Autor Tópico: Liberalismo  (Lida 21851 vezes)

0 Membros e 1 Visitante estão vendo este tópico.

Offline Brienne of Tarth

  • Nível 33
  • *
  • Mensagens: 2.433
  • Sexo: Feminino
  • Ave, Entropia, morituri te salutant
Re:Liberalismo
« Resposta #575 Online: 17 de Julho de 2019, 12:37:48 »
Não confunda imposto com taxa, são dois tipos tributários bem distintos, o imposto não envolve nenhuma específica contraprestação de serviço,  já a taxa envolve.  O texto faz referência à taxa de utilização de faróis.  E taxa não é imposto.  Taxa é uma forma de tributo.  Imposto é outra forma de tributo.

Ah, claro, entendi...é isso o que importa. :hein:
GNOSE

Offline JJ

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 15.271
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #576 Online: 18 de Julho de 2019, 10:26:36 »

Empresários, uni-vos


Economia  18.07.19 09:45
Por Renan Ramalho


A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) foi, até agora, a única entidade de peso a defender no STF a manutenção da MP da Liberdade Econômica, ameaçada por uma ação do PDT e sob a arriscada relatoria de Ricardo Lewandowski.

Em manifestação enviada à Corte, reforçou que a medida provisória é “a melhor alternativa para extrair o país da crise econômico-financeira que se encontra”.


“Com a criação e abertura de novos estabelecimentos comerciais, a MPV881, por via de  consequência, acabará por gerar considerável aumento nos níveis de desenvolvimento social, além de promover queda nos níveis de desemprego, melhoria do quadro econômico atual, e, também, aumento da arrecadação tributária”, afirmou a entidade.

A MP isenta pequenos negócios de licenças. Segundo a CNC, mais de 220 mil estabelecimentos nas áreas comércio, serviços e turismo fecharam entre 2015 e 2017.


https://www.oantagonista.com/economia/empresarios-uni-vos/


---------------



Cadê as outras entidades empresariais ?


 :?:

Offline JJ

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 15.271
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #577 Online: 29 de Julho de 2019, 10:14:07 »

Uma solução para as dificuldades enfrentadas pelos caminhoneiros


Para saber o que fazer, antes é necessário entender

Nota do editor

Eis uma notícia de hoje, dia 13 de dezembro de 2018

Equipe de Bolsonaro já discute nova tabela de frete para evitar greve de caminhoneiros

A equipe de transição já discute uma nova tabela de frete, que deve ser apresentada em janeiro pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para substituir a atual.

A proposta ficará em consulta pública para que todos os agentes do setor possam dar sugestões.

Uma das principais críticas do setor produtivo é que a tabela vigente foi elaborada de forma unilateral pela ANTT, no afogadilho, para acabar com a greve dos caminhoneiros, que praticamente parou o país em maio. Ela conteria erros de cálculo de custo e distorções, como considerar um só tipo de caminhão (número de eixos) para diferentes tipos de carga. A nova contemplará vários tipos de veículos para diversos tipos de carga.

Ontem, em uma articulação com o futuro governo, a Advocacia-Geral da União (AGU) conseguiu derrubar a decisão do ministro Luiz Fux, do STF, que suspendia o pagamento de multas pelo não cumprimento da tabela. E o futuro ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, já sinalizou que vai trabalhar para que a tabela do frete seja cumprida no país, em novos parâmetros, mais aderentes ao mercado, estabelecendo um piso correto que cubra os custos e remunere os caminhoneiros. Destacou, porém, que tudo será negociado com a categoria. [...]

Embora integrantes da equipe do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, avaliem que o tabelamento representa uma interferência do Estado na economia, a percepção é que não é hora de revogar a medida.

Há consenso de que o problema do frete foi criado por um desequilíbrio entre a oferta, estimulada pelo financiamento do BNDES para renovação de frota, e a demanda, que caiu com a crise na economia. No entanto, por se tratar de um segmento que pode afetar a população, a expectativa é que, com a retomada da atividade econômica, a situação volte a se equilibrar, e a tabela se torne desnecessária naturalmente. [...]

A decisão do ministro Fux de suspender o pagamento de multas gerou protestos de caminhoneiros no início desta semana, o que mobilizou a equipe de transição. Foi fechado um acordo com a equipe de transição e com o próprio Fux de que era preciso revogar a medida, porque ela tornava sem validade a lei que estabeleceu a política de preços mínimos no transporte rodoviário de carga — o que poderia estimular uma nova greve da categoria na virada do ano. A medida foi umas das principais reivindicações da paralisação da categoria em maio.

Ou seja, uma ala dos caminhoneiros está defendendo uma nova greve. Desta vez, no entanto, o problema não é o preço do diesel, mas sim o não cumprimento da tabela do frete.

Novidade nenhuma.

Ainda em junho, publicamos um artigo prevendo exatamente essa insatisfação, explicando por que não havia a mais mínima chance de a tabela ser cumprida: ela desafiava um princípio básico da teoria econômica.

Em um setor saturado de oferta (o preço do frete caiu exatamente porque há um excesso de caminhões), qualquer redução nos custos operacionais (preço do diesel) inevitavelmente teria de ser repassada aos clientes. Não é possível elevar artificialmente os preços do frete se há excesso de caminhões na praça e uma redução dos custos operacionais.

E foi exatamente isso o que ocorreu desde então, inclusive com empresas passando a optar por frota própria para fugir do aumento artificial do frete, o que aumentou ainda mais a ociosidade de caminhões, que agora querem nova greve.

A lição é indelével: quem acredita que é possível revogar conceitos básicos da teoria econômica sempre verá sua situação piorar.

O artigo abaixo foi originalmente publicado em 10/09/2018 (ou seja, há 3 meses), e infelizmente continua atual. Ele apresenta uma solução para os caminhoneiros, a qual não apenas não foi adotada, como também os próprios caminhoneiros, que deveriam agitar por ela, parecem desconhecer. Enquanto essa questão não for endereçada, o problema continuará, em maior ou menor grau. Fica a dica para a equipe econômica do próximo governo.

___________________________________________

Como todos muito bem se lembram, os caminhoneiros fizeram uma ruidosa greve geral nacional no fim do mês de maio de 2018. Dentre as exigências constavam a redução do preço do óleo diesel e o estabelecimento de uma política de preços mínimos (tabelamento) para o frete.

Em outras palavras, os caminhoneiros queriam preços artificialmente baixos para o combustível (reduzindo seus custos) e preços artificialmente altos para o frete (aumentando suas receitas).

O governo cedeu e aquiesceu.

O óleo diesel passou a ser (ainda mais) subsidiado pelo Tesouro (ou seja, por nós pagadores de impostos) e a ANTT implantou uma tabela de preços para o frete.

Mas, obviamente, a economia não admite desaforos. E tampouco controles artificiais podem alterar a realidade econômica. Inevitavelmente, surgiram distorções.

Em agosto, ou seja, três meses após essas medidas, o dólar saltou de R$ 3,50 para R$ 4,15 e puxou em mais 18% os preços dos combustíveis. Consequentemente, a importação de óleo diesel — tanto pela Petrobras quanto por outras importadoras — ficou inviabilizada, pois o subsídio já não cobria o aumento do preço. Para piorar, a Petrobrás foi obrigada a paralisar sua maior refinaria, a de Paulínia, em consequência do incêndio ocorrido no dia 20 de agosto.

