Autor Tópico: Os estragos do chavismo na Venezuela  (Lida 122257 vezes)

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Offline JJ

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Re:Os estragos do chavismo na Venezuela
« Resposta #3425 Online: 04 de Dezembro de 2019, 10:08:37 »

Muito legal, gostei de aprender que Mohammad bin Salman bin Abdulaziz Al Saud  faz parte da esquerda carnívora.  E mais legal ainda foi aprender que o Super  Xerifão e Guardião  Mundial da  Liberdade tem ótimas relações com um tão importante representante da esquerda carnívora.


 :ok:

Offline JJ

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Re:Os estragos do chavismo na Venezuela
« Resposta #3426 Online: 04 de Dezembro de 2019, 10:15:41 »
Guaidó promete lutar contra corrupção na oposição venezuelana


Denúncias de corrupção estão relacionadas contra legisladores aliados ao presidente autoproclamado

03/12/2019 | 20:45
Por
AFP


O líder parlamentar da Venezuela, Juan Guaidó, prometeu nesta terça-feira, durante uma sessão legislativa, combater a corrupção que supostamente existiria entre os opositores, após acusações relacionadas contra legisladores aliados, gerando inclusive uma divisão entre aqueles que lutam para tirar o presidente Nicolás Maduro do poder.


https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/mundo/guaid%C3%B3-promete-lutar-contra-corrup%C3%A7%C3%A3o-na-oposi%C3%A7%C3%A3o-venezuelana-1.384532


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Vai, Guaidó.  Eu e o Super Xerifão e Guardião  Mundial da  Liberdade  estamos numa super  torcida por você.  Estamos enviando um montão de pensamento positivo para você.

Vai, vai , que dá.

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 :histeria:


« Última modificação: 04 de Dezembro de 2019, 10:19:08 por JJ »

Offline -Huxley-

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Re:Os estragos do chavismo na Venezuela
« Resposta #3427 Online: 04 de Dezembro de 2019, 11:51:03 »

Um gerenciamento político que no fim se aproxima do controle total, mas com uma necessidade cada vez menor de empregar a força física é a maneira como a esquerda carnívora consegue idiotas úteis colaboradores passivos do estilo "não concordo com ele, mas lá há democracia".



Países que tem gerenciamento político que no fim se aproxima do controle total, mas com uma necessidade cada vez menor de empregar a força física são países administrados por uma esquerda carnívora.

A Arábia Saudita tem gerenciamento político que no fim se aproxima do controle total, mas com uma necessidade cada vez menor de empregar a força física.

E Estados Unidos tem ótimas relações com os administradores da Arábia saudita.

Logo,  Estados Unidos tem ótimas relações com alguns países  administrados pela esquerda carnívora.




Falácia da afirmação do consequente...

Toda esquerda carnívora atual é maquiavélica, mas nem todo maquiavelismo é esquerda carnívora. O que está no quote acima é equivalente a dizer:

Se Bill Gates for Presidente do Brasil, então ele é rico.
Bill Gates é rico. Logo, Bill Gates é Presidente do Brasil.

E quanto à política externa dos EUA, ela é uma merda mesmo, principalmente por se aliar tão umbilicalmente a um governo salafista.

Offline Sergiomgbr

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Re:Os estragos do chavismo na Venezuela
« Resposta #3428 Online: 04 de Dezembro de 2019, 17:51:05 »
A esquerda vegana  também é carnívora?  :?
Até onde eu sei eu não sei.

Offline -Huxley-

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Re:Os estragos do chavismo na Venezuela
« Resposta #3429 Online: 15 de Dezembro de 2019, 12:47:10 »
« Última modificação: 15 de Dezembro de 2019, 12:53:34 por -Huxley- »

Offline Arcanjo Lúcifer

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Re:Os estragos do chavismo na Venezuela
« Resposta #3430 Online: 15 de Dezembro de 2019, 16:18:28 »
Agora vai.

Vai para o buraco.

