Autor Tópico: Guerra na Síria  (Lida 10838 vezes)

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Offline Pasteur

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #50 Online: 18 de Fevereiro de 2016, 09:25:40 »
O Geotecton me fez uma pergunta direta, mas eu tenho impressão que essa cutucada do Pasteur também é direcionada às coisas que eu postei aqui.

Eu gostaria de discutir mais a fundo esse conflito da Síria porque acho muito interessante e as implicações vão muito além do conflito em si. E espero estar podendo fazer isto em breve.

As duas questões ( do Geo e do Pasteur ) estão relacionadas e representam uma boa oportunidade para se analisar certas coisas fugindo da superficialidade habitual. São uma boa oportunidade para fazer considerações sobre certos aspectos que geralmente são pouco percebidos, portanto não devem ser desperdiçadas com a futilidade de discutir quem é o bonzinho e o mauzinho, ou quem é melhor ou menos pior que quem. Mesmo porque eu considero que este tipo de discussão não tem nenhuma relação com nada do que acontece no mundo real, e se você não está discutindo sobre o mundo real então não há possibilidade de se chegar a nenhuma conclusão sobre este.

No momento eu só quero adiantar para o Pasteur que eu não postei nenhuma matéria da imprensa norte-americana não. Nem vídeo, nem texto, nem nada. E parece que ele não viu nem leu porque eu estranho justamente o desprezo da mídia corporativa em língua inglesa ( especialmente a americana ) por tantos fatos, personagens e depoimentos.

A intenção era desencadear uma reflexão sobre o que este ignorar significa em termos de se considerar esta mídia como isenta, interessada nos fatos e dissociada de outros interesses que não os relacionados com a sua primordial função jornalística.

Mas isto pode e deve ser analisado bem mais a fundo e sistematicamente. Coisa que pretendo tentar fazer. Mas para a pessoa não perceber certas colocações de forma tendenciosa e distorcida ela precisa entender que eu não tenho "paixões clubísticas". Não faço parte da torcida organizada deste ou daquele lado, e nem de nenhuma ideologia, seja de caráter predominantemente político ou econômico.

A minha curiosidade está voltada para tentar entender o mundo como ele realmente é.

Pedro, você está dizendo que a imprensa norte americana é tendenciosa e se eu procurar entre os jornais de lá, não vou achar matérias criticando o governo ou a guerra do Iraque. E isso?

Offline MarcoPolo

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #51 Online: 18 de Fevereiro de 2016, 09:56:40 »
É esse o ponto. Ele confunde a situação Russa com a norte americana.  Não existe uma imprensa norte americana. Existem centenas. Existem convidados que vão a Fox e metem o dedo na cara do Bill dizendo que ele está errado, até chegar o ponto de o máximo expoente da Fox dizer que sim ele estava errado sobre a guerra do Iraque.

Existe gente que detona o governo norte americano em canal aberto. Existem debates ao vivo.

O JJ e o Pedro confundem o fato de que existe influência do governo americano em notícias e/Ou Canais com a existência de um controle do governo sobre a mídia norte americana como um todo.

Eles às vezes citam informações "independentes" advindas de finges norte americanas

Eles deveriam fazer a crítica que fazem a Rússia não a mídia dos Eua que é heterogênea e aceita até discussões como inside job para 11/09.

Não entendo os dois.

Offline Geotecton

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #52 Online: 18 de Fevereiro de 2016, 10:00:41 »
[...]
Você vive justamente na parte do mundo mais controlada, sob maior influência, desse chamado núcleo forte de super empresas.

E a despeito disto, é possível encontrar, em grande quantidade, 'vozes dissonantes' do que pensam a grande mídia e o governo central.

Consegue apontar algo semelhante na Rússia, China, Cuba, Síria ou Coréia do Norte?

Se não consegue, então há de reconhecer que existem diferenças fundamentais entre as sociedades dos países capitalistas liberais do Ocidente e os demais, em especial de países ditatoriais ou autoritários como os supracitados.
« Última modificação: 18 de Fevereiro de 2016, 10:23:53 por Geotecton »
Foto USGS

Offline Pedro Reis

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #53 Online: 18 de Fevereiro de 2016, 10:10:42 »
É tendenciosa. Muito mais tendenciosa do que seria desejável para uma democracia.

Extremamente mais tendenciosa do que a imagem ingênua que muitos têm.

Mas não significa que você não vai encontrar nada na imprensa criticando o governo ou a guerra no Iraque.

Acho que você está tentando fazer o tipo de extrapolação simplista que eu justamente acho que não leva a nada a não ser a uma visão distorcida da realidade. Provavelmente eu não deva fazer  de forma superficial o comentário que eu vou de fato fazer de forma superficial ( pelo menos agora de forma superficial ) mas eu acho que seria muito melhor que você e ninguém fosse capaz de encontrar na mídia americana qualquer crítica ao governo ou a política externa do governo.

Porque se assim fosse ficaria muito mais claro para o grande público o quanto e como essa mesma mídia é tendenciosa. O quanto é manipulada e manipuladora. É essa aparência de liberdade e independência que torna esse tipo de influência tendenciosa muito mais efetiva.

De fato eu posso ter acesso no Youtube ( uma empresa norte-americana, diga-se de passagem ) a um vídeo onde um veterano dá um depoimento sobre ordens e diretrizes que na verdade são formalmente consideradas crimes de guerra. Alguns oficiais alemães enforcados em Nuremberg não foram tão longe na barbárie da guerra como oficiais americanos no Iraque.

E de fato eu posso ter acesso a este conteúdo mesmo em território americano. Já na China o governo tenta controlar a rede e suprimir toda a crítica. Sorte dos chineses de viver em um país aonde a censura e a doutrinação da opinião pública não é tão efetiva quanto nos Estados Unidos.

Porque na China, pelo menos, o cidadão típico tem a consciência, e consequentemente o senso crítico sempre ligado, de que toda informação é oficial.

Mas apesar de você poder ter acesso a quase qualquer conteúdo nos EUA, o resultado realmente importante é que a grande massa da opinião pública, o grosso absoluto do eleitorado, está completamente alienado e iludido com uma visão do mundo que não passa de mera fantasia e propaganda.

Se você quiser ter um exemplo de como o cidadão médio americano entendia o conflito no Iraque basta você se dar ao trabalho de ver as entrevistas dos ex-soldados que eu linkei ali em cima. Um estava lá para "os terroristas responsáveis pelo 9/11" e só esse tipo de coisa. Até hoje, segundo pesquisas, a maioria esmagadora dos americanos acredita que Saddam estava envolvido nos ataques ao WTC.

