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Qual a natureza de Jesus Cristo?

Uma única pessoa divina e humana ao mesmo tempo, no mesmo nível do Pai.
1 (2.5%)
Uma única pessoa, divina e humana ao mesmo tempo, mas abaixo do Pai.
3 (7.5%)
Duas pessoas/seres: uma humana e outra divina
1 (2.5%)
Apenas divina
0 (0%)
Apenas humana: foi uma pessoa especial adotada por Deus como Messias e Expiador
1 (2.5%)
Apenas humana: foi um profeta de Deus
1 (2.5%)
Apenas humana: foi um profeta messiânico/apocalíptico da Palestina do século I, coisa bastante comum na época.
10 (25%)
Foi um personagem mítico baseado em alguma pessoa real que viveu em época próxima
15 (37.5%)
Foi um personagem mítico "montado" a partir de outros mitos mais antigos.
8 (20%)

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Autor Tópico: Qual a natureza de Jesus Cristo?  (Lida 10806 vezes)

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Offline DDV

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Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Online: 09 de Outubro de 2013, 19:41:31 »
?
Não acredite em quem lhe disser que a verdade não existe.

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Offline Luiz F.

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #1 Online: 09 de Outubro de 2013, 20:37:52 »
Tudo leva a crer que se trata da última opção.
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Offline Moro

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #2 Online: 09 de Outubro de 2013, 21:41:34 »
Did a historical Jesus exist?

http://www.nobeliefs.com/exist.htm

no
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Offline Pagão

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #4 Online: 10 de Outubro de 2013, 06:36:48 »
DDV, já que você é o autor do inquérito, seria possível saber como você classificaria Buda e Zaratustra? Integraria a expressão "personagem mítico" na classificação ou apenas consideraria o seu caráter humano?
Nenhuma argumentação racional exerce efeitos racionais sobre um indivíduo que não deseje adotar uma atitude racional. - K.Popper

Offline JJ

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #5 Online: 10 de Outubro de 2013, 09:07:11 »
Pela falta de evidências sobre  o jesus histórico, , eu votei nesta:


- Foi um personagem mítico baseado em alguma pessoa real que viveu em época próxima .


.

Offline Pagão

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #6 Online: 10 de Outubro de 2013, 12:07:08 »
O grande estudioso das religiões Mircea Eliade escreveu algures que:

"Depois de algumas gerações, a memória coletiva já não consegue conservar a biografia autêntica de uma personagem eminente; esta acaba por se converter num arquétipo, exprimindo unicamente as virtudes da sua vocação, ilustrada por acontecimentos paradigmáticos específicos ao modelo que encarna".
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Offline DDV

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #7 Online: 10 de Outubro de 2013, 20:53:43 »
Eu votei na opção 7 (profeta messiânico). Essa é a opção defendida pela grande maioria dos estudiosos do assunto, e a mais plausível à luz de todas as fontes que temos à disposição.

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Offline DDV

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #8 Online: 10 de Outubro de 2013, 20:55:41 »
DDV, já que você é o autor do inquérito, seria possível saber como você classificaria Buda e Zaratustra? Integraria a expressão "personagem mítico" na classificação ou apenas consideraria o seu caráter humano?

Não entendi.

Personagem mítico seria um personagem que definitivamente não existiu. Um personagem real (uma pessoa de carne e osso) que tenha existido, embora sua biografia tendo sido engolida por mitos, continua sendo um personagem real.

 
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Offline Pagão

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #9 Online: 11 de Outubro de 2013, 12:50:55 »
DDV, já que você é o autor do inquérito, seria possível saber como você classificaria Buda e Zaratustra? Integraria a expressão "personagem mítico" na classificação ou apenas consideraria o seu caráter humano?

Não entendi.

Personagem mítico seria um personagem que definitivamente não existiu. Um personagem real (uma pessoa de carne e osso) que tenha existido, embora sua biografia tendo sido engolida por mitos, continua sendo um personagem real.

 
Mas a resposta 8 junta o Personagem mítico e o Personagem real.

