Autor Tópico: Arte contemporânea - Nexus Vomitus  (Lida 6592 vezes)

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Offline AleYsatis

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Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Online: 13 de Dezembro de 2012, 01:31:31 »
Onde se encaixaria um tópico sobre arte? Aqui me pareceu o melhor lugar, se quiserem mover fiquem a vontade.

O que é a arte para vocês? Qual a sua serventia? A admiração estética do belo como algo meramente subjetivo não é algo da ordem do "místico" e do "religioso", no sentido de que escapa completamente a razão, como a religião? Como o cético vê a arte?

O que acham da arte contemporânea? Não precisamente artes plasticas, mas artes em geral, seja dança contemporânea, música e etc? Alias, a arte ainda existe na contemporaneidade?

Vejam essa performance magnifica da artista plastica Millie Brown ao "pintar" uma tela com vômito colorido:


Coisa linda linda...  :oba:
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Offline Luiz F.

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #1 Online: 13 de Dezembro de 2012, 20:56:01 »
Arte é inútil.
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Offline Geotecton

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #2 Online: 13 de Dezembro de 2012, 21:21:06 »
Arte é inútil.

Se a sua avaliação se refere àquela que foi descrita pelo forista autor do tópico, eu concordo.
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Offline AleYsatis

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #3 Online: 14 de Dezembro de 2012, 18:03:05 »
Arte é inútil.

Se a sua avaliação se refere àquela que foi descrita pelo forista autor do tópico, eu concordo.
Interessante para começarmos, agente pode começar tentando definir o que raios é arte. A filosofia quando nasceu já começou a inventar as teorias estéticas... De lá pra cá 2500 anos nunca se chegou a um consenso... Então para alguém afirmar o que é arte ou não é arte, só pode ser porque essa pessoa sabe bem o que á arte, para saber o que não o é...

O que é arte para vocês mesmo?? 
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Offline Feynman

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #4 Online: 14 de Dezembro de 2012, 18:26:35 »
Arte é inútil.

Sim. Mas isso é irrelevante. Arte não se trata de utilidade.
Agora, certamente as demonstrações de arte como esta referida explicitam como existe uma hierarquia de taleto que é exponencial. Vão desde coisas toscas como estas, até...



"Poetas dizem que a Ciência tira toda a beleza das estrelas - meros globos de átomos de gases. Eu também posso ver estrelas em uma noite limpa e sentí-las. Mas eu vejo mais ou menos que eles?" - Richard Feynman

Offline AleYsatis

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #5 Online: 14 de Dezembro de 2012, 18:45:05 »
Arte é inútil.

Sim. Mas isso é irrelevante. Arte não se trata de utilidade.
Agora, certamente as demonstrações de arte como esta referida explicitam como existe uma hierarquia de taleto que é exponencial. Vão desde coisas toscas como estas, até...




Você já trouxe uma primeira definição interessante, arte para você está ligada a talento, a técnica?

Pense num outro ponto de vista e me diga, pra você, o que é mais arte:

Imagine uma bailarina que começou aos 3 anos de idade a se dedicar para ser uma profissional, ela passou toda a sua infância e adolescência praticando para ser A BAILARINA, cada passo, cada gesto fui cuidadosamente "esculpido" e trabalhado para se alcançar a perfeição técnica dos passos desta dança determinada que ela escolheu para si. Ela, primeiro está presa ao próprio estilo de dança que escolheu, ela não pode inventar passos ao seu bel prazer senão já deixa de ser dançarina de balé clássico. Quando vamos ver peça dessa, ainda que linda e até comovente, estamos vendo arte? Ou estamos vendo técnica?