Offline JJ

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Re:Os estragos do chavismo na Venezuela
« Resposta #3431 Online: 10 de Janeiro de 2020, 10:53:31 »
Guaidó é empossado ‘presidente encarregado’ no Parlamento e clama às ruas




O líder opositor, Juan Guaidó, chega à Assembleia Nacional nesta terça-feira, 07 de janeiro de 2020 - AFP

AFP

07/01/20 - 16h05 - Atualizado em 07/01/20 - 23h32

O líder opositor Juan Guaidó prometeu nesta terça-feira (7) cumprir com os “deveres de presidente encarregado” da Venezuela como chefe do Parlamento, uma vitória simbólica para a oposição em sua disputa com o chefe de Estado socialista, Nicolás Maduro.



O opositor forçou a entrada juntamente com uma centena de deputados, abrindo caminho aos empurrões diante de militares que bloqueavam as portas da sede legislativa, dois dias depois de ter tido sua posse impedida na sede do Legislativo e de outro deputado opositor se autoproclamar ali presidente da Câmara com o apoio do chavismo.

A sessão na sede do Congresso esteve marcada por ataques de partidários de Maduro contra ele e outros legisladores, membros do corpo diplomático e jornalistas.

Uma fonte diplomática informou à AFP que representantes de países da Europa e o Japão foram “atingidos severamente” por “coletivos” – grupos acusados pela oposição ser um “braço armado” do chavismo -, que atiraram pedras contra eles.


“Eu juro!”, gritou Guaidó do púlpito da Assembleia Nacional, único poder nas mãos da oposição do país caribenho.

O opositor pediu para revitalizar os protestos – após meses em que seu poder de convocação caiu -, convocando pouco depois, durante uma coletiva de imprensa, “atividades de rua” para a quinta-feira, sexta e sábado, e uma mobilização até o Congresso na próxima terça-feira.


Como presidente do Legislativo, Guaidó se proclamou presidente interino em janeiro de 2019 com o reconhecimento de meia centena de países. Ele renovou nesta terça-feira seu juramento de cumprir “em nome da Venezuela” com “os deveres do presidente encarregado” e buscar “solução para a crise”.


 
Guaidó lidera a disputa pelo poder contra Maduro, a quem a maioria opositora legislativa declarou um usurpador, acusando-o de ter sido reeleito mediante fraude em 2018 e insiste em uma saída para um “governo de transição” e novas eleições presidenciais.

A oposição controla a Assembleia Nacional desde que ganhou 112 assentos do total de 167 nas eleições de 2015.

Mas as funções do Parlamento, no entanto, foram assumidas na prática pela governista Assembleia Constituinte, depois que o Tribunal Supremo de Justiça o declarou em desacato em 2016.

A posse “não se trata de poder”, assegurou o presidente do instituto de pesquisas Datanálisis, Luis Vicente León. “Seu valor real é como símbolo de luta e unidade” da oposição.


 
– Coroado sem luz –

Guaidó chefiou uma sessão conturbada. Um corte de energia forçou os legisladores a iluminar o recinto com os telefones celulares.

“Era vital tomar fisicamente o plenário. É um símbolo, como a coroa de um rei, embora não queira dizer que ganhou a guerra”, disse León à AFP.


 
Quando Guaidó deixava o Parlamento, membros de “coletivos” atiraram contra ele uma pequena bomba de gás lacrimogênio. Mas ele saiu ileso, constatou a AFP.

Vários jornalistas foram agredidos, segundo o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP), principal grupo do sindicato de jornalistas da Venezuela. O jornal El País, da Espanha, denunciou que seu correspondente, Francesco Manetto, foi “espancado” por uma “multidão” enquanto filmava com seu celular.

– “Isto não é um quartel!” –


 
Guaidó chegou ao Congresso em uma caminhonete, acompanhado por uma caravana de ônibus com deputados opositores, após percorrer uns cinco quilômetros pelo centro de Caracas, evitando piquetes policiais.


