Autor Tópico: A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises  (Lida 11764 vezes)

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Offline Feliperj

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #100 Online: 21 de Junho de 2016, 00:03:07 »
É como o axioma de que "os humanos vivos fazem coisas".

Não é. Desse axioma, você não consegue deduzir o que é deduzido do axioma da ação! O ponto fundamental é reconhecer que  a ação humana ocorre através de meios, para o atingimento de determinados fins. Isso é bem diferente de falar que "humanos vivos fazem coisas". Por exemplo, a lei da utilidade marginal decrescente é deduzida diretamente do axioma da ação em um ambiente de recursos escassos.

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1288


Offline Feliperj

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #101 Online: 21 de Junho de 2016, 00:08:28 »
Bem, a Crise Econômica de 2008 foi prevista por alguns economistas utilizando a Econometria como meio. Não dá para saber o que as pessoas vão querer fazer hoje ou amanhã, mas dá para analisar os dados de demanda, procura e oferta e prever resultados usando os números. Uma das coisas mais engraçadas entre os críticos do Liberalismo/Libertarianismo é achar que existe uma única escola liberal/libertária. David Friedman por exemplo é libertário e anarco-capitalista e um célebre crítico da EA.

O que me dá muitas vezes impressão é que a Escola Austríaca é muito mais focada na filosofia e parece ignorar a economia em si. É uma escola muito mais filosófica que econômica, diferentemente da de Chicago.


Citar
* Comumente o mesmo com qualquer outro círculo restrito de crenças que dê a si mesma rótulos científicos, apesar de ser algo largamente ignorado/desprezado pelo resto do mundo, ou pela maioria dos pesquisadores com instrução em campos científicos próximos ao tema pretensamente estudado. Como criacionismo, espiritismo, e medicina alternativa. A "cientificidade" será defendida em "bater com os fatos", não em ser refutável por eles.

Há quem diga que a Psicologia com um  todo pode ser considerada pseudociência...

Você pode passar a previsão desses economistas?

O Friedman é um liberal, que acredita no livre mercado. A principal diferença entre Asutriacos e Chicaguistas está no método. Uma escola analisa a realidade como ela é, e constroe seu conhecimento baseado nisso (imperfeições) a outra, constroe um mundo de Bob, a partil do qual seja possivel matematizar a economia.

Além disso, a abordagem com relação  das duas escolas ao dinheiro é fudamentalmente diferente também. Isso dá um outro tópico.

Offline Feliperj

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #102 Online: 21 de Junho de 2016, 00:10:25 »
Pode haver, mas isso seria apenas confusão (e generalização) de "má ciência" com pseudociência, já que é possível sim partir de observações para formar hipóteses sobre o comportamento ou pensamento humano, testá-las, e revisá-las. O mesmo vale para outras relacionadas com psicologia, conflitantes com praxeologia, como psiquiatria, neurociências, endocrinologia comoportamental, etc.

Ou seja, só "tem relevância" o comentário se a pessoa não tem adota esse critério padrão de cientificidade, mas sim algo mais "vale tudo"/"vale o que eu quero".

O que da praxeologia é conflitante com neurociências, endocrinologia comportamental, etc?

Offline Feliperj

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #103 Online: 21 de Junho de 2016, 00:12:29 »
Eu já li de Mises (não lembro onde, mas tenho certeza que li) que a economia austríaca faz previsões qualitativas, mas não faz previsões quantitativas acerca dos fenômenos econômicos. Se é assim, então como podemos saber em que grau os acertos dos seguidores de sua escola de pensamento existem ou são frutos do acaso? Isso é algo que as pessoas deveriam refletir antes de ver certeza em certas proposições de artigos do Mises Institute.

Já coloquei aqui a proposição qualitativa que é falseável com relação a TACE! Qual a previsão quantitativa que a teoria da evolução faz para nós, humanos?

Offline Buckaroo Banzai

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #104 Online: 21 de Junho de 2016, 00:21:48 »
Pode haver, mas isso seria apenas confusão (e generalização) de "má ciência" com pseudociência, já que é possível sim partir de observações para formar hipóteses sobre o comportamento ou pensamento humano, testá-las, e revisá-las. O mesmo vale para outras relacionadas com psicologia, conflitantes com praxeologia, como psiquiatria, neurociências, endocrinologia comoportamental, etc.

Ou seja, só "tem relevância" o comentário se a pessoa não tem adota esse critério padrão de cientificidade, mas sim algo mais "vale tudo"/"vale o que eu quero".

O que da praxeologia é conflitante com neurociências, endocrinologia comportamental, etc?

Estas são descrições esmiuçadas e baseados em fatos, e não coisas intuitivamente derivadas da brilhante descoberta de que "humanos agem".

Nessa citação a Praxigirl, uma das principais expoentes da praxeologia na atualidade youtubiana moderna, confronta as ciências não-miseanas em geral:

Citar
The action axiom shows that the uniqueness of all individuals is the logically necessary starting point for for studying human behavior. There have been so called scientists who have tried to disprove this notion and claimed that the methods of the natural sciences are the only true way to acquire knowledge of man and reality. But we can easily see how silly and futile their attempts are.

<a href="https://www.youtube.com/v/QqGqx6fBts0" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/QqGqx6fBts0</a>

É uma religião, pseudociência.

Offline Feliperj

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #105 Online: 21 de Junho de 2016, 00:25:15 »
A Escola de Chicago até que é útil no geral, mas é claro que os políticos vão preferir uma teoria que diz o que eles querem ouvir, que justifica os erros que eles cometem.

Quando você diz isso, você está se referindo à Escola Keynesiana, certo?

A Chicaguista tb, pois no monetarismo o governo também é visto como potencial solucionador de problemas na economia. Esse artigo é bem interessante, pois expõe como as 4 escolas abordam questões fundamentais : Marx, Keynes, Chicago e Austriaca

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1349

Offline Feliperj

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #106 Online: 21 de Junho de 2016, 00:37:36 »
Pode haver, mas isso seria apenas confusão (e generalização) de "má ciência" com pseudociência, já que é possível sim partir de observações para formar hipóteses sobre o comportamento ou pensamento humano, testá-las, e revisá-las. O mesmo vale para outras relacionadas com psicologia, conflitantes com praxeologia, como psiquiatria, neurociências, endocrinologia comoportamental, etc.

Ou seja, só "tem relevância" o comentário se a pessoa não tem adota esse critério padrão de cientificidade, mas sim algo mais "vale tudo"/"vale o que eu quero".

O que da praxeologia é conflitante com neurociências, endocrinologia comportamental, etc?

Estas são descrições esmiuçadas e baseados em fatos, e não coisas intuitivamente derivadas da brilhante descoberta de que "humanos agem".

Nessa citação a Praxigirl, uma das principais expoentes da praxeologia na atualidade youtubiana moderna, confronta as ciências não-miseanas em geral:

Citar
The action axiom shows that the uniqueness of all individuals is the logically necessary starting point for for studying human behavior. There have been so called scientists who have tried to disprove this notion and claimed that the methods of the natural sciences are the only true way to acquire knowledge of man and reality. But we can easily see how silly and futile their attempts are.

