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Re:Liberalismo
« Resposta #475 Online: 11 de Fevereiro de 2019, 13:44:07 »
“Isso é imoral”: um juiz sueco analisa os rendimentos de Moro e colegas. Por Claudia Wallin



Publicado por Claudia Wallin -  2 de fevereiro de 2018



Rendimentos anabolizados


O texto abaixo foi publicado originalmente em 2015. É de Claudia Wallin, jornalista brasileira radicada na Suécia. Claudia é autora do livro Um país sem excelências e sem mordomias, no qual mostra a simplicidade espartana dos políticos suecos.



Quanto vale, data venia, um juiz?

A dúvida é tão dilacerante quanto a atual temporada sueca de degustação do surströmming, o arenque do Báltico fermentado que tem o inominável odor de mil esgotos destampados.

Chamo um magistrado sueco em busca de algum bom senso, e tento explicar o inexplicável: no Brasil, digo a ele, juízes e procuradores da República descumprem a Constituição ao receber vencimentos que excedem esplendidamente o teto salarial permitido pela lei máxima do país, valendo-se de anabolizantes como auxílio-moradia, auxílio-alimentação e auxílio-saúde.

“En gång till”, me interrompe, atordoado, o magistrado Thed Adelswärd, especialista em ética jurídica – “repita isso, por favor”.

“Imagine que o anormal virou normal, nos labirintos do notório saber jurídico dos guardiões da lei brasileira”, prossigo. “Mas no Brasil surgiu um juiz federal que acendeu a esperança nos corações de milhões de brasileiros, que dizem não aguentar mais a corrupção enraizada nas entranhas do governo”.

“Excelente”, reage o magistrado sueco.



“O juiz tem se mostrado implacável, ao encurralar integrantes do governo e levar executivos das maiores empreiteiras do país à cadeia. Diz-se no Brasil que pertence a uma rara safra de juízes, que encaram a magistratura como profissão de fé”, continuo.

“Hum-hum”, desdenha o sueco, como quem ouve uma duvidosa delação premiada.

“O juiz chegou a batizar de “Erga Omnes” a última etapa da operação contra o que seria o maior escândalo de corrupção da história brasileira, quiçá do mundo. Mandou assim um recado: nada, nem ninguém, está acima da lei”, continuo.

“Correto”, diz o magistrado, a um passo do anticlímax.

“O problema é que acaba de ser revelado que o juiz federal, o herói da cruzada contra a corrupção, também recebe vencimentos que ultrapassam o teto salarial permitido pela Constituição”, relato.

Diz o artigo 37 da Carta que funcionários públicos devem ser remunerados em parcela única, sempre limitados ao salário do ministro do Supremo Tribunal, atualmente de R$ 37,4 mil. Mas em abril, conforme informações do site Consultor Jurídico, o salário do juiz chegou a R$ 77.423,66, por obra de auxílios para ajudar o magistrado em despesas como alimentação e transporte.

“Há ainda outros juízes que chegam a receber R$ 100 mil por mês”, digo ao juiz Thed Adelswärd, chefe no tribunal da cidade de Lund e representante da Suécia na Associação Internacional dos Magistrados (AIM), a maior organização mundial de juízes.

“Isto é imoral”, diz Adelswärd. “Se viola a Constituição do Brasil, não cabe dúvida. Na Suécia, seria impensável. Juízes, em nosso país, sabem que têm o dever de respeitar a Constituição, porque isso é parte fundamental do trabalho da Justiça de um país.”

“Não quero ser crítico em relação a nenhum juiz brasileiro, e também não me agrada usar a palavra imoral. Mas a pergunta é – como é possível terem conseguido obter todo esse dinheiro e tantos benefícios? – indaga-se o juiz.

“Respeito o direito soberano de cada país de fazer as suas próprias escolhas, e é importante que o salário de um juiz não seja baixo a ponto de tornar atraente para ele aceitar subornos. Também conheço alguns juízes brasileiros, e eles me dizem que a carga horária de trabalho dos magistrados brasileiros é muito elevada. Mas para um juiz sueco, os vencimentos de um juiz brasileiro parecem ser uma remuneração excessiva”, ele acrescenta.


O juiz sueco não gostou do que ouviu sobre seus colegas brasileiros (foto: Carl Johan Erikson)

Pergunto se os tribunais suecos disponibilizam frotas de carros, para servir os magistrados em seu trajeto de casa para o trabalho.

“É evidente que não. Pedalo com frequência para a Corte, em minha bicicleta Crescent de sete marchas que comprei com meu próprio salário há oito anos”, diz Thed Adelswärd.

Pergunto se magistrados suecos têm auxílio-moradia, auxílio-saúde, auxílio-creche, auxílio-educação ou (como previsto na Loman, a nova Lei Orgânica da Magistratura) auxílio-funeral.

“Absolutamente não. Nenhum juiz sueco tem qualquer tipo de benefícios extras ou vantagens como carros à disposição. Temos salários mensais, e é com nossos salários que pagamos todas as nossas despesas”, enfatiza o magistrado.

Gostaria de ser juiz no Brasil? – quero saber.

“Tenho um excelente emprego na Suécia”, rebate diplomaticamente o juiz. “E não me sentiria confortável em trabalhar nas condições em que parecem trabalhar os juízes no Brasil. Em minha opinião, um juiz deve ter um padrão de vida comparável ao dos cidadãos que deve julgar.”

Por quê?

“Porque juízes não devem formar uma classe à parte, e sim ser parte da sociedade. Juízes devem ser pessoas capazes de compreender a situação em que vivem os cidadãos comuns, pois detêm o poder de julgar”, diz o magistrado sueco.

“Imagino que isso seja mais difícil no Brasil, onde a distância entre os ricos e pobres é gigantesca. E a enorme desigualdade de um país sempre gera uma forte criminalidade. Um país com maior igualdade social, como a Suécia, é mais capaz de evitar níveis desproporcionais de violência”, observa Thed Adelswärd.

“Mas o fato de juízes e promotores terem remuneração e vantagens excessivas pode ser muito perigoso, e criar graves problemas sociais. Porque quando os cidadãos perdem o respeito pela Justiça, eles passam a não respeitar as leis, e a fazer justiça com as próprias mãos”, completa ele.

Volto à pergunta original: quanto vale um juiz?

Peço ao magistrado para revelar seu contracheque, e informar quanto paga em impostos neste país – onde quem ganha mais, também paga tributos mais altos.

“Ganho acima dos demais juízes, pois sou chefe de divisão do tribunal”, ele diz.

