Autor Tópico: O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri  (Lida 13207 vezes)

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Offline -Huxley-

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #300 Online: 31 de Dezembro de 2018, 11:45:42 »


Já não foi discutido as ações do Macri aqui no CC? Ele foi mesmo liberal?


A velha  e  carcomida  desculpa   falácia  "não  é  (não foi)  um verdadeiro escocês" 


Não deu certo ?  É porque não é um verdadeiro  escocês .




Você sequer tem entendimento da falácia do escocês de verdade. Falácia do escocês de verdade é apelo à pureza da característica do tipo do agente para blindar esse tipo de agente de críticas relevantes. Mas o que se tem não é apenas não pureza, mas antagonismo total entre os maiores agentes da crise e o liberalismo.  Crise causada por esbórnia fiscal é causada pelo liberalismo? Esbórnia fiscal ou conivência com esbórnia  fiscal é liberalismo? Não existe nem remota semelhança entre esbórnia fiscal causadora de desastre econômico (que na sua maior parte foi liderado por Kichner) e liberalismo.
« Última modificação: 31 de Dezembro de 2018, 22:31:07 por -Huxley- »

Offline Zero

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #301 Online: 31 de Dezembro de 2018, 11:47:41 »


Já não foi discutido as ações do Macri aqui no CC? Ele foi mesmo liberal?


A velha  e  carcomida  desculpa   falácia  "não  é  (não foi)  um verdadeiro escocês" 


Não deu certo ?  É porque não é um verdadeiro  escocês .

Não é falácia, é fato.

Uma coisa é você dizer algo, outra é fazer.

Macri não tomou atitudes liberais condizentes com o que ele afirmou na campanha, e isso é um FATO deixado bem claro nos dois vídeos indicados.

Offline -Huxley-

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #302 Online: 31 de Dezembro de 2018, 11:49:20 »
Mais um clickbait do JBait.

Offline Gigaview

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #303 Online: 31 de Dezembro de 2018, 12:14:58 »
 :histeria:

...com espasmos de impulsos esquerdóides.

Offline FZapp

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #304 Online: 31 de Dezembro de 2018, 13:03:31 »


Já não foi discutido as ações do Macri aqui no CC? Ele foi mesmo liberal?


A velha  e  carcomida  desculpa   falácia  "não  é  (não foi)  um verdadeiro escocês" 


Não deu certo ?  É porque não é um verdadeiro  escocês .

Não é falácia, é fato.

Uma coisa é você dizer algo, outra é fazer.

Macri não tomou atitudes liberais condizentes com o que ele afirmou na campanha, e isso é um FATO deixado bem claro nos dois vídeos indicados.

Desculpe, qual foi a atitude , considerada liberal, que Macri disse que faria e não fez ?

Algumas das coisas que falou e disse por exemplo foi recortar funcionalismo.

Eu considero que algumas das coisas que fez foram positivas, como uma boa limpa no Indec (no que seria aqui o IBGE), uma transparência que o órgão não tinha.

Quanto a funcionalismo, embora dissesse cortar, não produziu o efeito que disse porque não seria algo rápido, e posso dizer que já sabia disso.
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Offline Zero

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #305 Online: 31 de Dezembro de 2018, 14:05:16 »


Já não foi discutido as ações do Macri aqui no CC? Ele foi mesmo liberal?


A velha  e  carcomida  desculpa   falácia  "não  é  (não foi)  um verdadeiro escocês" 


Não deu certo ?  É porque não é um verdadeiro  escocês .

Não é falácia, é fato.

Uma coisa é você dizer algo, outra é fazer.

Macri não tomou atitudes liberais condizentes com o que ele afirmou na campanha, e isso é um FATO deixado bem claro nos dois vídeos indicados.

Desculpe, qual foi a atitude , considerada liberal, que Macri disse que faria e não fez ?

Algumas das coisas que falou e disse por exemplo foi recortar funcionalismo.

Eu considero que algumas das coisas que fez foram positivas, como uma boa limpa no Indec (no que seria aqui o IBGE), uma transparência que o órgão não tinha.

Quanto a funcionalismo, embora dissesse cortar, não produziu o efeito que disse porque não seria algo rápido, e posso dizer que já sabia disso.

Um dos grandes problemas do Macri foi o gradualismo dele e a falta de apoio dos poderes e da população.

Quando Macri fez o ajuste tarifário, ele não foi seguido por uma política fiscal e monetária austera, o que ocasionou no agravamento da situação.
Após um ano de governo, o que Mauricio Macri conseguiu fazer na Argentina?

Caso queira, de forma mais breve o vídeo a seguir resume a situação, expondo os pontos que seriam necessários mas não foram postos em prática.

Ainda há alguns pontos destacados nos vídeos indicados por mim na página anterior.

Offline Gorducho

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #306 Online: 31 de Dezembro de 2018, 14:28:39 »
"Gradualismos" nunca dão certo em casos  catastróficos ou cronicamente catastroficos como o da Argentina.
Mas eu acho que e causo perdido, missão impossível: tem províncias que tem + empregados públicos que privados :!:
A essas alturas do campeonato quiçá o menos pior fosse redolarizar, mas sem aquele sistema que tinha as contas duplas. Acabar c/o tragico ARS. O meio circulante ser $ billete mesmo.
« Última modificação: 31 de Dezembro de 2018, 14:48:38 por Gorducho »

Offline Hugo

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #307 Online: 01 de Janeiro de 2019, 23:23:35 »
É muita informação interessante sobre um mesmo assunto e o melhor mesmo é criar um tópico próprio.
Mauricio Macri está trazendo uma revolução de ideias e estilo de governar, dando um banho de água fria na Esquerda Latino Americana que comanda vários países do continente.


