Autor Tópico: O Dumbopocalipse  (Lida 1790 vezes)

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Offline Dr. Manhattan

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O Dumbopocalipse
« Online: 16 de Fevereiro de 2011, 11:01:59 »
Vou começar este tópico com o que vou chamar modestamente de paradoxo de Manhattan:

Quanto mais educada uma população, maior a quantidade de pessoas nela que acreditam em pseudociência.

Isso seria uma consequência direta do efeito Dunning-Kruger: se um indivíduo é muito ignorante, ele tenderá a aceitar
a opinião de um especialista. Se ele tiver um nível um pouco maior de educação, ele resistirá mais a aceitar, principalmente
se essa opinião for de encontro a sua visão de mundo. Pior ainda se ela for apresentada a uma explicação fajuta alternativa,
supostamente científica.

Vejam que isso é diferente dos religiosos: estes costumam receber suas opiniões já mastigadas e flavorizadas artificialmente
da boca dos pastores/xamãs/padres/pais-de-santo. O semi-ignorante costuma decidir por conta própria o que "vale" ou não.

Resumindo: estamos lascados. Por um lado é ruim termos que lidar com fanáticos religiosos. Por outro, vai ser tremendamente irritante
ter que encarar a futura enxurrada de pseudocientistas, curandeiros quânticos e homeopatas.
You and I are all as much continuous with the physical universe as a wave is continuous with the ocean.

Alan Watts

Offline Adriano

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #1 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 11:23:07 »
Em oposição ao efeito Dunning-Kruger, surge a Impostor syndrome. Pela minha leitura em psicologia da educação, com foco principal na superdotação, este é um caminho comum entre os sobredotados. É a tendencia a não se valorizar e externar esse sentimento mediante a suposta ignorância generalizada. Normalmente ocorre de um assincronismo entre o indivíduo e o mundo ao seu redor. Considerando que na média, a humanidade é inteligente como um todo, então os devios como sobredotação e infradotação não explicam um mundo ignorante. Aliás, na minha concepção nem existe tal mundo.

Citar
The impostor syndrome, sometimes called impostor phenomenon or fraud syndrome, is a psychological phenomenon in which people are unable to internalize their accomplishments. It is not an officially recognized psychological disorder, but has been the subject of numerous books and articles by psychologists and educators. The term was coined by clinical psychologists Pauline Clance and Suzanne Imes in 1978.[1]

Regardless of what level of success they may have achieved in their chosen field of work or study or what external proof they may have of their competence, those with the syndrome remain convinced internally they do not deserve the success they have achieved and are actually frauds. Proof of success is dismissed as luck, timing, or as a result of deceiving others into thinking they were more intelligent and competent than they believe themselves to be.

The impostor syndrome, in which competent people find it impossible to believe in their own competence, can be viewed as complementary to the Dunning–Kruger effect, in which incompetent people find it impossible to believe in their own incompetence.

Disto vem a consideração de que a pessoa não fez nada de mais e o restante é que está errado por não terem conseguido e entenderem coisas tão simples e banais  :smartass:

« Última modificação: 16 de Fevereiro de 2011, 11:25:38 por Adriano »
Princípio da descrença.        Nem o idealismo de Goswami e nem o relativismo de Vieira. Realismo monista.

Offline Dr. Manhattan

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #2 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 11:24:46 »
Como eu dizia...
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Alan Watts

Offline Adriano

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #3 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 11:34:35 »





Efeitos do Dumbocalipse.

Como podem retardados mentais terem esse sucesso que obtiveram?  :biglol:

 :histeria: :histeria: :histeria:

« Última modificação: 16 de Fevereiro de 2011, 11:38:29 por Adriano »
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Offline _tiago

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #4 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 11:43:55 »
E como você acha que a educação afeta a capacidade de crença de uma pessoa?
Quanto maior a educação e conhecimento das pessoas, em geral, maior afinidade de suas crenças à explicações fajutas?
Realmente paradoxal...
Massss.... Por aí existem vários tolos de muita leitura que arrancam da cartola frases e conceitos sem muito entender o significado.

Offline Adriano

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #5 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 11:48:30 »
Existem os memeplexos. Existem os gênios de determinados memeplexos. Tem que ter alguém para alimentar e criar a crença, ela é sempre uma explicação mais simples de algo.

