Autor Tópico: Consenso científico é apelo à autoridade?  (Lida 943 vezes)

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Offline Lakatos

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Consenso científico é apelo à autoridade?
« Online: 25 de Fevereiro de 2016, 22:09:49 »
Outro dia estava perdendo tempo em uma dessas discussões fúteis de internet com um negacionista do aquecimento global, que usava como base aquele vídeo do Ricardo Felício, professor da USP, no Jô Soares, onde ele fez diversas alegações sem fundamento que provavelmente a maioria aqui já soube. Em certo ponto da discussão, ele apelou ao currículo do cara, dizendo que ele era especialista, que havia estudado a vida toda e que eu não ia refutá-lo com alguns links e textos. Apelo à autoridade clássico. Então eu respondi dizendo que entre os especialistas, pessoas com o mesmo gabarito científico do RF ou maior, há um quase consenso de que o aquecimento global existe, é causado em grande parte provavelmente por fatores antropogênicos, citei aquela lista das academias de ciências que endossam essa conclusão, etc.

Enfim, a discussão acabou em nada, como previsto, mas depois de um tempo comecei a pensar se na verdade o que eu fiz também não seria uma variação de um argumento de autoridade. Ou seja, pareceu óbvio que eu apenas troquei a autoridade dele por outra pretensamente maior e mais confiável, esperando que isso desse maior credibilidade à conclusão apresentada. Dificilmente não daria pra chamar isso de apelo à autoridade. Ainda mais, concluí que boa parte da minha própria opinião ser essa (aquecimento global é real e antropogênico) advém da minha consideração de o consenso científico ser uma autoridade confiável, já que não sou climatologista e nem domino todo o ferramental teórico e prático para tirar conclusões em primeira pessoa sobre o tema.

O que me levou às verdadeiras questões que compartilho agora: na opinião de cada um de vocês, qual é a postura mais correta a ser adotada diante da incapacidade de conhecimento científico em primeira pessoa? Por que o consenso científico seria mais do que um grande apelo a autoridade, já que para o não-cientista até mesmo o conhecimento sobre os métodos de fiscalização e correção da ciência nos são dados por autoridades (divulgadores e filósofos da ciência)? Como fazer em áreas onde os especialistas estão frequentemente em oposição (economia, política, sociologia, psicologia)? Ou na verdade não existe uma falácia do apelo à autoridade, na verdade existe a falácia de apelo à "má" autoridade (como a de um climatologista) enquanto o apelo à "boa" autoridade (consenso das academias de ciência) se mantém como um argumento válido?

Lembrando que a suspensão de juízo é uma impossibilidade prática, já que quase sempre temos que tomar decisões baseadas em conhecimentos dessas áreas.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #1 Online: 25 de Fevereiro de 2016, 22:26:18 »
De um lado se tem a falácia de apelo a autoridade: X é verdadeiro porque o doutor X, Y e Z dizem que sim e são doutores.

No outro caso o "apelo" à autoridade não é falacioso, decorre de necessidade, por falta de proximidade com o tema, ao mesmo tempo em que não há uma seleção enviesada das autoridades no tema. É simplesmente a afirmação de um fato: o estudo científico sobre o tema levou a maioria dos cientistas a concluir que Y.

Offline Lakatos

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #2 Online: 25 de Fevereiro de 2016, 22:29:28 »
Mas como fazer o salto entre "a maioria dos cientistas foi levada a concluir Y" e "Y deve ser verdade" sem um apelo à autoridade falacioso?

Offline Lakatos

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #3 Online: 25 de Fevereiro de 2016, 22:31:18 »
Até porque em áreas menos "hard science" do conhecimento humano esse salto pode ser realmente perigoso.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #4 Online: 25 de Fevereiro de 2016, 23:10:24 »
Mas como fazer o salto entre "a maioria dos cientistas foi levada a concluir Y" e "Y deve ser verdade" sem um apelo à autoridade falacioso?

É um "apelo" à natureza do processo científico, dos pesquisadores estarem pesquisando e analisando/refutando/refinando as conclusões uns dos outros, descartando o que não se sustenta. Se a maioria descarta algo, deve ser mesmo "descartável" na maior parte do tempo.

Não é perfeito, mas sem ter condições/capacidade de avaliar diretamente as coisas*, é a opção de menor risco.