Ao chegar à sede do Legislativo, efetivos da Guarda Nacional fecharam sua passagem. “Isto não é um quartel!”, gritou Guaidó, carregado nos ombros dos parlamentares antes de avançar aos empurrões.


 
No domingo, não conseguiu entrar na sede do Legislativo e acabou sendo ratificado como chefe do Parlamento – com cem votos de deputados opositores – em uma sessão nas instalações do jornal El Nacional, crítico de Maduro.

Estados Unidos, União Europeia e aliados regionais, como Brasil e Colômbia, reiteraram seu apoio a Guaidó.

Washington advertiu nesta terça-feira que tomará medidas caso ocorra uma escalada e o líder parlamentar for preso.

O presidente Nicolás Maduro chamou de “palhaço fracassado” o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, por apoiar Juan Guaidó, considerando “um show” a ratificação do líder opositor como presidente encarregado do país da chefia do Parlamento.

O governo de Donald Trump “vai continuar fracassando, fracassando e Mike Pompeo continuará montando o show, a palhaçada. Termina sendo um palhaço fracassado”, disse Maduro durante um ato transmitido pela emissora estatal VTV.

– Sessão em paralelo –


O deputado opositor Luis Parra, autoproclamado no domingo presidente da Assembleia, presidiu momentos antes outra sessão com deputados governistas e dissidentes da oposição.

Na segunda-feira, chamou Guaidó – com quem rompeu há um mês após ser acusado de corrupção – a se apresentar no plenário “como mais um deputado”, mas com a chegada do líder opositor, abandonou o local.

Parra prestou juramento no domingo no Palácio Legislativo com apoio chavista, após uma consulta a mão erguida – sem contagem de votos – em uma sessão sem Guaidó. Assegurou que 81 deputados aprovassem sua candidatura, menos da metade (84) regulamentar.

A oposição denunciou a proclamação de Parra como um “golpe de Estado parlamentar”, mas Maduro reconheceu o dissidente opositor.


https://istoe.com.br/guaido-assume-presidencia-do-parlamento-venezuelano-no-palacio-legislativo/
« Última modificação: 10 de Janeiro de 2020, 11:01:03 por JJ »

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Os estragos do chavismo na Venezuela
« Resposta #3432 Online: 11 de Janeiro de 2020, 19:41:58 »
Se a oposição tem defeitos então o ditador é perfeito e deve ficar no poder?


O Maduro é autoritário, há um governo autoritário e irresponsável na Venezuela, mas não me parece que ele tenha poder ditatorial, pois apesar de não ser muito forte ainda existe oposição na Venezuela. Pois, onde já se viu uma ditador que permite que um opositor se declare Presidente da República e continue livre e vivo? 

Assim descobrimos que a ditadura no Brasil não era ditadura, pois, afinal, havia oposição ao governo.

JJ, e sua mania de reinventar definições.

O engraçado é que tem defensores da ditadura que fazem esses argumentos mesmo, junto a apoio popular.

Offline JJ

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Re:Os estragos do chavismo na Venezuela
« Resposta #3433 Online: 12 de Janeiro de 2020, 07:10:11 »
Se a oposição tem defeitos então o ditador é perfeito e deve ficar no poder?


O Maduro é autoritário, há um governo autoritário e irresponsável na Venezuela, mas não me parece que ele tenha poder ditatorial, pois apesar de não ser muito forte ainda existe oposição na Venezuela. Pois, onde já se viu uma ditador que permite que um opositor se declare Presidente da República e continue livre e vivo? 

Assim descobrimos que a ditadura no Brasil não era ditadura, pois, afinal, havia oposição ao governo.

JJ, e sua mania de reinventar definições.

O engraçado é que tem defensores da ditadura que fazem esses argumentos mesmo, junto a apoio popular.


Para vocês o governo do Médici e/ou do Geisel  foram praticamente a mesma coisa que o governo do  Idi Amin Dada em relação ao exercício do poder político ?


