Autor Tópico: A Falácia da Liberação das Armas de Fogo  (Lida 30721 vezes)

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Offline Gauss

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #500 Online: 17 de Março de 2018, 14:06:35 »
Já postei esse vídeo uma vez, mas é sempre importante para ver qual a verdadeira opinião de quem defende a posse de armas:

“A matemática é a rainha das ciências.”
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Offline João da Ega

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #501 Online: 25 de Março de 2018, 21:36:35 »
Bom artigo publicado no site Mercado Popular
http://mercadopopular.org/2018/03/mais-armas-mais-crimes/

Citar
Conclusões (resumo tl;dr)

Em teoria, armas podem tanto promover quanto dissuadir crimes. Portanto, o que importa para a análise de políticas públicas de acesso a armas é o efeito líquido da diferença entre o efeito de promoção e de dissuasão que as armas teoricamente podem ter.

Até o começo dos anos 2000, não havia um consenso claro na literatura empírica sobre o assunto. Mas isso mudou. Quando são tomados artigos mais recentes sobre o assunto e meta-análises, a literatura conclui que há uma relação positiva entre a quantidade de armas e homicídios. Não há quase nenhum apoio à tese de que mais armas levam a menos homicídios.

No caso da realidade brasileira, o cenário é mais claro: quase a integralidade dos estudos indica para uma associação positiva entre armas e homicídios. Alguns estudos recentes usam dados muito desagregados – mensais e no nível dos municípios – e mostram que houve uma descontinuidade na tendência de homicídios provocada pelo estatuto do desarmamento.

É verdade que existiu uma diferença nas tendências regionais de homicídios no Brasil (com um aumento no Norte-Nordeste e uma queda no Sudeste). É provável que essas divergências sejam explicadas por outras causas que não as armas e que, na ausência do Estatuto do Desarmamento, as taxas de homicídio no Norte-Nordeste fossem ainda mais altas hoje. Uma explicação importante para essa divergência é a demografia, já que o perfil etário do Norte-Nordeste é mais novo do que o do Sudeste e o número de jovens sobre a população total (particularmente de jovens que cresceram em situação de vulnerabilidade) está correlacionado com os níveis de violência.

Em suma, houve uma mudança do consenso científico desde que discorremos sobre o assunto pela última vez. Quando muda o melhor conjunto de evidências empíricas sobre um assunto, mudamos nossa opinião: à luz da melhor evidência disponível hoje, concluímos que mais armas levam a mais crimes.
"Nunca devemos admitir como causa daquilo que não compreendemos algo que entendemos menos ainda." Marquês de Sade

Offline Gauss

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #502 Online: 25 de Março de 2018, 22:19:24 »
Li completo e não entendi. De onde eles tiraram essa correlação?


Citar
[...]É necessário compreender que é possível que determinada política pode ter levado à redução no número de homicídios mesmo se, depois de sua implementação, o número observado de homicídios tenha aumentado. Como isso é possível? Entendendo que, na ausência da política, o número de homicídios teria sido ainda maior.[...]

Espere aí. A pequena queda pós-estatuto foi causada pela proibição, mas o aumento foi um outro fator? Qual fator? Quais são as outras variáveis? Estes fatores e variáveis não existiam antes do Estatuto do Desarmamento?


Este outro trecho:
Citar
[...]Ou seja, é preciso compreender fenômenos complexos como sendo causados por diversas variáveis. E é necessário tentar estimar qual é o efeito de cada um desses fatores sobre esses fenômenos se os outros fatores que influenciam o fenômeno tivessem sido mantidos inalterados.[...]
É preciso entender fenômenos complexos, mas o autor já bateu o martelo na correlação "armas legalizadas para cidadãos cumpridores da lei-homicídios".


Vejamos o gráfico:


A Lei é a mesma para todo o território nacional. O autor diz que a diminuição no Sudeste é em razão do desarmamento, mas o aumento do Norte é por outro fator? Não é mais lógico afirmar que a diminuição da violência nessas regiões se deve às políticas públicas de segurança aplicadas nestas regiões? São Paulo vêm tendo uma diminuição da criminalidade há anos...