E "risco" também é o que se analisa em caso de ter que se tomar decisões apesar de conhecimento incompleto. Não é necessário total confiança em uma hipótese, nem mesmo na que a maioria dos cientistas sugerem ser mais provável. Deve haver sempre um curso de ações um pouco mais seguro e cujo custo não seja excessivo, independentemente do que vier a se confirmar como realidade.

A "alternativa" é considerar igualmente provável o que qualquer um que seja argumentavelmente "autoridade" diga, de forma totalmente arbitrária, mesmo contra a conclusão consensual. :hein:


Mas... você pode sempre dizer que a comprovação de que o consenso científico está certo na maior parte do tempo é tautológica, também. :P



* bem, isso seria ser um cientista da área, ou "quase", e individualmente ainda poder estar errado, de qualquer forma.

Offline Johnny Cash

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #5 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 07:41:01 »
Mas como fazer o salto entre "a maioria dos cientistas foi levada a concluir Y" e "Y deve ser verdade" sem um apelo à autoridade falacioso?

Não é necessário fazer o salto, nem mesmo é necessário apontar que o consenso há entre os cientistas, mas sim alguma uniformidade entre as conclusões dos estudos.

Nos casos em que não é possível o acesso direto aos objetos pesquisados, basta se manter em "de acordo com os estudos a, b e c o que se pode concluir é X, porém parecem existir ainda pontos abertos relacionados a Y" ou coisas do tipo.

Dessa forma, abordando a pergunta do tópico, vai depender do que se entende por "consenso científico".
Se se entende algo no sentido de: "X é verdade porque cientistas em uníssono afirmam que sim", isso é um provável apelo a autoridade.
Se se entende algo no sentido de: "X é verdade porque estudos 'validados cientificamente' apontam dessa forma, e ainda sem refutação", isso não é um apelo a autoridade.

Offline JJ

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #6 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 07:51:57 »
Mas como fazer o salto entre "a maioria dos cientistas foi levada a concluir Y" e "Y deve ser verdade" sem um apelo à autoridade falacioso?

Não é necessário fazer o salto, nem mesmo é necessário apontar que o consenso há entre os cientistas, mas sim alguma uniformidade entre as conclusões dos estudos.

Nos casos em que não é possível o acesso direto aos objetos pesquisados, basta se manter em "de acordo com os estudos a, b e c o que se pode concluir é X, porém parecem existir ainda pontos abertos relacionados a Y" ou coisas do tipo.

Dessa forma, abordando a pergunta do tópico, vai depender do que se entende por "consenso científico".
Se se entende algo no sentido de: "X é verdade porque cientistas em uníssono afirmam que sim", isso é um provável apelo a autoridade.
Se se entende algo no sentido de: "X é verdade porque estudos 'validados cientificamente' apontam dessa forma, e ainda sem refutação", isso não é um apelo a autoridade.


Não é necessário que seja uníssono,  veja que se isso fosse necessário  pouca coisa poderia ser considerada verdadeira, pois bastaria um especialista discordar ,  mesmo que dez mil outros especialistas concordassem, e então a teoria seria rejeitada. Isto obviamente não costuma ocorrer.  O que  é realmente necessário é que haja  uma maioria realmente significativa de especialistas que concordem  que tal teoria ou tal fenômeno seja verdadeiro(a).

E o consenso científico é sim um critério de verdade válido.  E na verdade nem precisa ser um amplíssimo consenso como o que eu acabei de exemplificar. Veja que basta que um artigo seja publicado num periódico científico famoso, para que muitas pessoas (inclusive as as pessoas daqui do CC)  considerem que  seja  confiável.

« Última modificação: 26 de Fevereiro de 2016, 08:00:55 por JJ »

Offline JJ

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #7 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 07:54:28 »
Mas como fazer o salto entre "a maioria dos cientistas foi levada a concluir Y" e "Y deve ser verdade" sem um apelo à autoridade falacioso?


O consenso científico (que aliás não precisa ser de 100%, basta ser de uma maioria significativa) é um critério de verdade válido e utilizado corriqueiramente (inclusive aqui ).



Offline JJ

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #8 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 07:58:50 »
Acrescento também que ao meu ver a falácia de apelo a autoridade se caracteriza quando a autoridade não pode apresentar nenhuma evidência sólida para o que ela propõe*, e/ou quando há evidências que contradizem o que ela propõe.