Resultado: a Petrobras teve de reajustar o preço do diesel, até então congelado, em 13% nas refinarias.

Isso desagradou os caminhoneiros.

Para piorar (para os caminhoneiros), a tabela do frete não só não estava realmente sendo cumprida (inclusive pelas transportadoras), como várias grandes empresas pararam de contratar caminhoneiros autônomos e começaram elas próprias a fazerem seu transporte.

Essa combinação de eventos fez surgir novos rumores sobre uma nova paralisação de caminhoneiros — a qual, felizmente, não se concretizou (ainda).

O fato de que o tabelamento dos preços não seria cumprido era algo perfeitamente previsível — sendo que tal previsão foi feita neste artigo. Simplesmente não há como se praticar um tabelamento uniforme de preços em um cenário de excesso de caminhões, baixa demanda de cargas (pois a economia ainda está cambaleante), condições totalmente desiguais de estradas e de distâncias, e necessidade de completar viagens sem carga de retorno.

Vale lembrar que a crise no setor de transporte rodoviário de carga foi causada, principalmente, pelos fartos empréstimos baratos concedidos pelo BNDES para a aquisição de caminhões, política essa mantida de 2007 a 2014 (e explicada em detalhes aqui). Neste período, a quantidade de caminhões em circulação aumentou 50%, ao passo que a economia brasileira cresceu apenas 23% — em termos grosseiros, a frota de caminhões aumentou mais que o dobro da renda.

Ou seja, uma intervenção governamental gerou um abrupto aumento da frota de caminhões em circulação. Com uma oferta artificialmente inflada e crescendo mais que a demanda, o preço do frete caiu e, com ele, a renda dos caminhoneiros e o lucro das transportadoras.

O que fazer?

Por óbvio, se a causa da doença foi o investimento errado em um excesso de caminhões, a cura é uma só: desinvestir.

Aqueles com inclinações dirigistas, se capazes de seguirem esse simples encadeamento de raciocínio econômico até aqui, podem apressadamente concluir: basta agora o governo, que antes subsidiou a venda dos equipamentos, pegar o dinheiro dos pagadores de impostos e comprar o excesso de volta, tirando de circulação. Que se use o já falido orçamento público para sucatear a frota ociosa.

Tamanho desperdício — embora possivelmente menos danoso que rasgar o dinheiro vindo dos impostos com subsídio ao óleo diesel, como tem sido feito — ficaria explícito até mesmo para o mais ferrenho admirador das façanhas de políticos e burocratas. É provável que enfrentaria alguma resistência popular, mas seria possível contornar: bastaria dizer que a iniciativa se destina a aposentar "tranqueiras velhas", que gastam muito combustível, poluem muito, são inseguras etc.

Essa "solução" dirigista, no entanto, serviria apenas como uma ilustração clássica sobre o intervencionismo: intervenção gera mais intervenção. Os efeitos não-premeditados das intervenções anteriores geram novas distorções, as quais exigem novas intervenções para serem corrigidas. E dado que políticos e burocratas não conseguem prever os futuros efeitos colaterais de suas novas "intervenções corretoras", eles acabam tendo de intervir de novo. E de novo.

Ademais, é possível ter a certeza absoluta de que, na hora de estabelecer o preço de compra dos caminhões ociosos, o político ou burocrata — por mais competente e bem intencionado que seja — irá errar: ou ele fará ofertas pouco atraentes, que surtirão pequeno efeito, ou irá tirar de circulação muito mais caminhões do que deveria, causando um aumento posterior dos custos de transporte, o que, por sua vez, despertará clamores por mais regulação, mais subsídios, mais tabelamentos etc.

Por isso, clamar por uma nova intervenção estatal para corrigir os efeitos nefastos de uma intervenção anterior é algo que nenhum indivíduo racional deveria cogitar.

Felizmente, porém, há uma solução. E ela não só já existe como já está sendo aplicada, ainda que muito timidamente. Sim, já há pessoas que estão ajudando, silenciosamente, a realmente melhorar a situação dos caminhoneiros. Ainda são poucas, infelizmente. O volume do seu trabalho ainda é pequeno. Mas ao menos suas ações não causam efeitos colaterais indesejados. Acima de tudo, elas não requerem que você seja espoliado para pagar mais impostos.

Digite "exportação de caminhões usados" na sua ferramenta de busca predileta e você vai encontrar uma ou outra empresa que compra os veículos ociosos a preço de mercado (ver um exemplo aqui e aqui). Esses empreendedores viabilizam que caminhoneiros e empresas coloquem no bolso o dinheiro que imobilizaram em caminhões que hoje lhes são pouco úteis. Ato contínuo, os exportadores encontram quem dê genuíno valor aos veículos que estavam antes subutilizados por aqui. Há compradores ávidos nos outros países da América do Sul, da África, do Oriente Médio e da Europa. Bolívia, Paraguai, Argentina, Uruguai, Chile, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Panamá, Costa Rica, El Salvador, Nicarágua, Honduras, Guatemala, República Dominicana, Porto Rico, Arábia Saudita, Jordânia e até Alemanha são os principais destinos.

Essas transações de exportação e importação são voluntárias. Todo mundo sai ganhando.

E aí vem a inevitável pergunta: se o negócio é tão bom, por que a atividade é ainda pequena?

Simples: apenas imagine o cipoal regulatório, burocrático e tributário que os empreendedores enfrentam, tanto aqui no Brasil quanto nos países de destino da mercadoria. Agora, acrescente a isso o fato de que o Brasil proíbe a importação de caminhões usados (apenas aqueles classificados como "itens de colecionador" são permitidos, e tal permissão só ocorreu em 2017), o que gera a famosa política de reciprocidade, fazendo com que outros países também proíbam a importação de usados brasileiros.

Isentar esses caminhões do Imposto de Exportação (que é de 30%) seria um ótimo começo, e praticamente não afetaria o orçamento do governo — afinal, trata-se de um receita que o governo já não aufere, pois quase não há exportações de usados.

Por outro lado, caso nada seja feito e a tabela do frete seja mantida, essa política de controle de preços irá estimular as grandes empresas a interiorizarem ainda mais suas frotas (como já está acontecendo), pois isso será o mais economicamente racional a ser feito. Caminhoneiros autônomos serão os grandes perdedores.

Conclusão

Eis, portanto, uma sugestão para políticos e burocratas brasileiros que queiram realmente fazer parte da solução do problema dos caminhoneiros: que tal desregulamentar a exportação de caminhões usados e fazer pressão diplomática para que os governantes nos principais mercados importadores façam o mesmo?

Essa seria verdadeira solução de mercado contra as lambanças causadas pelo intervencionismo estatal.

Eis uma pauta que os caminhoneiros e seus sindicatos realmente deveriam exigir.

_______________________________________

Leia também:

Autoengano: por que as medidas adotadas pelo governo não ajudarão os caminhoneiros

É inevitável: sempre que uma categoria profissional faz greve, quem banca as exigências é você



https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2939



« Última modificação: 29 de Julho de 2019, 10:19:29 por JJ »


Offline Geotecton

  • Moderadores Globais
  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 28.231
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #579 Online: 29 de Julho de 2019, 16:38:14 »
Citar
[...]
Simples: apenas imagine o cipoal regulatório, burocrático e tributário que os empreendedores enfrentam, tanto aqui no Brasil quanto nos países de destino da mercadoria. Agora, acrescente a isso o fato de que o Brasil proíbe a importação de caminhões usados (apenas aqueles classificados como "itens de colecionador" são permitidos, e tal permissão só ocorreu em 2017), o que gera a famosa política de reciprocidade, fazendo com que outros países também proíbam a importação de usados brasileiros.
[...]

