Autor Tópico: IDH: Uma régua não muito precisa  (Lida 1734 vezes)

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Offline O Grande Capanga

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IDH: Uma régua não muito precisa
« Online: 16 de Outubro de 2009, 00:40:12 »
Uma régua não muito precisa

Idealizado para comparar o estágio de bem-estar dos países, o IDH da ONU tem valor, mas não pode ser tomado como definitivo. Sua metodologia produz muitas e curiosas aberrações


NO TOPO
Os noruegueses, líderes no ranking, souberam transformar os dólares do petróleo em avanço social efetivo


Há cinquenta anos vivendo sob uma ditadura, os cubanos são impedidos de viajar para o exterior e enfrentam uma privação tão drástica de produtos básicos que nas democracias de economia de mercado não seria aceitável nem em tempos de guerra. A Venezuela é uma ditadura que fecha jornais e emissoras de televisão, tem um governante, Hugo Chávez, que rasgou a Constituição para se eternizar no poder e acaba de montar uma milícia para, à moda da juventude hitlerista, atemorizar os poucos e heroicos jovens rebeldes que ainda ousam contestar o regime. A Venezuela não produz nada e importa tudo – de tomate a pasta de dentes. Toda a riqueza que possui é o petróleo. Pois, à luz do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), da ONU, Cuba e Venezuela são países mais evoluídos do que, para ficar na vizinhança, o Brasil e a Colômbia. Basta uma dose homeopática de bom senso para concluir que se está diante de um erro. Se houvesse uma ponte aérea gratuita e livre para quem desejasse emigrar definitivamente, os assentos estariam todos ocupados nos voos de Cuba para o Brasil ou Colômbia e vazios nos voos para a ilha de Fidel Castro. O IDH, porém, se choca frontalmente com essa realidade.

As estranhezas citadas são apenas algumas das distorções que saltam aos olhos no ranking do IDH divulgado na semana passada. Calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), esse índice foi criado com o saudável objetivo de permitir uma comparação adequada entre os diversos países do ponto de vista do bem-estar físico e social de seus habitantes. Isso serviria para dar alertas e apontar caminhos para o aperfeiçoamento das nações. Esquecendo-se que a ONU é uma gigantesca máquina burocrática que, como todas dessa natureza, se move pela lei do menor esforço e da máxima exposição, ainda assim as aberrações do IDH carecem de explicação. Tome-se de novo o exemplo de Cuba, não por idiossincrasia, mas por ser o mais flagrante e didático. Como uma ditadura comunista pode pontuar bem em desenvolvimento humano se ali faltam aos humanos conquistas básicas como a liberdade de expressão e o direito de ir e vir? Essa é fácil. A pretexto de aumentar a objetividade das aferições, esses quesitos, digamos, abstratos foram expurgados do IDH. Foque-se então algo concreto, a educação, item em que Cuba se saiu muito bem. A educação no IDH é avaliada apenas pela quantidade – e não pela qualidade. O país tem proporcionalmente mais alunos na escola do que o Canadá ou a Noruega. Não se leva em conta o fato de que em Cuba as crianças são submetidas à doutrinação, enquanto suas colegas canadenses e norueguesas recebem educação de alto nível. Adaptando-se o teste da ponte aérea, será que haveria mais pais cubanos querendo ver seus filhos estudando no Canadá e na Noruega, ou o contrário? A resposta é óbvia. Mas a leitura do IDH sugere exatamente o oposto disso.

Conhecendo-se suas distorções, o IDH tem méritos. "Ele é um indicador sintético. Foi sua simplicidade que possibilitou a participação de todos os países, mesmo os mais pobres, e a comparação entre eles", diz Sérgio Besserman, professor de economia da PUC-Rio e ex-presidente do IBGE. No caso brasileiro, o índice registra o avanço social recente impulsionado pelo crescimento econômico e pelo aumento no número de crianças nas escolas. Se medisse também a qualidade do ensino, certamente o Brasil não teria ganho nenhuma posição na lista.







http://veja.abril.com.br/141009/uma-regua-nao-muito-precisa-p-96.shtml

Offline Pellicer

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #1 Online: 16 de Outubro de 2009, 00:53:12 »
Um outro exemplo de distorção são as crianças homeschooled, que como não estão matriculadas, diminuem o IDH dos EUA, ao contrário do Brasil, que tem taxas boas de matrículas, mas as crianças não aprendem nada.