O Rio Grande do Sul, por exemplo, é o Estado mais bem armado (com armas legais) e tem um dos menores índices de homicídios do país. Os dados não batem com o afirmado pelo autor do artigo. Até a desarmamentista Globo reconhece isso.
https://oglobo.globo.com/brasil/estados-brasileiros-com-menos-armas-legais-tem-mais-homicidios-2797617
« Última modificação: 25 de Março de 2018, 22:30:02 por Gauss »
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Offline Pedro Reis

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #503 Online: 25 de Março de 2018, 22:20:01 »
Essa entrevista com o ex-capitão do Bope resume o que eu penso sobre isso:

Não protege porque o cidadão em 99% das vezes em que é abordado pelo marginal é pego desprevenido, e a arma não ajuda. Mas vai haver uma explosão de crimes com armas legais: brigas de trânsito, brigas de vizinho, crimes passionais, acidentes domésticos com crianças, etc...


Offline Gauss

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #504 Online: 25 de Março de 2018, 22:31:06 »
Essa entrevista com o ex-capitão do Bope resume o que eu penso sobre isso:

Não protege porque o cidadão em 99% das vezes em que é abordado pelo marginal é pego desprevenido, e a arma não ajuda. Mas vai haver uma explosão de crimes com armas legais: brigas de trânsito, brigas de vizinho, crimes passionais, acidentes domésticos com crianças, etc...

Me dê os números da próxima Mega.


O brasileiro JÁ VIVEU essa realidade com armas legalizadas para cumpridores da lei. Era Anarquia? Era pior que hoje?
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Offline Gauss

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #505 Online: 25 de Março de 2018, 22:33:41 »
Vejam bem, é óbvio que mais armas=mais mortes causadas por armas.

Assim como mais carros=mais mortes envolvendo carros.

Isso é uma lógica matemática. Mas não me parece nem um pouco que o número de armas na mão de cidadãos 'aptos' para ter uma arma sejam o mais importante para o aumento da criminalidade e dos homicídios.
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Offline Pedro Reis

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #506 Online: 25 de Março de 2018, 22:57:47 »
Vejam bem, é óbvio que mais armas=mais mortes causadas por armas.

Assim como mais carros=mais mortes envolvendo carros.

Isso é uma lógica matemática. Mas não me parece nem um pouco que o número de armas na mão de cidadãos 'aptos' para ter uma arma sejam o mais importante para o aumento da criminalidade e dos homicídios.

1 - Como se tem certeza que o cidadão é apto?

2 - Será que esse Bene Barbosa não recebe um jabá para fazer esse lobby?

Porque pode haver essa suspeita sobre quem faz campanha pró-porte de arma, mas quem é contra não tem como estar recebendo da indústria.

Outra coisa, acho que os argumentos dele seletivos. Se não me engano, entre os países ricos, os EUA são o que registram maior número de homicídios por armas de fogo. Mas esse tipo de dado ele não cita.

Offline Pedro Reis

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #507 Online: 25 de Março de 2018, 23:00:46 »
Citar
O brasileiro JÁ VIVEU essa realidade com armas legalizadas para cumpridores da lei.

Quando? O que era diferente antes do estatuto do desarmamento?

Offline Pedro Reis

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #508 Online: 25 de Março de 2018, 23:09:56 »
Citação de:  El Pais
ESTATUTO DO DESARMAMENTO

Como era o Brasil quando as armas eram vendidas em shoppings e munição nas lojas de ferragem
Antes do Estatuto do Desarmamento taxas de homicídio cresciam de forma alarmante.

Parlamentares tentam mudar a lei para permitir acesso facilitado à compra de armas

São Paulo 31 OUT 2017 - 03:45   CET
Imagine um país onde qualquer pessoa com mais de 21 anos pudesse andar armada na rua, dentro do carro, nos bares, festas, parques e shoppings centers. Em um passado não muito distante, esse país era o Brasil. Até 2003, aqui era possível, sem muita burocracia, comprar uma pistola ou um revólver em lojas de artigos esportivos, onde as armas ficavam em prateleiras na seção de artigos de caça, ao lado de varas de pesca e anzóis. Grandes magazines, como os hoje finados Mesbla e Sears, ofereciam aos clientes registro grátis e pagamento parcelado em três vezes sem juros. Anúncios de página inteira nas principais revistas e jornais anunciavam promoções na compra de armas, apelando para o já existente sentimento de insegurança da população: “Eu não teria medo se possuísse um legítimo revólver da marca Smith & Wesson”, dizia um deles, com a imagem de uma mulher assustada dentro de casa. Outra propaganda, da empresa brasileira Taurus, dizia “passe as férias com segurança”.