Se é assim, parece que em algum ponto a imprensa está falhando em cumprir o seu papel.

Examine o caso da última entrevista: o vídeo, restrito pelo exército, foi vazado pelo Wikileaks. O governo quer condenar a 50 anos o soldado que vazou. Isso é na Rússia? Na China? Não, nos Eua. Mas quando um vídeo impactante como este vazou a imprensa não deu nenhuma atenção, apenas quando o vídeo já tinha 12 milhões de acessos resolveram tornar notícia. O que você acha que isto significa?

Mas no depoimento deste soldado ( que foi personagem principal do vídeo ) a gente percebe todo o tempo a ingenuidade incrível resultante desse processo super eficiente de alienação. Porque mesmo depois de tudo ele ainda diz: " Ah, mas quando eu vi a âncora do jornal comentando eu fiquei com muita raiva... Porque ela dizendo às pessoas como era a guerra e coisa e tal mas nunca esteve lá, não sabia do que estava falando... "

Ele ainda não percebia, mesmo depois de toda transformação porque passou, que o papel do telejornal era, por assim dizer, jogar água na fervura. Amenizar o fato, a notícia - quando esta já não podia ser mais ignorada. A âncora não estava dizendo bobagens por ignorância, mas por intenção.

A CBS poderia ter mandado um repórter a casa deste militar, ele poderia ter tido um link ao vivo para comentar o vídeo no telejornal. Um vídeo no qual ele próprio estava presente! Seria uma matéria bem mais interessante, e em uma matéria sobre um jogo de beisebol comumente o telejornal usa esse formato. Por que você acha que este veterano pouco é solicitado a dar entrevistas, e muito menos ao vivo?

Na ingenuidade desse cara, na alienação dele, a explicação que ele mesmo encontra é que a "mídia pensa que os veteranos contra a guerra são loucos."

Apesar de tudo, ainda hoje continua um ingênuo e alienado.

Offline Pedro Reis

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #54 Online: 18 de Fevereiro de 2016, 10:15:47 »
É esse o ponto. Ele confunde a situação Russa com a norte americana.  Não existe uma imprensa norte americana. Existem centenas. Existem convidados que vão a Fox e metem o dedo na cara do Bill dizendo que ele está errado, até chegar o ponto de o máximo expoente da Fox dizer que sim ele estava errado sobre a guerra do Iraque.

Existe gente que detona o governo norte americano em canal aberto. Existem debates ao vivo.

O JJ e o Pedro confundem o fato de que existe influência do governo americano em notícias e/Ou Canais com a existência de um controle do governo sobre a mídia norte americana como um todo.

Eles às vezes citam informações "independentes" advindas de finges norte americanas

Eles deveriam fazer a crítica que fazem a Rússia não a mídia dos Eua que é heterogênea e aceita até discussões como inside job para 11/09.

Não entendo os dois.

Não, eu não confundo. De jeito nenhum. E até já respondi suficientemente a isso ao Pasteur.

Mas na verdade o que importa mesmo é o resultado destes diferentes processos de controles de informação. Porque o que você tem, em ambos os casos, é o controle da informação com o objetivo de formar tendências. O alvo é o mesmo, a diferença está no processo.

O controle da informação e a geração controlada de tendências de opinião pública nos Estados Unidos é tão ou mais efetivo que até em países totalitários.

Offline MarcoPolo

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #55 Online: 18 de Fevereiro de 2016, 10:21:38 »
Quando a dissonância entre meios de comunicação norte americanos são usados como prova de uma conspiração pois poderiam enganar os incautos dando a impressão de que a mídia é livre fica difícil ter alguma perspectiva.

O main stream é mesmo desinformado nos EUA, na Rússia ou Brasil. Ficaria surpreso do americano pensar que foi o Saddan que derrubou as torres (que é mentira) e não o Osama (o que é verdade) mas enfim, sempre há uma tremenda desinformação.

A Fox aceita desafetos em horário nobre como por exemplo Ventura no Hannity, entre outros. O debate corre solto e as versões também. A audiência pode ser a que você não gostaria, mas se não me engano a maior audiência para notícias por muito tempo era de Stewart que classificava a guerra como crime.

Você Pedro realmente está distorcendo a realidade.

Pode discorrer sobre o cenário russo?

Offline JJ

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #56 Online: 19 de Fevereiro de 2016, 12:21:31 »
Claro, não há nada que a OTAN possa fazer ha não ser apoiá-lo  na  loucura dele que poderá jogar o mundo numa guerra nuclear...

E você acha que a OTAN nada está fazendo nos bastidores?


Eu acredito que no geral a OTAN está apoiando as ações do Erdogan, tendo em vista que o mais poderoso da OTAN (que é aliado da democrática Arábia Saudita), quer expandir e  incluir a Síria em sua (já enorme)  área de influência (juntamente com os seus amiguinhos da democrática Arábia Saudita). 





« Última modificação: 19 de Fevereiro de 2016, 12:31:26 por JJ »

Offline JJ

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #57 Online: 19 de Fevereiro de 2016, 12:29:14 »
Você acha que ela deseja uma guerra nuclear no qual ela tem muito mais a perder do que a Rússia, uma nação completamente decadente sob diversos pontos de vista?

Provavelmente os membros da OTAN na Europa  não querem uma guerra nuclear,  entretanto me parece que eles nem pensam pra valer nesta possibilidade. Não estou vendo evidências de que eles se preocupem pra valer com essa possibilidade. 



Offline Jovem Cético

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #58 Online: 19 de Fevereiro de 2016, 18:21:27 »
Tem que ser muito ingênuo para levar esses vídeos pró Russia a sério, o comunista dono do canal, coloca que as cidades atacadas foram abandonadas por civis e só estão habitadas por terroristas, mas aos 5:04 da para escutar a voz de crianças gritando e aos 9:31 duas crianças passam pela rua. Sem contar que as imagens na maior parte são filmadas pelos supostos terroristas, mas muitos dos corpos espalhados nas zonas bombardeadas parecem ser de civis.

<a href="https://www.youtube.com/v/T4sfGFhvnoU" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/T4sfGFhvnoU</a>
Afirmativas extraordinárias, exigem provas extraordinárias. Carl Sagan

Offline JJ

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #59 Online: 23 de Fevereiro de 2016, 15:29:39 »
Quem as tropas sauditas vão apoiar na Síria afinal?