*Com exceção de teorias matemáticas e lógicas, as quais não necessitam de evidências.


« Última modificação: 26 de Fevereiro de 2016, 08:27:32 por JJ »

Offline Johnny Cash

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #9 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 08:04:16 »
Mas como fazer o salto entre "a maioria dos cientistas foi levada a concluir Y" e "Y deve ser verdade" sem um apelo à autoridade falacioso?

Não é necessário fazer o salto, nem mesmo é necessário apontar que o consenso há entre os cientistas, mas sim alguma uniformidade entre as conclusões dos estudos.

Nos casos em que não é possível o acesso direto aos objetos pesquisados, basta se manter em "de acordo com os estudos a, b e c o que se pode concluir é X, porém parecem existir ainda pontos abertos relacionados a Y" ou coisas do tipo.

Dessa forma, abordando a pergunta do tópico, vai depender do que se entende por "consenso científico".
Se se entende algo no sentido de: "X é verdade porque cientistas em uníssono afirmam que sim", isso é um provável apelo a autoridade.
Se se entende algo no sentido de: "X é verdade porque estudos 'validados cientificamente' apontam dessa forma, e ainda sem refutação", isso não é um apelo a autoridade.


Não é necessário que seja uníssono,  veja que se isso fosse necessário  pouca coisa poderia ser considerada verdadeira, pois bastaria um especialista discordar ,  mesmo que dez mil outros especialistas concordassem.  O que obviamente não ocorre.  O que  é realmente necessário que haja  uma maioria realmente significativa de especialistas que concordem  que tal teoria ou tal fenômeno seja verdadeiro(a).

Eu não disse que é necessário ser uníssono, isso ta ali na frase pra contextualizar o contrário, quando mesmo sendo "uníssono" não é suficiente pra se deixar de ser falacioso e se tornar verdade.

Ter uma "maioria de especialistas que concordem" com algo, não torna esse algo necessariamente verdade, enquanto não apresentam as evidências que sustentem isso.


Existem diversos problemas relacionados a opiniões de especialistas, parte deles bem abordada no primeiro Freakonomics.

E o consenso científico é sim um critério de verdade válido.  E na verdade nem precisa ser um amplíssimo consenso como o que eu acabei de exemplificar. Veja que basta que um artigo seja publicado num periódico científico famoso, para que muitas pessoas (inclusive as as pessoas daqui do CC)  considerem que  seja  confiável.

As pessoas no dia a dia adotam mesmo essa postura, nem mesmo precisa ser periódico famoso e basta apenas ser, na maioria das vezes, nota divulgada em veículo que se alinha com o que quer sustentar.

Eu também acho que consenso científico é um critério válido, mas de acordo com o que escrevi anteriormente e você parece ter ignorado, só se isso implicar em consonância de resultados de (bons) estudos, não enquanto "a maioria dos dentistas recomendam o uso de Oral-B".

Offline Johnny Cash

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #10 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 08:05:41 »
O que  é realmente necessário é que haja  uma maioria realmente significativa de especialistas que concordem  que tal teoria ou tal fenômeno seja verdadeiro(a).

Acrescento também que ao meu ver a falácia de apelo a autoridade se caracteriza quando a autoridade não pode apresentar nenhuma evidência sólida para o que ela propõe, e/ou quando há evidências que contradizem o que ela propõe.


Putz, basta a opinião de especialistas ou não?

O apelo a autoridade não é verificado posteriormente a afirmação, depois de verificar que a "autoridade" não pode sustentar o ponto. A falácia é dada antes.

Não faço ideia do que você está defendendo aqui.

Offline JJ

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #11 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 08:15:10 »
O que  é realmente necessário é que haja  uma maioria realmente significativa de especialistas que concordem  que tal teoria ou tal fenômeno seja verdadeiro(a).

Putz, basta a opinião de especialistas ou não?


Não é simples opinião, e sim concordância  com a teoria  e/ou pesquisa  apresentada (após a adequada análise). 



Acrescento também que ao meu ver a falácia de apelo a autoridade se caracteriza quando a autoridade não pode apresentar nenhuma evidência sólida para o que ela propõe, e/ou quando há evidências que contradizem o que ela propõe.

O apelo a autoridade não é verificado posteriormente a afirmação, depois de verificar que a "autoridade" não pode sustentar o ponto. A falácia é dada antes.

Não faço ideia do que você está defendendo aqui.


