Autor Tópico: China é a 2ª economia do mundo. Mas ainda tem muito o que aprender com o Japão  (Lida 2352 vezes)

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Offline Derfel

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Re: China é a 2ª economia do mundo. Mas ainda tem muito o que aprender com o Japão
« Resposta #25 Online: 16 de Agosto de 2010, 23:34:54 »

De onde são esses dados? As estimativas que forneci são da ONU. O gráfico aqui mostra três projeções diferentes da ONU, a mais baixa dá conta de uma população de 7,5 bi em 2050, a média dá 9 bi e a alta dá 11 bi. A fertilidade tem caído nos países desenvolvidos, principalmente na Europa. Nos países pobres, pelo contrário, as taxas de fertilidade são altíssimas e impulsionam o aumento da população mundial, como se vê neste mapa. As estimativas da ONU traçam o seguinte panorama:
População por continete em milhões
 Ano  ASI  AFR  EUR  AML  AMN  OCE  TOT
2010 4167 1033  733  589  352  036 6909 
2050 5231 1988  691  729  448  051 9150

http://en.wikipedia.org/wiki/World_population#Growth

Essas são as projeções médias da ONU. Existe uma estimativa mais otimista, mas há uma mais pessimista também. E nesta, o único continente onde haverá redução da população é a Europa, no total teremos 2,2 bilhões de pessoas a mais que hoje, se a previsão se concretizar.


Os seus dados estão corretos, mas a análise está errada. O que você tem é uma projeção da população com base na taxa de fertilidade de hoje, mas se você fizer uma série histórica dessa dado, de 1970 para cá, esse valor decresce ano a ano, e não há motivos para considerar que não continue assim. Hoje, conferindo os dados, a taxa média mundial é 2,6 (e não 2,5 como havia dito), dados de 2008, e a projeção da ONU foi feita com essa Taxa. Em 1968, foi feita uma previsão para a população mundial em 2050, pela ONU, usando os dados da época, de 12 bilhões de pessoas. Há algum tempo atrás a média foi revisada para 9,1 bilhões (com uma taxe de fertilidade final de 2) e, na última revisão, foi para 7,9 bilhões  (como uma taxa de fertilidade final de 1,5). Essa taxa de fertilidade está caindo no mundo todo, mesmo entre os africanos (em Ruanda, por exemplo, era de 8,5 e hoje é de 6), daqui a alguns poucos anos entao qual será a taxa de fertilidade e a nova projeção para a população em 2050?

Fonte: Veja, 7 de julho de 2010.

Offline calvino

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Offline Geotecton

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Offline uiliníli

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Re: China é a 2ª economia do mundo. Mas ainda tem muito o que aprender com o Japão
« Resposta #28 Online: 17 de Agosto de 2010, 09:27:54 »
Os seus dados estão corretos, mas a análise está errada. O que você tem é uma projeção da população com base na taxa de fertilidade de hoje, mas se você fizer uma série histórica dessa dado, de 1970 para cá, esse valor decresce ano a ano, e não há motivos para considerar que não continue assim. Hoje, conferindo os dados, a taxa média mundial é 2,6 (e não 2,5 como havia dito), dados de 2008, e a projeção da ONU foi feita com essa Taxa. Em 1968, foi feita uma previsão para a população mundial em 2050, pela ONU, usando os dados da época, de 12 bilhões de pessoas. Há algum tempo atrás a média foi revisada para 9,1 bilhões (com uma taxe de fertilidade final de 2) e, na última revisão, foi para 7,9 bilhões  (como uma taxa de fertilidade final de 1,5). Essa taxa de fertilidade está caindo no mundo todo, mesmo entre os africanos (em Ruanda, por exemplo, era de 8,5 e hoje é de 6), daqui a alguns poucos anos entao qual será a taxa de fertilidade e a nova projeção para a população em 2050?

Fonte: Veja, 7 de julho de 2010.