“Em números exatos, meu salário é de 77.900 coroas suecas (cerca de R$ 33 mil. Em impostos, pago um total de 32,340 coroas (R$ 13,7 mil). Sobram portanto, em valores líquidos, cerca de 45 mil coroas suecas (aproximadamente R$ 19 mil). E aqui na Suécia, o imposto geral sobre o consumo (IVA) é de 25%”, destaca Thed Adelswärd.

Na Suécia, a estrutura do poder judiciário é organizada em três níveis: os tribunais distritais (Tingsrätt), os tribunais de recursos e apelações (Hovrätt ou Kammarrätt) e o Supremo Tribunal (Högsta domstolen).

O salário dos juízes dos tribunais distritais varia entre 57,500 e 61 mil coroas suecas (aproximadamente entre R$ 24,3 mil e R$ 25,8 mil).


Nos tribunais de apelação, os magistrados suecos recebem vencimentos de 58 mil a 61,5 mil coroas suecas (o equivalente a R$ 24,6 mil e R$ 26 mil, respectivamente). O salário médio no país é de 27,3 mil coroas suecas.


Para os integrantes da Suprema Corte – que na Suécia não têm status de ministro, e nenhum benefício extra atrelado ao cargo -, a remuneração é de 99,7 mil coroas suecas (cerca de R$ 42,2 mil).

“E os reajustes salariais dos juízes tratam normalmente da reposição da perda inflacionária anual, em torno de 2%”, lembra Kristina Mäler, do sindicato dos juízes da Suécia (Jusek).

Sim, existe um sindicato dos magistrados na Suécia. É assim que os juízes suecos, assim como os trabalhadores de qualquer outra categoria, cuidam da negociação de seus reajustes salariais.

A negociação dos reajustes salariais da magistratura se dá entre o sindicato Jusek e o Domstolsverket, a autoridade estatal responsável pela organização e o funcionamento do sistema de justiça sueco.

Enquanto isso, no País das Maravilhas, o procurador federal Carlos André Studart Pereira alerta: o teto salarial dos integrantes do Judiciário e do Ministério Público virou piso.

“Juízes e membros do Ministério Público, sem qualquer peso na consciência, recebem remunerações estratosféricas, estando total e vergonhosamente distorcido o regime de pagamento por subsídio, em que é vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, premo, verba de representação ou outra espécie remuneratória”, denuncia Carlos André, que escreveu a pedido da Associação Nacional dos Procuradores Federais (Anpaf)

“Todos os dias temos notícias de concessão de mais benefícios. O regime de subsídio acabou. O teto remuneratório de R$ 33.763,00 virou piso. Parcelas claramente de caráter remuneratório são rotuladas de indenizatória para fugir do abate-teto. Foram criadas várias espécies de auxílios: auxílio-livro, auxílio- saúde, auxílio-educação, auxílio-transporte, auxílio-táxi etc. Por outro lado, o indivíduo que recebe um salário mínimo tem que se virar com R$788,00 para custear, nos termos da Constituição, “suas necessidades vitais básicas e a de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social” (artigo 7o, inciso IV, CRFB).”

O texto completo do procurador Carlos André Studart Pereira, “O Teto Virou Piso”, é leitura obrigatória no site Consultor Jurídico.

E como já se perguntava o poeta satírico Juvenal na Roma antiga: ”Quis custodiet ipsos custodes?” – ”Quem vigia os vigias?”


https://www.diariodocentrodomundo.com.br/isso-e-imoral-um-juiz-sueco-analisa-os-rendimentos-de-moro-e-colegas-por-claudia-wallin/


« Última modificação: 11 de Fevereiro de 2019, 13:54:27 por JJ »

Offline JJ

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« Resposta #476 Online: 11 de Fevereiro de 2019, 13:46:30 »
Gostaria de saber o que o Geotecton e o Juca , o Gaúcho,  o Arcanjo, o Gigaview, o Sergiomgbr,  o homemcinza, o Pasteur, e o Huxley  (e outros foristas se quiserem) acham das proposições do texto.  Devem ser verdadeiras ? São razoáveis ?


 
« Última modificação: 11 de Fevereiro de 2019, 14:36:35 por JJ »

Offline Geotecton

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« Resposta #477 Online: 11 de Fevereiro de 2019, 14:03:52 »
Responderei depois mas farei uma observação.

Porquê esta fonte só começou a se preocupar com as benesses do Judiciário, depois que a corja petista começou a ser condenada, em particular depois que o líder da seita e ladrão-mor foi indiciado?
Foto USGS

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« Resposta #478 Online: 11 de Fevereiro de 2019, 14:16:37 »
Responderei depois mas farei uma observação.

Porquê esta fonte só começou a se preocupar com as benesses do Judiciário, depois que a corja petista começou a ser condenada, em particular depois que o líder da seita e ladrão-mor foi indiciado?



Deve ser porque passou a ser conveniente. Mas, a verdade ou falsidade das proposições não dependem necessariamente desta conveniência.


 

Offline Sergiomgbr

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« Resposta #479 Online: 11 de Fevereiro de 2019, 14:31:20 »
Bom, poderia até comentar algo mas não sei sequer quais as "preposições do texto", pra início de conversa.
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« Resposta #480 Online: 11 de Fevereiro de 2019, 14:36:06 »
Bom, poderia até comentar algo mas não sei sequer quais as "preposições do texto", pra início de conversa.

Proposições = afirmações e/ou negações.


Offline JJ

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« Resposta #481 Online: 11 de Fevereiro de 2019, 14:38:37 »
Proposição

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
   
Proposição é um termo usado em lógica para descrever o conteúdo de asserções. Uma asserção é um conteúdo que pode ser tomado como verdadeiro ou falso. Asserções são abstrações de sentenças não linguísticas que a constituem. A natureza das proposições é altamente controversa entre filósofos, muitos dos quais são céticos sobre a existência de proposições. Muitos lógicos preferem evitar o uso do termo proposição em favor de usar sentença.


https://pt.wikipedia.org/wiki/Proposi%C3%A7%C3%A3o


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« Resposta #482 Online: 11 de Fevereiro de 2019, 14:55:33 »
Proposição

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
   
A natureza das proposições é altamente controversa entre filósofos, muitos dos quais são céticos sobre a existência de proposições.


https://pt.wikipedia.org/wiki/Proposi%C3%A7%C3%A3o
quaquaquaqauqaqaqua
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« Resposta #483 Online: 11 de Fevereiro de 2019, 15:00:57 »