E as coisas foram assim por décadas. As empresas fabricantes de armas e munições, assim como ocorre nos Estados Unidos, financiavam campanhas de políticos com doações milionárias. A prática não se perdeu, entretanto. Até as eleições de 2014 ainda era possível encontrar no site do Tribunal Superior Eleitoral registros destes aportes feitos por indústrias bélicas, que ajudaram a fortalecer a bancada da bala do Congresso. O porte de armas era tão comum que em alguns Estados os locais públicos eram obrigados a oferecer uma chapelaria exclusiva para guardar os revólveres ou pistolas dos clientes. Uma lei de 2001, aprovada no Rio de Janeiro, por exemplo, estipulava que “casas noturnas, boates, cinemas, teatros, estádios escola de samba e outros estabelecimentos do tipo possuam, em suas instalações, guarda-volumes apropriados para o depósito de armas”. Nestes lugares era proibido o acesso portando armamentos.


Mas, de acordo com os indicadores da época, os anos em que a população podia se armar para teoricamente “fazer frente à bandidagem” não foram de paz absoluta, mas de crescente violência, segundo dados do Ministério da Saúde e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. De 1980 até 2003, as taxas de homicídios subiram em ritmo alarmante, com alta de aproximadamente 8% ao ano. A situação era tão crítica que, em 1996, o bairro Jardim Ângela, em São Paulo, foi considerado pela ONU como o mais violento do mundo, superando em violência até mesmo a guerra civil da antiga Iugoslávia, que à época estava a todo o vapor. Em 1983 o Brasil tinha 14 homicídios por 100.000 habitantes. Vinte anos depois este número mais do que dobrou: alcançando 36,1 assassinatos para cada 100.000. Para conter o avanço das mortes foi sancionado, em 2003, o Estatuto do Desarmamento, que restringiu drasticamente a posse e o acesso a armas no país e salvou mais de 160.000 vidas, segundo estudos. Atualmente a taxa está em 29,9 o que pressupõe que o desarmamento não reduziu drasticamente os homicídios mas estancou seu crescimento.

O tema é sensível, uma vez que um grupo de deputados e senadores quer voltar para os velhos tempos, quando era possível comprar armas com facilidade. O tema ganha eco também em alguns setores da sociedade que enxergam no direito de se armar – e a reagir à violência — uma possibilidade de “salvar vidas”.

Daniel Cerqueira, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, explica que uma grave crise econômica ocorrida durante a década de 1980 ampliou a desigualdade social e foi um dos fatores responsáveis pelo aumentos das taxas de homicídio. “O que observamos é que a partir dessa que ficou conhecida como a década perdida, há uma falência do sistema de Justiça e Segurança Pública, e as pessoas, no meio desse processo, começaram a comprar mais armas”, explica. Isso fez, segundo Cerqueira, com que o ciclo de violência se autoalimentasse. “Quanto mais medo as pessoas sentem e mais homicídios ocorrem, mais elas se armam. Quanto mais se armam, mais mortes teremos”, afirma. Ele destaca que ao contrário do que frequentemente se diz, a maior parte dos crimes com morte não são praticados pelo "criminoso contumaz", e sim "pelo cidadão de bem, que em um momento de ira perde a cabeça".