Que esses ventos não se esqueçam de passar por aqui também.

Ok, ok, ok.... se desse certo seria competência. Se deu errado... foi culpa do antecessor.... sempre a mesma lorota.  :)

Que esses ventos passem longe por aqui... :histeria:
« Última modificação: 01 de Janeiro de 2019, 23:25:42 por Hugo »
"O medo de coisas invisíveis é a semente natural daquilo que todo mundo, em seu íntimo, chama de religião". (Thomas Hobbes, Leviatã)

Offline -Huxley-

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #308 Online: 02 de Janeiro de 2019, 00:03:35 »
O voo de galinha e queda da Argentina já não é novidade há muito tempo e eu já tinha avisado isso ao Gabarito:

Fechando o ano na Argentina:
Citar
Governo Macri
  • Reforma da previdência aprovada;
  • Reforma Trabalhista aprovada;
  • Ajustes fiscais;
  • Abertura de mercado;
  • Austeridade;
  • Fim de mamatas.
Tudo que a esquerda não recomenda, foi feito. O resultado está aí.

https://economia.uol.com.br/noticias/efe/2017/12/20/pib-da-argentina-cresce-42-no-3-trimestre.htm



Maurício Macri ainda não deveria ser motivo de orgulho. Crescimento do PIB da Argentina segundo o Dr. Google:

2015: + 2,6%
2016: -2,3%


E a minha previsão sobre as falsidades que certos esquerdistas brasileiros diriam em caso de crise argentina se confirmou de forma nostradâmica:

É alguém que está arrumando a casa bagunçada deixada pela maluquinha hermana.
Cumprindo uma agenda que a esquerda critica e condena.
O resultado não chega tão a galope como se poderia desejar, mas já se pode ver nesse último trimestre uma alta de 4,2%.
Se o desejo de criticar for maior do que o de enxergar a recuperação e a realidade,...
...nada mais pode ser feito.

Citar
PIB da Argentina cresce 4,2% no 3º trimestre

EFE
20/12/201719h16

Buenos Aires, 20 dez (EFE).- O Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina registrou alta de 4,2% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período no ano passado, informou nesta quarta-feira o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).

O PIB argentino também subiu 0,9% frente ao segundo semestre e, no acumulado dos três primeiros, o indicador subiu 2,5% na comparação com o período equivalente em 2016.

No ano passado, a economia argentina teve queda de 2,3%, após uma alta de 2,1% em 2015. Para 2017, de acordo com as metas da Lei de Orçamento, o governo do presidente Mauricio Macri esperava inicialmente que o PIB aumentasse 3,5%, mas ao apresentar em setembro o projeto de Orçamento para 2018, o número foi revisto para uma alta de 3% neste ano e de 3,5% em 2018.

A verdade é que esses cheerleading político em cima de políticos supostamente liberais só aumenta o risco de fomentar os argumentos dos  esquerdistas brasileiros.

Mesmo que um país latino americano fosse governado por Milton Friedman ressucitado, ele frequentemente teria a restrição de outros políticos esquerdistas, da desaprovação popular das medidas impopulares e necessárias e de não poder, essencialmente, governar por decreto.

Não sei se esse será o caso da Argentina, mas há alguma evidência de que esse seja o caso. Até o Instituto Liberal admitiu isso:

Citar
É uma pena, mas a Argentina não é um bom exemplo a ser seguido

(...)

Semana passada o processo de reformas na Argentina foi interrompido por protestos ditos populares (link aqui), especificamente os protestos impediram a aprovação da reforma da previdência proposta pelo presidente Macri. Não vou analisar os méritos da proposta, pelo que vi tem um aumento da idade mínima de aposentadoria, por lá isso existe, e uma redução dos prazos de reajustes das pensões que atualmente são semestrais e passariam a ser trimestrais. O aumento da idade me parece uma medida necessária, queiramos ou não os sistemas previdenciários vão ter de se adaptar às mudanças demográficas. O reajuste trimestral me parece um equívoco, reduzir prazos de reajustes alimenta a inércia inflacionária e deixa ainda mais difícil controlar a inflação que por lá já anda em absurdos 25% ao ano.

Fonte: https://www.institutoliberal.org.br/blog/economia/e-uma-pena-mas-argentina-nao-e-um-bom-exemplo-ser-seguido/

Se a inflação galopante bagunçar tudo de novo na Argentina, podem esperar para ver certos "intelectuais" brasileiros tentando convencer pobres leitores de que é "culpa do Neoliberalismo" do governo que os cheerleads políticos brasileiros "neoliberais" definiram como "liberal".
« Última modificação: 02 de Janeiro de 2019, 00:08:05 por -Huxley- »

Offline Sergiomgbr

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #309 Online: 02 de Janeiro de 2019, 01:23:18 »
Não quer dizer que por que o Macri não tenha conseguido resultados melhores que os governos anteriores que isso anule o fato da Argentina estar melhor que antes, com eles.