Onde estiver "proposição"  substitua por   "sentença"  e  seja  feliz.   :hihi:

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« Resposta #484 Online: 11 de Fevereiro de 2019, 15:09:14 »
Proposição

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
   
ProposiçãoSentença é um termo usado em lógica para descrever o conteúdo de asserções. Uma asserção é um conteúdo que pode ser tomado como verdadeiro ou falso. Asserções são abstrações de sentenças não linguísticas que a constituem. A natureza das proposiçõessentenças é altamente controversa entre filósofos, muitos dos quais são céticos sobre a existência de proposiçõessentenças. Muitos lógicos preferem evitar o uso do termo proposiçãosentença em favor de usar sentença.


https://pt.wikipedia.org/wiki/Proposi%C3%A7%C3%A3o


:biglol: :biglol: :biglol: :biglol: :biglol:
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« Resposta #485 Online: 11 de Fevereiro de 2019, 16:09:55 »
Detalhando:


Onde estiver "proposição", nos posts digitados por mim ,  e não no post com texto da wikipédia,   substitua por   "sentença"  e  seja  feliz.     


  :)

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« Resposta #486 Online: 11 de Fevereiro de 2019, 17:39:24 »
E o Brasil?

O Estado foi capturado por seus estamentos, prioritariamente na defesa dos privilégios



*Denis Lerrer Rosenfield, O Estado de S. Paulo
19 Fevereiro 2018 | 03h00


Engana-se quem pensa que o Brasil enfrenta apenas um problema do governo Temer ao defrontar-se com a reforma da Previdência. A questão é muito maior, por dizer respeito ao Brasil, acima de qualquer interesse corporativo e partidário-eleitoral. O atual governo não terá dificuldades em fechar suas contas no corrente ano, mas o próximo se debaterá com esse grave problema desde o início. Se a reforma da Previdência não for feita agora, terá necessariamente de ser realizada pelo próximo mandatário, queira ele ou não.

Qualquer partido ou governante deverá curvar-se à dureza dos fatos e das contas públicas. A ficção tem limites.
O que estamos presenciando são subterfúgios estamentais, ideológicos e eleitorais que procuram escamotear e velar a urgência de uma reforma necessária. O ruído é tanto que termina relegada a questão central do que é melhor para o Brasil, embora os contendores encham a boca com a suposta
defesa que fazem da justiça social, quando, na verdade, pensam exclusivamente em seus privilégios.

Partidos políticos e corporações do Estado perseguem os mesmos objetivos ao sabotarem a reforma da Previdência, cada personagem centrado em seus interesses próprios.

Do ponto de vista partidário-eleitoral, essa reforma está sendo vista no quadro imediato das eleições deste ano, como se sua aprovação ou não beneficiasse tal ou qual partido ou candidato. Os que temem a eventual reeleição do presidente Michel Temer são contra a reforma por estimarem que, se aprovada, ele se tornaria um candidato viável. Candidate-se ou não, o presidente já tem em seu ativo as reformas empreendidas e a consequente melhora das condições econômicas e sociais, que logo se farão sentir mais concretamente. Poderia até articular uma saída estratégica, deixando o problema da Previdência para o próximo governo. O dele prescinde da aprovação imediata dessa reforma, o mesmo não se pode dizer do que lhe sucederá. Ao fazerem o jogo da dubiedade e dos seus interesses eleitorais, partidos e candidatos estão, de fato, apostando contra o Brasil.

Os que procuram se apresentar como candidatos utilizando-se da tergiversação e da mentira no que diz respeito ao estado das contas públicas, por sua vez, estão fazendo o jogo da irresponsabilidade, como se  o destino do Brasil coubesse num teatro de marionetes. São supostos estrategistas, em cujo cálculo estão presentes o descalabro das finanças públicas e um País insolvente, com graves problemas sociais nos próximos anos. Agem como Marie Antoinette, só que não oferecerão brioches, mas contas a pagar e dinheiros falsos.

A cacofonia é grande, com os diferentes atores partidários dizendo uma coisa em público e outra em privado, ao sabor das conveniências e circunstâncias. O Brasil passa ao largo de suas preocupações, como se tudo se esgotasse num mero cálculo eleitoral.

Os discursos dos presidenciáveis relegam a segundo, se não a último plano qualquer compromisso com a verdade. Contam com a mistificação e um processo midiático de convencimento no curto prazo como se não houvesse um projeto nacional que devesse ser levado prioritariamente em consideração. Dançam na beira do abismo!

Do ponto de vista corporativo, estamentos do Estado, tanto nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário como no Ministério Público, com destaque para os dois últimos, estão se aproveitando da situação para defenderem os seus privilégios. Chegamos ao absurdo de termos decisões judiciais, patrocinadas pelo Ministério Público, que proibiram que o governo federal esclarecesse a necessidade da reforma da Previdência, dando livre curso, porém, a todas as campanhas que a denegriam. Cada vez mais estamos observando o Ministério Público e o Judiciário avançando nas prerrogativas dos outros Poderes, criando problemas de ordem institucional. A questão da soberania, a de quem decide, vem, mesmo, a recolocar-se como central.

A aplicação da lei, conduzida por promotores e juízes contra a corrupção, com amplo respaldo da sociedade e da opinião pública, fez com que esses atores ganhassem uma conotação propriamente política, embora não exerçam politicamente nenhuma representação. São agentes, em certo sentido,
não democráticos, na medida em que agem como políticos mesmo não tendo sido escolhidos, eleitos, para o exercício dessa função. Passaram por concurso, fizeram carreira no Judiciário e no Ministério Público e se acostumaram com decisões monocráticas.

Vieram, dessa maneira, a ocupar posições no Estado que, graças à legitimidade conquistada, não deveriam ser as deles. Juízes e promotores não mais falam somente nos autos, mas para a opinião pública. Emitem opiniões alheias ao cargo que ocupam. Ministros do Supremo Tribunal e o exprocurador-geral Rodrigo Janot perderam o recato da discrição e falam como se políticos fossem, amparados nas regalias das funções que exercem. Procuram conformar o Estado ao que defendem abstratamente como sendo moralidade pública.

Essas corporações do Estado passaram a atuar efetivamente como estamentos que defendem prioritariamente os seus privilégios, como se os recursos públicos estivessem à sua mercê. Proclamam a moralidade para os outros, para os políticos, porém não a seguem para si, são tenazes na defesa de seus
interesses particulares. O Estado veio a ser, então, capturado por seus estamentos, como se devesse responder às suas demandas, e não às da coletividade a que deveriam servir.