O autor despreza (ou ignora) a pressão que seria exercida pelas montadoras locais de caminhões, que perderiam a 'mamata' de vender produtos extremamente caros e muito lucrativos.
Foto USGS

Offline Buckaroo Banzai

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 38.195
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #580 Online: 10 de Setembro de 2019, 17:25:39 »
<a href="https://www.youtube.com/v/1tZOKfCial4" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/1tZOKfCial4</a>

Offline Buckaroo Banzai

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 38.195
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #581 Online: 01 de Outubro de 2019, 10:28:19 »
Citar
<a href="https://www.youtube.com/v/Nuzi7LlSDVo" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/Nuzi7LlSDVo</a>

Compounding pharmacies create medication tailored to the specific needs of individual patients. John Oliver explains why this small corner of the drug market can cause big problems.


Offline Buckaroo Banzai

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 38.195
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #582 Online: 05 de Outubro de 2019, 17:36:13 »
Citar
<a href="https://www.youtube.com/v/-tIdzNlExrw" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/-tIdzNlExrw</a>

John Oliver discusses the medical device industry, which is a huge business with a hugely troubling lack of regulation.


A pesquisa de opinião sobre o implante feminino é tão embasbacante que parece mentira.

Offline JJ

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 15.271
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #583 Online: 07 de Outubro de 2019, 09:34:55 »
Greta Thunberg manda seu recado para os países mais pobres: “Morrerão pobres”




Em nome da "compaixão", os pobres devem ser proibidos de tentar melhorar de vida

Na segunda-feira, a celebridade-mirim e "ativista climática" Greta Thunberg discursou na Cúpula da Ação Climática, da ONU, em Nova York. Dentre outras coisas, a sueca de 16 anos de idade exigiu uma drástica redução de mais de 50% nas emissões de carbono ao longo dos próximos dez anos.

Greta, para quem ainda não sabe, foi alçada à fama, em agosto de 2018, por ter liderado uma "greve" em sua escola contra "as mudanças climáticas". O dia da greve coincidiu com o lançamento de um livro sobre mudanças climáticas escrito por sua mãe, uma famosa cantora de ópera.

Sobre o discurso na ONU, ainda não está claro para quem exatamente ela estava dirigindo suas palavras, muito embora ela tenha entrado com uma queixa na ONU exigindo que cinco países (Argentina, Brasil, França, Alemanha e Turquia) sejam mais rápidos em adotar profundos cortes em suas emissões de carbono.

A queixa se baseia em um acordo de 1989, a Convenção Sobre os Direitos da Criança, por meio do qual Thunberg alega que os direitos humanos das crianças estão sendo violados pelas emissões de carbono.

No entanto, Thunberg parece ignorar completamente que, em países pobres e ainda em desenvolvimento, emissões de carbono são muito mais uma garantia de vida para as crianças do que uma ameaça.

Países ricos e pobres

Uma coisa é criticar a França e a Alemanha por suas emissões de carbono. Ambos são países relativamente ricos, nos quais apenas poucas famílias serão reduzidas a uma pobreza opressiva, de estilo terceiro mundo, caso seus respectivos governos encareçam a produção de energia — e, consequentemente, a maioria dos serviços e bens de consumo — ao imporem regulações que obriguem a redução de carbono.

Mas, mesmo no mundo rico, um corte drástico como esse exigido por Thunberg iria relegar várias famílias pobres a uma vida de privações e sacrifícios ainda maiores.

Este é um preço que Thunberg já deixou claro estar disposta a obrigar os pobres do primeiro mundo a pagarem.

Mas sua inclusão de países como Brasil e Turquia nesta lista é bizarra, e beira o sadismo — supondo que ela tenha alguma idéia de como é a vida nestes locais.

Embora Brasil e Turquia contenham localidades cujas condições se aproximam das do primeiro mundo, ambos os países ainda apresentam uma ampla fatia da população vivendo em um nível de pobreza que adolescentes européias ricas nem sequer têm a capacidade de imaginar, muito menos de entender.

Vencendo a guerra contra a pobreza com os combustíveis fósseis

Mas graças à industrialização e à globalização econômica, países podem e conseguem sair da pobreza.

Nas últimas décadas, países como Turquia, Malásia, Brasil, Tailândia e México — outrora países de terceiro mundo com a maioria de sua população vivendo na pobreza opressiva — se tornaram países de renda média. Adicionalmente, nestes países, a maioria da população provavelmente irá, nas próximas décadas, finalmente alcançar aquilo que, no século XX, seria considerado um padrão de vida de primeiro mundo.

Ao menos isso é o que ocorrerá caso pessoas como Greta Thunberg não se intrometam.

O desafio aqui surge do fato de que, para um país pobre ou de renda média, o uso de energia barata — amplamente possibilitada por combustíveis fosseis — é normalmente o que ajuda o crescimento econômico.

Afinal, se a população de um país quer enriquecer, ela tem de criar coisas de valor para as populações de outros países. Em se tratando de países de renda baixa e média, isso normalmente significa fabricar coisas como veículos, computadores, ou outros tipos de maquinário. Este certamente tem sido os casos de México, Malásia e Turquia.

Mas para países como estes, a única maneira econômica de produzir essas coisas é utilizando combustíveis fosseis.

Por isso, não é nenhuma coincidência que um aumento nas emissões de carbono ande em linha com o crescimento econômico. Vemos esta relação no Brasil, por exemplo:

brazil.png

Gráfico 1- Brasil: barras azuis, eixo da esquerda, PIB per capita em dólares (corrigido pela inflação); linha laranja, eixo da direta, emissões de co2 per capita

E na Malásia:

malaysia.png

Gráfico 2- Malásia: barras azuis, eixo da esquerda, PIB per capita em dólares (corrigido pela inflação); linha laranja, eixo da direta, emissões de CO2 per capita.

E também na Turquia:

turkey.png

Gráfico 3- Turquia: barras azuis, eixo da esquerda, PIB per capita em dólares (corrigido pela inflação); linha laranja, eixo da direta, emissões de co2 per capita.

Fonte: Banco de dados do Banco Mundial

Não mais vemos essa relação direta entre esses dois fatores em países ricos. Isso se deve ao fato de que vários países de primeiro mundo (e pós-soviéticos) fazem um amplo uso de energia nuclear, e também porque países de alta renda estão maciçamente abandonando o carvão em prol de combustíveis menos intensivos em carbono, como o gás natural.

Foi graças a essa industrialização impulsionada pelos combustíveis fósseis ao longo dos últimos trinta anos que a pobreza extrema e outros sintomas de subdesenvolvimento econômico foram reduzidos.

Por exemplo, de acordo com o Banco Mundial, a pobreza extrema ao redor do mundo foi reduzida de 35% para 11% de 1990 a 2013. Os dados também informam que o acesso à água limpa aumentou, o analfabetismo caiu e a expectativa de vida cresceu — e tudo em ritmo mais intenso naquelas áreas de baixa renda que mais rapidamente se industrializaram nas últimas décadas.

Assim como as emissões de carbono estão correlacionadas com o crescimento econômico em países de renda média, a mortalidade infantil tende a cair à medida que as emissões de carbono aumentam.