Neste parágrafo eu estava pensando no caso de uma declaração de uma autoridade religiosa como o papa.


« Última modificação: 26 de Fevereiro de 2016, 08:29:01 por JJ »

Offline JJ

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #12 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 08:24:22 »
Mas como fazer o salto entre "a maioria dos cientistas foi levada a concluir Y" e "Y deve ser verdade" sem um apelo à autoridade falacioso?

Não é necessário fazer o salto, nem mesmo é necessário apontar que o consenso há entre os cientistas, mas sim alguma uniformidade entre as conclusões dos estudos.

Nos casos em que não é possível o acesso direto aos objetos pesquisados, basta se manter em "de acordo com os estudos a, b e c o que se pode concluir é X, porém parecem existir ainda pontos abertos relacionados a Y" ou coisas do tipo.

Dessa forma, abordando a pergunta do tópico, vai depender do que se entende por "consenso científico".
Se se entende algo no sentido de: "X é verdade porque cientistas em uníssono afirmam que sim", isso é um provável apelo a autoridade.
Se se entende algo no sentido de: "X é verdade porque estudos 'validados cientificamente' apontam dessa forma, e ainda sem refutação", isso não é um apelo a autoridade.


Não é necessário que seja uníssono,  veja que se isso fosse necessário  pouca coisa poderia ser considerada verdadeira, pois bastaria um especialista discordar ,  mesmo que dez mil outros especialistas concordassem.  O que obviamente não ocorre.  O que  é realmente necessário que haja  uma maioria realmente significativa de especialistas que concordem  que tal teoria ou tal fenômeno seja verdadeiro(a).

Eu não disse que é necessário ser uníssono, isso ta ali na frase pra contextualizar o contrário, quando mesmo sendo "uníssono" não é suficiente pra se deixar de ser falacioso e se tornar verdade.

Ter uma "maioria de especialistas que concordem" com algo, não torna esse algo necessariamente verdade, enquanto não apresentam as evidências que sustentem isso.



O consenso científico que eu afirmei  inclui necessariamente uma análise adequada da teoria e das evidências que são apresentadas. Lembrando que no caso de teorias matemáticas e/ou lógicas há apenas a análise da consistência lógica,  não há, nesse caso,  necessidade de apresentação de boas evidências.


« Última modificação: 26 de Fevereiro de 2016, 08:28:16 por JJ »

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #13 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 11:47:45 »
Acrescento também que ao meu ver a falácia de apelo a autoridade se caracteriza quando a autoridade não pode apresentar nenhuma evidência sólida para o que ela propõe*, e/ou quando há evidências que contradizem o que ela propõe.

A falácia de apelo à autoridade meio que "independe" disso, ou melhor, é "antes" disso. Literalmente um apelo a autoridade, "foi ninguém menos que Hans Schwachsinn McQuack, que é Dr. PhoDão quem disse isso, fundador e líder do Instituto Neo-Galileu de Verdade Científica Heterodoxa, ele obviamente sabe mais do que vocês, então eu é quem estou certo aqui, ponto final, venci". É "nem" discutir os argumentos. Se você apenas menciona isso introdutóriamente, sem fazer muita firula sobre o aspecto de autoridade, mas então prossegue discutindo argumentos/evidências, não há "apelo" à autoridade.

Em alguns casos é algo combinado a uma espécie de evidência anedótica. "Esse fenômeno fantasmagórico incrível foi testemunhado por mais de vinte pessoas, dentre elas um vereador de Itaquaquecetuba, e ninguém menos que Paul Zaloom, sim, o Beakman em pessoa".

Offline Lakatos

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #14 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 15:25:10 »
Li tudo e achei boas as colocações, nada para ser criticado individualmente, mas estava pensando em algo como o seguinte:

Se eu sou um leigo e não convivo diretamente com a academia científica, de onde eu posso tirar a convicção de que acreditar no consenso científico é confiável, se não de argumentos dados por autoridades, que garantem que o processo é auto-corretivo, suficientemente independente, etc.?

Pelo que li aqui, a ideia seria próxima a "não conheço diretamente, então não vou saber mesmo se é verdade ou não, mas na forçosa situação de ter que tomar partido, vou tomar partido com a maioria dos cientistas porque esse é um critério padrão".