Partidos e corporações terminam, assim, irmanados num mesmo projeto de recusa da reforma da Previdência, cujo projeto visa o futuro; a atração recíproca entre esses agentes públicos é dada por interesses imediatos e particulares de uns e outros. Apesar de distintos, têm em comum a visão de curto prazo e a preservação dos privilégios, esses “direitos” que só valem para alguns.


*Denis Lerrer Rosenfield, O Estado de S. Paulo

19 Fevereiro 2018 | 03h00

*PROFESSOR DE FILOSOFIA NA UFRGS;



https://www.institutomillenium.org.br/artigos/e-o-brasil/


https://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,e-o-brasil,70002194364

« Última modificação: 12 de Fevereiro de 2019, 08:36:09 por JJ »

Offline Sergiomgbr

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Re:Liberalismo
« Resposta #487 Online: 11 de Fevereiro de 2019, 17:56:35 »
Achei o texto bem enviesado, cabendo no mínimo muitos esclarecimentos sobre vários subtextos ali contidos. Parece ser uma forma sem vergonha de fazer jornalismo, no mais puro exemplo de noticia factóide esquerdopatóide.
Até onde eu sei eu não sei.

Offline Cinzu

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Re:Liberalismo
« Resposta #488 Online: 11 de Fevereiro de 2019, 23:21:09 »
Utilidade pública:

Citar
1. Os juros da dívida não consomem metade do orçamento do governo federal.

2. Um salário de R$ 3.500 já é suficiente para colocar um brasileiro no topo da pirâmide social, entre os 10% mais ricos do país.

3. Não é possível criar riqueza apenas imprimindo dinheiro.

4. Não há socialismo na Escandinávia. Há o exato oposto: propriedade privada, livre comércio, rule of law e liberdades individuais. Segundo o Banco Mundial, a Dinamarca é o 3º país mais fácil do mundo para uma empresa privada fazer negócios e a Noruega é o 7º (ambos à frente dos Estados Unidos); a Suécia é o 12º e a Finlândia é o 17º. O Brasil ocupa o número 109 da lista. A Venezuela está em 188º, na antepenúltima posição - isto é socialismo.

5. O Brasil nunca esteve minimamente perto de ser um país "neoliberal". À exceção de Hungria e Polônia, há mais estatais em posse da União por aqui do que em qualquer outro país membro da OCDE, a organização que reúne as 35 nações que aceitam os princípios da economia de mercado (incluindo todos os países da Escandinávia).

6. Entre 2003 e 2015, os governos Lula e Dilma bancaram R$ 3,5 trilhões em subsídios para os empresários brasileiros, incríveis 8 vezes mais do que governos "neoliberais" poderiam levantar se vendessem para a mesma iniciativa privada todas as 168 estatais e 109 subsidiárias da União e dos estados com potencial - especialmente legal - para serem privatizadas. Nunca antes na história deste país um governo concedeu tantos benefícios aos nossos grandes empresários.

7. Entre 1994 e 2016, o Brasil viu o seu PIB per capita expandir 31%, enquanto a América Latina e o Caribe cresceram 37% e os demais países emergentes cresceram 152%. Os países membros da OCDE e os Estados Unidos, nações já desenvolvidas, também exibiram um crescimento superior no período - de 42% e 46%, respectivamente. Ou seja: se o Brasil testemunhou um crescimento econômico nas últimas duas décadas, durante os governos de PSDB e PT, ele foi menor que a média mundial - e especialmente menor comparado aos países emergentes. Afirmar que crescemos como em poucas vezes em nossa história é ignorar que jamais perdemos uma janela de crescimento tão larga como neste período.

8. De acordo com um estudo publicado por dois economistas do IPEA, um órgão público, com um auditor da Receita Federal, a concentração de renda permaneceu estável no Brasil entre 2006 e 2012. De acordo com outro estudo, feito pelo World Wealth and Income Database, a desigualdade de renda no Brasil não caiu entre 2001 e 2015. Na verdade, os 10% mais ricos da população aumentaram sua fatia na renda nacional de 54% para 55%, enquanto os 50% mais pobres ampliaram sua participação de 11% para 12% no período. Na prática, o crescimento econômico visto no país não surtiu impacto na redução da desigualdade: ele foi capturado principalmente pelos 10% mais ricos, que ficaram com 61,3% desse crescimento no período, enquanto a metade mais pobre da população apreendeu apenas 21,8% desses ganhos. A ideia que a desigualdade de renda no Brasil caiu como uma flecha nas últimas administrações federais não passa de um mito ideológico.

9. Há cerca de 23 milhões de donos de negócios no Brasil. Desse total, 13 milhões (58%) estão catalogados como “baixa renda” – ou seja, é formado por pessoas que recebem até dois salários mínimos por mês. Outros quase 6 milhões (25%) dos donos de negócios pertencem à modalidade “média renda” – recebendo de dois a cinco salários mínimos por mês. 44% dos donos de negócios no Brasil estudaram no máximo 7 anos, menos do que o necessário para terminar o Ensino Fundamental; 43% deles trabalham 10 horas por dia (na média geral, os donos de negócio no Brasil trabalham 20 horas a mais por mês que seus empregados); 51% deles nem sequer tiram férias – e entre os que tiram, apenas 3% fazem isso por quatro semanas seguidas, como o trabalhador com carteira assinada. Todo discurso em torno da ideia de que os donos de negócios brasileiros são ricos, preguiçosos e gananciosos é lenda urbana e não resiste ao menor escrutínio dos fatos.

10. O Estado brasileiro não atua para diminuir a nossa desigualdade. Pelo contrário, ele colabora para tornar o Brasil mais desigual. Segundo o Ipea, proporcionalmente o Estado brasileiro contribui mais para a desigualdade que o mercado de trabalho privado: um terço da desigualdade de renda do país pode ser diretamente atribuído a ele. O estudo afirma que se o Brasil tivesse uma participação menor do Estado na renda líquida nacional, e uma maior parcela do mercado de trabalho privado, a nossa desigualdade diminuiria. Todos os nossos programas sociais somados colaboram para diminuir a nossa desigualdade em apenas 1%. Toda a máquina estatal necessária para a manutenção de um Estado de bem estar social, no entanto, custa muito mais do que o próprio objeto de bem estar social: em 2017, 24 dos 27 estados brasileiros gastaram mais da metade da arrecadação líquida apenas com seus servidores ativos ou aposentados (em alguns deles, como Roraima, os servidores chegam a consumir 77% da arrecadação). Tudo isso é uma bomba prestes a estourar no seu colo nos próximos anos. E há uma boa chance de você ainda não ter sido bem informado sobre isso.