<a href="https://www.youtube.com/v/QqGqx6fBts0" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/QqGqx6fBts0</a>

É uma religião, pseudociência.

Você não respondeu minha pergunta. Em que momento o axioma da ação entra em conflito com as ciências que você citou? E o axioma da ação não é baseado em um fato, FACILMENTE observável? Os Homens Agem, através de meios, para atingir determinados fins!

O que você não está percebendo é que não é objetivo da praxeologia entender como essa ação é construida na interação organismo-química-meio. Para o estudo da economia, só interessa as consequências lógicas das ações tomadas, dos meios escolhidos para os fins perseguidos. Isso fica claro no trecho do Teoria e Historia que coloquei aqui 2 x!

E desde quando a Praxigril virou a expoente filosófica da Escola Asutríaca? Pelo que li, ela está cometendo o mesmo tipo de confusão que você está. Não percebendo que são níveis de descrição diferentes. Como voce mesmo falou, um detalhando como a neuroquímica influencia nas decisões, etc. O outro, se apegando somente na ação (influenciada por essa neuroquimica) via meios, para determinar suas consequências.
« Última modificação: 21 de Junho de 2016, 00:40:02 por Feliperj »

Offline Feliperj

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #107 Online: 21 de Junho de 2016, 00:53:00 »
Econometria é a verdadeira pseudociência aqui, é praticamente uma numerologia para planejadores centrais, ou tarot.

A Econometria trabalha com dados reais estatísticos. Usa a estatística através de vários métodos para tentar observar e não  "prever"(diferente da pseudociência numerologia) o que acontecerá, para criar um modelo matemático para a economia. Se você analisar dados de produção de algo conforme os anos e perceber quedas de produção ou consumo, você poderá aplicar um modelo matemático para isso. Os planejadores podem se basear nos dados para tomar decisões, mas isso já outro ponto. Mas é melhor se basear em algo empírico  para tomar decisões do que nas relações sociológicas entre os indivíduos como defende alguns filósofos da EA.

P.S.: Lembrando que VaR é diferente de Econometria, estando somente relacionado a Matemática Financeira. Pode haver uma confusão entre os dois métodos sendo que um trabalha com estatística e outro com probabilidade, estando presente nas empresas de consultoria.
https://en.wikipedia.org/wiki/Value_at_risk

Por ora:
https://en.wikipedia.org/wiki/Criticisms_of_econometrics

Ninguém fala que se deva usar teorias economicas da escola austriaca para tomar decisões de produção!

Os dados estatísticos são dados HISTÓRICOS, que sofrem alterações, principalmente quando temos inovações. Existe uma diferença entre teoria e história! O Mises aborda isso em Teoria e História.

Offline Feliperj

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #108 Online: 21 de Junho de 2016, 00:57:49 »

Citação de: Mises, The Foundation of Economic Sciences
Statistics provides numerical information about historical facts, that is, about events that happened at a definite period of time to definite people in a definite area. It deals with the past and not with the future. Like any other past experience, it can occasionally render important services in planning for the future, but it does not say anything that is directly valid for the future.

[...] What characterizes the field of the sciences of human action is the absence of constant relations apart from those dealt with by praxeology. In the former group of sciences there are laws (of nature) and measurement. In the latter there is no measurement and—apart from praxeology—no laws; there is only history, including statistics.

Um estudo do psicólogo Philip Tetlock publicado no livro Superprevisões: A arte e a ciência de prever o futuro (Editora Objetiva, 2016) demontrou que alguns indivíduos - desses que seguem o método empírico em assuntos como economia, bolsas, eleições, guerras, etc. - tem de fato uma habilidade extraordinária de prever o futuro com um grau de precisão 60% maior do que a média. Se o estudo do passado estatístico fosse só história como diz Mises, então teríamos que postular milagres para explicar essa capacidade:

"(...) os meros mortais só podem desafiar as leis da gravidade estatística até certo ponto. (...) De modo que ainda deveríamos considerar considerável regressão à média. Todo ano, aproximadamente 30% dos superprevisores individuais deixam a faixa dos 2% melhores no ano seguinte. Mas isso também implica um bocado de consistência ao longo do tempo: 70% dos superprevisores continuam superprevisores. As chances de tal solidez surgir entre palpites de cara ou coroa (em que a correlação ano a ano é zero) é menos de 1 em 100 milhões, mas a chance de tal consistência surgir entre previsores (em que a correlação ano a ano é 0,65) é muito mais alta, cerca de 1 em 3".

Se a questão fosse meramente estatística, não teriamos diferenças significativas entre todos os que usam esses métodos (ou seja, existe alguma questão referente a habilidade interpretativa individual). E outra questão é que a estatística pode sim ser válida para prever eventos futuros, durante um período de tempo (e isso o mises fala em seu livro), mas não para que, a partir dela, se possa  extrair uma lei atemporal baseada nas correlações observadas.

Offline Feliperj

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #109 Online: 21 de Junho de 2016, 01:04:27 »

Citação de: Mises - The Ultimate Foundation of Economic Science
The a priori knowledge of praxeology is entirely different—categorially different—from the a priori knowledge of mathematics or, more precisely, from mathematical a priori knowledge as interpreted by logical positivism. The starting point of all praxeological thinking is not arbitrarily chosen axioms, but a self-evident proposition, fully, clearly and necessarily present in every human mind. An unbridgeable gulf separates those animals in whose minds this cognition is present from those in whose minds it is not fully and clearly present. Only to the former is the appellation man accorded. The characteristic feature of man is precisely that he consciously acts. Man is Homo agens, the acting animal.

Claro que tem diferenças, se não bastaria usar a matemática. O que Mises faz é colocam ambas no mesma classificação científica. Ciências apriorísticas, ciências formais, seja lá como se chame atualmente.

A diferença para ele é que a praxeologia seria verdade ainda mais absoluta e indiscutível que a matemática. Quando a posição razoável é de que são (ou deveriam ser) meras suposições, o esboço inicial de hipóteses, e não, como ele quer, "leis". (Tirando eventuais impossibilidades ou necessidades lógicas/físicas, que suponho não se estenderem tão longe quanto propoem, e que provavelmente não devem suscitar a necessidade do rótulo de "leis" do comportamento).

A partir daí as coisas deveriam buscar validação empírica/"histórica", como em economia comportamental (e posteriormente modelagem matemática, como de fato uns fizeram). Do contrário é na melhor das hipóteses meio como aquelas especulações teológicas que tentam dar um verniz de validação "científica"/filosófica com a linguagem lógica, "Deus necessariamente existe, dado que o universo existe, isso é bom, e Deus é bom e onipotente, portanto o único ser com o pode de criar tudo". A única vantagem (significativa) sendo que lida ao menos com coisas que sabemos existir, pessoas e comortamento, então há maior chance de se aproximar da realidade aparente.

 A questão é que se você usou o axioma da ação e dele, usando a lógica e o princípio da casualidade, estabeleceu leis., para você falar que essas leis são falsas, ou você nega o axioma da ação, ou o princípio da casualidade. Exemplo : Lei da Utilidade Marginal Decrescente, Lei da Associação de Ricardo. Essas e outras Leis são dedutíveis do axioma da ação, e são verdadeiras!

