Autor Tópico: "O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi  (Lida 6271 vezes)

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Offline Adriano

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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #50 Online: 07 de Maio de 2012, 11:18:27 »
Encontrei a postagem, vale muito a pena e discute exatamente o aspecto social da arte:
[Arnold Gehlen define mais tarde a personalidade como uma instituição social e Vygotsky acentua na sua Psicologia da Arte o sentido social da arte: «A arte é o social em nós, e, embora o seu efeito se processe num indivíduo isolado, isso não significa, de modo algum, que as suas raízes e a sua essência sejam individuais. É muito ingénuo interpretar o social apenas como colectivo, como existência de uma multiplicidade de pessoas. O social existe até onde há apenas um homem e as suas emoções pessoais».]

É sobre esta fala? Sim, na minha área, estudos importantíssimos sobre a psicologia mudaram completamente a arte do século XX, ao pesquisarem de que maneira as pessoas percebem a arte, e como ver é diferente de perceber. Porém, nenhum destes estudos chegam nem perto do Vyyygotsky. São estudos feitos muito mais pela escola da Bauhaus, Rudolf Arnheim, Gombrich, entre outros. Esta muito mais relacionado na relação da arte como ilusão, o que levou a três vertentes artísticas principais:

1 - Cubismo e abstracionismo geométrico - que buscou desconstruir a ilusão da arte acadêmica e mostrar que as pinturas são realizadas por alguns poucos elementos da linguagem visual, como o ponto, linha, formas, cores e texturas. Assim, como tinha este caráter de "libertação das ilusões burguesas", foi amplamente adotada pelos artistas cooptados pelo pensamento socialista, em especial o  Construtivismo, ao Abstracionismo e ao Suprematismo. A parte boa é que os comunistas deram um bico na bunda de todos estes e adotaram depois aquela arte chamada realismo de estado, ou estética totalitária, que causa ereção em muito comunistinha até hoje.

2 - Expressionismo - Que a arte deveria ser principalmente uma válvula de escape para o inconsciente e para as emoções e sensações do ser humano. Também tenta suplantar as ilusões da arte acadêmica e entender as questões sobre como percebemos as coisas. Assim, não importa como vemos determinado objeto na natureza, o que importa é a nossa relação emotiva com ele. Expressionismo abstrato, fovismo e expressionismo vão nesta linha, sendo considerado arte decadente por todos os movimentos totalitários e aplaudido pelos capitalistas, que compram montes delas por ser "libertador".

3 - Usar a ilusão para brincar com a ilusão - Se a compreensão que a arte acadêmica era ilusão, porque não levar isso a níveis do absurdo, tentando corromper a realidade a ainda assim mostrar que aquilo não é real? Buscaram fazer arte brincando com a forma e sonoridade de palavras, como os Dadaístas, ou então nas brincadeiras de figura e fundo como os Surrealistas, estudos de perspectica fantástica como Escher e Magrite.

Como Vyyyyyygotsky nasce depois dos primeiros estudos da Gestalt, está claro que ele usa a arte, que está nestas buscas da compreensão destas novas descobertas psicológicas, para usar como exemplo na sua teoria. Ou seja, enquanto ele estava babando nos ovos do Lênin, usava a arte para justificar seu fanatismo ideológico.

Ele não influencia a arte, é influenciada por ela.

E como os suprematistas, é chutado bonito por Stálin.

E, respondendo, a psicologia da arte do bielo-russo não se salva, por estar contaminado pela ideologia. E, quando a arte passa a servir a alguma coisa, deixa de ser arte e passa a ser propaganda ou Design.
« Última modificação: 07 de Maio de 2012, 11:23:12 por Adriano »
Princípio da descrença.        Nem o idealismo de Goswami e nem o relativismo de Vieira. Realismo monista.

Offline Rocky Joe

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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #51 Online: 07 de Maio de 2012, 12:52:58 »
Citar
De modo geral? Uma panaceia para todas as definições?

Não de modo geral. É uma palavra em que não há acordo sobre sua definição, me pergunto sua utilidade. Mas, como a venho utilizando seguidas vezes aqui, sua utilidade está provada para mim.  :lol:

Mas será que há necessidade de achar critérios para distinguir arte ou não? Se fosse usar um critério, usaria este:

A arte é algo onde sua mensagem temática é o aspecto mais importante da identidade do produto.

O que me parece bastante amplo para me satisfazer.

Citar
Oh, que fantástico! Um quadrado preto sobre um fundo branco! Isso é mesmo real?! Parece algo impossível!

