Autor Tópico: O fim do emprego  (Lida 2237 vezes)

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Offline Buckaroo Banzai

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Re:O fim do emprego
« Resposta #50 Online: 30 de Junho de 2017, 21:02:11 »
Também é uma história de conflitos violentos por recursos. Ficção científica é relativamente fácil imaginar, sejam utópicas ou distópicas. Mas acho que não é muito comum se acertar.

Mesmo fora dela acho que as pessoas geralmente erram mais com otimismo demais, como de que vai ter dinheiro para tudo no futuro, com um monte de países rumando para crises de dívida e tudo mais.

Pode bem tudo ser bobagem e nada com o que se preocupar... mas por enquanto parece que o melhor é ter uma reforma significativa da previdência mesmo.

Vivendo esses dias, com esse tipo de problema, em escala internacional até, é difícil levar muito a sério as perspectivas cornucopistas futuristas... lembram demais as do presente. Deturpando um pouco alguma colocação de Sam Harris, fica sendo meio algo como estar já se cogitando soluções dos problemas para superpopulação que será enfrentada em Marte... para passar o tempo, preso no tráfego/formigueiro.

Ainda assim, acho inspiradoras as inovações tecnológicas já do presente, que parecem particularmente promissoras para problemas do terceiro mundo e etc. Não chegam a me deixar confiante num comunismo do futuro como daquela ilustração de livro didático diversas vezes postada por aqui, mas ao menos sugere a possibilidade de ganhos significativos, mesmo que fundamentalmente ainda dentro de uma economia de mercado, ainda que em longo prazo deva ser uma que leva em maior consideração o custo dos recursos naturais, em vez deste ser apenas o do extrativismo.

Offline -Huxley-

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Re:O fim do emprego
« Resposta #51 Online: 30 de Junho de 2017, 21:07:34 »
Na minha opinião, a maior ameaça para a humanidade não está na escassez de recursos, mas na abundância de armas de destruição em massa.


Offline Buckaroo Banzai

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Re:O fim do emprego
« Resposta #52 Online: 30 de Junho de 2017, 21:10:56 »
Isso definitivamente também não ajuda. Talvez contra asteróides e cometas. Mas contra supernovas, não valem de nada. :/


Ainda que a política "MAD" talvez possa ter um efeito de reduzir conflitos maiores... ou entre certos agentes... fica tudo dependendo de não haver alguns indivíduos "MAD" o suficiente para pôr tudo a perder...

Offline -Huxley-

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Re:O fim do emprego
« Resposta #53 Online: 10 de Julho de 2018, 01:06:43 »
Antes de o emprego se extinguir, uma pergunta que atormenta muitas pessoas é: "será que minha profissão será extinta em breve?". Uma resposta tipo "bola de cristal" é impossível, mas existe uma resposta probabilística: pergunte ao especialista Lindy. Pelo efeito Lindy, "espera-se que o velho viva mais do que o novo, em proporção à sua idade". Li por aí que um estudo da Universidade de Havard mostrou que a profissão mais antiga do mundo é a de cozinheiro (contrariando as expectativas da crença popular  :hihi:). Assim sendo, espera-se que cozinheiro, prostituta e agricultor tenham mais probabilidade de continuar existindo como profissões nas próximas décadas do que atividades profissionais mais recentes. Quem é empregado ou funcionário público, talvez deveria perguntar a quanto tempo existe a instituição da estabilidade empregatícia do empregado ou do servidor público no seu país - pode ser que o governo mude sua atividade e você escape do desemprego por causa disso.

