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Os Evangélicos e a Política
« Online: 30 de Maio de 2019, 12:37:00 »

Como os evangélicos aumentaram sua influência política na América Latina


O desenvolvimento dessas igrejas se traduz em um aumento do voto conservador na região



Por AFP access_time 6 out 2018, 16h08 - Publicado em 6 out 2018, 14h13


Fachada do Templo de Salomão, construído pela Igreja Universal do Reino de Deus em São Paulo (REUTERS/Nacho Doce/Reuters)


À imagem e semelhança de seus lugares de culto, que se multiplicam em diversas capitais latino-americanas, os movimentos evangélicos ampliam sua influência na vida política de uma região tradicionalmente católica.

O desenvolvimento dessas igrejas – que se opõem ao direito ao aborto, ao casamento entre homossexuais, à legalização da maconha e à “ideologia de gênero” – se traduz em um aumento do voto conservador.


O Brasil é um exemplo muito atual do fenômeno: nas eleições deste domingo (7), as pesquisas apontam como primeiro colocado o candidato de extrema direita Jair Bolsonaro, que cresceu graças ao respaldo ativo dos movimentos evangélicos.

Brasil: maior população pentecostal
Cerca de 40% dos católicos do mundo estão na América Latina, mas as igrejas evangélicas, que se reconhecem como protestantes, atraem cada vez mais fiéis na área.


Em 2017, um estudo sobre a religião na região, da consultoria Latinobarómetro, estimava que quase um em cada cinco latino-americanos (195) era protestante, com picos de 41% e 39% na Guatemala e em Honduras.

“No Brasil, o crescimento dos pentecostais (uma das correntes evangélicas) foi tão forte que o país hoje tem a maior população pentecostal do mundo. Superior até à dos Estados Unidos”, explicou à AFP Andrew Chesnut, diretor de Estudos Católicos na Virginia Commonwealth University dos Estados Unidos.

“As igrejas evangélicas conseguiram responder melhor às necessidades das novas gerações de latino-americanos, especialmente em contextos de transformações sociais aceleradas, caracterizadas por uma urbanização e uma globalização acelerada”, explica William Mauricio Beltrán, especialista em religião e professor da Universidade Nacional da Colômbia.

“Todos esses processos deixaram grandes setores da população excluídos, ou com oportunidades muito escassas”, observou.

Para os dois professores, os escândalos de pedofilia que afetam a Igreja católica, como se viu no Chile, devem levar cada vez mais pessoas a se aproximarem dos movimentos evangélicos.

Na palestra
“As temáticas preferidas dos evangélicos estão cada vez mais presentes no debate público” regional, afirma Gaspard Estrada, especialista em América Latina no Instituto de Estudos Políticos (Sciences Po) de Paris.

A controversa mudança da embaixada da Guatemala em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, em maio; o apoio ao “Não” no referendo dos acordos de paz entre o governo da Colômbia e a ex-guerrilha Farc, em outubro de 2016; ou o respaldo ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2017, foram manifestações dessas crescente influência.

A fé evangélica foi um fator que contribuiu para o presidente da Guatemala, Jimmy Morales, decidir migrar a embaixada: os evangélicos respaldam com fervor Israel porque pretendem que os judeus reconstruam seu templo em Jerusalém, o que facilitaria, segundo sua crença, o retorno de Cristo.

“Os pastores evangélicos intervêm muito mais na vida cotidiana de seus fiéis e não têm problema algum de pedir voto para alguém”, destaca Estrada.

No Brasil, a influente Igreja Universal do Reino de Deus pediu abertamente apoio a Jair Bolsonaro, candidato elogioso à ditadura militar (1964-1989) que lidera as pesquisas de intenção de voto.

Guinada à direita?
“As eleições recentes no Chile, na Costa Rica, no México, na Colômbia, na Guatemala e a de domingo no Brasil revelam uma polarização crescente do eleitorado e um giro político à direita”, avalia o americano Andrew Chesnut.

“Mesmo na esquerda, (o presidente eleito do México Andrés Manuel) López Obrador avaliou que devia se aliar a um pequeno partido conservador, fundado por um pastor pentecostal, para garantir seu triunfo”.

Para Gaspard Estrada, da Sciences Po, o que se vê na região é “mais uma vitória da alternância” que uma guinada à direita.

“Os escândalos de corrupção, a carência de lideranças e a falta de crescimento” econômico levaram a uma “radicalização do eleitorado na América Latina”, acredita ele.

