Autor Tópico: A Ideologia Cientificista  (Lida 36599 vezes)

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Offline Sdelareza

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #75 Online: 29 de Maio de 2016, 20:37:10 »
Alguns dizem que Carl Sagan adotou uma postura cientificista, inclusive na série "Cosmos", promovendo a idéia que
somente a ciência seria a explicação de tudo.

Vejam algumas frases usadas no livro "Cosmos":

"O Cosmos é tudo o que existe, que existiu ou que existirá" (Primeira frase do livro)

"Há dez ou vinte bilhões de anos aconteceu uma coisa - o Big Bang, o evento que iniciou o nosso universo. Por
que aconteceu é o nosso maior maior mistério. Que aconteceu, é racionalmente claro." (Primeira frase do capítulo
que trata do Big Bang).

Essas frases não possuem alguma conotação dogmática, ao afirmar que Cosmos ou Big Bang são certezas (como a existência
de Deus) e não mera teorias ainda não falseadas?

Nunca vi Sagan fazer referência a algum filósofo da ciência (ou a algum conceito abordado nessa área).

Alguém ainda disse que ele erra feio ao insistir que a Idade Média foi apenas uma "idade das trevas", enquanto que foi na Idade Média que surgiram as primeiras universidades.
« Última modificação: 29 de Maio de 2016, 20:39:11 por Sdelareza »

Offline Buckaroo Banzai

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #76 Online: 29 de Maio de 2016, 21:15:26 »
Acho curiosas frases como "promovendo a idéia de que somente a ciência seria explicação de tudo".

Quais as linhas de explicações alternativas aceitáveis?

Revelação divina?

Palpitão?

Decisão democrática sobre o que é a realidade?

Profecia?

Vidência?

Búzios?

Cartas?

Horóscopo?





O cosmos/universo é antes de uma "verdade científica" um "axioma" de todo bom não-solipsista. Big-bang é de fato o que mais aparenta ser o caso. Talvez do ponto de vista de quem entenda significativamente mais do que eu, a ponto de ser tão insignificante se dizer ser só uma teoria não falseada quanto seria dizer o mesmo da Terra ser redonda um esferóide oblato.

Offline Lorentz

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #77 Online: 29 de Maio de 2016, 21:18:11 »
Decisão democrática sobre o que é a realidade?

Marilena Chauí deve concordar com essa.
"Amy, technology isn't intrinsically good or bad. It's all in how you use it, like the death ray." - Professor Hubert J. Farnsworth

Offline Buckaroo Banzai

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #78 Online: 29 de Maio de 2016, 21:29:44 »
Não sei, tenho a impressão que deve ser mais uma decisão "popular" tradicional, tirando assim as "imposições colonialistas patriarcais racistas eurocêntricas da claᛋᛋe média".

Offline Cinzu

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #79 Online: 30 de Maio de 2016, 04:09:15 »
Alguns dizem que Carl Sagan adotou uma postura cientificista, inclusive na série "Cosmos", promovendo a idéia que
somente a ciência seria a explicação de tudo.

Vejam algumas frases usadas no livro "Cosmos":

"O Cosmos é tudo o que existe, que existiu ou que existirá" (Primeira frase do livro)

"Há dez ou vinte bilhões de anos aconteceu uma coisa - o Big Bang, o evento que iniciou o nosso universo. Por
que aconteceu é o nosso maior maior mistério. Que aconteceu, é racionalmente claro." (Primeira frase do capítulo
que trata do Big Bang).

Perceba bem que na segunda frase ele diz que o Big Bang iniciou o universo, e não o cosmos. Isso se dá justamente pelo fato do significado de ambos serem distintos. Pois ao que me parece, houve um erro na conceituação de cosmos e de universo, quando você mencionou as palavras de Sagan.

Caso as frases fossem:

"O universo é tudo o que existe, que existiu ou que existirá" e "Há dez ou vinte bilhões de anos aconteceu uma coisa - o Big Bang, o evento que iniciou o nosso cosmos."

Aí sim seriam nitidamente incoerentes.
"Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar"

Offline Cinzu

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #80 Online: 30 de Maio de 2016, 04:13:42 »
Inclusive, conforme você mesmo menciona, Sagan deixa claro qual a definição de Cosmos ele está usando, logo na primeira frase do livro.

(peço desculpas pela duplicação não intencional)
"Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar"

Offline Buckaroo Banzai

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #81 Online: 30 de Maio de 2016, 19:21:55 »
Acho que cosmos e universo são sinônimos, sim.

Ou "quase", "cosmos" é o "universo organizado, em oposição a caótico":

Citar
The cosmos (UK /ˈkɒzmɒs/, US /ˈkɒzmoʊs/) is the universe regarded as a complex and orderly system; the opposite of chaos.[1] The philosopher Pythagoras used the term cosmos (Ancient Greek: κόσμος) for the order of the universe, but the term was not part of modern language until the 19th century geographer and polymath, Alexander von Humboldt, resurrected the use of the word from the ancient Greek, assigned it to his multi-volume treatise, Kosmos, and, along the way, influenced our present and somewhat holistic perception of the universe as one interacting entity.