Fontes, estudos e matérias sobre estes assuntos:
1. https://www1.folha.uol.com.br/.../1945966-juros-da-divida...
2. https://www.nexojornal.com.br/.../O-seu-sal%C3%A1rio...
3. http://porque.uol.com.br/imprimir-dinheiro-causa.../...
4. http://portugues.doingbusiness.org/pt/rankings
5. https://fgvprojetos.fgv.br/.../arqu.../marcio_holland.pdf...
6. https://economia.estadao.com.br/.../geral,governo-bancou...
https://www1.folha.uol.com.br/.../1950249-privatizacao-de...
7. http://www.bibliotecas.sebrae.com.br/.../$File/5772.pdf
https://revistapegn.globo.com/.../empreendedor-brasileiro...
https://www.em.com.br/.../jornada-de-trabalho-fecha-ano...
http://wp.clicrbs.com.br/.../quase-metade-dos.../...
8. https://www.oliverwyman.com/.../panorama-brasil-paper1-pt...
9. https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2479685
https://wid.world/.../extreme-persistent-inequality.../...
10. http://www.ipea.gov.br/.../stories/PDFs/TDs/td_1844b.pdf
https://g1.globo.com/.../gasto-com-servidores-ativos-e...
"Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar"

Offline JJ

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Re:Liberalismo
« Resposta #489 Online: 13 de Fevereiro de 2019, 09:35:02 »
Achei o texto bem enviesado, cabendo no mínimo muitos esclarecimentos sobre vários subtextos ali contidos. Parece ser uma forma sem vergonha de fazer jornalismo, no mais puro exemplo de noticia factóide esquerdopatóide.



Coloque um bom  óculos  liberal / libertário  que você enxergará ali uma enorme oportunidade de atacar o socialismo e/ou estatismo.  Você está enxergando esquerdismo onde poderia estar enxergando uma grande oportunidade antiesquerda e antiestado.

O óculos (ideológico/mental)  que você está usando está invertendo a sua visão e a sua possível conclusão e lição que pode tirar do texto.

Eu não coloquei esse texto aqui por acaso,  muito pelo contrário, bem enxergado, com o óculos certo,  ele é um  tiro   :armado:   no socialismo e/ou estatismo.






« Última modificação: 13 de Fevereiro de 2019, 10:01:59 por JJ »

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Re:Liberalismo
« Resposta #490 Online: 13 de Fevereiro de 2019, 10:13:16 »



Sergiomgbr, coloque o óculos certo, o óculos liberal e/ou libertário,   releia o texto, e veja a oportunidade.

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Re:Liberalismo
« Resposta #491 Online: 13 de Fevereiro de 2019, 12:38:04 »
Nungódiusáócros.
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Re:Liberalismo
« Resposta #492 Online: 14 de Fevereiro de 2019, 19:12:30 »

LIBERALISMO NO BRASIL[1]

 

A palavra liberal vem do latim LIBER (“livre”). No sentido original, o termo refere-se a uma filosofia política que tenta limitar o poder político, defendendo e apoiando os direitos individuais. Tais idéias surgiram com os pensadores iluministas do século XVIII,  como John Locke e Montesquieu, que tentaram estabelecer os limites do poder político ao afirmarem que existiam direitos naturais e leis fundamentais de governo que nem os reis poderiam ultrapassar sob o risco de se transformarem em tiranos.

         Tais pensamentos combinavam com a idéia de que a  liberdade comercial iria ser benéfica a todos. Tal idéia foi posteriormente associada com a defesa do capitalismo. O liberalismo econômico pregava o fim da intervenção do Estado na produção e na distribuição das riquezas, o fim das medidas protecionistas e dos monopólios e defendia a livre concorrência entre as empresas. Foi defendido por pensadores como Adam Smith, Malthus e David Ricardo.

         No Brasil, as idéias liberais chegaram no início do século XIX, tendo maior influência a partir da Independência de 1822. Para Costa (1999), o liberalismo brasileiro só pode ser entendido com referência à realidade brasileira. Os principais adeptos foram homens interessados na economia de exportação e importação, muitos proprietários de grandes extensões de terra e escravos. Ansiavam por manter as estruturas tradicionais de produção, libertando-se do jugo de Portugal e ganhando espaço no livre-comércio. Esta elite tencionava manter as estruturas sociais e econômicas. Após a independência, os liberais tencionavam ampliar o poder legislativo em detrimento do poder real.

      Durante o período Imperial teremos a formação de dois grupos políticos distintos no Brasil: liberais e conservadores. Os primeiros defendiam um sistema de educação livre do controle religioso, uma legislação favorável à quebra do monopólio da terra e favoreciam a descentralização das províncias e municipios. Os conservadores opunham-se a essas idéias. Todo o período imperial foi marcado por tensões e conciliações entre os dois grupos. Vários conservadores passaram para o lado liberal e como também vários liberais foram responsáveis por  fundar o Partido Republicano no final deste período.

     Ainda para Costa (1999), os liberais brasileiros foram incapazes de realizar os ideais do liberalismo pois estes transcendiam a política. Nenhuma das reformas que os liberais realizaram eliminou o conflito entre a retórica liberal e o sistema de patronagem. As reformas defendiam apenas os seus interesses comerciais e a manutenção da exploração do trabalho.

     Segundo Carvalho (2003), temos que distinguir dois tipos de liberalismo no Brasil: aquele ligado aos proprietários rurais e aquele dos profissionais urbanos. Estes últimos só apareceram a partir da década de 1860, com o maior desenvolvimento urbano e o aumento das pessoas letradas. Neste meio urbano, o liberalismo clássico dos direitos individuais teve melhores condições de se desenvolver.

 

Bibliografia:



CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem. A elite política imperial. 3a. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,2003.

COSTA, Emília Viotti da. Da Monarquia à República. 7a. ed. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1999.

ROCHA, Marlos Bessa Mendes. Matrizes da modernidade republicana. Cultura política e pensamento educacional no Brasil. Campinas: Autores Associados; Brasília: Editora Plano, 2004



 
http://www.histedbr.fe.unicamp.br/navegando/glossario/verb_c_liberalismo.htm



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Re:Liberalismo
« Resposta #493 Online: 15 de Fevereiro de 2019, 00:11:53 »
“História do Liberalismo Brasileiro”: a aventura liberal nas plagas tupiniquins


Não é segredo que existe uma tessitura autoritária na sociedade brasileira, com longeva ancestralidade e persistência encarniçada. Temos, entretanto, ao mesmo tempo, uma tradição liberal também muito antiga, que não deixou de exercer importantes influências e se fazer registrada em nobres páginas de nossa História.