© AFP 2016/ FAYEZ NURELDINE

MUNDO

07:44 06.02.2016(atualizado 14:15 06.02.2016)

Os EUA e a Arábia Saudita discutem uma possível operação no terreno contra o Daesh, também conhecido como Estado Islâmico, na Síria, disse o representante oficial do Departamento do Estado, John Kirby.

Soldado sírio analisa ruínas de uma aldeia cristã destruída pelo Daesh no nordeste da Síria
© SPUTNIK/ VALERIY MELNIKOV
Arábia Saudita declara que forças terrestres estão prontas para invadir a Síria
Na quinta-feira (4) a Arábia Saudita expressou a sua vontade de dirigir à Síria as suas tropas com a condição de a missão ser coordenada com a coalizão liderada pelos EUA, disse conselheiro do Ministério da Defesa saudita, Ahmed Asseri.
“Temos de saber mais sobre esta proposta… Estamos discutindo com os sauditas quais são os seus parâmetros e intenções”, afirmou o ministro

Além disso, o canal americano CNN citou hoje fontes que afirmam que Riad e os seus aliados estão preparando até 150 mil militares para uma possível operação na Síria. Esta operação incluiria ainda militares egípcios, sudaneses e jordanianos.

Soldados turcos perto da fronteira sírio-turca, Sanliurfa, Turquia, 4 de setembro de 2015

© AFP 2016/ OZAN KOSE
‘Parece que Turquia e Arábia Saudita já intervieram na Síria’

No entanto, o chefe do departamento de relações internacionais do Ministério do Ensino Superior sírio, Akil Mahfoud, disse à RIA Novosti que Riad irá de fato ajudar os grupos terroristas no país árabe devastado pela guerra.

O reino do petróleo "irá fornecer grande apoio para Frente al-Nusra, Ahrar al-Sham e outros grupos similares, sob o pretexto de combater o Daesh", disse ele. "Qualquer intervenção na Síria será realizada, sem dúvida, para mudar o curso da guerra no país. Ela irá dificultar o sucesso do Exército Árabe da Síria. E aqueles que virão não combaterão contra o Daesh independentemente do que a Turquia e a Arábia Saudita dizem".

O cientista político afirma que Riad terá decidido enviar o seu exército para a Síria porque as forças lideradas por Damasco, auxiliadas por aviões de guerra russos e combatentes do Hezbollah, têm ultimamente avançado, enquanto os grupos terroristas estão recuando. O exército sírio teve recentemente grandes vitórias nas províncias de Aleppo, Latakia e Daraa.


Leia mais: http://br.sputniknews.com/mundo/20160206/3509826/wuem-vao-afinal-apoiar-tropas-sauditas-na-siria.html#ixzz410uf396l


http://br.sputniknews.com/mundo/20160206/3509826/wuem-vao-afinal-apoiar-tropas-sauditas-na-siria.html


Offline Pasteur

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #60 Online: 23 de Fevereiro de 2016, 15:39:14 »
A Turquia e a Arábia Saudita apoiam grupos rebeldes não terroristas, os mesmos que a Rússia está atacando.

O resto é propaganda russa.

Ponto final.


Offline JJ

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #61 Online: 23 de Fevereiro de 2016, 15:44:13 »
A Turquia e a Arábia Saudita apoiam grupos rebeldes terroristas, os mesmos que a Rússia está atacando.

O resto é propaganda turca.

Ponto final.
« Última modificação: 23 de Fevereiro de 2016, 15:48:01 por JJ »

Offline JJ

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #62 Online: 23 de Fevereiro de 2016, 15:46:45 »

Fazer alguma afirmação peremptória num fórum é tão fácil.



Offline JJ

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #63 Online: 23 de Fevereiro de 2016, 15:48:31 »
Daesh usa civis como escudos humanos contra avanço do exército sírio

© AFP 2016/ STRINGER

MUNDO

Combatentes do Daesh estão indo de porta em porta em Raqqa e nas aldeias vizinhas à procura de civis para os usar como escudos humanos contra o exército sírio e as forças populares que avançam a partir das províncias de Alepo e Hama, escreveu a agência de notícias iraniano Fars no domingo (21).

Cenário de destruição após ataque terrorista no distrito xiita de Sayyidah Zaynab, em Damasco
© SPUTNIK/ MICHAEL ALAEDDIN

Daesh assume autoria de atentado ao sul de Damasco

"A retoma de cerca de 10 quilômetros quadrados na região de Ithriya pelas tropas do Exército sírio e as Forças de Defesa Nacional causou sérias preocupações entre os principais comandantes do Daesh em Raqqa e eles começaram a sequestrar os cidadãos na cidade e em torno dela em uma tentativa de os usar como o escudo humano nos campos de batalha para retardar o avanço do exército», disseram várias fontes locais perto da cidade de Raqqa — a capital autoproclamada do Daesh — no domingo.

De acordo com fontes militares no terreno, o Exército sírio e as Forças de Defesa Nacional, apoiadas por ataques aéreos russos, reconquistaram um número de postos de controle estratégicos na província de Raqqa.



Leia mais:

 http://br.sputniknews.com/mundo/20160222/3645179/daesh-usa-civis-como-escudos-humanos-contra-avanco-do-exercito.html#ixzz411BCvXYK

Offline DDV

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #64 Online: 23 de Fevereiro de 2016, 16:21:17 »
1- Estado Islâmico é inimigo de todos.

2- Rebeldes anti-Assad (fora o EI) são apoiados pelo Ocidente, Turquia e Arábia Saudita.

3- Rússia apóia o regime de Assad.

4- Curdos lutam contra o EI.

5- Turquia e Assad lutam contra os curdos.


Teria como alguém fazer um gráfico mostrando as relações entre essas partes envolvidas na guerra aí?  :lol:
Não acredite em quem lhe disser que a verdade não existe.

"O maior vício do capitalismo é a distribuição desigual das benesses. A maior virtude do socialismo é a distribuição igual da miséria." (W. Churchill)

Offline DDV

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #65 Online: 23 de Fevereiro de 2016, 16:27:35 »
Eu nunca tinha visto um russófilo antes.

JJ deve ter chorado assistindo Dr. Jivago.
Não acredite em quem lhe disser que a verdade não existe.

"O maior vício do capitalismo é a distribuição desigual das benesses. A maior virtude do socialismo é a distribuição igual da miséria." (W. Churchill)

Offline Johnny Cash

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #66 Online: 23 de Fevereiro de 2016, 16:40:55 »

Teria como alguém fazer um gráfico mostrando as relações entre essas partes envolvidas na guerra aí?  :lol:



Offline JJ

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #67 Online: 28 de Fevereiro de 2016, 17:13:14 »
A quem interessa a guerra na Síria?