Talvez Sagan estivesse nessa sutil escolha de palavras então descrevendo que o Big Bang criou a ordem que hoje há no universo. Mas não sei se ainda é algo "minha nossa, como são coisas distintas, universo e cosmos". Me parece menos distinto até do que embrião e a pessoa que se desenvolve "dele".

Offline Sdelareza

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #82 Online: 30 de Maio de 2016, 19:54:37 »
Cinzu,

Obrigado pela explicação. Não tinha percebido esses detalhes sutis.

Carl Sagan especula num parágrafo em "Cosmos" sobre a possibilidade da existência de multiversos - sendo que uns podem
ser partículas de outros universos maiores.

Vejo aqui que ele faz a distinção entre o Cosmos (que seria o todo) e o(s) universo(s).
« Última modificação: 30 de Maio de 2016, 19:57:26 por Sdelareza »

Online JJ

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #83 Online: 02 de Junho de 2016, 09:04:35 »

O mito do cientificismo


O mito do cientificismo: a verdade científica, a objetividade e a neutralidade na ciência


Se formos avaliar o papel da ciência na história humana, seremos tentados a acreditar que o “método científico” seria uma das formas de produção de conhecimentos mais bem sucedidas que o Homem já elaborou.


Por meio dele, o Homem pôde superar inúmeros limites e transformar sua relação com a natureza: erradicou doenças endêmicas, foi ao espaço sideral, está decodificando códigos genéticos, inventou o rádio, a televisão, o telefone, o laser, o microprocessador etc.


Segundo a Professora Cristina G. Machado de Oliveira, na medida em que a ciência se mostrou capaz de compreender a realidade de forma mais rigorosa e tornou possível fazer previsões, rapidamente transformou o mundo. Diante de tantas maravilhas, desenvolveu-se a tendência de desprezar outras abordagens da realidade (religião, filosofia, arte, etc).


Já no séc. XIX, o positivismo valorizava exageradamente o conhecimento científico. Essa forma de pensar foi explicitada pelo filósofo francês Augusto Comte, fundador do positivismo, corrente filosófica segundo a qual a humanidade teria passado por estágios sucessivos (teológico e metafísico) até chegar ao ponto superior do processo, caracterizado pelo conhecimento positivo, ou científico. A preocupação positivista de tudo reduzir ao racional redunda no seu oposto, ou seja, na criação do mito do cientificismo, segundo o qual o único conhecimento perfeito é o científico. Então, em que consiste tal “mito”?


É uma crença de que a ciência possui um poder ilimitado sobre as coisas e os homens, dando-lhes o lugar que muitos costumam dar às religiões, isto é, um conjunto doutrinário de verdades intemporais, absolutas e inquestionáveis.


O mito do progresso


Embutido no ideal cientificista, existe o mito do progresso. Segundo essa concepção, o progresso é inicialmente algo embrionário, cabendo à ação humana transformadora trazer à luz as possibilidades latentes. O progresso é explicado como um fenômeno linear, cuja tendência automática é o aperfeiçoamento humano.


Por isso o ideal do progresso justificaria todas as ações humanas realizadas em seu nome. Mas infelizmente já conhecemos as conseqüências (as fábricas poluem, a especulação imobiliária destrói, a opulência não expulsa a miséria) – o que são de fato indicativos de regressão humana, o que nos leva a rever a noção de progresso.


O mito da tecnocracia e o mito do especialista


Outra decorrência do cientificismo e da exaltação do progresso é o mito da tecnocracia. O positivismo garante a justificação do poder pela técnica e, mais que isso, do poder dos tecnocratas. O saber derivado da ciência passa a ser considerado o único a ter autoridade: portanto, o poder pertence a quem possui o saber. Cria-se assim o mito do especialista, segundo o qual, apenas certas pessoas têm competência em determinados setores específicos.


A ciência, pode, portanto, servir à dominação como produtora de idéias e discursos que sirvam de respaldo ao discurso dos econômica e politicamente poderosos. A ciência possui esta potencialidade porque ela é apresentada, como portadora da verdade. Ninguém pode negar que em nossa cultura a ciência adquiriu um status de suprema guardiã da veracidade. Tudo o que se fala em seu nome é escutado com temor e reverência, como se houvesse saído da boca do mais infalível oráculo. Um absurdo, dito por um cientista (ou atribuído a algum), pode transformar-se, em pouco tempo, em artigo de fé para grande parte da população mundial.


É claro que temos bons motivos para confiar nos diagnósticos e prognósticos da ciência, e a vida contemporânea não seria possível se não pudéssemos ter essa confiança. O problema é que as pessoas costumam confiar cegamente nas decisões, informações e recomendações dos cientistas sem levar em conta uma série de fatores e interesses que podem estar por detrás de suas atividades. Pois, embora a maior parte delas o ignore, o fato é que eles muitas vezes são assediados por representantes de interesses escusos, que, em troca de tentadoras bonificações, procuram convencê-los a “chegar” a determinadas conclusões. E, além disso, pretende-se muitas vezes que a ciência saia de seu estreito círculo de atuação no mundo material e explique fenômenos que não são de sua alçada.


