Autor Tópico: 'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia  (Lida 7351 vezes)

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Offline DDV

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #50 Online: 24 de Junho de 2016, 22:59:16 »
Eu já disse aqui que podemos apenas invejar a Primeira Emenda. Repito o mesmo em relação ao Federalismo.

Acho muito interessante como até mesmo os sistemas e métodos eleitorais variam de estado para estado lá.

Os EUA se aproximam muito de uma confederação, enquanto o Brasil me parece ser um estado unitário na prática (seus estados na prática são apenas províncias).
Não acredite em quem lhe disser que a verdade não existe.

"O maior vício do capitalismo é a distribuição desigual das benesses. A maior virtude do socialismo é a distribuição igual da miséria." (W. Churchill)

Offline Lorentz

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #51 Online: 24 de Junho de 2016, 23:07:05 »
Eu estava até agora achando que era vantajoso para a Inglaterra ter saído da UE, e quem sabe seria melhor para todos extinguir o bloco, mas o Mario Sabino escreveu a newsletter de hoje mostrando que foi péssimo:

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Populistas são idiotas
Por Mario Sabino
O populismo de esquerda e direita é capaz de infectar até mesmo países altamente civilizados, caso do Reino Unido. O Brexit representou uma vitória do populismo de direita, cujo rosto é Nigel Farage, chefe do Independence Party.
Os motores do Brexit foram principalmente a crise migratória e a xenofobia dos mais velhos -- os britânicos com menos de 24 anos votaram maciçamente pela permanência do Reino Unido na União Europeia. O excesso de regulação dos burocratas de Bruxelas contou para o “Leave”, mas serviu como força auxiliar para a decisão que causou um terremoto nas bolsas de todo o mundo e lançou uma sombra sobre o processo de globalização.
O populismo é o exato oposto da racionalidade, demonstra o Brexit. Como escreveu David Cassidy, da “New Yorker”, os seus partidários não ouviram a City, o ministro das Finanças, o Banco da Inglaterra, o FMI, o governo americano e uma infinidade de grandes economistas e empresários. Ao contrário do que diz toda essa gente respeitável, os adeptos do “Leave” acreditam que o Reino Unido poderá se tornar uma Noruega ou uma Suíça, países que rejeitaram a integração com o bloco, mas se beneficiam de um status especial com as nações da UE.
É um engano. A economia do Reino Unido, além de ser bem maior do que a norueguesa e suíça, é baseada na exportação de manufaturados que perderão o acesso sem barreiras ao maior mercado do planeta. Mercado, aliás, que está para integrar-se ao americano. UE e Estados Unidos negociam a criação da maior zona de livre comércio do mundo -- e o Reino Unido ficará fora dela. Muito inteligente.
A massa ignara que votou pela saída do bloco europeu deixou-se levar pelo discurso estúpido de Nigel Farage e asnos do Partido Conservador, sem se dar conta de que a integração à UE foi determinante para tirar o país da recessão na década de 80 e empurrar ladeira acima a economia britânica nos anos que se seguiram. O thatcherismo não teria dado resultados tão espetaculares sem a adesão ao bloco, apesar de todas as bravatas da Dama de Ferro.
A burocracia da UE é exasperante? Sim. A adoção do euro, sem união fiscal, foi desastrosa? Sim. A crise iniciada em 2008 continua a bater forte, em especial no Sul do continente? Sim. Os tropeços, contudo, não apagam o fato de que o bloco europeu é um sucesso político -- amalgamou nações historicamente inimigas -- e econômico. Não há um país que tenha empobrecido por causa da UE. Ela propiciou e acelerou o enriquecimento de todos, absolutamente todos, que a integram. O Reino Unido não ficará pobre, mas enriquecerá menos no seu esplêndido isolamento. A queda do valor da libra é o sinal mais evidente do futuro britânico.
A saída da UE também causará um problemão interno. Escócia e Irlanda do Norte votaram majoritariamente na permanência do Reino Unido no bloco. Em 2014, no plebiscito que definiu que os escoceses continuariam ligados à Inglaterra, um forte argumento utilizado nesse sentido foi dado pela UE. Os principais líderes europeus afirmaram que, se a Escócia saísse do Reino Unido, ela dificilmente seguiria no bloco. Agora, a Escócia está fora da UE, por causa do atrelamento à Inglaterra. Escoceses já recomeçam a falar em independência, dessa vez para voltarem ao bloco. Na Irlanda do Norte, por seu turno, o Sinn Fein, o partido nacionalista, quer um referendo para uni-la à Irlanda, que ficou rica graças à UE.
A ironia, nota David Cassidy, é que o Reino Unido corre o risco de se esfacelar do ponto de vista político antes de se desligar do bloco europeu, processo que deve demorar alguns anos para completar-se.
Populistas são, acima de tudo, idiotas.
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Offline Agnoscetico

