Autor Tópico: Festival É Tudo Verdade completa 15 anos com programação "robusta"  (Lida 1876 vezes)

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Festival É Tudo Verdade completa 15 anos com programação "robusta"
« Online: 30 de Março de 2010, 22:40:14 »
Festival É Tudo Verdade completa 15 anos com programação "robusta"

Maior festival de documentários da América Latina, o É Tudo Verdade completa 15 anos com uma "programação robusta" em 2010, garante seu diretor e fundador, Amir Labaki. Segundo ele, a competição, tanto nacional quanto internacional, é uma das mais fortes da história do evento. Uma prova do prestígio que o festival desfruta são os dois filmes escolhidos para a abertura, ambos esperados pelo público brasileiro: em São Paulo, "Uma Noite em 67", de Renato Terra e Ricardo Calil, sobre o histórico festival de música da rede Record, que trazia entre seus concorrentes canções como "Roda Viva, "Alegria Alegria" e "Domingo no Parque"; e, no Rio de Janeiro, "Segredos da Tribo", novo trabalho de José Padilha ("Garapa", "Tropa de Elite"), exibido recentemente em Sundance.


"Segredos da Tribo", de José Padilha, vai abrir a versão carioca do É Tudo Verdade

Em conversa com jornalistas na capital paulista, Labaki destacou o bom momento do gênero documental no Brasil e no mundo e para ilustrá-lo, usou como exemplo o número de filmes que entraram em cartaz no País: enquanto no final da década de 1990 a média era de dois documentários brasileiros e um estrangeiro por ano, em 2009 foram exibidos em circuito 32 brasileiros – quase um terço das estreias nacionais – e 14 internacionais. "Isso reflete uma mudança de mercado muito importante, assim como de público e da própria imprensa."

De acordo com o diretor do festival, muita coisa mudou esteticamente ao longo dos últimos anos, e não foi só o suporte digital. O formato não se restringe mais a grandes temas ou personagens importantes: hoje, a variedade de estilos é imensa. "O documentário brasileiro se afastou muito dessa tendência, está se modernizando. O gênero tem uma tradição muito forte no País e isso ficou evidente quando ele assumiu a ponta da produção."

No programa do evento, entre as mostras competitivas e paralelas, está "O Homem Mais Perigoso da América: Daniel Ellsberg e os Documentos do Pentágono", indicado ao Oscar deste ano, que enfoca um ex-funcionário do governo norte-americano que vazou toneladas de documentos secretos para a imprensa na década de 1970. O polêmico Michael Moore volta sua câmera irônica para o sistema econômico em "Capitalismo: Uma História de Amor", "O Povo contra George Lucas" narra como o sucesso da trilogia de "Guerra nas Estrelas" ofuscou tudo o que cineasta fez antes e depois, enquanto o holandês "O Jogador" mostra a vida de três apostadores inveterados. Um total de 71 documentários de 27 países participa da seleção oficial.


Michael Moore recarrega suas armas em "Capitalismo: Uma História de Amor"

Do Brasil, além dos filmes de abertura, chamam a atenção "Guerra do Contestado", de Sylvio Back, sobre o conflito na região entre Paraná e Santa Catarina travado de 1912 a 1916, e "Eu, o Vinil e o Resto do Mundo", de Lila Rodrigues e Karina Ades, um retrato de jovens da periferia de São Paulo que participaram do Hip Hop DJ, maior campeonato de DJs na América Latina. O veterano Jorge Bodanzky participa com "No Meio do Rio Entre as Árvores", resultado de uma expedição ao Alto Solimões, na Amazônia.

A 10ª Conferência Internacional do Documentário, por sua vez, com o tema "Filme Vira Filme", vai enfocar o uso das imagens de arquivo como fonte para o gênero. "A forma está se renovando e o debate sobre isso está muito quente", afirma Labaki, que confirmou uma homenagem no centenário de Jay Leyda, maior entusiasta e divulgador de Sergei Eisenstein, e a presença do renomado crítico Bill Nichols. Também está prevista uma mostra especial dedicada ao francês Alain Cavalier, contemporâneo da Nouvelle Vague, mas conhecido por uma série de autorretratos documentais nas últimas décadas.

O festival É Tudo Verdade acontece em São Paulo de 8 a 18 de abril e no Rio, de 9 a 18. Segundo Labaki, ao contrário do ano passado, nesta edição o evento não será dividido no primeiro e segundo semestre, já que o resultado foi "aquém do esperado", principalmente de público. Está prevista a itinerância dos principais filmes selecionados para outras capitais, mas a lista de cidades participantes ainda não foi fechada.

Serviço – Festival É Tudo Verdade 2010
São Paulo, de 08 a 18 de abril
Salas: Espaço Unibanco de Cinema, Centro Cultural Banco do Brasil, Cinemateca Brasileira, Reserva Cultural, Cinemark Eldorado
Rio de Janeiro, 09 a 18 de abril
Salas: Unibanco Arteplex, Centro Cultural Banco do Brasil, Instituto Moreira Salles, Ponto Cine Guadalupe, Cine Santa Tereza, Cinemark Downtown
Entrada franca


http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2010/03/30/festival+e+tudo+verdade+completa+15+anos+com+programacao+robusta+9443986.html

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Re: Festival É Tudo Verdade completa 15 anos com programação "robusta"
« Resposta #1 Online: 10 de Abril de 2010, 19:22:35 »
José Padilha mostra antropólogos como vilões no documentário "Segredos da Tribo"

Quem vê de fora, acha que "Segredos da Tribo", o novo documentário de José Padilha ("Tropa de Elite", "Ônibus 174"), vai mostrar um outro lado dos ianomâmis, que caíram nas graças dos pesquisadores na década de 1960 e foram até visitados por Sting 20 anos depois, quando a floresta Amazônica e a importância de sua preservação conquistaram a mídia. Mas o filme – que abre o festival É Tudo Verdade no Rio de Janeiro – mostra, isso sim, os segredos escabrosos de outra tribo, a dos antropólogos estrangeiros que passaram a estudar os índios na fronteira entre Venezuela e Brasil. Vêm à tona escândalos de genocídio e exploração sexual, coisa de fazer a comunidade científica se esconder embaixo da poltrona.