Offline Buckaroo Banzai

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #110 Online: 21 de Junho de 2016, 01:24:02 »
Pode haver, mas isso seria apenas confusão (e generalização) de "má ciência" com pseudociência, já que é possível sim partir de observações para formar hipóteses sobre o comportamento ou pensamento humano, testá-las, e revisá-las. O mesmo vale para outras relacionadas com psicologia, conflitantes com praxeologia, como psiquiatria, neurociências, endocrinologia comoportamental, etc.

Ou seja, só "tem relevância" o comentário se a pessoa não tem adota esse critério padrão de cientificidade, mas sim algo mais "vale tudo"/"vale o que eu quero".

O que da praxeologia é conflitante com neurociências, endocrinologia comportamental, etc?

Estas são descrições esmiuçadas e baseados em fatos, e não coisas intuitivamente derivadas da brilhante descoberta de que "humanos agem".

Nessa citação a Praxigirl, uma das principais expoentes da praxeologia na atualidade youtubiana moderna, confronta as ciências não-miseanas em geral:

Citar
The action axiom shows that the uniqueness of all individuals is the logically necessary starting point for for studying human behavior. There have been so called scientists who have tried to disprove this notion and claimed that the methods of the natural sciences are the only true way to acquire knowledge of man and reality. But we can easily see how silly and futile their attempts are.

<a href="https://www.youtube.com/v/QqGqx6fBts0" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/QqGqx6fBts0</a>

É uma religião, pseudociência.

Você não respondeu minha pergunta. Em que momento o axioma da ação entra em conflito com as ciências que você citou? E o axioma da ação não é baseado em um fato, FACILMENTE observável? Os Homens Agem, através de meios, para atingir determinados fins!

O que você não está percebendo é que não é objetivo da praxeologia entender como essa ação é construida na interação organismo-química-meio. Para o estudo da economia, só interessa as consequências lógicas das ações tomadas, dos meios escolhidos para os fins perseguidos. Isso fica claro no trecho do Teoria e Historia que coloquei aqui 2 x!

E desde quando a Praxigril virou a expoente filosófica da Escola Asutríaca? Pelo que li, ela está cometendo o mesmo tipo de confusão que você está. Não percebendo que são níveis de descrição diferentes. Como voce mesmo falou, um detalhando como a neuroquímica influencia nas decisões, etc. O outro, se apegando somente na ação (influenciada por essa neuroquimica) via meios, para determinar suas consequências.


Respondi sim, sua pergunta foi outra. A praxeologia não é científica e não é levada a sério por ninguém que pesquisa nessas ciências de verdade relacionadas ao comportamento, que poderão conflitar com "previsões" praxeológicas dos austríacos praxeologistas, na medida em que estas fizerem afirmações falseáveis (isso é significativas, que tenham algum valor) sobre a realidade. Se isso não ocorrem, elas se adaptam a qualquer realidade possível, e assim não valem absolutamente nada.



O "axioma da ação" não entra em conflito com nenhuma ciência comportamental verdadeira porque é uma observação absurdamente trivial, que não diz absolutamente nada de não-óbvio.

É algo elementar e aceito sem necessitar dizer por defensores de qualquer escola econômica. Dele não se não derivam realmente apenas uma série inequívoca de "verdades", mas pode-se imaginar uma infinidade de possibilidades. Contanto que não sejam proposições paradoxais de ações ("ações de Schrodinger"), tudo é possível. Cabe simplesmente "qualquer coisa que pessoas façam". Literalmente, essa frase é um axioma, "as pessoas fazem qualquer coisa que venham a fazer".


É como o "axioma dos eventos"; que "coisas acontecem". Ou "cadeias de eventos são causalmente conexas". E pronto, se tem a universalogia/eventologia, uma fenomenologia expandida da economia e de tudo mais, que abarca todas as ciências relacionadas a eventos/coisas que acontecem. Expande a economia em questões como de geografia/recursos ou mesmo macroeconomia mais difícil de se chegar a partir de derivações individuais. Mas sem necessariamente se importar com o que estaria supostamente acontecendo "de verdade", já que a partir desse axioma só se pode chegar a verdade, por lógica, inevitável.



Como fazem proponentes de quaisquer outras escolas econômicas, pode-se inferir coisas válidas sobre a economia a partir da "noção" de que pessaos fazem coisas (e isso equivale sim ao axioma da ação, diferentes frases dizem a mesma coisa). Só que isso não necessita dessa pretensa cientificidade já nesse estágio preliminar, que não passa de um verniz. Verniz esse que talvez fosse até mais impressionante se formulassem as coisas através de "frases" em linguagem de lógica proposicional. Mas acho que se aproximaria demais da matemática à qual essa facção (mas não a totalidade dos austríacos) tem aversão.

A maior parte das coisas levadas a sério em economia (em última instância corretas ou não) foram concebidas assim, mesmo coisas a que praxeologistas tenham posteriormente adaptado a essa narrativa. O que eventualmente de fato tenha tido essa origem, não dá a isso uma validação geral maior do que alguém ter eventualmente primeiro concebido uma verdade rimando, a partir da teoria de que rimas têm maior probabilidade de gerar verdades.

Rhyan

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #111 Online: 21 de Junho de 2016, 02:00:02 »
Quer criticar a Praxeologia e a Escola Austríaca, critiquem, mas não sejam idiotas que nem esse Douglas do UR. Tenham a mínima noção do que criticam. Esse Douglas não conseguiu fazer uma única crítica com validade, e ainda deixou implícito que Marx tem ou teve alguma importância na ciência econômica.

Why I Am Not an Austrian Economist
by
Bryan Caplan
http://econfaculty.gmu.edu/bcaplan/whyaust.htm

Obs.: Bryan Caplan é ancap.

Offline Feliperj

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #112 Online: 21 de Junho de 2016, 02:53:19 »
Respondi sim, sua pergunta foi outra. A praxeologia não é científica e não é levada a sério por ninguém que pesquisa nessas ciências de verdade relacionadas ao comportamento, que poderão conflitar com "previsões" praxeológicas dos austríacos praxeologistas, na medida em que estas fizerem afirmações falseáveis (isso é significativas, que tenham algum valor) sobre a realidade. Se isso não ocorrem, elas se adaptam a qualquer realidade possível, e assim não valem absolutamente nada.

Agora você respondeu. Não ser levado à sério por quem pesquisa ciências "de verdade" relacionadas ao comportamento em nada invalida o uso do método para fins econômicos. Não é objetivo da praxeologia entrar no campo dessas ciências, trabalhar com um nível de redução maior ao que se propõe.

Quantas vezes vou ter que repetir isso? Não interessa ao economista tentar descobrir o que, ou como, o por que vias neurais, químicas, ou hipnose, ou sugestão o ser humano toma as suas decisões. O nível de reducionismo necessário é somente da ação em si, do uso de meios para atingimento de fins. O nível das afirmações da praxeologia não é o mesmo nível das afirmações dessa ciências. E sim, a praxeologia faz afirmações específicas sobre a realidade, através da economia.