O mito da neutralidade da ciência


Outra ramificação importante deste mito está na crença de que a ciência constitui um saber neutro, isto é, que as pesquisas não sofrem nenhuma influência econômica ou política e que cientistas visam apenas ao conhecimento “puro” e desinteressado. Desse modo, não só a atividade científica estaria à margem das questões históricas, como não caberia ao cientista discutir o uso político de suas descobertas.


Essa imagem de neutralidade científica também é ilusória. A maioria dos resultados científicos que usamos em nossa vida cotidiana teve como origem investigações militares e estratégicas, competições econômicas entre grandes empresas transnacionais e competições políticas entre grandes Estados. Muito do que usamos em nosso cotidiano provém de pesquisas nucleares, bacteriológicas e espaciais. Como produtora de tecnologia, a ciência pode ser instrumento de poder.


A inconsciência dos cientistas é a causa da ambigüidade de suas atividades. Esta aptidão para se transformar em instrumento de poder resulta, em primeiro lugar, de um aspecto perigoso e problemático da tecnologia, o qual começou a se tornar evidente desde os primórdios desta. No momento em que o homem percebeu que a técnica lhe possibilitava dominar os processos naturais, ele também percebeu que ela possibilitava a dominação de outros homens. Trata-se de um setor sombrio da ciência, do qual o principal propulsor é a guerra. Segundo a revista Impact of Science on Society, editada pela UNESCO em 1980, quase a quarta parte dos recursos mundiais dedicados à pesquisa científica era consumida pela pesquisa militar, e mais de meio milhão de cientistas estavam atrelados ao desenvolvimento de novas armas.


Além disso, muitos pesquisadores acabam trabalhando para projetos bélicos sem sequer sabê-lo, visto que seus trabalhos são usados para fins clandestinos. É o que aconteceu, por exemplo, no caso dos desfolhantes que foram utilizados pelos EUA na guerra do Vietnã, os quais tiveram sua origem numa pesquisa que visava o desenvolvimento de produtos agrícolas cujos resultados foram desviados pelos militares americanos.


Essa má utilização da tecnologia também é geradora da falta de critério na seleção das pesquisas a serem realizadas. A viagem à lua, por exemplo, que custou bilhões de dólares, foi um contra-senso diante da situação calamitosa do mundo, com populações inteiras vivendo na miséria e morrendo de fome.


Ainda segundo Cristina G. M. Oliveira, é a filosofia que, diante do saber e do poder, avalia se estes resultados estão a serviço do homem ou contra ele, isto é, se servem para seu crescimento espiritual ou se o degradam se contribuem para a liberdade ou para a dominação.


Cabe, portanto, à filosofia recolocar o problema da unidade do saber, tornado “esquizofrênico” pela ciência moderna, na medida em que foi compartimentalizado. O resultado dessa fragmentação é que o homem se torna o grande ausente da ciência, já que a razão é posta a serviço da destruição da natureza, da alienação humana e da dominação.


Em síntese, temos a ilusão de progresso e de evolução na ciência por dois motivos principais, segundo M. Chauí:


1. do lado do cientista, porque este sente que sabe mais e melhor do que antes, já que o paradigma anterior não lhe permitia conhecer certos objetos ou fenômenos. Tem o sentimento de que o passado estava errado, era inferior ao presente aberto por seu novo trabalho;


2. do lado dos não-cientistas, porque vivemos sob a ideologia do progresso e da evolução, do “novo” e do “fantástico”. Vemos os resultados tecnológicos das ciências: naves espaciais, computadores, satélites, fornos microondas, telefones celulares, cura de doenças julgadas incuráveis, objetos plásticos descartáveis... e tais resultados tecnológicos são apresentados pelos governos, pelas empresas e pela propaganda como “signos do progresso”. O progresso é uma crença ideológica.


A conclusão é que, se há um 'discurso competente', em contraposição, há os incompetentes (os elaborados por não cientistas...), cujo não-saber supõe a aceitação passiva do discurso do saber.


Texto síntese elaborado por Silvio M. Maximino
Postado por Silvio Mmax
   
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Marcadores: CIÊNCIA, ÉTICA, filosofia da ciência


http://oficina-de-filosofia.blogspot.com.br/2013/04/o-mito-do-cientificismo.html



« Última modificação: 02 de Junho de 2016, 10:33:39 por JJ »

Offline Euler1707

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #84 Online: 02 de Junho de 2016, 10:14:39 »
Só dois detalhes a acrescentar: a maior parte de toda a tecnologia é, sempre foi, e sempre será desenvolvida ou será aplicada com intuitos militares, e isso não é uma exclusividade dos tempos modernos. O fato é que as grandes potências tecnológicas, também são as grandes potências militares.
Além disso, se é verdade que os militares se apossam de tecnologias para fins militares, também é verdade o contrário. Um dos trabalhos dos tecnólogos é o de aplicar tecnologias ao maior número possível de áreas, e uma dessas áreas é a militar.

