Autor Tópico: Publicações científicas que passam trote nas revistas  (Lida 1098 vezes)

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Offline Gabarito

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Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Online: 24 de Maio de 2017, 09:09:03 »
Tópico para publicações científicas que dão um trote nas revistas da área.
Trabalhos científicos "revisados por pares" que conseguem passar pelo filtro dessas revistas e entram de penetra na festa dos estudos sérios.
Estaria para o humor assim como o Prêmio Darwin, no mesmo meio científico.


Offline Gabarito

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #1 Online: 24 de Maio de 2017, 09:10:53 »
O Pênis Conceitual?
Vai uma alfinetada naquele linguajar dos Justiceiros Sociais, ideologia de gênero, patriarcado, "emponderamento" e esses modismos pedantes:

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O pênis conceitual
24/05/2017 02h00
hélio schwartsman

SÃO PAULO - Chega de crise, hoje vamos nos divertir um pouco.

O pênis é uma construção social concebida para oprimir mulheres e outras categorias de gênero e é um dos operadores conceituais da mudança climática. Louco, não? Com certeza, mas um artigo com 3.000 palavras defendendo ideias desse quilate em linguagem empolada, que busca imitar textos pós-estruturalistas, acaba de ser publicado num periódico de ciências humanas de acesso aberto e com revisão por pares, o "Cogent Social Sciences" (CSS).

Sim, os editores da revista se deixaram apanhar num trote nos moldes do célebre caso Sokal. Os autores do chiste, Peter Boghossian e James Lindsay, procuraram reunir o máximo de pseudoargumentos que não fazem o menor sentido num só texto e o submeteram ao CSS, que o aceitou e publicou. Vale a pena reproduzir uma frase para dar o gostinho do artigo: "A hipermasculinidade tóxica extrai sua significância diretamente do pênis conceitual e se dedica a apoiar o materialismo neocapitalista, que é um dos principais operadores da mudança climática". O site da revista "Skeptic" traz uma boa reportagem sobre o caso.

É fácil creditar o vexame à falta de rigor das ciências humanas, especialmente em suas vertentes mais ideológicas como os estudos de gênero. Isso pode ser parte do problema, mas é importante lembrar que as ciências duras também têm seu estoque de fiascos. Em 2013, John Bohannon, da "Science", submeteu múltiplas versões de um artigo científico verossímil mas com erros metodológicos gritantes para 304 periódicos de acesso aberto que diziam contar com "peer review". Tudo bem que as publicações de acesso aberto não são a elite dos periódicos, mas os números assustam mesmo assim: 157 aceitaram o texto, 98 o rejeitaram e o restante não respondeu em tempo.

Talvez seja precipitado falar em crise das ciências, mas dá para falar numa crise do modelo de "journals".


Offline Gabarito

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #2 Online: 24 de Maio de 2017, 09:11:09 »
Caso citado no artigo anterior, o Caso Sokal:

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Caso Sokal
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O caso Sokal (ou escândalo Sokal) foi um escândalo ocorrido no meio acadêmico durante a segunda metade da década de 1990. O caso eclodiu em 1996, quando o físico Alan Sokal publicou um artigo-embuste na revista Social Text (publicada pela Duke University Press), publicação de estudos culturais até então conhecida por seu caráter “pós-moderno”.

Professor de Física na Universidade de Nova Iorque, Sokal submeteu o artigo à publicação como um experimento para ver se um jornal desse tipo iria “publicar um artigo generosamente temperado com nonsense se (a) o artigo soasse bem e (b) o artigo exaltasse as concepções ideológicas dos editores”.[1]

O artigo, intitulado “Transgressing the Boundaries: Towards a Transformative Hermeneutics of Quantum Gravity”[2] (em português, “Transgredindo as fronteiras: em direção a uma hermenêutica transformativa da gravitação quântica”), foi publicado na edição de “Guerras da Ciência” da Social Text e argumentava que a gravidade quântica seria uma construção social e linguística. Na época, a revista não contava com um processo de revisão por pares e não submeteu o artigo a revisores.[3] Na época da publicação, Sokal anunciou em outra publicação - Lingua Franca - que o artigo era uma fraude, qualificando-o como “um pasticho de jargões esquerdistas, referências aduladoras, citações pomposas e completo nonsense", tendo sido “estruturado em torno das citações mais tolas que eu pude encontrar sobre Matemática e Física” feitas por acadêmicos pós-modernos.

A ficção científica já havia previsto casos semelhantes. Um exemplo é a obra The Number of the Beast, de Robert A. Heinlein, em que o protagonista Zebadiah Carter obtém o doutorado mediante uma tese deliberadamente construída sem conteúdo.[4]


Offline Buckaroo Banzai

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #3 Online: 24 de Maio de 2017, 19:21:01 »
O pior é que a picaretagem pós-modernista não acaba mesmo assim.

Um ano ou dois atrás foi publicado, e em alguma publicação de grande respeito -- acho que uma das "grandes duas", Nature ou Science, ou sub-versões delas -- um artigo sobre "glaciologia feminista".

É simplesmente um insulto ao bom-senso.

https://whyevolutionistrue.wordpress.com/2016/03/13/postmodern-glacier-professor-defends-his-study-says-it-was-misunderstood-it-wasnt/

Acho que feministas "de verdade" deveriam ver como ofensivas essas tentativas de usar o tópico para posar de "progressista com concernimentos". Se bem que aparentemente é praticamente só isso que restou, uma tomada geral do rótulo por gente no mimimi-business.