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #52 Online: 25 de Junho de 2016, 02:51:27 »
   E agora aula de politica conservadora com eles Os mestres impagáveis da politica e conservadorismo do Youtube

   Segundo eles os globalistas (comunistas, illuminatis, qualquer coisa) perderam a batalha pros nacionalistas conservadores britanicos.

<a href="https://www.youtube.com/v/SDk1TCr4Mvg" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/SDk1TCr4Mvg</a>

<a href="https://www.youtube.com/v/Q0_DCe-VcOk" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/Q0_DCe-VcOk</a>


   E agora noticias serias (bocejo) de um certo canal chamado Euronews (em português) que não dá audiencia por serem mais profissionais e dão menos tretas, por isso tem menos comentarios (e os que tem muitos são comentarios de pessoas com "muita noção" e "sabedoria"):

<a href="https://www.youtube.com/v/I2VXPA18Fuk" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/I2VXPA18Fuk</a>

<a href="https://www.youtube.com/v/5b0C8-vo0QM" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/5b0C8-vo0QM</a>

<a href="https://www.youtube.com/v/pDb107zEhBY" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/pDb107zEhBY</a>

   Apoio de um mulher maravilhosa nenhum pouco extremista (e os comentarios? Só "gente boa"):

<a href="https://www.youtube.com/v/IGLLU5ie8qg" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/IGLLU5ie8qg</a>

   Mas tem problema não, agora Espanha quer briguinha por sua ex-colonia que Inglaterra tomou; acho que espanhois ficaram magoados (quem mandou tia Inglaterra sair da brincadeira?):

<a href="https://www.youtube.com/v/OWd1QYS5iQ4" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/OWd1QYS5iQ4</a>

   Ah e teve um francesa num dos videos (nao sei se um desses) com comentario indiferente, que disse que saida do RU nao muda porcaria nenhuma, pois antes tinha que usar identidade pra entra no RU e agora também.

« Última modificação: 25 de Junho de 2016, 03:00:31 por Agnoscetico »

Offline Gigaview

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #53 Online: 25 de Junho de 2016, 02:56:35 »
Não há prazo para invocar o artigo 50 e nem a EU pode forçar o Reino Unido a fazer isso. O prazo de 2 anos começa a partir de pressionado o botão vermelho para a saída. Segundo as leis inglesas, o referendum é apenas consultivo. O parlamento é soberano na decisão e o botão vermelho só pode ser pressionado pelo Primeiro Ministro ou outro representante do governo. Portanto, não existe pressa nem obrigação de sair. Pessoalmente acho que devem esperar até cair a ficha da burrada feita e convocar outro plebiscito daqui a um ou dois anos. A Europa será salva pelos ingleses e isso será incorporado na arrogância britânica para ficar na história.

Artigo publicado no FT na semana passada analisando essa situação:


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Can the United Kingdom government legally disregard a vote for Brexit?
David Allen Green
 | Jun 14 11:26 |

What follows any referendum vote next week for the United Kingdom to leave the EU? From a legal perspective, the immediate consequence is simple: nothing will happen.

The relevant legislation did not provide for the referendum result to have any formal trigger effect. The referendum is advisory rather than mandatory. The 2011 referendum on electoral reform did have an obligation on the government to legislate in the event of a “yes” vote (the vote was “no” so this did not matter). But no such provision was included in the EU referendum legislation.