Outra reflexão interessante sobre esse tópico. "Pessoa com emprego extinto" não quer dizer " pessoa economicamente inativa". A razão é que quando a robotização e a inteligência artificial atingirem níveis extremos, talvez a situação de pós-escassez já tenha se estabelecido. Com a tecnologia empurrando o custo marginal dos bens a próximo de zero, o que aconteceria seria que mesmos os trabalhadores autônomos poderão ter acesso a bens físicos de capital a preços acessíveis. Podemos fazer uma analogia com o mercado de bens digitais atualmente, que já têm custo marginal negligível. Hoje em dia, existem modelos de negócios que cobram preços diferentes de acordo com a capacidade de dispêndio dos consumidores, e um desses preço é ZERO. O último caso é o que se chama de Freemium, mas, como já mencionei, existe o modelo misto do "tem de tudo e tem para todos". No futuro, todos ou quase todos, poderão ser cyborgs ou ter acesso a fabricação digital desktop a preços acessíveis. Lembrando que, por volta de 1900, pelo menos em certos países, a maioria das pessoas eram trabalhadores autônomos rurais, portanto não há muita novidade nesse padrão de "pessoa economicamente ativa sem emprego" (re)aparecer.

Parte do que escrevi no último parágrafo foi inspirado nas ideias do economista Jeremy Rifkin expostas no livro Sociedade com Custo Marginal Zero.
« Última modificação: 10 de Julho de 2018, 01:20:08 por -Huxley- »

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O fim do emprego
« Resposta #54 Online: 10 de Julho de 2018, 14:14:35 »
O cozinheiro que poderá continuar existindo será o tipo "chef", não o virador de hambúrgueres.



E mesmo os chefs deverão ser eliminados em grande escala, permanecendo aqueles que conseguirem deter um status de "celebridade".

 

Offline -Huxley-

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Re:O fim do emprego
« Resposta #55 Online: 10 de Julho de 2018, 22:54:18 »
Eu sou extremamente cético desse lance de análise de utilidade para prever a duração de itens não-perecíveis. Nunca vi alguém dessa linha argumentativa mostrar um histórico de acertos quantitativos convincente. Já a expectativa de vida de itens não-perecíveis que tratei está no Efeito Lindy, demonstrado por Benoit Mandelbrot (1997), que é uma média probabilisticamente derivada. Por exemplo, o físico Richard Gott, em maio de 1993, fez uma lista dos espetáculos da Brodway e previu que os que estavam a mais tempo em cartaz durariam mais tempo, e vice-versa. No fim, ele estava certo, com uma precisão de 95%. Seu raciocínio previsor foi publicado na Nature (1993,1994) e discutido nos livros de Martin Rees (2003) e Nick Bostron (2002).
« Última modificação: 10 de Julho de 2018, 22:58:25 por -Huxley- »

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O fim do emprego
« Resposta #56 Online: 11 de Julho de 2018, 11:21:13 »
O exemplo da "longevidade" de espetáculos parece novamente uma questão de status/celebridade. Como essa "fórmula" prevê a substituição de coisas com substitutos funcionais onde esse efeito for mais reduzido ou "nulo"? Talvez "transferido" para algumas empresas principais do ramo.

Como modelos de utensílios, computadores.

Ou mesmo as próprias profissões. Se imigrantes "roubaram os empregos" de uma área rapidamente, então não deve ser tão espantoso que automação possa fazer o mesmo.


Citar
[...] Restaurants Have a Higher Concentration of Foreign-Born Workers than the Overall U.S. Economy. More than 23 percent of individuals employed at restaurants are foreign-born, versus 18.5 percent for the overall economy. (“Compilation of Wage and Labor Research Conducted in Recent Years,” National Restaurant Association Industry Wage and Labor Research, September 2016 Update)
Forty-Three Percent of Restaurant Chefs are Foreign-Born, as are 25 Percent of Restaurant Managers. (“Compilation of Wage and Labor Research Conducted in Recent Years,” National Restaurant Association Industry Wage and Labor Research, September 2016 Update)
Immigrants Are Also More Likely to be Business Owners in The Restaurant Industry. Twenty-nine percent of businesses in the combined restaurant/hotel sector are immigrant-owned, compared to just 14 percent of all U.S. firms. (“Compilation of Wage and Labor Research Conducted in Recent Years,” National Restaurant Association Industry Wage and Labor Research, September 2016 Update) [...]

https://www.nmrestaurants.org/immigrants/

Citar
[...] It’s clear from the data that restaurants depend on undocumented workers for labor. Eleven percent of all U.S. restaurant and bar employees are undocumented immigrants, according to the Pew Research Center. At current industry employment levels, that translates to roughly 1.3 million people. [...]