Offline Gabarito

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #4 Online: 25 de Maio de 2017, 19:37:50 »
Quase uma publicação científica, mas uma dissertação de mestrado:


Não é bem uma noticia bizarra, ou é? Na falta de topico melhor posto aqui. Acho que caberia tmabem naquele topico de arte contemporanea.
Isso tudo abaixo é uma dissertaçao de mestrado  :histeria:

https://ceticismo.net/2017/05/20/academia-de-inumanas-reforcando-idiotas-na-area-da-educacao/




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Academia de Inumanas: Reforçando idiotas na área da Educação
sábado, 20 de maio de 2017   Ceticismo, Ciência, Comportamento, Cultura, Filosofia, História, Idiocracia, Mitos Desmascarados, Pseudociência, Tecnologia   25 Comentários
Escrito por: André

Volta e meia me criticam porque eu “persigo” os coitadinhos dos departamentos de Humanas (não, nenhuma ciência aqui. Sorry). Afinal, eles também desenvolvem conhecimento, ajudam a melhorar o mundo, faz o ser amado voltar em 3 dias, caminha sobre as águas e cura sua espinhela caída. Entretanto, quando vemos os trabalhos, dissertações e teses, vemos o lixo pseudointelectual que produzem. Não, o Tedson, que ganhou 30 mil reais para ficar fazendo sexo oral em banheirão púbico, não é algo raro.

Me mostraram, por exemplo, uma bela dissertação de uma mestranda em Educação. O trabalho é… interessante e nos mostra como as Universidades hoje estão um lixo, e antes que você diga, não, não foi uma universidade particular, mas federal.

A dissertação tem o título: Uma educação esquizita. Uma formação bricoleur processo ético e estético e político e econômico (sic).

Bricoleur é definido como “amador de bricolage, pau pra toda obra, manhoso, faz-tudo”. Ou seja, a pesquisa foi feita com amadorismo? Pode ser. Vamos ver no resumo sobre o que é:

Citar
    Meu tema é o instante? meu tema de vida. Procuro estar a par dele, divido-me milhares de vezes em tantas vezes quanto os instantes que decorrem, fragmentária que sou e precários os momentos – só me comprometo com vida que nasça com o tempo e com ele cresça: só no tempo há espaço para mim. Escrevo-te toda inteira e sinto um sabor em ser e o sabor-a-ti é abstrato como o instante. é também com o corpo todo que pinto os meus quadros e na tela fixo o incorpóreo, eu corpo-a-corpo comigo mesma. Não se compreende música: ouve-se. Ouve-me então com teu corpo inteiro. Quando vieres a me ler perguntarás por que não me restrinjo à pintura e às minhas exposições, já que escrevo tosco e sem ordem. É que agora sinto necessidade de palavras – e é novo para mim o que escrevo porque minha verdadeira palavra foi até agora intocada. A palavra é a minha quarta dimensão. Hoje acabei a tela de que te falei: linhas redondas que se interpenetram em traços finos e negros, e tu, que tens o hábito de querer saber por quê – e porque não me interessa, a causa é matéria de passado – perguntarás por que os traços negros e finos? é por causa do mesmo segredo que me faz escrever agora como se fosse a ti, escrevo redondo, enovelado e tépido, mas às vezes frígido como os instantes frescos, água do riacho que treme sempre por si mesma. O que pintei nessa tela é passível de ser fraseado em palavras? Tanto quanto possa ser implícita a palavra muda no som musical…. E eis que percebo que quero para mim o substrato vibrante da palavra repetida em canto gregoriano. Estou consciente de que tudo que sei não posso dizer, só sei pintando ou pronunciando, sílabas cegas de sentido. E se tenho aqui que usar-te palavras, elas têm que fazer um sentido quase que só corpóreo, estou em luta com a vibração última. Para te dizer o meu substrato faço uma frase de palavras feitas apenas dos instantes-já. Lê então o meu invento de pura vibração sem significado senão o de cada esfuziante sílaba, lê o que agora se segue…. Ouve-me, ouve o silêncio. O que eu te falo nunca é o que te falo e sim outra coisa. Capta essa coisa que me escapa e no entanto vivo dela e estou à tona de brilhante escuridão. Um instante me leva insensivelmente a outro e o tema atemático vai se desenrolando sem plano mas geométrico como as figuras sucessivas em um caleidoscópio….Ouve apenas superficialmente o que digo e da falta de sentido nascerá um sentido como de mim nasce inexplicavelmente vida alta e leve…. Há muita coisa a dizer que não sei como dizer. Faltam as palavras. Mas recuso-me a inventar novas: as que existem já devem dizer o que se consegue dizer e o que é proibido. E o que é proibido eu adivinho. Se houver força. Atrás do pensamento não há palavras: é-se. Minha pintura não tem palavras: fica atrás do pensamento. Nesse terreno do é-se sou puro êxtase cristalino. Ése. Sou-me. Tu te és.

Primeiro, ele não diz sobre o que é. Segundo, depois dos pontos e inícios de frases a inicial não está em maiúscula. As reticências (desnecessárias) possuem, não três, mas quatro pontos. Vírgulas ou são inexistentes ou colocadas no lugar errado, entre outras coisas que fariam este “texto” ser reprovado em qualquer exame de redação em nível de Ensino Fundamental.

