Autor Tópico: Problemas do SUS  (Lida 124456 vezes)

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Offline Moro

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #200 Online: 22 de Março de 2013, 08:44:24 »
Citação de: Derfel
Você tem razão em dizer que médicos não são gestores (a maioria não, pelo menos) e também (a maioria) não entendem o que é o sus ou saúde pública, porém os médicos são a classe mais poderosa dentro do SUS e não aceitam outro profissional que não seja um médico como gestor (digo como classe e não como médicos individuais). Eles também (e aqui não só gestores médicos) não dão valor ao que é produzido pelo planejamento ou outro setor dentro da secretaria (que muitas vezes executam ações apesar da gestão), se restringindo a questões políticas. Você acha que não existem estudos internos que mostram que determinado hospital é inviável em determinado município ou que deveria ser fechada uma maternidade onde só nascem uma meia dúzia de crianças a cada seis meses para que os recursos sejam otimizados em um hospital de maior porte regional? Acho que agora já estou desabafando.

Eu não teria dito melhor. Juízes não aceitam também, só para citar outro exemplo. E são tão incompetentes quanto o SUS.

Esse tipo de gente gere o dinheiro dos outros de maneira amadora, para ser condescendente. Você disse que não dão valor ao planejamento,  sabe o que é o planejamento em uma empresa privada competitiva?  Aquilo que define os parâmetros para que você mantenha seu emprego.

Por isso peço aos petistas e outros defensores do gigantismo estatal que parem de defender os serviços públicos usando como argumento que o estado pode gerir algo de maneira tão eficiente quanto uma empresa. Argumentem de outra maneira, digam que é sua ideologia, falem que é assunto de estado,  sei lá,  mas não sejam ingênuos ao confundir ideologia com a realidade.

“If an ideology is peaceful, we will see its extremists and literalists as the most peaceful people on earth, that's called common sense.”

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Offline Derfel

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #201 Online: 22 de Março de 2013, 09:13:01 »
Agnóstico, o sus não é um projeto do PT, mas um projeto de estado que está sendo gestado há mais de 30 anos. Nesse tempo pegou governo militar, pfl, pr, pmdb, psdb e pt. Não é uma questão de gigantismo do estado, mas o que compreendemos como política de saúde pública.

Offline Moro

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #202 Online: 22 de Março de 2013, 09:17:18 »
Não disse que é do PT apenas que petistas têm o costume de defender posições ideológicas não racionais tal qual,  o SUS é gerido de forma eficiente (ou o PT não é corrupto)

E o que vocês têm como concepção de saúde pública aliada a incapacidade de gestão tem sangrado os cofres públicos e dado à população um serviço horroroso.
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Offline Derfel

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #203 Online: 22 de Março de 2013, 09:52:28 »
Posso concordar com o seu primeiro parágrafo, mas não com o segundo. Não acho que o serviço seja horroroso, ainda que (generalizando) possa não ser bom. Mas o sus nestes anos não só melhorou o nível de saúde da população (e são indicadores de saúde que vão indicar isso) como também aumentou o acesso da população aos serviços de saúde (ainda que esse acesso não seja ainda o desejado).

Offline Derfel

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #204 Online: 22 de Março de 2013, 10:07:17 »
A propósito, ontem, por causa de onde estava, acabei fazendo algo que não é meu costume. Não pesquisei o que seria epr e crm, imaginava que fosse uma coisa e era outra. Agora pelo celular não dá para discutir o tema (até para eu aprender um pouco mais e mesmo trocarmos experiência), mas assim que tiver um teclado eu posto alguma coisa.

Offline Barata Tenno

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #205 Online: 22 de Março de 2013, 10:11:22 »
Posso concordar com o seu primeiro parágrafo, mas não com o segundo. Não acho que o serviço seja horroroso, ainda que (generalizando) possa não ser bom. Mas o sus nestes anos não só melhorou o nível de saúde da população (e são indicadores de saúde que vão indicar isso) como também aumentou o acesso da população aos serviços de saúde (ainda que esse acesso não seja ainda o desejado).