What happens next in the event of a vote to leave is therefore a matter of politics not law. It will come down to what is politically expedient and practicable. The UK government could seek to ignore such a vote; to explain it away and characterise it in terms that it has no credibility or binding effect (low turnout may be such an excuse). Or they could say it is now a matter for parliament, and then endeavour to win the parliamentary vote. Or ministers could try to re-negotiate another deal and put that to another referendum. There is, after all, a tradition of EU member states repeating referendums on EU-related matters until voters eventually vote the “right” way.

What matters in law is when and whether the government invokes Article 50 of the Lisbon Treaty. This is the significant “red button”. Once the Article 50 process is commenced then Brexit does become a matter of law, and quite an urgent one. It would appear this process is (and is intended to be) irreversible and irrevocable once it starts. But invoking Article 50 is a legally distinct step from the referendum result — it is not an obligation.

Citar
Article 50 in full contains the following provisions:

1. Any Member State may decide to withdraw from the Union in accordance with its own constitutional requirements.

2. A Member State which decides to withdraw shall notify the European Council of its intention. In the light of the guidelines provided by the European Council, the Union shall negotiate and conclude an agreement with that State, setting out the arrangements for its withdrawal, taking account of the framework for its future relationship with the Union. That agreement shall be negotiated in accordance with Article 218(3) of the Treaty on the Functioning of the European Union. It shall be concluded on behalf of the Union by the Council, acting by a qualified majority, after obtaining the consent of the European Parliament.

3. The Treaties shall cease to apply to the State in question from the date of entry into force of the withdrawal agreement or, failing that, two years after the notification referred to in paragraph 2, unless the European Council, in agreement with the Member State concerned, unanimously decides to extend this period.

4. For the purposes of paragraphs 2 and 3, the member of the European Council or of the Council representing the withdrawing Member State shall not participate in the discussions of the European Council or Council or in decisions concerning it.

A qualified majority shall be defined in accordance with Article 238(3)(b) of the Treaty on the Functioning of the European Union.

5. If a State which has withdrawn from the Union asks to rejoin, its request shall be subject to the procedure referred to in Article 49.


There are three points of interest here in respect of any withdrawal from the EU by the UK.

First, it is a matter for a member state’s “own constitutional requirements” as to how it decides to withdraw. The manner is not prescribed: so it can be a referendum, or a parliamentary vote, or some other means. In the UK, it would seem that some form of parliamentary approval would be required — perhaps a motion or resolution rather than a statute. The position, however, is not clear and the UK government has so far been coy about being specific.

Second, the crucial act is the notification by the member state under Article 50(2). That is the event which commences the formal process, which is then intended to be effected by negotiation and agreement. There is no (express) provision for a member state to withdraw from the process or revoke the notification. Once the notification is given, the member state and the EU are stuck with it.

And third, there is a hard deadline of two years. This is what gives real force to Article 50. The alternative would be the prospect of a never ending story of rounds of discussions and negotiations. Once notification is given, then the member state is out in two years, unless this period is extended by unanimous agreement. It is possible that such unanimity may be forthcoming – but this would be outside of the power of the member state. Once the button is pushed, the countdown cannot just be switched off by a member state saying it has changed its mind, or by claiming that the Article 50 notification was just a negotiation tactic all along. That will not wash.

This said, what is created by international agreement can be undone by international agreement. Practical politicians in Brussels may come up with some muddling fudge which holds off the two year deadline. Or there could be some new treaty amendment. These conveniences cannot, however, be counted on. The assumption must be that once the Article 50 notification is given, the UK will be out of the EU in two years or less.

What happens between a Leave vote and any Article 50 notification will be driven by politics. The conventional wisdom is that, of course, a vote for Brexit would have to be respected. (This is the same conventional wisdom which told us that, of course, Jeremy Corbyn would not be elected Labour leader and that, of course, Donald Trump would not be the Republican nominee.) To not do so would be “unthinkable” and “political suicide” and so on.

And if there is a parliamentary vote before any Article 50 notification then there is the potential irony of those seeking to defend parliamentary sovereignty demanding that an extra-parliamentary referendum be treated as binding. But it must be right that the final decision is made by parliament, regardless of what the supposed defenders of parliamentary sovereignty say.

One suspects that no great thought went into the practical and legal consequences of a Leave vote because it was expected that the vote would be, of course, for the UK to remain. That may well be the result: nobody knows what will happen next week, and only a fool relies on opinion polls. And referendums do tend to support the status quo (though not always). It could turn out that worrying about what happens if there is a vote for Brexit is misplaced.