Os meus gênios preferidos vocês já sabem  :biglol:

E nem a ciência deixa se ser um grande memeplexo, é apenas um modelo informacional da humanidade.
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Offline Dr. Manhattan

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #6 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 11:54:01 »
E como você acha que a educação afeta a capacidade de crença de uma pessoa?

É que a pessoa sabe X, mas acredita saber 10X. Veja o caso daqueles que negam a existência do aquecimento global.

Quanto maior a educação e conhecimento das pessoas, em geral, maior afinidade de suas crenças à explicações fajutas?

Até certo ponto. E isso depende da área de conhecimento delas. É sabido (e só uso esse tipo de frase porque estou na área de Brincadeiras :) ),
é sabido que é grande a proporção de criacionistas entre os engenheiros. Tem também os filósofos pós-modernos e os analistas econômicos.

Realmente paradoxal...
Massss.... Por aí existem vários tolos de muita leitura que arrancam da cartola frases e conceitos sem muito entender o significado.

Já vi alguns desses... Mas não lembro onde...  ::)
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Alan Watts

Offline Adriano

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #7 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 12:01:31 »

Exemplo de dumbolices artificiais


Eu encaro a religião como uma ficção, pois de um ponto de vista antropológico é uma criação humana. E o envolvimento ficcional existente entre as religiões naturais e as artificiais (ficções em geral) são semelhantes. A diferença é o grau de "duplipensar" estabelecido entre o meme não-científico e a máquina gênica.

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Offline Adriano

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #8 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 16:01:35 »
Realmente paradoxal...
Massss.... Por aí existem vários tolos de muita leitura que arrancam da cartola frases e conceitos sem muito entender o significado.

Já vi alguns desses... Mas não lembro onde...  ::)
Geralmente costumam citar conteúdos culturais de maior valor social (cinema, literatura, tv americana) e portanto ignoram as probres culturas religiosas dos menos favorecidos.

Por isso eu digo, como representante direto das massas de ignorantes, que a minha igreja representa a minha pobre e ensandecida cultura religiosa e proletária  :chorao:


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Offline VSR

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #9 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 17:19:14 »
O que seria uma pseudo-ciência ? uma ramificação da ciência não aceita pela tradicional ?
qual o mal nisso ?
Acho isso de extrema importância para o evoluir da sociedade, pois creioq ue caminhos alternativos incitam o apreender e a vontade do "novo". Creio que boa parte da "chatisse" das aulas na escola é decorrência disso, o aluno vê esquemas fisicos, quimicos, matemáticos e etc como algo definido e fechado, o qual apenas tem que entender, decorar e compreender, e nunca criar á partir dele.... Discordo quando dizem que nos livrariamos dos dogmas religiosos para termos pseudo-ciêntistas, acho que com essa educação social não só nos livramos dos dogmas religiosos quanto dos ciêntíficos.
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Offline Contini

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #10 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 18:29:11 »
O que seria uma pseudo-ciência ? uma ramificação da ciência não aceita pela tradicional ?
qual o mal nisso ?
Acho isso de extrema importância para o evoluir da sociedade, pois creioq ue caminhos alternativos incitam o apreender e a vontade do "novo". Creio que boa parte da "chatisse" das aulas na escola é decorrência disso, o aluno vê esquemas fisicos, quimicos, matemáticos e etc como algo definido e fechado, o qual apenas tem que entender, decorar e compreender, e nunca criar á partir dele.... Discordo quando dizem que nos livrariamos dos dogmas religiosos para termos pseudo-ciêntistas, acho que com essa educação social não só nos livramos dos dogmas religiosos quanto dos ciêntíficos.
Pseudociencias se baseia em falacias, fraudes e/ou equívocos e já se demonstrou muito prejudicial várias vezes.
Estudos pseudocientíficos, por exemplo,  já tentaram relacionar a vacinação com ocorrencia de autismo! Imagina o estrago potencial disso!
Cito:
http://ateus.net/artigos/ceticismo/como-distinguir-ciencia-de-pseudociencia/
Citar
A palavra “pseudo” significa “falso”. O modo mais seguro de identificar algo falso é saber tanto quanto possível sobre os fatos reais — neste caso, a própria ciência. Ter conhecimento científico não se restringe a saber fatos científicos (como a distância da Terra ao Sol, a idade da Terra, as diferenças entre mamíferos e répteis etc.). Significa entender a natureza da ciência — os critérios para obter evidência, como projetar experimentos relevantes, a avaliação de possibilidades, os testes de hipóteses, o estabelecimento de teorias, os múltiplos aspectos dos métodos científicos que tornam possível estabelecer conclusões confiáveis acerca do universo físico.