O hoje nonagenário pensador Antônio Paim procurou oferecer uma síntese já clássica dessas páginas em seu livro História do Liberalismo Brasileiro, de 1998. Agora, vinte anos depois, a LVM Editora traz à tona uma belíssima edição atualizada, com os fatos novos, autores e processos que eclodiram até outubro de 2017 e o público interessado no liberalismo não pode deixar de conferir.

Tivemos a honra imperecível de redigir o texto de orelha desta nova edição e, mais ainda, de termos nosso nome como personagem – a última seção do livro, abordando os autores contemporâneos, termina analisando nosso livro de estreia, Guia Bibliográfico da Nova Direita. Não é, nem de longe, apenas pela eterna gratidão por tão generosa referência que divulgamos este clássico; é porque, como dissemos em nosso texto de orelha, “o atual movimento brasileiro, em todas as suas tendências, fará bem em se inspirar nos gigantes que, desde a singular experiência monárquica do século XIX, passando pelos eclipses autoritários e interregnos de esforço democrático da República, se digladiaram com os vícios da cultura do país para conversar com ela, no interesse de dignificar o indivíduo e instaurar a prosperidade”. Paim desvela justamente “a epopeia do relacionamento difícil, porém essencial, do liberalismo com a brasilidade”.

Paim começa sua obra abordando a influência do Marquês de Pombal e suas reformas que, encaminhando Portugal e Brasil no rumo do Estado Moderno, entronizaram nossa cultura política, porém, com um problemático substrato cientificista e praticamente mercantilista. Em circunstâncias em que era o Brasil ainda colônia, posteriormente Reino Unido, Paim descreve a desorientação dos movimentos nativistas, como a Inconfidência Mineira, influenciados pelo espírito iluminista da época, mas desconectados de teses realmente sofisticadas de sistema representativo, capazes de estabelecê-lo e enraizá-lo no país.

Antes da Independência, já delineando a formação das principais correntes históricas de pensamento influenciadas pelo liberalismo, do que chama de liberalismo moderado e liberalismo conservador até o liberalismo exaltado, degenerando no radicalismo democratista rousseuaniano, Paim ressalva três grandes marcos iniciais: Hipólito da Costa, o patrono da imprensa brasileira, que, com seus textos no jornal Correio Braziliense, gradativamente expôs suas ideias liberais clássicas até defender a emancipação do Brasil; o Liberalismo doutrinário francês – também constantemente apontado pelo professor Ricardo Vélez Rodríguez como influência decisiva na elite monárquica nacional -, uma corrente política que pretendia administrar transformações na sociedade francesa sem investir no radicalismo jacobino, mas também sem recuar ao Antigo Regime; e finalmente Silvestre Pinheiro Ferreira, que fora ministro de D. João VI e também era conhecido por suas ideias liberais.

Destacamos a análise e a inserção do pensamento deste último no processo histórico-constitucional brasileiro como uma das maiores originalidades da obra de Paim. Em Pinheiro Ferreira ele encontrará o berço da inspiração para um entendimento liberal que vigorou na política monárquica, “contraposto tanto ao democratismo (que chegou a ser denominado de liberalismo radical) quanto ao conservadorismo católico que em parte evoluiria para renegar o liberalismo”, entendimento que ainda sofria influências do liberal francês Benjamin Constant.

Sua peculiaridade é a compreensão do sistema representativo como um sistema em que se representam os interesses, e não o povo em geral como uma massa amorfa e homogênea. A tese de Paim é de que esse conceito, compreendido pelos “liberais moderados” da Regência, que depois deram origem aos saquaremas (conservadores) e luzias (liberais), isto é, à elite liberal predominante depois da abdicação de D. Pedro I, foi relevante para a elevada duração do Segundo Reinado. Esse conceito não foi depois bem assimilado, nem mesmo pelos principais liberais do alvorecer da República, o que facilitou a multiplicação de rupturas institucionais nesta fase de nossa História.

Repassando os principais temas políticos da monarquia brasileira, que serão reconhecidos por qualquer um que esteja minimamente familiarizado com esse período histórico – estão quase todos lá: a dificuldade de adaptação das elites nacionais a um sistema constitucional-representativo, a crise do Primeiro Reinado, o Ato Adicional de 1834, a Lei Interpretativa, o Regresso, a polêmica quanto à referenda ou não dos atos do Poder Moderador, a existência ou não do Conselho de Estado, a evolução institucional com a criação do cargo de presidente do Conselho de Ministros, a crise do gabinete de Zacarias de Góes e Vasconcelos que prenuncia o ocaso do Império -, Paim introduz uma reavaliação necessária do reinado de D. Pedro II, para ele “um momento singular, insuficientemente admirado em decorrência da feição autoritária e antiliberal assumida pela República”.

Já penetrando então os dramas do ciclo inaugurado pelo marechal Deodoro, entre debates sobre o sistema político, as perspectivas de reforma e uma crítica à adoção, desde a República de 1946, do voto proporcional, Paim passeia pelos principais relances liberais em uma realidade singularmente hostil aos seus reclames. Na República Velha, descrevendo a problemática dos debates sobre o Judiciário, ele destaca a figura inolvidável de Rui Barbosa, o gaúcho Assis Brasil em sua luta contra o autoritarismo castilhista e o paulista João Arruda como um dos precursores teóricos do que viria a ser, futuramente, a União Democrática Nacional (UDN), com seu lema “o preço da liberdade é a eterna vigilância”.

Antes da UDN, viria, também em São Paulo, desafiando as tendências centralizadoras e castilhistas que triunfarão na década de 30, Armando de Sales Oliveira e seus Partido Democrático e União Democrática Brasileira, também prenúncios da UDN. Atravessando o tenebroso eclipse da Era Vargas e da ditadura estadonovista, põe-se então Paim a expor a própria UDN, suas qualidades e contradições, suas vinculações com os militares, culminando no movimento de 1964 que, sob influxo e inicialmente em parceria com alguns de seus próceres, acaba por canibalizá-los.

Introduz aí uma ponderação pessoal, certamente a mais polêmica e discutível de seu trabalho, mas que não é estranha a alguns de nossos teóricos liberais brasileiros: a de que precisaríamos absorver certos elementos das teses de John Maynard Keynes e de que o seu desconhecimento teria sido prejudicial às gerações liberais do pós-guerra. É um elemento que tende a ser incômodo aos que se afinizam com as ideias da Escola Austríaca de economia, por exemplo, mas que não perturbará em nada a experiência enriquecedora da leitura.