Na verdade a previsão que considera as taxas de fertilidade de hoje projeta uma população de 11 bilhões. A que projeta 9,1 bilhões já é com fertilidade reduzida. Para a população chegar 7,9 bilhões em 2050, só se o mundo inteiro virar Europa. Mas de qualquer maneira, mesmo que a população se mantenha constante, ainda é gente pra caramba, hoje já se consome 25 % mais recursos do que a natureza é capaz de renovar, e mesmo que a população mundial se mantenha constante nos próximos 40 anos, o desenvolvimento econômico dos BRIC vai aumentar o poder de consumo em países que somam quase 3 bilhões de pessoas, então mesmo com a população constante, a demanda por recursos naturais vai aumentar. O que vai acontecer quando os chineses começarem a ingerir o mesmo número de calorias e gastar a mesma quantidade de energia, madeira e metais que os americanos e europeus?

Offline Hold the Door

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Re: China é a 2ª economia do mundo. Mas ainda tem muito o que aprender com o Japão
« Resposta #29 Online: 17 de Agosto de 2010, 14:28:42 »
Quanto a não se poder viver somente de soja ou de milho, todas as proteínas que o ser humano precisa para viver com saúde podem ser encontrados numa alimentação vegetariana, inclusive vegana. A maior deficiência da dieta vegana é a carência de vitamina B12 que precisa ser compensada com o consumo de alimentos enriquecidos com ela (leite de soja, levedura alimentar, biscoitos, etc.) ou de suplementos alimentares.
Embora uma combinação de alimentos vegetais possa suprir todos os aminoácidos necessários, o valor biológico da proteína vegetal não se compara ao da proteína animal. Além disso, nem só de proteína vive o homem. Há vários outros nutrientes e micronutrientes que tem uma maior disponibilidade ou facilidade de absorção nos alimentos de origem animal, como o ferro e o cálcio (principalmente em laticínios). O primeiro está disponível na carne na forma heme, a mais fácil de ser absorvida pelo organismo humano e o segundo, embora existam vegetais ricos em cálcio, como a couve, possui baixa disponibilidade biológica em todos eles, o que faz com que seja abosrvido em maior quantidade dos laticínios.

Além disso, carne vermelha é rica em creatina (cujos valores são mais baixos nos vegetarianos e vegans) e principalmente peixes de água fria são ricos em ácidos graxos essenciais, que sabe-se hoje desempenham papel importante na manutenção da saúde cardíaca. Mesmo o colesterol baixo pode ser um problema para certas pessoas se não ingerirem proteína animal.

Aliás, me preocupa seriamente a manutenção de uma dieta vegetariana, e principalmente vegan, na puberdade, considerando que é uma fase em que ocorre uma demanda muito alta por todos os nutrientes (em especial na fase do "estirão") e cuja carência pode gerar danos irreversíveis.

E embora muitas pessoas possam suprir suas necessidades nutricionais com uma dieta vegetariana, a verdade é que ela não é para todos. Os seres humanos não são todos iguais e existem diferenças individuais nas capacidades de absorção de nutrientes de diversas fontes e na capacidade de síntese de várias substâncias importantes, que podem ser obtidos mais facilmente via alimentos de origem animal, ou seja, na forma como cada metabolismo reage as diferentes dietas.

Aqui mesmo no fórum temos um exemplo de uma forista antiga que não posta mais faz tempo. Chamava-se Márcia (se não me engano) e em uma das postagens admitiu que apesar de ser vegetariana, não podia manter essa dieta indefinidamente, porque começava a perder muito peso, sendo necessário recorrer a carne para evitar os problemas decorrentes disso.
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Offline Felius

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Re: China é a 2ª economia do mundo. Mas ainda tem muito o que aprender com o Japão
« Resposta #30 Online: 17 de Agosto de 2010, 15:44:19 »
Ia escrever mais, mas o Angelo postou ja basicamente o que iria falar.