“Esta afirmação do voto evangélico e conservador é uma reação ao avanço do voto feminista e da sociedade civil”, considera Estrada.

“As igrejas evangélicas conseguiram se tornar um novo ator político cujo papel e poder deve ser considerado a cada vez que se considera a disputa eleitoral”, concluiu o colombiano William Mauricio Beltrán.


https://exame.abril.com.br/mundo/como-os-evangelicos-aumentam-sua-influencia-politica-na-america-latina/

« Última modificação: 30 de Maio de 2019, 12:54:41 por JJ »

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Re:Os Evangélicos e a política
« Resposta #1 Online: 30 de Maio de 2019, 12:52:00 »
O que está por trás do apoio de líderes evangélicos a Bolsonaro


Deputado chega a 70% das intenções de votos válidos no segmento, mas é preciso mensurar corretamente a influência dos pastores mais populares do brasil no processo eleitoral


O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro
11/10/2018 - MAURO PIMENTEL / AFP


Ao divulgar a primeira pesquisa do segundo turno da corrida presidencial, o jornal Folha de S. Paulo informou essa semana que o candidato Jair Bolsonaro (PSL) está batendo a marca de 70% dos votos válidos entre os evangélicos. Várias das principais lideranças do segmento estão apoiando o deputado na  os pingos nos is sobre o real significado desses movimentos. Está em curso uma análise lugar comum que superdimensiona a importância de posicionamentos políticos recentes dos pastores mais populares do Brasil. Há uma inversão dos efeitos de causa e consequência muito conveniente para as lideranças que agora aparecem ao lado do candidato do PSL. A verdade é que faz tempo que os evangélicos estão escolhendo Bolsonaro como o candidato que os representa melhor.

A adesão de Edir Macedo, Silas Malafaia e cia foi posterior ao avanço espontâneo do presidenciável no meio. Vamos ao exemplo de Malafaia, fundador da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e talvez hoje o maior símbolo da aproximação das lideranças com Bolsonaro (semanalmente os dois gravam juntos vídeos para as redes sociais). Seu candidato preferido ao Planalto sempre foi João Dória.

Em março, quando notou que o ex-prefeito de São Paulo seria rifado da corrida presidencial pelo PSDB, passou a olhar com
bons olhos para Bolsonaro, mas sem defendê-lo veementemente. Durante o ano, Malafaia priorizou atacar políticos de esquerda e pregar fortemente o antipetismo - pedir votos no número 17 foi um processo muito mais recente. A falta de convicção na escolha definitiva explica-se por cálculo (era preciso ver se Bolsonaro derreteria com o início da campanha) e uma mágoa do passado. No início da década, os dois se aproximaram durante a polêmica da cartilha que chamam até hoje de "kit gay". De dezembro de 2016  até a pré-campanha desse ano, as relações ficaram estremecidas. Irritou ao pastor o fato do deputado não tê-lo defendido publicamente no episódio da condução coercitiva a que foi submetido na operação Timóteo da Polícia Federal. Há dois anos, ele foi alvo de uma investigação por receber o depósito de um suspeito de lavagem de dinheiro – Malafaia depois esclareceu que se tratava de uma oferta para a sua igreja e que não tinha nenhuma relação com o personagem. Esse ano, antes da campanha começar, o senador Magno Malta (PR) selou as pazes entre a dupla, que agora aparece ao público como se aliados históricos fossem. Apesar de apresentar justificativas ideológicas para suas escolhas, o pragmatismo e o faro para antecipar tendências dos seus fieis são marcas de Malafaia.
   

Algumas vezes, no entanto, as apostas estão erradas. O pastor foi pró-Lula em 2002 e manteve-se neutro na disputa seguinte mesmo depois do escândalo do Mensalão (ou seja, não se opôs ao PT na ocasião). Em 2010, apoiou Marina, mas faltando duas semanas para o primeiro turno, descambou para o lado de José Serra. Dilma Roussef acabou vencendo. Na eleição posterior, foi de Aécio Neves e, mais uma vez, ficou do lado derrotado. No Rio, contudo, onde mora e fica a sede da sua igreja, o pastor sempre esteve ligado às conquistas. Em uma década, apoiou todas as vitórias de Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Eduardo Paes. A propósito, no atual segundo turno entre Paes e Witzel, Malafaia ainda não cravou o que vai fazer. Quer esperar os debates, afirma.


