a produzir somente para a própria subsistência e as populações das cidades começaram a morrer de fome. Cinco milhões morreram e esse número só não foi maior por causa da ajuda internacional, especialmente a dos "porcos capitalistas" americanos:

Lênin, a partir de 1919, iniciara uma política de confisco de grãos dos camponeses, que gradualmente levaria uma crise de fome em massa na população. A tentativa de planificar a economia, através do controle de distribuição de alimentos, mediante apropriação forçada dos grãos dos camponeses, a fim de abastecer as cidades, gerou não somente revolta e uma feroz guerra civil no campo, como uma diminuição gradual da produção de cereais na Rússia. Os camponeses foram proibidos de vender livremente seus excedentes e os bolchevistas, exigindo cotas de produção acima das possibilidades do campo, empobreceu-os radicalmente, gerando escassez de alimentos. Os bolchevistas, através de uma incrível violência, torturando, matando e saqueando os agricultores, não somente confiscavam tudo que o camponês tinha, como não poupavam nem os grãos guardados para a o replantio de novas safras agrícolas. As regiões mais ricas da Rússia, como Tambov e outros arredores de Moscou, outrora grandes exportadores de cereais, por volta de 1920, ameaçava perecer pela fome. Os comissários da Tcheka, em memorandos direcionados a Lênin e Molotov, relatavam a incapacidade dos camponeses de oferecer seus grãos, já que não somente o campo tinha se desestabilizado, como simplesmente a produção agrícola decaído. No entanto, sabendo dessas informações, Lênin radicalizou o processo, obrigando cada vez mais os camponeses a darem suas cotas de produção onde eles não existiam mais. Antonov-Ovsenko, em uma carta sincera a um correligionário do partido, dizia que as exigências bolcheviques para a agricultura, em milhões de puds de cereais, eram tão além das expectativas da população, que ela simplesmente morreria de fome. E, de fato, foi o que ocorreu. Por volta de 1921 e 1922, 30 milhões de russos foram atingidos por uma crise de fome monstruosa, prontos a perecerem. O país caiu num caos completo. Rebeliões explodiam por todo a Rússia e arredores. Os marinheiros de Kronstadt se amotinaram e fizeram alianças com os camponeses insurretos e esfomeados. E a fúria da população era tanta, que os "comissários do povo" perdiam o controle de várias cidades russas, já que eram massacrados pela turba enraivecida. Numa dessas cidades, os grãos de alimentos confiscados apodreciam na estação ferroviária, enquanto a população morrendo de fome, enfrentando os tiros dados pelos soldados do exército vermelho, saqueavam tudo quanto viam. Enquanto isso, nas florestas da Rússia e Ucrânia, exércitos inteiros de camponeses atacavam os bolchevistas por arapucas.

Alguns intelectuais russos, com grande notoriedade mundial, reuniram-se numa comissão, para pedir a Lênin, que pressionasse, no sentido de ajuda internacional às vítimas da fome. Á primeira vista, o regime bolchevista não ficou interessado na história, porém, com a pressão da opinião pública internacional assistindo a tragédia do país, eles foram obrigados a conceder. Em parte por pressão internacional e, em parte, para pacificar o país esfomeado. Lênin fez concessões com relação ao confisco de alimentos. Todavia, reprimiu implacavelmente as revoltas camponesas. Fuzilamentos sumários de centenas de milhares de pessoas, assassinatos de famílias inteiras, deportações para os recém-construídos campos de concentração, e mesmo o uso de gás venenoso contra os agricultores rebelados, foram as variadas formas com que os bolcheviques esmagaram a resistência no campo. Quando a Cruz Vermelha e a ARA, Association Relief Association, norte-americana, trouxeram mantimentos, alimentando 11 milhões de pessoas por dia, já era um pouco tarde: cinco milhões já tinham perecido pela fome. Se não fosse a ajuda internacional e, em particular, a ajuda americana, com o apoio logístico do exército dos Eua, mais pessoas morreriam. Quanto a situação se pacificou, os bolchevistas prenderam os intelectuais russos que pediram a ajuda internacional, com a desculpa de que o regime soviético não queria concorrentes. Só não foram fuzilados, por causa, mais uma vez, da pressão pública internacional, e o regime soviético os expulsou do país com a roupa do corpo. A fome russa foi uma das maiores tragédias da história do século XX. Uma parte da população esformeada simplesmente foi reduzida ao canibalismo. Dizia-se que os camponeses famélicos arrancavam o fígado dos cadáveres para fazer patês e vender no mercado. Relatórios da Tcheka, a polícia política soviética, como algumas fotos, retratam esse estado de penúria, sem contar as famílias deportadas para a Sibéria, que definhavam pelo frio. Viam-se milhões de cadáveres espalhados pelo país, uma boa parte, de crianças. Algumas delas são retratadas em várias fotos chocantes, raquíticas, nuas, sujas, abandonadas.


