Autor Tópico: Liberalismo  (Lida 13868 vezes)

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Offline Gauss

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Re:Liberalismo
« Resposta #100 Online: 03 de Setembro de 2017, 17:51:46 »
Eu nunca vi esse "índice Heritage" em qualquer livro de Macroeconomia ou de qualquer outra área de Economia.

É muito comum que rankings como esse não tenham muito validade científica, pois são, em grande parte, um ranking do tipo "eu acho". "Eu acho que esse aspecto da liberdade econômica tenha peso X", etc.
Esse índice é coisa de Think Thank. É literalmente um "eu acho".

O que não o desqualifica. Seria como dizer que o índice de desigualdade econômica não tem validade por também ser um "eu acho." Só que este último é utilizado pela ONU.
« Última modificação: 03 de Setembro de 2017, 17:55:34 por Gauss »
Citação de: Gauss
Bolsonaro é um falastrão conservador e ignorante. Atualmente teria 8% das intenções de votos, ou seja, é o Enéas 2.0. As possibilidades desse ser chegar a presidência são baixíssimas, ele só faz muito barulho mesmo, nada mais que isso. Não tem nenhum apoio popular forte, somente de adolescentes desinformados e velhos com memória curta que acham que a ditadura foi boa só porque "tinha menos crime". Teria que acontecer uma merda muito grande para ele chegar lá.

Offline -Huxley-

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Re:Liberalismo
« Resposta #101 Online: 03 de Setembro de 2017, 18:05:38 »
O JJ precisa se informar melhor. Estado Mínimo, também chamado de Estado Guarda Noturno, é considerado por muitos uma característica de política econômica que ajuda a descrever o Liberalismo, mas será verdade mesmo?

Isso é desmascarado pelo próprio Mises Institute. Onde está o Estado Mínimo em Hayek? Vejam o artigo:

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1124

Outros liberais famosos que nunca defenderam Estado Mínimo:

http://andrelevyocontraditorio.blogspot.com.br/2016/12/socialismo-anarquismo-e-libertarianismo.html

O Libertarianismo, esse sim, invariavelmente, defende o Estado Guarda Noturno ou nenhum Estado.

Offline -Huxley-

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Re:Liberalismo
« Resposta #102 Online: 03 de Setembro de 2017, 18:09:01 »
Eu nunca vi esse "índice Heritage" em qualquer livro de Macroeconomia ou de qualquer outra área de Economia.

É muito comum que rankings como esse não tenham muito validade científica, pois são, em grande parte, um ranking do tipo "eu acho". "Eu acho que esse aspecto da liberdade econômica tenha peso X", etc.
Esse índice é coisa de Think Thank. É literalmente um "eu acho".

O que não o desqualifica. Seria como dizer que o índice de desigualdade econômica não tem validade por também ser um "eu acho." Só que este último é utilizado pela ONU.

Renda é um indicador mais ou menos objetivo. Por mais subjetivo que seja o valor que atribuímos às mercadorias, os valores que pagamos a elas são bastante mensuráveis.

Offline Gauss

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Re:Liberalismo
« Resposta #103 Online: 03 de Setembro de 2017, 21:57:01 »
Eu nunca vi esse "índice Heritage" em qualquer livro de Macroeconomia ou de qualquer outra área de Economia.

É muito comum que rankings como esse não tenham muito validade científica, pois são, em grande parte, um ranking do tipo "eu acho". "Eu acho que esse aspecto da liberdade econômica tenha peso X", etc.
Esse índice é coisa de Think Thank. É literalmente um "eu acho".

O que não o desqualifica. Seria como dizer que o índice de desigualdade econômica não tem validade por também ser um "eu acho." Só que este último é utilizado pela ONU.

Renda é um indicador mais ou menos objetivo. Por mais subjetivo que seja o valor que atribuímos às mercadorias, os valores que pagamos a elas são bastante mensuráveis.
Sim, de fato. Mas afirmar até que ponto é prejudicial a desigualdade é subjetivo.
Citação de: Gauss
Bolsonaro é um falastrão conservador e ignorante. Atualmente teria 8% das intenções de votos, ou seja, é o Enéas 2.0. As possibilidades desse ser chegar a presidência são baixíssimas, ele só faz muito barulho mesmo, nada mais que isso. Não tem nenhum apoio popular forte, somente de adolescentes desinformados e velhos com memória curta que acham que a ditadura foi boa só porque "tinha menos crime". Teria que acontecer uma merda muito grande para ele chegar lá.

Offline Gauss

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Re:Liberalismo
« Resposta #104 Online: 03 de Setembro de 2017, 22:03:30 »
Outros liberais famosos que nunca defenderam Estado Mínimo:

http://andrelevyocontraditorio.blogspot.com.br/2016/12/socialismo-anarquismo-e-libertarianismo.html

O Libertarianismo, esse sim, invariavelmente, defende o Estado Guarda Noturno ou nenhum Estado.
Ótimo texto!
Citação de: Gauss
Bolsonaro é um falastrão conservador e ignorante. Atualmente teria 8% das intenções de votos, ou seja, é o Enéas 2.0. As possibilidades desse ser chegar a presidência são baixíssimas, ele só faz muito barulho mesmo, nada mais que isso. Não tem nenhum apoio popular forte, somente de adolescentes desinformados e velhos com memória curta que acham que a ditadura foi boa só porque "tinha menos crime". Teria que acontecer uma merda muito grande para ele chegar lá.

Offline JJ

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Re:Liberalismo
« Resposta #105 Online: 04 de Setembro de 2017, 06:39:44 »
O Estado é visto no ideário liberal econômico como algo  que deve ser o mínimo possível  (e na ideologia liberal extremista conhecida como anarquia capitalista o Estado deve ser inexistente). Portanto o índice  do Heritage, que visa defender ideias liberais (econômicas), deveria refletir muito bem essa questão, ao invés de ocultá-la ou minimizá-la.
That's what you're saying.


Não é este o objetivo do índice.


O objetivo do índice é convencer as pessoas de que a adoção de muitas (ou todas) ideias liberais econômicas faz com que um país fique rico e desenvolvido.

Este é o objetivo deste índice.



Offline criso

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Re:Liberalismo
« Resposta #106 Online: 04 de Setembro de 2017, 08:26:08 »
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e que as rosas floresçam em vossa cruz!

Offline Gauss

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Re:Liberalismo
« Resposta #107 Online: 04 de Setembro de 2017, 12:40:49 »
O Estado é visto no ideário liberal econômico como algo  que deve ser o mínimo possível  (e na ideologia liberal extremista conhecida como anarquia capitalista o Estado deve ser inexistente). Portanto o índice  do Heritage, que visa defender ideias liberais (econômicas), deveria refletir muito bem essa questão, ao invés de ocultá-la ou minimizá-la.
That's what you're saying.


Não é este o objetivo do índice.


O objetivo do índice é convencer as pessoas de que a adoção de muitas (ou todas) ideias liberais econômicas faz com que um país fique rico e desenvolvido.

Este é o objetivo deste índice.

Leia os artigos que o Huxley passou.
Citação de: Gauss
Bolsonaro é um falastrão conservador e ignorante. Atualmente teria 8% das intenções de votos, ou seja, é o Enéas 2.0. As possibilidades desse ser chegar a presidência são baixíssimas, ele só faz muito barulho mesmo, nada mais que isso. Não tem nenhum apoio popular forte, somente de adolescentes desinformados e velhos com memória curta que acham que a ditadura foi boa só porque "tinha menos crime". Teria que acontecer uma merda muito grande para ele chegar lá.

Offline JJ

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Re:Liberalismo
« Resposta #108 Online: 05 de Setembro de 2017, 06:28:37 »
O JJ precisa se informar melhor. Estado Mínimo, também chamado de Estado Guarda Noturno, é considerado por muitos uma característica de política econômica que ajuda a descrever o Liberalismo, mas será verdade mesmo?

Isso é desmascarado pelo próprio Mises Institute. Onde está o Estado Mínimo em Hayek? Vejam o artigo:

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1124

Outros liberais famosos que nunca defenderam Estado Mínimo:

http://andrelevyocontraditorio.blogspot.com.br/2016/12/socialismo-anarquismo-e-libertarianismo.html

O Libertarianismo, esse sim, invariavelmente, defende o Estado Guarda Noturno ou nenhum Estado.