É real. Outro quadro do autor, Branco no Branco:



Não esses, mas na verdade eu gosto dos seus quadros. Ex:



« Última modificação: 07 de Maio de 2012, 13:06:38 por Martuchelli »

Offline Barata Tenno

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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #52 Online: 07 de Maio de 2012, 13:21:10 »



Sabe quando alguém diz:" ate uma criança pinta assim"?

Então......

Artista de 4 anos pinta o sete e vende quadros a US$ 10 mil em Nova York

http://mtv.uol.com.br/memo/artista-de-4-anos-pinta-o-sete-e-vende-quadros-a-us-10-mil-em-nova-york
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Offline Gaúcho

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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #53 Online: 07 de Maio de 2012, 16:13:10 »
Sim, mas esse 'O Grito' faz você sentir um certo desespero e desconforto, quanto a mim eu só sinto que o cara não sabe pintar. Por isso arte é uma coisa totalmente subjetiva.

Pensei que era só comigo. :P
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Offline Diegojaf

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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #54 Online: 07 de Maio de 2012, 16:32:53 »



Sabe quando alguém diz:" ate uma criança pinta assim"?

Então......

Artista de 4 anos pinta o sete e vende quadros a US$ 10 mil em Nova York

http://mtv.uol.com.br/memo/artista-de-4-anos-pinta-o-sete-e-vende-quadros-a-us-10-mil-em-nova-york

Então... fica claro no trabalho da artista o desespero e a batalha interna travada pelo ego e superego desta jovem mente que busca superar em cada pincelada o abandono de seu ursinho Bubu... os tons lembram de forma incrível o uso das sombras de Caravaggio. Sem dúvida é um pequeno prodígio.
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Offline João da Ega

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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #55 Online: 07 de Maio de 2012, 16:51:26 »
As artes plásticas contemporâneas estão cheias de lixo, que se transformam em obras valiosas em razão de interesses comerciais, com envolvimento de grandes galerias, como a christie's.
Isso não significa que tudo é lixo. Um livro bastante interessante é Desconstruir Duchamp (que usa - ironicamente - um termo bem à moda pós-moderna: "desconstruir):
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=722936&sid=023262195799406036431553&k5=129C4DEA&uid=

Mas não se pode jogar tudo nesse saco. "O grito" não se inclui nessas fraudes artísticas.

Também não sou partidário desse relativismo, onde tudo é absolutamente subjetivo, sem valor intrínseco. Pode-se mesmo dizer que os romances psicografdas da Zébia Gasparetti têm o mesmo valor artístico dos romances do Dostoievski?

É contra esse relativismo que se insurge Harold Bloom. Ele critica quem diz que no cume do cânone ocidental estão Shakespeare, Cervantes etc, por serem europeus, homens, brancos, heterossexuais etc. Estão lá pelo valor artístico das suas realizações.

Também dizer que não presta tudo que não se entende não acho muito razoável. Crieo que pode-se não compreender Ulisses de James Joice sem necessariamente taxar a obra de lixo.
No Caso de Affonso Romanno, ele é um profundo conhecedor de artes plásticas, e critica com propriedade os "entulhos" de quadros e famosas "instalações".
Com a vênia por citar a Bíblia nesse ambienmte, é necessário separar o joio do trigo.
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Offline Fabi

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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #56 Online: 07 de Maio de 2012, 18:26:17 »



Sabe quando alguém diz:" ate uma criança pinta assim"?

Então......

Artista de 4 anos pinta o sete e vende quadros a US$ 10 mil em Nova York

http://mtv.uol.com.br/memo/artista-de-4-anos-pinta-o-sete-e-vende-quadros-a-us-10-mil-em-nova-york
Wonderful... agora a gente deve julgar a arte pela idade e características do artista, sabia que Van Gogh era esquizofrênico, isso diminui o valor das obras dele?

Depois ainda quer que eu me de o trabalho de tentar explicar alguma coisa sobre arte.
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Offline Barata Tenno

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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #57 Online: 07 de Maio de 2012, 19:01:41 »
Yeah, precisa de anos de esrudo de historia da arte e de conhecimento de psicoligia pra saber do assunto..... Tenho certeza de que a menina tem mestrado em artes e pos doc em psicologia. Ela tem muiuuita noção do que esta fazendo....
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Offline Fabi

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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #58 Online: 07 de Maio de 2012, 19:13:21 »
To falando de você, não dela... Quem julga é que tem que ter conhecimento.
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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #59 Online: 07 de Maio de 2012, 19:17:57 »
Então se a tinta cair sozinha na tela e alguém com "conhecimento" achar que é arte, então é?