Só para complementar, em falar de gente passando fome, o problema disso não é de falta de comida, mas falta de acesso a essa comida. Capacidade para alimentar a população, especialmente com a evolução tecnológica e científica não é de maneira alguma impossível, mesmo se houvesse um aumento extremamente significativos da população. O problema da fome é econômico, não de falta literal de comida.
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Offline Mahul

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Re: China é a 2ª economia do mundo. Mas ainda tem muito o que aprender com o Japão
« Resposta #31 Online: 17 de Agosto de 2010, 15:47:46 »
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Offline uiliníli

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Re: China é a 2ª economia do mundo. Mas ainda tem muito o que aprender com o Japão
« Resposta #32 Online: 18 de Agosto de 2010, 23:21:02 »
Embora uma combinação de alimentos vegetais possa suprir todos os aminoácidos necessários, o valor biológico da proteína vegetal não se compara ao da proteína animal. Além disso, nem só de proteína vive o homem. Há vários outros nutrientes e micronutrientes que tem uma maior disponibilidade ou facilidade de absorção nos alimentos de origem animal, como o ferro e o cálcio (principalmente em laticínios). O primeiro está disponível na carne na forma heme, a mais fácil de ser absorvida pelo organismo humano e o segundo, embora existam vegetais ricos em cálcio, como a couve, possui baixa disponibilidade biológica em todos eles, o que faz com que seja abosrvido em maior quantidade dos laticínios.

Além disso, carne vermelha é rica em creatina (cujos valores são mais baixos nos vegetarianos e vegans) e principalmente peixes de água fria são ricos em ácidos graxos essenciais, que sabe-se hoje desempenham papel importante na manutenção da saúde cardíaca. Mesmo o colesterol baixo pode ser um problema para certas pessoas se não ingerirem proteína animal.

Aliás, me preocupa seriamente a manutenção de uma dieta vegetariana, e principalmente vegan, na puberdade, considerando que é uma fase em que ocorre uma demanda muito alta por todos os nutrientes (em especial na fase do "estirão") e cuja carência pode gerar danos irreversíveis.

E embora muitas pessoas possam suprir suas necessidades nutricionais com uma dieta vegetariana, a verdade é que ela não é para todos. Os seres humanos não são todos iguais e existem diferenças individuais nas capacidades de absorção de nutrientes de diversas fontes e na capacidade de síntese de várias substâncias importantes, que podem ser obtidos mais facilmente via alimentos de origem animal, ou seja, na forma como cada metabolismo reage as diferentes dietas.

Aqui mesmo no fórum temos um exemplo de uma forista antiga que não posta mais faz tempo. Chamava-se Márcia (se não me engano) e em uma das postagens admitiu que apesar de ser vegetariana, não podia manter essa dieta indefinidamente, porque começava a perder muito peso, sendo necessário recorrer a carne para evitar os problemas decorrentes disso.
[/quote]

A Associação Dietética Americana declara sobre o veganismo:

Appropriately planned vegetarian diets, including total vegetarian or vegan diets, are healthful, nutritionally adequate, and provide health benefits in the prevention and treatment of certain diseases. Well-planned vegetarian diets are appropriate for individuals during all stages of the life cycle, including pregnancy, lactation, infancy, childhood, and adolescence, and for athletes.[/tt]

Claro que a pegadinha aqui está na expressão "appropreately planed". Uma dieta vegetariana e principalmente vegan mal feita leva a desastre. Mas isso é verdade também para uma dieta onívora descuidada. Em um caso ou no outro, é importante que a pessoa procure orientação de um profissional de nutrição e tome cuidado com o que ingere e o que deixa de ingerir, no caso do vegetarianismo, os micronutrientes que você citou são fonte de especial preocupação e se a alimentação a base de vegetais não for suficiente, podem ser complementados com produtos enriquecidos artificialmente com eles ou com suplementos alimentares.

Agora, você citou vários possíveis efeitos danosos do vegetarianismo (mal planejado) para a saúde, mas também existe o outro lado da moeda: o baixo consumo de gorduras previne doenças coronárias, baixa o colesterol ruim e aumenta a concentração de antioxidantes no corpo. Os vegetarianos apresentam menores índices de obesidade, doenças cardíacas, hipertensão, diabetes de tipo 2, demência e câncer de próstata e de cólon [1] e [2]. De fato, há um estudo de longevidade que indica que vegetarianos ou onívoros que simplesmente reduzem a ingestão de carne podem viver em média até 3,6 anos a mais que a média dos onívoros. [3].