Nem todos concordam com Cerqueira. “As pessoas se sentiam mais seguras naquela época”, afirma Benê Barbosa, um dos mais antigos militantes pró-armas do Brasil. Fundador do Movimento Viva Brasil e pioneiro em fazer frente ao Estatuto do Desarmamento e à “restrição do direito” de porte, ele afirma que o crime que mais preocupava era "o furto". "Na década de 1970 eu morava no litoral de São Paulo, na Praia Grande, em um bairro de ruas de terra. No verão todo mundo colocava as cadeiras na calçada e ficava conversando, ninguém tinha medo de fazer isso” relembra. De acordo com Barbosa, nos anos de 1990 deveria haver “aproximadamente meio milhão de pessoas armadas em São Paulo, e você não tinha bangue-bangue nas ruas”. Para ele, o Estatuto do Desarmamento “elitizou” a posse de armas, ao instituir a cobrança de taxas proibitivas. “Antigamente era comum pessoas de baixa renda comprarem armas. Hoje só em exames e papelada você gasta mais de 2.000 reais, dependendo do Estado”, diz.

Barbosa relembra ainda que em alguns Estados, como Minas Gerais, era possível comprar munições de baixo calibre e pólvora em lojas de ferragens e elétrica. Até 1997, o porte ilegal de arma de fogo era enquadrado apenas como uma contravenção penal, uma ofensa menor (assim como o jogo do bicho), com pena de 15 dias a seis meses de prisão ou multa – prevalecendo na maioria dos casos a segunda opção. Naquele ano foi aprovada uma lei que criminalizou o porte sem autorização devida – mas mesmo assim ainda era relativamente fácil comprar um revólver.

Acessórios fashion também tinham um tratamento especial para receber as armas. Era comum que as bolsas (principalmente masculinas), valises e maletas executivas viessem com um coldre em seu interior, um local específico para guardar a arma. E alguns fabricantes de veículos tinham modelos que já saiam de fábrica com um compartimento no forro da porta ou no porta-luvas para acomodar a pistola do motorista.

Uma das categorias profissionais que mais investia em armas como forma de proteção eram os taxistas. À época não era aceito pagamento com cartões, e os aplicativos de celular ainda eram um sonho distante. Assim, o dinheiro vivo corria solto. Natalício Bezerra Silva, 81 anos, na profissão desde os 22, lembra com pesar os muitos amigos “de praça” [ponto de táxi] que perdeu em tentativas de reação a assaltos. “Um deles foi morto com a própria arma. O ladrão estava no banco de trás, anunciou o assalto, e ele tentou pegar o revólver. O assaltante tomou dele e o matou”, recorda. Além disso, o taxista também lembra o fascínio que as armas exerciam sobre os colegas: “O sujeito ficava mostrando o revólver pra todo mundo na praça”. Atualmente Natalício é presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo. “Às vezes o cara matava alguém por uma besteira. Se estiver sem arma e com paciência, esfria a cabeça e já era”.

A falta de controle e de cultura de auto-defesa, porém, é algo que também jogaria contra a tese do rearmamento da população. O caso do adolescente de Goiás que matou dois colegas de classe há dez dias, após carregar a arma dos pais policiais para a escola sem o conhecimento deles, mostra que a facilidade do acesso abre outros perigos. Neste final de semana, na cidade de Niterói, na Grande Rio de Janeiro, o assunto também ganhou força. O prefeito Rodrigo Neves (PV) decidiu perguntar à população, por meio de um plebiscito, se a guarda municipal deveria andar armada para ampliar a segurança nas ruas.  A ideia do prefeito era encontrar apoio para a medida, num momento de forte violência na capital do Estado. Mas o resultado da votação frustrou Neves. Dos quase 19.000 eleitores que compareceram às urnas, 70% foi contra o armamento da guarda municipal, contra 28,9% que votaram a favor da proposta. A eleição era facultativa, e contou com 5,1% das pessoas que poderiam votar no pleito.

Os números da Loteca não tenho. Como prova essa matéria, sou profeta do passado.

Offline Geotecton

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #509 Online: 26 de Março de 2018, 08:45:41 »
Citação de:  El Pais
ESTATUTO DO DESARMAMENTO
[...]
Em 1983 o Brasil tinha 14 homicídios por 100.000 habitantes. Vinte anos depois este número mais do que dobrou: alcançando 36,1 assassinatos para cada 100.000. Para conter o avanço das mortes foi sancionado, em 2003, o Estatuto do Desarmamento, que restringiu drasticamente a posse e o acesso a armas no país e salvou mais de 160.000 vidas, segundo estudos. Atualmente a taxa está em 29,9 o que pressupõe que o desarmamento não reduziu drasticamente os homicídios mas estancou seu crescimento.
[...]