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #310 Online: 02 de Janeiro de 2019, 11:45:01 »
Não quer dizer que por que o Macri não tenha conseguido resultados melhores que os governos anteriores que isso anule o fato da Argentina estar melhor que antes, com eles.

Concordo. Para mim o problema foi o discurso de cantar vitória antes dos resultados.
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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #311 Online: 02 de Janeiro de 2019, 11:46:44 »


Já não foi discutido as ações do Macri aqui no CC? Ele foi mesmo liberal?


A velha  e  carcomida  desculpa   falácia  "não  é  (não foi)  um verdadeiro escocês" 


Não deu certo ?  É porque não é um verdadeiro  escocês .

Não é falácia, é fato.

Uma coisa é você dizer algo, outra é fazer.

Macri não tomou atitudes liberais condizentes com o que ele afirmou na campanha, e isso é um FATO deixado bem claro nos dois vídeos indicados.

Desculpe, qual foi a atitude , considerada liberal, que Macri disse que faria e não fez ?

Algumas das coisas que falou e disse por exemplo foi recortar funcionalismo.

Eu considero que algumas das coisas que fez foram positivas, como uma boa limpa no Indec (no que seria aqui o IBGE), uma transparência que o órgão não tinha.

Quanto a funcionalismo, embora dissesse cortar, não produziu o efeito que disse porque não seria algo rápido, e posso dizer que já sabia disso.

Um dos grandes problemas do Macri foi o gradualismo dele e a falta de apoio dos poderes e da população.

Quando Macri fez o ajuste tarifário, ele não foi seguido por uma política fiscal e monetária austera, o que ocasionou no agravamento da situação.
Após um ano de governo, o que Mauricio Macri conseguiu fazer na Argentina?

Caso queira, de forma mais breve o vídeo a seguir resume a situação, expondo os pontos que seriam necessários mas não foram postos em prática.

Ainda há alguns pontos destacados nos vídeos indicados por mim na página anterior.

Cuidado que o Raphaelito do Falácias Radicais não é fonte segura.

Mas basicamente foi isso, houve ajustes de tarifas, um leve ajuste fiscal, poucas políticas de incentivo à produção, e o rombo era grande. Não existem milagres. Mas os entusiastas do liberalismo como se fosse panacéia agora querem dizer que Macri é comunista.

Pelamor também né?
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Offline Gorducho

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #312 Online: 02 de Janeiro de 2019, 12:06:55 »
que isso anule o fato da Argentina estar melhor que antes, com eles.
Bien sûr: isso não se discute.
O problema é que eles não conseguem superar o Perón; a coisa é MUITO arraigada.
Por isso acho que é causo perdido; ingovernável.
A eliminação de banco central e moeda locais seria uma forma de forçar uma queda ao mundo da realidade possível. Mas teria que ser acompanhada de flexibilidade de preços (pra poder ajustar a quantidade de moeda ao todo da economia real, por supuesto). Mas aí vêm as pressões políticas e rigidezes de preços (principalmente os salários, claro)  que acabam derrubando qq. plano economicamente coerente.
NÃO TEM COMO
Eu acompanho a Argentina desde a Plata Dulce  :'(
« Última modificação: 02 de Janeiro de 2019, 12:48:44 por Gorducho »

Offline JJ

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #313 Online: 13 de Fevereiro de 2019, 09:46:06 »

A quase totalidade da crise argentina foi criada pela socialista Cristina Kirchner. Somente socialistas não reconhecem isso. Portanto, percebe-se claramente o embuste de usar contiguidades temporais para apontar relação de causalidade.



Mas, cadê  a  capacidade  e  a  competência   do   new   libeural  Macri  para consertar os erros e colocar a argentina no caminho do progresso ?


Como eu já disse implicitamente lá atrás, Macri é um governo social democrata.



Talvez ele não fosse antes, talvez ele até tivesse algumas ideias liberais, e talvez ele até quisesse implantar algumas medidas liberais, entretanto,  uma vez no governo ele pode ter percebido que não teria  o poder necessário para implementar tais medidas  liberais, pois estas são impopulares e também anticorporativistas, e  são quase  impossíveis de serem implementadas, de forma relativamente segura, sólida e rápida, sem que haja um  forte  poder que seja capaz  de romper  o  poder  dos líderes  populistas  e corporativistas .


 
« Última modificação: 13 de Fevereiro de 2019, 10:08:47 por JJ »

Offline JJ

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #314 Online: 13 de Fevereiro de 2019, 09:56:27 »
que isso anule o fato da Argentina estar melhor que antes, com eles.
Bien sûr: isso não se discute.
O problema é que eles não conseguem superar o Perón; a coisa é MUITO arraigada.
Por isso acho que é causo perdido; ingovernável.
NÃO TEM COMO


Tem como, sim.

Há sim uma possibilidade para mudar tal cenário, e que não demandaria décadas para ser implementada (e que mesmo assim não teria altas chances de sucesso, que seria via um processo custoso e muito  demorado de  educação popular), qual seja: um governo forte e que seja fortemente  liberal econômico. Não precisa chegar ao ponto de jogar opositores de um helicóptero,  mas precisa ser suficientemente forte para tratorar as  lideranças  populistas e corporativistas (que sejam anti livre mercado).