Médici e/ou Geisel eram ditadores assim como era o Idi Amin Dada ?


« Última modificação: 12 de Janeiro de 2020, 07:17:18 por JJ »

Offline Sergiomgbr

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Re:Os estragos do chavismo na Venezuela
« Resposta #3434 Online: 12 de Janeiro de 2020, 13:12:10 »
Nenhum dos presidentes militares governou por ambições pessoais de poder nem enriqueceu e foi sanguinário, muito pelo contrário fizeram um trabalho em que mais se doaram que qualquer outra coisa. Nenhum se perpetuou no poder e governaram pelas regras, ainda que fossem regras militares de exceção. Não são da mesma laia que idi amins, fideis ou duvaliers da vida.
Até onde eu sei eu não sei.

Offline Pedro Reis

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Re:Os estragos do chavismo na Venezuela
« Resposta #3435 Online: 12 de Janeiro de 2020, 14:51:34 »
Nenhum dos presidentes militares governou por ambições pessoais de poder nem enriqueceu e foi sanguinário, muito pelo contrário fizeram um trabalho em que mais se doaram que qualquer outra coisa. Nenhum se perpetuou no poder e governaram pelas regras, ainda que fossem regras militares de exceção. Não são da mesma laia que idi amins, fideis ou duvaliers da vida.

Fidel Castro jamais enriqueceu. E durante mais de 60 anos só teve uma  mesma roupa. (Abaixo a prova)





Ele também mais se doou. Para mim Fidel foi um homem santo assim como Médici e Costa e Silva.

Citar
Mito: “na época da Ditadura Militar, não tinha corrupção”

A verdade: Os militares prometeram limpar o País. O que conseguiram fazer foi censurar notícias sobre a roubalheira

Por Maurício Horta



Os únicos patrimônios de Castelo Branco eram um Aero Willis preto e um imóvel em Ipanema. Médici desviou o traçado de uma estrada para que ela não valorizasse suas terras. Quando Geisel assumiu a presidência da Petrobras, sua mulher quis um apartamento novo. O general disse não. “Se comprar esse apartamento, vão logo dizer que estou roubando.”

As figuras de primeiro escalão buscaram manter uma aura de probidade. Mas uma coisa eram as contas do presidente; outra era o Estado. “Demonstrações de decência pessoal apresentaram parcos resultados para a vida pública do País”, afirma a historiadora Heloísa Starling em Corrupção: ensaios e críticas.


O combate à corrupção foi uma das bandeiras do golpe de 1964. Assim que assumiu a presidência, Castelo prometeu uma grande devassa. Não conseguiu. “O problema mais grave do Brasil não é a subversão; é a corrupção, muito mais difícil de caracterizar, punir e erradicar”, disse meses depois de criar a Comissão Geral de Investigações (CGI), que investigava acusados de subversão e de corrupção. Opositores perderam direitos políticos; corruptos se adaptaram.


 Os presidentes não deixaram sinais de enriquecimento ilícito – Castelo só tinha um carro e um apartamento. Mas a corrupção no Estado foi encoberta pela censura e a falta de transparência. Os presidentes não deixaram sinais de enriquecimento ilícito – Castelo só tinha um carro e um apartamento. Mas a corrupção no Estado foi encoberta pela censura e a falta de transparência.

Em 1968, o AI-5 deu à CGI os dentes que faltavam. Agora, o presidente podia confiscar bens de quem enriquecesse ilicitamente. O resultado foi pífio. De 1968 a 1973, a CGI produziu 1.153 processos. Desses, mais de mil foram arquivados. Das 58 propostas de confisco, 41 foram alvo de decreto presidencial.

O problema não era apenas a falta de eficiência da CGI, mas também sua seletividade. Aos amigos, o silêncio. Foram arquivadas sem investigação denúncias contra os então governadores José Sarney (MA) e Antônio Carlos Magalhães (BA). Já aos inimigos, a lei. No processo contra Brizola, a CGI escrutinou suas declarações de bens desde 1959, quebrou seu sigilo bancário, verificou seus imóveis – e não encontrou nada de errado. Ou seja, quanto menos democrático um regime, mais o combate à corrupção se confunde com perseguição.