Vemos isso em todo o mundo desenvolvido, inclusive na Índia.

ndia_mortality.png

Gráfico 4 – Índia: barras cinza, eixo da esquerda, CO2 per capita em toneladas; linha preta, eixo da direta, taxa de mortalidade de crianças abaixo de 5 anos, por 1.000

E na China:

emissions_mortality_china.png

Gráfico 5 – China: barras cinza, eixo da esquerda, CO2 per capita em toneladas; linha preta, eixo da direta, taxa de mortalidade de crianças abaixo de 5 anos, por 1.000

Fonte: Dados de CO2 per capita são do Banco Mundial. Dados da mortalidade infantil são da Unesco

Obviamente, a industrialização não é o único fator por trás da redução da mortalidade infantil. Mas é certamente um grande fator. A industrialização sustenta os modernos serviços de saúde, como hospitais climatizados e bem aparelhados, e aumenta o acesso a água limpa e a sistemas de saneamento.

Greta Thunberg ignora tudo isso, e zomba da idéia de crescimento econômico como sendo um "conto de fadas". Mas para pessoas de países em desenvolvimento, dinheiro e crescimento econômico — duas coisas que Greta Thunberg pensa serem desprezíveis — se traduzem em vidas melhores e mais longevas.

Em outras palavras, o desenvolvimento econômico significa felicidade, dado que, como Ludwig Von Mises já havia apontado, "As mães se tornam mais felizes quando seus filhos sobrevivem, e as pessoas são mais felizes quando se livram da tuberculose".

Infelizmente, o jubiloso desprezo de Thunberg pelos benefícios do crescimento econômico já está se tornando corriqueiro entre pessoas de países ricos que já usufruem todos os benefícios e mimos possibilitados pela industrialização criada pelos combustíveis fosseis no passado. Para elas, mais crescimento econômico significa apenas mais acesso a artigos de moda e carros luxuosos. Mas para os bilhões de seres humanos que vivem fora destes lugares, a industrialização permitida por combustíveis fosseis pode representar a diferença entre vida e morte.

E, ainda assim, Greta Thunberg considerou humanista atacar países como Brasil e Turquia por não estarem muito entusiasmados em praticamente abolir este que é o meio mais garantido de permitir um estilo de vida mais higiênico e mais bem alimentado para o cidadão comum.

Os chineses conhecem os benefícios do crescimento econômico ainda melhor. Com uma população que estava literalmente morrendo de fome na década de 1970, a China rapidamente se industrializou após trocar o comunismo de Mao por um sistema econômico que, embora longe de ser um capitalismo genuíno, ainda assim é muito mais pró-empreendedorismo do que o anterior. Mesmo este tímido arranjo capitalista — e sustentado por combustíveis fosseis — rápida e substantivamente retirou um bilhão de pessoas da miséria absoluta, as quais até então tinham uma tênue existência ameaçada regularmente pela fome e por todos os tipos de privação econômica.

Hoje, a China é o maior emissor mundial de carbono – de longe —, e suas emissões são o dobro das emissões dos EUA. E enquanto EUA e União Europeia estão reduzindo suas emissões, a China nem sequer deu qualquer sinalização de que pretende atacar suas emissões antes de 2030. (E uma sinalização também não significa que algo será feito). Já a Índia mais do que duplicou suas emissões entre 2000 e 2014, e seu primeiro-ministro se recusa a se comprometer a reduzir sua matriz energética a base de carvão.

totalemissions.png

Gráfico 6- emissões totais de CO2, em toneladas métricas, de China, Estados Unidos, União Europeia e Índia. Fonte: dados do Banco Mundial, utilizando população total e emissões de CO2 per capita em toneladas métricas

E, realmente, quem pode culpá-los? Adolescentes de primeiro mundo podem acreditar que é correto dar sermão nos trabalhadores das fábricas chineses sobre a necessidade de reduzir o padrão de vida deles, mas tais comentários certamente serão ignorados se uma "política climática" significa destruir o assim chamado "conto de fadas" do crescimento econômico.

(Com efeito, o assunto "mudanças climáticas" nem sequer é abordado pela mídia chinesa).

Como bem disse um cidadão chinês na Weibo, que é a principal rede social da China: "Se a economia não crescer, o que é que nós que vivemos em países em desenvolvimento iremos comer?"

Mensurando os custos líquidos do aquecimento global

Os defensores de cortes drásticos nas emissões talvez reagirão: "Mesmo que nossas políticas empobreçam as pessoas, elas ficarão muito piores com o aquecimento global!"

Será mesmo?

Na ONU, Greta disparou: "Pessoas estão sofrendo. Pessoas estão morrendo [por causa das mudanças climáticas]".

Ignoremos a total falta de evidência da afirmação, e passemos direto ao ponto: essa afirmação isolada não nos diz nada do que precisamos saber quando vierem as políticas de mudança climática. A pergunta que realmente interessa é esta: se o mundo implantar as drásticas políticas climáticas thunbergianas, essas políticas farão mais mal do que bem?

A resposta pode muito bem não estar a favor dos ativistas climáticos. Afinal, os custos das mudanças climáticas devem ser mensurados em relação aos custos de se impor políticas de prevenção às mudanças climáticas. Se o crescimento econômico for afetado pelas políticas climáticas — de modo que centenas de milhões de pessoas ficarão sem água tratada e sem moradias seguras —, trata-se então de um custo bastante considerável.

Afinal, os benefícios da energia barata — majoritariamente fornecida por combustíveis fósseis – já são aparentes. A expectativa de vida continua aumentando (e é no mundo em desenvolvimento que ela continuará apresentando os maiores ganhos). A mortalidade infantil continua caindo. Pela primeira vez na história, o camponês médio na China não está sendo obrigado a batalhar para levar uma vida de mera subsistência em um campo de arroz. Graças à eletricidade barata, as mulheres em países de renda média não mais têm passar seus dias lavando roupas à mão, sem máquinas de lavar. As crianças não mais bebem água infectada com cólera.

É muito fácil sentar-se perante uma platéia de políticos ricos e perguntar em tom raivoso "como ousam" não implementar as políticas climáticas desejadas por alguém. Mas pode ser um pouco mais difícil dizer a uma trabalhadora de uma fábrica de camisas em Bangladesh que a situação dela já está boa demais, e que está na hora de darmos um basta no crescimento econômico. E pelo próprio bem dela, é claro.

E este, aliás, é exatamente o grande problema destas políticas de mudança climática. Embora o ônus da prova esteja sobre eles, por quererem coagir bilhões de pessoas em seu esquema de planejamento econômico global, os ativistas climáticos jamais apresentaram um argumento minimamente convincente de que o lado ruim do aquecimento global é pior do que o lado ruim de se acabar com as economias ainda em processo de industrialização.

É por isso que os ativistas frequentemente recorrem a alegações totalmente exageradas sobre uma fantasiosa "destruição global". Mediante tal terrorismo, ninguém irá perder muito tempo pensando em opções quando as únicas alternativas apresentadas são "fazer o que queremos" ou "lidar com a total extinção global".

Mas mesmo os ativistas climáticos não conseguem chegar a um acordo sobre se esse armaggedon é acurado. Ano passado, por exemplo, a revista Scientific American publicou um artigo intitulado "Deveríamos "ficar mais frios" em relação ao aquecimento global?", em que o autor John Horgan explora a ideia de que "os contínuos progressos na ciência e em outras áreas irão nos ajudar a superar os problemas ambientais".