Reiterando: eu não alterei nada. Vou até dar o link de novo, e é da Universidade Federal de Juiz de Fora.

No abstract – que deve ser em inglês, de acordo com a ABNT, salvo seja feito em outro idioma estrangeiro, mediante consulta prévia – vem:

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You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 v You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
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 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
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 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. v You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese. You have to learn Portuguese.
 You have to learn Portuguese.

    (sic, inclusive aqueles “v”)

Lembrando que este é o Programa de Pós-graduação em Educação, financiado pelo CNPq.

Vocês acham que acabou? Que nada! Se vocês se dignarem a ver o *.pdf verão que a primeira página não é uma capa, mas…



Não perguntem (e sim, é desse jeito que está lá).

Mais uma vez é repetido o abstract em inglês conforme mostrado anteriormente (diga-se de passagem, eu pensei que fora algum erro do site, mas não).

O trabalho parece uma imensa egotrip de uma adolescente que apanha dos pais e está cheia de drogas na ideia, nada faz sentido, nada angariou de importante, não tem bibliografia, não tem conclusão, não tem estilo reconhecido pela ABNT não tem NADA! Não parecem ter consultado a página da própria UFJF que traz toda a normatização (em *.pdf), senão saberiam que as imagens têm que estar referenciadas, a capa não pode começar com um monte de fotos de diarinhos sem sentido, tem norma para as margens e NEM PENSAR ter trecho escrito com fonte tamanho 20 ou variando as fontes entre Times Roman, Arial e até Courrier (EU NÃO ESTOU INVENTANDO. Baixem o pdf e vejam por si só).

A escrita é pobre, problemas de ortografia e gramática, elementos textuais desconexos, respeito pela norma culta nula, respeito pelas normatizações desdenhadas, sem conclusão, sem sentido, sem nem dizer sobre o que é a dissertação. Mas o Tarcísio, autor desta imensa MERDA, não é o culpado. A culpa é da sua orientadora ridícula, que cagou e andou para tudo o que uma pesquisa acadêmica séria prega. A culpa é da Banca, que aceitou esta mixórdia imunda, já que orientador de hoje fará a banca de amanhã e ninguém quer correr o risco de bater de frente com quem avaliará o próprio orientando depois. A culpa é do CNPq que financia qualquer lixo, deixando pesquisas sérias sem um centavo de verba, porque o que interessa é quem pede, quem orienta como no caso da fábula da tese do coelhinho ser um grande predador.

Aí, o Governo corta a bolsa e investimento das universidades e todo mundo começa a chiar. Querem saber? TEM MAIS QUE CORTAR, MESMO! Se é pro meu dinheiro de impostos financiar este LIXO digna de enfiar na bunda do autor, que parece ter feito alguma peça de teatro de vanguarda de 3ª classe, eu prefiro que não se faça nada.

E para finalizar os 5 minutos de ódio? Este inútil é que dirá aos professores como se deve ensinar, pois ele… OOOOOOOOHHHHHHHH tem mestrado, está no doutorado e tudo isso por uma universidade federal, que ficam cagando goma por ser a melhor. Não é, nunca foi e mesmo que fosse, eu não quero ver as piores.

Offline EuSouOqueSou

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #5 Online: 26 de Maio de 2017, 21:28:25 »
Que eu saiba isso não foi um trote. Infelizmente.
Qualquer sistema de pensamento pode ser racional, pois basta que as suas conclusões não contrariem as suas premissas.

Mas isto não significa que este sistema de pensamento tenha correspondência com a realidade objetiva, sendo este o motivo pelo qual o conhecimento científico ser reconhecido como a única forma do homem estudar, explicar e compreender a Natureza.

Offline Gabarito

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #6 Online: 18 de Janeiro de 2018, 14:48:25 »
Seguindo a linha de considerar atividades escatológicas e explorações anais como divulgação científica e trabalho de mestrado e doutorado, temos a seguir a Dissertação de Mestrado da Universidade Federal de Pernambuco:





Citar
A folia dos cus prolapsados: pornografia bizarra e prazeres sexuais entre mulheres
VIANA, Luciene Galvão
URI: http://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/19150
Data: 2014-02-25

Resumo:
A “temática anal” aparece como critica as epistemologias científicas que pressupõem que neutralidade e universalidade são atributos que se estendem tanto àqueles e àquelas que produzem conhecimento quanto àquilo que é produzido. Nessa perspectiva, o cu tem sido utilizado, metaforicamente, em discussões político-epistemológicas que reivindicam a desconstrução da norma heterossexual contribuindo para a produção de saberes implicados pela erotização corporal, como também, para a criação de políticas que privilegiam o prazer anal e criticam a reprodução da divisão “norte-sul”, no âmbito das teorizações queer. No entanto, as metáforas, muitas vezes, parecem produzir certa facticidade do uso sexual anal, relacionado à penetração e à passividade. A encenação do prolapso no pornô, quase exclusivamente realizado por atrizes, nos fez questionar se a pornografia pode ir além do sentido de “pedagogia sexual” e caracterizar-se como um campo de potência imaginativa e, nesse caso, de criação de possibilidades corporais que desafiam verdades anatômicas e fisiológicas. Nos interrogarmos também sobre o fato de que a penetração anal seja comumente o único referente do prazer sexual anal e, consequentemente, a base para que se possa pensar as relações sexuais a partir da binaridade “atividade/passividade”. Assim, elegemos como objetivo primordial analisar as disposições de sexualidade e erotismo acionadas pelo prolapso pornográfico no site prolapseparty.com. O material de pesquisa constituiu-se de textos, elementos gráficos e vídeos apresentados no site Prolapseparty.com que foram problematizados a partir de uma perspectiva pós-estruturalista de inspiração Foucaultiana. Consideramos que as fantasias nesse site podem ser vivenciadas pela criação de elementos que incentivem a imaginação de que os atos sexuais podem ir além da tela do computador e fazer parte do cotidiano. Os usos sexuais do ânus, nesse sentido, não envolvem a penetração ou a inserção anal, mas, a exploração da capacidade de elasticidade e excrescência que levou-nos a argumentar que as imagens engendram “prazeres sexuais de superfície”. Outro elemento importante foi a menção à relação de proximidade entre as atrizes que funciona como forma de denotar que o deleite sexual proporcionado pelo deslocamento do reto se diferencia de um ato de “violência”. Assim, a exibição das técnicas que deslocam e criam genitálias e ânus prolapsados abdicam da naturalidade corporal e, consequentemente, enfatizam que o prazer sexual é fabricado.