Como a afirmação "a evolução ocorre por mutação e seleção natural", se adapta a qualquer  realidade possível, ela não vale absolutamente nada?

Citar
O "axioma da ação" não entra em conflito com nenhuma ciência comportamental verdadeira porque é uma observação absurdamente trivial, que não diz absolutamente nada de não-óbvio.

É algo elementar e aceito sem necessitar dizer por defensores de qualquer escola econômica. Dele não se não derivam realmente apenas uma série inequívoca de "verdades", mas pode-se imaginar uma infinidade de possibilidades. Contanto que não sejam proposições paradoxais de ações ("ações de Schrodinger"), tudo é possível. Cabe simplesmente "qualquer coisa que pessoas façam". Literalmente, essa frase é um axioma, "as pessoas fazem qualquer coisa que venham a fazer".

É como o "axioma dos eventos"; que "coisas acontecem". Ou "cadeias de eventos são causalmente conexas". E pronto, se tem a universalogia/eventologia, uma fenomenologia expandida da economia e de tudo mais, que abarca todas as ciências relacionadas a eventos/coisas que acontecem. Expande a economia em questões como de geografia/recursos ou mesmo macroeconomia mais difícil de se chegar a partir de derivações individuais. Mas sem necessariamente se importar com o que estaria supostamente acontecendo "de verdade", já que a partir desse axioma só se pode chegar a verdade, por lógica, inevitável.

Isso. É uma observação extremamente trivial e esse é o componente básico, o bloco básico a partir do qual todas as leis econômicas são derivadas em conjunto com outros conceitos econômicos, como o de troca, escassez, valor,  etc.

Economia não é um sistema aberto, é um sistema fechado, com possibilidades restritas de ação dos agentes econômicos (investir, poupar, realizar trocas voluntárias, usar determinado meio de troca, determinado sistema bancário, etc). Não existe essa questão de expansão fenomenológica (e não existe separação de marco e micro economia - Mises unificou ambas, se não me engano, com sua teoria do dinheiro e do crédito. Essa separação é uma abstração que, por sinal, tem nos levado a cair no canto Keynesiano) , de que qualquer coisa seja possível, como se, a partir do axioma da ação e de conceitos econômicos, fosse se chegar a inúmeras leis possíveis competindo para explicar uma mesma realidade, ou que se expanda para além da economia.

Se chega a verdade pela lógica, pois temos o princípio da casualidade, aplicados à própria ação econômica humana propositada. 

Citar
Como fazem proponentes de quaisquer outras escolas econômicas, pode-se inferir coisas válidas sobre a economia a partir da "noção" de que pessaos fazem coisas (e isso equivale sim ao axioma da ação, diferentes frases dizem a mesma coisa). Só que isso não necessita dessa pretensa cientificidade já nesse estágio preliminar, que não passa de um verniz. Verniz esse que talvez fosse até mais impressionante se formulassem as coisas através de "frases" em linguagem de lógica proposicional. Mas acho que se aproximaria demais da matemática à qual essa facção (mas não a totalidade dos austríacos) tem aversão.

A maior parte das coisas levadas a sério em economia (em última instância corretas ou não) foram concebidas assim, mesmo coisas a que praxeologistas tenham posteriormente adaptado a essa narrativa. O que eventualmente de fato tenha tido essa origem, não dá a isso uma validação geral maior do que alguém ter eventualmente primeiro concebido uma verdade rimando, a partir da teoria de que rimas têm maior probabilidade de gerar verdades.

Como assim, coisas que praxeologistas tenham adaptado posteriormente? A contribuição austríaca é precedente ao positivismo na Economia; bem precedente!

Como eu já disse, eu não ligo para que se falseie as teorias/leis derivadas do método austríaco. Todas elas passam no teste, apesar do empirismo ser impossível de ser aplicado à economia da mesma forma como se aplica às ciências naturais. Porém, as consequências das ações econômicas humanas são passíveis de serem deduzidas logicamente, por causa do princípio da casualidade, sem necessidade de experimentação (talvez voce esteja pensando que em algum momento termos mais de 3 caminhos possíveis de análise, para se formar uma determinada lei econômica. Porém, essas análises são realizadas mantendo-se tudo mais constante e fazendo somente a variável estudada sofrer alteração). Vc não vai deduzir, para uma mesma situação, resultados diferentes.

Por exemplo : ao se analisar pelo método austríaco a questão do salário mínimo, considerando-se tudo mais constante, não se chegará a outra conclusão que não - causará desemprego dos menos capacitados! Não se chega a outra conclusão que não essa!   


Offline Feliperj

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #113 Online: 21 de Junho de 2016, 02:58:40 »
Quer criticar a Praxeologia e a Escola Austríaca, critiquem, mas não sejam idiotas que nem esse Douglas do UR. Tenham a mínima noção do que criticam. Esse Douglas não conseguiu fazer uma única crítica com validade, e ainda deixou implícito que Marx tem ou teve alguma importância na ciência econômica.

Why I Am Not an Austrian Economist
by
Bryan Caplan
http://econfaculty.gmu.edu/bcaplan/whyaust.htm

Obs.: Bryan Caplan é ancap.

Eu coloquei esse link em um post que abri, se não me engano por sugestão do Buckaroo, para discutir espeficicamente o método austríaco. E o Caplan já recuou na TACE, em um debate com o Walter Block. Ele também usa um conceito de utilidade marginal diferente do conceito original austriaco (revolução marginalista).  Mas a crítica dele é interessante, e mereceu atenção e resposta do Mises institute.

Rhyan

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #114 Online: 21 de Junho de 2016, 10:05:46 »
Acho que dentre os três marginalistas, os neoclássicos usam Jevons.

Offline -Huxley-

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #115 Online: 28 de Junho de 2016, 18:21:09 »
Eu já li de Mises (não lembro onde, mas tenho certeza que li) que a economia austríaca faz previsões qualitativas, mas não faz previsões quantitativas acerca dos fenômenos econômicos. Se é assim, então como podemos saber em que grau os acertos dos seguidores de sua escola de pensamento existem ou são frutos do acaso? Isso é algo que as pessoas deveriam refletir antes de ver certeza em certas proposições de artigos do Mises Institute.

Já coloquei aqui a proposição qualitativa que é falseável com relação a TACE! Qual a previsão quantitativa que a teoria da evolução faz para nós, humanos?

A teoria da evolução faz previsões quantitativas, e é claro que isso inclui coisas sobre a evolução humana: http://www.talkorigins.org/faqs/comdesc/

Offline -Huxley-

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #116 Online: 28 de Junho de 2016, 19:00:19 »

Se a questão fosse meramente estatística, não teriamos diferenças significativas entre todos os que usam esses métodos (ou seja, existe alguma questão referente a habilidade interpretativa individual).

Em nenhum momento foi negado que os quants têm prática em avaliar o peso de diferentes tipos de informação e que podem se beneficiar com o uso de fatores qualitativos juntamente aos quantitativos.