Offline Hold the Door

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Re: China é a 2ª economia do mundo. Mas ainda tem muito o que aprender com o Japão
« Resposta #33 Online: 19 de Agosto de 2010, 01:13:12 »
Agora, você citou vários possíveis efeitos danosos do vegetarianismo (mal planejado) para a saúde, mas também existe o outro lado da moeda: o baixo consumo de gorduras previne doenças coronárias, baixa o colesterol ruim e aumenta a concentração de antioxidantes no corpo. Os vegetarianos apresentam menores índices de obesidade, doenças cardíacas, hipertensão, diabetes de tipo 2, demência e câncer de próstata e de cólon [1] e [2]. De fato, há um estudo de longevidade que indica que vegetarianos ou onívoros que simplesmente reduzem a ingestão de carne podem viver em média até 3,6 anos a mais que a média dos onívoros. [3].
A questão é que esses estudos costumam comparar dietas vegetarianas equilibradas com dietas onívoras não-equilibradas e no final atribuem a diferença a ingestão ou não de carne. Eu particularmente nunca vi um estudo em que o único fator diferente na dieta fosse realmente a origem da proteína ingerida.

Assim, os melhores índices obtidos pelos vegetarianos não são devidos a não ingestão de gorduras (mesmo porque, algumas gorduras animais, como os ácidos graxos essenciais que eu mencionei antes, protegem o coração e diminuem o risco de doenças coronarianas), mas a ingestão principalmente de alimentos não refinados, de baixo índice glicêmico e ricos em fibras. Tanto que a explosão de doenças isquemicas coronarianas, diabetes, obesidade, resistência metabólica, entre outras doenças degenerativas ocorreu no mundo moderno não à partir da carne (que sempre foi consumida), mas à partir da adoção de uma dieta baseada em carboidratos altamente refinados, cujo corolário é o fast-food.

Observe que do próprio link que você postou, a taxa de doenças isquemicas coronarianas é mais baixa entre ovo-lacto-vegetarianos e consumidores de peixe do que entre vegans. Observe que mesmo que ovo-lacto-vegetarianos sejam tecnicamente vegetarianos, ainda assim consomem alimentos ricos em colesterol (ovo) e gordura animal (leite). Não deveria ser o contrário, com os vegans em menor taxa, seguidos dos ovo-lacto-vegetarianos e dos consumidores de peixe se o verdadeiro responsável fosse a gordura e proteína animal? E como explicar Okinawa, região de grande longevidade onde um dos alimentos típicos é a carne de porco?

E por fim, veja o pdf disponível na página da Associação Dietética Americana, de um dos links que você postou, onde ela afirma a posição em favor da dieta vegetariana e seu efeito na diminuição da prevalência de várias doenças degenerativas. Veja a parte que explica a razão da eficiência das dietas vegetarianas na prevenção dessas doenças. Algumas partes do artigo:

Diabetes: "Because legumes contain slowly digested carbohydrate and have a high fiber content, they are expected to improve glycemic control and reduce incident
diabetes."...."Fiber-rich vegan diets are characterized by a low glycemic index and a low to moderate glycemic load (137). In a 5-month randomized clinical trial, a low-fat vegan diet was shown to considerably improve glycemic control in persons with type 2 diabetes, with 43% of subjects reducing diabetes medication (138)."

Obesidade: "Vegetarians may have a lower BMI due to their higher consumption of fiberrich, low-energy foods, such as fruit and vegetables."

Câncer: "A vegetarian diet provides a variety of cancer-protective dietary factors."