Índios ianomâmi viraram febre nos anos 1980 e simbolizavam defesa da Amazônia

Nada disso, porém, é algo inédito. A polêmica se instalou ao longo dos anos em artigos de publicações especializadas, livros e, eventualmente, na imprensa. Aqui, no entanto, Padilha reuniu material de arquivo e colheu depoimentos de acadêmicos de várias partes dos Estados Unidos e da Europa, em um bate-boca de PHDs bastante incomum. Os ianomâmis também são ouvidos e daí fica claro que, mesmo com toda essa confusão entre doutores, quem saiu perdendo e viu sua cultura ser pisoteada pelos ocidentais foram os índios. E se instala a discussão filosófica: até que ponto a antropologia pode interferir nos povos que estuda?


José Padilha: busca pela "denúncia"

Pode parecer assunto para universitários, mas o debate traz assuntos para deixar ninguém sem opinião. O antropólogo norte-americano Napoleon Chagnon foi um dos primeiros, em 1968, a chegar na região do rio Orinoco, na Venezuela, e estudar os ianomâmi, talvez a última civilização intocada de nossa era – eles não conheciam o homem branco e, dependentes apenas da selva, proporcionavam um mergulho em milhões de anos na evolução.

Depois de viver anos entre os índios, Chagnon publicou um livro afirmando que, apesar do aspecto cortez, eles cultivavam uma cultura violenta, de guerra entre tribos, que era refletida na reprodução: índios com ao menos um homicídio nas costas tinham mais esposas e filhos do que os outros. Kenneth Good questionou com veemência essas afirmações, defendendo em outro livro que os ianomâmi eram pacíficos, mas não tinha muita moral para falar: em seus anos morando na Amazônia, casou com uma índia de 11 anos, com quem teve três filhos e causou polêmica ao levá-la aos EUA.

Outra história envolvendo crianças passa pelo francês Jacques Rizot, que assinou alguns artigos com Chagnon. Protegido de Claude Lévi-Strauss, um dos maiores pensadores do século 20, Rizot é acusado de introduzir a prostituição entre os indígenas: em troca de produtos como machados, facas e linhas de pesca, mantinha relações sexuais com garotos e jovens da tribo. Religiosos faziam vista grossa (como fazem até hoje) e os patrocinadores continuavam enviando milhões para as pesquisas do antropólogo.


Chagnon na década de 70, na Amazônia: "Se sou culpado, a antropologia também é"

Casos como esse vieram a público no livro "Trevas no Eldorado", disponível no Brasil e escrito pelo jornalista Patrick Tierney. Tierney descobriu que as primeiras expedições de Chagnon à Amazônia, ao lado do geneticista James V. Neel, foram patrocinadas pelo Comitê de Energia Atômica norte-americano, interessado em obter dados de grupos que viviam isoladamente e não tinham anticorpos para doenças comuns, como a gripe. A equipe, então, recolheu amostras de pele, sangue e saliva dos índios e, segundo o jornalista, introduziu deliberadamente o vírus do sarampo e da influenza na tribo, causando dezenas de mortes.

Nenhuma acusação fica sem resposta (a não ser Rizot, que não quis se manifestar), e Chagnon, hoje aposentado, se defende de ter alterado a cultura dos indígenas para sempre da seguinte forma: "Posso até ser culpado, mas se for, também o é toda antropologia como ciência". Assunto para os etnógrafos ficarem meses discutindo, e está aí um dos méritos do filme, que estreou no festival de Sundance.

Em coprodução com a BBC e HBO, Padilha, talvez por isso mesmo, optou por uma narrativa mais do que tradicional – "Segredos da Tribo", nos quesitos montagem, recursos visuais e trilha sonora, parece ter sido feito na década de 1980. Evidencia, porém, o caráter de "denúncia" que o diretor tem perseguido em toda sua carreira. Foi assim com "Ônibus 174", "Garapa", de certa forma em "Tropa de Elite" e deve ser com "Nunca Antes na História deste País", futura ficção com enfoque no escândalo do mensalão. Pode causar certo ranço, mas é inegável: difícil ficar impassível diante da obra dele.

Serviço – "Segredos da Tribo" no É Tudo Verdade
Unibanco Arteplex (Rio de Janeiro): sábado (10), 15h
Espaço Unibanco de Cinema (São Paulo): domingo (11), 19h
Espaço Unibanco de Cinema (São Paulo): segunda (12), 17h
Entrada franca

Assista ao trailer de "Segredos da Tribo": http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2010/04/10/jose+padilha+mostra+antropologos+como+viloes+no+documentario+segredos+da+tribo+9453585.html

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Re: Festival É Tudo Verdade completa 15 anos com programação "robusta"
« Resposta #2 Online: 10 de Abril de 2010, 21:01:10 »
Só para completar
em SP a mostra será exibida todo dia no cinusp (cinema da USP) com entrada franca... às 16 e 19 horas =)
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