Falemos agora do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus. O PRB, seu partido, teve dificuldades de entender quem poderia ser competitivo esse ano. Lembro de uma conversa que tive com o prefeito Marcelo Crivella na sede da
prefeitura no ano passado. No encontro, ele enalteceu o nome de Henrique Meirelles como possibilidade para a Presidência (o
desempenho do ex-ministro da Fazenda no domingo passado, como se sabe, foi sofrível).


Em 2018, o PRB cogitou Dória, conversou com Ciro Gomes junto ao Centrão, mas acabou embarcando na candidatura de
Geraldo Alckmin. Fracassou. Faltando uma semana para o primeiro turno, Edir Macedo saltou do bote tucano em busca de uma
salvação. O bispo declarou voto em Bolsonaro em uma mensagem para os seus seguidores nas redes sociais.
A reflexão padrão Tostines novamente é necessária: vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais? Macedo foi de Bolsonaro e seus fieis apoiaram ou seus fieis apoiaram e Macedo foi de Bolsonaro? Creio na segunda opção.
O método dos líderes evangélicos é sempre o mesmo (e, por isso, a turma é bem sucedida há décadas). Ao contrário do que o senso comum prega, os pastores não tratam quem frequenta as suas igrejas como um rebanho manipulável a qualquer custo. Seu dom está em farejar muito bem para onde aponta a bússola do poder entre os seus seguidores.


A Universal foi parceira dos governos do PT desde 2002. Quatorze anos depois, os ventos viraram e o PRB esteve entre os partidos favoráveis ao impeachment de Dilma Rousseff. A legenda chegou a assumir um ministério no governo Michel Temer.
Agora, espera continuar na órbita governista em 2019. Ser oposição não é uma possibilidade. Na eleição do Rio, outro exemplo de como a igreja de Macedo se move. O PRB começou o ano apoiando Indio da Costa para governador; passou para Anthony Garotinho até ser decretada a sua inegibilidade; ensaiou se aliar a Romario, mas na última hora lançou suas fichas no ex-juiz Wilson Witzel, hoje favorito para ocupar o Palácio Guanabara a partir de 1 de janeiro.


Apostar corretamente nessa eleição será fundamental para Malafaia e Macedo. Ambos enfrentam um momento de ajustes
nos próprios negócios. No último ano, Malafaia teve que passar a tesoura nas suas empresas (gravadora e editora de livros) e
demitiu cerca de 40% do quadro de pessoal. A Universal também apertou o cinto nas despesas. No início do mês passado, por
exemplo, a igreja cortou cerca de R$ 120 milhões que comprava de espaços em emissoras de TV - sem ser a Record - para
transmitir seus cultos.

Mas então os pastores não têm nenhuma influência nas eleições? Claro que sim. E muita. Tratei aqui apenas de calibrar o seu
peso em disputas majoritárias. Desde a eleição de Crivella para prefeito do Rio, há exageros na análise da capacidade de
transferência de votos dos líderes evangélicos em disputas ao Executivo (repito, o pensamento é muito conveniente para os comandantes das igrejas e eles acabam parecendo mais poderosos do que realmente são). O Crivella 2016, sem querer
tirar seus méritos, foi produto de um candidato ruim escolhido por Paes para enfrentá-lo (Pedro Paulo Carvalho) e de um segundo turno contra uma esquerda, na época muito rejeitada no país (Marcelo Freixo).


Um movimento estrutural de crescimento dos evangélicos na política está em eleições proporcionais pelo país desde os anos 80. Aí sim, parece operar com êxito a influência de lideranças como Malafaia e Macedo. E com método. Em "Neopentecostais - Sociologia do novo pentecostalismo no Brasil", o professor Ricardo Mariano, o maior especialista no tema no Brasil, define bem como um conceito passou a ser martelado nas igrejas nos últimos 30 anos. "Ao substituir a velha máxima de que 'crente não se mete em política' por projetos radicados no slogan 'irmão vota em irmão', entraram de 'corpo e alma' no jogo político", escreve Mariano, baseado em dados. Em 1988, a bancada evangélica na Câmara era de 32 parlamentares. No ano passado, o número já era de 87. É preciso esperar o novo Congresso tomar posse, mas a expectativa é de crescimento dos representantes das igrejas na próxima Legislatura. Homens de Malafaia e Macedo novamente estarão em Brasília.