Eu sou a favor da contenção e da redução (até certo ponto)  do Estado brasileiro.  Apesar disso, esse índice do Heritage me decepcionou, eu não sou a favor de usar índices manipulados que depois possam ser mostrados como tolices feitas por liberais (ou libertários).  Eu sou a favor de usar argumentos  que tenham proposições verdadeiras, que tenham relações verdadeiras, e que levem em consideração as realidades econômicas, políticas, sociais e  históricas.


« Última modificação: 05 de Setembro de 2017, 06:59:07 por JJ »

Offline JJ

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Re:Liberalismo
« Resposta #109 Online: 05 de Setembro de 2017, 06:58:01 »

Socialismo, Anarquismo e Libertarianismo: os filhos bastardos do Liberalismo


postado por Tagarela Midia em dezembro 30, 2016

Socialismo, Anarquismo e Libertarianismo: os filhos bastardos do Liberalismo




Socialismo, anarquismo e libertarianismo tomaram corpo no século XIX. Nasceram na Europa, principalmente em Paris, onde Karl Marx, Pierre-Joseph Proudhon e Frédéric Bastiat tomavam café. Cada um a seu jeito, eram todos anarquistas. Marx era anarcocomunista, Bastiat anarcocapitalista e Proudhon anarcomutualista. Estas não eram as suas alcunhas na época, e nem tampouco seus pensamentos haviam se desenvolvido completamente a estes pontos, mas estes foram os seus destinos. Inspiravam-se todos nos liberais do Iluminismo escocês – John Locke, David Hume, Adam Smith… – que haviam se insurgido contra a oligarquia aristocrática. Porém enquanto os seus inspiradores debruçaram-se sobre a tarefa de construção do Estado de direito para substituir o Estado absolutista, os anarquistas queriam a destruição do Estado. Como é possível?

O ancestral

O liberalismo nasceu na Inglaterra e Escócia nos séculos XVII e XVIII. O Iluminismo escocês foi muito diferente do Iluminismo francês. O escocês criou a escola de pensamento empirista; o francês a racionalista. O que separa os dois, mais que o Canal da Mancha, é como cada uma busca a verdade, A escola empirista entende que o conhecimento humano deriva da observação e da experiência, depois processadas pela razão. A escola racionalista entende que o conhecimento verdadeiro independe da observação, e que é possível alcançá-lo só através da razão. Esta é a tradição de Descartes, que remonta a Euclides e Platão na Grécia Antiga. Nem todos britânicos e franceses seguiram as escolas de pensamento predominantes em seus países. Os franceses Montesquieu, Benjamin Constant e Alexis de Tocqueville, por exemplo, seguiram a tradição liberal britânica. Na Inglaterra, Thomas Hobbes, William Godwin, Joseph Priestly, Richard Price e Thomas Paine, preferiram a versão francesa (Hayek, 1960).

As formas de pensar dos britânicos e dos franceses eram tão completamente diferentes, que isso se refletia nas suas estruturas sociais e jurídicas. A França adotou o direito romano, em que as leis são primeiro concebidas e depois aplicadas. Na Inglaterra, e agora em toda a anglosfera, se usa common law, em que as leis são criadas nos próprios tribunais, a cada sentença. No primeiro há planejamento; no segundo adaptação. Até os jardins na Inglaterra e na França refletem essas diferentes formas de ver o mundo: os franceses são arquitetados com rigor matemático e geometria impecável; os ingleses são mais orgânicos, adaptados ao terreno.

A prole

Liberalismo, socialismo, libertarianismo e mutualismo, todos buscam a liberdade. Porém as diferentes formas de se pensar do liberalismo e dos anarquismos, os levam para lados completamente opostos. O racionalismo francês exige rigor matemático e perfeita coerência lógica. Os anarquistas se inspiraram nas curvas do liberalismo britânico, mas tiveram que encaixá-lo no quadrado do racionalismo francês. Não coube; tiveram que cortar uns pedaços. E cada um cortou um pedaço diferente. Aos olhos dos anarquistas, havia uma falha fundamental na relação entre o mercado e o Estado liberal. Se uma empresa concentra poder privado demais, uma das formas mais racionais dos empresários defenderem o seu capital é comprar os governantes, e colocá-los para proteger o seu monopólio. Por outro lado, se é o Estado que concentra poder público demais, os governantes é que passam a defender a sua posição comprando os empresários. É um conflito constante entre a esfera pública e a esfera privada, em que burocratas e plutocratas competem e colaboram entre si pelo poder.

Esta é a inequação que os anarquistas precisavam resolver, pois o sistema social tinha que ser lógico, racional, não contraditório. Por isso Marx fala das “contradições do capitalismo”. Capitalismo é uma ordem socioeconômica, não uma teoria que pode se contradizer. Porém era assim que os racionalistas viam a realidade; como a projeção de uma teoria, que tem que ser tão logicamente exata e coesa quanto uma teoria deve ser. Cada um deles então buscou o seu próprio caminho para resolver essa inequação. Para Bastiat, é o Estado a origem de todo o mal, é ele quem cria os monopólios, então basta retirá-lo, da economia pelo menos, que tudo se equaciona:

“O Estado é a grande ficção através da qual todos tentam viver às custas de todos.” (Bastiat 1849, p. 11)

“O que impede a ordem social de alcançar a sua perfeição (ao menos aquela possível) é o esforço constante de seus membros para viver e se desenvolver a expensas dos outros.” (Bastiat, [1850] 1863, p. 128)

Para Marx, é o mercado a origem da concentração de poder, então é preciso primeiro eliminar o mercado, para depois eliminar o Estado:

“Ele, que antes era o dono do dinheiro, agora marcha à frente como capitalista; o que tinha a força de trabalho segue como seu trabalhador. O primeiro com um ar de importância, sorridente, imbuído do negócio; o outro, tímido e recuado, como aquele que está trazendo a sua própria pele ao mercado e não tem nada mais a esperar do que ser — escalpelado.” (Marx, 1867, Vol I, Cap VI, p. 798)

E Proudhon, o primeiro a se declarar “anarquista”, queria eliminar os dois numa só tacada:

“Do direito da força derivam a exploração do homem pelo homem ou, dizendo doutro modo, a servidão, a usura, o tributo imposto pelo vencedor ao inimigo vencido, e toda essa família numerosa de impostos, gabelas, revelias, corvéias, derramas, arrendamentos, aluguéis etc., numa palavra, a propriedade.” (Proudhon, [1840] 1973, p. 209-210)

“[R]esolveremos todas as contradições econômicas, emanciparemos o trabalho e submeteremos o capital; o trabalhador e o capitalista estarão ambos satisfeitos e contentes um com o outro.” (Proudhon, [1848] 1868, p. 130)

Os três, diga-se de passagem, não só viviam na mesma cidade, Paris, como se conheciam e se conversavam. Marx tentou recrutar Proudhon para a revolução socialista, imagina-se após lá se conhecerem, e este por sua vez era colega de Bastiat na Assembléia Nacional, com quem trocou uma longa correspondência acerca da usura. A Marx, Proudhon criticava o seu otimismo quanto ao Estado, e a Bastiat ao mercado:

“O erro do socialismo foi, até aqui, o de perpetuar o devaneio religioso lançando-se em um futuro fantástico ao invés de capturar a realidade que o esmaga, assim como o erro dos economistas é o de considerar cada fato positivo um impedimento a qualquer proposta de mudança.” (Proudhon [1846] 1972, p. 128)

Libertarianos são liberais?¹

Cada um dos três anarquistas deu origem a longas dinastias de pensadores. Bastiat inspirou os economistas marginalistas do laissez faire: Carl Menger na Áustria, Léon Walras na Suíça e William Stanley Jevons na Inglaterra. Marx fez seus herdeiros entre os sociólogos e teóricos do socialismo: Karl Kautsky na Alemanha, Daniel de Leon nos EUA, Georg Lukács na Hungria, Antonio Gramsci na Itália e Vladimir Lenin na Rússia. Proudhon não deixou herdeiros, e sim irmãos, contemporâneos seus, como lhe seria peculiar: Mikhail Bakunin e Peter Kropotkin na Rússia. Mas foi Bastiat quem tomou para si o nome do liberalismo, ainda que a sua descendência fosse bastarda, filha na verdade do racionalismo francês. Friedrich Hayek (1960) nos explica:

“Esse desenvolvimento de uma teoria da liberdade aconteceu principalmente no século XVIII. Começou em dois países: Inglaterra e França. O primeiro conhecia a liberdade; o segundo não.