Derfel, se a minha empregada limpa 5% da casa muito bem e deixa 95% imunda ela é uma empregada horrorosa.  Ter algumas cidades onde o sistema funciona não deixa o sus menos horroroso.
He who fights with monsters should look to it that he himself does not become a monster. And when you gaze long into an abyss the abyss also gazes into you. Friedrich Nietzsche

Offline Moro

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #206 Online: 22 de Março de 2013, 10:20:12 »
Posso concordar com o seu primeiro parágrafo, mas não com o segundo. Não acho que o serviço seja horroroso, ainda que (generalizando) possa não ser bom. Mas o sus nestes anos não só melhorou o nível de saúde da população (e são indicadores de saúde que vão indicar isso) como também aumentou o acesso da população aos serviços de saúde (ainda que esse acesso não seja ainda o desejado).

Não é possível ter o primeiro sem o segundo, a não ser que o custo seja exponencialmente aumentado, o que de qualquer maneira seria ruim.
Não é possível ser eficiente em algo do tamanho do SUS sem processos de gestão, é um oximoro.

Então o que você está alegando não é suportado nem pela lógica nem pela experiência.
« Última modificação: 22 de Março de 2013, 14:43:29 por Agnóstico »
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Offline Derfel

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #207 Online: 11 de Abril de 2013, 08:28:47 »
Enquanto não consigo retornar ao tópico, venho informar aos colegas de saúde (ou casados com alguém da área :) ) que está disponível um fórum de discussão da atenção básica pelo dab. O fórum começou agora e ainda está devagar, mas acho que será interesse. Infelizmente ainda não está disponível para usuário.

Comunidade de Práticas :
http://www.atencaobasica.org.br

Offline Donatello

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #208 Online: 14 de Abril de 2013, 08:27:59 »
Aqui no Rio de uns 4 anos para cá o Eduardo Paes instaurou a ditadura da Saúde da Família, não é sempre que diretrizes governamentais são bem recebidas e acatadas pelo funcionalismo mas essa foi aceita de braços abertos pelas gerências, equipes médicas e administrativos; e por um muito bom motivo: parecem reduzir o trabalho, pelo menos num primeiro momento. No meu posto pediatras que atendiam uma média de 48 pacientes por plantão (contando que no meu posto todos os funcionários fazem "esquema", exceto os piões da faxina e da portaria) passaram a atender uma média de 20 crianças apenas.

Não sei se é assim em todas as áreas onde se assumiu esta panaceia admnistrativa, mas aqui no Rio a entrada da Saúde da Família me pareceu absurdamente perversa. Funciona assim: todas as unidades de atenção básica passaram a atender apenas e somente só um grupo de pacientes abrangidos por uma divisão geográfica x, nenhum paciente consegue atendimento em posto que não o de referência para sua residência exceto se apresentar um comprovante de residência falso/de outra pessoa (nenhum paciente consegue atendimento ambulatorial sem apresentar comprovante de residência).

Resumo: já vi centenas de casos de pacientes que moravam a poucos metros do posto em que trabalho e que podiam se deslocar a pé para o posto de sua preferência e que por conta da sagrada saúde da família agora só conseguem atendimento em postos que ficam a cinco bairros de distância e que carecem de condução.

No prédio em que trabalho há duas unidades de saúde distintas, é comum pacientes da referência x irem buscar atendimento no guichê da sua unidade e serem informados que a especialidade de que eles precisam (um pediatra, ou um gineco, por exemplo) não é disponível naquele estabelecimento, aí se dirigem ao guichê da minha unidade (que como já disse, funciona no mesmo prédio) e são informados que "sim, senhora, temos ginecologista e ele está de plantão e tem senhas sobrando mas, infelizmente a senhora mora uma esquina após a nossa cobertura e todo seu atendimento deve ser buscado só e somente só naquele guichê ali". É comum ver médicos passarem horas sentados nos banquinhos da unidade passando o tempo com fofocas ou joguinhos de PSP "por não terem atendimento" quando dezenas de pacientes têm o atendimento para aquela especialidade negados por morarem em ruas erradas.