Em 2012, durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, o então secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que o PT precisava fazer "uma disputa ideológica" pelos setores evangélicos emergentes. Carvalho começou a enxergar a necessidade de não perder uma classe C religiosa que foi fortaleza lulista durante anos. É esse público que agora parece querer escolher Bolsonaro presidente. E ele será ainda mais representativo nos próximos anos


O Brasil tinha 6,6% de evangélicos em 1980. Passou para 9% em 1990; 15,6%, em 2000; 22%, em 2010; terminará a década, segundo projeções, com 30%. Pelo ritmo do avanço, teremos mais evangélicos que católicos no país a partir de 2040.
É inevitável que as mudanças demográficas sejam acompanhadas de reflexos ainda maiores na política. E as lideranças
evangélicas estarão sempre com um olho no movimento dos seus fieis e outro na expectativa de poder.


https://epoca.globo.com/thiago-prado/o-que-esta-por-tras-do-apoio-de-lideres-evangelicos-bolsonaro-23154590


« Última modificação: 30 de Maio de 2019, 13:27:16 por JJ »

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Re:Os Evangélicos e a Política
« Resposta #2 Online: 30 de Maio de 2019, 13:15:20 »
Os evangélicos na política brasileira

16 de novembro de 2016

16 min atrás1,968 Visualizações
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Sydnei Melo

No Brasil, especialmente desde o final da década de 1980, tem-se desenvolvido um conjunto consistente de estudos a respeito das relações entre os cristãos evangélicos e a política no Brasil. As primeiras referências a serem lembradas são os estudos de Antônio Flávio Pierucci (1996)[1] e Paul Freston (1993), que se debruçaram sobre a “novidade” da irrupção evangélica na política nacional, especialmente protagonizada por vertentes pentecostais. A constatação de um crescimento contínuo da participação dos evangélicos no parlamento nacional motivou outros estudos durante as décadas de 1990 e 2000[2], e novas pesquisas na década de 2010 estão em desenvolvimento face ao destacado – e polêmico – papel político que setores evangélicos têm exercido na conjuntura política do país[3]. Polêmico por exigir dos pesquisadores, bem como dos agentes políticos, reflexões e posicionamentos cuidadosos a respeito das complexas relações entre as esferas do religioso e do político, entre o privado e o público, entre a defesa de um Estado e de um espaço político laico e a reivindicação de demandas que, fundadas em preceitos religiosos, seriam contrárias ao princípio da separação entre Estado e religião, ratificado na Carta Magna de 1988. Polêmico, também, por indicar que os evangélicos, especialmente os de matiz conservadora, têm sido capazes de pautar parte expressiva da agenda política nacional em torno de suas demandas – especialmente relacionadas à restrição aos direitos reprodutivos das mulheres, contra a ampliação dos direitos civis para a população homossexual, bem como contra iniciativas de inclusão da temática de gênero e sexualidade na esfera educacional. Os conflitos de interesse entre movimentos sociais – especialmente os coletivos feministas e LGBTs – e grupos religiosos conservadores têm assumido ampla ressonância na sociedade brasileira e na política do país. As eleições presidenciais de 2010[4] e de 2014[5] evidenciam um importante papel cumprido pela religião no debate político entre os postulantes ao executivo federal.


Até meados da década de 1980, “crente não se mete em política” era um bordão conhecido entre católicos e outros grupos religiosos e não-religiosos. Tal afirmação era, sobretudo entre os pentecostais, uma autodefinição comum. Na história política brasileira registra-se uma participação, mesmo que pequena, dos cristãos protestantes nos espaços legislativos[6]. Os pentecostais, porém, eram muito mais conhecidos por seu alheamento em relação à vida política em qualquer nível (Pierucci, 1996, p. 163; Mariano, 1999, p. 15-16). No entanto, os evangélicos – pentecostais em sua maioria – surpreenderiam políticos e analistas sociais com seu espantoso e rápido crescimento na Câmara dos Deputados, ocupando 33 cadeiras na Assembleia Constituinte de 1987[7]. O crente que não se metia em política passava, agora, a lidar com um novo slogan: “irmão vota em irmão”[8].


Com pouquíssimas exceções, os deputados evangélicos eleitos em 1987 distribuíam-se entre partidos que iam da direita ao centro (PDC, PFL, PTB e PMDB). O simples pertencimento partidário, porém, não nos permitiria defini-los como conservadores. Mas eles mesmos, em sua maioria, se identificavam desta forma, afirmando adentrarem à arena política como um modo de reivindicarem a preservação da moralidade privada tradicional, ou sua restauração – diante da possível erosão desta moralidade por força do avanço da modernização e dos modernismos comportamentais –, aliando-se, para tanto, a outras forças de conservação da ordem, como a União Democrática Ruralista, a União Brasileira de Empresários, o “centrão”, e os partidos e facções partidárias de direita.. Segundo Pierucci, a direita política tornava-se uma “nova direita” em razão destas tonalidades moralistas que constituíam os discursos dos parlamentares evangélicos, e que injetavam no conservadorismo socioeconômico revigorada ênfase nas teses conservadoras ou restauracionistas em matéria sexual (cf. Pierucci, 1996a, p. 178). Estávamos diante de um conservadorismo religioso que não apenas buscava combater o feminismo, a homossexualidade, o comunismo, etc, em razão de valores morais, mas que também contribuía para a defesa de propostas conservadoras em temas econômicos e sociais.