Como resultado, temos até hoje duas diferentes tradições na teoria da liberdade: uma empírica e assistemática, a outra especulativa e racionalista; a primeira baseada em uma interpretação de tradições e instituições que cresceram espontaneamente e que não eram completamente compreendidas, e a segunda almejando a construção de uma utopia, que tem sido frequentemente tentada porém nunca bem sucedida. Ainda assim, tem sido o argumento racionalista, plausível e aparentemente lógico da tradição francesa, com suas elegantes premissas sobre os poderes ilimitados da razão humana, que tem progressivamente ganho influência, enquanto a tradição inglesa, menos eloquente e explícita, tem estado em decadência.

Essa diferenciação está escondida pelo fato de que o que chamamos de ‘tradição francesa’ da liberdade surgiu em grande parte de interpretar instituições britânicas e de que os conceitos que outros países fizeram delas eram baseados majoritariamente nas suas descrições por escritores franceses. […]

Para desenroscar essas duas tradições, é necessário examinar as formas relativamente puras em que surgiram no século XVIII. O que chamamos de ‘tradição britânica’ foi explicitado principalmente por um grupo de filósofos morais escoceses liderado por David Hume, Adam Smith e Adam Ferguson, seguidos de seus contemporâneos ingleses Josiah Tucker, Edmund Burke e William Paley, e inspirado majoritariamente na tradição fundamentada na jurisprudência britânica da common law. Contraposta a eles estava a tradição do Iluminismo francês, profundamente imbuída do racionalismo cartesiano: os enciclopedistas e Rousseau, e os fisiocratas e Condorcet são os seus mais renomados representantes. Evidentemente, esta divisão não coincide totalmente com as fronteiras nacionais. Franceses, como Montesquieu e, mais tarde, Benjamin Constant e, sobretudo, Alexis de Tocqueville estão provavelmente mais próximos do que estamos chamando de ‘tradição britânica’ do que da ‘francesa’. E em Thomas Hobbes, a Grã Bretanha tem pelo menos um dos fundadores da tradição racionalista, sem falar em toda uma geração de entusiastas pela Revolução Francesa, como Godwin, Priestly, Price e Paine, que, como Jefferson depois de sua estadia na França, pertence inteiramente a ela.” (Hayek, 1960)

Não é só Hayek que vê assim, do seu ponto de vista empiricista; Herman-Hans Hoppe, libertariano, pupilo de Murray N. Rothbard, concorda:

“Vale enfatizar, então, que Hayek não é um membro da linha racionalista da Escola Austríaca, e nem tampouco ele diz que é. Hayek faz parte da tradição empirista e cética britânica, e é um oponente explícito do racionalismo europeu adotado por Menger, Böhm-Bawerk, Mises e Rothbard.” (Hoppe, 1999)

Hayek está aí na verdade respondendo ao seu, nesta época já antigo, mentor, Ludwig von Mises (1927), que em nada ajudou milhares (milhões?) de leitores a entender essa distinção quando definiu que:

“[A] tarefa do Estado consiste apenas e exclusivamente em garantir a proteção da vida, da saúde, da liberdade e da propriedade contra ataques violentos. Tudo o que for além é vil.” (Mises, 1927, Cap I, §11)

Ayn Rand (1966) expande:

“Capitalismo é o único sistema em que os homens são livres para funcionar e onde o progresso é acompanhado, não por privações forçadas, e sim pelo aumento constante da prosperidade, do consumo e do aproveitamento da vida. […] Quando eu me refiro a ‘capitalismo’, eu quero dizer completo, puro, ilimitado, capitalismo laissez-faire sem regulação – com uma separação entre Estado e economia, da mesma forma e pelas mesmas razões que a separação entre Estado e religião. […] Toda interferência governamental na economia consiste em dar benefício não-conquistado, extorquido à força, a alguns em detrimento de outros.” (Rand, 1966)

Mas nada poderia ser mais repudiante a Adam Smith do que essa definição de Estado de Mises:

“Governo civil, quando instituído somente para a proteção da propriedade privada, é na realidade instituído para a defesa dos ricos contra os pobres, dos que têm propriedade contra os que não têm.” (Smith 1776, Cap. I, Parte II, p. 775)

Robert Nozick, também libertariano, reitera a definição de Mises 44 anos mais tarde:

“Nossa principal conclusão é sobre o Estado é que um Estado mínimo, limitado às estreitas funções de proteção contra a força, roubo, fraude, cumprimento de contratos, etc, é legítimo, mas que um Estado maior violará os direitos das pessoas de não serem forçadas a fazer certas coisas, e é ilegítimo.” (Nozick, 1974, Prefácio, p. ix)

Porém é o próprio pupilo de Mises, Hayek, quem nos conta que os liberais nunca foram anti-Estado; nunca defenderam o laissez faire:

“Nem Locke, nem Hume, nem Smith, nem Burke poderiam ter argumentado, como fez Bentham, que “toda lei é má porque toda lei é um atentado à liberdade.” Os seus argumentos nunca foram completamente laissez-faire, que, como as próprias palavras demonstram, é também parte de uma tradição racionalista francesa, e o seu sentido literal nunca foi defendido por nenhum dos economistas clássicos ingleses. Eles sabiam melhor que todos os seus críticos posteriores que não era por mágica, e sim pela evolução de “instituições bem construídas,” onde “as regras e os privilégios de interesses opostos e vantagens negociadas” seriam reconciliadas, que canalizou exitosamente esforços individuais para objetivos socialmente benéficos. Na verdade, o seu argumento nunca foi anti-Estado assim, ou anárquico, a consequência lógica da doutrina laissez-faire racionalista; era um argumento que considerava tanto as funções do Estado quanto os limites da ação do Estado.” (Hayek, 1960)

Pelo contrário, os liberais, desde John Locke, o pioneiro do liberalismo no século XVII, formularam o Estado constitucional de direito justamente para protegerem-se das arbitrariedades de uma monarquia absolutista e de uma oligarquia aristocrática:

“A liberdade dos homens sob um governo é a de ter uma lei de convivência, comum a todos na sociedade e instituída pelo seu poder legislativo; a liberdade de fazer o que quiser que a lei não proíba, e não estar sujeito à vontade inconstante, incerta, desconhecida e arbitrária de outro homem.” (Locke, 1689, Vol. IV, Cap. 22)

Nem tampouco é verdade que os liberais não vissem papel para o Estado na economia, como propalou Mises e ainda o fazem seus seguidores. Adam Smith foi bem claro ao dizer que:

“O terceiro e último dever de um Estado soberano é o de erguer e manter aquelas instituições públicas e aquelas obras públicas, que, embora sejam extremamente benéficas à sociedade, são, contudo, de tal natureza, que o seu lucro nunca poderia repagar o investimento de nenhum indivíduo ou pequeno grupo, e que portanto não se pode esperar que alguém ou algum pequeno grupo vá construí-las ou mantê-las.” (Smith, 1776, Vol V, Cap I, Parte III)

Como já disse Hayek acima, os liberais entendiam muito bem que a liberdade não surgia por geração espontânea, e na verdade resultava de “instituições bem construídas”. Ao contrário do que comumente associam a um “liberalismo vulgar” contemporâneo, até mesmo por aqueles que se identificam como “liberais”, essas instituições incluem também incluem a regulação dos mercados. O “livre mercado” dos liberais não é um mercado desenfreado; é um mercado em que todos são livres para negociar em pé de igualdade.