Obrigado por confirmar que pra ser considerado arte só precisa de um critico famoso.

Sabém aquele critico do Ratatouille? Então....
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Offline Luiz F.

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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #60 Online: 07 de Maio de 2012, 19:30:18 »
É esse negócio de "pra entender um quadro é preciso analisar toda a questão psicológica e social onde o autor está imerso para entender a mensagem oculta por trás das intenções do artista" é só pedantismo.

Arte é tudo o que te emociona e te faz sentir algo ao ver/ouvir/tocar/cheirar/lamber(porque não?).

Posto isso a questão é simples, não é porque o quadro vale 120 milhões, ou porque algum crítico diz que o quadro é bom ou porque a maioria das pessoas dizem que acham boa, ou porque o artista vivia no século tal em uma sociedade assim ou assado, com os problemas tais que ele enfrentou, ou a forma com que ele pretensamente disse que queria com que as cores se "comunicassem"(seja lá que diabos isso queira dizer), ou a forma "sutil e delicada com que ele usa as cores causando uma emoção que lembra a apreciação de um bom livro" e bla, bla, bla. Se eu olho e não gosto da obra, eu penso ou falo "isso é um lixo". Qual o problema? Porque eu deveria por modismo ou pedantismo dizer que a obra é boa? É tão difícil as pessoas respeitarem esse posicionamento e não ficar mordido "mimimi, você não entende o contexto da obra, você tem que deixar a obra conversar com você, você tem que ter visto ao vivo pra emitir uma opinião, mimimi."

Se eu não gosto pronto. Acaba aí o problema. Eu não preciso "entender" a obra pra gostar dela ou não. E eu não vou gostar só porque o critico de artes famoso ou qualquer pessoa diz que é boa.
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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #61 Online: 07 de Maio de 2012, 19:32:17 »
Boa. Luiz!
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Offline Geotecton

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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #62 Online: 07 de Maio de 2012, 20:21:39 »
[...]
Se eu não gosto pronto. Acaba aí o problema. Eu não preciso "entender" a obra pra gostar dela ou não. E eu não vou gostar só porque o critico de artes famoso ou qualquer pessoa diz que é boa.

O fato de alguém gostar (ou não) de uma determinada obra não a torna melhor ou pior, em especial se a avaliação vier de alguém que não tenha conhecimento técnico sobre arte.

Sim, eu escrevi 'conhecimento técnico', porque ele (e nisto eu concordo com a Fabi) é um componente importante para a análise de várias correntes artísticas.
Foto USGS

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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #63 Online: 07 de Maio de 2012, 20:24:56 »
Então se a tinta cair sozinha na tela e alguém com "conhecimento" achar que é arte, então é?
Não... pra alguém dar ouvidos a sua crítica é que você tem que ter conhecimento, se você não tem conhecimento, faz essas críticas vazias, por que eu deveria achar que sua crítica tem algum valor?

Talvez a parte da subjetividade se encaixe aí, pessoas sem conhecimento, que olham uma coisa e não gostam. Isso não serve pra debate, e nem serve pra determinar se um artista tem valor ou não, é só uma opinião pessoal e vazia.
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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #64 Online: 07 de Maio de 2012, 20:27:16 »
O fato de alguém gostar (ou não) de uma determinada obra não a torna melhor ou pior, em especial se a avaliação vier de alguém que não tenha conhecimento técnico sobre arte.

Sim, eu escrevi 'conhecimento técnico', porque ele (e nisto eu concordo com a Fabi) é um componente importante para a análise de várias correntes artísticas.
Exatamente.  :ok:
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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #65 Online: 07 de Maio de 2012, 20:50:31 »
[...]
Se eu não gosto pronto. Acaba aí o problema. Eu não preciso "entender" a obra pra gostar dela ou não. E eu não vou gostar só porque o critico de artes famoso ou qualquer pessoa diz que é boa.

O fato de alguém gostar (ou não) de uma determinada obra não a torna melhor ou pior, em especial se a avaliação vier de alguém que não tenha conhecimento técnico sobre arte.

Sim, eu escrevi 'conhecimento técnico', porque ele (e nisto eu concordo com a Fabi) é um componente importante para a análise de várias correntes artísticas.