Imagine que esta mesma menina comece a se cansar destas "prisões" do balé clássico, ela quer mais, vai incorporando Jazz, sapateado e os caramba, vai fazendo "malabarices" e "invencionices" que expressão puramente sua subjetividade, suas dores, suas angustias, alegrias e medo, a ponto de desconstruir totalmente aquilo que era mera dança técnica. Quando vamos assisti-la já não temos mais uma exibição técnica previamente demarcado, ela se tornou uma dançarina contemporânea, então em seu espetáculo ela dança, ela grita, ele rola, junta a dança músicas das mais diversas, há imagens, vídeos uma miscelânea de meios audiovisuais, dança, teatro, e etc...

Quem está fazendo arte para vocês? Se a arte é realmente técnica é a bailarina clássica; se a arte está ligada a expressão livre de nossa subjetividade, se está a serviço de uma expressão não racional e técnica e numérica, mas apenas a serviço do gozo estético, então é dançarina contemporânea.

Pra mim a dança contemporânea é muito mais arte, ainda que umas montagens eu veja e pense: "que porra é essa, que bosta" mas penso assim porque minhas subjetividades não bateram ali com a subjetividade daquela montagem, mas ainda assim pra mim é muito mais arte.

Quem precisa de razão de métrica, de modelos e técnicas é a ciência...
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Offline Geotecton

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #6 Online: 14 de Dezembro de 2012, 18:53:17 »
Arte é inútil.
Sim. Mas isso é irrelevante. Arte não se trata de utilidade.
[...]

Arte não é inútil. No meu entender, é claro.
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Offline Pasteur

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #7 Online: 14 de Dezembro de 2012, 18:56:43 »
Onde se encaixaria um tópico sobre arte? Aqui me pareceu o melhor lugar, se quiserem mover fiquem a vontade.

O que é a arte para vocês? Qual a sua serventia? A admiração estética do belo como algo meramente subjetivo não é algo da ordem do "místico" e do "religioso", no sentido de que escapa completamente a razão, como a religião? Como o cético vê a arte?

O que acham da arte contemporânea? Não precisamente artes plasticas, mas artes em geral, seja dança contemporânea, música e etc? Alias, a arte ainda existe na contemporaneidade?

Vejam essa performance magnifica da artista plastica Millie Brown ao "pintar" uma tela com vômito colorido:


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Pô AleYsatis, você gostou mesmo?  :enjoo:

Bom, gosto não se discute...  :?   :)

Offline Muad'Dib

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #8 Online: 14 de Dezembro de 2012, 19:00:29 »
Arte é inútil.

Se a sua avaliação se refere àquela que foi descrita pelo forista autor do tópico, eu concordo.

Arte com Vômitos não é arte. É vontade de aparecer.

Eu assisti "Basquiat" uns dias atrás. Aquilo é arte, o filme e o artista.


Offline Barata Tenno

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #9 Online: 14 de Dezembro de 2012, 19:05:12 »
Arte é sim subjetiva e takz, mas no meu entender, pra ser arte ela tem que comunicar alguma coisa, transmitir o sentimento do artista, a mensagem que ele quer passar. Se esse objetivo não for cumprido o artista até pode achar que está fazendo arte, mas nesse caso é a mesma coisa que bater vinheta e achar que está fazendo sexo.

E nessa transmissão de sentimentos a técnica ajuda muito, ela serve como uma "linguagem", um "idioma", que quando bem dominado facilita a comunicação entre o artista e o espectador. E gênios sao aqueles que tem uma técnica boa e ainda a capacidade de com essa técnica transmitir perfeitamente os sentimentos, aqueles que criam técnicas diferentes, perspectivas diferentes.
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Offline AleYsatis

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #10 Online: 14 de Dezembro de 2012, 19:15:31 »
Onde se encaixaria um tópico sobre arte? Aqui me pareceu o melhor lugar, se quiserem mover fiquem a vontade.

O que é a arte para vocês? Qual a sua serventia? A admiração estética do belo como algo meramente subjetivo não é algo da ordem do "místico" e do "religioso", no sentido de que escapa completamente a razão, como a religião? Como o cético vê a arte?