What is certain is that if there an Article 50 notification then there will be immense legal work to be done. Over 40 years of law-making — tens of thousands of legal instruments — will have to be unpicked and either placed on some fresh basis or discarded with thought as to the consequences. The UK government has depended since 1972 — indeed it has over-depended — on it being easy to implement law derived from the EU. The task of repeal and replacement will take years to complete, if it is ever completed. Even if the key legislation — especially the European Communities Act 1972 — is repealed there will have to be holding and saving legislation for at least a political generation.

A vote for Brexit will not be determinative of whether the UK will leave the EU. That potential outcome comes down to the political decisions which then follow before the Article 50 notification. The policy of the government (if not of all of its ministers) is to remain in the EU. The UK government may thereby seek to put off the Article 50 notification, regardless of political pressure and conventional wisdom.

There may already be plans in place to slow things down and to put off any substantive decision until after summer. In turn, those supporting Brexit cannot simply celebrate a vote for leave as a job done — for them the real political work begins in getting the government to make the Article 50 notification as soon as possible with no further preconditions.

On the day after a vote for Brexit, the UK will still be a member state of the EU. All the legislation which gives effect to EU law will still be in place. Nothing as a matter of law changes in any way just because of a vote to Leave. What will make all the legal difference is not a decision to leave by UK voters in a non-binding advisory vote, but the decision of the prime minister on making any Article 50 notification.

And what the prime minister will do politically after a referendum vote for Brexit is, at the moment, as unknown as the result of the referendum itself.

http://blogs.ft.com/david-allen-green/2016/06/14/can-the-united-kingdom-government-legally-disregard-a-vote-for-brexit/?siteedition=uk
« Última modificação: 25 de Junho de 2016, 03:09:53 por Gigaview »

Offline Jack Carver

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #54 Online: 25 de Junho de 2016, 18:00:54 »
Esse documentário explica bem os motivos que levaram à decisão majoritária da saída:
<a href="https://www.youtube.com/v/QbjYi1QrTWY" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/QbjYi1QrTWY</a>



O carinha liberal:
<a href="https://www.youtube.com/v/5lq1WdtSeW0" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/5lq1WdtSeW0</a>
« Última modificação: 25 de Junho de 2016, 18:22:36 por Jack Carver »
O Brasil é um país de sabotadores profissionais.

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Offline Gabarito

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #55 Online: 25 de Junho de 2016, 18:13:22 »
Para pensar: se tivesse sido vitoriosa a tese da permanência, como seriam as manchetes?

Citar
Democracia e plebiscito só são bons quando resultado agrada a esquerda
25 de junho de 2016



Como seria a reação da grande imprensa e da elite intelectual e financeira se o resultado do plebiscito no Reino Unido tivesse sido diferente, ainda que por menos de 1%? Sabemos a resposta: todos estariam enaltecendo a “voz das ruas”, a “decisão popular”, a “democracia”. Estariam elogiando a “sabedoria” do povo. E estariam celebrando mais um passo relevante em direção ao governo mundial. Mas o resultado foi outro. Deu Brexit.

E aí o que acontece? Automaticamente o povo passa a ser ignorante, o Reino Unido está dividido, os pobres e sem educação votaram pelo medo, pelas emoções, a classe média é obtusa, xenófoba, preconceituosa. Talvez até seja necessário um novo plebiscito, para ver se esse povo idiota acerta dessa vez. A democracia plebiscitária só é boa quando o resultado agrada a esquerda, eis o recado.

Em qualquer tema complexo como este, há sempre argumentos legítimos de ambos os lados. Venho tentando apresentar aqueles do lado do Brexit, que, após muita reflexão, seria minha escolha caso fosse britânico. Não se trata de decisão trivial. Não devemos adotar visão simplista, como faz o lado de lá: votar pela saída é defender a liberdade e permanecer na União Europeia é escolher a escravidão. Não é bem assim.