Quando foi instaurado o sistema muitos pacientes ficaram felizes porque na fase de remodelação os atendimentos marcados passaram a ser realizados em poucas semanas quando duravam meses antes da entrada da saúde da família (óbvio, tava todo mundo sendo chutado pra lá e pra cá e ninguém conseguia achar o seu lugar) mas à medida em que as pessoas foram descobrindo qual sua unidade de referência e se acomodando nela os prazos passaram a ser os mesmos com a diferença de que não adianta mais correr atrás de um postinho que tenha mais médicos ou madrugar na fila pra tentar uma "desistência". Uma outra faceta perversa é que não há mais possibilidade de escolha do profissional, um paciente que foi atendido por um clínico que não lhe inspirou confiança não pode mais tentar um outro profissional.

A propaganda da Saúde da Família é de que colocar pessoas doentes para madrugar numa fila de postinho debaixo de chuvisco e frio é desumano, mas ao meu ver, e tomando o que tem sido feito no Rio, a própria estratégia miraculosa é de uma desumanidade muito maior, só que mais limpinha.

Eu admito que, como tudo no serviço público, boa parte da responsabilidade pela deficiência é de nós, servidores; por outro lado não comungo de forma alguma da turma do vamos privatizar esta bagaça. Uma das outras medidas que foram rigidamente aceleradas pela gestão do Paes foi a terceirização da Saúde (todas as novas unidades de atenção básica funcionam exclusivamente com pessoal terceirizado, desde a gestão...), e... que boa merda. Todos os revéses do funcionalismo público (relaxamento quanto à pontualidade, produtividade e frequência para mim são os pontos clássicos) são mantidos pelas equipes terceirizadas mas com muito louvor mesmo (costumam ser menos pontuais e produtivos ainda) e todas as vantagens do serviço público estatutário (controle do nepotismo, seleção por domínio de conhecimento específico, independência político-eleitoral...) acabam desaparecendo.



Essa matéria ilustra muito bem: http://extra.globo.com/noticias/rio/posto-de-saude-da-familia-de-sepetiba-nao-tem-medico-limita-atendimento-de-pacientes-em-outras-unidades-3226768.html
« Última modificação: 14 de Abril de 2013, 08:49:42 por Donatello van Dijck »

Offline _tiago

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #209 Online: 14 de Abril de 2013, 11:14:26 »
Eu admito que, como tudo no serviço público, boa parte da responsabilidade pela deficiência é de nós, servidores; por outro lado não comungo de forma alguma da turma do vamos privatizar esta bagaça. Uma das outras medidas que foram rigidamente aceleradas pela gestão do Paes foi a terceirização da Saúde (todas as novas unidades de atenção básica funcionam exclusivamente com pessoal terceirizado, desde a gestão...), e... que boa merda. Todos os revéses do funcionalismo público (relaxamento quanto à pontualidade, produtividade e frequência para mim são os pontos clássicos) são mantidos pelas equipes terceirizadas mas com muito louvor mesmo (costumam ser menos pontuais e produtivos ainda) e todas as vantagens do serviço público estatutário (controle do nepotismo, seleção por domínio de conhecimento específico, independência político-eleitoral...) acabam desaparecendo.


Eles contratam empresas ou profissionais CLT's?

Offline Donatello

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #210 Online: 14 de Abril de 2013, 11:54:01 »
Empresas.

Offline Derfel

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #211 Online: 25 de Abril de 2013, 16:55:22 »
Aos colegas da saúde. Disponibilizado consulta a banco de dados de periódicos (basta cadastrar com o número do conselho):

http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/index.cfm?portal=pagina.visualizarArea&codArea=392

Offline Derfel

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #212 Online: 25 de Abril de 2013, 19:33:24 »
Aqui no Rio de uns 4 anos para cá o Eduardo Paes instaurou a ditadura da Saúde da Família, não é sempre que diretrizes governamentais são bem recebidas e acatadas pelo funcionalismo mas essa foi aceita de braços abertos pelas gerências, equipes médicas e administrativos; e por um muito bom motivo: parecem reduzir o trabalho, pelo menos num primeiro momento. No meu posto pediatras que atendiam uma média de 48 pacientes por plantão (contando que no meu posto todos os funcionários fazem "esquema", exceto os piões da faxina e da portaria) passaram a atender uma média de 20 crianças apenas.

