Autor Tópico: IDH: Uma régua não muito precisa  (Lida 636 vezes)

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IDH: Uma régua não muito precisa
« Online: 16 de Outubro de 2009, 00:40:12 »
Uma régua não muito precisa

Idealizado para comparar o estágio de bem-estar dos países, o IDH da ONU tem valor, mas não pode ser tomado como definitivo. Sua metodologia produz muitas e curiosas aberrações


NO TOPO
Os noruegueses, líderes no ranking, souberam transformar os dólares do petróleo em avanço social efetivo


Há cinquenta anos vivendo sob uma ditadura, os cubanos são impedidos de viajar para o exterior e enfrentam uma privação tão drástica de produtos básicos que nas democracias de economia de mercado não seria aceitável nem em tempos de guerra. A Venezuela é uma ditadura que fecha jornais e emissoras de televisão, tem um governante, Hugo Chávez, que rasgou a Constituição para se eternizar no poder e acaba de montar uma milícia para, à moda da juventude hitlerista, atemorizar os poucos e heroicos jovens rebeldes que ainda ousam contestar o regime. A Venezuela não produz nada e importa tudo – de tomate a pasta de dentes. Toda a riqueza que possui é o petróleo. Pois, à luz do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), da ONU, Cuba e Venezuela são países mais evoluídos do que, para ficar na vizinhança, o Brasil e a Colômbia. Basta uma dose homeopática de bom senso para concluir que se está diante de um erro. Se houvesse uma ponte aérea gratuita e livre para quem desejasse emigrar definitivamente, os assentos estariam todos ocupados nos voos de Cuba para o Brasil ou Colômbia e vazios nos voos para a ilha de Fidel Castro. O IDH, porém, se choca frontalmente com essa realidade.

As estranhezas citadas são apenas algumas das distorções que saltam aos olhos no ranking do IDH divulgado na semana passada. Calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), esse índice foi criado com o saudável objetivo de permitir uma comparação adequada entre os diversos países do ponto de vista do bem-estar físico e social de seus habitantes. Isso serviria para dar alertas e apontar caminhos para o aperfeiçoamento das nações. Esquecendo-se que a ONU é uma gigantesca máquina burocrática que, como todas dessa natureza, se move pela lei do menor esforço e da máxima exposição, ainda assim as aberrações do IDH carecem de explicação. Tome-se de novo o exemplo de Cuba, não por idiossincrasia, mas por ser o mais flagrante e didático. Como uma ditadura comunista pode pontuar bem em desenvolvimento humano se ali faltam aos humanos conquistas básicas como a liberdade de expressão e o direito de ir e vir? Essa é fácil. A pretexto de aumentar a objetividade das aferições, esses quesitos, digamos, abstratos foram expurgados do IDH. Foque-se então algo concreto, a educação, item em que Cuba se saiu muito bem. A educação no IDH é avaliada apenas pela quantidade – e não pela qualidade. O país tem proporcionalmente mais alunos na escola do que o Canadá ou a Noruega. Não se leva em conta o fato de que em Cuba as crianças são submetidas à doutrinação, enquanto suas colegas canadenses e norueguesas recebem educação de alto nível. Adaptando-se o teste da ponte aérea, será que haveria mais pais cubanos querendo ver seus filhos estudando no Canadá e na Noruega, ou o contrário? A resposta é óbvia. Mas a leitura do IDH sugere exatamente o oposto disso.

Conhecendo-se suas distorções, o IDH tem méritos. "Ele é um indicador sintético. Foi sua simplicidade que possibilitou a participação de todos os países, mesmo os mais pobres, e a comparação entre eles", diz Sérgio Besserman, professor de economia da PUC-Rio e ex-presidente do IBGE. No caso brasileiro, o índice registra o avanço social recente impulsionado pelo crescimento econômico e pelo aumento no número de crianças nas escolas. Se medisse também a qualidade do ensino, certamente o Brasil não teria ganho nenhuma posição na lista.







http://veja.abril.com.br/141009/uma-regua-nao-muito-precisa-p-96.shtml

Offline Pellicer

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #1 Online: 16 de Outubro de 2009, 00:53:12 »
Um outro exemplo de distorção são as crianças homeschooled, que como não estão matriculadas, diminuem o IDH dos EUA, ao contrário do Brasil, que tem taxas boas de matrículas, mas as crianças não aprendem nada.

Offline Unknown

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #2 Online: 16 de Outubro de 2009, 02:03:44 »
Mas se a Venezuela está inflada pelo petróleo, o Brasil está inflado pela educação, de jeito idêntico ao qual apontam Cuba. Obviamente os índices de educação e renda poderiam ter sua metodologia alterada, mas acredito que isso dificultaria em muito a sua medição, diminuindo a sua utilidade prática.

“Imaginamos representar um papel numa determinada peça e não percebemos que os cenários foram discretamente mudados, de modo que, sem perceber, devemos atuar num outro espetáculo.” (Milan Kundera)

Offline FxF

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #3 Online: 16 de Outubro de 2009, 07:12:46 »
Um outro exemplo de distorção são as crianças homeschooled, que como não estão matriculadas, diminuem o IDH dos EUA, ao contrário do Brasil, que tem taxas boas de matrículas, mas as crianças não aprendem nada.
O problema mesmo é que esses dados dependem muito da boa fé dos governantes das próprias regiões. Muito curioso que os páises menos democráticos e mais manipuladores saltam nessas escalas.

Teoricamente Fidel Castro pode definir que "alfabetizado" é quem consegue segurar um lápis. O que não é muito longe do que o Brasil faz.