Offline Unknown

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #2 Online: 16 de Outubro de 2009, 02:03:44 »
Mas se a Venezuela está inflada pelo petróleo, o Brasil está inflado pela educação, de jeito idêntico ao qual apontam Cuba. Obviamente os índices de educação e renda poderiam ter sua metodologia alterada, mas acredito que isso dificultaria em muito a sua medição, diminuindo a sua utilidade prática.

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Offline FxF

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #3 Online: 16 de Outubro de 2009, 07:12:46 »
Um outro exemplo de distorção são as crianças homeschooled, que como não estão matriculadas, diminuem o IDH dos EUA, ao contrário do Brasil, que tem taxas boas de matrículas, mas as crianças não aprendem nada.
O problema mesmo é que esses dados dependem muito da boa fé dos governantes das próprias regiões. Muito curioso que os páises menos democráticos e mais manipuladores saltam nessas escalas.

Teoricamente Fidel Castro pode definir que "alfabetizado" é quem consegue segurar um lápis. O que não é muito longe do que o Brasil faz.

Offline _Juca_

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #4 Online: 18 de Outubro de 2009, 14:21:35 »
Divertida a Veja como sempre. Desqualifica um índice formulado pela ONU e referência para todos os países, somente para atacar a Venezuela e Cuba. Engraçado mesmo, é ignorar os índices históricos, que sempre colocaram essas duas nações, mais Chile, Argentina, Uruguai e o México como países com melhores condições de vida que o nosso. Nos anos 70 todos eram ditaturas e esses países todos já estavam a frente. Ainda mais hilariante é a conotação de que a política da Venezuela de exportar petróleo e importar tudo o mais, fazer parecer uma política chavista. Isso acontece desde sempre. Criticar ditaturas e políticas populistas é uma coisa, isso que a Veja faz é tosco. Bando de jornalistas ruins. Conseguiram colocar na fossa moral o que era a melhor revista dos trópicos.

Offline Buckaroo Banzai

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #5 Online: 18 de Outubro de 2009, 15:12:40 »
Independentemente da revista dar alfinetadas talvez questionáveis em seus desafetos (ainda que não me pareça ter tentado implicar que a situação na Venezuela seja política exclusiva de Chavez), fazem sentido às críticas ao IDH.

Offline Luiz Souto

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #6 Online: 18 de Outubro de 2009, 16:17:44 »
Tentar mostrar por um único indicador um estado ( o bem-estar) em que intervém diversos fatores é uma tarefa inglória. Começa por se definir quais são as variáveis que devem ser levadas em conta , e aí há diversos indicadores propostos para substituir o PIB que além de ser unidimensional ( só leva em conta a renda nacional) não diz nada sobre a distribuição e a forma como a riqueza do país é usada.
O IDH foi criado justamente para se contrapor à unilateralidade do PIB , embora também peque por reducionismo.A própia declaração do Amarthya Sen sobre o indicador é interessante:
Citar
Devo reconhecer que não via no início muito mérito no IDH em si, embora tivesse tido o privilégio de ajudar a idealizá-lo. A princípio, demonstrei bastante ceticismo ao criador doRelatório de Desenvolvimento Humano, Mahbub ul Haq, sobre a tentativa de focalizar, em um índice bruto deste tipo - apenas um número -, a realidade complexa do desenvolvimento e da privação humanos. (...) Mas, após a primeira hesitação, Mahbub convenceu-se de que a hegemonia do PIB (índice demasiadamente utilizado e valorizado que ele queria suplantar) não seria quebrada por nenhum conjunto de tabelas. As pessoas olhariam para elas com respeito, disse ele, mas quando chegasse a hora de utilizar uma medida sucinta de desenvolvimento, recorreriam ao pouco atraente PIB, pois apesar de bruto era conveniente. (...) Devo admitir que Mahbub entendeu isso muito bem. E estou muito contente por não termos conseguido desviá-lo de sua busca por uma medida crua. Mediante a utilização habilidosa do poder de atração do IDH, Mahbub conseguiu que os leitores se interessassem pela grande categoria de tabelas sistemáticas e pelas análises críticas detalhadas que fazem parte do Relatório de Desenvolvimento Humano."