O que está ocorrendo, na realidade, na Síria? Para início de qualquer análise a respeito é necessário que alguns pontos nebulosos sejam esclarecidos e considerados como premissa válida.


Em primeiro lugar: os EUA, ao contrário do que pregam ao mundo, não estão combatendo o Estado Islâmico (ISIS) ou os rebeldes do grupo Al Nusra – o braço da Al Qaeda na Síria. Evidências mostram exatamente o contrário, que fornecem armas e munições a estas facções- cerca de 50 mil mercenários de mais de 30 países- que lutam pela derrubada do presidente eleito do país, Bashar Al Assad, com o apoio dos governos da Turquia, Arábia Saudita, Israel e Qatar.

Em segundo lugar: a guerra da Síria não é uma guerra civil, mas uma brutal ação americana de invasão do território sírio. As operações de bombardeio dos EUA e seus aliados foram iniciadas sem a permissão do Conselho de Segurança da ONU, além de não serem feitas em conjunto com o governo sírio, como determinam os tratados e convenções internacionais.

Em terceiro lugar: pela primeira vez em mais de 25 anos a Rússia atua oficialmente em uma ação de grande escala no exterior e apesar de apelar para a abertura de negociações em torno de uma coalização internacional de objetivos comuns, Putin deixou claro que pode agir sozinho e iniciou ataques aos grupos Estado Islâmico (ISIS) e ao Al Nusra, a pedido de Bashar Al Assad, causando em 15 dias, uma perda de 40% da infraestrutura destes grupos terroristas, além da morte de três membros das forças de operações especiais estadunidenses que assessoravam a Frente Al-Nusra, braço da Al Qaeda no país.

Em quarto lugar: a decisão de Putin, tomada em 13 de outubro, de ordenar aos caças russos derrubar os aviões norte americanos que fornecem armas e equipamentos de guerra ao Estado Islâmico e ao denominado Exército Livre da Síria criou uma tensão extrema entre EUA e Rússia, cujos resultados são imprevisíveis e perigosos para toda a humanidade.

Em quinto lugar: Se a ONU não se posicionar firmemente a respeito do conflito, e estabelecer uma coordenação conjugada com o governo sírio para um real ataque ao terrorismo instalado no país, estará sendo cúmplice da estratégia americana montada há mais de dez anos de destruir a Síria como passo anterior à dominação do Irã.

Um informe escrito por Michael O'Hanlon, membro da Brookings Instituiton - financiado por grandes corporações mundiais como Coca Cola, Chevron, Boeing, Bank of America. JP Morgan, entre outros – em 2009, intitulado Que caminho seguir até a Pérsia? Opções de uma nova estratégia estadunidense para o Irã, mostra que o objetivo americano de dominação do Oriente Médio está traçada há muitos anos.

O informe diz que tanto a Síria como o Hezbolá, do Líbano, eram obstáculos significativos para dividir e destruir o Irã e que cada um destes obstáculos deveria ser eliminado antes de se atuar contra o estado persa. Pois bem, é exatamente o que os EUA está tentando fazer desde 2011.

Se a Rússia não entrasse em ação agora, o que fatalmente ocorreria - a exemplo de muitos outros países onde os EUA iniciou suas guerras, propagandeadas ao mundo como "ajuda humanitária ou antiterrorista" - era mais um país em chamas, com seus cidadãos exilados, sua cultura destruída, e logo a seguir ali instaladas confortavelmente as garras do Tio Sam.

É claro que nesta guerra, assim como em outras, não existem bandidos e mocinhos, nem muito menos fatos isolados. Tudo faz parte de um processo por trás do qual está o que move o mundo: poderio econômico, sobrevivência da indústria bélica, interesses pelo domínio geopolítico, neste caso do Oriente Médio, além da própria segurança territorial da Rússia, ameaçada pelo avanço do Estado Islâmico na região.

Pouco a pouco, transcende na imprensa internacional que o Pentágono prega que está atacando o grupo terrorista mas, na verdade, vem contribuindo com o Estado Islâmico para que ataquem o Exército de Damasco e facilitem a caída do presidente Bashar Al Assad, principal objetivo americano.

A revista francesa "Le Canard Enchaîné" - prima da satírica Charles Hebdo, vítima do brutal atentato em Paris que matou dezenas de jornalistas - afirmou em sua edição de seis de outubro de 2015 que há mais de um ano os pilotos dos países da coalisão com os EUA, na Síria e Iraque, receberam ordens de não atacar a Frente Al-Nusra- braço da Al Qaeda na Síria.

Agora que três deles foram mortos nos bombardeios russos tudo ficou mais claro: os terroristas não podiam ser bombardeados porque estrategistas americanos trabalham in loco com eles pela queda do presidente da Síria. Mais cristalino, impossível.

Os últimos acontecimentos envolvendo EUA e Rússia, leva alguns especialistas a qualificar como esquizofrênica a relação entre os dois países no caso sírio.

Diante de uma plateia de cerca de mil empresários, no Fórum Kalling Rússia, dia 13 de outubro, em Moscou, Putin declarou que a resposta dos EUA sobre seu pedido de uma lista de localizações na Síria considerada 100% terroristas pelos norte-americanos, foi de que, pasmem!, não estavam preparados para passar esta informação.

O presidente russo acrescentou para uma surpreso público: "não estou brincando. Isso aconteceu. E eles estão lá há um ano". Fica claro, então, que Washington não quer dar informações sobre os terroristas na Síria.

O jornal britânico The Guardian publicou reportagens afirmando que a maior parte dos sírios não acreditam que os EUA lutem contra as facções terroristas no país mas enxergam os russos chegados este mes, como salvadores frente ao terrorismo instalado na Síria.

Segundo Lindsey Hilsum, redator internacional do Canal 4, a maior parte dos sírios de Tartus e Latakia entrevistados pela tevê, apoiam o presidente Bashar Al Assad e acreditam que os russos estão determinados a derrotar o ISIS, a Al Nusra e os demais grupos rebeldes que querem derrubar o presidente eleito Bashar Al Assar.

Por que os EUA não querem negociar com a Rússia uma ação conjunta contra o terrorismo na Síria, se pregam para o mundo que tudo o que querem é lutar contra o fim do terrorismo?