https://www.washingtonpost.com/news/wonk/wp/2017/02/17/restaurants-imagined-a-day-without-immigrants-in-one-city-last-year-it-actually-happened/?utm_term=.6acfb39b3e5b

Apesar de imigrantes em alguns casos também poderem dispor da vantagem competitiva de "comida étnica", ainda que isso não seja sempre uma vantagem, e a proporção dos países de origem daqueles trabalhando em cozinhas provavelmente não corresponder muito com isso.








http://www.pewhispanic.org/2015/03/26/appendix-b-additional-national-tables-and-chart/




Por outro lado, essa "permeabilidade" a mão de obra barata também deve significar que a automação tem que baratear muito para substituí-la. Mas talvez não seja tão diferente de caixas de bancos e mercados e coisas assim.

Offline -Huxley-

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Re:O fim do emprego
« Resposta #57 Online: 11 de Julho de 2018, 14:00:42 »
O exemplo da "longevidade" de espetáculos parece novamente uma questão de status/celebridade. Como essa "fórmula" prevê a substituição de coisas com substitutos funcionais onde esse efeito for mais reduzido ou "nulo"? Talvez "transferido" para algumas empresas principais do ramo.

Como modelos de utensílios, computadores.

A questão da regularidade observada da expectativa de vida de itens não perecíveis é empírica, e dispensa testes explícitos de teorias. Se você fizesse uma descrição gráfica da distribuição de probabilidade da expectativa de vida de itens perecíveis, como organismos biológicos humanos, você veria uma curva da família gaussiana (por exemplo, uma semelhante a curva em forma de sino).  Todavia, se fizesse isso com a expectativa de vida de itens não perecíveis veria uma distribuição de probabilidade de curva de caudas gordas, como as tipicamente tratadas pela Teoria dos Valores Extremos. Para visualizar isso, basta entender que você não vê por aí gente com expectativa de vida de muitos milhares de anos, mas é possível sim saber de profissões que tem muitos milhares de anos.  Enquanto em um caso, tem-se a "província" dos valores medíocres, do outro tem-se a "província" dos valores gigantes ou anões. Isso significa que dizer que as coisas que duraram X anos, terão, em média, expectativa de vida adicional de X anos. Isso é simplesmente a consequência do efeito "o-vencedor-leva-tudo" do Extremistão. Todavia, isso não quer dizer que eu possa afirmar que a World Wide Web só durará mais 29 anos, pois trata-se aqui apenas de uma média probabilisticamente derivada.  Veja que também não é preciso que se tenha uma teoria sobre como o Extremistão é formado para se atestar que existe uma regularidade empírica como a que o cientista matemático Benoit Mandelbrot descreveu. Regularidade essa que é chamada de Efeito Lindy.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O fim do emprego
« Resposta #58 Online: 11 de Julho de 2018, 19:29:30 »
Eu não entendi...

A minha comparação foi que tecnologias "velhas" vão sendo substituídas por novas, sendo até algo independente da durabilidade de aparelhos individuais (empresas vão fazer upgrades e descartar maquinário ainda funcional).

Talvez haja ainda gráficas que usem linotipo ou prensas com tipos móveis, mas isso deve ser ou como um símbolo de status de ter um processo-museu para algumas encomendas de luxo, ou por precariedade extrema, em algum buraco parado no tempo como Cuba, enquanto que todas as demais vão usar maquinário muito mais moderno.

O mesmo em tese deve ocorrer com humanos e autômatos, para qualquer área em que houver autômatos a um preço competitivo (talvez até na profissão concorrente à mais antiga), exceto se o fator humano representar um status adicional. Que deve ser mais o caso de chefs renomados, e não dos que se aproximam de adolescentes viradores de hambúrguer que talvez devessem usar mordaças e dispositivos de segurança diversos para evitar de cuspirem ou secretarem outras coisas na comida das pessoas.

<a href="https://www.youtube.com/v/kWdsE9P6Kdc" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/kWdsE9P6Kdc</a>

Esses "cozinheiros" do primeiro restaurante são bem prováveis de serem não muito tarde substituídos junto do resto da automação.