Quanto do crescimento do índice de assassinatos entre 1983 e 2003 é representado por mortes entre membros de gangues e do crime organizado e quanto é representado por incidentes entre cidadãos comuns?

A conclusão de que "160.000 vidas foram salvas" pode ser mais do que falaciosa (non sequitur), pode ser uma mentira deliberada.


Citação de:  El Pais
[...]
Neste final de semana, na cidade de Niterói, na Grande Rio de Janeiro, o assunto também ganhou força. O prefeito Rodrigo Neves (PV) decidiu perguntar à população, por meio de um plebiscito, se a guarda municipal deveria andar armada para ampliar a segurança nas ruas.  A ideia do prefeito era encontrar apoio para a medida, num momento de forte violência na capital do Estado. Mas o resultado da votação frustrou Neves. Dos quase 19.000 eleitores que compareceram às urnas, 70% foi contra o armamento da guarda municipal, contra 28,9% que votaram a favor da proposta. A eleição era facultativa, e contou com 5,1% das pessoas que poderiam votar no pleito.

Então posso deduzir, de forma inequívoca, que a população em geral não quer que o 'estatuto do desarmamento' seja revogado porque 70% de um percentual de 5,1% de pessoas que podiam se manifestar, em uma votação sobre posse de armas por uma guarda municipal, disseram que eram contra?
Foto USGS

Offline Pedro Reis

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #510 Online: 26 de Março de 2018, 11:13:06 »

Quanto do crescimento do índice de assassinatos entre 1983 e 2003 é representado por mortes entre membros de gangues e do crime organizado e quanto é representado por incidentes entre cidadãos comuns?

A conclusão de que "160.000 vidas foram salvas" pode ser mais do que falaciosa (non sequitur), pode ser uma mentira deliberada.

Eu não sei de onde foi tirada esta estimativa ( 160 mil ), a matéria só diz "segundo estudos". Mas se as taxas de homicídios no país citadas são fidedignas, então parecem indicar que a restrição ao porte de armas evitou muitas mortes entre 2003 e 2015. É uma conclusão lógica que para ser refutada necessitaria de dados específicos apoiando tal refutação, porque o raciocínio natural aplicado ao exame das estatísticas, sugere que um percentual muito significativo dos crimes com armas de fogo não estava relacionado à gerras entre gangues e latrocínios.

E que raciocínio natural é esse?

Se temos uma taxa de 36,1/100 mil em 2003, antes do estatuto, e agora a taxa cai para 29,9, sendo razoável supor que nos últimos 15 anos a criminalidade comum, profissional, aumentou absurdamente, isso não parece indicar outra coisa senão que boa parte daqueles 36 assassinatos por 100 mil habitantes não decorria da criminalidade comum.

Certo? A menos que se prove o contrário, a taxa de assassinatos relacionados ao crime profissional deve ter crescido de 2003 pra cá, portanto deveria ser inferior aos 29,9 por 100 mil atuais. Inferior quanto? Não saberia dizer e também não sei como fizeram a estimativa referida na matéria, mas suponha, por exemplo, que fosse uma taxa de 25 por 100 mil: isso significaria que a maior parte dos 11,1 assassinatos para cada 100 mi hab. ( diferença entre 36.1 e 25 ) estava mesmo relacionado ao porte generalizado de armas por pessoas comuns.

https://g1.globo.com/politica/noticia/taxa-de-homicidios-no-brasil-aumenta-mais-de-10-de-2005-a-2015.ghtml

Se tanto o gráfico do IPEA, apresentado no link acima, quanto os dados da matéria do El País, forem confiáveis, então o que vemos é que apenas dois anos após a vigência do estatuto ( que não desarmou ninguém, só estringiu o porte ) a taxa de homicídios despenca de 36,1 para 26. Uma redução de cerca de 28%. Se a média anual estava em torno de 50 mil mortes em 2003, isso representaria 14 mil vidas salvas em 2005, ou cerca de 28 mil vidas entre 2003 e 2005.