E outra questão é que a estatística pode sim ser válida para prever eventos futuros, durante um período de tempo (e isso o mises fala em seu livro), mas não para que, a partir dela, se possa  extrair uma lei atemporal baseada nas correlações observadas.

A atitude correta é formular a melhor previsão possível hoje - independentemente do que você disse na semana passada, no mês passado ou no ano passado. Não tem qualquer importância o fato de que a economia não obedeça a leis fundamentais intrinsecamente passíveis de serem previstas e conhecidas. Sistemas econômicos são, por definição, sistemas dinâmicos, o que significa que o comportamento em um dado momento influencia seu comportamento futuro.

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #117 Online: 28 de Junho de 2016, 19:17:27 »
Respondi sim, sua pergunta foi outra. A praxeologia não é científica e não é levada a sério por ninguém que pesquisa nessas ciências de verdade relacionadas ao comportamento, que poderão conflitar com "previsões" praxeológicas dos austríacos praxeologistas, na medida em que estas fizerem afirmações falseáveis (isso é significativas, que tenham algum valor) sobre a realidade. Se isso não ocorrem, elas se adaptam a qualquer realidade possível, e assim não valem absolutamente nada.

Agora você respondeu. Não ser levado à sério por quem pesquisa ciências "de verdade" relacionadas ao comportamento em nada invalida o uso do método para fins econômicos. Não é objetivo da praxeologia entrar no campo dessas ciências, trabalhar com um nível de redução maior ao que se propõe.

Quantas vezes vou ter que repetir isso? Não interessa ao economista tentar descobrir o que, ou como, o por que vias neurais, químicas, ou hipnose, ou sugestão o ser humano toma as suas decisões. O nível de reducionismo necessário é somente da ação em si, do uso de meios para atingimento de fins. O nível das afirmações da praxeologia não é o mesmo nível das afirmações dessa ciências. E sim, a praxeologia faz afirmações específicas sobre a realidade, através da economia.

O problema é que de "pura lógica" só se pode, "cientificamente", racionalmente, tirar conclusões bastante limtadas para o comportamento humano e economia.

É o princípio da coisa, simplesmente imaginar o que parece lógico, mas não acaba aí. Muito menos se consagra como "ciência" aí.

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Como a afirmação "a evolução ocorre por mutação e seleção natural", se adapta a qualquer  realidade possível, ela não vale absolutamente nada?

Não se adapta a qualquer realidade possível, já que você poderia verificar não existir mutação, nem seleção natural, ou mesmo que, apesar de ambas ocorrerem, elas não se acumulassem em "evolução".


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O "axioma da ação" não entra em conflito com nenhuma ciência comportamental verdadeira porque é uma observação absurdamente trivial, que não diz absolutamente nada de não-óbvio.

É algo elementar e aceito sem necessitar dizer por defensores de qualquer escola econômica. Dele não se não derivam realmente apenas uma série inequívoca de "verdades", mas pode-se imaginar uma infinidade de possibilidades. Contanto que não sejam proposições paradoxais de ações ("ações de Schrodinger"), tudo é possível. Cabe simplesmente "qualquer coisa que pessoas façam". Literalmente, essa frase é um axioma, "as pessoas fazem qualquer coisa que venham a fazer".

É como o "axioma dos eventos"; que "coisas acontecem". Ou "cadeias de eventos são causalmente conexas". E pronto, se tem a universalogia/eventologia, uma fenomenologia expandida da economia e de tudo mais, que abarca todas as ciências relacionadas a eventos/coisas que acontecem. Expande a economia em questões como de geografia/recursos ou mesmo macroeconomia mais difícil de se chegar a partir de derivações individuais. Mas sem necessariamente se importar com o que estaria supostamente acontecendo "de verdade", já que a partir desse axioma só se pode chegar a verdade, por lógica, inevitável.

Isso. É uma observação extremamente trivial e esse é o componente básico, o bloco básico a partir do qual todas as leis econômicas são derivadas em conjunto com outros conceitos econômicos, como o de troca, escassez, valor,  etc.

Economia não é um sistema aberto, é um sistema fechado, com possibilidades restritas de ação dos agentes econômicos (investir, poupar, realizar trocas voluntárias, usar determinado meio de troca, determinado sistema bancário, etc). Não existe essa questão de expansão fenomenológica (e não existe separação de marco e micro economia - Mises unificou ambas, se não me engano, com sua teoria do dinheiro e do crédito. Essa separação é uma abstração que, por sinal, tem nos levado a cair no canto Keynesiano) , de que qualquer coisa seja possível, como se, a partir do axioma da ação e de conceitos econômicos, fosse se chegar a inúmeras leis possíveis competindo para explicar uma mesma realidade, ou que se expanda para além da economia.

Essa "separação", se é que se pode chamar assim, é aceita pela maioria dos pesquisadores levados a sério, e faz sentido mesmo em outras áreas de pesquisa real (em vez de mera "imaginação" como "ciência") do comportamento humano. Simplesmente tem coisas que são mais perceptíveis se observando os efeitos globais/gerais do que tentando prever a partir do reducionismo. Climatologia e meteorologia talvez sejam os melhores exemplos, e talvez bastante comparáveis a economia nesse aspecto, podendo se ignorar "micro causas" para modelar com algum sucesso fenômenos "macro".




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Se chega a verdade pela lógica, pois temos o princípio da casualidade, aplicados à própria ação econômica humana propositada.

É meio como dizer "se chega a verdade pela lógica, termos o princípio das ações e reações que governam as moléculas de água, aplicados a própria ação das moléculas no clima terrestre."

Por mais que o "micro" possa informar, não acabam as coisas aí, especialmente se ficamos só na imaginação. Não dá para chamar de ciência, tanto que ninguém faz, senão os adeptos, como é o caso com toda pseudociência.

 

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Como fazem proponentes de quaisquer outras escolas econômicas, pode-se inferir coisas válidas sobre a economia a partir da "noção" de que pessaos fazem coisas (e isso equivale sim ao axioma da ação, diferentes frases dizem a mesma coisa). Só que isso não necessita dessa pretensa cientificidade já nesse estágio preliminar, que não passa de um verniz. Verniz esse que talvez fosse até mais impressionante se formulassem as coisas através de "frases" em linguagem de lógica proposicional. Mas acho que se aproximaria demais da matemática à qual essa facção (mas não a totalidade dos austríacos) tem aversão.

A maior parte das coisas levadas a sério em economia (em última instância corretas ou não) foram concebidas assim, mesmo coisas a que praxeologistas tenham posteriormente adaptado a essa narrativa. O que eventualmente de fato tenha tido essa origem, não dá a isso uma validação geral maior do que alguém ter eventualmente primeiro concebido uma verdade rimando, a partir da teoria de que rimas têm maior probabilidade de gerar verdades.

Como assim, coisas que praxeologistas tenham adaptado posteriormente? A contribuição austríaca é precedente ao positivismo na Economia; bem precedente!