Especificamente, Horgan recorre a dois escritores que falam bastante sobre o assunto: Steve Pinker e Will Boisvert. Nenhum dos dois possui quaisquer credenciais libertárias, e nenhum dos dois afirma não existir mudança climática. Ambos pressupõem que a mudança climática é real e que irá gerar dificuldades. Mas ambos, no entanto, também concluem que os desafios impostos pela mudança climática não requerem a imposição de uma ditadura climática global. Segundo eles, as sociedades humanas já são motivadas a fazer os tipos de coisas que serão essenciais para superar eventuais desafios climáticos que porventura surjam.

Ou seja: buscar padrões de vida mais altos por meio de inovações tecnológicas é o segredo para lidar com uma eventual mudança climática.

Mas tais inovações não são estimuladas quando crianças mimadas, com o dedo em riste, dizem a trabalhadores brasileiros que eles devem esquecer qualquer sonho de melhorar seu padrão de vida, ter um bom carro de família, uma moradia repleta de eletrodomésticos modernos e fazer viagens de turismo em seu tempo livre.

Tal postura não tem a mais mínima chance de ser uma estratégia vitoriosa — exceto no mundo povoado exclusivamente por pessoas de alta classe que adoram odiar seu conforto e maldizer seus próprios "privilégios".

Tudo indica que vários brasileiros, chineses e indianos estão dispostos a arriscar o aquecimento global em troca de uma chance de usufruir pelo menos um pequeno pedaço de uma riqueza que estes milionários ativistas climáticos do primeiro mundo já usufruíram por toda a sua vida.




https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=3098



Energia barata é uma condição fundamental para se obter boas taxas de crescimento econômico.  Já a energia cara  dificulta e até pode impedir o enriquecimento de um país.


 
« Última modificação: 07 de Outubro de 2019, 09:58:28 por JJ »

Offline JJ

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 15.271
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #584 Online: 07 de Outubro de 2019, 09:53:07 »

Seria interessante que essa Greta mudasse para um país de 3° mundo e fosse viver num bairro bem pobre onde pessoas vivem com pouco acesso à  produtos industriais que precisam de energia ( e mesmo também sem água tratada, pois tanto no tratamento quanto na distribuição é necessário ter energia e de preferência que seja barata), tanto para fabricação como para seu uso.


« Última modificação: 07 de Outubro de 2019, 09:56:47 por JJ »

Offline Sergiomgbr

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 11.304
  • Sexo: Masculino
  • uê?!
Re:Liberalismo
« Resposta #585 Online: 07 de Outubro de 2019, 10:10:21 »
Ah, sim,  é verdade, o Já  Pão  que o diga... 
Até onde eu sei eu não sei.

Offline Buckaroo Banzai

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 38.195
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #586 Online: 07 de Outubro de 2019, 10:33:20 »

Seria interessante que essa Greta mudasse para um país de 3° mundo e fosse viver num bairro bem pobre onde pessoas vivem com pouco acesso à  produtos industriais que precisam de energia ( e mesmo também sem água tratada, pois tanto no tratamento quanto na distribuição é necessário ter energia e de preferência que seja barata), tanto para fabricação como para seu uso.





É meio bizarro tanta gente tão consternada com uma menininha ativista.

E ainda fazendo argumentos toscos, mais do que rebatidos.

Os países subdesenvolvidos SÃO OS QUE MAIS VÃO SOFRER com a progressão de mudanças climáticas, e é FALSA A DICOTOMIA de "desenvolvimento keynesiano-ambiental irresponsável versus desenvolvimento nenhum/fome".


[...]

A CONSERVATIVE solution to global warming (Part 1)

<a href="https://www.youtube.com/v/D99qI42KGB0" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/D99qI42KGB0</a>

Fontes listadas na descrição do vídeo.




A conservative solution to climate change - part 2

<a href="https://www.youtube.com/v/6fV6eeckxTs" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/6fV6eeckxTs</a>




Mais do autor do Mises.org:

Citar


The Western genre has long been associated with right-wing and libertarian politics, and is said to promote individualism and free-market economics. In a new look at the Western, however, Ryan McMaken shows that the Western is in fact often anti-capitalist, and in many ways, the genre attacks the dominant ideology of nineteenth-century America: classical liberalism.

The classical Westerns of the mid-twentieth century often feature wealthy capitalist villains who oppress the cowardly and defenseless shopkeepers and farmers of the frontier. The gunfighter, a representative of the law and order provided by the nation-state, intervenes to provide safety and justice. In addition to attacks on capitalism, the Western attacks other prized values of the bourgeois middle classes including Christianity, education and urbanization.






O marxismo cultural através do gramscianismo críptico se esconde muitas vezes debaixo dos narizes de todos:



"I can't help but believe that in the future we will see in the United States and throughout the Western world an increasing trend toward the next logical step, employee ownership. It is a path that befits a free people." - Ronald "Marx" Reagan

Offline JJ

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 15.271
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #587 Online: 08 de Outubro de 2019, 10:08:00 »
Ah, sim,  é verdade, o Já  Pão  que o diga... 


O Já Rocambole  também.




Offline JJ

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 15.271
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #588 Online: 09 de Outubro de 2019, 08:57:05 »

Nada estabelece limites tão rígidos à liberdade de uma pessoa quanto a falta de dinheiro.


John Kenneth Galbraith


----------------------------------------------


Ou  fazendo uma proposição semelhante a de John Kenneth Galbraith:  "Nada estabelece limites tão rígidos à liberdade de uma pessoa quanto a falta de acesso à recursos econômicos"


Liberta lóides   parece que não  tem inteligência  suficiente para entenderem isso,  ou  tentam  enganar  os outros de propósito com sua ideologia  super falsa.   


Outra coisa que mostra que o liberta loidismo  ou libera loidismo é  falso como nota de 7 reais  é  a proposição  falsa  (e também religiosa)   de  livre arbítrio.  Essas  duas falsidades já são suficientes  para detonar com a ideologia liberal econômica ou  liberta lóide econômica, ou libertacanalhóide econômica.





« Última modificação: 09 de Outubro de 2019, 09:07:24 por JJ »

Offline Buckaroo Banzai

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 38.195
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #589 Online: 09 de Outubro de 2019, 10:21:14 »
Autoritarismo, mesmo sob discurso de esquerda, pode limitar mais a liberdade do que a falta de dinheiro.

Dirigismo destrambelhado sem autoritarismo, mesmo sob o discurso de esquerda, pode limitar a liberdade das pessoas ao determinar sua falta de dinheiro.


"Livre-arbítrio" em política não é falso, é "só" aquilo que o autoritarismo tira das pessoas. É difícil entender se é só trolismo, ou defesa velada de autoritarismo, ou limitação no raciocínio, o que leva certas pessoas a questionar o livre-arbítrio nesse contexto.

O questionamento mais válido que se poderia fazer é alinhado àqueles que questionam a noção de que vivemos numa meritocracia, que todos têm o que merecem, de acordo com seu arbítrio, largamente livre -- descontando totalmente o papel da sorte.

Offline Sergiomgbr

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 11.304
  • Sexo: Masculino
  • uê?!
Re:Liberalismo
« Resposta #590 Online: 09 de Outubro de 2019, 10:58:40 »
Falta de  dinheiro  é falta  de oportunidade ou  de  capacidade de produzi-lo.
Até onde eu sei eu não sei.