Em primeiro lugar, podemos conceder isso aos “progressistas”: de fato, muita gente ignorante, xenófoba e preconceituosa votou pela saída com base no medo. É um fato. Nigel Farage, líder do Ukip, que encabeçou a campanha pela retirada, tem viés demagogo, como tem Donald Trump nos Estados Unidos. Mas daí a ignorar que vários apoiaram a saída ou apoiam tais líderes com base em sólidos argumentos vai uma longa distância.

A esquerda prefere ignorar essa complexa realidade. É mais confortante repetir que todos são uns idiotas, que uma cambada de ignorantes escolheu, por medo, o caminho populista. Mais confortante, mas uma visão equivocada e um tanto arrogante. Há muita vida inteligente do outro lado, apoiando a saída por motivos bastante convincentes. Ignorar essa gente toda, fingir que não existe, é apenas uma tática dos “progressistas” para continuar se sentindo os únicos racionais em campo.

Então Margaret Thatcher, a maior estadista que o Reino Unido já teve, que literalmente salvou a Grã Bretanha do socialismo, era apenas uma idiota? Pois ela era uma das vozes mais estridentes, em seu tempo, contra a união forçada com o restante da Europa e a consequente perda de soberania de seu país. Vejam nesse breve discurso editado como ela diz “não, não e não” a essa mentalidade globalista que moldou a União Europeia:

<a href="https://www.youtube.com/v/tVt_1ByddUQ" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/tVt_1ByddUQ</a>

“Ah, mas Thatcher disse isso em outra época, e hoje tudo é muito diferente”, pode alegar o “progressista”. Ok, então vamos ver o que pensa um dos maiores filósofos conservadores da atualidade, que acaba de se tornar cavalheiro, Sir Roger Scruton, que ninguém terá a coragem de definir como idiota, tacanho, obscuro, ignorante:

<a href="https://www.youtube.com/v/Bvlg8YK3iSU" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/Bvlg8YK3iSU</a>

Não estão satisfeitos ainda? É uma só pessoa, e uma andorinha só não faz verão? Tudo bem. Vejam então o filme que fizeram em defesa do Brexit, repleto de argumentos sólidos, embasamento, explicação racional para a tomada de decisão:

<a href="https://www.youtube.com/v/QbjYi1QrTWY" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/QbjYi1QrTWY</a>

Eis o que penso disso: a elite intelectual e financeira, os jornalistas da grande imprensa, todos eles vivem numa espécie de bolha, cada vez mais afastados da realidade do “povão”, que eles juram defender. Se para um jornalista que vive em Nova York o imigrante muçulmano é uma abstração, uma espécie de mascote que ele defende em jantares inteligentes, para o sujeito pobre ele é o vizinho do gueto, cada vez mais dominado por uma cultura estranha, diferente, autoritária.

Enquanto o banqueiro comenta sobre livre imigração dos mexicanos na conversa do iate, o trabalhador humilde vê um imigrante ilegal tentando roubar seu emprego, e depois enfrenta o aumento da criminalidade nos bairros pobres por conta das leis “progressistas” que protegem tais imigrantes, como as “sanctuary cities” americanas. Para essa turma do andar de baixo, tais questões não são filosóficas ou abstratas, mas reais e concretas.

Se o estado concentra cada vez mais poder e recursos e controla mais e mais a economia, isso pode representar um fardo extra para o profissional liberal rico, talvez até algumas oportunidades para o advogado, mas para o trabalhador simples pode ser mortal: uma escola pública terrível, um hospital público que não funciona, um transporte público decadente.

Enfim, a tese de Charles Murray em Coming Apart se aplica bem aqui: há um gradual afastamento entre a elite na bolha e o povo. Ler os livros do psiquiatra britânico Theodore Dalrymple sobre o assunto também ajuda a elucidar muitas questões: é o povo que paga o preço das bandeiras imorais da esquerda caviar. E esse povo está indignado, revoltado, não se sente representado, e agora tem mais voz. A elite “progressista” ainda não entendeu isso!

Não são idiotas aqueles que compreendem tais riscos, que enxergam no “governo mundial” um obstáculo à liberdade, que cansaram da concentração de poder em burocratas “ungidos”. Não são xenófobos aqueles que não consideram desejável a perda completa de sua identidade nacional. Não agem apenas por medo aqueles que veem na União Europeia não um bloco de livre comércio, mas um aparato cada vez mais regulador do mercado. Não são ignorantes os que pretendem resgatar a soberania nacional perdida.