Amartya Sen, Prêmio Nobel da Economia em 1998, no prefácio do RDH de 1999.

http://www.pnud.org.br/idh/

Outros indicadores que procuram incorporar informação qualitativa ( incluindo dados sobre sociabilidade , utilização de recursos , governança) são o Felicidade Interna Bruta (FIB) , o Genuine Progress Indicator e o Happy Planet Index.
O FIB é interessante é já vi artigos defendendo o seu uso mas não encontrei daos sobre a metodologia de coleta de dados

[Pelo Happy Planet Index o Brasil está em 9º lugar mundial. Ainda perdemos para Cuba (7º) mas ganhamos da Argentina (11º) da  Venezuela (36º) e dos States (144º) :D]
Se não queres que riam de teus argumentos , porque usas argumentos risíveis ?

A liberdade só para os que apóiam o governo,só para os membros de um partido (por mais numeroso que este seja) não é liberdade em absoluto.A liberdade é sempre e exclusivamente liberdade para quem pensa de maneira diferente. - Rosa Luxemburgo

Conheça a seção em português do Marxists Internet Archive

Offline Moro

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #7 Online: 19 de Outubro de 2009, 00:08:22 »
puts, esse HPI deve ser, tipo, uma aberração...
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Offline _Juca_

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #8 Online: 19 de Outubro de 2009, 00:20:04 »
puts, esse HPI deve ser, tipo, uma aberração...
Nenhuma novidade, quanto mais crítico pior se enxerga a situação, é relativo. Esse índice pra mim também não serve de base.

Offline Zeichner

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #9 Online: 19 de Outubro de 2009, 10:25:34 »
Sobre Cuba.
Vejam com o IDH deles é maior que o da norueguistão. :P

<a href="http://www.youtube.com/v/NdHoKatqK6E" target="_blank" class="new_win">http://www.youtube.com/v/NdHoKatqK6E</a>

Offline Zeichner

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #10 Online: 19 de Outubro de 2009, 10:44:04 »
Homem visivelmente embriagado pede
COMIDA em frente da câmera. Jama - Rango - Comida.

Foi sentenciado a dois anos de prisão na ilha da liberdade e da igualdade.

<a href="http://www.youtube.com/v/tLLAh2yTqu0" target="_blank" class="new_win">http://www.youtube.com/v/tLLAh2yTqu0</a>

DOIS anos de prisão por pedir COMIDA.

Offline Unknown

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Re:IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #11 Online: 27 de Março de 2017, 15:50:29 »
Citar
O IDH sem renda

Vários países, como o Brasil, não conseguem escapar do fetiche do crescimento econômico que domina sua arquitetura de política pública. Mas esse não é um fenômeno recente de tempos de ajuste fiscal nem tampouco peculiar ao Brasil. De fato uma certa obsessão com o crescimento como principal medida de bem-estar social é um fenômeno do pós-guerra, da segunda metade do século XX. É verdade que o crescimento econômico melhorou a vida de muita gente, mas o fez de modo desigual e ineficaz para erradicar a pobreza e melhorar a provisão de bens públicos essenciais à toda população mundial. Foi no contexto de uma reação ao Produto Interno Bruto (PIB) como o único "felicitômetro das sociedades" que há 27 anos foi criado o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) como uma medida de qualidade-de-vida alternativa ao PIB.

Mas o IDH não nasceu "puro-sangue". Feito para ser simples e comunicável ao cidadão comum, foi composto de somente três dimensões (saúde, conhecimento e padrão de vida). Em particular, cabe notar que a dimensão padrão de vida incluiu o próprio indicador que pretendia "desbancar", o PIB. Originalmente utilizou o logaritmo do PIB como meio de suavizar a influência do mesmo no índice final; também impôs um teto ao PIB durante alguns anos e desde 2010 vem utilizando a Renda Nacional Bruta como a variável que mede o padrão de vida no IDH, tomando o cuidado de calcular o índice por uma média geométrica, o que também suaviza o efeito da renda no índice. No entanto, esse "vício-de-origem" metodológico persiste, podendo ser às vezes motivo de constrangimento conceitual e fonte de equívocos analíticos.

Uma maneira simples de entender a evolução do IDH dos países sem essa inconsistência metodológica é pelo cálculo do "IDH sem renda". Essa medida, que é simplesmente o IDH descontado o impacto resultante da Renda Nacional Bruta per capita, é mais fiel ao arcabouço conceitual de desenvolvimento humano que vê a renda como um meio e a saúde e o conhecimento como fins do desenvolvimento.

Usando essa medida o Brasil não estaria na posição 79º do ranking do IDH, mas sim na posição 85º, o que sugere, primeiro, que em termos relativos o país está muito pior nos quesitos saúde e educação do que se julga pelo IDH agregado e, segundo, que de fato o nível da renda brasileira ajuda o país a estar em uma posição relativamente mais alta no IDH.