Offline Buckaroo Banzai

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 38.195
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #591 Online: 09 de Outubro de 2019, 14:56:45 »
Apenas a casa da moeda tem oportunidade ou capacidade de legalmente produzir dinheiro, as demais pessoas podem apenas ganhá-lo, geralmente ao trocar bens ou serviços por ele.

Offline Sergiomgbr

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 11.304
  • Sexo: Masculino
  • uê?!
Re:Liberalismo
« Resposta #592 Online: 09 de Outubro de 2019, 15:26:59 »
Dinheiro qualquer um  pode fazer, o  que é monopólio da casa  da moeda é a moeda  circulante  e a garantia de sua validade e fé pública.
Até onde eu sei eu não sei.

Offline Geotecton

  • Moderadores Globais
  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 28.231
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #593 Online: 09 de Outubro de 2019, 16:50:24 »

Nada estabelece limites tão rígidos à liberdade de uma pessoa quanto a falta de dinheiro.


John Kenneth Galbraith


----------------------------------------------


Ou  fazendo uma proposição semelhante a de John Kenneth Galbraith:  "Nada estabelece limites tão rígidos à liberdade de uma pessoa quanto a falta de acesso à recursos econômicos"
[...]

Verdade.

Então vamos desapropriar todos os bens privados, estatiza-los e aí dar igualmente um quinhão igual para todos.

ou

Vamos imprimir dinheiro 'à rodo' (trilhões de reais) e distribuí-lo igualmente entre os pobres, para que estes diminuam a diferença com os super ricos.
Foto USGS

Offline JJ

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 15.271
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #594 Online: 09 de Outubro de 2019, 21:27:47 »

Nada estabelece limites tão rígidos à liberdade de uma pessoa quanto a falta de dinheiro.


John Kenneth Galbraith


----------------------------------------------


Ou  fazendo uma proposição semelhante a de John Kenneth Galbraith:  "Nada estabelece limites tão rígidos à liberdade de uma pessoa quanto a falta de acesso à recursos econômicos"
[...]

Verdade.

Então vamos desapropriar todos os bens privados, estatiza-los e aí dar igualmente um quinhão igual para todos.

ou

Vamos imprimir dinheiro 'à rodo' (trilhões de reais) e distribuí-lo igualmente entre os pobres, para que estes diminuam a diferença com os super ricos.



A melhor solução virá com o fim da necessidade de trabalho humano (substituindo plenamente por máquinas e IA),  assim  o argumento direitista  de  que  uns são mais trabalhadores/esforçados e produtivos que outros  e por isso merecem ganhar mais dinheiro/ter mais acesso à recursos econômicos  irá perder sentido e virar pó.  Deste modo, as  propriedades privadas de meios de produção poderão ser extintas sem que haja o terrível perigo de diminuir a quantidade de objetos materiais e serviços que os Homo sapiens sapiens precisam ter para serem felizes.

Enquanto a melhor solução não puder ser implementada, uma possibilidade é a reforma do sistema a partir de diretrizes social democratas, e especificamente uma possibilidade é a implementação de um reforma tributária super progressiva com super alíquotas de IR, de modo a se reduzir o índice de Gini de forma substancial.


« Última modificação: 09 de Outubro de 2019, 22:24:28 por JJ »

Offline Buckaroo Banzai

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 38.195
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #595 Online: 14 de Outubro de 2019, 15:30:21 »

NÃO É SOBRE CONDIÇÕES DE CRIAÇÃO DE GALINHAS, mas condições dos galicultores, que, dentre os que tem isso como fonte exclusiva de renda, estão* 71% sob a linha da pobreza (*2001).

https://www.pewtrusts.org/en/research-and-analysis/reports/2013/12/20/the-business-of-broilers-hidden-costs-of-putting-a-chicken-on-every-grill


<a href="https://www.youtube.com/v/X9wHzt6gBgI" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/X9wHzt6gBgI</a>

Offline Agnoscetico

  • Nível 36
  • *
  • Mensagens: 3.265
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #596 Online: 14 de Outubro de 2019, 19:49:30 »

As empresas que valem bilhões, mas nunca registraram lucro



Offline Agnoscetico

  • Nível 36
  • *
  • Mensagens: 3.265
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #597 Online: 14 de Outubro de 2019, 20:01:50 »

Eu postei dois tópicos que tocam no tema liberalismo em alguns pontos:


Funcionários públicos x Emprego privado

http://clubecetico.org/forum/index.php?topic=30658.0

Zona Franca de Manaus - Por que mesmo sem imposto não se desenvolve?

http://clubecetico.org/forum/index.php?topic=30657.0

Offline -Huxley-

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 13.248
Re:Liberalismo
« Resposta #598 Online: 14 de Outubro de 2019, 22:10:09 »

As empresas que valem bilhões, mas nunca registraram lucro





A jornalista da BBC News  :love:
... Tem algo de diferente nela além de ser bonita. Além da ótima dicção, ela é muito expressiva no olhar e nos gestos. A maneira como ela arregala os olhos quando dá destaque a uma frase, que coisa charmosa...   :love:

Offline JJ

  • Nível Máximo
  • *
  • Mensagens: 15.271
  • Sexo: Masculino
Re:Liberalismo
« Resposta #599 Online: Ontem às 08:35:07 »

A FARSA DOS ÍNDICES DE LIBERDADE ECONÔMICA: SUA REAL FUNÇÃO É IDEOLÓGICA




Diante de uma análise criteriosa os rankings de "liberdade econômica", comumente utilizada pela direita (neo)liberal, demonstram diversas incoerências que comprometem sua credibilidade.

Por Leandro Em 15 de mar de 2017
 16 47.112
 

 
Muito provavelmente você já ouviu falar sobre os índices de liberdade econômica, que são corriqueiramente utilizados para relacionar o nível de desenvolvimento de um país à sua “liberdade econômica”. Mas será que é possível fazer esse tipo de associação? O que esses índices medem? Que conclusão podemos tirar a partir deles?

Com este artigo, utilizando como base o índice de liberdade econômica do think tank Heritage Foundation (Index of Economic Freedom 2016 – último com metodologia disponível na data de início da elaboração desse texto), iremos entender melhor como os índices são calculados e verificar se as vertentes específicas do liberalismo econômico que os utilizam como argumento para a aplicação de suas políticas estão interpretando corretamente seus dados e os utilizando de forma adequada.

Nesse texto, denominaremos essas vertentes específicas do liberalismo de neoliberais, mesmo sabendo que passaram a rejeitar o termo [1], para diferenciá-los dos liberais clássicos e outras escolas econômicas derivadas do liberalismo clássico que não compartilham das mesmas ideias.

Anteriormente, a Voyager mostrou que a melhora nesse tipo de índice não tem correlação com desenvolvimento ou crescimento econômico[2], assim como demonstrou que nas primeiras posições se encontram países que não seguiram a ideologia (neo)liberal [3a]. No final deste artigo, ficará mais claro o porquê dessas inconsistências nesse tipo de ranking.

1. Os critérios considerados no índice e seus respectivos pesos

Margareth Thatcher, ex primeira-ministra britânica, com Ed Feulner, presidente da Heritage Fountation, em 2003. Foto: Heritage Foundation.
O Índice de Liberdade Econômica (Index of Economic Freedom) calculado pela Heritage Foundation é baseado em 10 critérios, os quais recebem uma nota de 0 a 100. Com o resultado de cada critério, é feita uma média aritmética, ou seja, são somadas as notas de todos os itens e o valor da soma é dividido por 10 (número de itens somados). A seguir, está a lista dos 10 critérios com breve descrição de como é efetuado o cálculo[4a]:

1 – Direito de propriedade (Property Rights)

Direito de propriedade é medido pelo nível de proteção legal que a propriedade privada possui. Uma nota 100 é definida como “A propriedade privada é garantida pelo governo, o poder judiciário garante o cumprimento dos contratos de forma rápida e eficiente, a justiça pune aqueles que confiscam propriedade privada ilegalmente, não há corrupção ou expropriação”.