Em outro tópico, eu trouxe casos semelhantes.
Listando aqui somente a introdução para haver a correlação a quem desejar pesquisar mais sobre o assunto:

Eu não sabia onde botar isso.
Vai aqui mesmo, uma vez que se trata de universidades.

Nesses tempos de divulgação dos vencedores do Nobel de 2017, temos nas notícias seguintes uma pequena mostra do que anda acontecendo nos ambientes acadêmicos brasileiros, onde deveria haver mais ênfase na pesquisa séria e que traga benefícios e avanços à sociedade:

Citar
Em universidade federal, doutorado sobre orgias gays tem “participação especial” de autor
Tese aprovada pela UFF (Universidade Federal Fluminense) traz termos chulos e imagens pornográficas

...


Agora, outras monografias inesperadas:

Citar
Dez monografias incomuns bancadas com dinheiro público
Dissertações de mestrado e teses de doutorado de universidades públicas incluem estudos sobre funkeiro Mr. Catra e vlogueiro Felipe Neto

...



Citar
Performance ousada com dendê fecha seminário internacional da Ufba

...


Offline Lorentz

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #7 Online: 18 de Janeiro de 2018, 20:09:57 »
Aí quando o governo japonês ameaça fechar cursos de humanas, por achar que tem em excesso, gastam muito e que não dão o devido retorno, um monte de intelectuais vem defender esses cursos.
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Offline JJ

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #8 Online: 19 de Janeiro de 2018, 10:13:34 »
Aí quando o governo japonês ameaça fechar cursos de humanas, por achar que tem em excesso, gastam muito e que não dão o devido retorno, um monte de intelectuais vem defender esses cursos.


Muito legal, pega-se alguns exemplos de  dissertações  estranhas que algumas pessoas de algum curso de humanas fez e daí se conclui  que todos (ou a maioria) dos cursos de humanas  não prestam e devem ser fechados.


Com esse belo raciocínio poderíamos, por exemplo, pegar  um número percentual (ainda maior) de casos de policiais que  fazem coisas erradas e concluir que todos (ou a maioria) das organizações policiais não prestam e assim deveriam ser fechadas.



Offline Gigaview

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #9 Online: 19 de Janeiro de 2018, 10:42:22 »
Essas teses estranhas não são exclusividade das ciências sociais. Alguns exemplos dentre os ganhadores do ig Nobel do ano passado.

FLUID DYNAMICS PRIZE [SOUTH KOREA, USA] — Jiwon Han, for studying the dynamics of liquid-sloshing, to learn what happens when a person walks backwards while carrying a cup of coffee. REFERENCE: "A Study on the Coffee Spilling Phenomena in the Low Impulse Regime," Jiwon Han, Achievements in the Life Sciences, vol. 10, no. 1, 2016, pp. 87-101.

PHYSICS PRIZE [FRANCE, SINGAPORE, USA] — Marc-Antoine Fardin, for using fluid dynamics to probe the question "Can a Cat Be Both a Solid and a Liquid?" REFERENCE: "On the Rheology of Cats," Marc-Antoine Fardin, Rheology Bulletin, vol. 83, 2, July 2014, pp. 16-17 and 30.

OBSTETRICS PRIZE — [SPAIN] — Marisa López-Teijón, Álex García-Faura, Alberto Prats-Galino, and Luis Pallarés Aniorte, for showing that a developing human fetus responds more strongly to music that is played electromechanically inside the mother's vagina than to music that is played electromechanically on the mother's belly. REFERENCE: "Fetal Facial Expression in Response to Intravaginal Music Emission," Marisa López-Teijón, Álex García-Faura, and Alberto Prats-Galino, Ultrasound, November 2015, vol. 23, no. 4, pp. 216–223. REFERENCE: "Fetal Acoustic Stimulation Device," patent ES2546919B1, granted September 29, 2015 to Luis y Pallarés Aniorte and Maria Luisa López-Teijón Pérez.

E aí? Vamos fechar o que?

Além disso, também é preciso entender melhor qual é o "devido retorno". Se for unicamente  financeiro, então é melhor desativar muita coisa. Se for outro, qual é o critério? Quem estabelece?
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Offline Lorentz

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #10 Online: 19 de Janeiro de 2018, 12:34:40 »
Aí quando o governo japonês ameaça fechar cursos de humanas, por achar que tem em excesso, gastam muito e que não dão o devido retorno, um monte de intelectuais vem defender esses cursos.


