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Grandes obras abrem caminho do novo Nordeste
« Online: 27 de Março de 2010, 13:41:27 »
Grandes obras abrem caminho do novo Nordeste

Abastecimento de água no Sertão, energia limpa e fábricas mais produtivas que as chinesas geram bons empregos e revertem migração

No começo de abril, 60 operários darão início a uma obra num terreno de 220 hectares em Tauá, município de 17 mil habitantes localizado no sertão cearense. O trabalho promete ser duro. Distante 340 quilômetros do mar, Tauá ganhou fama por ser o lugar com a maior incidência de sol entre os 184 municípios do estado. Por causa dessa peculiaridade, em pouco tempo a cidade será conhecida também por abrigar a maior fazenda de energia solar da América do Sul, a segunda maior do mundo. A produção começa até o final do ano, mas a princípio será modesta: apenas 1 megawatt, suficiente para abastecer duas mil pessoas. Até 2013, esse número deverá chegar a 50 MW, gerando energia capaz de iluminar uma cidade de 100 mil habitantes. Idealizada pela MPX, do grupo EBX, do empresário Eike Batista, o projeto piloto da fazenda vai atrair investimentos de US$ 250 milhões para a região. Mais importante, vai ajudar a consolidar o Ceará como a capital nacional da energia limpa e referência internacional em crescimento econômico sustentável.


A fazenda Bons Ventos, em Aracati: 75 torres usam a força dos ventos para produzir 150 MW num dos cartões postais do Estado do Ceará

Essa é a nova face do desenvolvimento nordestino. Indicadores macroeconômicos mostram nos últimos anos que a região tornou-se um dos mais dinâmicos pólos de investimentos e de consumo do País, movido principalmente pelo aumento da renda. Segundo o IBGE, o rendimento médio do nordestino aumentou 77% entre 2003 e 2008, enquanto o aumento médio da renda no Brasil foi de 60% no período. As pesquisas e seus números, no entanto, não captam que as transformações locais vão muito além do clichê divulgado no Sudeste que fala do aumento nas vendas de potes de margarina e de iogurte e da ridícula caricatura da troca do jegue pela moto como veículo de transporte. A emergente economia nordestina é marcada pela criatividade, pela inovação e pela geração de novas tecnologias. Ao contrário do senso comum, que acredita ser o dinamismo monopólio do Sul, ilhas de excelência pipocam na região e colocam a economia local em linha com o que há de mais moderno no mundo e, em alguns casos, à frente do resto do Brasil. O parque de energia solar que brota sob o sol escaldante do sertão cearense é apenas um dos sinais de que Nordeste não apenas cresce, moderniza-se.

A equipe de reportagem do iG percorreu 1.500 quilômetros de estradas e nove cidades para ver de perto o que está ocorrendo no Nordeste. Ao longo das próximas semanas, apresenta uma série de reportagens que mostra as particularidades do crescimento econômico nordestino. Será uma viagem marcada por contrastes inesperados. Enquanto o resto do Brasil investe em térmicas movidas a óleo diesel, fonte poluidora de energia, a região semi-árida, pouco apropriada para hidrelétricas, firma-se como produtor de energias limpas graças ao aproveitamento não apenas do sol, ma também das marés e principalmente dos ventos. Parques de energia eólica desenham uma nova paisagem em praias do Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia. A expansão acelerada das fazendas de ventos estimula a criação de uma nova indústria de fornecedores de equipamentos, como a Tecnomaq, empresa 100% cearense. A produção de torres tornou-se um segmento tão pujante que a estimativa é que neste ano o setor ultrapasse a indústria automotiva e torne-se o maior consumidor de chapas de aço do país. "O Nordeste passa por um novo ciclo de desenvolvimento”, diz Luiz Eduardo Aquilar, presidente da Bons Ventos, hoje o maior parque eólico do país, localizado em Aracati, no Ceará. “A região deixou de ser apenas um local de sol e turismo e recebe investimentos que vão diminuir a desigualdade com o Sul e o Sudeste.”