Uma coisa é existir um líder religioso importante e a sua vida acabar sendo empolada e deturpada com acrescentos e mistificações (mas mesmo assim ter sido um personagem relevante na sua época). Outra possibilidade é ter existido um personagem que teve uma vida completamente diferente do mito que se construiu posteriormente, de tal forma que praticamente só o nome coincide...

Para mim, considero que Cristo, Buda e Zaratustra foram figuras relevantes na sua época e não apenas nomes de pessoas reais em torno das quais se montou uma estória quase ou mesmo completamente falsa... No seu inquérito votei na 7.
 
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Offline Contini

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #10 Online: 11 de Outubro de 2013, 13:07:29 »
Extraterrestre que visava nos trazer ensinamentos à humanidade, sobre como retardar o retorno dos Grandes Antigos.
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Offline EuSouOqueSou

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #11 Online: 13 de Outubro de 2013, 08:21:12 »
Marquei o item 7, mas acho que o item 8 complementa o 7.
Qualquer sistema de pensamento pode ser racional, pois basta que as suas conclusões não contrariem as suas premissas.

Mas isto não significa que este sistema de pensamento tenha correspondência com a realidade objetiva, sendo este o motivo pelo qual o conhecimento científico ser reconhecido como a única forma do homem estudar, explicar e compreender a Natureza.

Offline 4 Ton Mantis

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #12 Online: 13 de Outubro de 2013, 10:42:22 »
http://tiagonogueira.com.br/?p=1763


Em Busca do Jesus Histórico

No período compreendido entre 1774 a 1778, foi iniciada a procura do Jesus Histórico. Lessing publicou pós-morte as anotações de Hermann Samuel Reimarus. Esse estudioso questionava a tradicional forma de apresentar Jesus na Igreja e no Novo Testamento. Para ele Jesus nunca fizera uma reivindicação messiânica, nunca institui qualquer sacramento, nunca predisse a sua morte e nem ressuscitou dentre os mortos. Dizia que Jesus era um engodo. Essa atitude instigou a busca do Jesus “verdadeiro”. A metodologia racionalista foi a predominante como método de pesquisa dessa busca, peculiar a primeira parte do século XIX. A polêmica desses estudos foi um terreno fértil para nascerem obras pró e contra Jesus.

No intervalo entre a Primeira e a Segunda Grande Guerra Mundial foi à ocasião em que a busca do Jesus histórico foi abandonada, em função da falta de interesse pela procura e pelas dúvidas quanto a sua possibilidade. Entretanto, três fatores foram fundamentais para essa desistência: primeiro – a obra de Albert Schweitzer que revelou a idéia de que o Jesus liberal nunca existiu, pois ele foi criado e baseado nos desejos de liberais, não em fatos verídicos; segundo – a partir da obra de William Wrede e dos críticos da forma, houve o reconhecimento de que os evangelhos não eram meramente biografias objetivas que facilmente poderiam ser pesquisadas à procura de informações historicistas; por fim – Martin Kähler influenciou os estudiosos a reconhecerem que o objeto da fé da igreja no decurso de todos os séculos nunca tinha sido o Jesus histórico do liberalismo teológico, mas o cristo da fé, ou seja, o Cristo sobrenatural proclamado nas Sagradas Letras.

Ernst käsemann, em 1953, reacendeu as chamas da busca do Jesus da história, propalando seu receio de que a lacuna entre o Jesus da história e o Cristo da fé era muito semelhante à heresia docética, que negava a humanidade do Filho de Deus. Como era de se esperar Käsemann decepcionou-se em seus intentos.

O avanço da ciência histórica não tem modificado a opinião universal a cerca do Senhor Jesus. Prova disso é que, desde o mundo antigo à contemporaneidade, encontramos mesmo que em forma diversificada a historicidade da pessoa bendita de Jesus de Nazaré.