Técnica não define arte, define o processo pelo qual a arte é feita. Um computador pode aprender tecnicas de pintura e isso não significa que possa fazer arte. Quando se debate tecnica, se esta debatendo apenas isso, técnica. Se o quadro é bom ou ruim é totalmente pessoal, tão subjetivo quanto a propria definição de bom ou ruim.
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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #66 Online: 07 de Maio de 2012, 20:54:39 »
[...]
Se eu não gosto pronto. Acaba aí o problema. Eu não preciso "entender" a obra pra gostar dela ou não. E eu não vou gostar só porque o critico de artes famoso ou qualquer pessoa diz que é boa.

O fato de alguém gostar (ou não) de uma determinada obra não a torna melhor ou pior, em especial se a avaliação vier de alguém que não tenha conhecimento técnico sobre arte.

Sim, eu escrevi 'conhecimento técnico', porque ele (e nisto eu concordo com a Fabi) é um componente importante para a análise de várias correntes artísticas.

Técnica não define arte, define o processo pelo qual a arte é feita. Um computador pode aprender tecnicas de pintura e isso não significa que possa fazer arte. Quando se debate tecnica, se esta debatendo apenas isso, técnica. Se o quadro é bom ou ruim é totalmente pessoal, tão subjetivo quanto a propria definição de bom ou ruim.

Não ficou claro que eu escrevi um pouco sobre a importância da questão técnica e não sobre o "gostar" ou "não-gostar"?
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Offline Barata Tenno

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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #67 Online: 07 de Maio de 2012, 20:57:44 »
Ficou, e ficou claro quando wu disse que técnica não define arte?
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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #68 Online: 07 de Maio de 2012, 21:08:45 »
[...]
Se eu não gosto pronto. Acaba aí o problema. Eu não preciso "entender" a obra pra gostar dela ou não. E eu não vou gostar só porque o critico de artes famoso ou qualquer pessoa diz que é boa.

O fato de alguém gostar (ou não) de uma determinada obra não a torna melhor ou pior, em especial se a avaliação vier de alguém que não tenha conhecimento técnico sobre arte.

Sim, eu escrevi 'conhecimento técnico', porque ele (e nisto eu concordo com a Fabi) é um componente importante para a análise de várias correntes artísticas.

Eu não faço análises de obras de arte nem de artistas pois não tenho tempo sobrando. Me limito a fazer juízo de valor. Pra mim é isso que importa.
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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #69 Online: 07 de Maio de 2012, 21:10:34 »
Ficou, e ficou claro quando wu disse que técnica não define arte?

Senhor. Sim senhor!  :P
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Offline Geotecton

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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #70 Online: 07 de Maio de 2012, 21:11:44 »
[...]
Se eu não gosto pronto. Acaba aí o problema. Eu não preciso "entender" a obra pra gostar dela ou não. E eu não vou gostar só porque o critico de artes famoso ou qualquer pessoa diz que é boa.

O fato de alguém gostar (ou não) de uma determinada obra não a torna melhor ou pior, em especial se a avaliação vier de alguém que não tenha conhecimento técnico sobre arte.

Sim, eu escrevi 'conhecimento técnico', porque ele (e nisto eu concordo com a Fabi) é um componente importante para a análise de várias correntes artísticas.
Eu não faço análises de obras de arte nem de artistas pois não tenho tempo sobrando. Me limito a fazer juízo de valor. Pra mim é isso que importa.

Ou seja. Voce dá a sua 'opinião' sobre a "dita-cuja".  :P
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Offline Luiz F.

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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #71 Online: 07 de Maio de 2012, 21:17:16 »
  :P
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Offline DDV

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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #72 Online: 07 de Maio de 2012, 22:40:37 »
Há fetiche para tudo no mundo.

O que faz os quadros valerem tanto se comparados a coleções de selos, orquídeas, itens de celebridades e etc é o fato da pintura ter sido considerada a "maior" das artes pela nobreza à partir do renascimento.

Após a revolução industrial e principalmente durante a Belle Époque, a valorização das pinturas e da literatura atingiu o seu auge, sendo consideradas coisas 'cult' e sinais de distinção em todas as idades e até mesmo classes. Havia a necessidade da "burguesia" tentar se igualar à nobreza, e a pintura foi um desses símbolos de "sensibilidade" aristocrática. O surgimento dos quadros (ao invés das pinturas fixas) transformou a pintura em mercadoria móvel.

O desenvolvimento da fotografia tirou a razão de ser das pinturas, dado que elas buscavam o realismo. Para manter a sua atividade "interessante", os pintores passaram a buscar outras formas e propósitos com a mesma.