O desenvolvimento com preocupação ambiental, baseado em novas tecnologias, desponta em vários outros segmentos. A fábrica de calçados mais produtiva e ecologicamente correta do País não está no Rio Grande do Sul, o maior pólo calçadista brasileiro. Fica em Sobral, no Ceará. Lá a Grendene, fabricante com sede em Farroupilha, na serra gaúcha, instalou uma fábrica cujos índices de produção superam os dos fabricantes chineses, considerados os mais ágeis do mundo. “A fábrica de Sobral é mais uma prova de que os tempos de atraso do Nordeste ficaram para trás”, afirma Nelson José Rossi, gerente-geral da fábrica da Grendene. O mais importante centro de desenvolvimento de softwares do País, segundo a consultoria ATKearney, não fica em São Paulo. Está no Recife, capital de Pernambuco. O Porto Digital, grupo de 135 empresas de tecnologia espalhados em 12 prédios históricos situados na área do antigo porto, tornou-se referência para empresas como a Microsoft e fonte de inspiração para universitários locais que sonham abrir seu próprio negócio. “Somos pobres e não podemos nos dar ao luxo de exportar cérebros e conhecimento”, diz Francisco Saboya, diretor presidente do Porto Digital. “Criamos uma alternativa para preservá-los”.


O guindaste Golias, instalado no Porto de Suape (PE): o maior das Américas, com altura equivalente a um prédio de 30 andares

A 40 quilômetros da capital pernambucana, outro porto se descola da média nacional. O Porto de Suape, em Ipojuca, recebe os mais modernos empreendimentos brasileiros na área de infraestrutura. É lá _e não no pólo naval do Rio de Janeiro_ que está em fase final de instalação o Atlântico Sul, o mais moderno estaleiro das Américas. Entre seus equipamentos de última geração estão dois superguindastes Golias, legítimos colossos com 100 metros de altura, o equivalente a prédios de 30 andares, e capacidade para içar 1,5 mil toneladas. Com eles o Atlântico Sul ganha não apenas força, mas velocidade para montar os navios e fazer frente aos concorrentes coreanos, hoje os fabricantes mais eficientes dessa indústria. Os quase 4 mil trabalhadores responsáveis por essa façanha serão predominantemente nordestinos porque o estaleiro optou por capacitar a mão-de-obra local. “Estamos assistindo a uma mudança de paradigma”, diz Sidnei Aires, vice-presidente do complexo industrial portuário de Suape. “Onde havia lavradores, pescadores e cortadores de cana agora temos operários com capacete e macacão: criamos um mercado de trabalho mais especializado.”

Por onde se vai na região, é nítido o movimento de valorização do profissional local. Quando comparado ao Sudeste e a Sul, o Nordeste de maneira geral ainda tem níveis de escolaridade e de qualificação profissional abaixo dos índices nacionais. Em média, o nordestino tem menos de seis anos de estudo, enquanto a média de permanência nos bancos escolares no Brasil é de sete anos. Mas gente talentosa, competente e bem formada desponta em diferentes frentes. Um dos destaques do mais recente Prêmio Finep de Inovação é o engenheiro naval maranhense José Luiz Mattos, criador de um sistema de drenagem para porões de navios petroleiros e de minérios. A participação de nordestinos no prêmio multiplicou por 10 desde o início da década e eles já somam 22% dos inscritos. “Um numero cada vez maior de empresas nordestinas incorpora o investimento em inovação ao seu dia a dia”, diz Vera Maria, coordenadora nacional do Prêmio Finep de Inovação. “Essa prática tem elevado a competitividade das empresas locais.”


Lilian Prado, diretora executiva da ONG Acreditar: reconhecimento do Banco Itaú e projeção nacional na área de microcrédito para jovens e mulheres

Na área financeira, ganha projeção uma jovem de 26 anos filha de agricultores. Lilian Prado ajudou a criar e dirige a Acreditar, instituição de microfinanças especializa na concessão de crédito para jovens e mulheres. A sede da empresa fica em Glória do Goitá, município pernambucano com 30 mil habitantes, metade deles vivendo na zona rural. A Acreditar investe em pequenos negócios para evitar o êxodo de pequenos agricultores para os centros urbanos do Sudeste por falta de trabalho no Nordeste, antigo problema para as comunidades locais. Seu trabalho ganhou projeção nacional. O Itaú Unibanco se inspirou na história da instituição para redigir um manual de como montar uma empresa de microfinanças. “Lilian está se projetando nacionalmente como empreendedora social”, diz Denise Gibran Nogueira, gerente de sustentabilidade do Itaú Unibanco. “E, a Acreditar, inspirando a criação de outras instituições de microcrédito no Sul e no Sudeste.”