“O livre mercado não é uma permissão para os mercadores fazerem o que quiserem; isso seria antes a sua escravidão. O que restringe o mercador não necessariamente restringe o mercado.” (Montesquieu, 1748, Vol XX)

Não só Smith via a necessidade do governo fazer aquilo que a iniciativa privada não tinha interesse em fazer, como deveria fazer também aquilo em que só um indivíduo ou empresa poderia fazer. Em outras palavras, era bem ciente do perigo dos monopólios:

“Os pedágios para a manutenção de uma auto-estrada não podem com segurança alguma ser privatizados.” (Smith, 1776, Vol. I, Cap III, Parte I, p. 786)

Além da regulação dos mercados, Smith incluía também educação pública, algo que só foi ser colocado em prática 250 anos mais tarde, com a criação do Estado Social no século XX. Se por vouchers escolares quer-se dizer livre escolha de escolas privadas subsidiadas com custeio estatal, podemos dizer que é Smith o progenitor da proposta pela qual Friedman é tão creditado:

“Além das instituições públicas e das obras públicas necessárias para a defesa da sociedade, e para a administração da justiça, […] as outras tarefas e instituições deste tipo são principalmente aquelas que facilitam o comércio na sociedade, e aquelas que promovem a educação das pessoas. […] Com uma despesa muito pequena o público pode facilitar, encorajar e até impor a todos a necessidade de adquirir as partes mais essenciais da educação.” (Smith, 1776, Vol V, Cap I, Parte III, Artigo II, p. 847)

Hayek resume:

“É importante não confundir oposição ao planejamento central com um laissez faire dogmático. O argumento liberal não defende deixar as coisas ao léu; ele favorece fazer o melhor uso possível das forças da competição como meio para coordenar o esforço humano. Ele é baseado na convicção de que, onde se puder criar concorrência de verdade, esta é a melhor forma de guiar os esforços individuais. Ele enfatiza que para a concorrência ser benéfica, é necessário um arcabouço legal cuidadosamente bem arquitetado.” (HAYEK, Friedrich A., Caminho à Servidão, 1944)

As diferenças entre libertarianos e liberais vão ficando cada vez mais contrastantes. Nenhuma delas porém é mais diametralmente oposta que o papel do Estado na justiça social. Contemporaneamente, Matthew Zwolinski, professor de Filosofia da University of California em San Diego, e John Tomasi, professor de Ciência Política da Brown University, fazem essa distinção de forma precisa, ainda que se identifiquem ambos como libertarianos, e não como liberais:

“O minarquista é aquele que mais comumente identificamos com o libertarianismo. Ele crê que Estados podem ser legítimos, mas somente se são estritamente limitados nas suas funções. Tipicamente, embora não necessariamente, minarquistas são lbertários jusnaturalistas, e crêem que as funções legítimas do Estado estão restritas àquelas necessárias para a proteção dos direitos naturais das pessoas. [… Liberais clássicos] defendem que um Estado legítimo pode, e em alguns casos deve, ser mais que o guarda noturno defendido pelos minarquistas. [… H]á um consenso de que Estados devem usar receitas fiscais com justiça para prover bens comuns (no sentido preciso em Economia). E liberais clássicos, diferentemente dos libertarianos minarquistas, tendem a estar abertos à possibilidade de que a justiça permita ou até exija alguma parcela de redistribuição para prover uma proteção social aos mais pobres.” (ZWOLINSKI, Matthew e John Tomasi. A Brief History of Libertarianism, Cap I, 2010)

Smith confirma:

“Nenhuma sociedade pode prosperar e ser feliz se a maioria dos seus membros forem pobres e miseráveis. Nada mais equitativo, aliás, que os que alimentam, vestem, e abrigam todo o povo, fiquem com parte do produto do seu próprio trabalho de forma a ser eles mesmos minimamente bem alimentados, vestidos e abrigados.” (Smith, 1776, Vol. I, Cap. VIII, p. 94)

E esta não é uma visão particular de Smith; é comum a todos os liberais:

“A garantia de uma renda mínima para todos, ou um piso abaixo do qual ninguém ficaria, mesmo quando incapaz de prover a si mesmo, não só é uma proteção inteiramente legítima contra um risco comum a todos, como também é essencial à Grande Sociedade, na qual indivíduos não mais contam com a proteção da pequena comunidade em que nasceram.” (Hayek, 1979, vol III, p. 395)

“A nossa sensibilidade humana exige que alguma provisão seja feita para aqueles que não tiveram sorte na loteria da vida. Nosso mundo se tornou muito complexo e emaranhado, e nós muito sensatos para deixarmos essa função inteiramente à caridade ou responsabilidade da comunidade local.” (Friedman, 1951)

“[P]odemos todos estar dispostos a contribuir com o redução da pobreza, desde que todos os outros também o façam. Sem essa garantia, podemos não estar dispostos a contribuir o mesmo tanto. Em pequenas comunidades, a pressão de grupo pode bastar para que a caridade seja suficiente. Em comunidades grandes e impessoais, que cada vez mais predominam a nossa sociedade, é muito mais difícil fazê-lo.” (Friedman, 1962)

Por isso Smith não hesita em defender a redistribuição da riqueza, tão malograda pelos libertarianos, via tributação progressiva, e do patrimônio!

“As necessidades da vida são as principais despesas dos pobres. Têm dificuldade em conseguir comida, e a maior parte da pouca renda que têm é gasta conseguindo-a. Os luxos e os confortos da vida são as principais despesas dos ricos, e uma casa magnífica orna e abre caminho para todos os outros luxos e confortos que possuem. Um imposto sobre os aluguéis, portanto, de forma geral, cairia mais pesadamente sobre os ricos; e neste tipo de desigualdade não haveria, talvez, nada de irrazoável. Não é irrazoável que os ricos devam contribuir aos gastos públicos, não somente em proporção à sua receita, mas mais do que nessa proporção.” (Smith, 1776, Vol II, Cap VII, Parte 71)

Nada poderia ser mais hediondo ao libertariano:

“Tributação da renda gerada pelo trabalho é equiparável à trabalhos forçados. Tomar os resultados do trabalho de alguém equivale a tomar-lhe horas.” (Nozick, 1974, Cap 7, Parte I)

Tomasi e Zwolinski concluem:

“[N]enhum dos antigos liberais trataram o direito à propriedade com absolutismo moral, e assim nenhum deles estava impedido por princípio a negar que a preocupação com os pobres era uma consideração legítima no desenho institucional. Acreditamos que o liberalismo clássico, não o libertarianismo axiomático, é o verdadeiro herdeiro da tradição liberal.” (Matt Zwolinski and John Tomasi, A Bleeding Heart History of Libertarianism, April 2, 2012)

A verdade é que Smith não compactuava do elitismo material, que é tipicamente aceito, e até cultivado, por libertarianos; muito pelo contrário:

“Nossa tendência a admirar, quase venerar, os ricos e poderosos, e de desdenhar, ou no mínimo ignorar, pessoas em condições pobres e cruéis, embora necessária para estabelecer e manter a distinção entre níveis sociais, é ao mesmo tempo a maior e mais universal causa da corrupção da nossa sensibilidade moral.” (SMITH, Adam. A Teoria da Sensibilidade Moral, 1759, vol I, seção III, cap II)

E aí é que se evidencia a diferença fundamentalmente moral entre o liberalismo e o libertarianismo. O libertariano não só confunde egoísmo com individualismo, como o reverencia:

“Antes do capitalismo, eu defendo o egoísmo, e antes do egoísmo eu defendo a razão. Se a supremacia da razão é reconhecida, e aplicada coerentemente, todo o resto é consequência.” (Rand, 1962)

Nada poderia estar mais distante do liberalismo:

“Por mais egoísta que se possa supor que seja o Homem, há princípios na sua natureza que o fazem se interessar pelo bem estar dos outros, tornando a sua felicidade uma necessidade para si, embora ele não ganhe nada com isso senão o prazer de vê-la.” (SMITH, Adam. A Teoria da Sensibilidade Moral, 1759, vol I, seção I, cap I)

O liberal defende a liberdade individual sim, mas sobretudo a do outro, não a própria:

“Até os déspotas acham a liberdade excelente. Porém eles a querem só para si, dizendo que ninguém mais a merece. O que nos distingue não é portanto o nosso apreço pela liberdade, e sim pelo próximo.” (TOCQUEVILLE, Alexis de. Ancien Regime e a Revolução, Prefácio, 4a ed, 1858)



¹ Traduzimos aqui do inglês libertarian, associado à tradição descendente de Bastiat, para libertariano, um anglicismo, propositadamente para diferenciá-lo do francês libertaire, que ocupa o significado de libertário em português, e que se associa à escola de pensamento descendente de Proudhon.