Ao contrário de Obama, Putin dá nome aos bois. Em 28 de setembro, declarou na ONU que a Rússia não pode mais tolerar a política externa perigosa, estúpida e falida de Washington, que desencadeou o caos no Oriente Médio e começa a tomar conta da Europa. Recado curto e grosso. Ele sabe que se o Estado Islâmico tomar o Oriente Médio, a Rússia se encontrará fatalmente em apuros.

Na última semana, em entrevista à tevê estatal russa, o ministro de Relações Exteriores, Sergey Lavrov, deu pistas sob a agenda clandestina norte americana na Síria, ao afirmar que "espero não estar cometendo alguma indiscrição, se disser que alguns de nossos contrapartes, membros da coalizão, dizem que as vezes recebem informações sobre a posição de grupos do ISIS, mas o comandante da coalizão -nos EUA naturalmente- nunca entende que seja boa hora para atacar.

E o ministro foi mais longe ao acrescentar que "quem analisar a aviação da coalizão verá coisas estranhas. Suspeitamos que a parte os objetivos declarados de dar combate ao Estado Islâmico, há algo mais nos planos da coalizão " .

O recado foi dado. Lavrov quis dizer que os russos tem inteligência para comprovar algo que os iranianos já vem afirmando há muito tempo: que a aviação norte-americana está regularmente fornecendo suprimentos para o Estado Islâmico, na Síria e no Iraque.

Várias agências internacionais dão conta deste fato. Um dos muitos exemplos disso é a recente matéria da Tevê Telesur afirmando que o Exército iraquiano e as forças de voluntários descobriram armamentos de procedência norte-americana, dentre eles mísseis TOW-2, nas posições e trincheiras do Estado Islâmico, durante operações na região de Faluya, oeste do Iraque.

Em fevereiro deste ano o presidente do Comitê de Defesas e Segurança Nacional do Parlamento Iraquiano, Haquim Al Zameli, revelou também que o Exército iraquiano tinha derrubado dois aviões britânicos que levavam armas para o ISIS na província de Anbar e acrescentou que tinha as fotos das aeronaves.

O aumento da influência russa no cenário mundial frente aos EUA foi reconhecido pela revista alemã Der Spiegel ao afirmar que "os últimos acontecimentos na esfera política internacional demonstraram o início de uma nova era em que o equilíbrio de forças mudou de forma definitiva, passando a dominação ocidental do mundo a ser vista como coisa do passado".

O ex-embaixador dos EUA em vários países árabes e mulçumanos, Ryan Crocker, disse ao Wall Street Journal que "a influência dos EUA no Oriente Médio atravessa um declive sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial.

Já o analista do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres, Emile Hokayem, declarou na imprensa recentemente que os EUA perdeu para sempre sua posição dominante no Oriente Médio.

Espero realmente que eles tenham razão. E que a doutrina de dominação do mundo dos EUA ancorada na estratégia da lenda do inimigo externo por meio de propaganda governamental e da grande mídia, esteja chegando ao fim.

A saga de milhares de refugiados sírios e líbios, fugindo da guerra numa travessia do mar Mediterrâneo onde muitos encontram a morte não há de ser em vão.

A humanidade branca e rica está sendo levada a refletir e se posicionar. Acostumada a ver e esquecer no próximo minuto negros morrendo na África, a população europeia está aterrorizada diante de crianças brancas, e até outro dia bem nutridas, chorando de fome e cansaço escalando junto com seus pais cercas erguidas nas fronteiras para apartá-los como se criminosos fossem.

Estão apenas, como seres humanos, tentando sobreviver. E é para que este tipo de crueldade deixe de ser rotina no Oriente Médio, na África ou em qualquer lugar do mundo, que devemos nos posicionar contra a escalada mundial de guerras promovidas pelos EUA e seus aliados, que não tem nenhum outro propósito que não o de dominação territorial.


http://www.brasil247.com/pt/colunistas/chicovigilante/202088/A-quem-interessa-a-guerra-na-S%C3%ADria.htm



Offline JJ

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #68 Online: 28 de Fevereiro de 2016, 17:18:26 »
Texto do ano passado que informa um pouco sobre o apoio  da Qatar a grupos terroristas que atuam na Síria:



Síria denuncia o Qatar no Conselho de Segurança da ONU



Duas cartas, de igual teor, datadas em 09/06/2015, dirigidas ao Secretário Geral das Nações Unidas e ao Presidente do Conselho de Segurança, por parte do Ministério das Relações Exteriores e Expatriados da República Árabe da Síria.

Com base nas instruções do Governo da República Árabe da Síria, gostaria de transmitir, a Vossas Senhorias, a rejeição do Governo do meu país às falsas alegações citadas na carta do regime do Qatar, emitida através do documento No. S/332/2015, que vêm no contexto de suas tentativas desesperadas de melhorar a sua imagem, de suas práticas de apoio ao terrorismo, da distorção dos fatos e de dispersar as atenções dos países membros das Nações Unidas, de modo geral, e do Conselho de Segurança, de modo especial, quanto ao apoio direto dado pelo regime do Qatar aos grupos terroristas armados, para aterrorizar o povo sírio e atingir a segurança e a estabilidade do Estado sírio. A seguir, alguns dos fatos que provam o envolvimento direto do Qatar no derramamento de sangue sírio e no apoio ao terrorismo:

- Ironicamente, o regime do Qatar uniu-se ao refrão dos países que apresentam cartas, de igual teor, ao Conselho de Segurança e ao Secretário Geral contra a Síria, recheadas de distorções e de inversões dos fatos, especificamente quando alegam que a Síria usou armas químicas contra o seu povo, ao tempo em que a Organização para a Proibição de Armas Químicas afirmou que a Síria cumpriu com o seu compromisso, de acordo com o Tratado de Não Proliferação de Armas Químicas e em cooperação total com a Comissão Técnica da Organização. As alegações, nas quais se basearam as cartas do Qatar, não despertam senão a zombaria, porque foi a Síria quem pediu a investigação sobre uso de armas de cloro, por parte dos grupos terroristas armados, contra os civis inocentes nas cidades e vilarejos sírios. A posição das autoridades do Qatar e outros é uma defesa clara de seus aliados declarados, como a Jabhat Al Nusra e o ISIS (Daesh), além de outros grupos terroristas ligados à Al Qaeda, especialmente porque as informações disponíveis indicam que os governos do Qatar, da Arábia Saudita, da Turquia e outros estão suprindo os terroristas com estes materiais tóxicos para difamar o Governo da República Árabe da Síria e denegrir a sua imagem.