Origem:

A origem da busca do Jesus histórico baseou-se no pressuposto de que havia uma imensa lacuna entre a figura histórica de Jesus e a interpretação que lhe fora atribuída pela igreja cristã. O “Jesus histórico” que se encontrava no Novo Testamento correspondia à figura de um simples mestre da religião; a figura do “Cristo da fé cristã” não passava, portanto, de uma interpretação equivocada por parte dos escritores da igreja primitiva. Ao retroceder na busca do Jesus histórico, seria possível encontrar uma versão mais crível do cristianismo, despida de todos os tipos de acréscimos dogmáticos desnecessários e inadequados (como a crença da ressurreição ou da divindade de Cristo).

O Jesus histórico

O teólogo Paul Tillich diz que os motivos dessa pesquisa eram concomitantemente religiosos e científicos. Em muitos aspectos essa tentativa era corajosa, nobre e extremamente significativa. Suas conseqüências teológicas foram inúmeras e bastante importantes. Mas, se pensarmos em sua intenção básica, a tentativa da crítica histórica de encontrar a verdade empírica sobre Jesus de Nazaré foi um fracasso. O Jesus histórico, isto é, o Jesus que está por trás dos símbolos de sua recepção como o Cristo, não só não apareceu, mas também se distanciou cada vez mais à medida que a avançava a crítica histórica.

Já para o teólogo Rudolf Bultmann considerava que todo este movimento de reconstrução histórica da figura de Jesus era o mesmo que entrar em um beco sem saída. Para ele, a história não era algo de importância fundamental para a cristologia; bastava tão somente que Jesus existisse e que a proclamação cristã (que ele chamava de querigma[kerygma]) estivesse de alguma forma baseada na pessoa de Jesus. Assim, Bultmann reduziu todo o caráter histórico da cristologia a uma única palavra — “que”. Em outras palavras, somente é necessário crer “que” Jesus Cristo é o fundamento da proclamação do evangelho (ou do querigma)

A pesquisa sobre o Jesus histórico se iniciou com os trabalhos de H. S. Reimarus (1694-1768). Reimarus era professor de línguas orientais de Hamburgo e foi durante a vida um pioneiro literário da religião da razão proposta pelo deísmo inglês. No entanto, ele tornou acessível apenas a amigos próximos o fundamento histórico-crítico de suas idéias, Apologia ou escrito de defesa para os adoradores racionais de Deus. Foi o poeta, filósofo e teólogo G. E. Lessing que publicou a obra de Reimarus após a morte deste. Segundo as palavras de Tillich, Lessing “suscitou uma das maiores tempestades na história da teologia protestante, quando na qualidade de bibliotecário de uma pequena cidade alemã, editou uma obra escrita pelo historiador Reimarus.” Após Reimarus vieram outros nomes não menos importantes, como os de F. C. Baur (1792-1869), David Friedrich Strauss (1808-1874), Ernest Renan (1823-1892), H. H. Holtzmann (1832-1910) e Johannes von Weiss (1863-1914). Importante é falarmos também de Albert Schweitzer o qual se tornou um marco na história da pesquisa do Jesus histórico com seu livro A Busca do Jesus Histórico.

Schweitzer desenvolveu a teoria da escatologia coerente. A compreensão do caráter escatológico do reino de Deus parece ter-se constituído num traço familiar da vida de Jesus. Para ele a escatologia passa a ser não apenas a base do esboço biográfico da atuação de Jesus, mas com sua ajuda ele consegue também distinguir dois períodos. A ruptura é constituída pelo envio dos discípulos. Jesus, que se considera o Messias e que esperava ser estabelecido como o Filho do Homem, estaria imbuído de uma intensa expectativa da proximidade do reino de Deus. O segredo do reino de Deus, de que fala Mc 4.11, estaria relacionado com esta expectativa. A rejeição em Nazaré o teria motivado a enviar os discípulos. A sequência das perícopes em Mc 6.1-13 é aqui, como também em outras passagens, considerada por Schweitzer como sendo rigorosamente histórica. Quando Jesus enviou seus discípulos à missão em Israel, estava convencido de que eles não retornariam mais para ele aqui na Terra. Desta maneira adquire importância central a passagem de Mt 10.23.