O projeto que mais bem sintetiza o frenesi gerado pela mudança em curso é a transposição do Rio São Francisco. Quase 5 mil máquinas e 10 mil operários trabalham na terraplenagem, abertura e concretagem dos canais que vão irrigar com a água do São Francisco rios intermitentes espalhados por 60 municípios. A obra, polêmica e arrojada, vai garantir água o ano inteiro para 12 milhões de nordestinos que hoje convivem com deficiências no abastecimento. Nesse batalhão de operários anônimos trabalha o topógrafo Áureo Araújo da Silva. Natural de Petrolândia, Pernambuco, ele deixou o Nordeste há 15 anos em busca de emprego e melhores condições de vida. Morou em São Paulo e no Rio de Janeiro. Há dois anos, recebeu convite para trabalhar nas obras de transposição e se mudou de volta para a cidade natal. “Fui embora porque aqui não tinha emprego, não tinha futuro”, diz Silva. “Agora a realidade é outra e sei que meu lugar é aqui.”

http://economia.ig.com.br/grandes+obras+abrem+caminho+do+novo+nordeste/n1237558616503.html


Estaleiro Atlântico Sul, no porto de Suape (PE), constrói sua primeira embarcação: um navio tanque Suezmax encomendado pela Transpetro


Mais de cinco mil máquinas trabalham em canteiros de obras como os de Cabrobó (PE) para abrir os canais da transposição do rio São Francisco


Sala de realidade virtual desenvolvida pela empresa baiana Absolut Technologies


Detalhe da linha de produção da Grendene em Sobral: em 2009, a fábrica foi responsável por 87% dos 166 milhões de calçados feitos pela empresa


Em média, os donos e os funcionários das empresas que fazem parte do Porto Digital têm 25 anos, curso superior completo e, não raro, mestrado e doutorado


O Ceará é um dos maiores produtores de tilápia do País


Com o litoral cheio de torres de 80 metros que produzem energia através do vento, o Ceará virou o Estado que mais produz energia eólica no País

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Re: Grandes obras abrem caminho do novo Nordeste
« Resposta #1 Online: 28 de Março de 2010, 22:43:20 »
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Típico do Nordeste: acarajé, tapioca, robótica e TI

Robótica, realidade virtual e biotecnologia estão entre as áreas que contribuem para mudar a percepção sobre a região

Faça sua aposta. Em qual estado do País está localizada a sede de uma das maiores empresas de realidade virtual da América Latina, com clientes como Fiat e Petrobras? Se você apontou um estado da Região Sudeste ou Sul, está na hora de conhecer um Nordeste bem diferente daquele visto pelos turistas em busca de sol e belas praias.

Assim como a baiana Absolut Technologies, a empresa de realidade virtual mencionada acima, uma série de companhias “porretas” e criativas vem mostrando ao País _e, em alguns casos, ao mundo_ que o Nordeste é, também, um pólo de inovação.

Tecnologia da Informação (TI), biotecnologia, petróleo e gás e serviços de forma geral são algumas das áreas nas quais as empresas nordestinas mais se destacam, em criação e desenvolvimento de novos produtos e soluções.

Coordenadora nacional do Prêmio Finep de Inovação, que anualmente reconhece as empresas brasileiras mais inovadoras, Vera Marina da Cruz e Silva afirma que o Nordeste vem se firmando como um importante centro de desenvolvimento de novos produtos e serviços no País.

Como parâmetro, ela cita o crescimento do número de empresas da região inscritas anualmente no prêmio. De 12 inscrições em 2001, o Nordeste saltou para 110, em 2009. Em 2008, quando as regras do concurso mudaram e cada empresa passou a se inscrever em uma única categoria, os empreendedores e pesquisadores nordestinos foram responsáveis por 22,66% das inscrições no prêmio. “Quando analisamos os vencedores dos últimos anos, também notamos um relevante aumento da participação do Nordeste” afirma.

Entre os vencedores nordestinos das últimas edições do Prêmio Finep de Inovação há desde empresas que desenvolveram soluções para a área médica a inventores que criaram novos métodos de drenagem para porões de navios petroleiros e mineraleiros. O engenheiro naval maranhense José Luiz Mattos, autor dessa invenção utilizada por empresas do porte da Vale, representou o Brasil no Taipei International Invention Show. Ele já prepara novos projetos. “Meu próximo desafio é apresentar o sistema que desenvolvi para tratamento de água de lastro, considerada hoje um dos grandes poluidores dos mares”, diz Mattos, que tem uma consultoria em pesquisas navais em São Luiz.