O impacto da presença evangélica no parlamento e no contexto eleitoral da virada das décadas de 1980-1990 seria percebido como um importante elemento do jogo político por candidatos, políticos tradicionais e partidos. O então presidente da República, José Sarney, que reconheceu a representação evangélica como a “grande novidade” da Assembleia Constituinte, pôde contar com o apoio da maior parte da bancada religiosa para a aprovação de seus projetos de governo (cf. Freston, 1993, p. 226). A aliança entre governistas e a maioria dos deputados evangélicos não deixaria de render dividendos importantes para estes e os grupos religiosos que representavam: verbas, cargos e concessões de emissoras de rádios e canais de televisão estavam entre os principais ganhos (cf. Pierucci, 1996a, p. 189–191).

O temor em relação ao avanço do comunismo, e de demandas como a legalização do aborto e o casamento entre homossexuais, alimentou o discurso de parlamentares evangélicos durante e após a Constituinte. O anticomunismo, em especial, foi um grande motivador da entrada de pastores e políticos evangélicos em defesa da candidatura de Fernando Collor de Melo à presidência do Brasil em 1989 (Mariano e Pierucci, 1996, p. 201). Já em 1994, após o fiasco do governo Collor e com o “espectro” do comunismo cada vez mais distante, a participação das lideranças pentecostais nas eleições presidenciais se desenvolveu de forma mais discreta. O PT, que havia novamente lançado Lula ao pleito presidencial, buscou se aproximar de forma mais contundente dos setores evangélicos, especialmente entre os protestantes históricos. Em comparação a 1989, a única igreja que formalmente continuava a se posicionar contra a candidatura de Lula era a Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo bispo Edir Macedo, por meio de jornais (como a Folha Universal) e programas televisivos[9].

O crescimento dos evangélicos no quadro religioso brasileiro[10] foi acompanhado do aumento de sua presença no eleitorado[11] e da ampliação do número de parlamentares que constituíam a “bancada evangélica” no congresso durante a década de 2000[12], período que compreendeu o encerramento do mandato de Fernando Henrique Cardoso e os governos de Lula da Silva. Sabemos que a condução do PT ao executivo federal remete-se a mudanças no jogo das alianças e compromissos políticos promovidos por este partido com a intenção de garantir sua vitória. O dado da ampliação de suas coligações com legendas fora do espectro da esquerda também é acompanhado de sua aproximação mais categórica aos setores evangélicos[13].

Em 2010, no entanto, o país testemunharia um processo eleitoral com uma ativa intromissão do elemento religioso, em um patamar que não se havia visto desde a reabertura democrática. A entrada de Dilma Rousseff na corrida presidencial desencadeou uma série de discursos, tanto na internet quando nos púlpitos religiosos, de repúdio à candidata petista e ao próprio partido: a legalização do aborto e a criminalização da homofobia (e, supostamente, sua consequente ameaça à liberdade de expressão religiosa) tornavam-se sinônimos de “legalização da iniquidade”[14], e o PT passava a ser visto como o partido que havia “fechado questão” com estes temas. Alimentava o núcleo desta crítica a lembrança de declarações de Dilma, anteriores à sua candidatura, expressamente favoráveis à descriminalização do aborto, e a exaustiva recapitulação de posições, encontradas em textos petistas e governamentais, que destacavam projetos de modernização jurídica com vistas a ampliação de direitos e da cidadania para mulheres e homossexuais.

As campanhas eleitorais, consequentemente, sinalizaram a forte presença do discurso religioso no debate político nacional. Uma “Carta ao povo de Deus” foi publicada pela campanha de Dilma Rousseff, buscando minimizar os impactos das críticas antipetistas, enquanto que a candidata, agora, dizia-se contra o aborto, entendendo que o tema deveria ser discutido no Congresso. José Serra, principal candidato de oposição, declarava-se contra o aborto ao mesmo tempo que seu comitê de campanha distribuía santinhos com mensagens religiosas assinadas pelo candidato. Marina Silva, a única evangélica a disputar a presidência naquele ano, advogou plebiscitos sobre a legalização do aborto e outros temas polêmicos[15]. Foi acusada de “dissimulação” por Silas Malafaia: “infelizmente, Marina não nega suas raízes petistas”[16].