Kähler questiona, relação existe entre o Jesus histórico e o Cristo da fé? Podemos separá-los? Deveremos aceitar a idéia de que o Cristo só pode ser alcançado pela fé? Podemos reagir de alguma forma em face das dúvidas produzidas pela pesquisa histórica aplicada aos escritos bíblicos? Kähler achava que os dois não podiam se separar: o Jesus histórico é o mesmo Cristo da fé. A certeza a respeito do Cristo da fé independe dos resultados históricos oriundos dos estudos críticos do Novo Testamento. A fé garante o que a pesquisa histórica jamais vai nos dar. De que modo a fé pode ter tanta certeza? Que, realmente, pode garantir? Esse é o problema.

Para Bultmann, embora a cruz e a ressurreição sejam, de fato, fenômenos históricos (pois ocorreram no âmbito da história humana), devem, contudo, ser discernidos pela fé como atos divinos. No querigma, a cruz e a ressurreição estão interligadas como o ato do juízo de Deus e o ato da salvação de Deus. São precisamente estes atos divinos que possuem um significado constante, e não o fenômeno histórico que lhes serviu de suporte. Portanto, o querigma não se preocupa com questões históricas, mas sim em comunicar a necessidade de uma tomada de decisão por parte daqueles que ouvem a proclamação do evangelho, transferindo, assim, o momento escatológico de um passado distante para o aqui e o agora da proclamação em si:

Isto significa que Jesus Cristo nos encontra no querigma e não em outro lugar qualquer, da mesma forma que ele mesmo confrontou Paulo e o levou a uma tomada de decisão. O querigma não é a proclamação de verdades universais ou de conceitos atemporais — quer sejam o conceito de Deus quer sejam o conceito do redentor — mas sim a proclamação de um fato histórico… Portanto, o querigma não atua como um veículo de conceitos atemporais, nem como um mediador de informações históricas: o que é de importância decisiva é o fato de que o querigma é o “que” de Cristo, é seu “aqui e agora”, um “aqui e agora” que se torna presente nas pessoas a quem a proclamação do evangelho se dirige.

Para Tillich a busca do Jesus histórico foi uma tentativa de descobrir um mínimo de fatos confiáveis sobre o ser humano Jesus de Nazaré, para que pudessem proporcionar um fundamento seguro à fé cristã. Essa tentativa fracassou. A pesquisa histórica apenas forneceu probabilidades maiores ou menores sobre Jesus. À base dessas probabilidades, esboçaram-se algumas “Vidas de Jesus”. Mas eram mais romances do que biografias e certamente não podiam conferir um fundamento sólido à fé cristã. O cristianismo não se baseia na aceitação de um romance histórico, mas no testemunho sobre o caráter messiânco de Jesus dado por pessoas que não tinham o menor interesse em uma biografia.

Tillich diz que Bultmann combinava a pesquisa histórica radical com certa tentativa de sistematização. Chamava-a de “desmitologização”. Achava que deveríamos libertar a mensagem bíblica da linguagem mitológica em que se expressava para que o homem moderno que não aceita a visão de mundo da Bíblia possa, honestamente, aceitar a mensagem bíblica.

Para Bultmann, no entanto, tudo que fosse possível ou necessário saber sobre o Jesus histórico era o fato de que ele existiu.
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Offline Pagão

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #13 Online: 13 de Outubro de 2013, 18:10:27 »
Em Busca do Jesus Histórico...

O meu livro de referência é "A  Verdadeira História de Jesus" (título original "The Historical Figure of Jesus") de E.P.Sanders, 1993, edição portuguesa de 2004.
Nenhuma argumentação racional exerce efeitos racionais sobre um indivíduo que não deseje adotar uma atitude racional. - K.Popper

Offline DDV

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #14 Online: 14 de Outubro de 2013, 22:07:35 »
Algumas teses que acredito em relação a Jesus:

1- Ele tinha algum tipo de transtorno psíquico (provavelmente transtorno bipolar com predomínio de mania). Baseado em quê eu penso isso? Em várias passagens dos evangelhos, Jesus trata a família e a própria mãe de forma grosseira, sendo que em Marcos a própria família diz que ele estava "fora de si". Pessoas com mania e delírios de grandeza hostilizam bastante os familiares, pois são estes que ficam colocando obstáculos nos seus planos (na visão deles). Se a família de Jesus estivesse de acordo com ele e apoiando-o em sua "missão", certamente ele não seria tão ríspido com os mesmos.