 
« Última modificação: 13 de Fevereiro de 2019, 10:06:43 por JJ »

Offline Peter Joseph

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #315 Online: 09 de Março de 2019, 10:30:27 »
 "A Argentina está a um passo de um colapso econômico", diz Forbes.

Ajuda humanitária pra Argentina urgente!!
"Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente." - Krishnamurti

"O progresso é a concretização de Utopias." – Oscar Wilde
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Offline Peter Joseph

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #316 Online: 09 de Março de 2019, 10:32:50 »
"Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente." - Krishnamurti

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Offline Gorducho

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #317 Online: 09 de Março de 2019, 10:52:32 »
O País Irmão é um causo à parte na Criação Divina: não tem jeito; é absolutamente ingovernável :!:
VÁRIAS Provincias tienen + empleados públicos que privados ¡y por ahí se van las cosas! ::)
E eles NÃO superam o Perón :no:
« Última modificação: 09 de Março de 2019, 11:00:09 por Gorducho »

Offline Sergiomgbr

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #318 Online: 09 de Março de 2019, 13:09:59 »
Neoliberalista fazendo neliberalise  :histeria:

https://www.facebook.com/480091065773000/posts/628277937620978/
Pelamor, já vi coisa de melhor qualidade em jornaleco de pelego de quinta!

Offline Zero

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #319 Online: 09 de Março de 2019, 17:36:21 »
Foda-se a honestidade intelectual.

O negócio é compartilhar idiotices como o Peter fez.

Belo exemplo!  :)

Offline JJ

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #320 Online: 09 de Março de 2019, 18:06:54 »
Neoliberalista fazendo neliberalise  :histeria:

https://www.facebook.com/480091065773000/posts/628277937620978/


Dica para o Peter: o neoliberalismo foi destruído na Venezuela.  Lá não tem essa praga de liberalismo e tampouco de neoliberalismo.


O que você acha de mudar  para lá ? 


 :D
« Última modificação: 09 de Março de 2019, 23:23:32 por JJ »

Offline JJ

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #321 Online: 10 de Março de 2019, 10:37:01 »
que isso anule o fato da Argentina estar melhor que antes, com eles.
Bien sûr: isso não se discute.
O problema é que eles não conseguem superar o Perón; a coisa é MUITO arraigada.
Por isso acho que é causo perdido; ingovernável.
A eliminação de banco central e moeda locais seria uma forma de forçar uma queda ao mundo da realidade possível. Mas teria que ser acompanhada de flexibilidade de preços (pra poder ajustar a quantidade de moeda ao todo da economia real, por supuesto). Mas aí vêm as pressões políticas e rigidezes de preços (principalmente os salários, claro)  que acabam derrubando qq. plano economicamente coerente.
NÃO TEM COMO
Eu acompanho a Argentina desde a Plata Dulce  :'(


Me parece que a Argentina só teria uma solução relativamente rápida se acontecesse de ter um governo suficientemente forte e suficientemente liberal econômico de modo que tivesse o poder necessário para impor um liberalismo econômico pra valer. Caso contrário, esqueça, a oposição política e o povo com mentalidade estatista travam e impedem quaisquer tentativas de implementar um real  liberalismo econômico.


« Última modificação: 10 de Março de 2019, 10:41:08 por JJ »

Offline JJ

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #322 Online: 10 de Março de 2019, 10:47:09 »

A Argentina continua inviável. Qual realmente é o problema com o país?

O mesmo de sempre



Na semana passada, mais uma vez a Argentina sofreu um novo episódio de "crise cambial". Na quinta e na sexta-feira (4 e 5 de maio), o peso argentino se depreciou 9% em relação ao dólar, caindo de 20,50 pesos por dólar para 22,25 pesos por dólar.


Para tentar conter essa desvalorização, o Banco Central da Argentina aumentou a taxa básica de juros de 30,50% para 40% ao longo do curso de dois dias consecutivos. Isso ocorreu apenas uma semana após ele já ter elevado os juros em 3,25 pontos percentuais (de 27,25% para 30,50%), e de ter vendido US$ 7,3 bilhões de suas reservas internacionais.


O Banco Central argentino também anunciou que utilizaria "todas as ferramentas disponíveis" para reduzir a inflação de preços — que, em março, chegou a 25% no acumulado de 12 meses — para a sua meta, que é de 15% (um valor insanamente alto).


Políticos do governo se uniram ao Ministro da Fazenda e declararam, em uma coletiva de imprensa, que o governo reduziu sua meta para o déficit fiscal deste ano, de 3,2% do PIB para 2,7% do PIB.


Já ontem, dia 9 de maio, o governo anunciou que estava recorrendo ao FMI para negociar um empréstimo de US$ 30 bilhões (o que equivale à metade das atuais reservas internacionais do país). O objetivo é usar esses dólares para tentar conter a desvalorização cambial.


O roteiro é o mesmo de sempre: os investidores estrangeiros começaram a sair do país, trocando pesos por dólar. Ato contínuo, o governo anunciou medidas monetárias e fiscais mais "austeras", mas essas não foram suficientes para acalmar o mercado financeiro. O movimento de saída continuou. Isso obrigou o governo a recorrer ao FMI, que empresta sem seguir critérios de mercado.