Este acirramento religioso no cenário político, fortalecido pelos embates cada vez mais crescentes entre setores religiosos e militantes feministas e LGBT em torno do Plano Nacional de Direitos Humanos e de temas relacionados (como o aborto, as relações homoafetivas e a criminalização da homofobia), contribuiu para o crescimento da visibilidade da militância religiosa e conservadora em diversas esferas, entre elas a legislativa. A Frente Parlamentar Evangélica (FPE) da legislatura 2011-2015 registrou, oficialmente, 70 deputados[17], e a atuação destes representantes recebeu grande destaque da mídia e atenção das lideranças governamentais. Debates como o que envolveu o Ministério da Educação e parlamentares evangélicos em tornos dos materiais educativos do programa “Escola sem Homofobia” – suspenso por pressão da “bancada evangélica” – permitem dimensionar o alcance político que os discursos religiosos conservadores assumiram na conjuntura política contemporânea. Outro destaque certamente pode ser atribuído à escolha do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, que resultou em um confronto político, amplamente divulgado na opinião pública, entre militantes do movimento LGBT e o pastor e parlamentar, conhecido por suas declarações contrárias aos direitos dos homossexuais[18]. Aparentemente, a FPE, cuja unidade de atuação e capacidade de forjar um projeto político próprio era vista com ceticismo por alguns pesquisadores (Machado, 2006; Burity e Machado, 2006), passou a evidenciar maior organicidade e força de atuação política em defesa de um projeto político calcado em bandeiras moralizantes no âmbito dos direitos reprodutivos e da sexualidade (cf. Vital e Lopes, 2013, p. 177–178).

Considerações sobre a história da participação dos evangélicos na política brasileira são fundamentais para que possamos compreender o avanço de suas demandas – predominantemente conservadoras – e as condições que sustentam sua capacidade de pautarem o debate político e colocarem-se como players importantes no cenário político do país. Os recentes resultados das eleições municipais, com o crescimento da eleição de candidaturas do segmento evangélico em câmaras de vereadores e prefeituras – Marcelo Crivella, no Rio de Janeiro, é o caso mais emblemático – reforçam duas necessidades.

Primeiro, temos de desenvolver uma agenda de investigação que considere a existência de um pensamento político que sustenta a atuação política destes atores. Suas ideias devem ser levadas a sério, sob o risco de não acompanharmos seu avanço social – dificultando, consequentemente, a capacidade da esquerda de oferecer saídas diferentes aos problemas que a população anseia resolver e cuja saída localizam, por exemplo, nas candidaturas evangélicas conservadoras.

Em segundo lugar, uma esquerda que deseje ampliar o alcance de suas ideias e ações não pode ignorar o diálogo necessário com os religiosos, que constituem parcela tão importante da população brasileira, especialmente nas periferias. No Brasil, o cristianismo pentecostal é uma religião negra e pobre. Seus fiéis, consequentemente, também sofrem com as mazelas de uma política classista e racista. Ou a esquerda abandona o seu ranço com a religiosidade contemporânea, abrindo-se à pluralidade de seus quadros e buscando, efetivamente, dialogar com estes setores sobre os problemas que enfrentam – desfazendo-se, inclusive, de seus próprios preconceitos – ou estará fadada ao esquecimento entre os mais pobres e religiosos que, com suas diferentes razões, seguirão depositando confiança em Crivellas e Felicianos pelo país afora.



http://blogjunho.com.br/os-evangelicos-na-politica-brasileira/
« Última modificação: 30 de Maio de 2019, 13:27:56 por JJ »

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Re:Os Evangélicos e a Política
« Resposta #3 Online: 30 de Maio de 2019, 13:15:48 »
Referências bibliográficas

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MACHADO, Maria das Dores Campos. Política e religião: a participação dos evangélicos nas eleições. Rio de Janeiro: FGV, 2006.

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Notas

[1] Fazemos especial referência a três artigos publicados inicialmente em 1989, 1992 e 1995, e reunidos em A realidade social das religiões no Brasil, de 1996.

[2] Fernandes et al., 1998; Freston, 2001; Fonseca, 2002; Machado, 2006; Burity e Machado, 2006; Baptista, 2009, entre outros.

[3] Cf. Vital e Lopes, 2013.