Citar
Essa má utilização da tecnologia também é geradora da falta de critério na seleção das pesquisas a serem realizadas. A viagem à lua, por exemplo, que custou bilhões de dólares, foi um contra-senso diante da situação calamitosa do mundo, com populações inteiras vivendo na miséria e morrendo de fome.
 
Talvez essa seja a crítica mais feita à ciência, e em certo ponto, é válida, mas o fato é que: O dinheiro era os Estado Unidos quem tinha, e são eles quem decidem como gastar; alguns bilhões de dólares não vão erradicar o problemas de fome e miséria no mundo, que em grande parte são causados por fatores sociais e ambientais; a chegada do homem à lua tinha por fim objetivos geopolíticos e era essencial tanto para os EUA, quanto para a URSS, para se desenvolver a tecnologia de foguetes. Entre salvar alguns milhões de pessoas e desenvolver a tecnologia de foguetes (que poderia garantir a defesa de sua nação) , há uma simples relação de custo-benefício (para quem detém o dinheiro, é claro). O mundo funciona assim, e embora alguns marxistas se refiram à isso pejorativamente como "lógica de mercado", sabe-se que essa lógica é mais antiga que o capitalismo e a própria raça-humana.

Online JJ

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #85 Online: 02 de Junho de 2016, 10:19:14 »
Acho curiosas frases como "promovendo a idéia de que somente a ciência seria explicação de tudo".

Quais as linhas de explicações alternativas aceitáveis?

Revelação divina?

Palpitão?

Decisão democrática sobre o que é a realidade?

Profecia?

Vidência?

Búzios?

Cartas?

Horóscopo?



Certamente que essas opções que você colocou  não  são todas as opções possíveis,  parece que você esqueceu de uma área do conhecimento que trata de problemas que não caem na alçada das ciências:


A Filosofia opera sobre uma tríplice problemática:

1) PROBLEMAS QUE NÃO CAEM SOBRE A ALÇADA DAS CIÊNCIAS:
 Metafísica / Ontologia

Sistema de idéias e de teses que pretende explicar o mundo por meio de princípios gerais e abstratos.

Trata da “ciência” subjetiva do universo (Cosmologia). Compartilha com a Religião a busca das
verdades primeiras (eternas) e incondicionais, tais como as relativas à natureza de Deus, da alma e do universo (totalidade cósmica), através de procedimento não-experimental. Diverge da fé por seu de caráter especulativo.

Muitas vezes traduzida por Ontologia ou Metafísica Ontológica busca conhecer a essência (características, propriedades) que permeia todas as coisas e os seres, independente de suas particularidades. Pela Antropologia Filosófica (não-científica), analisa o ser humano em suas determinações necessárias, princípios universais e realidade supra-sensível.

2) PROBLEMAS ESPECÍFICOS DO CONHECIMENTO:

 Teoria do Conhecimento ou Gnosiologia ou Epistemologia

Reflexão em torno da natureza, etapas e limites do conhecimento humano, especialmente em relação ao ato e ao processo cognitivos (sujeito cognoscente # objeto), apontando suas distorções e condicionamentos.


Metodologia (Científica)

Trata dos processos lógicos de aquisição do conhecimento. Reunião organizada de procedimentos racionais utilizados para investigar e explicar os fatos e fenômenos da natureza, por meio da observação empírica e da formulação de leis ou teorias (científicas).

3) PROBLEMAS ESPECÍFICOS DA AÇÃO:


Teoria dos Valores ou Axiologia

Trata dos valores, que representam a essência dinâmica (qualidade, importância) das coisas. O valor é sentido quando prevalece a não-indiferença da consciência humana em relação a uma coisa ou pessoa.  Não é percebido ou medido por simples introspecção, mas por intuição emocional.

Mundo Jurídico # principal valor # Justiça

Mundo Político # principal valor # Liberdade

Mundo Moral # principal valor # Verdade

As coisas existem, os valores valem 2

A Axiologia se divide originariamente em:


a) Estética: trata dos valores referentes à sensibilidade, à beleza e às artes;


b) ÉTICA (FILOSOFIA MORAL): área da Filosofia que investiga os problemas colocados pelo agir humano enquanto relacionado com valores morais. Busca discutir e fundamentar os juízos de valor que se referem às ações; reflexão que se propõe a discutir, problematizar e interpretar o significado dos valores morais.


Educação do caráter do sujeito moral para dominar racionalmente impulsos, apetites e desejos, para orientar a vontade rumo ao bem e à felicidade e para formá-lo
como membro da coletividade sociopolítica.

O comportamento ético visa, pois, harmonizar a índole do sujeito (virtuoso) e os valores coletivos.

 Ética

Todo esforço do espírito humano para formular juízos racionais, tendentes a iluminar a conduta das pessoas sob a luz de um critério de bem e de justiça que propicie a reordenação material e econômica, reorganização das relações interpessoais e proteção da dignidade do viver.


http://fdc.br/Artigos/..%5C%5CArquivos%5CArtigos%5C14%5CGrandesDivisoesFilosofia.pdf


“Quando o outro entra em cena, nasce a ética.” (Umberto Eco, filósofo / 1932-)





« Última modificação: 02 de Junho de 2016, 10:24:13 por JJ »

Online JJ

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #86 Online: 02 de Junho de 2016, 10:29:35 »
Só dois detalhes a acrescentar: a maior parte de toda a tecnologia é, sempre foi, e sempre será desenvolvida ou será aplicada com intuitos militares, e isso não é uma exclusividade dos tempos modernos.