Ou seja, dado que os credores dos títulos argentinos estão perdendo seu encanto com o país, o governo recorreu ao FMI, que faz empréstimos mais baratos e não mais exige "severos" cortes de gastos, como fazia antes.


Por ora, o peso parou de se desvalorizar. Após o dólar bater em 23,15 pesos, ele voltou para os atuais 22,50 pesos. De acordo com alguns analistas da mídia financeira (ver aqui, aqui e aqui), a crise foi, ao menos temporariamente, resolvida.


O problema: o mesmo de sempre


Há um fato que deve ser ressaltado: a depreciação do peso não é, em si mesma, uma crise que requer tratamento paliativo. A depreciação do peso é meramente uma consequência. Mais ainda: ela é um alerta salutar, assim como a coluna de mercúrio subindo em um termômetro.


Sendo assim, vender reservas internacionais e tentar reverter a saída de capitais por meio de aumento na taxa básica de juros — tudo para tentar arrefecer o aumento dos preços das moedas estrangeiras — equivale a submergir o termômetro em uma água gelada, o que não tem serventia alguma para resolver a doença do paciente.


Eis a verdadeira crise que aflige a Argentina: sua política monetária, a qual sempre foi um fracasso. Curiosamente, isso nem sequer é comentado pela "mídia especializada", que não aborda o assunto ao falar da recente depreciação do peso.


Muitos imaginavam que, desde que o supostamente "pró-mercado" Maurício Macri se tornou presidente em dezembro de 2015, a Argentina entraria no caminho virtuoso da desregulamentação, da desburocratização, e do maior rigor fiscal e monetário. [N. do E.: este Instituto sempre alertou que isso não estava acontecendo]. Mas esses desejos não se concretizaram.


Por mais que Macri tenha tido algum êxito em algumas políticas pontuais, a realidade é que, no campo monetário, ele tem se mostrado tão ruim quanto — se não pior que — sua antecessora, uma populista de esquerda.


Para comprovar isso, basta olhar para apenas três indicadores que comprovam essa afirmação: a taxa de câmbio peso-dólar e a evolução da base monetária e da oferta monetária desde que Macri assumiu a presidência.


Como Ludwig von Mises já havia explicado ainda no início do século XX, o mais sensível indicador da inflação de preços de um país é sua taxa de câmbio. Como podemos ver no gráfico abaixo, o preço do dólar disparou de aproximadamente 10 pesos ao final de 2015, quando Macri aboliu o cepo cambial, para os 22 pesos atuais.


Isso significa que o dólar encareceu mais de 100% em dois anos e meio — ou, o que dá no mesmo, que o peso se desvalorizou 54% neste período.


historical.png


Gráfico 1: evolução da taxa de câmbio da Argentina


A única causa de tamanha depreciação da moeda e de toda essa inflação de preços cronicamente vivenciada pela Argentina — a inflação de preços média do país é de 30% — é, como Mises também ensinou, a expansão da quantidade de dinheiro na economia.


Como mostra o gráfico abaixo, a expansão da base monetária — uma variável totalmente sob controle do Banco Central argentino — foi de mais de 65% desde janeiro de 2016.


argentina-money-supply-m0.png


Gráfico 2: evolução da base monetária argentina


Como consequência, a quantidade de dinheiro em posse de pessoas físicas e jurídicas continuou crescendo tão ou mais intensamente sob o governo Macri em relação ao governo Kirchner. O M1 cresceu mais de 70% no mesmo período, o que equivale a uma inflação monetária média de 24% ao ano.


argentina-money-supply-m1.png

Gráfico 3: evolução do M1 argentino


Com tamanho descontrole monetário — o qual só perde para a Venezuela —, não é de se estranhar que a Argentina tenha uma inflação de preços cronicamente alta e sofra frequentes crises cambiais.


[N. do E.: a título de comparação, essas mesmas variáveis para o Brasil são incrivelmente módicas. Veja a expansão da nossa base monetária e do nosso M1 para o mesmo período. Por isso nossa inflação de preços é menor e nossa taxa de câmbio oscila muito menos].


Mas por que ocorre todo esse descalabro monetário na Argentina?


Todos querem ser bancados pelo governo


Como a Argentina possui um longo histórico de calotes nos investidores estrangeiros (o último ocorreu em 2014), o governo tem dificuldades para financiar seus déficits orçamentários. Consequentemente, ele recorre àquela medida que sempre foi uma tradição na América Latina: utilizar seu Banco Central para imprimir dinheiro e financiar diretamente o governo. (A Venezuela também faz isso, mas em escala várias vezes maior).


Consequentemente, a base monetária e a oferta monetária do país aumentam sem qualquer restrição.


O mais curioso é que o déficit fiscal da Argentina não foi gerado por uma carga tributária baixa, mas, pelo contrário, por uma excessiva. O relatório de competitividade global do Fórum Econômico Mundial 2017-2018 mostra que a Argentina é a 92ª entre 128 nações analisadas. Ainda mais impressionante: a carga tributária da Argentina é simplesmente a mais alta das 138 economias.


Entre 2002 e 2017, a carga tributária do país — federal, províncias e municípios — aumentou mais de 10 pontos percentuais em relação ao PIB. Ao mesmo tempo, a inflação de preços — o imposto sobre os mais pobres — também se descontrolou.