<a href="https://www.youtube.com/v/B4_C1BmT-R8" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/B4_C1BmT-R8</a>

Junte isso com carros-robôs com uma prograçãoa especial, e você acaba com pizzarias e com os motoqueiros entregadores...

Ainda que drones possam agilizar a coisa ainda mais...

Offline -Huxley-

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Re:O fim do emprego
« Resposta #59 Online: 11 de Julho de 2018, 20:56:53 »
Isso é falso. Uma tecnologia, sendo informativa e não física, não envelhece organicamente como os seres humanos. A roda não é "velha" no sentido que sofra degeneração. Ademais, em termos de poder das contribuições geracionais, a tecnologia "jovem" estatisticamente não faz quase nada. Isso não quer dizer que todas as tecnologias não envelhecem; apenas que as tecnologias propensas ao envelhecimento já estão mortas.

Roda, cadeira, vinho, panela, talher, faca, preservativo não são tecnologias que já foram substituídas, a despeito de seu tempo de existência enorme. Agora, liste quantos "aplicativos matadores do momento" já foram extintos.
« Última modificação: 11 de Julho de 2018, 21:13:16 por -Huxley- »

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O fim do emprego
« Resposta #60 Online: 11 de Julho de 2018, 22:06:23 »
O que exatamente é falso?

Eu nunca disse que tecnologia "envelhece organicamente". A tecnologia de linotipos também não é velha no sentido de sofrer degeneração, mas offset e outras tecnologias tornam tudo significativamente mais prático, barato, e flexível.

E mesmo com computadores, já se podia fazer fotolitos para um jornal fundamentalmente idêntico a qualquer atual com a tecnologia de PCs baratos do começo dos anos 90 (pelo menos), mas nem por isso os 286/386 e o software daquele tempo sobrevivem significativamente com essa aplicação (hoje um telefone celular tem maior potência).

Tecnologia mais nova pode não dar uma contribuição significativa a ponto de qualquer nova versão já compensar trocar equipamento (ou software) funcional, mas isso ainda assim ocorre periodicamente, com um acúmulo um pouco maior de pequenos acréscimos. A troca não vai se dar por este acúmulo fazer deles necessariamente um novo requerimento absoluto; em parte se dá porque as empresas que criam a tecnologia deixam de fazer o modelo anterior/obsoleto, e, individualmente, o equipamento tem uma vida útil, e precisa ser trocado, até mesmo em antecipação ao fim dessa vida útil (isso é, não esperando pifar para atualizar). Talvez seja uma manifestação da "lei de Parkinson", e/ou o "paradoxo de Jevons".

Roda, cadeira, vinho, panela, faca... não são coisas para as quais existiram substitutos equivalentes e mais competitivos em preço. Diferentemente de certas movimentações manuais realizadas por humanos, e potencialmente, qualquer uma.

Offline -Huxley-

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Re:O fim do emprego
« Resposta #61 Online: 11 de Julho de 2018, 23:20:38 »
O que exatamente é falso?


Falso é negar que o não-perecível velho prevalece sobre o não-perecível novo. Nenhum dos exemplos que você citou de acréscimos refuta o Efeito Lindy. Esses "acréscimos" da recentidade, como a história da tecnologia mostra, geralmente são coisas temporalmente frágeis que futuramente serão substituídas por outras coisas (provavelmente temporalmente frágeis também). A expectativa de vida adicional de coisas não-perecíveis que existem há "X poucos anos" tendem a durar mais "X poucos anos". Mas se a coisa sobreviveu X + Y anos, então é esperado, em média, ela sobreviver adicionalmente X + Y anos. E assim por diante, como mostra a regra matemática de Benoit Mandelbrot.
« Última modificação: 11 de Julho de 2018, 23:40:47 por -Huxley- »

Offline AlienígenA

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Re:O fim do emprego
« Resposta #62 Online: 12 de Julho de 2018, 09:34:32 »
O que exatamente é falso?