Ou seja uma ciência/tecnologia voltada para a destruição, a morte e a manutenção do poder de alguns grupos.

Realmente isso corrobora a ideia de que este conhecimento não tem  neutralidade e desinteresses políticos.  A sua afirmação corroborou o texto.  :ok:



« Última modificação: 02 de Junho de 2016, 10:32:54 por JJ »

Offline Euler1707

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #87 Online: 02 de Junho de 2016, 11:22:19 »
Só dois detalhes a acrescentar: a maior parte de toda a tecnologia é, sempre foi, e sempre será desenvolvida ou será aplicada com intuitos militares, e isso não é uma exclusividade dos tempos modernos.


Ou seja uma ciência/tecnologia voltada para a destruição, a morte e a manutenção do poder de alguns grupos.

Realmente isso corrobora a ideia de que este conhecimento não tem  neutralidade e desinteresses políticos.  A sua afirmação corroborou o texto.  :ok:
Valeu por ignorar convenientemente esse trecho:
Citar
Além disso, se é verdade que os militares se apossam de tecnologias para fins militares, também é verdade o contrário. Um dos trabalhos dos tecnólogos é o de aplicar tecnologias ao maior número possível de áreas, e uma dessas áreas é a militar.
Você sabe o porque de eu usar o "ou" em "sempre será desenvolvida ou será aplicada"? Para deixar bem claro que não, a tecnologia e a ciência não é necessariamente feita com fins militares, MAS podem ser usadas com esses fins. Entendeu?
Outra coisa bem importante: O conhecimento científico não está sujeito à dominação comercial ou ideológica de nenhum grupo, e resultados científicos não dependem do querer de ninguém para serem verdadeiros ou não. A comunidade científica é enorme, composta por milhões de pessoas, todas interligadas por meio de seus trabalhos. O trabalho de um cientista depende do trabalho de outro cientista (e é por essa razão que o conhecimento científico se dá de forma progressiva e parcial), e se por acaso algum cientista mal caráter fizer um trabalho de forma desonesta, haverá uma centena de cientistas para denunciá-lo e ele logo perderá sua credibilidade. É por essa razão que a ciência é o meio mais seguro de se conhecer o mundo, pois ela é auto-regulatória. Todo conhecimento científico que for feito através de ideologias está fadado ao fracasso, e este é o caso do Design inteligente e da frenologia. Há ainda esse caso (de democracia soviética) desse cientista russo:  http://www.triplov.com/sacarrao/lysenko.html


Offline Buckaroo Banzai

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #88 Online: 02 de Junho de 2016, 17:47:29 »
Acho curiosas frases como "promovendo a idéia de que somente a ciência seria explicação de tudo".

Quais as linhas de explicações alternativas aceitáveis?

Revelação divina?

Palpitão?

Decisão democrática sobre o que é a realidade?

Profecia?

Vidência?

Búzios?

Cartas?

Horóscopo?



Certamente que essas opções que você colocou  não  são todas as opções possíveis,  parece que você esqueceu de uma área do conhecimento que trata de problemas que não caem na alçada das ciências:


A Filosofia opera sobre uma tríplice problemática:

1) PROBLEMAS QUE NÃO CAEM SOBRE A ALÇADA DAS CIÊNCIAS:
 Metafísica / Ontologia

Sistema de idéias e de teses que pretende explicar o mundo por meio de princípios gerais e abstratos.

Trata da “ciência” subjetiva do universo (Cosmologia). Compartilha com a Religião a busca das
verdades primeiras (eternas) e incondicionais, tais como as relativas à natureza de Deus, da alma e do universo (totalidade cósmica), através de procedimento não-experimental. Diverge da fé por seu de caráter especulativo.

Muitas vezes traduzida por Ontologia ou Metafísica Ontológica busca conhecer a essência (características, propriedades) que permeia todas as coisas e os seres, independente de suas particularidades. Pela Antropologia Filosófica (não-científica), analisa o ser humano em suas determinações necessárias, princípios universais e realidade supra-sensível.

2) PROBLEMAS ESPECÍFICOS DO CONHECIMENTO:

 Teoria do Conhecimento ou Gnosiologia ou Epistemologia

Reflexão em torno da natureza, etapas e limites do conhecimento humano, especialmente em relação ao ato e ao processo cognitivos (sujeito cognoscente # objeto), apontando suas distorções e condicionamentos.


Metodologia (Científica)

Trata dos processos lógicos de aquisição do conhecimento. Reunião organizada de procedimentos racionais utilizados para investigar e explicar os fatos e fenômenos da natureza, por meio da observação empírica e da formulação de leis ou teorias (científicas).