[4] Cf. Pierucci, 2011.

[5] Cf. Cunha, 2014; Tadvald, 2015. O tema das relações entre religião e política no último pleito presidencial também foi objeto de eventos acadêmicos como o debate “Eleições 2014: Religião e Estado Laico” (setembro de 2014) e o Fórum “Laicidade e Intolerância” (outubro de 2015), ambos realizados na UNICAMP.

[6] Freston (1993, p. 167) indica que, desde a legislatura de 1946-1951, houve um número levemente crescente de parlamentares protestantes a nível federal, chegando ao máximo de 17 deputados federais e senadores na legislatura de 1983-1987.

[7] Destes, 18 eram pentecostais – sendo 14 provenientes da Assembleia de Deus – e 8 eram de origem batista.

[8] Em 1986, o livro de Josué Sylvestre, Irmão vota em irmão, teve grande repercussão. Líder assembleiano e assessor do Senado, Sylvestre enfatizou a importância de os evangélicos votarem em candidatos da mesma fé: “Bastaria o argumento do amor cristão para fazer com que os crentes votassem nos crentes. Porque quem ama, não quer ver o seu irmão derrotado (…). Crente vota em crente, porque, do contrário, não tem condições de afirmar que é mesmo crente” (Sylvestre, 1986, p. 53–54; cf. Freston, 1993, p. 211).

[9] Lula era acusado de querer legalizar o aborto e o casamento homossexual; também era acusado de visitar centros de religiosidade afro (“religiões do demônio”, diria o líder da IURD); o PT era denunciado como um partido naturalmente antidemocrático, e as ligações entre o PT e setores da Igreja Católica trariam o risco de uma “nova inquisição” contra os evangélicos. Para Freston (2001, p. 40), mais do que em razão de um posicionamento político conservador, as críticas de Edir Macedo seriam especialmente motivadas pela bandeira da campanha petista em relação à democratização dos meios de comunicação e a construção de barreiras a oligopólios no setor. Edir Macedo era dono da Rede Record de televisão desde 1989.

[10] Em 2000, os evangélicos representavam 15,4% da população brasileira. Em 2010, este índice alcançava 22,2%.

[11] Segundo o ESEB 2010, 21,6% dos entrevistados declararam-se evangélicos – pentecostais, 15,0%; não-pentecostais, 6,9% (Opinião Pública, Campinas, v. 17, nº 2, novembro, 2011).

[12] Considerando o efetivo exercício parlamentar, tivemos 51 deputados federais e dois senadores na legislatura 1999-2003; 58 deputados e três senadores no período 2004-2007; 40 deputados e dois senadores para a legislatura 2008-2011. A redução entre 2008 e 2011, segundo Baptista (2009, p. 365), pode ter no escândalo das “sanguessugas” sua principal explicação, “tendo causado maior redução relativa no grupo da [Igreja] Universal [do Reino de Deus], porque também sua bancada foi a que teve mais parlamentares citados nos processos de corrupção”.

[13] A aproximação entre o PT e a IURD exemplifica este ponto: se em 1994 a IURD ainda se opunha fervorosamente à campanha petista, a partir de 2002 a igreja de Edir Macedo passará a apoiar Lula – movimento também acompanhado por alguns setores da Assembleia de Deus (cf. Trevisan, 2013, p. 5–6).

[14] O termo foi cunhado em uma pregação do pastor Paschoal Piragine Jr, da Primeira Igreja Batista de Curitiba, que “viralizou” entre os internautas durante as eleições de 2010.

[15] Sobre a campanha de Marina Silva, cf. Iasulaitis, 2010. Sobre a questão do aborto nas eleições de 2010, cf. Machado, 2012.

[16] Disponível em <http://bit.ly/2ggM1HB>, acesso em 04/08/2012.

[17] Cf. Vital e Lopes, 2013, p. 187.

[18] Os dividendos eleitorais da atuação política de Marco Feliciano foram notáveis: recebendo 212 mil votos em 2010, o deputado foi reeleito em 2014 com pouco mais de 398 mil votos.


http://blogjunho.com.br/os-evangelicos-na-politica-brasileira/

Offline Fenrir

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Re:Os Evangélicos e a Política
« Resposta #4 Online: 30 de Maio de 2019, 22:21:03 »
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...
O Brasil tinha 6,6% de evangélicos em 1980. Passou para 9% em 1990; 15,6%, em 2000; 22%, em 2010; terminará a década, segundo projeções, com 30%. Pelo ritmo do avanço, teremos mais evangélicos que católicos no país a partir de 2040.
...