BASTIAT, Frédéric. L’Etat: Maudit Argent. Journal des Économiste. Paris: Guillaumin, 1849.

BASTIAT, Frédéric. Sophismes Économiques. In: BASTIAT, Frédéric. Oeuvres Complétes de Frédéric Bastiat (OCFB). T. IV. Paris: Guillaumin, 1863.

FRIEDMAN, Milton, Neo-Liberalism and Its Prospects, Farmand, 17 fevereiro 1951, pp. 89-93.

HAYEK, Friedrich A., Caminho à Servidão, 1944.

HAYEK, Friedrich A. The Constitution of Liberty, 1960.

HAYEK, Friedrich A. Lei, Legislação e Liberdade, 1979.

HOPPE, Hemann-Hans. Murray N. Rothbard: Economics, Science, and Liberty, In: 15 Great Austrian Economists, The Ludwig von Mises Institute, 1999.

LOCKE, John. Segundo Tratado sobre o Governo Civil, 1689.

MARX, Karl. Das Kapital, 1867.

MISES, Ludwig von. Liberalismus, 1927.

MONTESQUIEU, O espírito das leis, 1748.

NOZICK, Robert, Anarchy, State, and Utopia, 1974.

PROUDHON, Pierre-Joseph. Qu’est-ce la propriété? In: Oeuvres Complètes de P.-J. Proudhon (OCPJP). Tome I. Paris: A. Lacroix, [1840] 1873.

PROUDHON, Pierre-Joseph. System of economical contradictions or the philosophy of misery. New York: Arno Press, [1846] 1972.

PROUDHON, Pierre-Joseph. Solution du problème social. In: Oeuvres Complètes de P.-J. Proudhon (OCPJP). Tome VI. Paris: C. Marpon et E. Flammarion, [1848] 1868.

RAND, Ayn. Introducing Objectivism, The Objectivist Newsletter, Vol. 1, No. 8. August, 1962. p. 35.

RAND, Ayn. Capitalism: The Unknown Ideal. 1966.

SMITH, Adam. A Teoria da Sensibilidade Moral, 1759.

SMITH, Adam. A Riqueza das Nações, 1776.

TOCQUEVILLE, Alexis de. Ancien Regime e a Revolução, Prefácio, 4a ed, 1858.

ZWOLINSKI, Matthew e John Tomasi. A Brief History of Libertarianism, Cap I, 2010.

ZWOLINSKI, Matthew e John Tomasi. A Bleeding Heart History of Libertarianism, April 2, 2012.

O post Socialismo, Anarquismo e Libertarianismo: os filhos bastardos do Liberalismo apareceu primeiro em O Contraditório.



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Offline Daniel_1993

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Re:Liberalismo
« Resposta #110 Online: 06 de Setembro de 2017, 21:38:26 »
Seguindo o pensamento do texto acima:

Liberalismo, a primeira esquerda

Por Rodrigo Viana

Existe um certo debate no meio liberal que tende a dividir seus seguidores em duas inclinações políticas do qual eles mesmos se identificam: direita e centro. O liberal “direitista”, geralmente de viés cultural conservador, tem um posicionamento “contra-tudo-que-é-esquerdista” e é notável por seu estilo mais pragmático. Já o “centrista”, que normalmente se denomina como “centro radical”, é aquele liberal ligeiramente mais jovem e ligado a filosofia liberal moderna chamada de libertarianismo. Este último, acidentalmente segue a máxima kassabista de “nem direita e nem esquerda, muito pelo contrário”.

Confesso que vejo tudo isso de forma bem deprimente por saber o quão infundado são essas suposições. Na filosofia política não tem espaço para centro. Ou é x ou y.

Pessimismo e otimismo antropológico

Se a pessoa tende a enxergar a dicotomia esquerda x direita tão somente como uma mera tendência a se posicionar a favor de certas escolhas políticas (a realpolitik) envolvendo governos, como exemplificado em enquetes de perguntas e respostas de internet, então creio que essa pessoa não entendeu a profundidade do que vem a ser esquerda e direita.

Tal dicotomia não tem e nunca teve a ver com governos necessariamente, mas principalmente sobre o modo como o ser humano, enquanto ser social e não uma entidade atomizada, enxerga a si e a sociedade e em como essa sociedade responde a esse ser humano. Tal dicotomia tem a ver com o enlace ininterrupto desses efeitos. É o mundo visto em sua forma socio-antropológica e não por essa ou aquela campanha partidária, por exemplo.

Contudo, quando analisamos tais efeitos nós tendemos a perceber a existência de dois tipos de interpretações contrastantes que vivem em um eterno conflito. De um lado, uma tendência mais pessimista, tanto do ser humano quanto da sociedade, e do outro, uma mais otimista.

Quando alguém tende a enfatizar o humano como um ser limitado (ou mesmo incapaz) de muitos feitos e salientando sua imperfeição, muito embora tendo uns reconhecendo aptidões e habilidades, essa pessoa é considerada uma pessimista com o próprio gênero humano e a sociedade envolta. Nesse caso ela é adepta do pessimismo antropológico. Agora se alguém possui uma percepção diferente do ser humano como um ser capaz (ou de capacidade ilimitada) de muitos feitos e salientando suas possibilidades, embora uns reconhecendo a imperfeição e a limitação natural, essa pessoa é adepta do otimismo antropológico.

O pessimista antropológico, conhecido por sua qualidade “realista”, tende a se apoiar em estruturas sociais que se transformaram socialmente. Por focar na ideia da limitação humana em relação a enxergar sua própria realidade de uma maneira mais ampla, o pessimista conclui que o ser humano provavelmente nunca conseguirá gerar feitos satisfatórios para ele e para os que estão em sua volta sem criar conflitos e situações problemáticas. Ele acredita que um ser limitado como o humano, preso nas possibilidades dos próprios erros, pode gerar inovações (iniciar do zero) com nível de propensão ao fracasso.
Seu posicionamento mais comum se firma no ceticismo por tais inovações, uma vez que acredita que isso minimizaria (ou frearia, dependendo dos casos) conflitos sociais que podem vir a surgir. Logo, o pessimista prefere se apegar nas construções sociais sólidas do que existe e do que é funcional ao invés de tentar buscar certos feitos inovadores, mesmo reconhecendo a existência de problemas intrínsecos nas estruturas já existentes. Quer dizer, ele analisa a realidade e se apega ao que já está consolidado na sociedade como uma garantia afim de assegurar as conquistas de até então. Todavia, com o cuidado de gerar ideias que não abstraia demais o relacionamento social.

Já o otimista antropológico, caracterizado por sua qualidade “visionária”, tende a se apoiar nas estruturas sociais existentes que as julga satisfatórias, mas também na possibilidade de alternativas novas para as estruturas insatisfatórias. Dado que ele foca na possibilidade humana sobre a realidade, o otimista conclui que o ser humano possui a capacidade de gerar feitos satisfatórios para a sociedade, de modo a minimizar (ou acabar) tanto os conflitos existentes, quanto os que poderão vir a surgir se seguindo a condição até então atual. Isso porque seu otimismo característico possibilita ver o ser humano, mesmo em sua condição de limitação natural, como um gerador de inovações com inclinação ao sucesso.

Esse posicionamento favorável a busca de novos paradigmas é o que o motiva a gerar seus feitos. Sendo assim, ele analisa a realidade e toma partido em direção a uma possibilidade de almejar alternativas novas para aprimorar as conquistas do que existe. Contudo, tal possibilidade se assegura em instrumentos (isto é, ferramentas) produzidos pelo pensar e observar, no intuito de partir de um ponto fundamentado e não de uma quimera. É por contar com a razão como provavelmente o mais fundamental instrumento de uso que o otimista se abre para novas perspectivas.