Falso é negar que o não-perecível velho prevalece sobre o não-perecível novo. Nenhum dos exemplos que você citou de acréscimos refuta o Efeito Lindy. Esses "acréscimos" da recentidade, como a história da tecnologia mostra, geralmente são coisas temporalmente frágeis que futuramente serão substituídas por outras coisas (provavelmente temporalmente frágeis também). A expectativa de vida adicional de coisas não-perecíveis que existem há "X poucos anos" tendem a durar mais "X poucos anos". Mas se a coisa sobreviveu X + Y anos, então é esperado, em média, ela sobreviver adicionalmente X + Y anos. E assim por diante, como mostra a regra matemática de Benoit Mandelbrot.

Atividades, como cozinhar, continuarão a existir, podendo ser executadas por pessoas, mas não necessariamente precisarão ser executadas por pessoas, assim como diversas outras. Não é a expectativa de vida adicional das atividades que está em questão, mas a necessidade da participação humana, onde a automação possa substituí-la de forma mais eficiente e mais barata, gerando um crescente desemprego. Certamente teremos que repensar nossas estratégias, pois sem demanda, não faz sentido investir, contudo a fase de transição é preocupante.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O fim do emprego
« Resposta #63 Online: 12 de Julho de 2018, 10:04:39 »
Toda atividade manual humana é mais velha do que a automatização dela, que provavelmente se tornou regra da indústria em algum momento ou outro.

Mas é claro que atividade manual em absoluto não vai acabar.

O mesmo deve valer para tecnologias também extremamente primitivas e simples.

Mas não vemos mais Ford model Ts andando por aí regularmente.

Marias-fumaça também devem ter sido largamente suplantadas e hoje em dia ainda existir apenas ou por pobreza extrema ou como curiosidade museo-turística.

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Re:O fim do emprego
« Resposta #64 Online: 12 de Julho de 2018, 11:14:59 »
Toda atividade manual humana é mais velha do que a automatização dela, que provavelmente se tornou regra da indústria em algum momento ou outro.

Mas é claro que atividade manual em absoluto não vai acabar.

O mesmo deve valer para tecnologias também extremamente primitivas e simples.

Mas não vemos mais Ford model Ts andando por aí regularmente.

Marias-fumaça também devem ter sido largamente suplantadas e hoje em dia ainda existir apenas ou por pobreza extrema ou como curiosidade museo-turística.

O que você descreveu reforça ainda mais a validade do Efeito Lindy.  A pergunta que o Efeito Lindy responde é: "Qual a expectativa de vida adicional dos itens não perecíveis que existem atualmente?". O Efeito Lindy não diz que todas as tecnologias não envelhecem; apenas que as tecnologias propensas ao envelhecimento já estão mortas. O Ford T já está extinto. E, da mesma forma que existem gerações high tech de automóveis, também existem gerações high tech de profissões antigas. Se você por definição para essas gerações de invenções como "tecnologia", só vai encontrar ainda mais corroboração para o Efeito Lindy. Pois as gerações de invenções são temporalmente frágeis e também obedecem a regra matemática de Mandelbrot.

"Análise de futurologia da utilidade dos itens perecíveis" não é algo que tem corroboração preditiva. Efeito Lindy, sim.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O fim do emprego
« Resposta #65 Online: 12 de Julho de 2018, 11:32:05 »
Eu não estou me propondo a refutar o tal "efeito Lindy", apenas a noção (ou aplicação específica) de que o trabalho manual humano vai durar "para sempre".

Deve ter deixado já de ser o caso para inúmeros trabalhos manuais automatizados.

O mais relevante deve ser haver tecnologia alternativa a um preço competitivo. Geralmente ela apenas não será no caso de um negócio começado "do zero" (isso é, é mais barato você ser cozinheiro no restaurante/lanchonete que vai abrir, do que comprar um sistema automático), mas em algum dado momento tais negócios em si já podem ser natimortos, dependendo do que houver estabelecido no mercado (a longevidade de novos pequenos mercados que se proponham a concorrer com walmarts, sem diferenciação deles, deve ser muito curta).

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Re:O fim do emprego
« Resposta #66 Online: 12 de Julho de 2018, 11:43:27 »
Eu não estou me propondo a refutar o tal "efeito Lindy", apenas a noção (ou aplicação específica) de que o trabalho manual humano vai durar "para sempre".