Já que os meios de comunicação bombardeiam-nos com absurdos, torna-se útil ter em conta as características da pseudociência. A presença de apenas uma delas já deve despertar grande suspeita. Por outro lado, um material que não mostre nenhum destes vícios poderá ser pseudociência mesmo assim, pois seus adeptos inventam diariamente novas maneiras de se tapear. A maioria dos exemplos deste artigo relaciona-se à física, minha área de conhecimento, porém crenças e comportamentos semelhantes estão associados à astrologia médica, iridologia, quiropraxia baseada em subluxação, reflexologia, terapia dos meridianos, toque terapêutico e outras pseudociências da saúde.
A pseudociência exibe indiferença pelos fatos.

Em vez de se dar ao trabalho de consultar referências ou investigar diretamente, seus proponentes limitam-se a regurgitar falsos “fatos” sempre que necessário. Estas ficções são amiúde cruciais para os argumentos e conclusões do pseudocientista. Ademais, pseudocientistas raramente revisam seus textos. A primeira edição dum livro pseudocientífico é quase sempre a última, muito embora ele continue a ser impresso por décadas ou mesmo séculos. Até mesmo livros com erros óbvios de conteúdo e impressão são reimpressos sem modificação, vezes sem conta. Compare-se isto aos compêndios científicos que são reeditados a cada punhado de anos, devido ao rápido acúmulo de novos fatos e critérios.
A “pesquisa” pseudocientífica é invariavelmente malfeita.

Os pseudocientistas recortam notícias de jornais, colecionam boatos, citam outros livros pseudocientíficos e debruçam-se sobre antigas obras religiosas ou mitológicas. Raramente ou nunca empreendem uma investigação independente para verificar suas fontes.
A pseudociência parte duma hipótese — que geralmente possua apelo emocional e seja espetacularmente implausível — e a seguir busca somente os itens que a apoiem.

Desprezam-se as evidências conflitantes. De modo geral, a pseudociência visa racionalizar crenças fortemente arraigadas, ao invés de investigar ou testar possibilidades alternativas. A pseudociência se especializa em atingir conclusões “apropriadas” e espicaçar ideologias, ao apelar a ideias preconcebidas e mal-entendidos disseminados.

Sugiro ler o resto no site  :ok:
"A idade não diminui a decepção que a gente sente quando o sorvete cai da casquinha"  - anonimo

"Eu não tenho medo de morrer, só não quero estar lá quando isso acontecer"  - Wood Allen

    “O escopo da ciência é limitado? Sim, sem dúvida: limitado a tratar daquilo que existe, não daquilo que gostaríamos que existisse.” - André Cancian

Offline Dr. Manhattan

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #11 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 18:31:48 »
Bicho, pseudociência está para a ciência como
isto


está para isto



Não se trata só de uma "ciência diferente", mas de algo que pensa que é ciência mas não é.
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Alan Watts

Offline _tiago

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #12 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 22:27:28 »
Manhattan,

Achando por achando,
Quem se importa ou confronta as próprias convicções? É confortável não precisar se perturbar com isso e ameaçar os cômodos alicerces da rotina diária de nossas vidas. Pra que prestar atenção ou pensar no que de mais acontece no mundo? Pra que se importar com a constituição que monta o mundo!? A educação, coitada, é somente a via necessária pra quem quer ser um profissional, trabalhar, constituir família, viver... Aprende-se a ser profissional, basta! Se surgir o assunto deus e outros desses discutidos aqui no Fórum (ceticismo, ateísmo etc), melhor e mais rápido é revirar o baú antigo de convicções tolas, mas convenientes, confortáveis e bem acabadas e dar-se por satisfeito; afinal,
– Essa é a minha opinião!
E pra que mais? Depois de um dia de trabalho chegar em casa cansado, abrir um livro de divulgação científica, filosofia! Melhor é assistir uma série, ver um filme, futebol, qualquer coisa que distraia o cérebro. Aprendizado exige tempo, dedicação, sacrifício! E pra que um aprendizado que não traz retorno financeiro e pior, vai contra as queridas crenças!? Se eu acredito em deus, melhor ler a bíblia que o cara que contesta o Cara.
Agora, tanto melhor se houver explicação científica que corrobore a crença! Já viu nas bancas uma revista chamada, mais ou menos assim,
– Espirito, ciência e filosofia?
Bonita a revista, bem organizada e comentada. Não vi coisa que reflita melhor essa perspectiva.