Cenario bem sombrio. Um dos piores possíveis, na minha opinião.

Com este avanço eles ganharão poder e os evangélicos daqui parecem ser os da pior espécie: Os neopentecostais.
Se pelo menos o tipo de protestantismo que crescesse aqui fosse o tradicional, seria menos ruim.
Talvez lá pelos idos de 2045 já estejam ensinando terraplanismo+geocentrismo+criacionismo e mais outras coisas ultramega
estúpidas e retardadas nas escolas.
Eu já não terei muito tempo pela frente, mas meus filhos não. Espero que nessas alturas já tenham saido daqui e vejam a decadência
desse projeto de país de uma distância bem segura.

É a futura pátria do evangelho, não é o que dizem os espíritas? Trouxas - vão se dar mal num país infestado por crentes.
E bem-feito pra ICAR tambem.
"Heaven and Earth are not benevolent; They treat the myriad of creatures as straw dogs"
― Laozi

"No testimony is sufficient to establish a miracle, unless the testimony be of such a kind, that its falsehood would be more miraculous, than the fact, which it endeavors to establish"
― David Hume

“Never argue with an idiot. They will drag you down to their level and beat you with experience.”
― Mark Twain

Offline JJ

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Re:Os Evangélicos e a Política
« Resposta #5 Online: 31 de Maio de 2019, 10:42:43 »

Pastor fez menção a comentário do deputado sobre brasileiros em situação ilegal no exterior e disse que o filho do presidente "não conhece a realidade"



Silas Malafaia criticou fala de Eduardo Bolsonaro sobre brasileiros vivendo na ilegalidade nos Estados Unidos

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - 25.6.2015



Silas Malafaia criticou fala de Eduardo Bolsonaro sobre brasileiros vivendo na ilegalidade nos Estados Unidos

O pastor Silas Malafaia, aliado do governo de Jair Bolsonaro (PSL), fez críticas às falas de um dos filhos do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, na noite desse domingo (17). Na ocasião, ele disse que Eduardo poderia "ter ficado de boca fechada".


Silas Malafaia  respondeu às  críticas de Eduardo Bolsonaro sobre brasileiros em situação ilegal no território norte-americano. Para o deputado, essas pessoas são "uma vergonha" para o País e os EUA não ofereceram reciprocidade aos brasileiros na questão da isenção de visto porque mais pessoas passariam a viver ilegalmente lá. 
A fala aconteceu ao fim de um evento em Washington, fazendo menção à decisão de Bolsonaro de acabar com a necessidade de visto para americanos que venham ao Brasil. Os Estados Unidos, por outro lado, não fizeram o mesmo. O ministro das Relações Exteriores,  Ernesto Araújo, afirmou que negociaria a questão durante a viagem.


O pastor afirmou que a maioria dos brasileiros nessa situação são "trabalhadores" que estão fugindo do desemprego no Brasil. "O filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, ajudaria muito mais ao governo do seu pai, parando de falar asneira. Poderia ter ficado de boca fechada na questão dos imigrantes ilegais brasileiros. Não conhece a realidade da questão. A maioria, quase que absoluta, vai para trabalhar", escreveu.


EU SOU EXATAMENTE AO CONTRÁRIO DO QUE PENSA EDUARDO BOLSOBARO > Não tenho vergonha dos brasileiros ilegais q estão em diversas nações poderosas. Ñ são vagabundos nem pilantras, pelo contrário, trabalhadores q foram tentar a vida fugindo do desemprego.ISSO É A MAIORIA DELES!

— Silas Malafaia (@PastorMalafaia) 18 de março de 2019



Não é a primeira vez que o pastor critica o comportamento de Eduardo Bolsonaro . No início do mês, o pastor também criticou o deputado, quando o filho do presidente escreveu nas redes sociais que o fato do ex-presidente Lula ter deixado a prisão para ir ao enterro do neto o colocava "posando de coitado".
 
Leia também: Bolsonaro tem jantar com embaixador brasileiro e encontro com Olavo, nos EUA

No episódio,  Silas Malafaia  disse que Eduardo "perdeu uma ótima oportunidade de boca fechada" e que "o sábio Salomão já dizia que até o tolo quando se cala, se passa por sábio".

Link deste artigo: https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2019-03-18/silas-malafaia-critica-eduardo-bolsonaro.html

Fonte: Último Segundo - iG @ https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2019-03-18/silas-malafaia-critica-eduardo-bolsonaro.html



 

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