Demência: "One study suggests that vegetarians are at lower risk of developing dementia than nonvegetarians (186). This reduced risk may be due to the lower blood pressure seen in vegetarians or to the higher antioxidant intake of vegetarians (187). Other possible factors reducing risk could include a lower incidence of cerebrovascular disease and possible reduced use of postmenopausal hormones. Vegetarians can, however, have risk factors for dementia. For example, poor vitamin B-12 status has been linked to an increased risk of dementia apparently due to the hyperhomocysteinemia that is seen with vitamin B-12 deficiency.."

Observe que em todos os casos o principal fator de saúde não é a diminuição da gordura saturada ou a eliminação da carne, mas o alto consumo de fibras, frutas e vegetais ricos em antioxidantes e alimentos de baixo índice glicêmico. Inclusive, uma das afirmações da wiki, de que vegetarianismo diminui o índice de demência é altamente contestável, já que se baseia em um único estudo e desconsidera que em certos casos, pode aumentar o risco por deficiência de B12.

Mas o que eu quero destacar é que o que é o verdadeiro responsável pelos benefícios da dieta vegetariana nas doenças degenerativas não é monopólio dela. Não há nenhuma lei que impeça onívoros de se alimentar com uma dieta de baixo índice glicêmico, rica em fibras, verduras, legumes e frutas e nenhum dado ou estudo, mesmo nesses que são favoráveis ao vegetarianismo, que mostre que com essa dieta e consumindo carne um índivíduo não vá obter os mesmos benefícios obtidos pelos vegetarianos nos estudos.
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Offline uiliníli

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Re: China é a 2ª economia do mundo. Mas ainda tem muito o que aprender com o Japão
« Resposta #34 Online: 20 de Agosto de 2010, 17:50:15 »
A questão é que esses estudos costumam comparar dietas vegetarianas equilibradas com dietas onívoras não-equilibradas e no final atribuem a diferença a ingestão ou não de carne. Eu particularmente nunca vi um estudo em que o único fator diferente na dieta fosse realmente a origem da proteína ingerida.

Essa é uma diferença comportamental mesmo, os vegetarianos em média costumam ser mais atentos ao que consomem. Não quer dizer que onívoros que sejam suficientemente cuidadosos com a alimentação não possam ser tão ou mais saldáveis que vegetarianos, mas o que estávamos discutindo é se é possível ter uma dieta saudável com o vegetarianismo, então esses estudos que mostrei mostram que uma dieta vegetariana equilibrada é melhor que uma dieta onívora média.

Citar
Assim, os melhores índices obtidos pelos vegetarianos não são devidos a não ingestão de gorduras (mesmo porque, algumas gorduras animais, como os ácidos graxos essenciais que eu mencionei antes, protegem o coração e diminuem o risco de doenças coronarianas), mas a ingestão principalmente de alimentos não refinados, de baixo índice glicêmico e ricos em fibras. Tanto que a explosão de doenças isquemicas coronarianas, diabetes, obesidade, resistência metabólica, entre outras doenças degenerativas ocorreu no mundo moderno não à partir da carne (que sempre foi consumida), mas à partir da adoção de uma dieta baseada em carboidratos altamente refinados, cujo corolário é o fast-food.

A carne sempre foi consumida, mas lembre-se que a quantidade de carne consumida por pessoa e por ano aumentou muito também no mundo industrializado. Existe uma relação direta entre o poder de consumo das famílias e a quantidade de carne que elas ingerem, então você não pode isolar o consumo de carne do consumo de alimentos industrializados, que também aumentou, e concluir que o consumo de carne, sobretudo as ricas em gorduras saturadas, não tem nada a ver com isso.

Citar
Observe que do próprio link que você postou, a taxa de doenças isquemicas coronarianas é mais baixa entre ovo-lacto-vegetarianos e consumidores de peixe do que entre vegans. Observe que mesmo que ovo-lacto-vegetarianos sejam tecnicamente vegetarianos, ainda assim consomem alimentos ricos em colesterol (ovo) e gordura animal (leite). Não deveria ser o contrário, com os vegans em menor taxa, seguidos dos ovo-lacto-vegetarianos e dos consumidores de peixe se o verdadeiro responsável fosse a gordura e proteína animal? E como explicar Okinawa, região de grande longevidade onde um dos alimentos típicos é a carne de porco?