Esses dois fatores, inflação e alta carga tributária, impactam negativamente a competitividade do país e sua facilidade de atrair capital, investir e criar empregos, relegando um país de enorme potencial às últimas posições do ranking mundial.


Mas eis o mais impressionante de tudo: segundo o relatório, os gastos públicos consolidados do país chegaram a 47,9% do PIB em 2016, uma cifra claramente desproporcional.


E, de acordo com o Ministério do Trabalho, em apenas duas províncias do país o funcionalismo público representa menos que 30% da população total empregada. Em sete províncias, a força de trabalho empregada no setor público é maior que a do setor privado (entre 51% e 69% da força de trabalho são funcionários públicos). No geral, em 65% das províncias, a fatia de funcionários públicos excede 40% da força de trabalho empregada.



O Ministério do Trabalho estima que mais de 4 milhões de empregos são bancados por impostos, uma cifra que aumentou 60% desde 2002. Destes 4 milhões de funcionários públicos, pelo menos 300.000 foram indicados por critérios políticos pelo governo Kirchner e simplesmente nem sequer aparecem para trabalhar.


O próprio Macri, ao tomar posse, anunciou aumentos para os aposentados e para os salários dos professores, e não fez nenhuma indicação de que privatizaria a Aerolíneas Argentinas, que foi estatizada pelos Kirchners, e que dá um prejuízo ao Tesouro argentino de 2 milhões de dólares por dia.


Mas não é só o setor estatal o principal causador do problema. O governo também concede generosos subsídios ao setor privado. Consequentemente, a Argentina possui um modelo que aumentou desproporcionalmente a carga tributária sobre os setores mais produtivos para subsidiar os setores menos produtivos e também para pagar o enorme aumento ocorrido no funcionalismo público.


Ou seja, trata-se de um modelo que desestimula o investimento privado em setores não subsidiados e estimula os setores protegidos pelo governo. Trata-se simplesmente da premiação do rent-seeking.


Sendo assim, não é surpresa nenhuma que a produtividade argentina seja muito baixa e que as receitas tributárias não sejam suficientes para cobrir os gastos do governo, mesmo tendo aumentado 10 pontos percentuais em relação ao PIB. E como o país não possui confiança no mercado de crédito, restou ao governo — que não quer cortar gastos — apenas imprimir dinheiro para bancar tudo isso.


E isso gerou toda a atual situação.


Conclusão


Reduções nos déficits e aumentos nas taxas de juros não impedirão novas crises cambiais caso o governo argentino continue imprimindo dinheiro para financiar seus gastos, os quais claramente não cabem no orçamento. Preços continuarão subindo e a moeda continuará se desvalorizando.


Se o governo argentino realmente quiser abolir suas crises cambiais, a solução tem de ser radical: seu Banco Central tem de ser proibido de imprimir dinheiro para financiar o Tesouro. Adicionalmente, novas expansões da base monetária também têm de ser abolidas.


Isso faria com que os juros subissem ainda mais no curto prazo. Haveria recessão, demissões e vários investimentos seriam abortados. No entanto, essa política monetária mais restritiva faria com que o peso se apreciasse no mercado internacional. Neste ponto, com o peso estável, o Banco Central argentino deveria ser abolido e a economia, dolarizada (o que seria mais fácil do que parece, dado que vários argentinos já poupam em dólares).


Caso tal medida seja considerada muito radical, simplesmente abolir todas as barreiras legislatórias que proíbem transações legais em moeda estrangeira, ou mesmo em ouro ou prata, já traria concorrência ao Banco Central argentino, que seria obrigado a gerenciar o peso de maneira menos pródiga.


Fora isso, nada mudará.

 

https://mises.org.br/Article.aspx?id=2887&ac=216064

« Última modificação: 10 de Março de 2019, 10:55:48 por JJ »

Offline JJ

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #323 Online: 10 de Março de 2019, 10:59:55 »


A Argentina é um país com alto grau de estatização na economia,  não é a toa que  está  com problemas  econômicos tão sérios.

Offline Pregador

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Re:O novo estilo de governo na Argentina - Mauricio Macri
« Resposta #324 Online: 10 de Março de 2019, 14:14:48 »

A Argentina continua inviável. Qual realmente é o problema com o país?

O mesmo de sempre



Na semana passada, mais uma vez a Argentina sofreu um novo episódio de "crise cambial". Na quinta e na sexta-feira (4 e 5 de maio), o peso argentino se depreciou 9% em relação ao dólar, caindo de 20,50 pesos por dólar para 22,25 pesos por dólar.


Para tentar conter essa desvalorização, o Banco Central da Argentina aumentou a taxa básica de juros de 30,50% para 40% ao longo do curso de dois dias consecutivos. Isso ocorreu apenas uma semana após ele já ter elevado os juros em 3,25 pontos percentuais (de 27,25% para 30,50%), e de ter vendido US$ 7,3 bilhões de suas reservas internacionais.


O Banco Central argentino também anunciou que utilizaria "todas as ferramentas disponíveis" para reduzir a inflação de preços — que, em março, chegou a 25% no acumulado de 12 meses — para a sua meta, que é de 15% (um valor insanamente alto).