Mas há algo que vale ressaltar nessa discussão. O ser humano não se comporta de modo exato em qualquer um dos polos e, por isso, é esperado uma variância. O posicionamento e a visão de mundo de uma pessoa não pode ser vista de forma absoluta e fechada, como se um otimista fosse, de fato, somente otimista caso tivesse uma predisposição total para essa direção. E o mesmo vale para o pessimista. Não somos máquinas, não fomos programados para pensar e agir de maneira determinada enquanto ser político. A relação dessas interpretações sócio-antropológicas nos informa uma indicação e não um simples questionário de acertos e erros.

Partindo desse ponto, nós podemos perceber que certas ideias, arranjos, ações e fundamentações se iniciam tanto de visões distintas, bem como as posições mais moderadas ou radicais dentro da perspectiva em que elas foram concebidas. Ou seja, nem todo pessimista enxerga o ser humano como um ente mal, fadado a viver na amargura de sua própria natureza. Do mesmo modo um otimista necessariamente não enxerga o ser humano como um ente dotado de uma bondade angelical, capaz de criar um verdadeiro paraíso terreno.

Note, leitor, que em momento algum falei de política especificamente, certo? Por que isso? Simplesmente porque a política, tanto no seu estudo investigativo quanto na sua aplicabilidade, é a consequência das interpretações sociológicas e antropológica e não a causa.

Seguindo tal raciocínio, entende-se que o mero uso (ou sua negação) de instituições sociais para se chegar a um norte específico não caracteriza esta ou aquela categoria política como necessariamente pertencente a esse ou aquele espectro político.

Por exemplo, o uso de mecanismos governamentais que se fazem presentes no nosso dia a dia como projetos de leis, democracia participativa, partidos, constituição, corpo legal e etc, não condiz se tal pessoa segue ou não uma tendência direitista ou esquerdista. É verdade que muitos desses mecanismos se identificam (ao menos historicamente) mais com essa ou aquela perspectiva por diversos motivos, todavia isso não tira o fato de que aquele que defende um protecionismo, por exemplo, “é de esquerda”. Sim, porque a base em que essa adesão se assenta e que delineia um norte a ser buscado é o elemento preponderante.

O fato é que quando uma pessoa tem uma tendência ao pessimismo em relação a sociedade e ao ser humano, ela busca se apoiar em ideias de estruturas sólidas consolidadas que são: a hierarquia social, tradição, condição de conformidade, ordem social, norma social, unidade orgânica e etc. De forma semelhante, quando uma pessoa tende ao otimismo, sua busca está em ideias de estruturas racionais reformadoras e/ ou inovadoras como: igualdade, liberdade, tolerância social, secularismo social, direitos inalienáveis e etc. É nesse momento que as primeiras ideias políticas começam a ser esboçadas.

Então com toda certeza podemos dizer que a pessoa de bases mais pessimistas é um direitista e o de bases mais otimistas é um esquerdista.

A influência dos movimento iluministas e contra-revolucionários

É sabido que os pensamentos políticos que vieram a ser influenciados diretamente pelos movimentos iluministas (ou Era da Razão) podem ser descritos facilmente como “esquerdistas”. Isto é, pensamentos de caráter visionário e de natureza opositora à perspectiva pessimista, mais preocupado em mudanças reformadoras e/ ou inovadoras. Estes pensamentos deram novas formas de reflexão na relação entre o ser humano e a sociedade. Resultando em ideias, possibilidades e alternativas sobre o estado em que se encontra a sociedade. E o liberalismo não apenas se encaixa nessa perspectiva, como foi o primeiro pensamento político a inaugurar de fato o que vinha sendo produzido nos círculos iluministas.

Uma vez a filosofia liberal sendo obra destes movimentos, em maior parte dos que se seguiram nos séculos dezessete e dezoito e em menor no dezenove, é natural que o liberal defenda a ideia de que o ser humano possui os instrumentos necessários para guiar o seu próprio destino no alcance de uma vida social mais justa e próspera. A crença iluminista pela busca por um mundo melhor é também um importante componente muito presente no liberalismo. E o que responde esse questionamento senão premissas como o respeito ao indivíduo enquanto um ser único tendo fim em si mesmo; direitos inalienáveis sobre a vida, liberdade e propriedade; igualdade de autoridade; poder político limitado; e sociedade tolerante?

Ora, existe um aspecto ativo dentro de qualquer pensamento enraizado nos movimentos iluministas. Esse aspecto é o impulso que motiva o liberal a não aceitar o mundo da forma como se encontra. Ele deseja a mudança e isso o motiva a buscar o que pretende. E isso independe da vertente que o liberal se apoia, seja ela no liberalismo clássico de Robert Nozick e Ludwig von Mises, no liberalismo social de John M. Keynes e John Rawls ou no liberalismo radical de Murray Rothbard e David Friedman. O liberal deseja aprimorar, transformar e tornar mais justo as relações humanas.

Isso é notório ao comparar com uma outra importante filosofia política também de origem iluminista: o socialismo. Mas antes abro um parêntese: do mesmo modo que falo do liberalismo em uma maneira ampla e sem levar em conta suas vertentes internas, assim falo do socialismo. Quer dizer, a filosofia política que também gerou diversas teorias e correntes próprias para buscar soluções para as relações sociais.

Tudo isso significa que as bases do pensamento socialista são tranquilamente compartilhadas por liberais, uma vez que foram os movimentos iluministas quem as forneceram. Como e por qual fim utilizar tais ferramentas é o que também distingue estas filosofias políticas. Podemos ver isso na interpretação que cada filosofia (e suas correntes internas) dá às ideias de liberdade, igualdade ou justiça, por exemplo. Do mesmo modo que individualismo necessariamente não significa “supressão do indivíduo para com outro indivíduo”, assim também é em relação ao coletivismo com a ideia da “supressão do coletivo sobre o indivíduo”. Nem todo socialista é coletivista, como nem todo coletivista é anti-indivíduo. É muito importante mencionar tais fatores porque isso faz cair por terra a errônea crença popular de que “direita é pró-indivíduo e esquerda pró-coletivo”.

Bom, é sabido que liberais e socialistas são os descendentes dos iluministas e comungam da perspectiva otimista de interpretar o mundo enquanto entidade social. Então que movimento defendia a perspectiva pessimista e quem são seus descendentes hoje?

Quando analisamos o período histórico do nascimento das teorias políticas modernas entre o final da Idade Média e início da Idade Moderna, não podemos nos esquecer do não menos importante movimento político chamado Contra-revolução. Movimento este presente em vários países europeus, porém de atuação mais expressiva na França. As ideias desse movimento faziam parte do corpo teórico defendido pelo absolutistas monárquicos, dos quais são os antepassados diretos dos conservadores modernos.

Por terem um ceticismo perante as reivindicações “idealistas” defendidas pelos primeiros liberais e socialistas, os absolutistas eram “impedidos” pelo pessimismo característico de vislumbrar qualquer tipo de reforma ou inovação estrutural na sociedade que não estivesse realmente se firmado numa continuidade. Tanto a democracia liberal, quanto o socialismo de estado ou o anarquismo eram concepções vistas por muitos como uma forma artificial, pois contava com construções teóricas que exigiam um certo grau de confiança abstrata referente ao funcionamento da sociedade e/ ou da própria natureza humana. Por exemplo, para alguns absolutistas a simples ideia da não existência de um governo regido pela hereditariedade soava como “anti-natural”.

Vale comentar que, por diversas particularidades, a Inglaterra não teve um movimento tão expressivo em favor do absolutismo como foi em outras partes da Europa. A ideia de um estado absoluto não era muito bem vista até por aqueles que compartilhavam da perspectiva pessimista. Esse grupo de pessimistas influenciou enormemente o pensamento conservador atual, sobretudo o de origem anglo-saxônica, pois diferencia consideravelmente na forma de se fazer política (mas não as bases filosóficas) dos conservadores mais apegados às lições pelos antigos apoiadores do absolutismo. Da mesma forma que os iluministas tiveram suas diferenças, os contra-revolucionários também tiveram.