Inovações com sabor local

Além da área de petróleo e gás, outros setores que concentram inovações no Nordeste são TI, biotecnologia e todos aqueles voltados para a agroindústria. Francilene Procópio Garcia, diretora da Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (ParqTecPB), diz que, diante da ainda pequena infraestrutura para indústrias, a região voltou-se para serviços de alto valor agregado. “Neste contexto, a área de TI, por exemplo, recebeu grande destaque, como no caso do Porto Digital, em Recife”, afirma.

Francilene afirma ainda que, de forma geral, as inovações nordestinas costumam levar em consideração as especificidades regionais. “Os empreendedores buscam, nas características locais, os diferenciais para seus produtos e serviços”, diz.

Um exemplo é a cearense Piscis, que desenvolveu um processo para beneficiar as vísceras de tilápias, peixe produzido em grande quantidade no Estado. André de Freitas Siqueira, responsável pelo projeto, conta que as vísceras do peixe, antes um grande problema ambiental, geram agora um óleo que serve para produção de biocombustível e fabricação de sabão e ração animal.

Recentemente selecionada para receber recursos do Programa Primeira Empresa Inovadora (Prime) da Finep, a Piscis está localizada na cidade de Jaguaribara, onde se encontra o maior açude do Ceará. Por mês, são beneficiados na empresa 7 mil quilos de vísceras.

Segundo Siqueira, doutorando em Biotecnologia pela Rede de Biotecnologia no Nordeste, o óleo já está sendo vendido para uso na alimentação de alguns animais como suínos e aves.

http://economia.ig.com.br/inovacao/tipico+do+nordeste+acaraje+tapioca+robotica+e+ti/n1237557023639.html
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Preconceito contra empresas nordestinas persiste

Empresários contam que ainda sofrem discriminação por não estarem presentes na região Sudeste

Apesar do reconhecimento que se traduz em prêmios e, sobretudo, em bons negócios, muitas empresas ainda afirmam sofrer discriminação por estarem no Nordeste.

Roberto Macedo, diretor executivo da Armtec, empresa de tecnologia em robótica com cinco anos de idade e grandes clientes em carteira, diz que, no início, teve dificuldades pela idade da companhia e também por sua origem. “Às vezes, uma empresa estrangeira, sem nenhum histórico, causava melhor impressão que a Armtec, que é cearense”, afirma.

Francilene Procópio Garcia, diretora da Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (ParqTecPB), diz que era comum ver empresas abrindo “escritórios” em São Paulo para superar a discriminação inicial ao apresentar o cartão de visitas. “Ainda somos desqualificados por empresários que desconhecem o fato de que o Nordeste pode, ser, sim, avançado em tecnologias”, diz Francilene. “Mas, estamos quebrando barreiras e a área de TI tem nos ajudado muito nesse sentido.”

Se o preconceito ainda não foi totalmente superado, um avanço já foi conquistado graças aos investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento. Francilene destaca que o estímulo à inovação no Nordeste permitiu que os recém-formados e profissionais mais bem qualificados tivessem opções de trabalho atraentes na região. “Os recursos humanos formados em áreas mais intensivas em conhecimento não tinham boas oportunidades e acabavam deixando o Nordeste”, diz. “Hoje, notamos que este movimento se reduziu significativamente.”

http://economia.ig.com.br/inovacao/preconceito+contra+empresas+nordestinas+persiste/n1237557023903.html

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Re: Grandes obras abrem caminho do novo Nordeste
« Resposta #2 Online: 01 de Abril de 2010, 00:37:00 »
Antes sem supermercado, Sobral vira polo regional

Em duas décadas, cidade deixou de exportar mão-de-obra, passou rede de serviços ampla e já tem quatro universidades

A industrialização que ajuda a criar ilhas de excelência no sertão nordestino poderia ter acontecido há muitos anos. No fim da década de 1950, o governo federal criou um órgão cuja função era promover políticas para diminuir as desigualdades entre o Nordeste e os Estados ao sul do País. Batizada de Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), ela teve suas funções alteradas durante a ditadura militar que se instalou no País em 1964 e foi extinta em 2001. “Com a saída dos idealizadores do projeto, como o economista Celso Furtado, a Sudene ficou acéfala e virou uma repartição pública como outra qualquer”, afirma Francisco Cunha, sócio da consultoria TGI, com sede em Recife.