Muito legal, pega-se alguns exemplos de  dissertações  estranhas que algumas pessoas de algum curso de humanas fez e daí se conclui  que todos (ou a maioria) dos cursos de humanas  não prestam e devem ser fechados.


Com esse belo raciocínio poderíamos, por exemplo, pegar  um número percentual (ainda maior) de casos de policiais que  fazem coisas erradas e concluir que todos (ou a maioria) das organizações policiais não prestam e assim deveriam ser fechadas.




O problema é que o curso de humanas no Brasil e em menor escala no mundo tem gerado pouquíssimo conhecimento concreto. Não há grandes avanços na área, e vários pesquisadores estão até começando a ignorar a metodologia científica, talvez por perceber que ela atrapalha os estudos.
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Offline Lorentz

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #11 Online: 19 de Janeiro de 2018, 12:37:54 »
Essas teses estranhas não são exclusividade das ciências sociais. Alguns exemplos dentre os ganhadores do ig Nobel do ano passado.

FLUID DYNAMICS PRIZE [SOUTH KOREA, USA] — Jiwon Han, for studying the dynamics of liquid-sloshing, to learn what happens when a person walks backwards while carrying a cup of coffee. REFERENCE: "A Study on the Coffee Spilling Phenomena in the Low Impulse Regime," Jiwon Han, Achievements in the Life Sciences, vol. 10, no. 1, 2016, pp. 87-101.

PHYSICS PRIZE [FRANCE, SINGAPORE, USA] — Marc-Antoine Fardin, for using fluid dynamics to probe the question "Can a Cat Be Both a Solid and a Liquid?" REFERENCE: "On the Rheology of Cats," Marc-Antoine Fardin, Rheology Bulletin, vol. 83, 2, July 2014, pp. 16-17 and 30.

OBSTETRICS PRIZE — [SPAIN] — Marisa López-Teijón, Álex García-Faura, Alberto Prats-Galino, and Luis Pallarés Aniorte, for showing that a developing human fetus responds more strongly to music that is played electromechanically inside the mother's vagina than to music that is played electromechanically on the mother's belly. REFERENCE: "Fetal Facial Expression in Response to Intravaginal Music Emission," Marisa López-Teijón, Álex García-Faura, and Alberto Prats-Galino, Ultrasound, November 2015, vol. 23, no. 4, pp. 216–223. REFERENCE: "Fetal Acoustic Stimulation Device," patent ES2546919B1, granted September 29, 2015 to Luis y Pallarés Aniorte and Maria Luisa López-Teijón Pérez.

E aí? Vamos fechar o que?

Além disso, também é preciso entender melhor qual é o "devido retorno". Se for unicamente  financeiro, então é melhor desativar muita coisa. Se for outro, qual é o critério? Quem estabelece?

Retorno de conhecimento. Estamos expandindo a ciência na área de humanas? Já vi alguns de humanas fazendo pouco caso da ciência e da metodologia. Aquele velho papinho de que a ciência não é a única forma de obter conhecimento, e que toda forma é válida. Sequer entendem que a ciência é a única forma confiável de obter conhecimento, de testar, de expandir, etc.
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Offline Gigaview

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #12 Online: 19 de Janeiro de 2018, 13:33:07 »
Essas teses estranhas não são exclusividade das ciências sociais. Alguns exemplos dentre os ganhadores do ig Nobel do ano passado.

FLUID DYNAMICS PRIZE [SOUTH KOREA, USA] — Jiwon Han, for studying the dynamics of liquid-sloshing, to learn what happens when a person walks backwards while carrying a cup of coffee. REFERENCE: "A Study on the Coffee Spilling Phenomena in the Low Impulse Regime," Jiwon Han, Achievements in the Life Sciences, vol. 10, no. 1, 2016, pp. 87-101.

PHYSICS PRIZE [FRANCE, SINGAPORE, USA] — Marc-Antoine Fardin, for using fluid dynamics to probe the question "Can a Cat Be Both a Solid and a Liquid?" REFERENCE: "On the Rheology of Cats," Marc-Antoine Fardin, Rheology Bulletin, vol. 83, 2, July 2014, pp. 16-17 and 30.

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E aí? Vamos fechar o que?

Além disso, também é preciso entender melhor qual é o "devido retorno". Se for unicamente  financeiro, então é melhor desativar muita coisa. Se for outro, qual é o critério? Quem estabelece?

Retorno de conhecimento. Estamos expandindo a ciência na área de humanas? Já vi alguns de humanas fazendo pouco caso da ciência e da metodologia. Aquele velho papinho de que a ciência não é a única forma de obter conhecimento, e que toda forma é válida. Sequer entendem que a ciência é a única forma confiável de obter conhecimento, de testar, de expandir, etc.