Além disso, no Evangelho de João, os adversários de Jesus ficam constantemente dizendo que ele "tem demônio", e ele próprio fica tentando se defender disso. "Ter demônio" provavelmente era o mesmo que dizer que alguém era louco.


2- É provável que Jesus tenha começado como um discípulo de João Batista. Mais tarde, ele teve alguma "revelação" (ou seja, alguma produção delirante) e começou a se achar um profeta de Deus, tal qual João Batista e os profetas do antigo testamento. Até aí nada de novo e anormal dentro daquele contexto religioso e cultural em que viviam. A coisa começou a mudar quando Jesus (provavelmente por sua eloquência, ótima retórica recheada de metáforas e conhecimento das leis judaicas) começou a fazer sucesso, atraindo grande multidão de ouvintes.

Em um raro momento de depressão (quando Jesus "falhou" com a cidade dos gadarenos, que o tinham convidado a se retirar), Jesus resolveu buscar algum suporte ou validação com seus discípulos. Ele começou a perguntar aos mesmos o que eles achavam que ele, Jesus, era. Alguns diziam que ele era um profeta, outros diziam que era Elias*, aí veio Simão Pedro e lhe deu a fatídica idéia: "Você é o Messias, o filho do Deus Vivo!"...aí a coisa toda começou a tomar um rumo diferente na mente e nas obras de Jesus, que o levou a subir pra Jerusalém no dia da Páscoa (quando a cidade está lotada de judeus como nunca) planejando angariar apoio popular que culminaria na sua aclamação como rei (dado que ele agora acreditava ser o Messias, o ungido de Deus que iria restaurar Israel). Entretanto as coisas não saíram como planejado ou como ele acreditava, e Jesus só foi se tocar que estava errado em sua crença no momento em que estava pendurado na cruz, quando gritou "Deus meu, por quê me abandonaste?".




*A crença no retorno de Elias era uma constante entre os messianistas judeus, dado que, segundo o Velho Testamento, ele não tinha morrido, mas sido arrebatado vivo para o céu.

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Rhyan

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #15 Online: 15 de Outubro de 2013, 00:47:54 »
Nunca consegui formar uma opinião sobre o tema.

Offline KamOn

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #16 Online: 15 de Outubro de 2013, 21:44:47 »
Bleh , eu acredito , fazer o quê.
Thereisnotry

Offline JohnnyRivers

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #17 Online: 18 de Outubro de 2013, 21:18:18 »
A 7 é a mais segura e a mais sensata possível (embora como cristão, eu apenas creio na 6...).
Existem várias teorias imaginativas, aparentemente bem montadas, que o coloquem como figura mítica. Mas todas caem em contradição em algum ponto.




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Offline DDV

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #18 Online: 20 de Outubro de 2013, 10:11:45 »
Quais grupos religiosos ou intelectuais apóiam cada opção da enquete?



1- ICAR, Igreja Ortodoxa, protestantes tradicionais e maioria dos pentecostais.

2- Testemunhas de Jeová, adventistas (?), mórmons(?), espíritas (?).

3- Gnósticos.

4- Marcionitas, arianos.

5- Ebionitas.

6- Islamismo, Bahai.

7- Grande maioria dos historiadores e estudiosos da Bíblia, judeus.

8- Alguns historiadores/estudiosos, alguns judeus.

9- Alguns (poucos) historiadores/estudiosos, neoateístas.

   


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Offline Dr. Manhattan

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #19 Online: 20 de Outubro de 2013, 11:58:07 »
Algumas teses que acredito em relação a Jesus:

1- Ele tinha algum tipo de transtorno psíquico (provavelmente transtorno bipolar com predomínio de mania). Baseado em quê eu penso isso? Em várias passagens dos evangelhos, Jesus trata a família e a própria mãe de forma grosseira, sendo que em Marcos a própria família diz que ele estava "fora de si". Pessoas com mania e delírios de grandeza hostilizam bastante os familiares, pois são estes que ficam colocando obstáculos nos seus planos (na visão deles). Se a família de Jesus estivesse de acordo com ele e apoiando-o em sua "missão", certamente ele não seria tão ríspido com os mesmos.