O que acham da arte contemporânea? Não precisamente artes plasticas, mas artes em geral, seja dança contemporânea, música e etc? Alias, a arte ainda existe na contemporaneidade?

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Pô AleYsatis, você gostou mesmo?  :enjoo:

Bom, gosto não se discute...  :?   :)
Adorei de verdade e explico. Adorei porque arte pra mim como já disse acima, não é técnica, não é beleza é expressão de subjetividade, que pode ser uma subjetividade mais pessoal ou pretensamente mais universal.

Veja, essa obra dela, não deve ser analisada como obra plastica apenas, se eu visse o quadro em si numa parede, apesar de achar que ficou sim bem bonito como resultado não daria nada a mais por ele. O que conta aqui é o contexto. Este deixa de ser mera arte plástica apara virar discurso, para virar ideologia que carrega toda uma simbologia e uma questão de utilidade em nossos tempos.

Então não estou vendo o quadro apenas, estou vendo seu intento e seu significado no contexto geral da "instalação artística" que ela fez ao "pintar". O que ela nos mostra, ela nos faz um sintese do que é a contemporaneidade, que á o derreter das estruturas, o derreter das verdades e das certezas. É o vômito do agonizar de nossa sociedade que está ali.

Deste sempre na história humana até uns 60 anos atrás se você perguntasse o que é um homem, o que é a família, o que lhe responderiam? Por milhares de anos a resposta seria basicamente a mesma, um homem é um ser do sexo masculino com tais e tais características físicas e emocionais, como por exemplo é, ou deve ser, forte, másculo, não muito sensível, mais racional, deve ter que ter uma família, cuidar dela, e etc e etc... Hoje um homem para ser visto como home pela sociedade precisa ser assim?? Não! A ideia de família que foi central desde sempre não tem mais muito valor hoje em dia e perde cada vez mais nesse mundo individualista. Então todos os nossos padrões e normas, todas as antigas identidades que pareciam tão fixas estão se derretendo na contemporaneidade. Desde Nietzsche o próprio Deus morreu...

Pra mim ao ver este tipo de obra está tudo ali, nosso agonizar e nossas dúvidas nossa sociedade liquida como diz Zygmunt Bauman está sendo encenada, É LINDOOOO DE MAIS  :hihi:

Veja, muito mais interessante que aquelas imagens hiper-realista ali de cima, que são bonitas sim, tem o seu significado e até vejo como arte, mas uma arte muito técnica e morta...

Arte contemporânea então, pra resumir minha visão é expressão do nosso momento que estamos colocando tudo em dúvida, se já não sabemos o que é mais nada, também não sabemos o que é a arte. A Arte contemporânea é a arte que se questiona a si própria...
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Offline Barata Tenno

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #11 Online: 14 de Dezembro de 2012, 19:18:58 »
Na arte contemporânea tudo e arte e assim nada é arte.
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Offline AleYsatis

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #12 Online: 14 de Dezembro de 2012, 19:22:59 »
Na arte contemporânea tudo e arte e assim nada é arte.
Não, tudo é arte não. A gente não sabe mais o que é arte, então arte contemporânea é aquela que tenta mostrar o que a arte é hoje. Claro que isso vai muito da interpretação, mas é obio que se eu quera um ovo na minha testa apenas, não há discurso nenhum ali.

"Agora, no caso dela é nítido esse discurso. Ela está dizendo "Não sabemos mais o que é arte, a rte virou vômito, virou expressão de dor, virou dúvida e liquides ante um mundo que está todo em vômitos..."

Gente vejam de novo o vídeo, vocês não percebem ali todo um discurso sobre a contemporaneidade? E sua tentativa de desmontar tudo, para ver se algo novo nasce?
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Offline AleYsatis

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #13 Online: 14 de Dezembro de 2012, 19:27:52 »
Mais uma coisa, a arte precisa sim de uma utilidade ela é meio mesmo pela qual pensamos a nós e o nosso tempo. O bicho homem é o único que faz arte e faz desde sempre, em todas as culturas e tribos mais afastadas uma da outra. Então que é útil é claro para mim. Agora pergunto se continuássemos pintando pinturas realista o que isso nos acrescenta??