<Só para deixar claro, estou me referindo ao ataque às Ciências Socias.>

 "Retorno do conhecimento" é vago demais, além do fato de somente poder ser percebido a posteriori, como possível resultado de um investimento. Essa "expansão da ciência" também depende de uma ótica definida por critérios. Diferentes critérios definem pontos de vista diferentes, a rigor nem melhores nem piores entre si. Nesse caso, não é lógico qualificar conhecimento e portanto devemos reconhecer que todo conhecimento é importante, por mais estranho que pareça sob a ótica dos nossos critérios. Então a culpa não é das Ciências Humanas, é de quem pensa que faz ciência. No final das contas a culpa é da ignorância.
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Offline JJ

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #13 Online: 19 de Janeiro de 2018, 15:57:47 »
Muito legal, pega-se alguns exemplos de  dissertações  estranhas que algumas pessoas de algum curso de humanas fez e daí se conclui  que todos (ou a maioria) dos cursos de humanas  não prestam e devem ser fechados.
Com esse belo raciocínio poderíamos, por exemplo, pegar  um número percentual (ainda maior) de casos de policiais que  fazem coisas erradas e concluir que todos (ou a maioria) das organizações policiais não prestam e assim deveriam ser fechadas.

O problema é que o curso de humanas no Brasil e em menor escala no mundo tem gerado pouquíssimo conhecimento concreto.


Bom critério. A partir dele podemos propor o fechamento dos cursos de matemática (graduações, mestrados e doutorados e pós doutorados). Afinal de contas, existe coisa mais abstrata (não concreta) do que matemática  avançada e os conteúdos de suas  teses ?


Essa coisa de conhecimento pelo conhecimento, abstrações "viajantes",  é só desperdício de tempo e dinheiro mesmo.


« Última modificação: 19 de Janeiro de 2018, 16:01:20 por JJ »

Offline JJ

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #14 Online: 19 de Janeiro de 2018, 16:05:38 »
Essas teses estranhas não são exclusividade das ciências sociais. Alguns exemplos dentre os ganhadores do ig Nobel do ano passado.

FLUID DYNAMICS PRIZE [SOUTH KOREA, USA] — Jiwon Han, for studying the dynamics of liquid-sloshing, to learn what happens when a person walks backwards while carrying a cup of coffee. REFERENCE: "A Study on the Coffee Spilling Phenomena in the Low Impulse Regime," Jiwon Han, Achievements in the Life Sciences, vol. 10, no. 1, 2016, pp. 87-101.

PHYSICS PRIZE [FRANCE, SINGAPORE, USA] — Marc-Antoine Fardin, for using fluid dynamics to probe the question "Can a Cat Be Both a Solid and a Liquid?" REFERENCE: "On the Rheology of Cats," Marc-Antoine Fardin, Rheology Bulletin, vol. 83, 2, July 2014, pp. 16-17 and 30.

OBSTETRICS PRIZE — [SPAIN] — Marisa López-Teijón, Álex García-Faura, Alberto Prats-Galino, and Luis Pallarés Aniorte, for showing that a developing human fetus responds more strongly to music that is played electromechanically inside the mother's vagina than to music that is played electromechanically on the mother's belly. REFERENCE: "Fetal Facial Expression in Response to Intravaginal Music Emission," Marisa López-Teijón, Álex García-Faura, and Alberto Prats-Galino, Ultrasound, November 2015, vol. 23, no. 4, pp. 216–223. REFERENCE: "Fetal Acoustic Stimulation Device," patent ES2546919B1, granted September 29, 2015 to Luis y Pallarés Aniorte and Maria Luisa López-Teijón Pérez.

E aí? Vamos fechar o que?

Além disso, também é preciso entender melhor qual é o "devido retorno". Se for unicamente  financeiro, então é melhor desativar muita coisa. Se for outro, qual é o critério? Quem estabelece?

Já vi alguns de humanas fazendo pouco caso da ciência e da metodologia.


E eu já vi alguns policiais corruptos fazendo pouco caso da lei.  De forma  que devemos propor acabar com as polícias.


Offline Lorentz

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #15 Online: 19 de Janeiro de 2018, 22:26:35 »
Essas teses estranhas não são exclusividade das ciências sociais. Alguns exemplos dentre os ganhadores do ig Nobel do ano passado.

FLUID DYNAMICS PRIZE [SOUTH KOREA, USA] — Jiwon Han, for studying the dynamics of liquid-sloshing, to learn what happens when a person walks backwards while carrying a cup of coffee. REFERENCE: "A Study on the Coffee Spilling Phenomena in the Low Impulse Regime," Jiwon Han, Achievements in the Life Sciences, vol. 10, no. 1, 2016, pp. 87-101.

PHYSICS PRIZE [FRANCE, SINGAPORE, USA] — Marc-Antoine Fardin, for using fluid dynamics to probe the question "Can a Cat Be Both a Solid and a Liquid?" REFERENCE: "On the Rheology of Cats," Marc-Antoine Fardin, Rheology Bulletin, vol. 83, 2, July 2014, pp. 16-17 and 30.

OBSTETRICS PRIZE — [SPAIN] — Marisa López-Teijón, Álex García-Faura, Alberto Prats-Galino, and Luis Pallarés Aniorte, for showing that a developing human fetus responds more strongly to music that is played electromechanically inside the mother's vagina than to music that is played electromechanically on the mother's belly. REFERENCE: "Fetal Facial Expression in Response to Intravaginal Music Emission," Marisa López-Teijón, Álex García-Faura, and Alberto Prats-Galino, Ultrasound, November 2015, vol. 23, no. 4, pp. 216–223. REFERENCE: "Fetal Acoustic Stimulation Device," patent ES2546919B1, granted September 29, 2015 to Luis y Pallarés Aniorte and Maria Luisa López-Teijón Pérez.

E aí? Vamos fechar o que?