Me refiro a economia mainstream, não a "positivismo". Em alguns casos o que veio a ser mais largamente aceito vindo de austríacos pode ter partido de elaborações precedentes sem "fundamentos" praxeológicos, muito embora possam ser adaptados a essa narrativa, já que é só dar um jeito de falar como as pessoas logicamente fariam isso. Pode também ter se originado daí mesmo, não é surpreendente, muito embora isso não faça desse empreendimento algo científico. Os austríacos provavelmente não reinventaram a economia "do zero" a partir de uma rejeição categórica a todas as outras, "redescobrindo" através da praxeologia aquilo com o que concordam. Antes disso é um exercício de adaptação a essa linguagem daquilo que têm como verdade.

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Among the theoretical contributions of the early years of the Austrian School are the subjective theory of value, marginalism in price theory, and the formulation of the economic calculation problem, each of which has become an accepted part of mainstream economics.[6]

Suspeito que todas essas coisas não sejam 100% originais/exclusivas dos austríacos, e podendo ser inferidas mesmo sem treinamento em praxeologia, apenas a partir de seus fundamentos obviamente triviais, "pessoas fazem coisas".



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Como eu já disse, eu não ligo para que se falseie as teorias/leis derivadas do método austríaco. Todas elas passam no teste, apesar do empirismo ser impossível de ser aplicado à economia da mesma forma como se aplica às ciências naturais. Porém, as consequências das ações econômicas humanas são passíveis de serem deduzidas logicamente, por causa do princípio da casualidade, sem necessidade de experimentação (talvez voce esteja pensando que em algum momento termos mais de 3 caminhos possíveis de análise, para se formar uma determinada lei econômica. Porém, essas análises são realizadas mantendo-se tudo mais constante e fazendo somente a variável estudada sofrer alteração). Vc não vai deduzir, para uma mesma situação, resultados diferentes.

Por exemplo : ao se analisar pelo método austríaco a questão do salário mínimo, considerando-se tudo mais constante, não se chegará a outra conclusão que não - causará desemprego dos menos capacitados! Não se chega a outra conclusão que não essa!

Isso não difere de se ter uma fórmula matemática com as mesmas assunções (apesar da aversão a matemática), não é nenhuma exclusividade. E como em matemática, a fórmula só é tão boa quanto as assunções que faz corresponderem à proxidade da realidade do que se modela. Haver certeza matemática/lógica não quer dizer que haverá certeza real.

Os fatos podem divergir da análise. Se não universalmente, ocasionalmente/pontualmente, por fatores não levados em consideração apenas imaginando as coisas.

Você pode ter um algoritmo para imaginar as coisas, e ele pode parecer render bem, mas não é cientifico por isso, e muito menos porque segundo suas próprias fórmulas, ele está sempre certo.

   









A atitude correta é formular a melhor previsão possível hoje - independentemente do que você disse na semana passada, no mês passado ou no ano passado. Não tem qualquer importância o fato de que a economia não obedeça a leis fundamentais intrinsecamente passíveis de serem previstas e conhecidas. Sistemas econômicos são, por definição, sistemas dinâmicos, o que significa que o comportamento em um dado momento influencia seu comportamento futuro.

Isso significa que poder retroditivo não vale nada, não deve nem ser preocupação? :hein:

Nessas não acaba se abrindo muito espaço para hipóteses ad hoc que justificam falhas de modelos que no fim das contas não servem para nada?

Offline Feliperj

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #118 Online: 28 de Junho de 2016, 22:32:53 »
Eu já li de Mises (não lembro onde, mas tenho certeza que li) que a economia austríaca faz previsões qualitativas, mas não faz previsões quantitativas acerca dos fenômenos econômicos. Se é assim, então como podemos saber em que grau os acertos dos seguidores de sua escola de pensamento existem ou são frutos do acaso? Isso é algo que as pessoas deveriam refletir antes de ver certeza em certas proposições de artigos do Mises Institute.

Já coloquei aqui a proposição qualitativa que é falseável com relação a TACE! Qual a previsão quantitativa que a teoria da evolução faz para nós, humanos?

A teoria da evolução faz previsões quantitativas, e é claro que isso inclui coisas sobre a evolução humana: http://www.talkorigins.org/faqs/comdesc/

Me fale como será o homem daqui a 10,000 anos!Quais órgãos terão se alterados e como! Ou faça o mesmo para uma drosófila, ou qualquer outro ser vivo dentro do ecossistema. É nesse sentido que estou falando em previsão. 

Offline Feliperj

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #119 Online: 28 de Junho de 2016, 22:54:58 »
Em nenhum momento foi negado que os quants têm prática em avaliar o peso de diferentes tipos de informação e que podem se beneficiar com o uso de fatores qualitativos juntamente aos quantitativos.

A atitude correta é formular a melhor previsão possível hoje - independentemente do que você disse na semana passada, no mês passado ou no ano passado. Não tem qualquer importância o fato de que a economia não obedeça a leis fundamentais intrinsecamente passíveis de serem previstas e conhecidas. Sistemas econômicos são, por definição, sistemas dinâmicos, o que significa que o comportamento em um dado momento influencia seu comportamento futuro.

O ponto aqui é que a estatística não nos permite deduzir, a partir delas, leis universais. Pois estatística é história, não teoria (leia o livro Teoria e História do Mises. Ele tem outro livro muito bom focado também na questão metodológica). Como história, representa uma configuração de condições únicas.

A atitude correta para quem? Não para um economista. Talvez para alguém que trabalhe com previsão de mercado.

Como assim a economia não obedece a leis fundamentais? Já citei aqui um monte delas!

Outra coisa. A Economia (Escola Austríaca) não se define como ciência (quem cometeu esse equivoco,e  para isso, criou um mundo de Boby, foi a Escola de Chicago) da mesma forma que as ciências naturais! Pelo contrário (e no livro Teoria e História isso fica claro), faz questão de se diferenciar das ciências naturais. Sendo assim, 0não se propõe a prever com a mesma precisão das ciências naturais, mas sim prever as consequências de políticas adotadas (expansão de crédito, aumento descontrolado da base monetária, etc,etc) e explicar os eventos passados.

O Peter Schiff (e a EA) ficou 4 anos avisando sobre a crise de 2008, explicando o mecanismo a sua dinâmica. E está, desde 2009, alertando que a correção adotada irá nos levar a uma crise muito pior! Quando? não podemos precisar, até porque, os BC's não estão permitindo as correções de mercado. Estão fazendo isso, porém, com um grande custo - aumentando o potencial destruidor dessa crise.

Essa discussão é, na verdade, sobre qual o método ideal para se aplicar na Economia : o mesmo das ciências naturais? Ou o método lógico-dedutivo, baseado no axioma da ação e suas consequências ?


Offline Buckaroo Banzai

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #120 Online: 28 de Junho de 2016, 23:32:14 »
Me fale como será o homem daqui a 10,000 anos!Quais órgãos terão se alterados e como! Ou faça o mesmo para uma drosófila, ou qualquer outro ser vivo dentro do ecossistema. É nesse sentido que estou falando em previsão. 

Alelos sofrerarão alteração em suas freqüências de acordo com as pressões seletivas. Quais alelos, quais pressões, são questões em aberto.