Offline _Juca_

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #4 Online: 18 de Outubro de 2009, 14:21:35 »
Divertida a Veja como sempre. Desqualifica um índice formulado pela ONU e referência para todos os países, somente para atacar a Venezuela e Cuba. Engraçado mesmo, é ignorar os índices históricos, que sempre colocaram essas duas nações, mais Chile, Argentina, Uruguai e o México como países com melhores condições de vida que o nosso. Nos anos 70 todos eram ditaturas e esses países todos já estavam a frente. Ainda mais hilariante é a conotação de que a política da Venezuela de exportar petróleo e importar tudo o mais, fazer parecer uma política chavista. Isso acontece desde sempre. Criticar ditaturas e políticas populistas é uma coisa, isso que a Veja faz é tosco. Bando de jornalistas ruins. Conseguiram colocar na fossa moral o que era a melhor revista dos trópicos.

Offline Buckaroo Banzai

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #5 Online: 18 de Outubro de 2009, 15:12:40 »
Independentemente da revista dar alfinetadas talvez questionáveis em seus desafetos (ainda que não me pareça ter tentado implicar que a situação na Venezuela seja política exclusiva de Chavez), fazem sentido às críticas ao IDH.
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Offline Luiz Souto

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #6 Online: 18 de Outubro de 2009, 16:17:44 »
Tentar mostrar por um único indicador um estado ( o bem-estar) em que intervém diversos fatores é uma tarefa inglória. Começa por se definir quais são as variáveis que devem ser levadas em conta , e aí há diversos indicadores propostos para substituir o PIB que além de ser unidimensional ( só leva em conta a renda nacional) não diz nada sobre a distribuição e a forma como a riqueza do país é usada.
O IDH foi criado justamente para se contrapor à unilateralidade do PIB , embora também peque por reducionismo.A própia declaração do Amarthya Sen sobre o indicador é interessante:
Citar
Devo reconhecer que não via no início muito mérito no IDH em si, embora tivesse tido o privilégio de ajudar a idealizá-lo. A princípio, demonstrei bastante ceticismo ao criador doRelatório de Desenvolvimento Humano, Mahbub ul Haq, sobre a tentativa de focalizar, em um índice bruto deste tipo - apenas um número -, a realidade complexa do desenvolvimento e da privação humanos. (...) Mas, após a primeira hesitação, Mahbub convenceu-se de que a hegemonia do PIB (índice demasiadamente utilizado e valorizado que ele queria suplantar) não seria quebrada por nenhum conjunto de tabelas. As pessoas olhariam para elas com respeito, disse ele, mas quando chegasse a hora de utilizar uma medida sucinta de desenvolvimento, recorreriam ao pouco atraente PIB, pois apesar de bruto era conveniente. (...) Devo admitir que Mahbub entendeu isso muito bem. E estou muito contente por não termos conseguido desviá-lo de sua busca por uma medida crua. Mediante a utilização habilidosa do poder de atração do IDH, Mahbub conseguiu que os leitores se interessassem pela grande categoria de tabelas sistemáticas e pelas análises críticas detalhadas que fazem parte do Relatório de Desenvolvimento Humano."

Amartya Sen, Prêmio Nobel da Economia em 1998, no prefácio do RDH de 1999.

http://www.pnud.org.br/idh/

Outros indicadores que procuram incorporar informação qualitativa ( incluindo dados sobre sociabilidade , utilização de recursos , governança) são o Felicidade Interna Bruta (FIB) , o Genuine Progress Indicator e o Happy Planet Index.
O FIB é interessante é já vi artigos defendendo o seu uso mas não encontrei daos sobre a metodologia de coleta de dados

[Pelo Happy Planet Index o Brasil está em 9º lugar mundial. Ainda perdemos para Cuba (7º) mas ganhamos da Argentina (11º) da  Venezuela (36º) e dos States (144º) :D]
Se não queres que riam de teus argumentos , porque usas argumentos risíveis ?

A liberdade só para os que apóiam o governo,só para os membros de um partido (por mais numeroso que este seja) não é liberdade em absoluto.A liberdade é sempre e exclusivamente liberdade para quem pensa de maneira diferente. - Rosa Luxemburgo

Conheça a seção em português do Marxists Internet Archive

Offline Madiba

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #7 Online: 19 de Outubro de 2009, 00:08:22 »
puts, esse HPI deve ser, tipo, uma aberração...
As Upton Sinclair noted, “It’s hard to get a man to understand something when he is being paid not to understand it.”

Offline _Juca_

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #8 Online: 19 de Outubro de 2009, 00:20:04 »
puts, esse HPI deve ser, tipo, uma aberração...
Nenhuma novidade, quanto mais crítico pior se enxerga a situação, é relativo. Esse índice pra mim também não serve de base.

Offline Zeichner

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #9 Online: 19 de Outubro de 2009, 10:25:34 »
Sobre Cuba.
Vejam com o IDH deles é maior que o da norueguistão. :P

<a href="http://www.youtube.com/v/NdHoKatqK6E" target="_blank" class="new_win">http://www.youtube.com/v/NdHoKatqK6E</a>

Offline Zeichner

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Re: IDH: Uma régua não muito precisa
« Resposta #10 Online: 19 de Outubro de 2009, 10:44:04 »
Homem visivelmente embriagado pede
COMIDA em frente da câmera. Jama - Rango - Comida.

Foi sentenciado a dois anos de prisão na ilha da liberdade e da igualdade.

<a href="http://www.youtube.com/v/tLLAh2yTqu0" target="_blank" class="new_win">http://www.youtube.com/v/tLLAh2yTqu0</a>

DOIS anos de prisão por pedir COMIDA.

 

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