3) PROBLEMAS ESPECÍFICOS DA AÇÃO:


Teoria dos Valores ou Axiologia

Trata dos valores, que representam a essência dinâmica (qualidade, importância) das coisas. O valor é sentido quando prevalece a não-indiferença da consciência humana em relação a uma coisa ou pessoa.  Não é percebido ou medido por simples introspecção, mas por intuição emocional.

Mundo Jurídico # principal valor # Justiça

Mundo Político # principal valor # Liberdade

Mundo Moral # principal valor # Verdade

As coisas existem, os valores valem 2

A Axiologia se divide originariamente em:


a) Estética: trata dos valores referentes à sensibilidade, à beleza e às artes;


b) ÉTICA (FILOSOFIA MORAL): área da Filosofia que investiga os problemas colocados pelo agir humano enquanto relacionado com valores morais. Busca discutir e fundamentar os juízos de valor que se referem às ações; reflexão que se propõe a discutir, problematizar e interpretar o significado dos valores morais.


Educação do caráter do sujeito moral para dominar racionalmente impulsos, apetites e desejos, para orientar a vontade rumo ao bem e à felicidade e para formá-lo
como membro da coletividade sociopolítica.

O comportamento ético visa, pois, harmonizar a índole do sujeito (virtuoso) e os valores coletivos.

 Ética

Todo esforço do espírito humano para formular juízos racionais, tendentes a iluminar a conduta das pessoas sob a luz de um critério de bem e de justiça que propicie a reordenação material e econômica, reorganização das relações interpessoais e proteção da dignidade do viver.


http://fdc.br/Artigos/..%5C%5CArquivos%5CArtigos%5C14%5CGrandesDivisoesFilosofia.pdf


“Quando o outro entra em cena, nasce a ética.” (Umberto Eco, filósofo / 1932-)








Ainda que um ou outro gato pingado (Sam Harris) eventualmente defenda algo que se aproxima de uma "moral científica" (não lembro se chega a tanto), não acho que era o caso de Sagan sugerir que todas essas coisas fossem exatamente tema científico, ainda que em algumas delas (especialmente naquelas que não forem puro devaneio) haja no mínimo um pingue-pongue entre o que a ciência mostra e o tema e questão. Até mesmo em questões éticas, mas especialmente epistemologia.

Algumas dessas coisas nem pretendem "explicar" nada, mas formular, como ética, e imagino, axiologia, também. Então fica meio como listar "linguagens de computação", "matemática", "culinária", aí no meio.

Offline Sdelareza

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #89 Online: 02 de Junho de 2016, 22:07:58 »
Esses mitos do progresso e da tecnocracia, ideais do positivismo, acabariam celebrados numa bandeira bem conhecida.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #90 Online: 02 de Junho de 2016, 22:32:59 »
Ainda bem que li só essa frase, o que me poupa de ler o resto:

Citar
Em síntese, temos a ilusão de progresso e de evolução na ciência por dois motivos principais, segundo M. Chauí:

Offline Euler1707

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #91 Online: 02 de Junho de 2016, 22:42:06 »
Ainda bem que li só essa frase, o que me poupa de ler o resto:

Citar
Em síntese, temos a ilusão de progresso e de evolução na ciência por dois motivos principais, segundo M. Chauí:
Essa é uma atitude burra em um contexto geral de situações, mas no teu caso, é até certo ponto algo bastante inteligente. Geralmente, quando há um textão e já se sabe, dado o histórico do autor, que o que vai sair é bobagem, é mais sábio não ler o texto que seria uma perda de tempo, uma vez que você não está à vontade de debater.
Tem um livro de filosofia dela que ela faz a cagada de dizer que Eistein disse que tudo era relativo, o que é uma tremenda ignorância e um insulto para quem utilizava-se da lógica como ferramenta de trabalho.
« Última modificação: 02 de Junho de 2016, 23:38:40 por Euler1707 »

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #92 Online: 02 de Junho de 2016, 22:59:12 »
Ainda bem que li só essa frase, o que me poupa de ler o resto:

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Em síntese, temos a ilusão de progresso e de evolução na ciência por dois motivos principais, segundo M. Chauí:
Essa é uma atitude burra em um contexto geral, mas no teu caso é até certo ponto algo bastante inteligente. Geralmente, quando há um textão e já sabe, dado o histórico do autor, que o que vai sair é bobagem, é mais sábio não ler o texto que seria uma perda de tempo, uma vez que você não está à vontade de debater.
Tem um livro de filosofia dela que ela faz a cagada de dizer que Eistein disse que tudo era relativo, o que uma tremenda ignorância e um insulto para quem utilizava-se da lógica como ferramenta de trabalho.

Todos os "trabalhos" desta senhora estão impregnados de ideologia esquerdista. Além dela ser uma completa ignorante em matéria de Ciência.
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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #93 Online: 02 de Junho de 2016, 23:02:12 »
Certamente que essas opções que você colocou  não  são todas as opções possíveis,  parece que você esqueceu de uma área do conhecimento que trata de problemas que não caem na alçada das ciências:

A Filosofia opera sobre uma tríplice problemática:

1) PROBLEMAS QUE NÃO CAEM SOBRE A ALÇADA DAS CIÊNCIAS:
 Metafísica / Ontologia

Sistema de idéias e de teses que pretende explicar o mundo por meio de princípios gerais e abstratos.

