Autor Tópico: Quem diria hein? Marx era contra o protecionismo e a favor da livre concorrência  (Lida 213 vezes)

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Marx contra o protecionismo

Comecemos pela questão do protecionismo.

Marx entendia perfeitamente — ao contrário da esquerda atual — que tarifas protecionistas impostas pelo governo aos produtos estrangeiros serviam apenas para proteger os lucros do grande baronato industrial, blindando-os da concorrência e garantindo-lhes um mercado cativo.  Marx reconhecia que o protecionismo nada mais era que uma reserva de mercado em prol dos grandes empresários e contra o povo; o protecionismo era a garantia de um monopólio.

Em um discurso proferido em 1848, Marx disse:

Onerar os cereais estrangeiros com tarifas protecionistas é algo abominável; é especular em cima da fome do povo.

E prosseguiu:

Se eles [os protecionistas] falassem abertamente para as classes trabalhadoras, então eles poderiam resumir sua generosidade nas seguintes palavras: é melhor ser explorado pelos seus conterrâneos do que por estrangeiros.

Percebendo que o protecionismo servia apenas para manter o status quo inalterado, Marx constatou:

O sistema de tarifas protecionistas coloca nas mãos do capital de um país as armas que o permitem desprezar o capital dos outros países; tarifas protecionistas aumentam a força deste capital contra o capital estrangeiro. [...] A questão para as classes trabalhadoras não é preservar esse estado de coisas, mas sim transformá-lo no seu oposto.

Já um tanto sem paciência, Marx concluiu seu discurso dizendo:

Não há motivos para continuar nesse assunto.  A partir do momento em que os protecionistas concedem que as reformas sociais não têm espaço no seu sistema e nem resultam dele — a partir deste momento, eles já abandonaram a questão social.

Já em A Ideologia Alemã (1845-46), Marx e Engels afirmam:

As indústrias sempre foram protegida por tarifas alfandegárias, por monopólios no mercado colonial e, no mercado externo, pelo maior número possível de direitos diferenciais. [...] A indústria de modo nenhum podia dispensar a proteção, pois que pode perder o seu mercado e arruinar-se com a mais pequena mudança que se opere noutros países. Sob condições relativamente favoráveis, a indústria pode ser facilmente criada em um país; mas, por essa mesma razão, pode ser facilmente destruída.

Seu companheiro Engels foi tão arguto quanto.  Em um artigo de 1847, ele disse:

A burguesia, com efeito, é incapaz de se manter, de consolidar sua posição, de alcançar o poder irrestrito se ela não proteger e estimular sua indústria por meios artificiais.  Sem tarifas protecionistas contra a indústria estrangeira, ela seria esmagada em uma década.

E concluiu que o protecionismo era uma maneira de os atuais industriais ultrapassarem as antigas classes dominantes.  Ele disse:

A burguesia da Alemanha requer proteção contra países estrangeiros para sobrepujar o que restou da aristocracia feudal.

Marx, em suma, era contra o protecionismo e a favor do livre comércio porque via este como um instrumento do enfraquecimento da burguesa, a qual se fortalecia e enriquecia sob o protecionismo.

Já os liberais/libertários, obviamente, entendem que o livre comércio — isto é, a sua liberdade de transacionar voluntariamente com quem você quiser, sem ser impedido pelo governo — é um instrumento para se alcançar a prosperidade.

Marx e a livre concorrência

No quesito "efeitos benéficos da livre concorrência", Marx também concorda com os austríacos e discorda de todos os atuais marxistas e demais intervencionistas.

Veja o que ele escreveu logo nas páginas iniciais do Manifesto Comunista:

A burguesia, pelo rápido melhoramento de todos os instrumentos de produção, pelas comunicações infinitamente facilitadas, arrasta todas as nações, mesmo as mais bárbaras, para a civilização.

Os preços baratos das suas mercadorias são a artilharia pesada com que deita por terra todas as muralhas da China, com que força à capitulação o mais obstinado ódio dos bárbaros ao estrangeiro, com que compele todas as nações a apropriarem o modo de produção da burguesia, se não quiserem arruinar-se; compele-as a introduzirem no seu seio a chamada civilização, i. e., a tornarem-se burguesas.