Offline Skeptikós

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #15 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 17:16:19 »
Citar
Argumento de autoridade

Desidério Murcho
Universidade Federal de Ouro Preto

Aos argumentos baseados na opinião de um ou mais especialistas chama-se argumentos de autoridade. Os argumentos de autoridade têm geralmente a seguinte forma lógica (ou são a ela redutíveis): “a disse que P; logo, P”. Por exemplo: “Aristóteles disse que a Terra é plana; logo, a Terra é plana”. Um argumento de autoridade pode ainda ter a seguinte forma lógica: “Todas as autoridades dizem que P; logo, P”.

A maior parte do conhecimento que temos de física, matemática, história, economia ou qualquer outra área baseia-se no trabalho e opinião de especialistas. Os argumentos de autoridade resultam desta necessidade de nos apoiarmos nos especialistas. Por isso, uma das regras a que um argumento de autoridade tem de obedecer para poder ser bom é esta:

1. O especialista (a autoridade) invocado tem de ser um bom especialista da matéria em causa.

Esta é a regra violada no seguinte argumento de autoridade: “Einstein disse que a maneira de acabar com a guerra era ter um governo mundial; logo, a maneira de acabar com a guerra é ter um governo mundial”. Dado que Einstein era um especialista em física, mas não em filosofia política, este argumento é mau.

Contudo, apesar de Marx ser um especialista em filosofia política, o seguinte argumento de autoridade também é mau: “Marx disse que a maneira de acabar com a guerra era ter um governo mundial; logo, a maneira de acabar com a guerra é ter um governo mundial”. Neste caso, é mau porque viola outra regra:

2. Os especialistas da matéria em causa não podem discordar significativamente entre si quanto à afirmação em causa.

Dado que os especialistas em filosofia política discordam entre si quanto à afirmação em causa, o argumento é mau. É por causa desta regra que quase todos os argumentos de autoridade sobre questões substanciais de filosofia são maus: porque os filósofos discordam entre si sobre questões substanciais. Poucas são as afirmações filosóficas substanciais que a generalidade dos filósofos aceitam unanimemente e por isso não se pode usar a opinião de um filósofo para provar seja o que for de substancial em filosofia. Fazer isso é falacioso.

Os seguintes argumentos contra Galileu são igualmente maus: “Aristóteles disse que a Terra está imóvel; logo, a Terra está imóvel” e “A Bíblia diz que a Terra está imóvel; logo, a Terra está imóvel”. O primeiro é mau porque nem todos os grandes especialistas da altura em astronomia, entre os quais se contava o próprio Galileu, concordavam com Aristóteles; o argumento viola a regra 2. O segundo é mau porque os autores da Bíblia não eram especialistas em astronomia; o argumento viola a regra 1.

Considere-se o seguinte argumento: “Todos os especialistas afirmam que a teoria de Einstein está errada; logo, a teoria de Einstein está errada”. Qualquer pessoa poderia ter usado este argumento quando Einstein publicou pela primeira vez a teoria da relatividade. Este argumento é mau porque é derrotado pela força dos argumentos independentes que sustentam a teoria de Einstein. A regra violada é a seguinte:

3. Só podemos aceitar a conclusão de um argumento de autoridade se não existirem outros argumentos mais fortes ou de força igual a favor da conclusão contrária.

A regra 2 é redundante relativamente a 3. Não se aceita um argumento de autoridade baseado num filósofo quando há outros argumentos de igual força, baseados noutro filósofo, a favor da conclusão contrária. Mas 3 abrange o tipo de erro presente no último argumento sobre Einstein, ao passo que 2 não o faz. No caso do argumento de Einstein, o erro consiste no facto de o argumento de autoridade baseado em todos os especialistas em física ser mais fraco do que os próprios argumentos físicos e matemáticos que sustentam a teoria de Einstein.