Ai que bonito ficou o cavalo que você desenhou, quanto talento! Ai que bonito ficou esse por-do-sol quanto talento, parabéns... Gente, temos fotos pra isso hoje... Uma pintura realista não nos diz e nem nos acrescenta mais nada... A arte precisa evoluir. Evoluir é mudar não necessariamente para melhor, porque não há um melhor e um pior. Pode ser que daqui umas décadas olhemos pra isso e pensemos nossa a arte tava mal nesse período, mas isso só significa que foi um momento histórico da arte necessário, se ela passou por isso é porque ela precisou passar, não perde o seu valor.
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Offline Barata Tenno

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #14 Online: 14 de Dezembro de 2012, 19:29:24 »
Aí é que está , qualquer com qualquer discurso cria um qualquer coisa é diz que é uma representação daquilo, se alguém concordar já é arte. Se você colocar o ovo na testa e dizer que ele representa o conflito entrega pensamento e o nascimento, pronto.
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Offline Canopus

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #15 Online: 14 de Dezembro de 2012, 19:45:10 »
Arte não pode ser aquilo que qualquer um pode fazer.

Se eu for lá e vomitar exatamente como aquela "artista" fez, passa a ser arte? Claro que não,  como também não é arte o que ela fez.

O elefante pintor está fazendo arte? Não!
Aquele tal artista que está jogando pigmentos ao acaso numa tela está fazendo arte? Não!

Arte exige talento e técnica. Precisa ter algo mais do que a mediocridade que qualquer um faz.

Um quadro renascentista não é uma fotografia. E pouquíssimas pessoas na face do planeta possuem talento para algo como aquilo. Não é um vômito que qualquer um, qualquer "pessoínha" do planeta consegue fazer. Isso não pode ser chamado de Arte! É outra coisa, mas Arte, NÃO!

Que haja comunicação de sentimento, que haja técnica, que haja empatia com a audiência, mas tem que ser algo especial, que apele ao belo, ao senso estético, que chame à ordem o sentimento que todos temos de beleza e reconhecimento de intensidade criativa. Esse é o Artista.

Insisto: Arte não é aquilo que qualquer um passa lá e faz igual.

Como Barata Tenno falou, aquele ovo na testa de um exibido, passa a ser arte, lá no MOMA. Mas na testa do nosso colega AleYsatis, ele mesmo reconhece que não é.

Ovo na testa de ninguém é Arte! Empata de 0x0 com o vômito.
A capacidade de transgredir é o que nos torna sujeitos da transformação.
_____________________________
Não é demonstração de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente.
J.krisnamurti

Offline AleYsatis

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #16 Online: 14 de Dezembro de 2012, 19:46:24 »
Aí é que está , qualquer com qualquer discurso cria um qualquer coisa é diz que é uma representação daquilo, se alguém concordar já é arte. Se você colocar o ovo na testa e dizer que ele representa o conflito entrega pensamento e o nascimento, pronto.
Ótimo, dai virou arte, porque não? Algo que para alguém não significa nada para mim e quem concorda está cheio de significação, nos representa e nos expressa enquanto sujeitos...

Quem disse que nem todo mundo pode fazer arte? Quem disse que ela tem que ser Universal? Alias, é possível uma arte que expresse subjetividades ser universal? Sempre alguém discordará de que algo que não gosta seja arte. Então talvez devêssemos assumir que arte só arte para quem se sente representado por aquilo. Qual o problema nisso? Todo mundo se expressa e é feliz em suas expressões artísticas meramente pessoais e subjetivas...

Que ideia de arte mais elitista e restrita essa de um modelo universal que de tão universal não leva em conta as subjetividades que são diferentes e acaba não expressando nada a ninguém...
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Offline AleYsatis

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #17 Online: 14 de Dezembro de 2012, 19:50:43 »
Arte não pode ser aquilo que qualquer um pode fazer.