2 – Ausência de corrupção (Freedom from Corruption)

TAMBÉM PODE TE INTERESSAR
ECONOMIA
10 fatos de Singapura que invalidam o discurso de que ela é um “paraíso liberal”

26 de jan de 2017
Este item utiliza o ranking da transparência internacional de percepção da corrupção (corruption perception index), cujo objetivo é medir a percepção de corrupção fazendo uma média do resultado de 13 fontes diferentes, considerando apenas países que aparecem em, no mínimo 3 delas. Cada uma dessas fontes faz perguntas diferentes para os entrevistados e capta essa percepção de corrupção em grupos diferentes, havendo uma ponderação para que as fontes possuam o mesmo peso, sendo admitido pela própria transparência internacional a dificuldade de efetivamente medir a corrupção. [5][6]

3 – Liberdade Fiscal (Fiscal Freedom)

Medida fazendo a média aritimética de 3 Valores. Esses valores são obtidos subtraindo de 100 o valor em porcentagem (convertido em um número de 0 a 100) elevado ao quadrado da carga tributária, maior taxa incidente sobre renda pessoa física e maior taxa incidente sobre renda de pessoa jurídica, cada um deles multiplicado por 0,03 antes da subtração.

4 – Gasto Governamental (Government Spending)

Calculado subtraindo de 100 o valor percentual de gasto em relação ao PIB elevado ao quadrado multiplicado por um fator 0,03. Desta forma, um país com gasto público igual a zero tem um resultado igual a 100, enquanto um país com gasto público igual a 58% do PIB (ou maior) tem resultado igual a zero. É considerado o gasto das esferas federal, estadual e municipal (quando os dados estão presentes. Para alguns países é considerado apenas o governo federal).

5 – Liberdade Empresarial (Business Freedom)

O nome daria a entender algo relacionado à liberdade dos empresários de atuar nas áreas de seu interesse, mas não é disto que se trata. A liberdade empresarial neste item é medida considerando 13 subitens, com os quais é feita uma média ponderada: 4 itens relacionados ao início de um negócio (número de procedimentos, tempo em dias, custo em porcentagem da renda per capta, capital mínimo em porcentagem da renda per capita), 3 à obtenção de licenças (número de procedimentos, tempo em dias, custo em porcentagem da renda per capita), 3 ao encerramento de um negócio (tempo em anos, custo em porcentagem do valor da propriedade, taxa de recuperação em centavos/dólar) e 3 à obtenção de eletricidade (número de procedimentos, tempo em dias e custo em porcentagem da renda per capita). Cada item é ponderado para que todos impactem igualmente na nota final.

6 – Liberdade Trabalhista (Labor Freedom)

É medida fazendo uma média ponderada de 7 itens (a ponderação é feita para que todos os itens representem a mesma fração do resultado final): Razão entre salário mínimo e valor médio agregado por trabalhador, entraves para contratações de novos trabalhadores, rigidez de horário, dificuldade de demitir trabalhadores redundantes, período legal de aviso prévio, pagamento obrigatório por demissão e taxa de ocupação da força de trabalho. Essa média ponderada é convertida em uma escala de 0 a 100.

7 – Liberdade Monetária (Monetary Freedom)

No caso não diz respeito à liberdade do câmbio, o que seria indiscutivelmente uma pauta defendido por neoliberais, mas sim à inflação. Basicamente se reduz do valor de 100 uma média ponderada dos últimos 3 anos (sendo mais exato, se faz uma raiz quadrada dessa média ponderada), acrescido de uma penalização de 0 a 20 devido à existência de controle estatal de preços.

8 – Liberdade Comercial (Trade Freedom)

É calculada a partir do valor da tarifa média de importação/exportação normalizada a partir das tarifas médias de todos os países em questão. Acrescido a isso, é definida uma penalização de 0 a 20 para barreiras não-tarifárias.

9 – Liberdade de Investimento (Investment Freedom)

Partindo de um valor de 100, há penalizações de até 25 pontos para diferença de tratamento entre investimentos nacionais e estrangeiros, até 20 pontos para falta de transparência e burocracia para investimentos estrangeiros, 15 pontos para restrição de compra de terrenos, 20 pontos para restrição de investimentos internacionais em determinados setores, 25 pontos para expropriação de investimentos sem compensação justa, 20 pontos para restrições no comércio de moedas estrangeiras e 25 pontos para o controle de remessas de lucros para o exterior.

10 – Liberdade Financeira (Financial Freedom)

O item “liberdade financeira” objetiva medir a presença do Estado no setor bancário. A nota 100 é atribuída quando não existem bancos estatais, o governo não interfere na alocação de crédito por parte dos bancos, não há restrição para a oferta de serviços bancários por estrangeiros, o governo não possui ações dos bancos privados existentes e não há restrição para o estabelecimento de novos bancos.

Maiores detalhes podem ser encontrados no documento da própria Heritage Foundation.[4b]

2. Critérios que não estão relacionados com adoção de liberalismo econômico

O ex-presidente dos EUA Ronald Reagan com o casal Ed e Linda Feulner. Foto: Heritage Foundation.
Antes de se atribuir uma nota elevada em algum item ao liberalismo econômico, é prudente questionar se um país necessariamente precisa adotar políticas (neo)liberais para consegui-lo e quem se oporia a tais itens. Como vivemos em um sistema capitalista e poucos são os partidos que efetivamente defendem a abolição do Estado (como os ultraliberais – também chamados proprietaristas ou “anarcocapitalistas” – anarquistas ou comunistas) ou a estatização dos meios de produção (marxistas-leninistas), serão consideradas como oposição ao neoliberalismo as opções que a democracia representativa coloca para os eleitores com chances reais de vitória: social-democratas, trabalhistas, keynesianos, conservadores antiliberais, dentre outros que se opõem à lógica (neo)liberal sem a destruição do sistema econômico vigente no planeta praticamente inteiro (capitalista com Estado).

1 – Direito de Propriedade (Property Rights)

Para que o Governo garanta a propriedade privada, a avaliação e a validade dos contratos de forma rápida e eficiente e uma justiça que puna quem confisca a propriedade alheia, será necessário um sistema judiciário/policial grande e capacitado, leis claras e eficientes feitas pelo legislativo. Exceto nos casos das pessoas que defendem o fim do Estado ou a estatização dos meios de produção, pode-se dizer que essa definição de direito de propriedade é um consenso. Ora, se algo é considerado um consenso por todas as alternativas políticas, então não pode jamais ser utilizado para defender uma delas em detrimento de outras. Isso se torna mais grave ainda quando o índice é usado pelos neoliberais extremistas (os “anarcocapitalistas”), dado que no sistema por eles defendidos o Estado sequer existe para exercer a proteção legal medida por esse item.