Paim descreve o esvaziamento liberal do regime militar e as tentativas posteriores de rearranjo, como o Partido da Frente Liberal, até chegar ao presente. Elenca figuras historicamente mais recentes, como o fundador do Instituto Liberal, Donald Stewart Jr., o notável social liberal José Guilherme Merquior ou o intrépido Roberto Campos, e nossos contemporâneos, como Rodrigo Constantino, Hélio Beltrão, Alex Catharino, Bruno Garschagen e o autor deste texto.

Com prefácio do próprio Catharino e posfácio do corajoso político gaúcho liberal Marcel Van Hattem, o livro de Paim é um compêndio importante da epopeia liberal brasileira, dando destaque à sua dimensão teórica, isto é, ao que pensaram, elaboraram e escreveram seus agentes. É uma história política, mas também sumamente intelectual. Atravessando suas linhas com espírito de curiosidade e respeito pelas grandes obras do tempo, o leitor só terá a ganhar em compreender melhor aqueles que, muito antes de nós, já desfraldavam neste colosso as bandeiras da liberdade.


https://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/historia-liberalismo-brasileiro-aventura-liberal-nas-plagas-tupiniquins/



Offline Sergiomgbr

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« Resposta #494 Online: 15 de Fevereiro de 2019, 00:24:01 »
É muito papo e nenhuma ação. Liberal ,anti liberal, esquerda isso esquerda aquilo direita conservadora, libertário, neoliberal... o escambau, Muito rótulo, muito estudo acadêmico, muito bate boca, nenhuma ação, teses e mais teses com intermináveis acepções sobre tudo na qual nada se constrói.

Muito se fala sobre tudo sem no entanto nunca ser movida uma palha. Parece que só se movem os corruptos e espertalhões. É bem aquele famoso aforismo; os cães ladram, a caravana passa.
« Última modificação: 15 de Fevereiro de 2019, 00:27:21 por Sergiomgbr »
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« Resposta #495 Online: 15 de Fevereiro de 2019, 08:27:17 »
É muito papo e nenhuma ação. Liberal ,anti liberal, esquerda isso esquerda aquilo direita conservadora, libertário, neoliberal... o escambau, Muito rótulo, muito estudo acadêmico, muito bate boca, nenhuma ação, teses e mais teses com intermináveis acepções sobre tudo na qual nada se constrói.

Muito se fala sobre tudo sem no entanto nunca ser movida uma palha. Parece que só se movem os corruptos e espertalhões. É bem aquele famoso aforismo; os cães ladram, a caravana passa.



1) Cada pessoa age dentro de seu entusiasmo e de suas possibilidades, incluindo dentro de suas possibilidades financeiras e de de disponibilidade de tempo (que também tem a ver com possibilidades  e satisfação financeira já preenchida);


2) Uma pessoa pode ter muito entusiasmo por ideias liberais,  mas pode ter pouco  tempo disponível para trabalhar diretamente pela sua divulgação , apesar de ter dinheiro suficiente para gastar com isso;


3) Outra pessoa pode ter  muito entusiasmo por ideias liberais,  mas pode ter pouco dinheiro  disponível para alocar diretamente em atividades de divulgação, apesar de ter  tempo  suficiente para gastar com isso;


4) Outra pessoa pode ter  muito entusiasmo por ideias liberais,  mas pode ter pouco dinheiro  disponível para alocar diretamente em atividades de divulgação,  e também  pouco  tempo   para gastar com isso;


4) Há pessoas que tem pouco  dinheiropouco  tempo disponível para gastar com a divulgação de ideias liberais, e que apesar de ter vontade de divulgar não tem condições suficientes necessárias para isso;


5) Há pessoas que tem dinheiro suficiente e um  tempo disponível suficiente para gastar com a divulgação de ideias  não   liberais ,  como por exemplo o Bannom.  O cara tem grana e tempo suficientes, para gastar na divulgação e organização de  ideias que ama  (que tem muito entusiasmo por elas).






« Última modificação: 15 de Fevereiro de 2019, 08:50:20 por JJ »

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« Resposta #496 Online: 15 de Fevereiro de 2019, 08:34:07 »
Instituto Mises Brasil


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


IMB

IMBlogo2015.png

Razão social   Instituto Ludwig von Mises Brasil

Tipo

Organização não governamental

Fundação   novembro de 2007

Fundador(es)   Hélio Coutinho Beltrão

Sede   Itaim Bibi, São Paulo

Presidente   Helio Coutinho Beltrão

Pessoas-chave   Ubiratan Jorge Iorio; Fabio Barbieri; Bruno Garschagen; Rodrigo Saraiva Marinho; Fernando Ulrich; Geanluca Lorenzon.
Website oficial   mises.org.br


Instituto Ludwig von Mises Brasil,[1] simplesmente Instituto Mises Brasil,[2] ou abreviado IMB,[1] é um think-tank[3] libertário[4][5][6] brasileiro voltado à "produção e à disseminação de estudos econômicos e de ciências sociais que promovam os princípios de livre mercado e de uma sociedade livre".[7] Segundo a revista Forbes,[8][9] seria um think tank destinado a advogar a adoção do liberalismo econômico no mundo.


Oficialmente o instituto possui como método de ação a divulgação do pensamento da Escola Austríaca, à qual pertence o economista Ludwig von Mises, que lhe dá nome. No entanto, alguns apontam que o instituto tende a "uma perspectiva mais radical" das ideias liberais, "tendendo mais para as ideias do filósofo anarco-capitalista americano Murray Rothbard do que propriamente para a obra do economista austríaco que dá nome à instituição".[10]


Apesar da existência do Instituto Ludwig von Mises nos Estados Unidos, o IMB não está subordinado a ele. Em abril de 2018, o Instituto Mises Brasil foi considerado pelo quarto ano consecutivo pela Forbes como o think-tank liberal de maior influência digital do mundo fora dos EUA.[11][12][13]


Índice
1   Estrutura
2   Eventos
2.1   Conferência de Escola Austríaca
3   Ensino
3.1   Pós-Graduação em Escola Austríaca
3.2   Cursos de Extensão
3.3   Summer School Mises Brasil
3.4   Revista Acadêmica
4   Publicações
4.1   Lançamentos Principais
5   Prêmios
5.1   Oferecidos
5.2   Recebidos
6   Posicionamento Político
7   Polêmicas
7.1   Disputa pela marca Mises Brasil
7.2   Disputa com fundadores
8   Ver também
9   Referências