Porão bichado

Agentes da repressão corromperam juízes e médicos, formaram grupos de extermínio e entraram para a elite do jogo do bicho

A tortura não atingiu apenas presos políticos. Ela também corrompeu uma rede de colaboradores da repressão. Juízes aceitaram processos absurdos, confissões desmentidas e perícias mentirosas. Médicos dispuseram-se a fraudar autópsias e autos de corpo de delito e fizeram vista grossa às marcas de tortura em pacientes. Empresários financiaram a Oban.

E no centro de todos havia o torturador. “Quando tortura e corrupção se juntaram, o regime militar elevou o torturador à condição de intocável”, afirma Heloísa Starling. O delegado paulista Sérgio Fleury não se limitava a torturar e matar no DOI-Codi. Liderava impunemente um esquadrão da morte, comandava uma máfia de proteção para empresários e criminosos e ainda roubava dos esquerdistas que prendia. Conforme disse Golbery, “Esse é um bandido. Mas prestou serviços e sabe muita coisa.” Foi condecorado com a Medalha do Pacificador e se livrou de investigações.

O DOI-Codi do Rio também produziu seus intocáveis, e nenhum deles foi tão notório quanto o capitão Ailton Guimarães Jorge. No auge da repressão, foi reconhecido por caçar guerrilheiros. Em 1969, matou um da VPR – e, com isso, ganhou a Medalha do Pacificador. Mas não demorou para diversificar sua atuação.

No fim do governo Médici, não havia mais esquerda armada. Então, os antigos agentes da repressão precisavam de uma razão de ser. Uns criaram novos inimigos imaginários. Outros foram para a segurança particular. Já o capitão Guimarães partiu com colegas para o contrabando de mercadorias. No fim de 1973, autoridades cariocas descobriram o esquema. Foram acusados 14 militares, 8 policiais civis e alguns comerciantes. Os réus chegaram a ser presos, mas o processo foi anulado. O motivo: os acusados alegaram ter sido torturados.

Então o capitão Guimarães entrou para o jogo do bicho. Em 1981, quando se desligou do Exército, já dominava Niterói e São Gonçalo. Usando seus conhecimentos de repressão, espionagem e organização militar, transformou o bicho numa verdadeira organização. Deixou os pequenos e médios bicheiros se canibalizarem e dividiu o butim com os grandes, com os quais delimitou territórios e verticalizou o poder. No topo, ele mesmo. E, para ostentar seu domínio, seguiu o hábito dos bicheiros: adotou uma escola de samba – a Unidos de Vila Isabel.

Cimento e chumbo

Militares barraram construtoras estrangeiras das obras do “milagre econômico”. Com isso, celebraram o casamento entre o estado e as grandes empreiteiras

Denúncias contra empreiteiras pipocaram nos anos 1950, principalmente com os planos de JK de fazer o Brasil crescer 50 anos em 5. Depois, voltaram com a redemocratização. Já na ditadura, o silêncio. Sinal de limpeza? Não para o historiador Pedro Henrique Pedreira Campos, autor de Estranhas Catedrais. “Isso evidencia obviamente não o menor número de casos, mas o amordaçamento dos mecanismos de fiscalização e divulgação.”

Em 1969, o presidente Costa e Silva barrou empresas estrangeiras de participar das obras públicas no País. Com essa reserva de mercado e as obras faraônicas da ditadura – como Transamazônica, Itaipu, Tucuruí, Angra, Ferrovia do Aço e Ponte Rio-Niterói -, as construtoras se tornaram grandes grupos monopolistas ligados intimamente com o Estado e com poucos mecanismos de controle.