Deve ter deixado já de ser o caso para inúmeros trabalhos manuais automatizados.

O mais relevante deve ser haver tecnologia alternativa a um preço competitivo. Geralmente ela apenas não será no caso de um negócio começado "do zero" (isso é, é mais barato você ser cozinheiro no restaurante/lanchonete que vai abrir, do que comprar um sistema automático), mas em algum dado momento tais negócios em si já podem ser natimortos, dependendo do que houver estabelecido no mercado (a longevidade de novos pequenos mercados que se proponham a concorrer com walmarts, sem diferenciação deles, deve ser muito curta).

Não há dicotomia de trabalho manual versus trabalho não manual. Mesmo as profissões mais antigas já passaram por uma virtualização dos processos - isto é, menos atividade física e mais relação de complementaridade do intelecto humano com bens de capital moderno -, mostrando que o enfraquecimento da sua concepção original não resulta necessariamente em extinção.
« Última modificação: 12 de Julho de 2018, 12:43:32 por -Huxley- »

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O fim do emprego
« Resposta #67 Online: 12 de Julho de 2018, 13:37:04 »
O que eu disse independe de qualquer dicotomia, o cerne é que barateamento de um novo mecanismo tenderá a substituir um mecanismo anterior. Não importa se são mais significativamente realizados por mãos ou cérebros.

Offline -Huxley-

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Re:O fim do emprego
« Resposta #68 Online: 12 de Julho de 2018, 14:35:49 »
O que eu disse independe de qualquer dicotomia, o cerne é que barateamento de um novo mecanismo tenderá a substituir um mecanismo anterior. Não importa se são mais significativamente realizados por mãos ou cérebros.

As substituições resistem em aparecer, pois as profissões de origem remota se reinventam para agregar valor de conhecimento de especialista. E dado que existe presença de valor novo, o barateamento do mecanismo não necessariamente compensa. Para cada barateamento de mecanismo, haverá um valor que um especialista manejando bens de capital tão modernos quanto o do consumidor de mão de obra mecanizada poderá fornecer com qualidade superior.
« Última modificação: 12 de Julho de 2018, 14:42:36 por -Huxley- »

Offline -Huxley-

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Re:O fim do emprego
« Resposta #69 Online: 12 de Julho de 2018, 14:52:10 »
Em profissões que lidam com economia do conhecimento, à medida que o progresso tecnológico avança, o retorno do trabalho não necessariamente se defasa em relação ao retorno do capital.

Pensar o contrário é cair no mito do Exterminador do Futuro. Ver a palestra Três Mitos sobre o Futuro do Trabalho no Ted Talks.
« Última modificação: 12 de Julho de 2018, 15:39:40 por -Huxley- »

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O fim do emprego
« Resposta #70 Online: 12 de Julho de 2018, 17:42:50 »
Seja lá como for, o certo é que deixamos a idade da pedra, a tecnologia evolui, e profissões se extinguem, por mais que isso não se dê de qualquer forma que... se pudesse imaginar equivocadamente que fosse ser o caso.

Acho que para uma boa parte das pessoas deve haver um maior apelo em lanches baratos mas mesmo outras refeições, quando produzidos por máquinas, versus adolescentes frustrados de calças frouxas, longe da vista.

Offline AlienígenA

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Re:O fim do emprego
« Resposta #71 Online: 12 de Julho de 2018, 23:02:08 »
Em profissões que lidam com economia do conhecimento, à medida que o progresso tecnológico avança, o retorno do trabalho não necessariamente se defasa em relação ao retorno do capital.