Considere-se o seguinte argumento: “O psiquiatra X defende que toda a gente deve ir ao psiquiatra pelo menos três vezes por ano; logo, toda a gente deve ir ao psiquiatra pelo menos três vezes por ano”. Admita-se que todos os especialistas em psiquiatria concordam com X, que é um grande especialista na área. A regra 3 diz-nos que este argumento é fraco porque há outros argumentos que colocam em causa a conclusão: dados estatísticos, por exemplo, que mostram que a percentagem de curas efectuadas pelos psiquiatras é diminuta, o que sugere que esta prática médica é muito diferente de outras práticas cujo sucesso real é muitíssimo superior. Além disso, este argumento viola outra regra:

4. Os especialistas da matéria em causa, no seu todo, não podem ter fortes interesses pessoais na afirmação em causa.

Quando Einstein afirma que a teoria da relatividade é verdadeira, tem certamente muito interesse pessoal na sua teoria. Mas os outros físicos não têm qualquer interesse em que a teoria da relatividade seja verdadeira; pelo contrário, até têm interesse em demonstrar que é falsa, pois nesse caso seriam eles a ficar famosos e não Einstein. Mas nenhum psiquiatra tem interesse em refutar o que diz X. E, por isso, a sua afirmação não tem qualquer valor — porque é a comunidade dos especialistas, no seu todo, que tem tudo a ganhar e nada a perder em concordar com X.

Os argumentos de autoridade são vácuos ou despropositados quando invocam correctamente um especialista para sustentar uma conclusão que pode ser provada por outros meios mais directos. Por exemplo: “Frege afirma que o modus ponens é válido; logo, o modus ponens é válido”. Dado que a validade do modus ponens pode ser verificada por outros meios mais directos (nomeadamente através de um inspector de circunstâncias), este argumento é vácuo ou despropositado. Os argumentos de autoridade devem unicamente ser usados quando não se pode usar outras formas argumentativas mais directas.

Usa-se muitas vezes a expressão “argumento de autoridade” como sinónimo de “mau argumento de autoridade”. Todavia, nem todos os argumentos de autoridade são maus; o progresso do conhecimento é impossível sem recorrer a argumentos de autoridade; e pode-se distinguir com alguma proficiência os bons dos maus argumentos de autoridade, atendendo às regras dadas.

Desidério Murcho
desiderio@ifac.ufop.br

Extraído de Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos, segunda edição, org. por João Branquinho, Desidério Murcho e Nelson Golçalves Gomes (São Paulo: Martins Fontes, 2006)
"Che non men che saper dubbiar m'aggrada."
"E, não menos que saber, duvidar me agrada."

Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar

Offline Skeptikós

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #16 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 17:35:35 »
Mas como fazer o salto entre "a maioria dos cientistas foi levada a concluir Y" e "Y deve ser verdade" sem um apelo à autoridade falacioso?

Não é necessário fazer o salto, nem mesmo é necessário apontar que o consenso há entre os cientistas, mas sim alguma uniformidade entre as conclusões dos estudos.

Nos casos em que não é possível o acesso direto aos objetos pesquisados, basta se manter em "de acordo com os estudos a, b e c o que se pode concluir é X, porém parecem existir ainda pontos abertos relacionados a Y" ou coisas do tipo.

Dessa forma, abordando a pergunta do tópico, vai depender do que se entende por "consenso científico".
Se se entende algo no sentido de: "X é verdade porque cientistas em uníssono afirmam que sim", isso é um provável apelo a autoridade.
Se se entende algo no sentido de: "X é verdade porque estudos 'validados cientificamente' apontam dessa forma, e ainda sem refutação", isso não é um apelo a autoridade.
A não ser que você replique os estudos citados na frente da pessoa com a qual esta a debater, e consiga resultados que corroborem as suas afirmações, recorrer a estudos dos quais você e o seu oponente não participaram, e por tanto não puderam corroborar a veracidade e validade dos resultados apresentados vocês mesmos, isto ainda estaria sendo um apelo a autoridade, pois você estaria confiando na autoridade da instituição e dos especialistas por trás daquele estudo, de que respeitaram a mais rigorosa metodologia científica na elaboração e realização do estudo, e de que os resultados apresentados foram de fato os que se obtiveram na realização do estudo.
"Che non men che saper dubbiar m'aggrada."
"E, não menos que saber, duvidar me agrada."

Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar

Offline Lakatos

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #17 Online: 26 de Fevereiro de 2016, 17:49:45 »
Muito bom esse texto.

Offline Johnny Cash

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #18 Online: 29 de Fevereiro de 2016, 09:21:45 »
Mas como fazer o salto entre "a maioria dos cientistas foi levada a concluir Y" e "Y deve ser verdade" sem um apelo à autoridade falacioso?

Não é necessário fazer o salto, nem mesmo é necessário apontar que o consenso há entre os cientistas, mas sim alguma uniformidade entre as conclusões dos estudos.