Podemos também tirar a diferença, para alguns países selecionados da América Latina, entre o ranking do IDH menos o ranking do IDH sem renda. No caso do Brasil ficaríamos 6 posições abaixo se não fosse pelo efeito da renda. Evidenciamos assim nossas deficiências na saúde e educação. De fato, a expectativa de vida ao nascer no Brasil de 74,7 anos é pior do que a de 14 países abaixo do Brasil no ranking do IDH. Similarmente, nosso anos médios de escolaridade, de 7,8 anos é pior do que o de 35 países abaixo do Brasil no IDH. Para a maior parte dos países latino-americanos há um efeito não-ambíguo do IDH sem renda. Nos extremos encontramos Cuba (que tem saúde e educação bem acima da sua renda) e Colômbia (muito ajudada pela renda para manter sua posição no IDH). O Chile continuaria, mesmo no IDH sem renda, como o país latino-americano de mais alto desenvolvimento humano.

Podemos ver dentro da perspectiva de mais longo prazo oferecida pelo IDH sem renda que a despeito de todos os avanços sociais celebrados no Brasil nas últimas décadas, o país apenas piorou no ranking do IDH sem renda passando de 77º em 1999 para 95º em 2005 e 102º em 2012, vindo desde então, paradoxalmente, (se pensarmos em termos econômicos) a melhorar progressivamente chegando ao atual ranking de 85º na lista dos países ordenados pelo IDH sem renda.

Mas o que isso significa de concreto para a promoção do desenvolvimento humano no Brasil? Primeiro, que não devemos esperar pelo crescimento econômico para a retomada do desenvolvimento humano no país. Como a tendência de longo prazo do IDH no Brasil mostra, a evolução do ranking do país no IDH sem renda, focado na saúde e conhecimento, tem uma correlação não-evidente com o crescimento econômico. Isso não significa que o crescimento econômico não seja de todo relevante para uma melhoria do padrão de vida dos brasileiros, mas que é importante não apenas por sua quantidade, mas por sua qualidade.



Segundo, essa perspectiva mostra que temos hiatos de desenvolvimento humano com países vizinhos que são significativos. Por exemplo, vivemos em média menos 7,3 anos, temos 2,1 anos a menos de estudo e ganhamos US$ 7.520 a menos por ano do que nossos vizinhos chilenos. Hiatos similares existem com tantos outros países latino-americanos como a Argentina, o Uruguai, o Panamá e mesmo a Venezuela.

Terceiro, essa perspectiva enfatiza a importância de investirmos na melhoria da provisão de bens públicos essenciais como saúde e educação. Sem isso não há mágica que faça o Brasil subir no ranking do IDH. É verdade que esses serviços podem ser comprados também diretamente no mercado. Nem tudo depende da provisão pública. Mas somente a provisão publica chega àquelas populações que mais precisam exatamente porque são pobres e não possuem outros meios de melhorarem suas vidas. Para isso precisamos de mais e não de menos Estado. Mas não podemos continuar dependendo do 'mais do mesmo'. O Estado brasileiro precisa ser reinventado.

Para essa reinvenção do Estado precisamos de uma nova cidadania, mais ativa, mas intolerante com a corrupção e com as injustiças sociais. O crescimento econômico per se não vai resolver o problema da falta de desenvolvimento humano no Brasil. Não há trickle-down que resolva nossos hiatos sociais. O fetiche do crescimento econômico nos leva a ignorar direitos, a minimizar o sofrimento dos vulneráveis, principalmente durante períodos recessivos, e a ver a saúde e a educação da população como instrumentos para mais crescimento econômico, levando a uma inversão lógica entre os meios e fins do desenvolvimento. Enquanto seguirmos nessa lógica não há IDH que progrida.

http://www.valor.com.br/opiniao/4914570/o-idh-sem-renda

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Offline Buckaroo Banzai

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Re:IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #12 Online: 27 de Março de 2017, 19:42:14 »
Acho que dá para falar um bocado da parte mais factual abordada nesse texto, mas essa terminologia de "fetiche do crescimento econômico" sugere um pouco ambições mais fantasiosas de dissociação de qualidade de vida e renda/economia.