 Odebrecht constrói o edifício-sede da Petrobras, sua primeira grande obra fora da Bahia. Depois dela, subiu para as 10 maiores empreiteiras.
Odebrecht constrói o edifício-sede da Petrobras, sua primeira grande obra fora da Bahia. Depois dela, subiu para as 10 maiores empreiteiras. (Divulgação/Reprodução)

Até a década de 1960, as obras da Odebrecht mal ultrapassavam os limites da Bahia. Com o protecionismo de Costa e Silva, começou a dar saltos. Primeiro, construiu o prédio-sede da Petrobras, no Rio. Os contatos governamentais na estatal abriram portas para novos projetos, como o aeroporto do Galeão e a usina nuclear de Angra. Assim, de 19ª empreiteira de maior faturamento, em 1971, pulou para a 3ª em 1973, e nunca mais deixou o top 10. Outra beneficiada foi a Andrade Gutierrez, que saltou do 11º para o 4º lugar de 1971 para 1972.

Empreiteiras menos amigas da ditadura tinham futuro menos brilhante – como a mineira Rabello. Desde a década de 1940, seu proprietário Marco Paulo Rabello foi próximo a JK. Na prefeitura de Belo Horizonte, passou-lhe o Complexo da Pampulha. No governo de Minas, foram rodovias estaduais. Finalmente, como presidente, JK deu-lhe o filé mignon de Brasília: o Eixo Monumental, incluindo a Catedral, o Alvorada e o Planalto. Mas JK era um dos grandes desafetos dos conspiradores de 1964. Com o golpe, a Rabello ficou de escanteio. Foi perdendo licitações até ir à falência nos anos 1970.

Foi assim que, ao fim da ditadura, dez irmãs detinham 68,7% do faturamento das cem maiores empreiteiras – para Campos, não necessariamente por sua excelência técnica e administrativa, mas por suas conexões políticas.

As irregularidades no setor de construção pesada não são um desvio. Trata-se de uma característica estrutural desse ramo de atividades. os desvios são os casos denunciados.

Pedro Campos, historiador
 
Como viviam nossos super-funcionários

Bastou a ditadura começar a suspender a censura prévia para que o jornalismo denunciasse a vida nababesca do alto escalão burocrático

A censura prévia começou a ser levantada em 1976. E, conforme as colunas políticas ressuscitavam, os jornais se infestavam com denúncias de uso de dinheiro público para benefício particular. O jornalista Ricardo Kotscho reuniu os relatos de vários correspondentes do Estado de S.Paulo e publicou, em agosto daquele ano, a série de matérias Assim vivem os nossos superfuncionários. Estava provado: a lisura do governo militar não passava de uma ilusão sustentada pela censura.

Supersalário

Os servidores brasileiros de elite ganhavam 5% mais do que os americanos. O presidente do Banco do Brasil recebia Cr$ 1 milhão por ano, o que hoje equivaleria a cerca de US$ 4,2 milhões anuais – mais benefícios. Estatais distribuíam participação nos “lucros” mesmo quando tinham prejuízos. Diretores da Eletrobrás receberiam até 17º salário.



Mercadão

Compras de mercado ficavam por conta do governo. Isso levou a abusos como o do governador Elmo Serejo Farias (DF). Num só dia, comprou 17 kg de melão, 23 kg de uva, 14 kg de ameixa, 11,3 kg de mamão, 21 caixas de pêssego e 16 dúzias de bananas. Outro dia, foram 6.825 pães franceses, 280 litros de leite e 7 pacotes de pão de forma.


Jatinhos

Órgãos públicos mantinham jatinhos, que eram frequentemente usados de forma abusiva. Ministros usavam jatos da FAB de forma tão indiscriminada que o Planalto precisou explicar numa circular: seu uso era de caráter excepcional.


Cine proibidão

Funcionários promoviam sessões privadas de cinema disputadíssimas, que traziam ao País filmes proibidos pela censura, como O Último Tango em Paris, Decameron e Laranja Mecânica.



Criadagem

Ter empregados pagos pelo governo era de praxe na elite funcionalista. Mas nada se comparava à casa do ministro do Trabalho Arnaldo da Costa Prieto, que ostentava 28 funcionários fixos.