Trata da “ciência” subjetiva do universo (Cosmologia). Compartilha com a Religião a busca das
verdades primeiras (eternas) e incondicionais, tais como as relativas à natureza de Deus, da alma e do universo (totalidade cósmica), através de procedimento não-experimental
. Diverge da fé por seu de caráter especulativo.
[...]

É sério que você acha que a metafísica se equipara à Ciência?

Basta ler a parte em negrito para constatar a idiotice desta assertiva.
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Offline -Huxley-

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #94 Online: 02 de Junho de 2016, 23:28:46 »
Certamente que essas opções que você colocou  não  são todas as opções possíveis,  parece que você esqueceu de uma área do conhecimento que trata de problemas que não caem na alçada das ciências:

A Filosofia opera sobre uma tríplice problemática:

1) PROBLEMAS QUE NÃO CAEM SOBRE A ALÇADA DAS CIÊNCIAS:
 Metafísica / Ontologia

Sistema de idéias e de teses que pretende explicar o mundo por meio de princípios gerais e abstratos.

Trata da “ciência” subjetiva do universo (Cosmologia). Compartilha com a Religião a busca das
verdades primeiras (eternas) e incondicionais, tais como as relativas à natureza de Deus, da alma e do universo (totalidade cósmica), através de procedimento não-experimental
. Diverge da fé por seu de caráter especulativo.
[...]

É sério que você acha que a metafísica se equipara à Ciência?

Basta ler a parte em negrito para constatar a idiotice desta assertiva.

Metafísica faz parte da ciência. O Realismo Científico é um paradigma da Metafísica da Ciência. Não existe  esta de que "o princípio do verificacionismo é empírico" pelo simples fato de que não existe esta de que "o princípio da indução é empírico". A indução se justifica apenas apelando a si mesma, o que é uma circularidade argumentativa, como já bem observou David Hume e Karl Popper. Esse último lembra em A Lógica da Pesquisa Científica que a proposição de que existem regularidades no mundo externo também é uma proposição metafísica.
« Última modificação: 02 de Junho de 2016, 23:35:20 por -Huxley- »

Offline Geotecton

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #95 Online: 02 de Junho de 2016, 23:44:44 »
Certamente que essas opções que você colocou  não  são todas as opções possíveis,  parece que você esqueceu de uma área do conhecimento que trata de problemas que não caem na alçada das ciências:

A Filosofia opera sobre uma tríplice problemática:

1) PROBLEMAS QUE NÃO CAEM SOBRE A ALÇADA DAS CIÊNCIAS:
 Metafísica / Ontologia

Sistema de idéias e de teses que pretende explicar o mundo por meio de princípios gerais e abstratos.

Trata da “ciência” subjetiva do universo (Cosmologia). Compartilha com a Religião a busca das
verdades primeiras (eternas) e incondicionais, tais como as relativas à natureza de Deus, da alma e do universo (totalidade cósmica), através de procedimento não-experimental
. Diverge da fé por seu de caráter especulativo.
[...]

É sério que você acha que a metafísica se equipara à Ciência?

Basta ler a parte em negrito para constatar a idiotice desta assertiva.

Metafísica faz parte da ciência. O Realismo Científico é um paradigma da Metafísica da Ciência. Não existe  esta de que "o princípio do verificacionismo é empírico" pelo simples fato de que não existe esta de que "o princípio da indução é empírico". A indução se justifica apenas apelando a si mesma, o que é uma circularidade argumentativa, como já bem observou David Hume e Karl Popper. Esse último lembra em A Lógica da Pesquisa Científica que a proposição de que existem regularidades no mundo externo também é uma proposição metafísica.

Então vou aguardar a demonstração da existência de deus e da alma, seja por meio indutivo ou dedutivo.
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Offline Euler1707

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #96 Online: 02 de Junho de 2016, 23:48:44 »
Certamente que essas opções que você colocou  não  são todas as opções possíveis,  parece que você esqueceu de uma área do conhecimento que trata de problemas que não caem na alçada das ciências:

A Filosofia opera sobre uma tríplice problemática:

1) PROBLEMAS QUE NÃO CAEM SOBRE A ALÇADA DAS CIÊNCIAS:
 Metafísica / Ontologia

Sistema de idéias e de teses que pretende explicar o mundo por meio de princípios gerais e abstratos.

Trata da “ciência” subjetiva do universo (Cosmologia). Compartilha com a Religião a busca das
verdades primeiras (eternas) e incondicionais, tais como as relativas à natureza de Deus, da alma e do universo (totalidade cósmica), através de procedimento não-experimental
. Diverge da fé por seu de caráter especulativo.
[...]

É sério que você acha que a metafísica se equipara à Ciência?

Basta ler a parte em negrito para constatar a idiotice desta assertiva.