 
« Última modificação: 07 de Maio de 2012, 22:46:15 por DDV »
Não acredite em quem lhe disser que a verdade não existe.

"O maior vício do capitalismo é a distribuição desigual das benesses. A maior virtude do socialismo é a distribuição igual da miséria." (W. Churchill)

Offline Gaúcho

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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #73 Online: 08 de Maio de 2012, 12:22:02 »
Ou você é apenas um insensível que não entende de arte. :lol:
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Offline TMAG

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Re:"O Grito", de Munch, é vendido por valor recorde de US$ 120 mi
« Resposta #74 Online: 08 de Maio de 2012, 13:06:08 »
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Art, Beauty, and Judgment
ROGER SCRUTON
Good taste is as important in aesthetics as it is in humor, and indeed taste is what it is all about.

A century ago Marcel Duchamp signed a urinal with the name "R. Mutt," entitled it "La Fontaine," and exhibited it as a work of art. One immediate result of Duchamp's joke was to precipitate an intellectual industry devoted to answering the question "What is art?" The literature of this industry is as empty as the neverending imitations of Duchamp's gesture. Nevertheless, it has left a residue of skepticism. If anything can count as art, then art ceases to have a point. All that is left is the curious but unfounded fact that some people like looking at some things, others like looking at others. As for the suggestion that there is an enterprise of criticism, which searches for objective values and lasting monuments to the human spirit, this is dismissed out of hand, as depending on a conception of the artwork that was washed down the drain of Duchamp's "fountain."
The argument is eagerly embraced, because it seems to emancipate people from the burden of culture, telling them that all those venerable masterpieces can be ignored with impunity, that reality TV is "as good as" Shakespeare and techno-rock the equal of Brahms, since nothing is better than anything and all claims to aesthetic value are void. The argument therefore chimes with the fashionable forms of cultural relativism, and defines the point from which university courses in aesthetics tend to begin—and as often as not the point at which they end.




There is a useful comparison to be made here with jokes. It is as hard to circumscribe the class of jokes as it is the class of artworks. Anything is a joke if somebody says so. A joke is an artifact made to be laughed at. It may fail to perform its function, in which case it is a joke that "falls flat." Or it may perform its function, but offensively, in which case it is a joke "in bad taste." But none of this implies that the category of jokes is arbitrary, or that there is no such thing as a distinction between good jokes and bad. Nor does it in any way suggest that there is no place for the criticism of jokes, or for the kind of moral education that has a decorous sense of humor as its goal. Indeed, the first thing you might learn, in considering jokes, is that Marcel Duchamp's urinal was one—quite a good one first time round, corny by mid-20th century, and downright stupid today.

Works of art, like jokes, have a function. They are objects of aesthetic interest. They may fulfill this function in a rewarding way, offering food for thought and spiritual uplift, winning for themselves a loyal public that returns to them to be consoled or inspired. They may fulfill their function in ways that are judged to be offensive or downright demeaning. Or they may fail altogether to prompt the aesthetic interest that they are petitioning for.



The works of art that we remember fall into the first two categories: the uplifting and the demeaning. The total failures disappear from public memory. And it really matters which kind of art you adhere to, which you include in your treasury of symbols and allusions, which you carry around in your heart. Good taste is as important in aesthetics as it is in humor, and indeed taste is what it is all about. If university courses do not start from that premise, students will finish their studies of art and culture just as ignorant as when they began.

Such experiences are intrinsically valuable to us and convey real knowledge of life and its meaning. And if you ask whether this knowledge is really useful, then my answer is—yes, it is useful, for it teaches the value of things like love, joy, grief and tenderness, which are the point of being alive.

It is true, however, that people no longer see works of art as objects of judgment or as expressions of the moral life. Increasingly, many teachers of the humanities agree with the untutored opinion of their incoming students, that there is no such thing as a distinction between good and bad taste. But imagine someone saying the same thing about humor. Jung Chang and Jon Halliday recount one of the few recorded occasions when the young Mao Tse-tung burst into laughter: it was at the circus, when a tight-rope walker fell from the high wire to her death. Imagine a world in which people laughed only at others' misfortunes. What would that world have in common with the world of Moliere's Tartuffe, of Mozart's Marriage of Figaro, of Cervantes' Don Quixote, or Laurence Sterne's Tristram Shandy? Nothing, save the fact of laughter. It would be a degenerate world, a world in which human kindness no longer found its endorsement in humor, in which one whole aspect of the human spirit would have become stunted and grotesque.