Dentro de um espaço relativamente curto de tempo como esse as "previsões" provavelmente seriam de que pouquíssima coisa mudaria (ao menos em  humanos), as menos especulativas seriam só de que a variação neutra e quase-neutra continuará a aumentar com o aumento populacional. Indo mais nessa linha de "mudança de órgãos" poderia ser ainda próximo de "previsão" dizer alterações como de tolerância a lactose e redução da dentição tendem a se propagar/emergir em algum grau conforme os povos abandonarem o estilo de vida de caçador-coletor. Mas não acho que dá para chamar isso exatamente de "previsão", não havendo "aposta" nas condições.

Previsões mais práticas e realistas podem ser usadas para informar questões de agropecuária, como desenvolvimento de linhagens, ou estratégias para conter a evolução de resistência de pestes.

Em laboratório é ainda capaz de se testar coisas como o risco potencial de linhagens de vírus, em que eles podem se transformar, de fato os selecionando aceleradamente em algumas condições.

Offline Feliperj

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #121 Online: 29 de Junho de 2016, 01:21:59 »
O problema é que de "pura lógica" só se pode, "cientificamente", racionalmente, tirar conclusões bastante limtadas para o comportamento humano e economia.

É o princípio da coisa, simplesmente imaginar o que parece lógico, mas não acaba aí. Muito menos se consagra como "ciência" aí.

Toda lei, teoria econômica tem que ser, OBRIGATORIAMENTE, deduzível como consequência lógica de ações humanas! Esse é o ponto. Caso contrário, ou você irá abrir mão do princípio da causalidade, ou terá que abraçar algum tipo de emergencismo forte bizarro! Se Austríacos discordam sobre uma lei ou uma teoria, eles não precisam recorrer ao empirismo para saber quem está certo! Tem que revisitar as premissas e as deduções feitas e encontrar os erros. Não existem duas realidades econômicas!

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Não se adapta a qualquer realidade possível, já que você poderia verificar não existir mutação, nem seleção natural, ou mesmo que, apesar de ambas ocorrerem, elas não se acumulassem em "evolução".

Assim como pode ocorrer com teorias econômicas : você verifica que não ouve nem expansão creditícia, nem redução de juros. Ou que ocorreu ambas, mas ainda não "se acumularam" em crise! Mas repare que em ambos os casos, você irá analisar a realidade tendo como base a teoria de evolução, mesmo para concluir que as pressões seletivas não foram suficientes para fixar a mutação ou que não tenha ocorrido sequer mutação.

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Essa "separação", se é que se pode chamar assim, é aceita pela maioria dos pesquisadores levados a sério, e faz sentido mesmo em outras áreas de pesquisa real (em vez de mera "imaginação" como "ciência") do comportamento humano. Simplesmente tem coisas que são mais perceptíveis se observando os efeitos globais/gerais do que tentando prever a partir do reducionismo. Climatologia e meteorologia talvez sejam os melhores exemplos, e talvez bastante comparáveis a economia nesse aspecto, podendo se ignorar "micro causas" para modelar com algum sucesso fenômenos "macro".

Não é imaginação do comportamento humano. Não se procura imaginar possíveis comportamentos humanos!O que se faz é analisar as consequências das ações do homem dentro da economia : ao poupar, ao consumir, ao empreender, ao emitir moeda, ao alterar a taxa de juros, etc. Não é sair por aí imaginando ações; as atuações econômicas são limitadas, são conhecidas e estão presentes entre nós faz muito tempo!


Você até pode analisar padrões globais. Porém, a modelagem matemática desse comportamento global, o "entendimento desse comportamento global" (como por exemplo : velocidade de circulação*) não irá lhe dar nenhuma informação significativa sobre o que está causando esse padrão, que no final, é o que interessa. É aí que reside o conhecimento que vai possibilitar o diagnóstico de situações, a adoção de políticas eficazes! E não são comparáveis, pois nos exemplos anteriores não existe intenção, aprendizado, mudança de opinião, metas, preferências, etc!

*"Por exemplo, é muito comum ouvir que o valor do dólar depende não somente da quantidade de dólares, mas também da sua "velocidade de circulação". Um aumento na "velocidade de circulação", no entanto, não é a causa de uma queda adicional do valor do dólar; esse aumento é em si uma das conseqüências do temor de que o valor do dólar vai diminuir (ou, para colocar de outra maneira, da crença de que os preços dos bens vão aumentar). É essa crença que torna as pessoas mais ansiosas para trocar dólares por bens. A ênfase que alguns escritores dão à "velocidade de circulação" é apenas mais um exemplo do erro de se substituir razões reais psicológicas por considerações mecânicas dúbias.

Um outro beco sem saída: como resposta àqueles que dizem que a inflação de preços é causada primariamente por um aumento do dinheiro e do crédito, algumas pessoas argumentam que o aumento dos preços das commodities frequentemente ocorre antes do aumento da oferta monetária. Isso é verdade. Isso foi o que ocorreu imediatamente após a deflagração da guerra na Coréia. Matérias-primas estratégicas começaram a encarecer por temor de que elas se tornariam escassas. Especuladores e produtores começaram a comprá-las e guardá-las, seja para se obter lucros futuros ou para se formar estoques preventivos. Mas para fazer isso, eles tiveram de pedir mais dinheiro emprestado junto aos bancos. Assim, o aumento dos preços foi acompanhado de um aumento igualmente notável dos empréstimos bancários e dos depósitos. De 31 de maio de 1950 até 30 de maio de 1951, os empréstimos feitos pelos bancos daquele país aumentaram em $12 bilhões. Se esse aumento dos empréstimos não tivesse ocorrido, e dinheiro novo (algo em torno de $6 bilhões ao final de janeiro de 1951) não tivesse sido impresso para cobrir os empréstimos, o aumento dos preços não teria como ser sustentado. Ou seja, o aumento dos preços só foi possível porque houve um aumento da oferta monetária."


* https://mises.org/library/velocity-magic

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É meio como dizer "se chega a verdade pela lógica, termos o princípio das ações e reações que governam as moléculas de água, aplicados a própria ação das moléculas no clima terrestre."

Por mais que o "micro" possa informar, não acabam as coisas aí, especialmente se ficamos só na imaginação. Não dá para chamar de ciência, tanto que ninguém faz, senão os adeptos, como é o caso com toda pseudociência.

Acho que estamos tratando em níveis diferentes : a verdade que se chega, com relação às moléculas, vem do empirismo - são as leis que governam esse comportamento, citadas por vc acima (a partir daí se aplica estatística para prever o seu comportamento na atmosfera). E não tem como ser diferente, pois não temos nenhum conhecimento a priori com relação às "ações" das moléculas. O que estou falando é que, no caso da economia, chegamos a essa mesmas leis básicas através das análises das consequências lógicas das ações humanas (poupar, escolher em um ambiente com recursos escassos, etc).


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Me refiro a economia mainstream, não a "positivismo". Em alguns casos o que veio a ser mais largamente aceito vindo de austríacos pode ter partido de elaborações precedentes sem "fundamentos" praxeológicos, muito embora possam ser adaptados a essa narrativa, já que é só dar um jeito de falar como as pessoas logicamente fariam isso. Pode também ter se originado daí mesmo, não é surpreendente, muito embora isso não faça desse empreendimento algo científico. Os austríacos provavelmente não reinventaram a economia "do zero" a partir de uma rejeição categórica a todas as outras, "redescobrindo" através da praxeologia aquilo com o que concordam. Antes disso é um exercício de adaptação a essa linguagem daquilo que têm como verdade.