Essa inferência é bastante imprecisa e necessitaria levar muitos outros dados em consideração, porém em linhas gerais o raciocínio faz todo sentido, e, portanto, a princípio a estimativa referida pelo artigo não é absurda.

Independentemente até de dados, é bastante razoável supor que muitas mortes patéticas, como essa registrada no vídeo abaixo, tenham sido evitadas pelo simples fato de pessoas em um momento de cabeça quente não estarem portando armas.


Se o jornalista ou os autores do citado estudo tinham motivações para mentir... não sei. Mas o evidente é que nesse debate pró e contra desarmamento a maior motivação econômica ( e por conseguinte o investimento ) só pode estar do lado do lobby da indústria armamentista, que até financia campanhas de uma bancada de parlamentares dedicada a defender seus interesses. E pode muito bem estar financiando porta-vozes e ativistas como o Sr. Benê Barbosa também.

Um lobby que não prima pela honestidade intelectual nos seus argumentos, chegando ao absurdo de propor que o estatuto do desarmamento tem por finalidade velada desarmar o povo para a implantação de uma ditadura, com comparações historicamente pouco confiáveis com Hitler e Stalin. Além de disseminar deliberadamente várias outras mentiras desse tipo.



Citação de: Geotecton
Então posso deduzir, de forma inequívoca, que a população em geral não quer que o 'estatuto do desarmamento' seja revogado porque 70% de um percentual de 5,1% de pessoas que podiam se manifestar, em uma votação sobre posse de armas por uma guarda municipal, disseram que eram contra?

Sem dúvida não se pode deduzir de forma inequívoca. Por isso mesmo a matéria cita o fato sem fazer essa dedução.


Offline Gauss

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #511 Online: 26 de Março de 2018, 18:17:26 »
Vejam bem, é óbvio que mais armas=mais mortes causadas por armas.

Assim como mais carros=mais mortes envolvendo carros.

Isso é uma lógica matemática. Mas não me parece nem um pouco que o número de armas na mão de cidadãos 'aptos' para ter uma arma sejam o mais importante para o aumento da criminalidade e dos homicídios.

1 - Como se tem certeza que o cidadão é apto?
[...]
Exato. Eles pecam ao confundir Nazismo e Autoritarismo, com se fossem sinônimos.

O desarmamentismo é um conceito autoritário, mas nem todo desarmamentista é um nazista ou comunista. É apenas autoritário nesta instância.

Controle de armas não é desarmamento. A não ser que esse "controle" seja previsto em um estatuto que tem esse objetivo mais que explícito, como no Brasil.

Eu sou contra o desarmamento de cidadãos cumpridores da lei, mas também sou a favor de um controle da venda de armas.  Se eu pudesse criar um estatuto para comercialização de armas de fogo no Brasil, seria assim:
*Idade mínima de 21 anos.
*Necessidade de ter ficha limpa e não responder a processos jurídicos.[1]
*Ter de fazer uma CNH, com exame toxicológico, psicotécnico e aulas práticas e teóricas.
*Limite de 10 armas por cidadão, e direito de comprar até 100 munições por arma ao mês.
*Calibres restritos conforme legislação vigente.

Não haveria necessidade de um cidadão justificar de porque querer fazer sua CNH e comprar a sua arma, como a comédia do desarmamento faz, por exemplo. Seria uma legislação bastante liberal em relação ás armas, mas também não seria um "liberou geral".

[1] às vezes poderia acontecer de alguém com porte matar alguém em uma situação de autodefesa. Nesse caso necessitaria de uma correção da lei para esses casos. Talvez uma segurança jurídica maior para a legítima defesa, e uma exceção neste caso para o estatuto.

Citar
2 - Será que esse Bene Barbosa não recebe um jabá para fazer esse lobby?
É possível. Será que o Instituto Igarapé e o Sou da Paz não recebe um jabá de partido e organizações para fazer esse lobby (este lobby tá dando certo)?

Citar
Porque pode haver essa suspeita sobre quem faz campanha pró-porte de arma, mas quem é contra não tem como estar recebendo da indústria.
Mas podem estar recebendo de partidos e organizações obscuras. Ou pior, do próprio governo.