Imagine now a world in which people showed an interest only in Brillo boxes, in signed urinals, in crucifixes pickled in urine, or in objects similarly lifted from the debris of ordinary life and put on display with some kind of satirical intention—in other words, the increasingly standard fare of official modern art shows in Europe and America. What would such a world have in common with that of Duccio, Giotto, Velazquez, or even Cézanne? Of course, there would be the fact of putting objects on display, and the fact of our looking at them through aesthetic spectacles. But it would be a degenerate world, a world in which human aspirations no longer find their artistic expression, in which we no longer make for ourselves images of the ideal and the transcendent, but in which we study human debris in place of the human soul. It would be a world in which one whole aspect of the human spirit—the aesthetic—would have become stunted and grotesque. For we aspire through art, and when aspiration ceases, so too does art.

Now it seems to me that the public space of our society has in fact begun to surrender to the kind of degradation that I have just described. It has been taken over by a culture that wishes not to educate our perception but to capture it, not to ennoble human life but to trivialize it. Why this is so is an interesting question to which I can offer only an imperfect answer. But that it is so is surely undeniable. Look at the official art of modern societies—the art that ends up in museums or on public pedestals, the architecture that is commissioned by public bodies, even the music that enjoys the favors of the public subsidy machine—and you will all too often encounter either facetious kitsch, or deliberately antagonizing gestures of defiance towards the traditions that make art lovable. Much of our public art is a loveless art, and one that is also entirely without the humility that comes from love.



It doesn’t follow that taste and judgment are things of the past. It doesn't follow that art has vanished from our lives or has lost its meaning. All that follows is that art is being driven from the public arena. It is no longer out there that you find it, but in here, in foro intero. Art is being privatized, with each of us striving to remain faithful to visions of beauty that we are no longer confident of sharing outside the circle of our friends. One cause of this is the democratic culture, which is hostile to judgment in any form, and in particular to the judgment of taste. The prevailing attitude is that you are entitled to your tastes, but not entitled to inflict them on me.

It imposes an unsustainable burden, something that we must live up to, a world of ideals and aspirations that is in sharp conflict with the tawdriness and imperfection of our own improvised lives. It is perched like an owl on our shoulders, while we try to hide our pet rodents in our clothes. The temptation is to turn on it and shoo it away.

Most American students come to college with this attitude, and are appalled to discover that there are people who do not merely disagree with their tastes in music, art, and literature (not to speak of clothes, language use, and social relations) but actually look down on their tastes, as inferior to some putative standard. This is very hard to take, and is one cause of the widespread endorsement of cultural relativism in its many forms—since cultural relativism simply lifts aesthetic experience out of the world of judgment altogether, and therefore neutralizes good taste as a value. And the preference for art that desecrates the human image or the public space is connected with this fear of aesthetic judgment. By espousing what is deliberately unlovely and unlovable, you make judgment ridiculous, my judgment as much as yours.

It seems to me, however, that the democratic attitude is in conflict with itself. It is impossible to live as though there are no aesthetic values, while living a real life among real human beings. Manners, clothes, speech, and gestures—all require careful attention to the way things look. In every sphere of human life, from laying a table to giving a funeral speech, aesthetic choices are both necessary and noticed. Without them we cannot solve the vast problem of coordination that arises when a myriad private individuals crowd into a single public space. Hence, in the democratic culture, aesthetic judgment begins to be experienced as an affliction. It imposes an unsustainable burden, something that we must live up to, a world of ideals and aspirations that is in sharp conflict with the tawdriness and imperfection of our own improvised lives. It is perched like an owl on our shoulders, while we try to hide our pet rodents in our clothes. The temptation is to turn on it and shoo it away.

Here we see another motive for the desire to desecrate. It is a desire to turn aesthetic judgment against itself, so that it no longer seems like a judgment of us. This you see all the time in children—the delight in disgusting noises, words, allusions, which helps them to distance themselves from that adult world that judges them, and whose authority they wish to deny. That ordinary refuge of children from the burden of adult judgment has become the refuge of adults from their culture. By using art as an instrument of desecration they neutralize its claims: it loses its authority, and becomes a fellow conspirator in the plot against ideals.

http://www.catholiceducation.org/articles/arts/al0322.htm

''O objetivo dos Governos é sempre o mesmo: limitar o indivíduo, domesticá-lo, subordiná-lo, subjugá-lo.'' - Max Stirner

 

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