Mas observe que mais abaixo no mesmo link os pesquisadores culpam a baixa ingestão de vitamina B12 pelo desempenho inferior da dieta vegana em comparação à ovolactovegetariana e sugere que veganos que conseguem consumi-la em doses adequadas são ainda mais saudáveis.

Citar
E por fim, veja o pdf disponível na página da Associação Dietética Americana, de um dos links que você postou, onde ela afirma a posição em favor da dieta vegetariana e seu efeito na diminuição da prevalência de várias doenças degenerativas. Veja a parte que explica a razão da eficiência das dietas vegetarianas na prevenção dessas doenças. Algumas partes do artigo:

Diabetes: "Because legumes contain slowly digested carbohydrate and have a high fiber content, they are expected to improve glycemic control and reduce incident
diabetes."...."Fiber-rich vegan diets are characterized by a low glycemic index and a low to moderate glycemic load (137). In a 5-month randomized clinical trial, a low-fat vegan diet was shown to considerably improve glycemic control in persons with type 2 diabetes, with 43% of subjects reducing diabetes medication (138)."

Obesidade: "Vegetarians may have a lower BMI due to their higher consumption of fiberrich, low-energy foods, such as fruit and vegetables."

Câncer: "A vegetarian diet provides a variety of cancer-protective dietary factors."

Demência: "One study suggests that vegetarians are at lower risk of developing dementia than nonvegetarians (186). This reduced risk may be due to the lower blood pressure seen in vegetarians or to the higher antioxidant intake of vegetarians (187). Other possible factors reducing risk could include a lower incidence of cerebrovascular disease and possible reduced use of postmenopausal hormones. Vegetarians can, however, have risk factors for dementia. For example, poor vitamin B-12 status has been linked to an increased risk of dementia apparently due to the hyperhomocysteinemia that is seen with vitamin B-12 deficiency.."

Observe que em todos os casos o principal fator de saúde não é a diminuição da gordura saturada ou a eliminação da carne, mas o alto consumo de fibras, frutas e vegetais ricos em antioxidantes e alimentos de baixo índice glicêmico. Inclusive, uma das afirmações da wiki, de que vegetarianismo diminui o índice de demência é altamente contestável, já que se baseia em um único estudo e desconsidera que em certos casos, pode aumentar o risco por deficiência de B12.

Em nenhum momento eu disse que dietas onívoras não eram saudáveis ou que deveríamos parar de comer carne por questões de saúde. Toda minha argumentação neste tópico foi baseada na questão da sustentabilidade até você levantar a questão sobre o vegetarianismo ser uma dieta saudável ou não. Você enumerou potenciais malefícios dessa dieta e eu enumerei eventuais virtudes. O que o texto da ADA mostra é que o vegetarianismo é sim uma escolha viável desse ponto de vista, independentemente de o onivorismo também ser ou não. Essa discussão sobre se é mais legumes ou menos carne no prato que traz benefícios à saúde não me interessa.

Citar
Mas o que eu quero destacar é que o que é o verdadeiro responsável pelos benefícios da dieta vegetariana nas doenças degenerativas não é monopólio dela. Não há nenhuma lei que impeça onívoros de se alimentar com uma dieta de baixo índice glicêmico, rica em fibras, verduras, legumes e frutas e nenhum dado ou estudo, mesmo nesses que são favoráveis ao vegetarianismo, que mostre que com essa dieta e consumindo carne um índivíduo não vá obter os mesmos benefícios obtidos pelos vegetarianos nos estudos.

E eu nunca falei o contrário. O fato é que em excesso, carne faz mal. Com moderação não faz, pode ser até que faça bem. É preciso encontrar o ponto ótimo para a saúde, mas nada impede que existam vários máximos locais na equação.