Ao ignorar tudo isso para repetir que o povo que votou pela saída é idiota, a esquerda “progressista” demonstra apenas sua própria ignorância, fomentada pela extrema arrogância dos que se consideram os únicos seres racionais do planeta. E como isso é irracional…

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #56 Online: 25 de Junho de 2016, 19:26:26 »
Esse documentário explica bem os motivos que levaram à decisão majoritária da saída:

A decisão não foi assim algo que se diga, "minha nossa, mas como foi majoritária essa decisão":


http://www.bbc.com/news/uk-politics-36616028

London calling...


Não vi o filme, mas parece que uma explicação mais breve foi terem caído em lorotas populistas* de quinta categoria:

<a href="https://www.youtube.com/v/iAgKHSNqxa8" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/iAgKHSNqxa8</a>

Ao que parece, os britânicos são batshit crazies.


* uma pitada de apelo racista também colaborou.



E como ficam agora os países reinunidenses não-ingleses que votaram para continuar? Mais um referendo para sair do Reinunido?


<a href="https://www.youtube.com/v/YNmbg9_CQPE" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/YNmbg9_CQPE</a>

Offline Gigaview

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #57 Online: 25 de Junho de 2016, 19:35:30 »
Citar
Não são idiotas aqueles que compreendem tais riscos, que enxergam no “governo mundial” um obstáculo à liberdade, que cansaram da concentração de poder em burocratas “ungidos”. Não são xenófobos aqueles que não consideram desejável a perda completa de sua identidade nacional. Não agem apenas por medo aqueles que veem na União Europeia não um bloco de livre comércio, mas um aparato cada vez mais regulador do mercado. Não são ignorantes os que pretendem resgatar a soberania nacional perdida.

A maioria não é idiota, é desinformada. A campanha do Brexit enfatizou o "take back control" sem considerar os riscos da decisão de sair apesar da opinião de todos os especialistas.


Offline Jack Carver

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #58 Online: 25 de Junho de 2016, 21:01:15 »
A decisão não foi assim algo que se diga, "minha nossa, mas como foi majoritária essa decisão":
Eu sei, foi uma decisão apertada. Mas fazer o quê agora, outro? Vira bagunça. Na Grécia o 'OXI' venceu, mas o governo, por pressão externa, cedeu contrariando o referendo.
Nem sei o RU vai mesmo sair, mas o clima de desentendimento interno em toda a UE aumentou. Tem países que saíram da toca depois de ontem e querem saber também como seu povo pensa.
O Brasil é um país de sabotadores profissionais.

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Offline Buckaroo Banzai

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #59 Online: 25 de Junho de 2016, 21:41:39 »
Com sorte se importando mais com o que os especialistas mais gabaritados em análise econômica/relevante pensam, em vez de cair nessas de "estamos cansados de especialistas qualificados nos dizerem o que acham que é melhor segundo sua avaliação técnica! Nós também temos o direito de agir de acordo com as concepções rudimentares que nos parecem mais agradáveis! Não toleraremos mais sermos compelidos a ter uma opinião informada para votarmos em questões vitais!"

Offline Gigaview

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #60 Online: 25 de Junho de 2016, 21:59:46 »
Acho que essa argumentação mais elaborada nem passou pela cabeça dessa maioria que votou no Brexit. Parece que estavam mais incomodados com a fila de imigrantes no correio ou com as pessoas que discutem em árabe nos ônibus do que com os possíveis impactos de suas decisões.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #61 Online: 25 de Junho de 2016, 22:18:00 »
E, segundo o John Oliver, isso nem necessariamente mudará essa situação.


O que, com agravamento da situação econômica decorrente, também tenderá a aumentar ainda mais a xenofobia/racismo.

Offline Diegojaf

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #62 Online: 26 de Junho de 2016, 09:31:55 »
Eu sei que ontem a opinião do pessoal especializado passou de "o que vai ser da UE" para ”a grã-Bretanha se fudeu imensamente".

Estão entrevistando pessoas que votaram pela saída e que estão dizendo que não sabiam que a decisão deles ia obrigar o governo a sair.

O podcast Xadrez Verbal disse que teve gente que votou como voto de protesto, achando que era uma eleição de vereador e que não faria diferença.