Citar
Outra coisa, acho que os argumentos dele seletivos. Se não me engano, entre os países ricos, os EUA são o que registram maior número de homicídios por armas de fogo. Mas esse tipo de dado ele não cita.
Isso é óbvio. Mais armas, mais mortes por arma de fogo. Ninguém nega isso.
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Offline Gauss

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #512 Online: 26 de Março de 2018, 18:27:29 »
Citação de:  El Pais
[...] Para conter o avanço das mortes foi sancionado, em 2003, o Estatuto do Desarmamento, que restringiu drasticamente a posse e o acesso a armas no país e salvou mais de 160.000 vidas, segundo estudos. Atualmente a taxa está em 29,9 o que pressupõe que o desarmamento não reduziu drasticamente os homicídios mas estancou seu crescimento.[...]
Aguardo a publicação de tais estudos para eu poder ver a metodologia. Gostaria de ver se tais estudos levam em consideração a motivação dos homicídios. É muito mais provável que a relação causal destas mortes sejam mais influenciados por fatores como tráfico de drogas, furtos e roubos do que por um cidadão apto poder comprar uma arma.

Citar
Os números da Loteca não tenho. Como prova essa matéria, sou profeta do passado.

Realmente, era algo absurdo. Estamos muito mais seguros agora.

Aqui temos exemplos de cidadãos cumpridores da lei, que compraram suas armas respeitando o estatuto, apenas para defender a sua casa.



Já o seu José da Quitanda, não pode nem defender a sua casa ou o seu negócio pois o Delegado da PF não considera legítima defesa com um bom argumento para ter posse de arma, e os roubos a domicílio aumentam a cada ano.
http://jornaldesantacatarina.clicrbs.com.br/sc/geral/noticia/2016/02/aumento-da-criminalidade-desafia-sociedade-e-autoridades-em-blumenau-4977027.html
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Offline André Luiz

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #513 Online: 26 de Março de 2018, 19:24:04 »
Já ouvi de policial que esses malandros não sabem atirar, tipo stormtrooper, pois essas armas são muita areia pro caminhãozinho deles.

Mas eu duvido

Offline Gauss

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #514 Online: 26 de Março de 2018, 21:03:51 »
Já ouvi de policial que esses malandros não sabem atirar, tipo stormtrooper, pois essas armas são muita areia pro caminhãozinho deles.

Mas eu duvido
Eles com certeza não tem a perícia de um policial, mas matam...
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Offline Agnoscetico

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #515 Online: 26 de Março de 2018, 22:08:04 »
Citação de:  El Pais
[...] Para conter o avanço das mortes foi sancionado, em 2003, o Estatuto do Desarmamento, que restringiu drasticamente a posse e o acesso a armas no país e salvou mais de 160.000 vidas, segundo estudos. Atualmente a taxa está em 29,9 o que pressupõe que o desarmamento não reduziu drasticamente os homicídios mas estancou seu crescimento.[...]
Aguardo a publicação de tais estudos para eu poder ver a metodologia. Gostaria de ver se tais estudos levam em consideração a motivação dos homicídios. É muito mais provável que a relação causal destas mortes sejam mais influenciados por fatores como tráfico de drogas, furtos e roubos do que por um cidadão apto poder comprar uma arma.

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Os números da Loteca não tenho. Como prova essa matéria, sou profeta do passado.

Realmente, era algo absurdo. Estamos muito mais seguros agora.

Aqui temos exemplos de cidadãos cumpridores da lei, que compraram suas armas respeitando o estatuto, apenas para defender a sua casa.



Já o seu José da Quitanda, não pode nem defender a sua casa ou o seu negócio pois o Delegado da PF não considera legítima defesa com um bom argumento para ter posse de arma, e os roubos a domicílio aumentam a cada ano.
http://jornaldesantacatarina.clicrbs.com.br/sc/geral/noticia/2016/02/aumento-da-criminalidade-desafia-sociedade-e-autoridades-em-blumenau-4977027.html

Disse que não gota de discussões sobre desarmamento poi muitas vezes termina em polarizações superficiais ou coisa assim, mas sempre vejo usar argumentos já tratados muitas páginas atrás. Esse tópico parece que tá num loop.