Estrutura

O IMB é sediado em São Paulo, no Itaim Bibi.[1] A estrutura é formada por dois conselhos soberanos, sendo um de Administração e um Fiscal, sendo que aquele elege a Diretoria.[7] A Diretoria é presidida por Helio Coutinho Beltrão.[14]

Eventos

Conferência de Escola Austríaca

Em 2010, o IMB organizou o I Seminário de Economia Austríaca. As palestras ocorreram nos dias 11 e 12 de abril, em Porto Alegre.[15] Entre os palestrantes havia economistas estrangeiros, tais como Lew Rockwell, Joseph Salerno, Mark Thornton e Thomas Woods, além de David Friedman (filho de Milton Friedman) e Patri Friedman, filho de David. Entre os representantes brasileiros encontravam-se Ubiratan Iorio, Rodrigo Constantino, Fábio Barbieri e Antony Mueller.[16] A mídia classificou o seminário como "uma visão ainda mais liberal"[17] e uma "defesa do ultraliberalismo".[18]


O II Seminário de Economia Austríaca ocorreu em abril de 2011, também na cidade de Porto Alegre, tendo como figura principal o pensador libertário norte-americano Hans-Hermann Hoppe.


O III Seminário de Economia Austríaca ocorreu nos dias 12 e 13 de maio de 2012 na cidade de São Paulo, no prédio da Fecomércio. O evento foi renomeado para Conferência da Escola Austríaca pelos seus organizadores. Importantes figuras internacionais participaram do evento, como Peter Schiff e Walter Block.[19]


O IV Seminário ocorreu em setembro de 2014, ocasião em que o Instituto trouxe ao Brasil o ex-candidato republicano Ron Paul.[20]


Durante o Fórum da Liberdade de 2016, promovido pelo IEE, o Presidente Hélio Coutinho Beltrão anunciou a realização V Conferência de Escola Austríaca, prevista para o primeiro semestre de 2017.[21] A V Conferência de Economia Austríaca ocorreu nos dias 12 e 13 de maio de 2017 na cidade de São Paulo, no Campus Higienópolis da Universidade Presbiteriana Mackenzie. O Evento contou com palestrantes nacionais e internacionais, como Stephan Kinsella, Yuri Maltsev, Andy Duncan, Paulo Scarano, Leandro Roque, Hélio Beltrão, Fernando Ulrich, Adriano Gianturco, Fabio Barbieri, Bruno Garschagen entre outros.[22]




https://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_Mises_Brasil



« Última modificação: 15 de Fevereiro de 2019, 08:59:44 por JJ »

Offline JJ

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Re:Liberalismo
« Resposta #497 Online: 15 de Fevereiro de 2019, 08:55:49 »



O Hélio Coutinho Beltrão  é um dos que merecem  menção honrosa  neste campo de divulgação de ideias liberais,  o instituto Mises é realmente um  trabalho  magnífico.  Com certeza o instituto Mises foi e é muito importante na divulgação  das  ideias liberais no Brasil. 



 :woohoo: :woohoo:

 

Offline JJ

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Re:Liberalismo
« Resposta #498 Online: 16 de Fevereiro de 2019, 15:51:05 »




Não é esquerda vs direita. É individualismo vs coletivismo.


O debate esquerda contra direita produz muito pouca informação e contraste já que os dois lados frequentemente assumem argumentos coletivistas, tornando sua distinção muito difícil em vários casos. Em casos como o fascismo e o socialismo, existe pouco contraponto, o que confunde ainda mais.


A real análise que deve ser feita é: as normas que vão reger a sociedade devem proteger os indivíduos ou o coletivo? Esquerda e direita frequentemente concordam que numa sociedade o indivíduo deve ser submisso ao coletivo, enquanto liberais defendem que o indivíduo não pode ser submetido ao coletivo pois isso é contraditório, e acabaria numa submissão de todos a todos, o que não faz sentido lógico.


O real contraponto a ser feito a situação política atual não é como o estado deve reger a sua vida e cuidar da sua propriedade, mas sim se ele deve fazer isso ou não. Que ele "deve" é ponto morto entre esquerda e direita, ambos concordam que deve, apenas discordam em método e intensidade.


O que devemos debater não é o próximo plano mágico e fantástico do estado, mas que autoridade ele possui, e quem a deu a ele, para obrigar todos nós a seguir esse plano, mesmo que não tenhamos consentido com absolutamente nada.



Offline Peter Joseph

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Re:Liberalismo
« Resposta #499 Online: 16 de Fevereiro de 2019, 23:29:21 »

O pensamento Aristocrático (e racista) de Ludwig von Mises

Por André Guimarães Augusto (confira artigo completo com referências)

Von Mises admiteVon Mises admite que o liberalismo clássico fundava-se na igualdade natural de todos os homens; as desigualdades seriam fruto das condições sociais. Esse argumento do liberalis­mo clássico encontra-se em Adam Smith, por exemplo. Ao tratar da divisão do trabalho, Smi­th admite que todos os homens têm as mesmas capacidades e que não há diferença natural en­tre um filósofo e um carregador. Smith recorre à comparação entre pessoas antes e depois da idade de trabalhar e entre países com divisão do trabalho pouco desenvolvida e mais desenvolvi­da para validar sua afirmação de que as diferen­ças de capacidades são causadas pela divisão do trabalho (Smith, 1985, p. 483).

Von Mises afirma que os homens são natural­mente desiguais e que, mesmo entre irmãos, há desigualdade de capacidades físicas e mentais (von Mises, 1985, p. 27). Afirma também o cará­ter hierárquico dessa diferença, sentenciando que a partir da desigualdade natural, “Podemos – sem nenhum juízo de valor – distinguir entre homens superiores e inferiores” (von Mises, 1990a, p. 21). Note-se a falácia no argumento de von Mises, uma vez que as diferenças entre indivíduos ou grupos humanos não implica necessariamente a superioridade in toto de uns sobre outros. Para deduzir a suposta superioridade das diferenças, von Mises inclui um juízo de valor implícito".

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Leia na íntegra: https://criticaontologica.wordpress.com/2019/02/16/o-pensamento-aristocratico-e-racista-de-ludwig-von-mises/
« Última modificação: 16 de Fevereiro de 2019, 23:31:45 por Peter Joseph »
"Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente." - Krishnamurti

"O progresso é a concretização de Utopias." – Oscar Wilde
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