Impunidade

Não havia legislação específica que permitisse ao Congresso e aos Tribunais de Contas fiscalizar os gastos dos superfuncionários. Abusos podiam ser encobertos sob o manto da “segurança nacional”.



Clube de vantagens

Os altos funcionários não precisavam pagar aluguel da mansão no Lago Sul, contas de água, luz e telefone, conservação de piscina, criadagem, IPTU, vigilância nem despesas com o cartão corporativo.
« Última modificação: 12 de Janeiro de 2020, 15:01:10 por Pedro Reis »

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Os estragos do chavismo na Venezuela
« Resposta #3436 Online: 12 de Janeiro de 2020, 18:00:17 »
Se a oposição tem defeitos então o ditador é perfeito e deve ficar no poder?


O Maduro é autoritário, há um governo autoritário e irresponsável na Venezuela, mas não me parece que ele tenha poder ditatorial, pois apesar de não ser muito forte ainda existe oposição na Venezuela. Pois, onde já se viu uma ditador que permite que um opositor se declare Presidente da República e continue livre e vivo? 

Assim descobrimos que a ditadura no Brasil não era ditadura, pois, afinal, havia oposição ao governo.

JJ, e sua mania de reinventar definições.

O engraçado é que tem defensores da ditadura que fazem esses argumentos mesmo, junto a apoio popular.


Para vocês o governo do Médici e/ou do Geisel  foram praticamente a mesma coisa que o governo do  Idi Amin Dada em relação ao exercício do poder político ?


Médici e/ou Geisel eram ditadores assim como era o Idi Amin Dada ?




De maneira alguma, basta ter lido os jornais. Eles SALVARAM a democracia.





Você não encontrará manchetes assim referentes aos facínoras comunistas.









Bizarras essas passações de pano para "ditaduras brandas." É assustador pensar/lembrar que tem gente que é até mais explícito em considerar que o ideal seria que um só homem (geralmente seria homem na concepção) devesse concentrar um enorme PODER acima da lei, sem contraposição equilibrando os poderes.






Tem que ser muito simples e ingênuo para achar que "na ditadura, eles eram todos bons e honestos, usavam o poder só para combater a corrupção."


https://amp-mg.jusbrasil.com.br/noticias/130457031/empresario-denuncia-corrupcao-de-militares-na-ditadura

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[...] Castelo Branco, Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo foram os presidentes do regime militar. Todos já morreram, mas nenhum pobre.

O primeiro ponto é que todos eram oficiais de alta patente. Já ganhavam salários altos e, quando saíram do poder, continuaram ganhando. A coluna de Juremir Machado no jornal Correio do Povo aponta para este fato.

Castelo Branco morreu em um acidente de avião logo após deixar o poder. Costa e Silva morreu enquanto era influente, em 1969. Vale lembrar que a morte dos dois foram sob condições suspeitas.

Médici era de família rica no Rio Grande do Sul e morreu como general aposentado. Ernesto Geisel morou até a sua morte, em 1997, em um apartamento no bairro do Leblon, área nobre do Rio de Janeiro. João Figueiredo morreu em 1999 e também tinha apartamento.  Sendo assim, podemos afirmar que nenhum presidente do regime militar morreu pobre. [...]

https://www.boatos.org/politica/presidentes-militares-do-brasil-morreram-pobre-diz-boato.html

Pagamento de propinas por empreiteiras se consolidou durante ditadura, diz historiador https://www.bbc.com/portuguese/brasil-38337544

https://www.agazeta.com.br/es/politica/neto-de-ditador-brasileiro-e-preso-por-envolvimento-em-esquema-de-propinas-0819

https://guiadoestudante.abril.com.br/blog/atualidades-vestibular/a-corrupcao-durante-o-regime-militar/

https://super.abril.com.br/historia/mito-na-epoca-da-ditadura-militar-nao-tinha-corrupcao/

 

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