Além disso, também é preciso entender melhor qual é o "devido retorno". Se for unicamente  financeiro, então é melhor desativar muita coisa. Se for outro, qual é o critério? Quem estabelece?

Já vi alguns de humanas fazendo pouco caso da ciência e da metodologia.


E eu já vi alguns policiais corruptos fazendo pouco caso da lei.  De forma  que devemos propor acabar com as polícias.


Se ainda há policiais bons, elimina-se então somente os ruins e deixe os bons.

Com os cursos de humanas, a analogia é igualmente válida. Tem curso que só serve pra gastar dinheiro, não se produz nada, universidades estão num estado deplorável. Por mim fechava essas.

Nós damos um valor grande pra ciência, e por causa disso pensamos que qualquer coisa feita em nome dela é válido. Muito cientista acha que ter um ministério da ciência é importantíssimo. Não é.

O país que mais produz ciência e cultura no mundo não possui ministério de nenhum dos dois.
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Offline Gigaview

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #16 Online: 19 de Janeiro de 2018, 23:52:21 »
Essas teses estranhas não são exclusividade das ciências sociais. Alguns exemplos dentre os ganhadores do ig Nobel do ano passado.

FLUID DYNAMICS PRIZE [SOUTH KOREA, USA] — Jiwon Han, for studying the dynamics of liquid-sloshing, to learn what happens when a person walks backwards while carrying a cup of coffee. REFERENCE: "A Study on the Coffee Spilling Phenomena in the Low Impulse Regime," Jiwon Han, Achievements in the Life Sciences, vol. 10, no. 1, 2016, pp. 87-101.

PHYSICS PRIZE [FRANCE, SINGAPORE, USA] — Marc-Antoine Fardin, for using fluid dynamics to probe the question "Can a Cat Be Both a Solid and a Liquid?" REFERENCE: "On the Rheology of Cats," Marc-Antoine Fardin, Rheology Bulletin, vol. 83, 2, July 2014, pp. 16-17 and 30.

OBSTETRICS PRIZE — [SPAIN] — Marisa López-Teijón, Álex García-Faura, Alberto Prats-Galino, and Luis Pallarés Aniorte, for showing that a developing human fetus responds more strongly to music that is played electromechanically inside the mother's vagina than to music that is played electromechanically on the mother's belly. REFERENCE: "Fetal Facial Expression in Response to Intravaginal Music Emission," Marisa López-Teijón, Álex García-Faura, and Alberto Prats-Galino, Ultrasound, November 2015, vol. 23, no. 4, pp. 216–223. REFERENCE: "Fetal Acoustic Stimulation Device," patent ES2546919B1, granted September 29, 2015 to Luis y Pallarés Aniorte and Maria Luisa López-Teijón Pérez.

E aí? Vamos fechar o que?

Além disso, também é preciso entender melhor qual é o "devido retorno". Se for unicamente  financeiro, então é melhor desativar muita coisa. Se for outro, qual é o critério? Quem estabelece?

Já vi alguns de humanas fazendo pouco caso da ciência e da metodologia.


E eu já vi alguns policiais corruptos fazendo pouco caso da lei.  De forma  que devemos propor acabar com as polícias.


Se ainda há policiais bons, elimina-se então somente os ruins e deixe os bons.

 :ok:

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Com os cursos de humanas, a analogia é igualmente válida. Tem curso que só serve pra gastar dinheiro, não se produz nada, universidades estão num estado deplorável. Por mim fechava essas.

 :ok: Então não é para jogar todas Ciências Humanas no lixo, mas de se avaliar os cursos caso a caso.

Citar
Nós damos um valor grande pra ciência, e por causa disso pensamos que qualquer coisa feita em nome dela é válido. Muito cientista acha que ter um ministério da ciência é importantíssimo. Não é.

No Brasil (infelizmente) seria importante ter um ministério, não por causa da ciência em si mas para garantir uma rubrica no orçamento para alocação formal de verbas, mesmo que mínimas e visibilidade e participação nos fóruns de decisão.

Citar
O país que mais produz ciência e cultura no mundo não possui ministério de nenhum dos dois.

No caso do Brasil infelizmente isso tem que ser forçado porque os nossos políticos/governantes não atribuem à cultura/ciência o valor que elas merecem. É como se existisse uma pirâmide de Maslow para o país onde ainda estaríamos nos níveis mais baixos.
« Última modificação: 19 de Janeiro de 2018, 23:55:14 por Gigaview »
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Offline Lorentz

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #17 Online: 20 de Janeiro de 2018, 18:30:49 »

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Com os cursos de humanas, a analogia é igualmente válida. Tem curso que só serve pra gastar dinheiro, não se produz nada, universidades estão num estado deplorável. Por mim fechava essas.

 :ok: Então não é para jogar todas Ciências Humanas no lixo, mas de se avaliar os cursos caso a caso.


Isso.

Não acho que ciências humanas sejam todas inúteis. Acho que alguns cursos estão começando a ser inúteis, e no Brasil gasta-se muito com universidades para formar semi-analfabetos. Já faz alguns anos que algumas disciplinas só existem para formar professores delas mesmas.
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Offline Gauss

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #18 Online: 21 de Janeiro de 2018, 21:36:45 »

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Com os cursos de humanas, a analogia é igualmente válida. Tem curso que só serve pra gastar dinheiro, não se produz nada, universidades estão num estado deplorável. Por mim fechava essas.