Além disso, no Evangelho de João, os adversários de Jesus ficam constantemente dizendo que ele "tem demônio", e ele próprio fica tentando se defender disso. "Ter demônio" provavelmente era o mesmo que dizer que alguém era louco.


2- É provável que Jesus tenha começado como um discípulo de João Batista. Mais tarde, ele teve alguma "revelação" (ou seja, alguma produção delirante) e começou a se achar um profeta de Deus, tal qual João Batista e os profetas do antigo testamento. Até aí nada de novo e anormal dentro daquele contexto religioso e cultural em que viviam. A coisa começou a mudar quando Jesus (provavelmente por sua eloquência, ótima retórica recheada de metáforas e conhecimento das leis judaicas) começou a fazer sucesso, atraindo grande multidão de ouvintes.

Em um raro momento de depressão (quando Jesus "falhou" com a cidade dos gadarenos, que o tinham convidado a se retirar), Jesus resolveu buscar algum suporte ou validação com seus discípulos. Ele começou a perguntar aos mesmos o que eles achavam que ele, Jesus, era. Alguns diziam que ele era um profeta, outros diziam que era Elias*, aí veio Simão Pedro e lhe deu a fatídica idéia: "Você é o Messias, o filho do Deus Vivo!"...aí a coisa toda começou a tomar um rumo diferente na mente e nas obras de Jesus, que o levou a subir pra Jerusalém no dia da Páscoa (quando a cidade está lotada de judeus como nunca) planejando angariar apoio popular que culminaria na sua aclamação como rei (dado que ele agora acreditava ser o Messias, o ungido de Deus que iria restaurar Israel). Entretanto as coisas não saíram como planejado ou como ele acreditava, e Jesus só foi se tocar que estava errado em sua crença no momento em que estava pendurado na cruz, quando gritou "Deus meu, por quê me abandonaste?".




*A crença no retorno de Elias era uma constante entre os messianistas judeus, dado que, segundo o Velho Testamento, ele não tinha morrido, mas sido arrebatado vivo para o céu.



Interessante. Mas uma das partes da lenda de Jesus que acho menos provável é justamente a da crucificação. Não era assim que os Judeus puniam alguém por blasfêmia. Se a acusação fosse blasfêmia, então não havia motivo para os romanos se envolverem. E nem os romanos deixavam que se tirasse o corpo de um condenado da cruz. Se Jesus foi condenado à cruz, então seu crime foi outro: perturbação da ordem, insurreição ou algo pior.
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Alan Watts

Offline DDV

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #20 Online: 20 de Outubro de 2013, 12:20:56 »
Quais grupos religiosos ou intelectuais apóiam cada opção da enquete?



1- ICAR, Igreja Ortodoxa, protestantes tradicionais e maioria dos pentecostais.

2- Testemunhas de Jeová, adventistas (?), mórmons(?), espíritas (?).

3- Gnósticos.

4- Marcionitas, arianos.

5- Ebionitas.

6- Islamismo, Bahai.

7- Grande maioria dos historiadores e estudiosos da Bíblia, judeus.

8- Alguns historiadores/estudiosos, alguns judeus.

9- Alguns (poucos) historiadores/estudiosos, neoateístas.

   




Tudo indica que o cristianismo "original" (conforme ensinado e defendido pelo próprio Jesus e seus discípulos mais próximos) era o Ebionita.

A divergência do ebionismo foi um longo processo, tendo início com os ensinamentos de Paulo de Tarso.