Não somos só nós os analfabetos políticos.
"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto." - Rui Barbosa

http://umzumbipordia.blogspot.com - Porque a natureza te odeia e a epidemia zumbi é só a cereja no topo do delicioso sundae de horror que é a vida.

Offline Geotecton

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #63 Online: 26 de Junho de 2016, 09:39:20 »
Eu sei que ontem a opinião do pessoal especializado passou de "o que vai ser da UE" para ”a grã-Bretanha se fudeu imensamente".

Estão entrevistando pessoas que votaram pela saída e que estão dizendo que não sabiam que a decisão deles ia obrigar o governo a sair.

O podcast Xadrez Verbal disse que teve gente que votou como voto de protesto, achando que era uma eleição de vereador e que não faria diferença.

Não somos só nós os analfabetos políticos.

Isto é ótimo porque pode resultar, daqui a poucos meses, em outro referendum para reavaliar a decisão.
Foto USGS

Offline Pagão

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #64 Online: 26 de Junho de 2016, 09:51:33 »
Curioso como parece não haver analfabetos políticos entre os votantes do ficar...  ::)... Só devemos aceitar referendos democráticos quando houver garantia de que os resultados serão aqueles que nos agradam! 

Azar... O referendo foi na mais antiga democracia do mundo. :ok:

Nenhuma argumentação racional exerce efeitos racionais sobre um indivíduo que não deseje adotar uma atitude racional. - K.Popper

Offline Pasteur

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #65 Online: 26 de Junho de 2016, 09:52:32 »
Enquanto isso a Escócia pensa em outro referendum com intenção de se divorciar da UK.

Offline Pasteur

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #66 Online: 26 de Junho de 2016, 09:53:28 »
Se ficar assim a Inglaterra vai ficar menor e menos poderosa.

Offline Pagão

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Offline Pasteur

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #68 Online: 26 de Junho de 2016, 11:50:03 »

Offline Pagão

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #69 Online: 26 de Junho de 2016, 13:24:24 »


Em democracia, o voto é universal... Esses garotos ao não perceberem isso mostram que não têm maturidade para escolher... Cresçam primeiro.
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Offline Pasteur

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #70 Online: 26 de Junho de 2016, 13:44:27 »


Em democracia, o voto é universal... Esses garotos ao não perceberem isso mostram que não têm maturidade para escolher... Cresçam primeiro.

Minha leitura foi que os mais velhos foram mais xenófobos e menos preocupados com o futuro da economia.

Offline Sdelareza

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #71 Online: 26 de Junho de 2016, 14:37:24 »
Pouco depois da entrada do Reino Unido na União Europeia em 1973, um referendo foi organizado em 1975
e obteve cerca de 67% de votos favoráveis a permanência do país na UE.

Como a maioria dos eleitores que votaram nesse ultimo referendo contra a permanência na UE eram de uma faixa que compreende os
quarentões aos mais idosos, aquilo mostra que, com o tempo, as pessoas ao envelhecer ficam mais conservadoras ou caem
mais no conforto do populismo.
« Última modificação: 26 de Junho de 2016, 14:47:08 por Sdelareza »

Offline Pagão

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #72 Online: 26 de Junho de 2016, 14:52:27 »
Pouco depois da entrada do Reino Unido na União Europeia em 1973, um referendo foi organizado em 1975
e obteve cerca de 67% de votos favoráveis a permanência do país na UE.

Como a maioria dos eleitores que votaram nesse ultimo referendo contra a permanência na UE eram de uma faixa que compreende os
quarentões aos mais idosos, aquilo mostra que, com o tempo, as pessoas ao envelhecer ficam mais conservadoras ou caem
mais no conforto do populismo.

Ou será antes que mostra que a UE não está a funcionar segundo a expetativas existentes em 1975? As pessoas mudaram com a idade, mas não será que foi a UE que mudou muito mais e, provavelmente, para pior?
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Offline Pasteur

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #73 Online: 26 de Junho de 2016, 15:11:50 »

Offline Lakatos

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Re:Inglaterra independente
« Resposta #74 Online: 26 de Junho de 2016, 15:33:10 »
É mais complicado do que parece:


 

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