Hoje os tempos são outros. Não existe mais grupos defendendo um retorno ao regime absolutista. Os conservadores, que carregam o pessimismo dos contra-revolucionários, já aceitaram a democracia liberal como um sistema de governo estável. Estando o norte conservador na preservação de princípios civilizacionais e das instituições políticas, os meios de como eles serão alcançados pouco importa no âmbito filosófico, seja através de uma forte intromissão governamental ou pela defesa da autonomia e da liberdade das comunidades. Mudança moderada ou radical nunca foi empecilho para o conservador firmar o tradicionalismo, dado que a natureza de sua mudança visada é de caráter mantenedora e não inovadora. Então podemos ver que o conservadorismo pode tanto tender para o autoritarismo, típico dos absolutistas, quanto a uma versão mais tolerante, presente nas ideias dos whigs moderados da Inglaterra. Nível de presença do governo na sociedade não é fator determinante para o espectro político. Nunca foi.

Como as ideias liberais, de uma forma geral, prevaleceram no mundo, é natural que hoje os conservadores defendam muitas delas, dando a impressão de que, a partir de agora, eles “se tornaram liberais”. Não se tornaram. O DNA pessimista ainda é o fator que guia a defesa das estruturas sociais consolidadas e tradicionais do pensamento conservador e não o gene otimista. Ou por acaso social-democratas modernos se tornaram liberais só porque largaram de vez a ideia do estado proletariado para abraçar a democracia liberal? Indo direto ao ponto, um conservador “é tão liberal” quanto um social-democrata, embora este último esteja muito mais próximo da filosofia liberal do que o primeiro por assuntos já comentados anteriormente.

Um adendo

Querer resumir os movimentos iluministas como se fossem apenas “movimentos políticos” é uma interpretação que não se sustenta. Estes movimentos foram muito mais do que expressão política propriamente dita, foram a expressão viva do ser humano em todas as suas relações. Os iluministas influenciaram as ciências naturais, as artes, a educação e forma de passar conhecimento e muitas outras coisas. Ajudaram a florescer verdadeiros debates religiosos, literários e ajudou na ideia da disseminação do conhecimento, seja através do livro ou da imprensa. Suas ideias desafiantes mexiam com a opinião pública, esclareciam conceitos baseados apenas em meras tradições ao ponto de chocar e escandalizar a sociedade com suas opiniões diferenciadas.

Estes senhores (e senhoras também) mudaram o mundo de tal maneira que, em poucos séculos, toda a sociedade deu saltos gigantescos na civilização para melhor. O que não quer dizer que tudo ocorreu como planejado, mas ainda assim vivemos bem melhor do que qualquer época já registrada. Diferente de hoje, em que podemos ver o mundo de nossos avós bem diferente, em séculos passados o que prevalecia era a mesmice. Essa é a perspectiva atuante que gira o mundo. O mundo não é feito por covardes, mas por gente que se arrisca, que questiona ou que sonha. Esse é o grande legado deixado pelos iluministas.

Conclusão

O liberalismo, enquanto filosofia, ainda é uma ideia radical, visionária, inovadora e, em certas vertentes internas, revolucionária. Desde o seu surgimento ele vem propondo ideias e alternativas que colocam em xeque o modo de ver a sociedade baseada na continuidade tradicional. A alegação da ideia do indivíduo como senhor de si é ainda revolucionária mesmo hoje. Estes ensinamentos iluministas também se mantém bem presentes nas vertentes libertárias do socialismo (anarquismo).

Um problema que eu vejo hoje está em enxergar as teorias e tendências políticas de origem direta no marxismo ou não (socialismo fabiano) da era pós-comunismo, quase que de forma exclusiva como “a esquerda”. Não tenho nenhum problema em classificar esta ou aquela prática, vertente ou proposta política como “de esquerda ou de direita” para dar a noção de algo moderado ou radical, de pouco ou mais inovador ou coisa do tipo dentro da realpolitik.

O problema é quando esses conceitos superficiais se transformam em um tipo de regra que envolve as filosofias políticas em si, pois tendem a ficar deturpadas e viciadas. Dado que isso tende a renegar aspectos teóricos e históricos, um estudante com uma maior bagagem cultural sobre filosofia política poderá se atrapalhar e não entender pontos muito mais importantes. A divisão entre “proletariado x burguês” do pré-comunismo e o “capitalismo x socialismo” da Guerra Fria é tão somente um fator histórico que não deve ser levado tanto em conta para os estudos das filosofias políticas. A ciência política pode lidar com isso de uma forma mais elegante.
Se os liberais franceses, antes da ascensão dos partidos de raiz socialista, eram vistos como os progressistas, esquerdistas no século dezenove e hoje são visto como direitistas, muito se deve a ideias particulares deste ou daquele autor, como também das próprias formas como as propostas políticas foram empregadas. Independente ser de cunho liberal ou não. O fato dos liberais terem se aproximado dos conservadores no século vinte para a contenção do marxismo é tão somente um fator circunstancial.

Será mesmo que os liberais não se manteriam próximos dos socialistas caso as vertentes libertárias deste último tivessem se sobressaído como influência maior no mundo, empurrando o socialismo estatista de Marx para os becos da intelectualidade? Bem, a história mostra que liberais e socialistas ficaram juntos na França quando os dois ainda mantinham propostas parecidas. Dado que parte da tradição socialista se radicalizou em prol da liberdade no século dezenove e o liberalismo no século vinte, soa até previsível que estas duas linhagens mantenham novamente laços próximos no século vinte um.

Liberalismo e socialismo, enquanto filosofia, possuem um ancestral comum e a tendência que eu acredito hoje está neles se reatarem como em séculos atrás, visto que as ideologias fortemente estatistas e/ ou autoritárias tão presentes no século vinte tem estado perdendo força nas últimas décadas. Sim, os dois pensamentos surgiram em épocas próximas, embora o liberalismo tenha vindo antes. É por isso que o liberalismo foi a primeira esquerda.

 http://mercadopopular.org/2014/06/liberalismo-a-primeira-esquerda-2/
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Offline Gauss

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Re:Liberalismo
« Resposta #111 Online: 17 de Outubro de 2017, 18:48:56 »
*tópico errado*
Citação de: Gauss
Bolsonaro é um falastrão conservador e ignorante. Atualmente teria 8% das intenções de votos, ou seja, é o Enéas 2.0. As possibilidades desse ser chegar a presidência são baixíssimas, ele só faz muito barulho mesmo, nada mais que isso. Não tem nenhum apoio popular forte, somente de adolescentes desinformados e velhos com memória curta que acham que a ditadura foi boa só porque "tinha menos crime". Teria que acontecer uma merda muito grande para ele chegar lá.


Offline Tirn Aill

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Criticas ao liberalismo.
« Resposta #113 Online: 01 de Novembro de 2017, 06:43:22 »
Esse é o blog da CPL - contra o pensamento liberal, um grupo de acadêmicos marxistas que criticam o liberalismo.
https://contraopensamentoliberalbrasil.wordpress.com/

Offline -Huxley-

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Re:Liberalismo
« Resposta #114 Online: 01 de Novembro de 2017, 11:14:31 »
A epistemologia envolvida nas inferências de causalidades em alguns desses artigos é ginasiana.




Offline Lorentz

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Re:Liberalismo
« Resposta #115 Online: 01 de Novembro de 2017, 11:19:27 »
Esse é o blog da CPL - contra o pensamento liberal, um grupo de acadêmicos marxistas que criticam o liberalismo.
https://contraopensamentoliberalbrasil.wordpress.com/

Pode ser uma paródia muito bem arquitetada.
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Offline -Huxley-

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Re:Liberalismo
« Resposta #116 Online: 01 de Novembro de 2017, 11:25:23 »
O mais cômico é falarem em "ameaça liberal". É só ver o que a bancada temerista e petista fazem com a PL anti-Uber para ficar revoltado com esse "neoliberalismo" do Brasil. E isso não é exceção.
« Última modificação: 01 de Novembro de 2017, 11:29:48 por -Huxley- »

Offline Lorentz

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Re:Liberalismo
« Resposta #117 Online: 01 de Novembro de 2017, 11:41:40 »
O mais cômico é falarem em "ameaça liberal". É só ver o que a bancada temerista e petista fazem com a PL anti-Uber para ficar revoltado com esse "neoliberalismo" do Brasil. E isso não é exceção.