http://realidadesocialista.blogspot.com/2007/12/realismo-socialista-parte-i.html

Eu li também há pouco tempo um pequeno artigo sobre o tema, que envolve a Teoria dos Jogos:

A teoria dos jogos como metodologia de investigação científica para a cooperação na perspectiva da psicologia evolucionista

O artigo também fala da Tragédia dos Comuns, no final, mas antes também fala do "Jogo dos Bens Públicos". O Jogo dos Bens Públicos baseia-se no fato de que, por mais que a propriedade possa ser privada, sempre haverá algo que deverá ser partilhado por todos:

O Jogo dos Bens Públicos é semelhante ao do Dilema do Prisioneiro porém jogado por muitos jogadores. Nele os jogadores adicionam um valor a um bem comum e, posteriormente, o que for arrecadado será dividido entre todos os participantes. Esse dilema é vivenciado na vida real quando pagamos impostos ou coletamos dinheiro para comprar água ou café no trabalho.

Os indivíduos trapaceiros (ou free riders) que podem aparecer nos jogos do Dilema do Prisioneiro também estarão presentes nesse jogo. Com múltiplos jogadores, a incidência dos free riders aumenta, o que pode trazer desvantagens para os cooperadores, que gastam muita energia para manter esses indivíduos com suas doações. Em populações grandes, torna-se difícil identificar e punir os não cooperadores (Cartwright, 2000). Portanto, utilizando a metodologia da teoria dos jogos, podemos entender por que alguns indivíduos se comportam como trapaceiros e propor maneiras de impedir sua propagação. Também podemos compreender as circunstâncias que tornam o comportamento de free riding mais vantajoso do que o de cooperação.

Utilizando o jogo dos bens públicos, Semmann, Krambeck e Milinski (2003) e Hauert, De Montes, Hofbauer e Sigmund (2002a, 2002b) sugerem: a) trapa-
cear é a melhor estratégia, no sentido de que o jogador ganha mais; b) porém, para que o trapaceiro ganhe, é preciso que os outros cooperem; c) cooperar só é bom em grupos em que todos cooperam; d) a cooperação será predominante em grupos pequenos, desde que o valor recebido não esteja muito abaixo do custo da sua cooperação.

Um exemplo interessante, que ilustra a utilização desse jogo em uma situação real, foi relatado por Yamamoto, Lacerda e Alencar (no prelo). Eles relatam que, em Mato Ggrosso, próximo da saída para o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, a cerca de cinco quilômetros do centro de Cuiabá-MT, localiza-se um grande conjunto residencial composto de dez quadras com sete blocos de apartamentos cada uma. O condomínio foi construído para a população de baixa renda e, durante muitos anos, havia uma grande desorganização. Muitos moradores não conseguiam pagar o financiamento e muito menos as taxas de administração do condomínio (utilizadas para organização do local e a água consumida nos blocos de apartamentos). A única conta individual era a da energia elétrica do próprio apartamento.

Analisando essa idéia a partir de uma compreensão do Jogo dos Bens Públicos, consideramos que a taxa do condomínio seria um investimento para um bem comum já que, com esse dinheiro, haveria retorno para todos (melhores condições para os blocos além da água de cada bloco). No entanto, como em todos os modelos de bens públicos, nem todos pagavam. Havia free riders nesse condomínio.

Assim um conflito de interesses aparece: pagar ou não a taxa? Até que ponto valeria a pena pagar ou deixar de fazê-lo? Quantos pagadores poderiam sustentar o condomínio? No exemplo citado era constante o corte de água, pois o número de inadimplentes era alto. Ou seja, o número de free riders era tão alto que tornava a situação caótica para todos. No entanto, havia água nos reservatórios que qualquer um poderia pegar. Quem pagava a taxa de condomínio estava pagando por um bem que todos iriam usufruir e, caso deixasse de pagar, poderia faltar água no bloco para todos os moradores. Os free riders tornavam-se um grande problema para os adimplentes (cooperadores).