Nos casos em que não é possível o acesso direto aos objetos pesquisados, basta se manter em "de acordo com os estudos a, b e c o que se pode concluir é X, porém parecem existir ainda pontos abertos relacionados a Y" ou coisas do tipo.

Dessa forma, abordando a pergunta do tópico, vai depender do que se entende por "consenso científico".
Se se entende algo no sentido de: "X é verdade porque cientistas em uníssono afirmam que sim", isso é um provável apelo a autoridade.
Se se entende algo no sentido de: "X é verdade porque estudos 'validados cientificamente' apontam dessa forma, e ainda sem refutação", isso não é um apelo a autoridade.
A não ser que você replique os estudos citados na frente da pessoa com a qual esta a debater, e consiga resultados que corroborem as suas afirmações, recorrer a estudos dos quais você e o seu oponente não participaram, e por tanto não puderam corroborar a veracidade e validade dos resultados apresentados vocês mesmos,

Indo nesse tipo de argumentação, para "dar bomba", me parece que você propõe que nada supera a "experiência pessoal" ou o "ver com os próprio olhos" para corroborar a veracidade e validade de quaisquer resultados.

Ja sabemos que não é esse o caso, não é mesmo?

Me parece também que quando eu replico os estudos na frente dos meus debatedores e depois "defendo" o resultado, eu passo a ser somente representação/reprodução do estudo, ou portanto "herdando" a autoridade ou ainda somente confiando ao original.

Mais ao final vou propor um exercício.

isto ainda estaria sendo um apelo a autoridade, pois você estaria confiando na autoridade da instituição e dos especialistas por trás daquele estudo

Não necessariamente, quando se aborda apenas a estrutura mais clássica mesmo do estudo. Constantemente se pode verificar a consistência "lógica", ao menos, do que é lido/apresentado.

e de que os resultados apresentados foram de fato os que se obtiveram na realização do estudo.

Sim, esse ponto pode ser mesmo o mais duvidoso, mas esses estudos são frequentemente apresentados e "aceitos" por uma comunidade que em tese submete esses textos a algum escrutínio.


Vamos ao exercício.

1) Tomamos o exemplo da recente detecção de ondas gravitacionais. Você acha que elas foram detectadas de verdade, Skeptikos?

2) Porque você acha que a Primeira Guerra mundial ocorreu?

Offline Skeptikós

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #19 Online: 01 de Março de 2016, 13:01:55 »
Mas como fazer o salto entre "a maioria dos cientistas foi levada a concluir Y" e "Y deve ser verdade" sem um apelo à autoridade falacioso?

Não é necessário fazer o salto, nem mesmo é necessário apontar que o consenso há entre os cientistas, mas sim alguma uniformidade entre as conclusões dos estudos.

Nos casos em que não é possível o acesso direto aos objetos pesquisados, basta se manter em "de acordo com os estudos a, b e c o que se pode concluir é X, porém parecem existir ainda pontos abertos relacionados a Y" ou coisas do tipo.

Dessa forma, abordando a pergunta do tópico, vai depender do que se entende por "consenso científico".
Se se entende algo no sentido de: "X é verdade porque cientistas em uníssono afirmam que sim", isso é um provável apelo a autoridade.
Se se entende algo no sentido de: "X é verdade porque estudos 'validados cientificamente' apontam dessa forma, e ainda sem refutação", isso não é um apelo a autoridade.
A não ser que você replique os estudos citados na frente da pessoa com a qual esta a debater, e consiga resultados que corroborem as suas afirmações, recorrer a estudos dos quais você e o seu oponente não participaram, e por tanto não puderam corroborar a veracidade e validade dos resultados apresentados vocês mesmos,

Indo nesse tipo de argumentação, para "dar bomba", me parece que você propõe que nada supera a "experiência pessoal" ou o "ver com os próprio olhos" para corroborar a veracidade e validade de quaisquer resultados.
Mas quando se fala de evidência objetiva isso de uma forma ou de outra implica na possibilidade de uma hipótese poder ser testada empiricamente por qualquer pessoa, ou não?


Ja sabemos que não é esse o caso, não é mesmo?
Quando se fala de hipóteses que não podem ser testadas objetivamente, sim.