Interessante os caras usarem uma plataforma gratuita como o wordpress, cujo modelo de negócios só é possível graças ao modelo liberal.
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Offline Tirn Aill

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Re:Liberalismo
« Resposta #118 Online: 03 de Novembro de 2017, 18:46:25 »
Achei esse aqui interessante:
https://voyager1.net/politica/brasil/por-que-o-brasil-nao-se-desenvolve/
____________

Existem economistas do mundo todo com pensamentos e/ou ideologias econômicas variadas, mas os liberais br preferem ficar dando credibilidade só a escola austríaca que nem tem muita credibilidade na academia tirando Hayek.

Offline Lorentz

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Re:Liberalismo
« Resposta #119 Online: 03 de Novembro de 2017, 22:30:33 »
Achei esse aqui interessante:
https://voyager1.net/politica/brasil/por-que-o-brasil-nao-se-desenvolve/
____________

Existem economistas do mundo todo com pensamentos e/ou ideologias econômicas variadas, mas os liberais br preferem ficar dando credibilidade só a escola austríaca que nem tem muita credibilidade na academia tirando Hayek.

Me parece que os países que adotam as medidas liberais são os que mais enriquecem e sustentam a riqueza. O Brasil no regime militar promoveu um crescimento baseado em estatismo, adotando todas essas ideias keynesianas, enquanto no regime do Pinochet no Chile adotaram o modelo da escola austríaca.

Apenas compare os dois países e veja o que funciona. Não tem credibilidade maior que constatar o que funciona e o que não funciona, mas os economistas desenvolvimentistas não entendem isso, e é por isso que após não conseguirem prever a crise de 2008, dentre outras, que cada vez menos gente levam eles à sério.
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Offline Gauss

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Re:Liberalismo
« Resposta #120 Online: 04 de Novembro de 2017, 00:32:50 »
Me parece que os países que adotam as medidas liberais são os que mais enriquecem e sustentam a riqueza. O Brasil no regime militar promoveu um crescimento baseado em estatismo, adotando todas essas ideias keynesianas, enquanto no regime do Pinochet no Chile adotaram o modelo da escola austríaca.
Errado. Pinochet adotou o modelo da Escola de Chicago (escola também liberal, mas no 'mainstream' do pensamento econômico). Hayek é o único economista da Escola Austríaca  levado a sério por ele nunca usar a pseudagem da Praxeologia em seus estudos, preferindo utilizar métodos convencionais de econometria. Curiosamente os Rothbardianos, os dominantes dentro da escola austríaca, detestam Hayek e consideram Rothbard o verdadeiro 'mestre'.

Por hora, Hayek curiosamente também é considerado um integrante da 'Escola de Chicago', sendo que os mesmo foi professor da Universidade de Chicago. Seu aluno mais ilustre? Milton Friedman.
Citação de: Gauss
Bolsonaro é um falastrão conservador e ignorante. Atualmente teria 8% das intenções de votos, ou seja, é o Enéas 2.0. As possibilidades desse ser chegar a presidência são baixíssimas, ele só faz muito barulho mesmo, nada mais que isso. Não tem nenhum apoio popular forte, somente de adolescentes desinformados e velhos com memória curta que acham que a ditadura foi boa só porque "tinha menos crime". Teria que acontecer uma merda muito grande para ele chegar lá.

Offline Gauss

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Re:Liberalismo
« Resposta #121 Online: 04 de Novembro de 2017, 00:38:50 »
A resposta do FED para a crise de 2008 foi as aplicações das ideias de Friedman e da Escola de Chicago em prática.
https://www.federalreserve.gov/PubS/feds/2011/201126/201126pap.pdf
Citação de: Gauss
Bolsonaro é um falastrão conservador e ignorante. Atualmente teria 8% das intenções de votos, ou seja, é o Enéas 2.0. As possibilidades desse ser chegar a presidência são baixíssimas, ele só faz muito barulho mesmo, nada mais que isso. Não tem nenhum apoio popular forte, somente de adolescentes desinformados e velhos com memória curta que acham que a ditadura foi boa só porque "tinha menos crime". Teria que acontecer uma merda muito grande para ele chegar lá.

Offline El Elyon

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Re:Liberalismo
« Resposta #122 Online: 04 de Novembro de 2017, 01:16:42 »
Citação de: Tirn Aill
Existem economistas do mundo todo com pensamentos e/ou ideologias econômicas variadas, mas os liberais br preferem ficar dando credibilidade só a escola austríaca que nem tem muita credibilidade na academia tirando Hayek.

Porque o Instituto von Mises é, para todos os fins, o grande divulgador recente do pensamento liberal econômico por aqui. Ao contrário de boa parte das "correntes econômicas" liberais acadêmicas, que se restringem ao mundo da Torre de Marfim, de alguns think-tanks e associações empresariais, o IvM seguiu a recomendação marxista de que "Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo".

Dito isso - Gauss, Lorentz e cia - qual a origem do Movimento Brasil Livre?
"As long as the Colossus stands, Rome will stand, when the Colossus falls, Rome will also fall, when Rome falls, so falls the world."

São Beda.

Offline Gauss

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Re:Liberalismo
« Resposta #123 Online: 04 de Novembro de 2017, 16:52:32 »
Dito isso - Gauss, Lorentz e cia - qual a origem do Movimento Brasil Livre?
O MBL é fruto da conspiração armada pelo Projeto Atlas para implantar um governo libertário global.
Citação de: Gauss
Bolsonaro é um falastrão conservador e ignorante. Atualmente teria 8% das intenções de votos, ou seja, é o Enéas 2.0. As possibilidades desse ser chegar a presidência são baixíssimas, ele só faz muito barulho mesmo, nada mais que isso. Não tem nenhum apoio popular forte, somente de adolescentes desinformados e velhos com memória curta que acham que a ditadura foi boa só porque "tinha menos crime". Teria que acontecer uma merda muito grande para ele chegar lá.

Offline Tirn Aill

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Re:Liberalismo
« Resposta #124 Online: 04 de Novembro de 2017, 18:16:11 »
Me parece que os países que adotam as medidas liberais são os que mais enriquecem e sustentam a riqueza. O Brasil no regime militar promoveu um crescimento baseado em estatismo, adotando todas essas ideias keynesianas, enquanto no regime do Pinochet no Chile adotaram o modelo da escola austríaca.

Apenas compare os dois países e veja o que funciona. Não tem credibilidade maior que constatar o que funciona e o que não funciona, mas os economistas desenvolvimentistas não entendem isso, e é por isso que após não conseguirem prever a crise de 2008, dentre outras, que cada vez menos gente levam eles à sério.
O Chile é bem menor que o Brasil, até em população, e mesmo com o crescimento econômico eles ainda têm pobreza e uma grande desigualdade. Além disso, existiram vários países que tiveram crescimento econômico com estatismo, Alemanha nazista, União Soviética por um tempo, A Rússia quando Putin assumiu o poder, etc. Sempre o estado teve um papel importante no crescimento dos países, até em Hong Kong.

O Neoliberalismo já vem sendo estudado desde quando ele foi implantado em alguns países, e os resultados não foram bons para os países de terceiro e segundo mundo, tem muitas criticas ao Neoliberalismo.  Dai vem alguns e dizem que Neoliberalismo não existe, sendo que o termo neo (novo) é usado para indicar a diferença entre o liberalismo antigo do Adam Smith com o do Hayek e Friedman.

Se fosse só adotar o estado mínimo, seria fácil todos os países fariam isso e ficariam bem, mas a realidade é mais complicada e difícil do que isso.

Porque o Instituto von Mises é, para todos os fins, o grande divulgador recente do pensamento liberal econômico por aqui. Ao contrário de boa parte das "correntes econômicas" liberais acadêmicas, que se restringem ao mundo da Torre de Marfim, de alguns think-tanks e associações empresariais, o IvM seguiu a recomendação marxista de que "Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo".
Falo da academia em um sentido mundial, não só no Brasil.

 

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