- Os meios midiáticos do Qatar, em todos os níveis, promovem uma campanha de propaganda e promoção dos grupos terroristas armados ativos em território sírio e os defendem à exaustão. O Canal Al Jazeera recebeu como convidado, em 27 de maio de 2015, em seu programa ‘Sem Fronteiras’, o conhecido como ‘Abu Mohamad Al Jolani’, emir da organização Jabhat Al Nusra, (citado na lista da comissão do Conselho de Segurança sobre a Al Qaeda), com o qual realizou uma entrevista para promover o terrorismo e as organizações terroristas e para dirigir mais ameaças ao Governo e ao povo sírio. A aparição do chamado ‘Abu Mohamad Al Jolani’ num canal de mídia, nada mais é do que uma prova definitiva e reiterada sobre a relação orgânica e a cooperação estreita entre esta organização terrorista, o canal Al Jazeera e as autoridades qataris, detentoras deste canal, que fala em nome da família governante do Qatar, responsável pela definição das políticas midiáticas, promocionais e de incitação do mesmo. A realização desta entrevista é uma flagrante violação das resoluções das Nações Unidas, relativas ao combate ao terrorismo, especialmente a resolução No. 1624, relativa à incitação ao terrorismo.

- O Ministro de Relações Exteriores do regime do Qatar considerou, durante uma entrevista com o jornal francês Le Monde, em 11 de maio de 2015, realizada no coração de um país membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que a cooperação com a organização Jabhat Al Nusra e com os grupos terroristas ligados à ela ou ramificados dela é um fato inevitável. Citamos o seguinte trecho da entrevista: “Nós somos contra qualquer extremismo, mas todos estes grupos, com exceção do ISIS (Daesh), lutam para derrubar o regime e os moderados não podem dizer à Jabhat Al Nusra: ‘Fique em casa! Não atuaremos com vocês’…temos que olhar para a situação no terreno e sermos realistas”. Esta declaração feita pelo Ministro das Relações Exteriores do regime do Qatar é considerada um franco reconhecimento do chefe da diplomacia qatari sobre o apoio e a aceitação da cooperação com a organização terrorista Jabhat Al Nusra, o que representa uma flagrante violação das resoluções do Conselho de Segurança relativas ao combate ao terrorismo, especialmente as resoluções Nos. 1373, 2170, 2178 e 2199.

- A carta do representante do regime do Qatar cita o chamado ‘esforço de mediação’ promovido pelas instituições governamentais do Qatar. Neste sentido, o Governo da Síria assinala que tais instituições governamentais diferem das demais instituições governamentais do mundo todo, ao atuar como mediadoras junto aos vários grupos terroristas, como a Al Qaeda e a Jabhat Al Nusra, para libertar os reféns e as pessoas sequestradas pelas organizações terroristas na Síria, incluindo o conhecido sequestro dos membros das forças da UNDOF e outros no mundo todo. A atitude apressada do regime do Qatar em servir de mediador e em avalizar o pagamento de resgates, avaliados em milhões de dólares, somente confirma o seu contato, a sua estreita coordenação com os grupos terroristas armados e a utilização destas situações como meio de fornecer um financiamento declarado aos grupos terroristas armados.

A República Árabe da Síria exige das Nações Unidas e, em especial, do Conselho de Segurança, a adoção de medidas imediatas contra o regime do Qatar, apoiador dos grupos terroristas armados na Síria, que cometeram os mais brutais e sanguinários crimes contra o Estado e o povo da Síria, e a punição dos responsáveis, de acordo com as resoluções do Conselho de Segurança sobre o combate ao terrorismo, especialmente as cinco resoluções supracitadas.

Tradução: Jihan Arar


http://www.orientemidia.org/siria-denuncia-o-qatar-no-conselho-de-seguranca-da-onu/


Offline Pedro Reis

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #69 Online: 11 de Março de 2016, 03:23:08 »
A quem interessa a guerra na Síria?


Israel, os EUA, uma meia dúzia de companhias de petróleo, e alguns outros, não iriam se incomodar com a destruição do Irã.

Mas não acho que este seja o objetivo direto dessa guerra. O Irã já deu mais  pretextos do que o Iraque para ser atacado e ainda não foi. Parece que, no atual momento, a relação custo/risco e benefício não está fazendo valer a pena.

Acho que existem teses mais embasadas, e que se encaixam melhor nas evidências, para explicar tanto o envolvimento do Ocidente quanto da Russia neste conflito. ( Assim como o do Irã, da Arábia Saudita e do Qatar. )  Quando tiver um pouco mais de tempo gostaria de expor a minha visão ( que é também a de muitas outras pessoas ) para a apreciação e críticas aqui neste tópico.

Por enquanto, JJ, eu acho que a Islândia - sim, a Islândia! - tem algo a dizer sobre as fontes que você NÃO usa.


"Islândia saiu da crise porque "não deu ouvidos" à UE e recusou a austeridade"


http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/islandia_saiu_da_crise_porque_nao_deu_ouvidos_a_ue_e_recusou_a_austeridade.html

"COMO A ISLÂNDIA SAIU DE UMA CRISE DRAMÁTICA COM O PODER DO POVO (E POR QUE ESTOU INDO PARA LÁ)"

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-a-islandia-saiu-de-uma-crise-dramatica-com-o-poder-do-povo-e-por-que-estou-indo-para-la/

ISLÂNDIA: O PAÍS QUE SAIU DA CRISE SEM AUSTERIDADE


http://pt.blastingnews.com/internacional/2015/02/islandia-o-pais-que-saiu-da-crise-sem-austeridade-00277807.html


Islândia: uma história interessante que ninguém se interessou em contar.[

<a href="https://www.youtube.com/v/dQg5jr5YPBc" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/dQg5jr5YPBc</a>
« Última modificação: 11 de Março de 2016, 03:28:37 por Pedro Reis »

Offline Wowbagger, o Infinitamente Prolongado

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #70 Online: 11 de Março de 2016, 07:47:45 »
A quem interessa a guerra na Síria?


Israel, os EUA, uma meia dúzia de companhias de petróleo, e alguns outros, não iriam se incomodar com a destruição do Irã.

Mas não acho que este seja o objetivo direto dessa guerra. O Irã já deu mais  pretextos do que o Iraque para ser atacado e ainda não foi. Parece que, no atual momento, a relação custo/risco e benefício não está fazendo valer a pena.

Acho que existem teses mais embasadas, e que se encaixam melhor nas evidências, para explicar tanto o envolvimento do Ocidente quanto da Russia neste conflito. ( Assim como o do Irã, da Arábia Saudita e do Qatar. )  Quando tiver um pouco mais de tempo gostaria de expor a minha visão ( que é também a de muitas outras pessoas ) para a apreciação e críticas aqui neste tópico.