Outra,
Acho que na maioria das vezes, não é que a pessoa acredita saber 10x mais, é só a mais antiga das vaidades... E isso é comum aqui no Fórum.

Por isso que eu acho (que é o que vc parece achar!) que a educação afeta ou não a crença da pessoa. Isso que a gente faz aqui no Fórum é pra quem gosta e se importa em discutir conhecimento.

Offline VSR

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #13 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 23:06:09 »
Ahhh mas isso pode ser evitado... eu penso assim:
Numa sociedade desenvolvida e educada as pessoas tenderiam a se questionar, serem céticas e curiosas.
Na escola via que muitos alunos se desinteressavam pelas matérias por não terem uma "sede de conhecimento", prefiro um ambiente de questionamento científico do que de estagnação...
prefiro que digam:
"Nossa a teoria da relatividade não tem nada a ver, vou provar isso"
do que:
"Nossa faz todo sentido, então é isso".

Se a pessoa tende a não crer numa ciência porque tenderia a crer numa pseudo-ciência ? Creio que numa sociedade educada mais ramos científicos se desdobrem e não vejo mal algum nisso... aquilo que é "falso" uma hora perderá a credibilidade e aquilo que tiver mais provas permanecerá... o importante é instigar a curiosidade a vontade de aprender.
 
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Offline _tiago

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #14 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 23:08:29 »
Numa sociedade desenvolvida e educada as pessoas tenderiam a se questionar, serem céticas e curiosas.

É disso que estamos duvidando, meu caro!

Offline Geotecton

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #15 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 23:13:20 »
Como podem retardados mentais terem esse sucesso que obtiveram?  :biglol:

 :histeria: :histeria: :histeria:

Por causa daqueles ainda mais retardados que os assistem ou que votam neles! :histeria:
Foto USGS

Offline VSR

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #16 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 23:22:34 »
Numa sociedade desenvolvida e educada as pessoas tenderiam a se questionar, serem céticas e curiosas.

É disso que estamos duvidando, meu caro!

Claro que depende da forma de ensino, sempre fui a favor de um "ensino aberto" onde o aluno apreende através de pistas, chegando à mesma conclusão de outros pensadores, ao invés de uma simples exposição de idéias alheias, ensinamentos em formas de teses ao invés de "é isso ai"... creio que essa aceitação da pseudo-ciência é uma fase, e também produto da não total educação, veja muitas pessoas instruídas que não acredita em partes da ciência pois a veêm como um clubinho fechado, de pessoal com jaleco, que decidem entre sí aquilo que é ou não válido... quando a educação for mais ampla creio que isso desaparecerá.
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Offline Contini

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #17 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 23:26:51 »
Falando em formas de ensino:
http://www.ciensinando.com.br/2011/02/o-melhor-professor/
O melhor professor que já tive | Ciensinando
www.ciensinando.com.br
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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #18 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 23:29:31 »
Como podem retardados mentais terem esse sucesso que obtiveram?  :biglol:

 :histeria: :histeria: :histeria:

Por causa daqueles ainda mais retardados que os assistem ou que votam neles! :histeria:

Estamos a dominar o mundo, não precisamos mais de aviões, as crianças se conectam a nós igual a natureza de Pandora:

Idealismo Imperial


Versão revolucionária:

Materialismo Histórico  :biglol:
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Offline VSR

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #19 Online: 16 de Fevereiro de 2011, 23:30:05 »
Já lí esse texto, e é mais ou menos isso que quero dizer, ensinar as pessoas a se indagarem e pensarem...
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Offline DDV

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #20 Online: 18 de Fevereiro de 2011, 10:59:06 »
Vou começar este tópico com o que vou chamar modestamente de paradoxo de Manhattan:

Quanto mais educada uma população, maior a quantidade de pessoas nela que acreditam em pseudociência.