Detalhe das caldeiras da fábrica da Grendene em Sobral: em 20 anos, ganhou quatro universidades e redes de supermercado

O desvirtuamento do órgão fez com que os Estados do Nordeste dessem início a uma guerra para atrair empresas para a região. Com um problema: como eram todos muito pobres, tinham pouco (ou nada) a oferecer. A coisa só melhorou a partir do final da década de 1980, quando a nova Constituição, o fim da inflação, o aumento do salário mínimo e programas como o Bolsa Família aumentaram o mercado consumidor da região. A partir daí, empresas como Sadia, Perdigão e Nestlé passaram a abrir suas fábricas no Nordeste. “O crescimento da classe C no Nordeste nos últimos anos foi fantástico”, diz Cunha. “Esse crescimento gera um efeito em cascata que tem impacto em todas as classes sociais”.

A Grendene é uma dessas empresas que resolveram apostar no Nordeste. Fundada em Farroupilha, no Rio Grande do Sul, percorreu 4,3 mil quilômetros em busca de incentivos fiscais, mão de obra barata, linhas de financiamento do Banco do Nordeste e proximidade com o mercado externo, para onde se destina 35% da sua produção. A primeira fábrica foi instalada em 1990 em Fortaleza, capital do Ceará. Três anos depois, abriu a segunda unidade na região, em Sobral. A ideia surgiu de um desafio do então governador Ciro Gomes para o presidente da empresa, Alexandre Grendene. Meses depois a empresa alugou um galpão e contratou 1,2 mil funcionários.

De lá para cá, muita coisa mudou. A cidade que não tinha sequer supermercado (a empresa emprestava um ônibus que levava os funcionários até Fortaleza para fazer compras) cresceu e se desenvolveu. Hoje, Sobral não tem apenas várias redes de supermercados, mas quatro universidades _duas federais e duas estaduais. Já a empresa conta com 23 mil funcionários e é a maior empregadora da cidade _mais até do que prefeitura local. “Quando morava em Farroupilha diziam que o nordestino não gosta de trabalhar e hoje somos a unidade mais produtiva da empresa”, afirma Nelson Rossi, o responsável pela fábrica da Grendene em Sobral. “É preciso acabar com essa ideia de que existem vários Brasis”.

Veja slideshow: http://economia.ig.com.br/empresas/industria/antes+sem+supermercado+sobral+vira+polo+regional/n1237566767555.html

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Re: Grandes obras abrem caminho do novo Nordeste
« Resposta #3 Online: 16 de Agosto de 2010, 11:03:50 »
Não é exatamente uma grande obra, mas como fala de desenvolvimento e alternativas para o Nordeste, achei que cabia aqui.

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Desenvolvimento do sertão pode passar pelos pés dos franceses

Políticas sociais e econômicas reduzem vulnerabilidade dos produtores do semiárido ao processo de desertificação

<a href="http://www.youtube.com/v/GabFnf8CTX4&amp;hl=pt-br" target="_blank" class="new_win">http://www.youtube.com/v/GabFnf8CTX4&amp;hl=pt-br</a>
Antonia de Souza Castro, 61 anos, produtora de algodão de Tauá

A redução da vulnerabilidade dos agricultores do semiárido pode avançar pelos passos dos europeus. Há alguns anos, a produtora de calçados ecológicos francesa Veja, conhecida como a produtora dos "sneakers verdes", adquire o algodão orgânico produzido pelos agricultores da Associação de Desenvolvimento Educacional e Cultural (Adec) de Tauá (CE), estimulando a economia da região. Hoje, um dos modelos de maior sucesso da empresa é o tênis “taua”, vendido a 85 libras no Reino Unido, ou R$ 235.

O projeto envolve não apenas os franceses, mas também a prefeitura (que cedeu o espaço onde funciona a Adec) e o governo estadual (que proporciona as sementes de algodão e presta assistência técnica). Esse esforço concentrado fez produtores como Antonia de Souza Castro, de 61 anos, permanecerem na caatinga, mesmo vendo boa parte do seu solo transformado em deserto, onde só nasce hoje uma “malva veia”.

Segundo Antonia, o projeto da Adec foi-lhe apresentado com informações básicas sobre o modo de cultivo e melhor aproveitamento do solo. Hoje, ela vê parte da sua terra degradada e outra fértil, com sete anos seguidos de produção do algodão (ver vídeo). São políticas públicas como essa que melhor podem agir na redução da vulnerabilidade do povo do sertão, segundo ambientalistas.