Não sei se é assim em todas as áreas onde se assumiu esta panaceia admnistrativa, mas aqui no Rio a entrada da Saúde da Família me pareceu absurdamente perversa. Funciona assim: todas as unidades de atenção básica passaram a atender apenas e somente só um grupo de pacientes abrangidos por uma divisão geográfica x, nenhum paciente consegue atendimento em posto que não o de referência para sua residência exceto se apresentar um comprovante de residência falso/de outra pessoa (nenhum paciente consegue atendimento ambulatorial sem apresentar comprovante de residência).

Resumo: já vi centenas de casos de pacientes que moravam a poucos metros do posto em que trabalho e que podiam se deslocar a pé para o posto de sua preferência e que por conta da sagrada saúde da família agora só conseguem atendimento em postos que ficam a cinco bairros de distância e que carecem de condução.

No prédio em que trabalho há duas unidades de saúde distintas, é comum pacientes da referência x irem buscar atendimento no guichê da sua unidade e serem informados que a especialidade de que eles precisam (um pediatra, ou um gineco, por exemplo) não é disponível naquele estabelecimento, aí se dirigem ao guichê da minha unidade (que como já disse, funciona no mesmo prédio) e são informados que "sim, senhora, temos ginecologista e ele está de plantão e tem senhas sobrando mas, infelizmente a senhora mora uma esquina após a nossa cobertura e todo seu atendimento deve ser buscado só e somente só naquele guichê ali". É comum ver médicos passarem horas sentados nos banquinhos da unidade passando o tempo com fofocas ou joguinhos de PSP "por não terem atendimento" quando dezenas de pacientes têm o atendimento para aquela especialidade negados por morarem em ruas erradas.

Quando foi instaurado o sistema muitos pacientes ficaram felizes porque na fase de remodelação os atendimentos marcados passaram a ser realizados em poucas semanas quando duravam meses antes da entrada da saúde da família (óbvio, tava todo mundo sendo chutado pra lá e pra cá e ninguém conseguia achar o seu lugar) mas à medida em que as pessoas foram descobrindo qual sua unidade de referência e se acomodando nela os prazos passaram a ser os mesmos com a diferença de que não adianta mais correr atrás de um postinho que tenha mais médicos ou madrugar na fila pra tentar uma "desistência". Uma outra faceta perversa é que não há mais possibilidade de escolha do profissional, um paciente que foi atendido por um clínico que não lhe inspirou confiança não pode mais tentar um outro profissional.

A propaganda da Saúde da Família é de que colocar pessoas doentes para madrugar numa fila de postinho debaixo de chuvisco e frio é desumano, mas ao meu ver, e tomando o que tem sido feito no Rio, a própria estratégia miraculosa é de uma desumanidade muito maior, só que mais limpinha.

Eu admito que, como tudo no serviço público, boa parte da responsabilidade pela deficiência é de nós, servidores; por outro lado não comungo de forma alguma da turma do vamos privatizar esta bagaça. Uma das outras medidas que foram rigidamente aceleradas pela gestão do Paes foi a terceirização da Saúde (todas as novas unidades de atenção básica funcionam exclusivamente com pessoal terceirizado, desde a gestão...), e... que boa merda. Todos os revéses do funcionalismo público (relaxamento quanto à pontualidade, produtividade e frequência para mim são os pontos clássicos) são mantidos pelas equipes terceirizadas mas com muito louvor mesmo (costumam ser menos pontuais e produtivos ainda) e todas as vantagens do serviço público estatutário (controle do nepotismo, seleção por domínio de conhecimento específico, independência político-eleitoral...) acabam desaparecendo.



Essa matéria ilustra muito bem: http://extra.globo.com/noticias/rio/posto-de-saude-da-familia-de-sepetiba-nao-tem-medico-limita-atendimento-de-pacientes-em-outras-unidades-3226768.html