Me parece também que quando eu replico os estudos na frente dos meus debatedores e depois "defendo" o resultado, eu passo a ser somente representação/reprodução do estudo
Mas isso não seria o ideal, uma afirmação sobre a verdade que refletisse com exatidão a realidade dos fatos, desapegada de qualquer viés ideológico ou preconceito?

ou portanto "herdando" a autoridade ou ainda somente confiando ao original.
Hipóteses são levantadas e os estudos servem para testar se elas correspondem aos fatos. Mas de certa forma você confiará numa série de estudos feitos anteriormente, e que devem ser aceitos antecipadamente como verdadeiros (como axiomas), antes de prosseguir na execução do estudo atualmente em questão e que é considerado capaz de testar a hipótese que você inicialmente ou atualmente defende. Isso é necessário pois levaria um tempo praticamente interminável para testar todos os estudos anteriores e que dão base aquele que você realizará agora. No fim das contas você estará sempre confiando em algo que você não testou você mesmo.

Mais ao final vou propor um exercício.

isto ainda estaria sendo um apelo a autoridade, pois você estaria confiando na autoridade da instituição e dos especialistas por trás daquele estudo

Não necessariamente, quando se aborda apenas a estrutura mais clássica mesmo do estudo. Constantemente se pode verificar a consistência "lógica", ao menos, do que é lido/apresentado.

e de que os resultados apresentados foram de fato os que se obtiveram na realização do estudo.

Sim, esse ponto pode ser mesmo o mais duvidoso, mas esses estudos são frequentemente apresentados e "aceitos" por uma comunidade que em tese submete esses textos a algum escrutínio.


Vamos ao exercício.

1) Tomamos o exemplo da recente detecção de ondas gravitacionais. Você acha que elas foram detectadas de verdade, Skeptikos?

2) Porque você acha que a Primeira Guerra mundial ocorreu?
As ondas gravitacionais podem ser provadas por outros meios mais diretos sem a necessidade de confiar simplesmente na palavra de um especialista. Mas como eu não possuo os recursos materiais e nem habilidade e conhecimento especializado suficientes para fazer isso eu mesmo, resta a mim por tanto confiar na habilidade, conhecimento e honestidade dos especialistas que participaram da empreitada que supostamente comprovou diretamente a existência das ondas gravitacionais.  isso não seria ainda considerado confiar na opinião de um especialista?

No entanto a hipótese pode ser testada objetivamente por qualquer um que deter os recursos materiais e conhecimento especializado necessários. E é certo que a limitação de não poder testar a hipótese em questão é minha e não dos meios que dispomos atualmente para testa-la objetivamente. Levando isso em conta, eu confesso estar em dúvida agora.  :hihi:
"Che non men che saper dubbiar m'aggrada."
"E, não menos que saber, duvidar me agrada."

Dante, Inferno, XI, 93; cit. p/ Montaigne, Os ensaios, Uma seleção, I, XXV, p. 93; org. de M. A. Screech, trad. de Rosa Freire D'aguiar

Offline Johnny Cash

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #20 Online: 01 de Março de 2016, 13:51:11 »
 :lol:  :ok:

Offline Lakatos

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #21 Online: 01 de Março de 2016, 17:23:18 »
Também dá pra pensar em uma ponderação da nossa confiança em autoridades se baseando em uma espécie de "matriz de recompensa" das pessoas envolvidas, que levaria a algum "equilíbrio" que deve corresponder à realidade com frequência significativamente maior que a esperada ao acaso.

No caso do conhecimento científico, temos um grande número de pessoas com meios intelectuais e materiais para expor possíveis fraudes e que ganhariam muito com isso. Logo, se não fazem é porque não deve haver fraude. Enquanto isso, se o cientista publicou a descoberta mesmo sabendo que seus pares têm meio e motivação para refutá-la, é porque ele deve ter confiança sincera em sua veracidade. Aí não seria um apelo à autoridade, seria uma aposta na racionalidade das pessoas envolvidas, o que parece menos problemático.

Offline Skeptikós

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Re:Consenso científico é apelo à autoridade?
« Resposta #22 Online: 01 de Março de 2016, 19:06:33 »
Isso teria relação com a 3ª e 4ª regras expostas acima pelo Desidério Murcho para que um argumento de autoridade seja considerado um bom argumento: Se uma afirmação cientifica não encontra oposição com igual ou maior poder de convencimento (regra 3), e se especialistas que não tenham nada a ganhar ao corrobora-la verdadeira aparecem aos montes (regra 4), estes serão indicativos de que estamos diante de um bom argumento de autoridade.
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