Calçados da Veja, da França, feitos com algodão da caatinga

Para Jesse Ribot, do Departamento de Geografia da Universidade de Illinois, é preciso tentar mitigar a degradação do solo do semiárido, mas, tanto quanto isso, é preciso levar desenvolvimento às regiões mais pobres que sofrem degradação. Ribot desenvolve, com o apoio de diversos fundos, um projeto de desenvolvimento econômico e social na região do Sahel, na África, cujo solo se assemelha ao do semiárido brasileiro. Para ele, o problema dessas pessoas, na verdade, é como elas lidam com as mudanças e como agências financiadoras podem auxiliá-las a melhorar sua condição de vida.

O acadêmico, que está no Brasil para a Icid, concorda que as discussões sobre aquecimento global e diminuição da degradação são importantes, mas, para reduzir a vulnerabilidade da população local, a maior parte do trabalho tem de ser feito na própria sociedade. Há perigos causados pelo clima e eles vão se intensificar mais, prevê Ribot. "Mas eles são apenas parte do problema da vulnerabilidade.”

Ribot, um dos organizadores do Icid, explica como a atuação social pode minimizar os impactos das variações do clima e questiona: por que morreram tantas pessoas nas secas do Nordeste brasileiro nas últimas décadas, enquanto que, em seca similar, pouco se registrou de mortes no sudeste americano, em Estados como Arizona e Novo México?


Produtor de algodão em Tauá (CE)

Para Ribot, também é importante avaliar a estrutura da sociedade para redução de vulnerabilidades, tanto quanto a variação do clima. Ele dá um exemplo de como avaliar isso. Em 1970, um grande ciclone atingiu Bangladesh e cerca de 500 mil pessoas morreram. Em 1991, um furacão muito similar atingiu a mesma região e 140 mil pessoas faleceram. Mas, em 2007, outro furacão muito mais forte do que os anteriores percorreu a mesma região e foram 3.406 as vítimas fatais. A densidade populacional de Bangladesh cresceu muito nesses anos, destaca o geógrafo. "Mas os estragos e as vítimas foram reduzidos em Bangladesh devido a uma série de políticas contra desastres e mudanças de ação que emanaram da sociedade."

O trabalho de organizações não-governamentais e projetos federais ou estaduais no semiárido brasileiro, porém, costumam ocorrer de forma apenas pontual. Apenas com a elaboração do Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação (PAN-Brasil), que ficou pronto em 2005. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, os custos de recuperação das áreas mais afetadas pela desertificação no Brasil é de cerca de US$ 2 bilhões para um período de 20 anos. Após a elaboração do PAN-Brasil, também Estados como o Ceará e Pernambuco promoveram os seus programas de ação estaduais.

Sentimento de culpa

Uma cartilha distribuída pelo governo cearense à população do semiárido aponta uma série de fatores que levam à desertificação das regiões cultiváveis, mas, exceto pelo desenho de um sol com chapéu de sertanejo na capa, não há indicações de que as oscilações do clima no planeta levem a essa mudança. A cartilha é um exemplo de indicação do sentimento de culpa do nordestino que vive nas regiões mais hostis do semiárido.

No texto constam que o extrativismo da madeira, o sobrepastoreio, o desmatamento desordenado, as queimadas e tantas outras interações do homem são os únicas causas da desertificação. Para Cícero “Totico” Pereira da Silva, que parece carregar esse complexo de culpa, o uso mal-planejado do trator para arar a terra foi um dos grandes culpados pela degradação do solo de Tauá (CE). “Para destruir é rapidinho, dois ou três anos, mas para recuperar, Deus sabe quanto tempo”

Antonia também coloca na conta da sua família e das vizinhas a principal culpa pela desertificação de suas terras. Para ela, a motivação principal para a degradação de parte do terreno se deve ao desmatamento que sua família promovia e à forma como plantavam, na vertical em relação à inclinação do solo.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), porém, não são os moradores locais os únicos culpados pelo processo de desertificação. Para alguns ambientalistas, eles estão mais para vítimas do que para algozes do ambiente.

E por que agir agora, com o lançamento da Década da Luta contra a Desertificação pela ONU nesta semana? Segundo a organização, há indícios científicos de que seja possível recuperar as terras degradadas, como espera a produtora Antonia, de Tauá. Em pesquisas recentes, descobriu-se melhora das condições de vida onde a terra se reabilitou e onde foi conservada. A ONU quer exatamente construir e a acelerar, onde houver, esse refortalecimento das terras mais secas do mundo. Os nordestinos do sertão esperam que essa transformação ocorre a passadas largas e, se possível, em passo calçados por tênis feitos com o algodão produzido por eles.

http://economia.ig.com.br/desenvolvimento+do+sertao+pode+passar+pelos+pes+dos+franceses/n1237749418838.html

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