Donatello, existe um motivo para isso, o que não significa que eles não esteja exagerando. A Saúde da Família funciona com uma coisa chamada território. Isso quer dizer que uma equipe (equipe e não unidade de saúde) possui responsabilidade por um território definido com uma população específica (que varia de 2.450 a 4.000 habitantes). Essa equipe consiste nos agentes comunitários de saúde, enfermeiro, técnico em enfermagem e médico (outros profissionais podem fazer parte em uma equipe ampliada, mas não é o normal). Ter um território definido permite que a equipe faça um planejamento de suas ações, além de conhecer sua clientela (devendo, inclusive, fazer visitas quando necessárias) e ela está sediada em uma UBS (que pode sediar até 3 equipes). Um problema está na localização dessas UBS dentro do território, que muitas vezes não se encontra no local adequado (+- no centro do território). A UBS, contudo, não precisa ter apenas equipes da ESF, pode ter também outros profissionais do modelo tradicional que prestam atendimento inclusive aos vazios assistenciais, que, aliás, é um problema nas metrópoles (o Rio, em 2012, tinha, por exemplo, 44,08% de cobertura da AB, da ESF é 40,87%). Apesar de não ser atendida pela equipe, a população da área descoberta deve ser encaminhada a um serviço (seja pela equipe em horário alternativo, seja profissionais do modelo antigo). Particularmente acho que a noção de território deve ser rediscutida, já que afeta o direito de escolha do usuário, mas isso já está em discussão no MS (só não sei em que pé está).

Offline Moro

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #213 Online: 25 de Abril de 2013, 19:49:46 »
e a dengue.. até na prevenção o SUS está detonando
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Offline Moro

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #214 Online: 28 de Maio de 2013, 20:40:45 »
hoje no profissão repórter vamos ver a maravilha do SUS!!
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Offline _Juca_

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #215 Online: 17 de Outubro de 2013, 12:07:21 »
Para atualizar o debate, 30% dos usuários do sistemas privados recorrem ao SUS ou pagam consulta e exames. Cadê a eficiência do setor privado? :x


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Um terço dos usuários de planos de saúde recorre ao SUS ou paga consulta

Tantos são os problemas e dificuldades enfrentados com planos de saúde no país que 30% dos usuários recorrem ao SUS (Sistema Único de Saúde) ou ao atendimento particular para receber cuidado médico adequado. É o que mostra uma pesquisa da Associação Paulista de Medicina (APM), em parceria com o Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (17), às vésperas do Dia do Médico.

O levantamento indica que houve um aumento de 50% na procura de usuários de convênios por atendimento particular ou pelo SUS em relação à apuração anterior, feita no ano passado. Em 2013, 22% das pessoas que têm plano de saúde tiveram que recorrer ao sistema público, contra uma proporção de 15% registrada no ano passado. E 12% tiveram que arcar com o atendimento este ano, contra 9% em 2012.

O maior crescimento na procura por outras opções de atendimento ocorreu principalmente na capital, entre as mulheres e entre os usuários com idade entre 25 e 34 anos.

A pesquisa foi realizada junto à população adulta do Estado de São Paulo que utilizou planos de saúde dos últimos 24 meses. Foram consultados homens e mulheres, com 18 anos ou mais, pertencentes a todas as classes econômicas, que possuem plano ou seguro saúde como titulares ou dependentes. A amostra total é de 861 entrevistas, feitas em setembro deste ano. A margem de erro máxima é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.

Os entrevistados apontaram queixas como a dificuldade para marcar consultas e para realização de exames, cirurgias e procedimentos de maior custo, entre outros pontos.

Entre os usuários, 79% relataram problemas. A APM diz que, projetando-se a proporção para os 10,4 milhões de usuários, há 8,2 milhões de pessoas com queixas. Cada pesquisado apontou mais de quatro problemas referentes ao plano de saúde.



Questionados sobre a utilização de serviços e a percepção de problemas, 66% dos entrevistados reclamaram de dificuldades em consultas médicas e 47%, na realização de exames. Já o pronto atendimento, terceiro em uso, é o serviço com maior índice de problemas: 80% dos usuários apresentaram queixas.

No item consultas médicas, demora na marcação (52%), médico que saiu do plano (28%), e demora na autorização da consulta (25%) são as queixas mais citadas pelos usuários.


Quando aos exames e diagnósticos, as queixas são recorrentes para demora para marcação (28%), poucas opções de laboratórios e clínicas especializadas (27%), e tempo para autorização do exame ou procedimento (18%).

Local de espera lotado é o principal problema apontado pelos usuários do pronto atendimento (74%).  Demora para ser atendido também é um aspecto importante, mencionado por 55% dos usuários. Outras reclamações citadas são demora ou negativa para realização de procedimentos necessários (16%), locais inadequados para receber medicação (13%) e negativa de atendimento (9%).