Políticos do governo se uniram ao Ministro da Fazenda e declararam, em uma coletiva de imprensa, que o governo reduziu sua meta para o déficit fiscal deste ano, de 3,2% do PIB para 2,7% do PIB.


Já ontem, dia 9 de maio, o governo anunciou que estava recorrendo ao FMI para negociar um empréstimo de US$ 30 bilhões (o que equivale à metade das atuais reservas internacionais do país). O objetivo é usar esses dólares para tentar conter a desvalorização cambial.


O roteiro é o mesmo de sempre: os investidores estrangeiros começaram a sair do país, trocando pesos por dólar. Ato contínuo, o governo anunciou medidas monetárias e fiscais mais "austeras", mas essas não foram suficientes para acalmar o mercado financeiro. O movimento de saída continuou. Isso obrigou o governo a recorrer ao FMI, que empresta sem seguir critérios de mercado.


Ou seja, dado que os credores dos títulos argentinos estão perdendo seu encanto com o país, o governo recorreu ao FMI, que faz empréstimos mais baratos e não mais exige "severos" cortes de gastos, como fazia antes.


Por ora, o peso parou de se desvalorizar. Após o dólar bater em 23,15 pesos, ele voltou para os atuais 22,50 pesos. De acordo com alguns analistas da mídia financeira (ver aqui, aqui e aqui), a crise foi, ao menos temporariamente, resolvida.


O problema: o mesmo de sempre


Há um fato que deve ser ressaltado: a depreciação do peso não é, em si mesma, uma crise que requer tratamento paliativo. A depreciação do peso é meramente uma consequência. Mais ainda: ela é um alerta salutar, assim como a coluna de mercúrio subindo em um termômetro.


Sendo assim, vender reservas internacionais e tentar reverter a saída de capitais por meio de aumento na taxa básica de juros — tudo para tentar arrefecer o aumento dos preços das moedas estrangeiras — equivale a submergir o termômetro em uma água gelada, o que não tem serventia alguma para resolver a doença do paciente.


Eis a verdadeira crise que aflige a Argentina: sua política monetária, a qual sempre foi um fracasso. Curiosamente, isso nem sequer é comentado pela "mídia especializada", que não aborda o assunto ao falar da recente depreciação do peso.


Muitos imaginavam que, desde que o supostamente "pró-mercado" Maurício Macri se tornou presidente em dezembro de 2015, a Argentina entraria no caminho virtuoso da desregulamentação, da desburocratização, e do maior rigor fiscal e monetário. [N. do E.: este Instituto sempre alertou que isso não estava acontecendo]. Mas esses desejos não se concretizaram.


Por mais que Macri tenha tido algum êxito em algumas políticas pontuais, a realidade é que, no campo monetário, ele tem se mostrado tão ruim quanto — se não pior que — sua antecessora, uma populista de esquerda.


Para comprovar isso, basta olhar para apenas três indicadores que comprovam essa afirmação: a taxa de câmbio peso-dólar e a evolução da base monetária e da oferta monetária desde que Macri assumiu a presidência.


Como Ludwig von Mises já havia explicado ainda no início do século XX, o mais sensível indicador da inflação de preços de um país é sua taxa de câmbio. Como podemos ver no gráfico abaixo, o preço do dólar disparou de aproximadamente 10 pesos ao final de 2015, quando Macri aboliu o cepo cambial, para os 22 pesos atuais.


Isso significa que o dólar encareceu mais de 100% em dois anos e meio — ou, o que dá no mesmo, que o peso se desvalorizou 54% neste período.


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Gráfico 1: evolução da taxa de câmbio da Argentina


A única causa de tamanha depreciação da moeda e de toda essa inflação de preços cronicamente vivenciada pela Argentina — a inflação de preços média do país é de 30% — é, como Mises também ensinou, a expansão da quantidade de dinheiro na economia.


Como mostra o gráfico abaixo, a expansão da base monetária — uma variável totalmente sob controle do Banco Central argentino — foi de mais de 65% desde janeiro de 2016.


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Gráfico 2: evolução da base monetária argentina


Como consequência, a quantidade de dinheiro em posse de pessoas físicas e jurídicas continuou crescendo tão ou mais intensamente sob o governo Macri em relação ao governo Kirchner. O M1 cresceu mais de 70% no mesmo período, o que equivale a uma inflação monetária média de 24% ao ano.


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Gráfico 3: evolução do M1 argentino


Com tamanho descontrole monetário — o qual só perde para a Venezuela —, não é de se estranhar que a Argentina tenha uma inflação de preços cronicamente alta e sofra frequentes crises cambiais.


[N. do E.: a título de comparação, essas mesmas variáveis para o Brasil são incrivelmente módicas. Veja a expansão da nossa base monetária e do nosso M1 para o mesmo período. Por isso nossa inflação de preços é menor e nossa taxa de câmbio oscila muito menos].


Mas por que ocorre todo esse descalabro monetário na Argentina?


Todos querem ser bancados pelo governo


Como a Argentina possui um longo histórico de calotes nos investidores estrangeiros (o último ocorreu em 2014), o governo tem dificuldades para financiar seus déficits orçamentários. Consequentemente, ele recorre àquela medida que sempre foi uma tradição na América Latina: utilizar seu Banco Central para imprimir dinheiro e financiar diretamente o governo. (A Venezuela também faz isso, mas em escala várias vezes maior).