Se eu for lá e vomitar exatamente como aquela "artista" fez, passa a ser arte? Claro que não,  como também não é arte o que ela fez.

O elefante pintor está fazendo arte? Não!
Aquele tal artista que está jogando pigmentos ao acaso numa tela está fazendo arte? Não!

Arte exige talento e técnica. Precisa ter algo mais do que a mediocridade que qualquer um faz.

Um quadro renascentista não é uma fotografia. E pouquíssimas pessoas na face do planeta possuem talento para algo como aquilo. Não é um vômito que qualquer um, qualquer "pessoínha" do planeta consegue fazer. Isso não pode ser chamado de Arte! É outra coisa, mas Arte, NÃO!

Que haja comunicação de sentimento, que haja técnica, que haja empatia com a audiência, mas tem que ser algo especial, que apele ao belo, ao senso estético, que chame à ordem o sentimento que todos temos de beleza e reconhecimento de intensidade criativa. Esse é o Artista.

Insisto: Arte não é aquilo que qualquer um passa lá e faz igual.

Como Barata Tenno falou, aquele ovo na testa de um exibido, passa a ser arte, lá no MOMA. Mas na testa do nosso colega AleYsatis, ele mesmo reconhece que não é.

Ovo na testa de ninguém é Arte! Empata de 0x0 com o vômito.
Arte em si não é nada sem o observador... Então o que da um significado a uma obra de arte é a subjetividade de quem a contempla e nele vê expresso algum significado.  A arte o elefante pinto expressa muito para mim, ela mais uma vez tem o mesmo significado de desmonte da própria ideia de arte como técnica (só alguns podem fazer) e como algo sagrado e fora de interpretações subjetivas. Então arte não é intenção, arte é significação por aquele que a contempla e se sente conjuntamente com o artista expressado em sua subjetividade.

O elefante, pra mim, faz arte sem saber que faz.
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Offline Canopus

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #18 Online: 14 de Dezembro de 2012, 20:00:31 »
Arte em si não é nada sem o observador... Então o que da um significado a uma obra de arte é a subjetividade de quem a contempla e nele vê expresso algum significado.  A arte o elefante pinto expressa muito para mim, ela mais uma vez tem o mesmo significado de desmonte da própria ideia de arte como técnica (só alguns podem fazer) e como algo sagrado e fora de interpretações subjetivas. Então arte não é intenção, arte é significação por aquele que a contempla e se sente conjuntamente com o artista expressado em sua subjetividade.

O elefante, pra mim, faz arte sem saber que faz.

Com todo respeito às suas opiniões, AleYsatis, acho que você está dando ênfase demais ao observador, na verdade está transferindo para ele todo o conceito de valor da Arte. Pelo seu discurso, a Arte não possui valor intrínseco; ela está toda na lente de quem vê. E, na minha humilde opinião, acho que não é bem assim.

Concordo que deve haver sintonia fina entre o que é exibido e o que é apreciado, e deve fluir rica comunicação nesse canal. Temos, então, um bom exemplo de Arte bem sucedida.

Mas não é só isso. Muitas vezes a audiência pode estar enxergando coisa que não existe no objeto exposto. Por analogia, eu falo daquelas pregações de falsos profetas. A audiência está querendo ver milagres. Tal coisa não existe. Mas a audiência gosta e quer ser enganada e exige os milagres. A mesma coisa na Arte. Quando não há talento, técnica, criatividade, etc, mas os dublês de intelectuais insistem em enxergar "milagres" naquela "arte", ela é, então, erguida ao patamar de supra-sumo da criação artística, MESMO SEM SER!

Entendeu? A audiência, o observador, têm valor no processo, mas não é unilateral. A Arte precisa trazer em seu bôjo o seu valor intrínseco, necessário à sua existência como Arte.
A capacidade de transgredir é o que nos torna sujeitos da transformação.
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Offline Feynman

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #19 Online: 14 de Dezembro de 2012, 20:31:01 »
Arte é inútil.