Offline Derfel

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Re: China é a 2ª economia do mundo. Mas ainda tem muito o que aprender com o Japão
« Resposta #35 Online: 20 de Agosto de 2010, 19:29:19 »
Quando você falou da ADA me deu um susto. Deveriam controlar melhor essas siglas para sabermos o que é o quê. :biglol:

http://www.ada.org/

Offline Hold the Door

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Re: China é a 2ª economia do mundo. Mas ainda tem muito o que aprender com o Japão
« Resposta #36 Online: 20 de Agosto de 2010, 20:55:21 »
A carne sempre foi consumida, mas lembre-se que a quantidade de carne consumida por pessoa e por ano aumentou muito também no mundo industrializado. Existe uma relação direta entre o poder de consumo das famílias e a quantidade de carne que elas ingerem, então você não pode isolar o consumo de carne do consumo de alimentos industrializados, que também aumentou, e concluir que o consumo de carne, sobretudo as ricas em gorduras saturadas, não tem nada a ver com isso.
Eu não disse que não tem. Eu disse que não é o fator principal. Uma dieta pobre nos fatores de proteção potencializa os efeitos da gordura saturada. Mas uma dieta rica nesses mesmos fatores pode tornar uma dieta com presença de gordura saturada tão segura para o coração como uma sem. Veja por exemplo o paradoxo francês.

Em nenhum momento eu disse que dietas onívoras não eram saudáveis ou que deveríamos parar de comer carne por questões de saúde. Toda minha argumentação neste tópico foi baseada na questão da sustentabilidade até você levantar a questão sobre o vegetarianismo ser uma dieta saudável ou não. Você enumerou potenciais malefícios dessa dieta e eu enumerei eventuais virtudes. O que o texto da ADA mostra é que o vegetarianismo é sim uma escolha viável desse ponto de vista, independentemente de o onivorismo também ser ou não. Essa discussão sobre se é mais legumes ou menos carne no prato que traz benefícios à saúde não me interessa.
Mas a sua argumentação não se baseou apenas em mostrar as virtudes da dieta vegetariana ou a sua viabilidade, mas a sua superioridade do ponto de vista da saúde:
o baixo consumo de gorduras previne doenças coronárias, baixa o colesterol ruim e aumenta a concentração de antioxidantes no corpo. Os vegetarianos apresentam menores índices de obesidade, doenças cardíacas, hipertensão, diabetes de tipo 2, demência e câncer de próstata e de cólon [1] e [2]. De fato, há um estudo de longevidade que indica que vegetarianos ou onívoros que simplesmente reduzem a ingestão de carne podem viver em média até 3,6 anos a mais que a média dos onívoros.
Isso não é uma defesa de uma dieta viável, mas uma afirmação de que a dieta vegetariana previne diversas doenças, que seriam causadas pelo consumo de gordura saturada (aliás, por qual mecanismo a gordura saturada diminui a concentração de antioxidantes do corpo?) e de que o consumo de carne diminui a expectativa de vida.

O que eu mostrei é que essas doenças são causadas não pela carne, mas pela ausência de fatores de proteção que foram mais consumidos nas dietas vegetarianas analisadas nos estudos. Então interessa sim se é mais legumes ou menos carne no prato que traz benefícios a saúde, porque é a refutação de um dos argumentos que você colocou. Não o argumento da viabilidade da dieta vegetariana, argumento aliás, que eu não discordo totalmente, só considero que nem todos podem adotá-la, mas o argumento que você também usou dos malefícios da carne e da superioridade da dieta vegetariana na saúde.
« Última modificação: 20 de Agosto de 2010, 21:02:13 por Angelo Melo »
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Offline uiliníli