Dentre as várias quadras desse condomínio, apenas uma conseguiu resolver esse problema. Quando a água era cortada por falta de pagamento, os moradores pagantes não permitiam que os indivíduos inadimplentes retirassem água do reservatório. A ação de discriminar os indivíduos que poderiam retirar água resolveu o problema do condomínio e o índice de inadimplência caiu progressivamente. Logo a situação da quadra passou a melhorar, pois não houve mais cortes de água; zeladores e guardas foram contratados; a guarita, além de remodelada, foi interligada aos apartamentos por interfone; um muro substituiu a antiga cerca frágil que delimitava o condomínio e uma quadra de futebol e um playground apareceram como opções de lazer para crianças e adultos.

O controle dos free riders se deu porque os custos da cooperação estavam muito altos e, além disso, os trapaceiros eram identificáveis...


Moral da história: qualquer sistema que privilegie os trapaceiros, que os trate como "coitadinhos" que não podem pagar, etc... está fadado à miséria e ao caos coletivo. Num sistema que funciona, a regra é simples: quem colabora, usufrui; quem não colabora, não usufrui.

Um abraço.
"Ide com a onda que nos arrasta; necessitamos do movimento, que é vida, ao passo que vós nos apresentais a imobilidade, que é a morte.... Queremos lançar-nos à vida, porquanto os séculos vindouros, que divisamos, têm horror à morte." (Obras Póstumas - Allan Kardec).

visite: http://conviccao-espirita.blogspot.com/2013/08/apresentacao-deste-blog.html

Offline _tiago

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Re: Americanos tentaram comunismo em 1621 e fracassaram
« Resposta #4 Online: 09 de Julho de 2009, 07:56:15 »
Eu sabia ter visto este tópico aqui em algum lugar...

http://clubecetico.org/forum/index.php/topic,20909.0.html

Offline Hold the Door

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Re: Americanos tentaram comunismo em 1621 e fracassaram
« Resposta #5 Online: 09 de Julho de 2009, 11:33:29 »
Excelente texto!
Hold the door! Hold the door! Ho the door! Ho d-door! Ho door! Hodoor! Hodor! Hodor! Hodor... Hodor...

Offline Fernando Silva

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Re: Americanos tentaram comunismo em 1621 e fracassaram
« Resposta #6 Online: 09 de Julho de 2009, 12:45:52 »
A China começou a se tornar o país que é hoje quando o governo comunista passou a fingir que não via os camponeses plantarem e venderem seus produtos sem entregá-los ao governo.
Percebeu que era a única solução para acabar com a fome crônica.
Só recentemente eles legalizaram, oficialmente, a propriedade privada.

Offline Arcanjo Lúcifer

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Re: Americanos tentaram comunismo em 1621 e fracassaram
« Resposta #7 Online: 09 de Julho de 2009, 15:53:42 »
"Não deu certo em 1621 porque deturparam o comunismo, aquilo lá nunca foi o comunismo real em que todos são iguais. Tem uma nova teoria de Fulano de Tal publicada recentemente, blá, blá, blá..."

 :hihi:

Offline Fabi

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Re: Americanos tentaram comunismo em 1621 e fracassaram
« Resposta #8 Online: 09 de Julho de 2009, 18:38:20 »
Citação de: Acauan
Uma premissa básica do comunismo é que os vícios do capitalismo corrompem a natureza humana, negando o óbvio de que são os vícios da natureza humana que corrompem o capitalismo.

A estupidez da premissa básica comunista é tão flagrante que causa espanto o fato de tantos proclamados sábios marxistas não a enxergarem.

Oras bolas, em uma sociedade em que todas as pessoas fossem solidárias e altruístas o sistema político-econômico não faria a menor diferença. Todos fariam o melhor pelo bem comum e todos seriam recompensados em decorrência desta melhor aplicação dos recursos.
 
No mundo real, onde as pessoas colocam seus interesses individuais antes e acima dos comuns, a experiência comunista não produziu o profetizado novo homem socialista, motivado pela cooperação, que sucederia ao explorador capitalista motivado pela ganância e egoísmo.

Tudo que os comunistas fizeram foi substituir a burguesia capitalista pelos burocratas estatais, que se mostraram muito mais vorazes em locupletar-se às custas dos trabalhadores do que os antigos e famigerados patrões, que pelo menos produziam alguma coisa, ao contrário da nova elite, especialista em desabastecimento.

Postos na balança, com todos os seus males o capitalismo se provou um sistema de produção capaz de enriquecer populações inteiras, mesmo que não fosse esta a intenção dos empresários. Já o comunismo se provou uma forma eficiente de distribuir miséria, igualando na fome e na penúria as populações que dominou, excluídos, claro, os nababos do partido.

Fonte: http://rv.cnt.br/viewtopic.php?f=1&t=19425#p389448
O Acauan tem uma argumentação forte contra o comunismo/socialismo, por isso é sempre bom ler.
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