Não sei se o Irã deu mais motivos que o Iraque para ser atacado. Apesar da retórica dos aiatolás de destruição do inimigo sionista e da ambição nuclear, o Irã nunca atacou ninguém. Mesmo o programa nuclear disfarçado de civil não seria justificativa suficiente para o ataque. Tem que ser lembrado que Israel, apesar de ser cercado por lunáticos possui bombas atômicas não declaradas (nem negadas) e Israel sim tem uma política claramente expansionista (não declarada).
O ataque ao Iraque, apesar de ter derrubado Saddam, foi catastrófico. Não teve por objetivo a derrubada de uma família sanguinária do poder nem a busca por armas de destruição em massa. O ataque foi uma apropriação de uma commoditie. Atacar o Iraque causou um problema real, atacar o Irã seria imprevisível quanto a resultados.

Eu tenho para mim que os países produtores de petróleo (talvez com exceção da Russia) estavam contando com um ataque ao Irã. A crise atual com o preço do petróleo é advinda da inundação do produto causado (muito provavelmente) pelo desejo dos países produtores de petróleo de quebrar a produção americana de óleo com o Fracking e o xisto. Os países produtores causaram a queda do preço do óleo para ser inviável economicamente a produção americana e agora estão com uma bomba nas mãos.

O mundo é hoje um lugar extremamente perigoso, mais do que foi na guerra fria.

Offline Geotecton

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #71 Online: 11 de Março de 2016, 09:00:56 »
Citar
ISLÂNDIA: O PAÍS QUE SAIU DA CRISE SEM AUSTERIDADE

http://pt.blastingnews.com/internacional/2015/02/islandia-o-pais-que-saiu-da-crise-sem-austeridade-00277807.html
[...]

Uma bela estória. Mas para 'boi dormir'.

Quando um banco é nacionalizado, todos os ativos e passivos são absorvidos pelo estado local, no caso a Islândia. Este país simplesmente deu um calote em milhares de correntistas ingleses e holandeses que aplicaram o seu dinheiro em três bancos locais e que foram nacionalizados.

Assim é fácil sair da crise. Até eu conseguiria desta maneira.
Foto USGS

Offline Pedro Reis

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #72 Online: 12 de Março de 2016, 07:45:19 »


Não sei se o Irã deu mais motivos que o Iraque para ser atacado. Apesar da retórica dos aiatolás de destruição do inimigo sionista e da ambição nuclear, o Irã nunca atacou ninguém. Mesmo o programa nuclear disfarçado de civil não seria justificativa suficiente para o ataque. Tem que ser lembrado que Israel, apesar de ser cercado por lunáticos possui bombas atômicas não declaradas (nem negadas) e Israel sim tem uma política claramente expansionista (não declarada).
O ataque ao Iraque, apesar de ter derrubado Saddam, foi catastrófico. Não teve por objetivo a derrubada de uma família sanguinária do poder nem a busca por armas de destruição em massa. O ataque foi uma apropriação de uma commoditie. Atacar o Iraque causou um problema real, atacar o Irã seria imprevisível quanto a resultados.

Eu tenho para mim que os países produtores de petróleo (talvez com exceção da Russia) estavam contando com um ataque ao Irã. A crise atual com o preço do petróleo é advinda da inundação do produto causado (muito provavelmente) pelo desejo dos países produtores de petróleo de quebrar a produção americana de óleo com o Fracking e o xisto. Os países produtores causaram a queda do preço do óleo para ser inviável economicamente a produção americana e agora estão com uma bomba nas mãos.

O mundo é hoje um lugar extremamente perigoso, mais do que foi na guerra fria.

O Irã certamente deu mais motivos ( pretextos ) para ser atacado do que o Iraque. Porque o Iraque não deu pretexto algum.

A guerra contra o Irã foi uma guerra travada por procuração, com apoio dos EUA. Quando o Iraque saiu de 10 anos de guerra, economicamente arrasado, o vizinho Kwait, unilateralmente, começou estranhamente a baixar o preço do seu petróleo, o que prejudicava as exportações iraquianas.

Saddam ameaçou o Kwait dizendo que era uma atitude hostil, e chamou a embaixadora americana para uma conversa, onde ele, de maneira indireta, deu a entender que se o Kwait não voltasse a subir o preço do seu óleo haveria guerra. A embaixadora disse algo como "Washington não pode se envolver nos assuntos internos e econômicos de outros países...", o que ele entendeu como um sinal verde para a invasão. Nada mais natural, deve ter ocorrido mais ou menos assim também antes da invasão do Irã.

Saddam, cujo partido Baath chegou ao poder derrubando um regime muito mais democrático, graças a uma conspiração a maior parte tramada na embaixada americana no Cairo, onde ele, Saddam, muitas vezes esteve presente, e era chamado pelo embaixador americano no Egito de  "my tough guy", sempre tentou ser um bom amigo dos Estados Unidos, e não faria nada tão radical sem consultar os americanos.

A invasão aconteceu e imediatamente os EUA estavam prontos para uma reação que surpreendeu não só ao Saddam mas ao mundo. Todas as características de uma cilada, mas esta, estranhamente é mais uma dessas histórias que a imprensa não se interessa em contar. Porém um jornalista americano, alguns anos depois, conseguiu levantar documentos e testemunhos sobre a comunicação entre a embaixada no Iraque e Washington antes da invasão ao Kwait, e escreveu um livro mostrando que os EUA foram praticamente consultados pelo Iraque antes da invasão ao Kwait.

Um livro que muito pouca gente ouviu falar. E apesar de todo o interesse sobre a guerra a mídia não deu nenhum destaque.

Para a segunda invasão não havia motivo algum, além de uma junta do petróleo que havia chegado a Casa Branca por meio de uma eleição fraudulenta. Uma junta onde todos os nomes em posições estratégicas no governo eram pessoas oriundas da indústria petrolífera: Dick Cheney, Rumsfeld, Condoleeza Rice - que tem até um navio petroleiro batizado com seu nome - e o próprio Bush.

Não entendi a parte onde os produtores de petróleo desejariam quebrar a produção americana. Poderia explicar melhor? Os EUA são grandes produtores de petróleo? Querem acabar com essa produção, por quê? O xisto é um concorrente ao petróleo? O xisto é uma catástrofe ambiental que está proibida em vários países.

Não entendi o que você quis dizer.