A associação entre HDI e PIB se dá "por definição", mas persiste se isso é descontado (muito embora grandemente "reduzida", já que deixa de fazer parte da definição):



http://hdr.undp.org/en/content/measuring-human-progress-21st-century


Acho que isso seria melhor enxergado em termos de ineficiências políticas quando a associação é menor, e não de "fetiche do crescimento econômico", já que em última instância deverá haver algum fator econômico sendo muito significativo, por mais que diferenças culturais e institucionais possam ser até proporcionalmente maiores, que dê para fazer mais com menos. Mas continua se precisando desse "menos" e sendo sempre benéfico aumentá-lo. E pode ser até talvez um caminho necessário se for o caso de ineficiências já solidamente "estruturadas", difíceis de serem corrigidas, em um país ou região.

Offline JJ

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Re:IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #13 Online: 28 de Março de 2017, 09:07:40 »
Divertida a Veja como sempre. Desqualifica um índice formulado pela ONU e referência para todos os países, somente para atacar a Venezuela e Cuba. Engraçado mesmo, é ignorar os índices históricos, que sempre colocaram essas duas nações, mais Chile, Argentina, Uruguai e o México como países com melhores condições de vida que o nosso. Nos anos 70 todos eram ditaturas e esses países todos já estavam a frente. Ainda mais hilariante é a conotação de que a política da Venezuela de exportar petróleo e importar tudo o mais, fazer parecer uma política chavista. Isso acontece desde sempre. Criticar ditaturas e políticas populistas é uma coisa, isso que a Veja faz é tosco. Bando de jornalistas ruins. Conseguiram colocar na fossa moral o que era a melhor revista dos trópicos.



Mas Juca, você está duvidando de uma revista maistream ?  A revista é grande  e famosa,  a editora Abril é uma editora tradicional, tem história,  a editora Abril não é um jornalzinho virtual obscuro, não é um bloguezinho da internet, não é um mero site da internet.  Então,  podemos concluir que o que tem nas páginas dela certamente é verdadeiro.




Offline Lorentz

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Re:IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #14 Online: 28 de Março de 2017, 09:15:28 »
Divertida a Veja como sempre. Desqualifica um índice formulado pela ONU e referência para todos os países, somente para atacar a Venezuela e Cuba. Engraçado mesmo, é ignorar os índices históricos, que sempre colocaram essas duas nações, mais Chile, Argentina, Uruguai e o México como países com melhores condições de vida que o nosso. Nos anos 70 todos eram ditaturas e esses países todos já estavam a frente. Ainda mais hilariante é a conotação de que a política da Venezuela de exportar petróleo e importar tudo o mais, fazer parecer uma política chavista. Isso acontece desde sempre. Criticar ditaturas e políticas populistas é uma coisa, isso que a Veja faz é tosco. Bando de jornalistas ruins. Conseguiram colocar na fossa moral o que era a melhor revista dos trópicos.



Mas Juca, você está duvidando de uma revista maistream ?  A revista é grande  e famosa,  a editora Abril é uma editora tradicional, tem história,  a editora Abril não é um jornalzinho virtual obscuro, não é um bloguezinho da internet, não é um mero site da internet.  Então,  podemos concluir que o que tem nas páginas dela certamente é verdadeiro.





Ou do jeito menos troll, erram menos. E com certeza tem reportagens com mais qualidade que as revistas pagas com propina.
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Re:IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #15 Online: 28 de Março de 2017, 10:25:01 »
Acho que dá para falar um bocado da parte mais factual abordada nesse texto, mas essa terminologia de "fetiche do crescimento econômico" sugere um pouco ambições mais fantasiosas de dissociação de qualidade de vida e renda/economia.
Não vejo assim. Para mim ficou bem claro que, na falta de um instrumento que determinasse/medisse qual seria o desenvolvimento de um país (tarefa inglória por sinal), usava-se o PIB pela vantagem de ser um dado simples e fácil de entender. E o efeito colateral disso foi que muitos gestores políticos, estudiosos e etc começaram a focar apenas no PIB como medida de desenvolvimento de um país, ou buscar políticas visando o crescimento do PIB e desprezando ou minimizando outros fatores. Isso gera distorções do tipo dizer que certos países de populações miseráveis, mas que com uma pequena elite controlando extração de algum bem mineral (petróleo, minérios, etc) são mais desenvolvidos que um país de economia mais diversificada, população mais esclarecida e com melhor bem estar público, instituições mais sólidas e confiáveis, porém com PIB menor por não contarem com tantos bens naturais assim.