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Re: China é a 2ª economia do mundo. Mas ainda tem muito o que aprender com o Japão
« Resposta #37 Online: 21 de Agosto de 2010, 00:25:55 »
Mas a sua argumentação não se baseou apenas em mostrar as virtudes da dieta vegetariana ou a sua viabilidade, mas a sua superioridade do ponto de vista da saúde:
o baixo consumo de gorduras previne doenças coronárias, baixa o colesterol ruim e aumenta a concentração de antioxidantes no corpo. Os vegetarianos apresentam menores índices de obesidade, doenças cardíacas, hipertensão, diabetes de tipo 2, demência e câncer de próstata e de cólon [1] e [2]. De fato, há um estudo de longevidade que indica que vegetarianos ou onívoros que simplesmente reduzem a ingestão de carne podem viver em média até 3,6 anos a mais que a média dos onívoros.
Isso não é uma defesa de uma dieta viável, mas uma afirmação de que a dieta vegetariana previne diversas doenças, que seriam causadas pelo consumo de gordura saturada (aliás, por qual mecanismo a gordura saturada diminui a concentração de antioxidantes do corpo?) e de que o consumo de carne diminui a expectativa de vida.

Que seja, Ângelo, eu não estou preocupado com se a dieta vegetariana é melhor para a saúde. Minha intenção foi mostrar que é uma alternativa viável. Mas nem é isso que eu estava discutindo e que eu acho que tem mais relação com o tema do tópico, que é a questão da sustentabilidade. Eu creio que o vegetarianismo é melhor para a saúde do planeta em geral.

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O que eu mostrei é que essas doenças são causadas não pela carne, mas pela ausência de fatores de proteção que foram mais consumidos nas dietas vegetarianas analisadas nos estudos. Então interessa sim se é mais legumes ou menos carne no prato que traz benefícios a saúde, porque é a refutação de um dos argumentos que você colocou. Não o argumento da viabilidade da dieta vegetariana, argumento aliás, que eu não discordo totalmente, só considero que nem todos podem adotá-la, mas o argumento que você também usou dos malefícios da carne e da superioridade da dieta vegetariana na saúde.

Se eu dei a entender isso, não foi minha intenção. Eu só pretendi responder à questão que você levantou sobre se o vegetarianismo traz riscos à saúde mostrado exemplos de estudos que chegaram a conclusões contrárias a essa, mostrando que ele pode até ser saudável. Mas na verdade eu acho essas discussões ligadas à área médica um saco e não tinha intenção de me aprofundar nisso.

Offline JJ

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Re:China é a 2ª economia do mundo. Mas ainda tem muito o que aprender com o Japão
« Resposta #38 Online: 25 de Março de 2018, 12:22:28 »
Mas imagina quando eles aprenderem com os japoneses e começarem a comer mais carne, andar de carro, consumir mais eletricidade... O planeta aguenta? Mahatma Gandhi já disse 50 anos atrás que "A Grã-Bretanha precisou de metade dos recursos do planeta para alcançar a prosperidade; quantos planetas não seriam necessários para que um país como a Índia alcançasse o mesmo patamar?"

Naquela época os ingleses provavelmente riram da cara dele, acharam o careca só podia estar delirando em achar que a Índia pudesse sonhar em atingir o patamar de consumo da Inglaterra. Mas hoje a realidade é outra e estamos vendo aí China e Índia e mais uma penca de países em desenvolvimento, inclusive o Brasil, trazendo 3 bilhões de almas aspirando ao mesmo legítimo desejo de fartura que os países ricos desfrutaram no século passado. E agora José?

Com metade da humanidade vivendo abaixo da linha de pobreza, já se consomem 25% a mais do que a Terra consegue renovar.



Digamos que o autor deste post e outras pessoas concordem com estes VALORES  e afirmações ECO SOCIALISTAS  e anticapitalistas e anti riqueza material, então pergunto aos que concordem com estes valores ecossocialistas:


1)Vocês dão o exemplo e concordam em viver na pobreza material ? E já vivem e querem continuar vivendo na pobreza material ?


2)Vocês aprovam e querem  impor autoritariamente  estes valores, usando o Estado,  sobre as outras pessoas ou  vocês respeitam  o direito das outras pessoas escolherem  livremente  o enriquecimento material sem muitas  imposições (apenas com o mínimo possível) e dificuldades artificiais criadas por políticos e burocratas do Estado ?


« Última modificação: 25 de Março de 2018, 13:02:09 por JJ »

 

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