Sim. Mas isso é irrelevante. Arte não se trata de utilidade.
Agora, certamente as demonstrações de arte como esta referida explicitam como existe uma hierarquia de taleto que é exponencial. Vão desde coisas toscas como estas, até...




Você já trouxe uma primeira definição interessante, arte para você está ligada a talento, a técnica?

Não vou discutir como a arte dos que penduram uma vaso sanitário na parede é tão nobre e louvável como uma tela de Peter Paul Rubens. Você está certa(o) em relação a mim. Quer dizer, quase. Eu realmente primo muito pela técnica, pela maestria e excelência das coordenações treinadas e/ou peculiarmente desenvolvidas de forma distinta que a média humana.

Não tenho problemas com arte em seus sentidos polissêmicos, e até mesmo não tenho (muitos) problemas com rotular de arte coisas que eu faço peidando, de tão puerilmente ordinário. Todos somos artistas, todos podemos fazer arte, a arte é parte de nossa vicissitude. E talvez por isso mesmo que eu não veja a arte como algo interessante, per si. Ela é um meio, que atinge ou almeja atingir tantos fins quanto o número de pessoas no mundo, multiplicado por seus egos e sinistros outros.

O que passa a ser interessante, no meu estrito caso, é a técnica. E não a técnica como definição de métodos isentos de motivação e sensibilidade, puramente apreendidos por meio de repetição mecânica, mas como técnica de transmitir qualidades várias que não se traduzem apenas pela complexidade ou simplicidade de seus componentes, como um solo de B.B. King.

E assim eu ressignifico a Arte (como o vômito ressignifica para outros), para o meu mundo particular, onde o contraponto de Bach, as litografias de Escher, as esculturas e telas que simulam com perfeição inefável a Natureza, as danças bem trabalhadas que ilustram e exemplificam o ápice permitido pelo corpo, compõem uma bolha que me faz respirar um ar mais agradável.

Mais uma vez, no meu estrito caso, Peter Paul Rubens é hierarquicamente superior a quem pega uma tela e faz um desenho de mesmíssimo teor de competência da minha filha de sete anos. E não estou, de modo algum, desdenhando das qualidades artísticas de minha filha. Mas certamente estou duvidando do desenvolvimento intelectual do primeiro sujeito.

Todos podemos ser artistas, e o somos em diversos níveis. Mas que espectro, hein? Ainda bem que os artistas, em geral, são permissíveis o bastante para tolerar críticas como as minhas, que relego ao conjunto de corja alguns indivíduos que estes mesmos artistas se acostumaram a chamar de artistas.

Duvido muito e sinceramente da riqueza de espírito de quem peida e chama isso de arte.
« Última modificação: 14 de Dezembro de 2012, 20:35:24 por Feynman »
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Offline AleYsatis

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #20 Online: 14 de Dezembro de 2012, 20:58:44 »
Olha lá, até concordo com vocês. Agora vocês estão dando definições do chamam de arte então agora eu posso respeitar a opinião de vocês, porque agora eu conheço a opinião de vocês. Só dizer que a arte contemporânea não é arte não me ajuda, vocês precisam dizer o que é então arte para vocês, como acabaram de fazer.

E agora eu já não tenho muito o que contestar porque a minha opinião não pode ser mais válida que a de vocês já eu não porto de ideias de verdade. Mas me suscitam dúvidas...

Arte em si não é nada sem o observador... Então o que da um significado a uma obra de arte é a subjetividade de quem a contempla e nele vê expresso algum significado.  A arte o elefante pinto expressa muito para mim, ela mais uma vez tem o mesmo significado de desmonte da própria ideia de arte como técnica (só alguns podem fazer) e como algo sagrado e fora de interpretações subjetivas. Então arte não é intenção, arte é significação por aquele que a contempla e se sente conjuntamente com o artista expressado em sua subjetividade.