Ora, ninguém diz que crescimento econômico e tamanho da economia não são importantes*, mas que deveria haver uma preocupação mais diversificada com os diversos indicadores sociais e econômicos do que com apenas a melhoria do PIB, por isso o "fetiche do crescimento econômico".

*Vide o fato de que o IDH considerou renda como um dos fatores, então é um pouco óbvio que crescimento econômico tende a impactar positivamente o IDH, mantendo-se os outros fatores inalterados.

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Offline JJ

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Re:IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #16 Online: 28 de Março de 2017, 13:45:58 »
Divertida a Veja como sempre. Desqualifica um índice formulado pela ONU e referência para todos os países, somente para atacar a Venezuela e Cuba. Engraçado mesmo, é ignorar os índices históricos, que sempre colocaram essas duas nações, mais Chile, Argentina, Uruguai e o México como países com melhores condições de vida que o nosso. Nos anos 70 todos eram ditaturas e esses países todos já estavam a frente. Ainda mais hilariante é a conotação de que a política da Venezuela de exportar petróleo e importar tudo o mais, fazer parecer uma política chavista. Isso acontece desde sempre. Criticar ditaturas e políticas populistas é uma coisa, isso que a Veja faz é tosco. Bando de jornalistas ruins. Conseguiram colocar na fossa moral o que era a melhor revista dos trópicos.



Mas Juca, você está duvidando de uma revista maistream ?  A revista é grande  e famosa,  a editora Abril é uma editora tradicional, tem história,  a editora Abril não é um jornalzinho virtual obscuro, não é um bloguezinho da internet, não é um mero site da internet.  Então,  podemos concluir que o que tem nas páginas dela certamente é verdadeiro.

Ou do jeito menos troll, erram menos. E com certeza tem reportagens com mais qualidade que as revistas pagas com propina.



Não tem nada de troll, é só ironia,  a qual, aliás, é  bastante  utilizada  aqui por vários foristas.   


« Última modificação: 28 de Março de 2017, 13:53:20 por JJ »

Offline Buckaroo Banzai

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Re:IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #17 Online: 28 de Março de 2017, 17:47:44 »
Acho que dá para falar um bocado da parte mais factual abordada nesse texto, mas essa terminologia de "fetiche do crescimento econômico" sugere um pouco ambições mais fantasiosas de dissociação de qualidade de vida e renda/economia.
Não vejo assim. Para mim ficou bem claro que, na falta de um instrumento que determinasse/medisse qual seria o desenvolvimento de um país (tarefa inglória por sinal), usava-se o PIB pela vantagem de ser um dado simples e fácil de entender. E o efeito colateral disso foi que muitos gestores políticos, estudiosos e etc começaram a focar apenas no PIB como medida de desenvolvimento de um país, ou buscar políticas visando o crescimento do PIB e desprezando ou minimizando outros fatores. Isso gera distorções do tipo dizer que certos países de populações miseráveis, mas que com uma pequena elite controlando extração de algum bem mineral (petróleo, minérios, etc) são mais desenvolvidos que um país de economia mais diversificada, população mais esclarecida e com melhor bem estar público, instituições mais sólidas e confiáveis, porém com PIB menor por não contarem com tantos bens naturais assim.

Ora, ninguém diz que crescimento econômico e tamanho da economia não são importantes*, mas que deveria haver uma preocupação mais diversificada com os diversos indicadores sociais e econômicos do que com apenas a melhoria do PIB, por isso o "fetiche do crescimento econômico".

*Vide o fato de que o IDH considerou renda como um dos fatores, então é um pouco óbvio que crescimento econômico tende a impactar positivamente o IDH, mantendo-se os outros fatores inalterados.

Concordo, não questiono, só acho meio equivocado falar disso como "fetiche do crescimento econômico". Acho difícil não ficar uma sugestão de um desdém "alienado" ao crescimento econômico, se aproximando de falar "temos que melhorar a qualidade de vida do país, mesmo que isso nos leve à miséria".

Acho que seria talvez melhor fazer as críticas colocando as coisas em termos de ineficiências econômicas/administrativas em melhorar a qualidade de vida; ou mesmo até que, para as elites, pode ser conveniente essa (falsa) conflação de PIB e IDH, e dessa forma irão lobbiar por políticas que favorecem isso, mesmo que em detrimento ou relativa negligência do IDH sem-renda.


(O IDH ajustado por Gini também deve ajudar em alguns desses problemas, o Brasil fica com 0.56, versus 0.7 no IDH sem ajuste)

 

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