Metafísica faz parte da ciência. O Realismo Científico é um paradigma da Metafísica da Ciência. Não existe  esta de que "o princípio do verificacionismo é empírico" pelo simples fato de que não existe esta de que "o princípio da indução é empírico". A indução se justifica apenas apelando a si mesma, o que é uma circularidade argumentativa, como já bem observou David Hume e Karl Popper. Esse último lembra em A Lógica da Pesquisa Científica que a proposição de que existem regularidades no mundo externo também é uma proposição metafísica.
Toda forma de conhecimento se baseia em princípios metafísicos que não podem ser provados através de si (no máximo, pode se provar uma equivalência ou um absurdo entre essas premissas/princípios). Se considerarmos ciência a todo o conhecimento baseado no método cientifico, então o realismo científico deixa de ser um paradigma, e se torna uma necessidade (a necessidade de se substituir o sobrenatural) para a concretização e objetificação do conhecimento científico, ou seja, se torna uma de suas premissas. a ciência faz parte sim da metafísica, mas a parte destacada em negrito pelo Geotecton não deixa de ser absurda.

Offline Geotecton

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #97 Online: 02 de Junho de 2016, 23:51:15 »
Certamente que essas opções que você colocou  não  são todas as opções possíveis,  parece que você esqueceu de uma área do conhecimento que trata de problemas que não caem na alçada das ciências:

A Filosofia opera sobre uma tríplice problemática:

1) PROBLEMAS QUE NÃO CAEM SOBRE A ALÇADA DAS CIÊNCIAS:
 Metafísica / Ontologia

Sistema de idéias e de teses que pretende explicar o mundo por meio de princípios gerais e abstratos.

Trata da “ciência” subjetiva do universo (Cosmologia). Compartilha com a Religião a busca das
verdades primeiras (eternas) e incondicionais, tais como as relativas à natureza de Deus, da alma e do universo (totalidade cósmica), através de procedimento não-experimental
. Diverge da fé por seu de caráter especulativo.
[...]

É sério que você acha que a metafísica se equipara à Ciência?

Basta ler a parte em negrito para constatar a idiotice desta assertiva.

Metafísica faz parte da ciência. O Realismo Científico é um paradigma da Metafísica da Ciência. Não existe  esta de que "o princípio do verificacionismo é empírico" pelo simples fato de que não existe esta de que "o princípio da indução é empírico". A indução se justifica apenas apelando a si mesma, o que é uma circularidade argumentativa, como já bem observou David Hume e Karl Popper. Esse último lembra em A Lógica da Pesquisa Científica que a proposição de que existem regularidades no mundo externo também é uma proposição metafísica.
Toda forma de conhecimento se baseia em princípios metafísicos que não podem ser provados através de si (no máximo, pode se provar uma equivalência ou um absurdo entre essas premissas/princípios). Se considerarmos ciência a todo o conhecimento baseado no método cientifico, então o realismo científico deixa de ser um paradigma, e se torna uma necessidade (a necessidade de se substituir o sobrenatural) para a concretização e objetificação do conhecimento científico, ou seja, se torna uma de suas premissas. a ciência faz parte sim da metafísica, mas a parte destacada em negrito pelo Geotecton não deixa de ser absurda.

Exatamente.

A minha crítica é sobre esta parte (ou tipo) da metafísica.
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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #98 Online: 03 de Junho de 2016, 08:46:09 »
Certamente que essas opções que você colocou  não  são todas as opções possíveis,  parece que você esqueceu de uma área do conhecimento que trata de problemas que não caem na alçada das ciências:

A Filosofia opera sobre uma tríplice problemática:

1) PROBLEMAS QUE NÃO CAEM SOBRE A ALÇADA DAS CIÊNCIAS:
 Metafísica / Ontologia

Sistema de idéias e de teses que pretende explicar o mundo por meio de princípios gerais e abstratos.

Trata da “ciência” subjetiva do universo (Cosmologia). Compartilha com a Religião a busca das
verdades primeiras (eternas) e incondicionais, tais como as relativas à natureza de Deus, da alma e do universo (totalidade cósmica), através de procedimento não-experimental
. Diverge da fé por seu de caráter especulativo.
[...]

É sério que você acha que a metafísica se equipara à Ciência?



Não. Eu não afirmei isso,  muito pelo contrário, a minha afirmação inicial foi a de que há problemas que não caem sobre a alçada das ciências. Em momento algum eu afirmei que as considero  idênticas.



Basta ler a parte em negrito para constatar a idiotice desta assertiva.


Como eu não afirmei tal coisa, não houve nenhuma assertiva idiota.



Online JJ

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Re:A Ideologia Cientificista
« Resposta #99 Online: 03 de Junho de 2016, 08:57:05 »
Ainda bem que li só essa frase, o que me poupa de ler o resto:

Citar
Em síntese, temos a ilusão de progresso e de evolução na ciência por dois motivos principais, segundo M. Chauí:



Criacionista que se depara com um trecho de texto sobre evolução:


[Criacionista]

Ainda bem que li só essa frase, o que me poupa de ler o resto:

Citar
100 MdA   Ancestral genético comum de ratos e humanos.

[/Criacionista]

 

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