Isso seria uma consequência direta do efeito Dunning-Kruger: se um indivíduo é muito ignorante, ele tenderá a aceitar
a opinião de um especialista. Se ele tiver um nível um pouco maior de educação, ele resistirá mais a aceitar, principalmente
se essa opinião for de encontro a sua visão de mundo. Pior ainda se ela for apresentada a uma explicação fajuta alternativa,
supostamente científica.

Vejam que isso é diferente dos religiosos: estes costumam receber suas opiniões já mastigadas e flavorizadas artificialmente
da boca dos pastores/xamãs/padres/pais-de-santo. O semi-ignorante costuma decidir por conta própria o que "vale" ou não.

Resumindo: estamos lascados. Por um lado é ruim termos que lidar com fanáticos religiosos. Por outro, vai ser tremendamente irritante
ter que encarar a futura enxurrada de pseudocientistas, curandeiros quânticos e homeopatas.

Caraca, eu li algo falando sobre isso um dia desses!

As pessoas completamente ignorantes (ou leigas) costumam preservar uma espécie de "bom senso original" que as tornam bastante práticas, evitando que acreditem em idéias demasiadamente sem sentido e estaparfúdias.

Uma dose superficial de "educação" teria o efeito paradoxal de deixar a mente das pessoas mais abertas a idéias estaparfúdias e exóticas sem no entanto lhes fornecer o conhecimento necessário para processar/avaliar estas idéias. É como se elas perdesssem o bom senso e praticidade originais. Daí, você vê pessoas com níveis superficiais de conhecimento acreditando em coisas que os completamente ignorantes desprezam e zombam, como pós-modernismo/relativismo, comunismo e as diversas pseudociências.

As "teorias de conspiração" que envolvem desconfianças sobre o que os especialistas dizem também partem dessas pessoas.

Não acredite em quem lhe disser que a verdade não existe.

"O maior vício do capitalismo é a distribuição desigual das benesses. A maior virtude do socialismo é a distribuição igual da miséria." (W. Churchill)

Offline Dbohr

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #21 Online: 18 de Fevereiro de 2011, 11:16:10 »
Adriano, vou pedir formalmente que pare com as foto-postagens.

Offline Dbohr

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Re: O Dumbopocalipse
« Resposta #22 Online: 18 de Fevereiro de 2011, 11:45:32 »
"Expertise in one field does not carry over into other fields. But experts often think so. The narrower their field of knowledge the more likely they are to think so." - Robert Heinlein.

Tirei deste artigo aqui, que acho que ilustra uma situação análoga ao Paradoxo de Manhattan: às vezes gente muito esperta, porém cabeça-dura, não tem a humildade de admitir que está errada.

Offline Fenrir

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Re:O Dumbopocalipse
« Resposta #23 Online: 11 de Agosto de 2019, 20:43:09 »
Ressuscitando tópico antigo, porem mais do que nunca relevante aos dias atuais...

Não é irônico que a atitude diametralmente oposta a dos "dumbos" do Dr. Manhattan venha de
alguém com o intelecto de um Acharya Hemachandra (um polímata indiano do séc. XII)?
Vejam o que ele escreveu:

Citar
May the noble-minded scholars instead of cherishing ill feeling
kindly correct whatever errors have been here committed through
the dullness of my intellect in the way of wrong interpretations
and misstatements.

Complementando o que foi escrito pelo Manhattam e o DDV,
penso num cenário ainda mais sombrio e bem atual:

Aquele onde os semi-ignorantes dunning-kruggianos manobram a massa ignorante,
esta que em sua praticidade segue aqueles porque os vê como especialistas...

Ora, em quem um desses vai acreditar? num D-K com suas certezas cortantes e
falar de mais fácil entendimento ou num daqueles esquisitos que só dizem coisas
difíceis e incompreensíveis e não dão certeza de nada?
"Heaven and Earth are not benevolent; They treat the myriad of creatures as straw dogs"
― Laozi

"No testimony is sufficient to establish a miracle, unless the testimony be of such a kind, that its falsehood would be more miraculous, than the fact, which it endeavors to establish"
― David Hume

“Never argue with an idiot. They will drag you down to their level and beat you with experience.”
― Mark Twain

 

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