 :ok: Então não é para jogar todas Ciências Humanas no lixo, mas de se avaliar os cursos caso a caso.


Isso.

Não acho que ciências humanas sejam todas inúteis. Acho que alguns cursos estão começando a ser inúteis, e no Brasil gasta-se muito com universidades para formar semi-analfabetos. Já faz alguns anos que algumas disciplinas só existem para formar professores delas mesmas.
Filosofia é um exemplo de disciplina que só serve para formar professor de Filosofia. Sociologia só serve para formar professor de sociologia e "especialista" de segurança pública da GloboNews.
Citação de: Gauss
Bolsonaro é um falastrão conservador e ignorante. Atualmente teria 8% das intenções de votos, ou seja, é o Enéas 2.0. As possibilidades desse ser chegar a presidência são baixíssimas, ele só faz muito barulho mesmo, nada mais que isso. Não tem nenhum apoio popular forte, somente de adolescentes desinformados e velhos com memória curta que acham que a ditadura foi boa só porque "tinha menos crime". Teria que acontecer uma merda muito grande para ele chegar lá.

Offline Gigaview

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #19 Online: 22 de Janeiro de 2018, 00:30:01 »

Citar
Com os cursos de humanas, a analogia é igualmente válida. Tem curso que só serve pra gastar dinheiro, não se produz nada, universidades estão num estado deplorável. Por mim fechava essas.

 :ok: Então não é para jogar todas Ciências Humanas no lixo, mas de se avaliar os cursos caso a caso.


Isso.

Não acho que ciências humanas sejam todas inúteis. Acho que alguns cursos estão começando a ser inúteis, e no Brasil gasta-se muito com universidades para formar semi-analfabetos. Já faz alguns anos que algumas disciplinas só existem para formar professores delas mesmas.
Filosofia é um exemplo de disciplina que só serve para formar professor de Filosofia. Sociologia só serve para formar professor de sociologia e "especialista" de segurança pública da GloboNews.

Educação Física também. Pior mesmo é a pedagogia.

Por exemplo, jamais contrataria um filósofo formado para fazer a revisão de um script de documentário sobre a história do pensamento humano. Muito menos a consultoria de sociólogos para opinar sobre uma campanha anti-racismo. Afinal já existem algoritmos para essas coisas e contratar um programador sai muito mais barato.
« Última modificação: 22 de Janeiro de 2018, 00:40:01 por Gigaview »
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Offline Geotecton

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #20 Online: 22 de Janeiro de 2018, 01:45:29 »
E eu jamais contrataria engenheiros piadistas.

 :biglol:

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Offline Muad'Dib

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #21 Online: 22 de Janeiro de 2018, 06:16:00 »
Filosofia, sociologia e por ai vai são excelentes cursos para quem quer fazer uma segunda faculdade. Como aprofundamento. Uma pessoa que tenha feito economia, por exemplo, pode se ver em uma situação onde ela se beneficiaria de ter o conhecimento que esses cursos propiciam.

E eu posso estar enganado, mas "As folias dos cus prolapsados" não foi a dissertação que deu o título de mestre para a autora. De repente ela produziu algo que tenha algum valor.

Offline Lorentz

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #22 Online: 22 de Janeiro de 2018, 08:43:46 »
Filosofia, sociologia e por ai vai são excelentes cursos para quem quer fazer uma segunda faculdade. Como aprofundamento. Uma pessoa que tenha feito economia, por exemplo, pode se ver em uma situação onde ela se beneficiaria de ter o conhecimento que esses cursos propiciam.

E eu posso estar enganado, mas "As folias dos cus prolapsados" não foi a dissertação que deu o título de mestre para a autora. De repente ela produziu algo que tenha algum valor.

De repente sim, de repente não. Mas uma certeza é que gastou-se muito dinheiro do pagador de impostos nessa possibilidade.
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Offline Gigaview

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #23 Online: 22 de Janeiro de 2018, 10:19:05 »
Então, ainda bem que esses cursos estão sempre cheios, sinal de que o dinheiro dos contribuintes está sendo aplicado em algo que eles desejam, sem esquecer, claro, que muita gente paga caro para fazer os mesmos cursos em faculdades particulares, abatendo em parte do imposto de renda a pagar.

Se isso acontecesse apenas nesta republiqueta meridional poderíamos recorrer ao nosso complexo de vira-latas mas não é o caso. A única saída é a comparação infeliz com o Japão.
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Offline Lorentz

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Re:Publicações científicas que passam trote nas revistas
« Resposta #24 Online: 22 de Janeiro de 2018, 18:11:09 »
Então, ainda bem que esses cursos estão sempre cheios, sinal de que o dinheiro dos contribuintes está sendo aplicado em algo que eles desejam, sem esquecer, claro, que muita gente paga caro para fazer os mesmos cursos em faculdades particulares, abatendo em parte do imposto de renda a pagar.

Se isso acontecesse apenas nesta republiqueta meridional poderíamos recorrer ao nosso complexo de vira-latas mas não é o caso. A única saída é a comparação infeliz com o Japão.

Sobre a questão da republiqueta, será que o ensino superior público gratuito em outros países tem um nível tão baixo assim?

Para refrescar ma memória:

https://faculdadeoucracolandia.tumblr.com/

Talvez haja coisas assim em outros países, mas acredito que haveria alguma repercussão e a gente ficaria sabendo.
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