Numa palavra, ela cria para si um mundo à sua própria imagem.

Em suma: além de creditar à burguesia e aos seus instrumentos de produção — isto é, ao sistema de lucros e prejuízos — a façanha de retirar nações da barbárie e levá-las à civilização, Marx afirma categoricamente que o modo de produção burguês — que nada mais é do que a busca pelo lucro — gera mercadorias a preços baratos.

E não apenas isso: ele afirma que o sistema de lucros e prejuízos compele todas as nações a adotarem este modo de produção, sob pena de se arruinarem por completo caso não o façam.

Essa é uma conclusão interessante, pois vai contra tudo o que os atuais marxistas e demais intervencionistas afirmam.  Segundo eles, serviços de saúde, educação, segurança, energia e telecomunicações não devem ser ofertados em um ambiente de livre concorrência, pois seriam caros e inacessíveis para os pobres.  Ao afirmarem isso, eles comprovam que não leram Marx.  Se leram, não entenderam.

Marx entendeu perfeitamente que a busca pelo lucro sob um arranjo de livre concorrência leva ao barateamento dos produtos e serviços, e que tal barateamento é "a artilharia pesada com que [o sistema de lucros] ... compele todas as nações a apropriarem o modo de produção da burguesia [e se tornarem civilizadas], se não quiserem arruinar-se."

Ao contrário dos marxistas atuais que defendem a estatização de vários serviços sob o argumento de que isso reduziria seus preços, Marx entendeu que é a busca pelo lucro o que realmente derruba os preços, e não a estatização destes serviços.

Marx contra Keynes

Como se não bastasse, Marx também disparou um petardo contra keynesianos defensores de aumentos de gastos do governo, de déficits orçamentários e de políticas de endividamento estatal.  Marx zombou o keynesianismo antes mesmo de este sistema ter sido criado — algo possível porque não havia absolutamente nada de original nas ideias de Keynes.

Eis o que escreveu Marx em O Capital, capítulo 24, seção 6, "A Gênese do Capitalista Industrial":

A única parte da chamada riqueza nacional que realmente está na posse coletiva dos povos modernos é a sua dívida pública.  Daí ... a doutrina moderna de que um povo se torna tanto mais rico quanto mais profundamente se endividar.  A dívida pública torna-se o credo do capital.  E, com o surgir do endividamento do Estado, vai para o lugar dos pecados contra o Espírito Santo — para os quais não há qualquer perdão — o perjúrio contra a dívida do Estado.

Como com o toque da varinha mágica, [a dívida pública] reveste o dinheiro improdutivo de poder procriador e transforma-o assim em capital.  ... [Mas] a moderna política fiscal... traz em si própria o germe da progressão automática. A sobretaxação não é um acidente, mas sim um princípio.

Ou seja, para Marx, políticas fiscais tipicamente keynesianas, além de serem um método de escravização — pois obrigam os pobres a pagarem impostos para arcar com seus juros —, fazem com que dinheiro improdutivo (dinheiro emprestado para o financiamento do governo) seja ilusoriamente visto como capital gerador de riqueza (para aqueles que detêm os títulos da dívida).

Mais ainda: segundo Marx, criticar o endividamento do estado passou a ser visto, pelos defensores da gastança estatal, como um ato equivalente a uma blasfêmia contra o Espírito Santo.

Qual era a de Marx

Marx, ao contrário do que se supõe, não se incomodava muito com o liberalismo e com o capitalismo (ele inclusive elogiava as obras de Adam Smith e David Ricardo) porque os via como elementos de uma fase intermediária da evolução social, cuja função principal era criar uma classe proletária para depois empobrecê-la.

Tal situação era benéfica ao seu argumento porque essa suposta pobreza gerada pelo capitalismo incitaria os trabalhadores à revolução final, ou seja, ao estágio no qual as classes sociais seriam abolidas.

Inexoravelmente como uma lei da natureza, acreditava Marx, o capitalismo seria destruído justamente pelos trabalhadores supostamente submetidos à exploração.