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Offline DDV

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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #21 Online: 20 de Outubro de 2013, 12:32:38 »

Interessante. Mas uma das partes da lenda de Jesus que acho menos provável é justamente a da crucificação. Não era assim que os Judeus puniam alguém por blasfêmia. Se a acusação fosse blasfêmia, então não havia motivo para os romanos se envolverem. E nem os romanos deixavam que se tirasse o corpo de um condenado da cruz. Se Jesus foi condenado à cruz, então seu crime foi outro: perturbação da ordem, insurreição ou algo pior.

A crucificação é um dos (poucos) fatos sobre Jesus que podem ser considerados historicamente confiáveis. É algo muito escandaloso, chocante e humilhante (na visão da época) para ser o produto livre de uma invenção por pessoas que acreditavam e veneravam Jesus como o messias ou o filho de Deus. Além disso, é atestado em todos os evangelhos (canônicos ou não) e epístolas, diferente de outros fatos que só aparecem em alguns e faltam em diversos outros (Ex: os milagres de Cristo, que não aparecem nas epístolas e em alguns evangelhos não-canônicos).

Quanto à sua dúvida, o motivo "oficial" de Jesus ter sido crucificado foi a acusação de rebelião/insurreição (tentar fazer-se rei), conforme a placa afixada na cruz ("Jesus Nazareno, o rei dos judeus" e outras variações disso que aparecem nos evangelhos). Não sei dizer o porquê dos judeus terem armado a condenação de Jesus pelos romanos ao invés deles mesmo o apedrejarem. Talvez a popularidade de Jesus os tenha feito ter mais cautela, buscando o aval de um poder maior. Talvez achassem a crucificação mais desmoralizante e efetiva para combater os seus ensinamentos, etc.

Parece que o Pilatos não achava Jesus uma graaaande ameaça assim (talvez o achasse um pobre coitado louco), tendo concedido a sua condenação para acalmar os judeus e evitar dores de cabeça maiores. Isso explicaria a sua falta de empenho em mantê-lo crucificado por mais tempo para servir de exemplo. 

« Última modificação: 20 de Outubro de 2013, 12:37:57 por DDV »
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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #22 Online: 20 de Outubro de 2013, 12:35:25 »
Só que, segundo li (não lembro a fonte, infelizmente), manter o corpo na cruz até ele apodrecer era parte da punição. E que seria um crime sério remover o corpo do condenado da cruz. Existe alguma base para isso?
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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #23 Online: 20 de Outubro de 2013, 12:43:28 »

Parece que o Pilatos não achava Jesus uma graaaande ameaça assim (talvez o achasse um pobre coitado louco), tendo concedido a sua condenação para acalmar os judeus e evitar dores de cabeça maiores. Isso explicaria a sua falta de empenho em mantê-lo crucificado por mais tempo para servir de exemplo. 

Essa parte que eu falai acima é tão provável, que o próprio Pilatos parece fazer troça dos judeus quando colocou a placa na cruz, usando sarcasmo ao invés de algo mais sério:


"Pilatos mandou preparar uma placa e pregá-la na cruz, com a seguinte inscrição: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS.
Muitos dos judeus leram a placa, pois o lugar em que Jesus foi crucificado ficava próximo da cidade, e a placa estava escrita em aramaico, latim e grego.
Os chefes dos sacerdotes dos judeus protestaram junto a Pilatos: "Não escrevas ‘O Rei dos Judeus’, mas sim que esse homem se dizia rei dos judeus".
Pilatos respondeu: "O que escrevi, escrevi"."

João 19:19-22


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Re:Qual a natureza de Jesus Cristo?
« Resposta #24 Online: 20 de Outubro de 2013, 12:48:42 »
Só que, segundo li (não lembro a fonte, infelizmente), manter o corpo na cruz até ele apodrecer era parte da punição. E que seria um crime sério remover o corpo do condenado da cruz. Existe alguma base para isso?

Sim. Porém, segundo os evangelhos, os próprios judeus que tinham desejado a crucificação de Jesus não queriam que o seu corpo ficasse exposto perto da cidade durante a Páscoa. Se Pilatos concedeu a crucificação apenas para acalmá-los e não considerava Jesus uma grande ameaça, não haveria motivos para ele insistir, contra os próprios judeus e seus costumes religiosos, em mantê-lo na cruz.

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