O elefante, pra mim, faz arte sem saber que faz.

Com todo respeito às suas opiniões, AleYsatis, acho que você está dando ênfase demais ao observador, na verdade está transferindo para ele todo o conceito de valor da Arte. Pelo seu discurso, a Arte não possui valor intrínseco; ela está toda na lente de quem vê. E, na minha humilde opinião, acho que não é bem assim.

Concordo que deve haver sintonia fina entre o que é exibido e o que é apreciado, e deve fluir rica comunicação nesse canal. Temos, então, um bom exemplo de Arte bem sucedida.

Mas não é só isso. Muitas vezes a audiência pode estar enxergando coisa que não existe no objeto exposto. Por analogia, eu falo daquelas pregações de falsos profetas. A audiência está querendo ver milagres. Tal coisa não existe. Mas a audiência gosta e quer ser enganada e exige os milagres. A mesma coisa na Arte. Quando não há talento, técnica, criatividade, etc, mas os dublês de intelectuais insistem em enxergar "milagres" naquela "arte", ela é, então, erguida ao patamar de supra-sumo da criação artística, MESMO SEM SER!

Entendeu? A audiência, o observador, têm valor no processo, mas não é unilateral. A Arte precisa trazer em seu bôjo o seu valor intrínseco, necessário à sua existência como Arte.
O que, para você esse elemento próprio da arte? Segundo eu entendi, ela tem um elemento subjetivo ligado ao observador e um elemento próprio e intrínseco que não está ligado ao observador. O que é esse elemento? O que o constitui? Veja, pra mim como já disse tudo vem do observador então não compreendo. Por exemplo, imagine o lugar mais bonito do mundo, uma paisagem deslumbrante, num por do sol que 10 em 10 pessoas dissessem que aquilo é lindo, hipoteticamente (porque sabemos que existem os chatos). Mesmo que todos dissessem que é lindo, o que o torna lindo, alguma qualidade própria da paisagem ou nossa visão sobre ela. Um cachorro vê aquilo e ao que parece não vê muita graça porque não tem senso estético; Ou imagine que seres de um outro planeta viessem para cá ver o por do sol, mas eles são de uma outra constituição e sei lá, o planeta deles é todo cinza, então no senso estético deles nossa paisagem poderia ser horrorosa porque pro senso estético deles lindo é uma determinada combinação e gradação d cinzas... Enfim eu não vejo onde estaria essência da obra de arte e do belo senão no observador, logo é subjetiva e cada um terá algo como belo...

Arte é inútil.

Sim. Mas isso é irrelevante. Arte não se trata de utilidade.
Agora, certamente as demonstrações de arte como esta referida explicitam como existe uma hierarquia de taleto que é exponencial. Vão desde coisas toscas como estas, até...




Você já trouxe uma primeira definição interessante, arte para você está ligada a talento, a técnica?

Não vou discutir como a arte dos que penduram uma vaso sanitário na parede é tão nobre e louvável como uma tela de Peter Paul Rubens. Você está certa(o) em relação a mim. Quer dizer, quase. Eu realmente primo muito pela técnica, pela maestria e excelência das coordenações treinadas e/ou peculiarmente desenvolvidas de forma distinta que a média humana.

Não tenho problemas com arte em seus sentidos polissêmicos, e até mesmo não tenho (muitos) problemas com rotular de arte coisas que eu faço peidando, de tão puerilmente ordinário. Todos somos artistas, todos podemos fazer arte, a arte é parte de nossa vicissitude. E talvez por isso mesmo que eu não veja a arte como algo interessante, per si. Ela é um meio, que atinge ou almeja atingir tantos fins quanto o número de pessoas no mundo, multiplicado por seus egos e sinistros outros.