Pensar o contrário é cair no mito do Exterminador do Futuro. Ver a palestra Três Mitos sobre o Futuro do Trabalho no Ted Talks.
A palestra encerra com uma questão que seria a síntese do que estamos debatendo: como dividir o bolo numa suposta realidade de escassez de emprego/serviços? Embora a tecnologia tenha promovido maior bem estar para um maior número de pessoas é fato que a maior parte das riquezas se concentra nas mãos de poucos, com uma grande parcela no extremo oposto, passando fome, não devido a escaasez de alimentos. Se com a média atual de seis por cento de desemprego mundial, pelo que estive pesquisando, a divisão do bolo já é um problema, com um suposto aumento dessa média, o problema tende a se agravar. Enfim, assim como na questão do aquecimento global, não vejo motivos para otimismo. E juntando as duas coisas, muito menos. São duas questões que pedem mudanças que não me parece que eatamos dispostos a fazer de boa vontade.

Offline -Huxley-

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Re:O fim do emprego
« Resposta #72 Online: 12 de Julho de 2018, 23:37:39 »
O "dividir bolo" da economia mais legítimo é devolver o bolo que é retirado dos pobres em coisas que diminuem a concorrência e competitividade do mercado - tarifaço de importação, monopólio público, etc. - e a liberdade de eles empreenderem - nos países subdesenvolvidos, o empreendedorismo de necessidade é bastante frequente, mas os governos transformam a vontade dos candidatos a pequenos empreendedores num martírio.

Tudo o mais é jogo de soma positiva desigual. Ninguém é pobre porque fulano ficou rico legitimamente.

Mesmo no caso de limites ao direito de propriedade privada por meio de transferência de renda entre as classes sociais, deve-se levar em conta que a parte mais difícil envolvendo a riqueza é criá-la e não distribui-la.
« Última modificação: 12 de Julho de 2018, 23:53:21 por -Huxley- »

Offline AlienígenA

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Re:O fim do emprego
« Resposta #73 Online: 12 de Julho de 2018, 23:58:59 »
O "dividir bolo" da economia legítimo é devolver o bolo que é retirado dos pobres em coisas que diminuem a concorrência e competitividade do mercado - tarifaço de importação, monopólio público, etc. - e a liberdade de eles empreenderem - nos países subdesenvolvidos, o empreendedorismo de necessidade é bastante frequente, mas os governos transformam a vontade dos candidatos a pequenos empreendedores num martírio.

Tudo o mais é jogo de soma positiva desigual. Ninguém é pobre porque fulano ficou rico legitimamente.
Nem eu estou sugerindo isso. Apenas constatando que o aumento do bolo, como temos verificado, não implica em sua melhor divisão. Talvez fosse o caso de aplicarmos o Efeito Lindy à concentração de riquezas, com base em seu histórico, levando em conta a possibilidade de escassez de emprego/serviços.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O fim do emprego
« Resposta #74 Online: 13 de Julho de 2018, 00:15:00 »
De fato existe algo assim. Mesmo coisas como movimentos revolucionários comunistas na China (e acho que URSS também) acabam preservando oligarquias anteriores, até hoje.

Tem coisas como longas genealogias serem ricas ao longo dos séculos, por todo o mundo. Algo como uma versão mais "micro" de "armas, germes e aço".


Citar

https://qz.com/694340/the-richest-families-in-florence-in-1427-are-still-the-richest-families-in-florence/

[...] While it comes as little surprise that families pass on their wealth to their children, it’s still somewhat remarkable that these families were able to maintain their wealth through various sieges of Florence, Napoleon’s campaign in Italy, Benito Mussolini’s dictatorship, and two world wars.

The study adds further evidence on how the rich remain rich. In England, researchers have previously demonstrated how a family’s status in England can persist for more than eight centuries, or more than 28 whole generations. It’s a trait shared by elite families in China, whose high status has persisted since the Mao years.

https://en.wikipedia.org/wiki/Old_money





Tudo o mais é jogo de soma positiva desigual. Ninguém é pobre porque fulano ficou rico legitimamente.

Mesmo no caso de limites ao direito de propriedade privada por meio de transferência de renda entre as classes sociais, deve-se levar em conta que a parte mais difícil envolvendo a riqueza é criá-la e não distribui-la.

De certa forma se pode dizer que sim, as pessoas são pobres porque a sociedade considera legítimo privá-las de recursos acumulados ao longo de gerações ou da vida das pessoas, em vez de julgar mais legítima uma redistribuição priorizando a saciação das necessidades mais fundamentais.

 

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