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Among the theoretical contributions of the early years of the Austrian School are the subjective theory of value, marginalism in price theory, and the formulation of the economic calculation problem, each of which has become an accepted part of mainstream economics.[6]

Suspeito que todas essas coisas não sejam 100% originais/exclusivas dos austríacos, e podendo ser inferidas mesmo sem treinamento em praxeologia, apenas a partir de seus fundamentos obviamente triviais, "pessoas fazem coisas".

O Maistream é positivista. É a Escola de Chicago. E todas essas contribuições são decorrentes da Praxeologia. E claro que não foram os Austríacos que descobriram a Economia, até porque Moeda, Juros, Comércio, Poupança, etc surgem antes da teoria econômica!. Porém, o que o Mises fez, foi formalizar e fundamentar, filosoficamente, a abordagem econômica tradicional!

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Isso não difere de se ter uma fórmula matemática com as mesmas assunções (apesar da aversão a matemática), não é nenhuma exclusividade. E como em matemática, a fórmula só é tão boa quanto as assunções que faz corresponderem à proxidade da realidade do que se modela. Haver certeza matemática/lógica não quer dizer que haverá certeza real.

Os fatos podem divergir da análise. Se não universalmente, ocasionalmente/pontualmente, por fatores não levados em consideração apenas imaginando as coisas.

Você pode ter um algoritmo para imaginar as coisas, e ele pode parecer render bem, mas não é cientifico por isso, e muito menos porque segundo suas próprias fórmulas, ele está sempre certo.
   
Não é científico como se define as ciências naturais e nem tem a pretensão de ser. A certeza que se tem é que determinada ação humana, em determinada condição só pode ter um resultado (assumindo demais variáveis constates), caso contrário, estaremos violando o princípio da causalidade.

Fómulas matemáticas não nos ajudam em nada no entendimento das causas das variações que estão ocorrendo, muitas vezes não nos permitem observar a questão da temporalidade e nos levam a conclusões erradas, como o mito do subconsumo Keynesiano.







« Última modificação: 29 de Junho de 2016, 01:29:34 por Feliperj »

Offline Feliperj

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #122 Online: 29 de Junho de 2016, 01:28:43 »
Me fale como será o homem daqui a 10,000 anos!Quais órgãos terão se alterados e como! Ou faça o mesmo para uma drosófila, ou qualquer outro ser vivo dentro do ecossistema. É nesse sentido que estou falando em previsão. 

Alelos sofrerarão alteração em suas freqüências de acordo com as pressões seletivas. Quais alelos, quais pressões, são questões em aberto.

Dentro de um espaço relativamente curto de tempo como esse as "previsões" provavelmente seriam de que pouquíssima coisa mudaria (ao menos em  humanos), as menos especulativas seriam só de que a variação neutra e quase-neutra continuará a aumentar com o aumento populacional. Indo mais nessa linha de "mudança de órgãos" poderia ser ainda próximo de "previsão" dizer alterações como de tolerância a lactose e redução da dentição tendem a se propagar/emergir em algum grau conforme os povos abandonarem o estilo de vida de caçador-coletor. Mas não acho que dá para chamar isso exatamente de "previsão", não havendo "aposta" nas condições.

Previsões mais práticas e realistas podem ser usadas para informar questões de agropecuária, como desenvolvimento de linhagens, ou estratégias para conter a evolução de resistência de pestes.

Em laboratório é ainda capaz de se testar coisas como o risco potencial de linhagens de vírus, em que eles podem se transformar, de fato os selecionando aceleradamente em algumas condições.

Sim, mas minha intenção foi somente evidenciar que não é porque não se consegue determinar o momento ou exatamente o que irá acontecer, que uma teoria se torna não científica. O tipo de previsão que você apresentou é o mesmo que é apresentado pela Economia (EA). Outras escolas tentam (sem perceber a impossibilidade dessa missão), trazer para a economia o mesmo poder preditivo da física!



Offline JJ

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #123 Online: 29 de Junho de 2016, 08:37:48 »

Por exemplo : ao se analisar pelo método austríaco a questão do salário mínimo, considerando-se tudo mais constante, não se chegará a outra conclusão que não - causará desemprego dos menos capacitados! Não se chega a outra conclusão que não essa!   



Esse exemplo que você deu de SM tem em livro tradicional e autor tradicional de economia, não é necessário ser  seguidor  da ideologia   anarcocapitalista    para isso.



Offline JJ

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Re:A Pseudociência Praxeologia de Ludwig von Mises
« Resposta #124 Online: 29 de Junho de 2016, 08:59:56 »
Mises deixa claro que esse dualismo metodológico é um artifício (primeiro parágrafo do livro Teoria e História) :



Pode haver, mas isso seria apenas confusão (e generalização) de "má ciência" com pseudociência, já que é possível sim partir de observações para formar hipóteses sobre o comportamento ou pensamento humano, testá-las, e revisá-las. O mesmo vale para outras relacionadas com psicologia, conflitantes com praxeologia, como psiquiatria, neurociências, endocrinologia comoportamental, etc.

Ou seja, só "tem relevância" o comentário se a pessoa não tem adota esse critério padrão de cientificidade, mas sim algo mais "vale tudo"/"vale o que eu quero".

Mas a praxeologia não tem como objetivo determinar o porque das pessoas pensarem, agirem de tal forma, como constroem seus valores, etc. Para ela, só interessa o resultado disso, aquilo que se manifesta no mundo físico : a ação humana, através de meios, para atingimento de determinados fins. 

Eu sinceramente não consigo entender porque tanto problema com esse axioma. Alguém aqui conhece um exemplo de ação humana que não se encaixe no axioma (já falei dos atos reflexos, e o proprio Mises não considerava que toda ação era proposital).

Feliperj,

Você como seguidor desta doutrina acredita que as ações (comportamentos) de um Homo sapiens sapiens :

1)São controladas pelo sistema nervoso central ou acredita que tem um espírito/alma controlando ?

2) O desenvolvimento e funcionamento de sistema nervoso central depende dos sinais recebidos do ambiente ?

3)O desenvolvimento e funcionamento de sistema nervoso central também depende dos sinais* recebidos do restante do corpo (sistemas endócrinos e outros sistemas internos)?

4)A origem destes sistemas internos dependem da genética ?

5) Os sinais recebidos do ambiente tem efeitos no SNC ? E produz uma seqüencia continua de causas e efeitos no SNC?

6)Sinais diferentes (ou mesmo a ausência de sinais)  terão efeitos diferentes no SNC ?

7) O funcionamento do SNC  tem uma continua relação de causa e efeito? Causas anteriores determinam o funcionamento das células do SNC?





*Obviamente que não estou excluindo que também depende de matéria orgânica recebida via corrente sanguínea.




« Última modificação: 29 de Junho de 2016, 09:07:40 por JJ »

 

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