2 – Ausência de Corrupção (Freedom from Corruption)

Não existe nenhuma vertente política que defenda a corrupção como algo benéfico. Existem diferenças na melhor forma de se combater a corrupção, mas o índice não avalia quais são os métodos adotados para combatê-la e sim a percepção de corrupção de determinada parte população (vale ressaltar que a população ainda pode ter uma percepção errada da corrupção, principalmente em casos no qual a imprensa é controlada de perto pelo governo, como em Singapura[3b]). Como o item não avalia a existência de métodos (neo)liberais de combate à corrupção, não é útil para indicar a adoção ou não de suas medidas.

5 – Liberdade Empresarial (Business Freedom)

Este item conseguiu reunir sob um nome que remete ao liberalismo econômico uma coletânea de 13 subitens que nenhuma corrente política é contra e em muitos casos são resolvidos com medidas antiliberais. Pode-se por exemplo reduzir o tempo para apreciação de licenças, abertura e encerramento de negócios tendo mais de 30% de sua população empregada no setor público, como no caso da Noruega e Dinamarca[7]. É possível agilizar a instalação de energia elétrica e reduzir seu custo concentrando todo o setor nas mãos do Estado, como no caso da Noruega e Singapura[3c][8]. O tempo para se fechar uma empresa e o custo de fechamento estão muito relacionados a pendências judiciais, que dependem basicamente de um ponto pacífico (o primeiro item, Direito de propriedade).

Os itens em que se coloca renda per capita para dividir o valor por outro lado são um mero medidor de riqueza dos países, pois privilegiam os países mais ricos em detrimento dos mais pobres. Em suma, o item não avalia quais estratégias são usadas para se obter um resultado que é ponto pacífico, e sim considera aqueles que possuem melhores resultados, independente da estratégia adotada pelo país ser liberal ou antiliberal, além de usar fatores que beneficiam países ricos em detrimento de pobres diretamente, o que o torna inútil para defender um ou outro tipo de política.

7 – Liberdade Monetária (Monetary Freedom)

De fato, neoliberais dão uma importância acima da média ao controle da inflação, mesmo quando comparados com liberais clássicos, em especial aqueles cujos estudos derivaram do trabalho de Milton Friedman. Porém, vale ressaltar que economistas de todas as vertentes existentes defendem alguma forma de combate à inflação, existindo inúmeras formas de combate-la. Os brasileiros sabem bem disso, dado que passamos pelos planos Cruzado, Cruzado Novo, Bresser, Verão, Collor I, Collor II e Real antes de conseguirmos certa estabilidade em nossa moeda (sendo que o próprio plano real possui duas fases bem distintas, onde a primeira tinha entre seus principais alicerces uma âncora cambial e a segunda adotou câmbio flutuante). Em suma, o que efetivamente pode diferir em escolas econômicas diversas é o método adotado para se combater a inflação e, para evitar um longo texto acerca de cada um dos métodos existentes de combate à inflação, basta dizer que um país com inflação zero e preço totalmente controlado pelo Estado teria, neste item, uma nota de 80 (100 devido à inflação zero e uma penalização de 20 devido ao controle de preços), o que o colocaria na metade mais “livre” do mundo nesse quesito, com uma diferença de 1,8 para o líder geral do ranking (Hong Kong) e de apenas 10 para o país com maior valor no item (Dominica), sendo que é de certa forma óbvio que caso o objetivo fosse medir a adoção do neoliberalismo a nota deveria ser zero.

3. Critérios que efetivamente estão relacionados com o liberalismo econômico

Ed Feulner, presidente da Heritage Foundation, e o ex-presidente dos EUA George Bush em uma palestra na própria fundação em 11 de novembro de 2003. Na ocasião, Bush anunciou ações militares no Afeganistão e no Iraque sob aplausos dos integrantes do think tank. Foto: Alex Wong/Getty Images.
3 – Liberdade Fiscal (Fiscal Freedom)

A definição de liberdade fiscal parece adequada aos preceitos neoliberais. De fato, eles defendem sistematicamente a redução de carga tributária em geral e principalmente dos impostos que incidem com maior intensidade sobre os mais ricos, caso dos impostos sobre renda (tanto corporativa quanto pessoa física) e propriedade. A justificativa é de que os ricos seriam responsáveis por gerar riqueza e seu enriquecimento resultaria em um benefício para a população em geral. Apesar de à primeira vista o indicador parecer razoável, da forma que é construído países com impostos baixos de forma geral não apresentam grande diferença no resultado independente do modelo de taxação adotado. Outras escolas econômicas não possuem meta de impostos (muito pelo contrário, todos sabem que os impostos não podem ser elevados indefinidamente), frisando mais a questão de como eles são distribuídos do que no valor da carga tributária em si. Um caso emblemático é o de Singapura, que possui carga tributária baixa mas segue um regime de tributação oposto ao defendido pelos neoliberais[3d], algo que é camuflado pela forma que o indicador foi construído. Isso poderia ser amenizado se não elevassem os valores ao quadrado, pois fazendo-o, as alterações em valores pequenos acabam tendo resultado irrisório, enquanto alterações em valores maiores tem impacto muito grande (Por exemplo: Um país com taxa 0% em todos os quesitos teria nota 100. Com taxa de 15% para todos os itens receberia uma nota igual a 93,3, mas se aumentasse em mais 15% todas as taxas – chegando a 30% – teria um resultado igual a 73,0, aumentando mais 15% – chegando a 45% – o resultado seria 39,3).

4 – Gasto Governamental (Government Spending)

De fato, a fixação com a redução do gasto público por parte dos neoliberais é peculiar, não encontrando paralelo em seus adversários. A visível falha do indicador é que se considera (na maioria dos casos) os gastos nas esfera federal, municipal e estadual dos países, mas não das empresas estatais. Em alguns casos, inclusive se considera apenas o governo central (esfera federal) por falta de dados. Isso distorce o resultado para cima, aumentando as notas dos países nesse item, principalmente nos casos em que Estado é muito atuante através de suas empresas (como Singapura [3e]) ou quando os dados são escassos.

6 – Liberdade Trabalhista (Labor Freedom)

É pública e notória a repulsa dos neoliberais em relação à existência de leis trabalhistas. Há porém de se ressaltar a falta de direitos trabalhistas vistos como prioritários pelos seus adversários (não há menção por exemplo ao seguro-desemprego, previdência pública obrigatória ou um sistema de seguridade social), a utilização de itens que vão contra os preceitos neoliberais (a visão de que o Estado deve garantir o pleno emprego e combater diretamente uma baixa taxa de ocupação é tipicamente keynesiana, enquanto os neoliberais consideram que um certo nível de desemprego é saudável para a economia – tendo o desalento uma relação clara com o desemprego prolongado – além de ser um indicador que privilegia países ricos e estáveis que costumam a ter taxa de desemprego menor. Ao dividir o salário mínimo por um indicador relacionado à produtividade, se privilegia os países ricos que não por acaso são mais produtivos ao mesmo tempo que se transmite uma ideia de que trabalhadores pouco qualificados, facilmente substituíveis e com pouco prestígio com o resto da população – aqueles que de fato recebem salário mínimo – devem ser beneficiados por um ganho de produtividade geral, algo que também é defendido somente pelos opositores do neoliberalismo). Outro ponto que não poderia ficar de fora são os sindicatos, tão criticados pelos neoliberais. Muitos dos países mais desenvolvidos estão entre os mais sindicalizados e com os trabalhadores mais cobertos por acordos coletivos, sendo um alto nível de sindicalização inclusive considerado por alguns um substituto razoável para o salário mínimo e outros direitos trabalhistas[9][10][11].





 

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!