Internações

Quarenta e um por cento dos usuários que precisaram ser internados relataram problemas, o que foi projetado para um total de 800 mil pessoas. Do total, 30% reclamaram da falta de opções de hospitais; 12% de dificuldade ou demora para o plano autorizar a internação; e 8% da falta de vaga no hospital procurado.

Dos 16% de usuários que passaram por cirurgia, um quarto relatou problemas como a demora na autorização (17%) e falta de cobertura para materiais especiais (9%).

Entre os entrevistados, 15% já fizeram alguma reclamação, recurso ou notificação contra o plano de saúde. A negativa para cirurgia foi o motivo mais apontado pelos beneficiários que recorreram à Justiça.

http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2013/10/17/um-terco-dos-usuarios-de-planos-de-saude-recorre-ao-sus-ou-paga-consulta.htm


Offline Gabarito

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #216 Online: 21 de Janeiro de 2014, 19:18:33 »
Joguinho bem interessante, refletindo a realidade: Malabarismo e agilidade para não morrer!

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SUS é satirizado em jogo online
Por Victor Lombardi | Level Yahoo – 7 horas atrás

Yahoo Finanças - Brasileiros foram responsáveis pela criação do jogo que critica o SUS. (Foto: Reprodução)

    O SUS (Sistema Único de Saúde) está sendo satirizado pelos jogadores de games online. O serviço ganhou um jogo chamado “SUS: The Game – Brazilian Hospital Simulator”, no qual o jogador precisa conseguir ser atendido antes que a sua vida acabe

“Tenha a experiência de como é se sentir em um hospital público no Brasil (e provavelmente em qualquer país com hospitais em más condições ou mal administrados)”, diz a descrição do game. “Só há um médico que pode tratá-lo, encontre-o ele ou ela antes que seja muito tarde. Ninguém se importa ou quer ajudá-lo, então boa sorte.”

O personagem do jogo está doente e ao entrar em um hospital público para ser tratado. Porém, ele possui uma barra de vida e, a medida que o tempo passa, ela enche. Se chegar ao máximo o personagem morre e a partida deve ser reiniciada.

Logo na entrada do hospital você dá de cara com uma enorme fila de espera para ser atendido, precisa esperar a sua senha ser chamada, passar por atendentes que estão ocupadas acessando redes sociais e procurar um médico.

O jogo foi desenvolvido pelos brasileiros Ricardo Bencz e Luiz Alojziak durante o Ludum Dare, evento online em que participantes devem criar novos games em 72 horas.

*Com informações da InfoMoney


Primeiro comentário:

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luiz  •  6 horas atrás Denunciar abusos

    No jogo ainda você deve ser atendido mais rápido do que na vida real!!!!

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #217 Online: 21 de Janeiro de 2014, 21:23:09 »
Para atualizar o debate, 30% dos usuários do sistemas privados recorrem ao SUS ou pagam consulta e exames. Cadê a eficiência do setor privado? :x

Nos 70% de não-reclamantes remanescentes?

(Isso é meio que um "tu quoque", by the way).

Offline Dodo

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #218 Online: 21 de Janeiro de 2014, 22:07:36 »
Vou fazer uma pergunta (eu realmente tenho dúvidas e não porque eu quero bancar o troll e ficar provocando ninguém, ok?):

Se o mercado consegue regulamentar certas coisas na base da oferta e da procura porque, assim com acontece com alguns supermercados de diplomas universitários, não é possível filtrar os planos de saúde ruins? Na minha cidade tem planos de vinte reais ao mês, mas você só tem direito a consultas (uma ou duas) mensais e mais nada, no resto você paga tudo, tem alguns descontos nos serviços, que vão de 5% a 25% dos valores originais, mas no final das contas você acaba recorrendo ao SUS como o Juca falou.
Você é único, assim como todos os outros.
Alfred E. Newman

Offline Moro

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #219 Online: 21 de Janeiro de 2014, 22:19:49 »
Para atualizar o debate, 30% dos usuários do sistemas privados recorrem ao SUS ou pagam consulta e exames. Cadê a eficiência do setor privado? :x

Nos 70% de não-reclamantes remanescentes?

(Isso é meio que um "tu quoque", by the way).