O que passa a ser interessante, no meu estrito caso, é a técnica. E não a técnica como definição de métodos isentos de motivação e sensibilidade, puramente apreendidos por meio de repetição mecânica, mas como técnica de transmitir qualidades várias que não se traduzem apenas pela complexidade ou simplicidade de seus componentes, como um solo de B.B. King.

E assim eu ressignifico a Arte (como o vômito ressignifica para outros), para o meu mundo particular, onde o contraponto de Bach, as litografias de Escher, as esculturas e telas que simulam com perfeição inefável a Natureza, as danças bem trabalhadas que ilustram e exemplificam o ápice permitido pelo corpo, compõem uma bolha que me faz respirar um ar mais agradável.

Mais uma vez, no meu estrito caso, Peter Paul Rubens é hierarquicamente superior a quem pega uma tela e faz um desenho de mesmíssimo teor de competência da minha filha de sete anos. E não estou, de modo algum, desdenhando das qualidades artísticas de minha filha. Mas certamente estou duvidando do desenvolvimento intelectual do primeiro sujeito.

Todos podemos ser artistas, e o somos em diversos níveis. Mas que espectro, hein? Ainda bem que os artistas, em geral, são permissíveis o bastante para tolerar críticas como as minhas, que relego ao conjunto de corja alguns indivíduos que estes mesmos artistas se acostumaram a chamar de artistas.

Duvido muito e sinceramente da riqueza de espírito de quem peida e chama isso de arte.
Então assumimos a arte com visões diferentes, você tem a visão moderna que é pautada mais na técnica, tudo bem mas dai fico com uma dúvida também, a arte assim não seria sempre um mais do mesmo? Onde nasceria a novidade, se é que para você ela precisa de novidade? Eu não consigo ver qual seria a graça se continuarmos eternamente então criando obras que são diferentes manifestações das mesmas técnica, não nos saturaríamos? Será que já não nos saturamos e por isso estamos tentando reinventá-la? Imagine a dança por exemplo continuar para sempre apenas como mera combinação diferente dos mesmos passo do balé clássico, por exemplo...
O, Death
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Offline Feynman

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #21 Online: 14 de Dezembro de 2012, 21:34:07 »
Usando um viés da arte:

Bach, Mozart, Robert Johnson, Chuck Berry, Beatles, Hendrix, Rafael Baptista Rabello, Guthrie Govan. É novidade o bastante para mim.

Além do mais, ao supostamente se saturar com alguma técnica e tentar reinventá-la, cria-se uma outra. O problema não é a saturação da técnica, mas a saturação de quem não tem capacidade para obtê-la, lançando-se à inventividade e "novidade" às cegas, para contemplar sua inépcia. Satura-se da técnica quem já a dominou. Ou se recolha ao seu mundo poético-artístico-inspirador-crítico-sensível-fabuloso, rebolando e agitando os braços "para imitar o balançar das árvores ao inexorável vento restaurador e energizante, representando o andar da vida e a beleza da comunhão entre espécies".

Bem, o importante é ser feliz, não é mesmo?
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Offline Barata Tenno

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #22 Online: 14 de Dezembro de 2012, 21:37:51 »
Como disse, se o importante é só a mensagem, desenho de pré-escolares é arte, já que passam uma mensagem. Se tudo é arte, nada é arte.
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Offline Geotecton

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #23 Online: 14 de Dezembro de 2012, 21:39:05 »
[...]
Bem, o importante é ser feliz, não é mesmo?

 :biglol:
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Offline Luiz F.

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Re:Arte contemporânea - Nexus Vomitus
« Resposta #24 Online: 14 de Dezembro de 2012, 21:47:00 »
Arte é inútil.

Sim. Mas isso é irrelevante. Arte não se trata de utilidade.

Foi isso que eu disse, só que de modo enigmático :)

Arte é por definição inútil, mas notem bem, inútil e não sem importância. E eu tenho uma definição bem particular e extremamente restrita de arte.
"Você realmente não entende algo se não consegue explicá-lo para sua avó."
Albert Einstein

 

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