Então vou repetir as mesmas contra-argumentações, "Pra alegações repetidas, contra-alegações repetidas": Se não existisse fábricas de armas de fogo em primeiro lugar, esse problema não existiria. E ainda que venha argumentar obre outras armas, como brancas, que tem poder de alcance menor, já adianto, que a chance desse tópico se repetir Ad Infinitum são grandes.

Offline Agnoscetico

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #516 Online: 01 de Abril de 2018, 17:40:57 »

O Artur do Val ter armas de fogo, então os argumentos armamentistas não teriam muito sentido, certo?

<a href="https://www.youtube.com/v/hKUudxDYpq0" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/hKUudxDYpq0</a>





Offline Gauss

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #519 Online: 16 de Julho de 2018, 20:04:00 »
Chegamos ao ponto de usar o Buzzfeed para defender a narrativa progrechata. :hihi:
“A matemática é a rainha das ciências.”
Carl Friedrich Gauss.


Offline Muad'Dib

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #521 Online: 16 de Julho de 2018, 22:03:08 »
Que coisa insana. Como pode uma pessoa não perceber que está sendo gozada com uma trollagem descarada dessa?

Offline Buckaroo Banzai

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #522 Online: 16 de Julho de 2018, 22:16:35 »
Lei de Poe.

No caso, lei de pow-pow-pow!

[/infame]


Que uma pessoa fosse tapeada, até que okay. Mas ele pegou vários.





Chegamos ao ponto de usar o Buzzfeed para defender a narrativa progrechata. :hihi:

A "agenda anti-tragédia progressista/liberal." :biglol:

Offline Pedro Reis

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #523 Online: 24 de Agosto de 2018, 22:19:25 »
Tem que liberar o porte de armas mesmo. Vai dar certo sim!

Melhor Jair se acostumando.



Idoso passa mal na praia de Copacabana e vários populares querem ajudar. Começa uma discussão sobre a melhor maneira de ajudar. Um dos caras que quer ajudar dá um tiro em outro cara que quer ajudar...

Citação de: Oglobo.com
RIO — Uma discussão em uma uma barraca na orla de Copacabana, Zona Sul do Rio, terminou com um de seus frequentadores baleados. A ação aconteceu na tarde deste domingo, próximo à Rua Bolívar. A vítima, que, de acordo com testemunhas, teria sido ferida por um suspeito que trabalha no local, foi socorrida e levada para o Hospital municipal Miguel Couto, na Gávea, também na Zona Sul. De acordo com parentes, ferido no pescoço, Bruno Lima, de 36 anos, chegou a passar por cirurgia, mas seu estado de saúde é considerado estável.

Segundo parentes da vítima, a confusão começou depois que um senhor passou mal próximo à barraca. O irmão da vítima, Álvaro Lima, de 43 anos, conta que tentou ajudar o senhor, já que "possui conhecimentos em primeiros socorros". O suposto funcionário da barraca, relatou outro parente, queria que o idoso ficasse sentado. A discussão começou em seguida.


— Tenho conhecimentos em primeiro socorros e disse que precisava ajudar o senhor que estava passando mal. Que iria ajudar o cara. Ele então puxou a arma e apontou para mim — relatou Álvaro.

Foi nesse momento em que Bruno entrou na discussão. Disse que "ninguém iria atirar no irmão". O homem que estava armado, então, efetuou um disparo, ferindo-o na altura do pescoço.

[...]



Leia mais: https://oglobo.globo.com/rio/homem-baleado-durante-discussao-na-orla-de-copacabana-22993255#ixzz5P9GG8fQ8
stest






Offline Buckaroo Banzai

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Re:A Falácia da Liberação das Armas de Fogo
« Resposta #524 Online: 24 de Agosto de 2018, 22:45:41 »
Isso é tão ridículo que seria absolutamente idiota se fosse inventado como "tragi-fanfic" desarmamentista.

"Eu sou um cidadão de bem! Vou ajudar este senhor!"

"Não! Eu é que sou cidadão de bem!!!! Pode deixar que eu ajudo!!!!"

"Não, eu sou mais de bem que você!!! Você quer ajudar a ele só porque ele é negro, seu esquerdista! Eu não vejo raça para estender a mão! MORRA, RACISTA!!!!!!111"

 

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