Offline Pedro Reis

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #73 Online: 12 de Março de 2016, 08:10:17 »

Uma bela estória. Mas para 'boi dormir'.


O boi não dormiu porque ninguém contou nada ao boi.

A relevância dessa história está em ter sido ignorada.

Outra discussão diferente é se um povo deve arcar com as consequências de políticas irresponsáveis, talvez até intencionalmente, feitas à sua revelia.

No Brasil um regime autoritário, que chegou ao poder em um golpe patrocinado externamente, fez uma dívida astronômica desperdiçada em estradas engolidas pela selva, usinas nucleares desnecessárias, projetos geo-políticos que assustavam nossos vizinhos como o Calha Norte, e muita incompetência e corrupção.

Então um ministro dizia: "Dívida não se paga, se rola.". Com isso queria dizer que devíamos pegar mais empréstimos para pagar os juros da dívida, aumentar a dívida e pagar mais juros.

Um pais inteiro paralisado pela recessão, sufocado pela inflação, e o povo sofrendo essas consequências para o benefício de banqueiros. Porque nem eu nem você pedimos por transamazônica e projetos megalômanos do General Golbery, mas é a vida de gente como eu e você que é afetada. Nem eu nem você pedimos por Copa do Mundo e Olimpíada, mas não foi paga pela iniciativa privada como disseram que seria, não deu lucro como mentiram que daria, e o dinheiro do financiamento sumiu em algum lugar no meio do caminho porque muitas obras previstas e orçadas não foram feitas.

E eu não posso acreditar que a FIFA e o COI sejam tão idiotas quanto nós somos. Porque quando o governo Lula apresentou seu caderno de intenções, o projeto olímpico e o da copa, ele apresentou detalhadamente o projeto, que necessariamente incluía estudos de viabilidade técnica mas também de onde e como sairiam os recursos.

E deve ter sido um projeto convincente, porque o COI e a FIFA não iriam pôr em risco seus eventos mais importantes confiando apenas em promessas de políticos. Então eu suponho que o dinheiro existia, que os projetos eram viáveis, e os orçamentos razoáveis.

Porém no meio do processo, e isso é praxe no Brasil, obras orçadas em X já custam 5X, e no final é gasto 10X e NÃO SÃO FEITAS! Como o escandaloso VLT de Cuiabá. Como a despoluição da baía de Guanabara, cujas obras obtiveram financiamento NA ECO 92!

Isso mesmo, jogos olímpicos coisa nenhuma! Eles conseguiram o dinheiro há mais de 20 anos, as obras começaram e estão lá os esqueletos das estações de tratamento enfeiando o entorno da baía, e tudo parou porque o dinheiro do empréstimo escoou pelo ralo.

Citação de: O Globo
Programa de despoluição da Baía de Guanabara já era negociado na Rio-92

Foram feitos empréstimos, mas boa parte do programa ficou no papel. Vinte anos depois, governo anuncia investimento de R$ 1,1 bilhão.

http://g1.globo.com/natureza/rio20/noticia/2012/06/programa-de-despoluicao-da-baia-de-guanabara-ja-era-negociado-na-rio-92.html

Mas alguém tem que pagar até o dinheiro que sumiu, e somos nós quem pagamos.

Então o que ocorreu na Islândia foi que as pessoas disseram: " Perai, quem fez esta dívida? Pra quê? Quem se beneficiou com isso? Como aconteceu o processo?". Feitas as investigações banqueiros e administradores públicos foram responsabilizados e processados, e foram presos ou tiveram que fugir.

Não é má ideia. No RJ Sérgio Cabral gastou 1 bilhão para dar um cal no muro do Maracanã, trocar as cadeiras e consertar os banheiros, enquanto que na Copa da Alemanha não custou nem metade disso para construir estádios de última geração a partir do zero. Mas agora, seu sucessor, o Pezão, não tá pagando o funcionalismo e os pensionistas porque o estado está falido. Então o certo e o justo é que o povo do estado ( e do Brasil, porque tinha recurso federal nisso também ) "honre" os compromissos que enriqueceram um bandido como o Cabral?

Mas pena mesmo eu tenho do Pezão... porque um homem se esforça, luta, vem de baixo como ele veio, e consegue vencer na política se sujeitando a fazer as coisas mais execráveis, sendo obrigado ao sacrifício pessoal de suprimir qualquer resquício de senso moral que por ventura houvesse em sua natureza, e quando finalmente chega a hora da justa recompensa, eleito para governar um estado importante com um considerável orçamento, este homem NÃO PODE NEM ROUBAR porque já pilharam tudo antes dele. A vida é injusta.

Mas o caso islandês não está citado neste tópico para discutir isso. A menção é ao silêncio
da mídia porque praticamente só ficamos sabendo por meio do que poderíamos chamar de mídia alternativa.

Alguém pode argumentar que a Islândia não é um país tão importante, e eu concordaria. Mas a Grécia também é um país periférico na Europa e quando ocorreu a crise grega só se falava nisso. Não se podia abrir o jornal ou assistir TV sem ficar sabendo sobre a crise grega.

O remédio prescrito para os gregos era o então mesmo que estava sendo receitado para os islandeses: austeridade, cortem todos os gastos, sacrifiquem as pessoas, os banqueiros devem receber seu dinheiro. Mas aí ocorre todo este processo sui generis na Islândia, com total relação com a crise grega, e ninguém fala nada sobre isso?! É estranho.

Passou desapercebido por puro acaso, por desatenção, ou teria algo a ver com o fato dos Rockefellers, os illuminatis e os reptilianos geneticamente alterados por alienígenas falarem inglês?
« Última modificação: 12 de Março de 2016, 08:12:42 por Pedro Reis »

Offline Wowbagger, o Infinitamente Prolongado

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Re:Guerra na Síria
« Resposta #74 Online: 12 de Março de 2016, 21:17:31 »


Não entendi a parte onde os produtores de petróleo desejariam quebrar a produção americana. Poderia explicar melhor? Os EUA são grandes produtores de petróleo? Querem acabar com essa produção, por quê? O xisto é um concorrente ao petróleo? O xisto é uma catástrofe ambiental que está proibida em vários países.

Não entendi o que você quis dizer.

http://www.nytimes.com/2016/03/13/opinion/sunday/how-saudi-arabia-turned-its-greatest-weapon-on-itself.html?action=click&pgtype=Homepage&clickSource=story-heading&module=opinion-c-col-left-region&region=opinion-c-col-left-region&WT.nav=opinion-c-col-left-region&_r=0

 

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