A estatística é incompleta, no mínimo. Tem que ver que tipo de plano essas pessoas estão pagando e pelo que pagaram e que tipo de serviço procuraram no SUS.
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Offline Fabrício

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #220 Online: 22 de Janeiro de 2014, 07:15:36 »
Vou fazer uma pergunta (eu realmente tenho dúvidas e não porque eu quero bancar o troll e ficar provocando ninguém, ok?):

Se o mercado consegue regulamentar certas coisas na base da oferta e da procura porque, assim com acontece com alguns supermercados de diplomas universitários, não é possível filtrar os planos de saúde ruins? Na minha cidade tem planos de vinte reais ao mês, mas você só tem direito a consultas (uma ou duas) mensais e mais nada, no resto você paga tudo, tem alguns descontos nos serviços, que vão de 5% a 25% dos valores originais, mas no final das contas você acaba recorrendo ao SUS como o Juca falou.

Tudo depende do preço que se cobra... planos de saúde bons, com cobertura total, são caros. Então tem um público que apela para os planos mais baratos. Ele não vai ter uma proteção total, mas em compensação não fica totalmente dependente do SUS. Acredito até que sejam estas pessoas que não tem planos completos que sejam os 30% que o Juca citou.

Eu tenho plano da UNIMED, com tudo, pago pelo meu empregador, e não penso nem em passar perto do SUS. Por esta razão é que acredito que, se o sujeito tem um plano de saúde e mesmo assim apela para o SUS, deve ser porque o plano de saúde dele não é completo.
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Offline Moro

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #222 Online: 22 de Janeiro de 2014, 12:44:02 »
exato. só entender o "não ser uma panacéia" e ser "uma merda gerida pelo governo", sendo que há várias tonalidades e graus de merda (meia merda,  completa merda, super merda).  No caso do SUS eu colocaria toda a parte de atendimento e pronto atendimento como uma merda completa.  Sei que dizer isso parece injusto com muitos profissionais que trabalham seriamente mas a merda é sobre perspectiva de quem usa,  e imagino que esses profissionais sérios sejam minoria, levando em consideração a manifestação de foristas médicos dizendo a respeito do câncer do absentismo e as notícias que demonstram como o SUS se assemelha a uma organização criminosa,  descentralizada.
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Offline Cumpadi

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #223 Online: 22 de Janeiro de 2014, 12:55:40 »
Vou fazer uma pergunta (eu realmente tenho dúvidas e não porque eu quero bancar o troll e ficar provocando ninguém, ok?):

Se o mercado consegue regulamentar certas coisas na base da oferta e da procura porque, assim com acontece com alguns supermercados de diplomas universitários, não é possível filtrar os planos de saúde ruins? Na minha cidade tem planos de vinte reais ao mês, mas você só tem direito a consultas (uma ou duas) mensais e mais nada, no resto você paga tudo, tem alguns descontos nos serviços, que vão de 5% a 25% dos valores originais, mas no final das contas você acaba recorrendo ao SUS como o Juca falou.
E daí? Se eles estão felizes em pagar 20 reais por isso, o que não é lá grande coisa, qual o problema? E se quiserem não ter seguro nenhum? Essa obcessão por forçarem pessoas e empresas a comprarem seguro de saúde só faz com que os preços de tudo subam (seguros e preços da medicina), não o contrário.
http://tomwoods.com . Venezuela, pode ir que estamos logo atrás.

Offline Diegojaf

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Re:Problemas do SUS
« Resposta #224 Online: 12 de Fevereiro de 2014, 10:50:23 »
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Idoso cansa de esperar e faz ‘autocirurgia’
Caso veio à tona na noite desta terça-feira através da CPI da Saúde....   

O estilete foi o bisturi usado por Orlando Vaz, 84 anos, morador do Bairro Floresta, em Cascavel, para fazer uma espécie de “autocirurgia”. O homem sofria de dores por causa de uma hérnia e, cansado de esperar por um leito pelo SUS (Sistema Único de Saúde), decidiu realizar o procedimento em casa, no meio do ano passado.

http://cgn.uol.com.br/noticia/81030/idoso-cansa-de-esperar-e-faz-autocirurgia
"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto." - Rui Barbosa

http://umzumbipordia.blogspot.com - Porque a natureza te odeia e a epidemia zumbi é só a cereja no topo do delicioso sundae de horror que é a vida.

 

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