Consequentemente, a base monetária e a oferta monetária do país aumentam sem qualquer restrição.


O mais curioso é que o déficit fiscal da Argentina não foi gerado por uma carga tributária baixa, mas, pelo contrário, por uma excessiva. O relatório de competitividade global do Fórum Econômico Mundial 2017-2018 mostra que a Argentina é a 92ª entre 128 nações analisadas. Ainda mais impressionante: a carga tributária da Argentina é simplesmente a mais alta das 138 economias.


Entre 2002 e 2017, a carga tributária do país — federal, províncias e municípios — aumentou mais de 10 pontos percentuais em relação ao PIB. Ao mesmo tempo, a inflação de preços — o imposto sobre os mais pobres — também se descontrolou.


Esses dois fatores, inflação e alta carga tributária, impactam negativamente a competitividade do país e sua facilidade de atrair capital, investir e criar empregos, relegando um país de enorme potencial às últimas posições do ranking mundial.


Mas eis o mais impressionante de tudo: segundo o relatório, os gastos públicos consolidados do país chegaram a 47,9% do PIB em 2016, uma cifra claramente desproporcional.


E, de acordo com o Ministério do Trabalho, em apenas duas províncias do país o funcionalismo público representa menos que 30% da população total empregada. Em sete províncias, a força de trabalho empregada no setor público é maior que a do setor privado (entre 51% e 69% da força de trabalho são funcionários públicos). No geral, em 65% das províncias, a fatia de funcionários públicos excede 40% da força de trabalho empregada.



O Ministério do Trabalho estima que mais de 4 milhões de empregos são bancados por impostos, uma cifra que aumentou 60% desde 2002. Destes 4 milhões de funcionários públicos, pelo menos 300.000 foram indicados por critérios políticos pelo governo Kirchner e simplesmente nem sequer aparecem para trabalhar.


O próprio Macri, ao tomar posse, anunciou aumentos para os aposentados e para os salários dos professores, e não fez nenhuma indicação de que privatizaria a Aerolíneas Argentinas, que foi estatizada pelos Kirchners, e que dá um prejuízo ao Tesouro argentino de 2 milhões de dólares por dia.


Mas não é só o setor estatal o principal causador do problema. O governo também concede generosos subsídios ao setor privado. Consequentemente, a Argentina possui um modelo que aumentou desproporcionalmente a carga tributária sobre os setores mais produtivos para subsidiar os setores menos produtivos e também para pagar o enorme aumento ocorrido no funcionalismo público.


Ou seja, trata-se de um modelo que desestimula o investimento privado em setores não subsidiados e estimula os setores protegidos pelo governo. Trata-se simplesmente da premiação do rent-seeking.


Sendo assim, não é surpresa nenhuma que a produtividade argentina seja muito baixa e que as receitas tributárias não sejam suficientes para cobrir os gastos do governo, mesmo tendo aumentado 10 pontos percentuais em relação ao PIB. E como o país não possui confiança no mercado de crédito, restou ao governo — que não quer cortar gastos — apenas imprimir dinheiro para bancar tudo isso.


E isso gerou toda a atual situação.


Conclusão


Reduções nos déficits e aumentos nas taxas de juros não impedirão novas crises cambiais caso o governo argentino continue imprimindo dinheiro para financiar seus gastos, os quais claramente não cabem no orçamento. Preços continuarão subindo e a moeda continuará se desvalorizando.


Se o governo argentino realmente quiser abolir suas crises cambiais, a solução tem de ser radical: seu Banco Central tem de ser proibido de imprimir dinheiro para financiar o Tesouro. Adicionalmente, novas expansões da base monetária também têm de ser abolidas.


Isso faria com que os juros subissem ainda mais no curto prazo. Haveria recessão, demissões e vários investimentos seriam abortados. No entanto, essa política monetária mais restritiva faria com que o peso se apreciasse no mercado internacional. Neste ponto, com o peso estável, o Banco Central argentino deveria ser abolido e a economia, dolarizada (o que seria mais fácil do que parece, dado que vários argentinos já poupam em dólares).


Caso tal medida seja considerada muito radical, simplesmente abolir todas as barreiras legislatórias que proíbem transações legais em moeda estrangeira, ou mesmo em ouro ou prata, já traria concorrência ao Banco Central argentino, que seria obrigado a gerenciar o peso de maneira menos pródiga.


Fora isso, nada mudará.

 

https://mises.org.br/Article.aspx?id=2887&ac=216064



Sério que eles (desse artigo) acham que pode ser bom dolarizar a economia e acabar com o banco central? funcionará no curto prazo, mas a longo prazo a Argentina perderá todo o controle sobre a economia. O combalido parque industrial será esmagado de vez. Eu concordo que o gasto com funcionalismo é muito exagerado e é preciso reverter isso. Eles precisam dar um jeito de demitir o excedente de servidores públicos, livrar-se de algumas estatais (as que dão prejuízo) e implementar uma nova moeda. Algo parecido como foi feito no Brasil. O triste é que eles não tem as reservas de dólares que nós tínhamos e o parque industrial deles é ridículo perto do nosso.
"O crime é contagioso. Se o governo quebra a lei, o povo passa a menosprezar a lei". (Lois D. Brandeis).

 

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