A afirmação de que o capitalismo tinha uma propensão a criar miséria entre a classe proletária foi desmentida pelos fatos nos 25 anos seguintes à publicação de O Capital. Em 1893, segundo mostra Jörg Guido Hülsmann em sua excelente biografia Mises – The Last Knight of Liberalism, o marxismo já havia perdido o respeito e seu poder de sedução em Viena, onde Mises morava e estudava.

Os líderes intelectuais socialistas, em vez de rejeitarem a teoria diante da desconfortável evidência empírica de que os proletários estavam enriquecendo e melhorando seu padrão de vida, propuseram uma revisão da teoria do socialismo de forma a salvá-la do marxismo, tentando corrigir suas falhas mediante governos eleitos democraticamente.

Vocês certamente sabem os resultados dessa estratégia, pois não?

Conclusão

Se você é um marxista defensor dos pobres e quer que eles tenham acesso a bens e serviços de qualidade a preços baixos, você tem de defender o livre mercado — afinal, Marx acreditava que a busca pelo lucro em um ambiente de livre mercado gera redução de preços.

Se você é um marxista e defende que o povo tenha poder sobre as empresas, você tem de defender a abolição de tarifas protecionistas — afinal, Marx entendia que o protecionismo, além de empobrecer o povo, servia apenas aos interesses do grande baronato industrial

E se você é marxista e é contra a escravização do povo pelas elites financeiras, você tem de defender a anti-keynesiana postura de que os gastos do governo sejam restringidos ao máximo — afinal, Marx reconhecia que os déficits orçamentários do governo aumentavam seu endividamento, e esse endividamento é financiado pelas elites, as quais recebem os juros pagos com os impostos extraídos do povo.

Agora, se você defende que o governo adote tarifas protecionistas, regule o mercado e gaste demasiadamente, você estará defendendo os interesses das grandes empresas e das elites financeiras, e estará defendendo que elas tenham privilégios sobre os pobres e que elas os oprimam com a abolição da concorrência, com preços altos, com serviços precários e com juros altos.

Palavras de Marx.

https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2386

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Quem diria hein? Marx era contra o protecionismo e a favor da livre concorrência
« Resposta #1 Online: 18 de Julho de 2019, 01:26:03 »
Marx e Engels também argumentaram que o valor do trabalho é algo análogo ao valor de óleo no mercado, e que igualdade não faz sentido como conceito abstrato, sendo em última instância impossível. A "igualdade" deve ser buscada na medida em que amplie a liberdade e desenvolvimento humano.


Segundo Karl Marx, a mais-valia/lucro, a exploração do operário, não é algo injusto.

Citar

[...]

The initial argument that Marx must have thought that capitalism is unjust is based on the observation that Marx argued that all capitalist profit is ultimately derived from the exploitation of the worker. Capitalism’s dirty secret is that it is not a realm of harmony and mutual benefit but a system in which one class systematically extracts profit from another. How could this fail to be unjust? Yet it is notable that Marx never concludes this, and in Capital he goes as far as to say that such exchange is ‘by no means an injustice’.

[...]

http://plato.stanford.edu/entries/marx/#5


Citação de: Karl Marx
[...]
O valor diário da força de trabalho importava em 3 xelins, pois nela se materializa meio dia de trabalho, isto é, custam meio dia de trabalho os meios de subsistência quotidianamente necessários para produzir a força de trabalho. Mas, o trabalho pretérito que se materializa na força de trabalho e o trabalho vivo que ela pode realizar, os custos diários de sua produção e o trabalho que ela despende são duas grandezas inteiramente diversas. A primeira grandeza determina seu valor-de-troca, a segunda constitui seu valor-de-uso. Por ser necessário meio dia de trabalho para a manutenção do trabalhador durante 24 horas, não se infira que este está impedido de trabalhar uma jornada inteira. O valor da força de trabalho e o valor que ela cria no processo de trabalho são, portanto duas magnitudes distintas. O capitalista tinha em vista essa diferença de valor quando comprou a força de trabalho. A propriedade útil desta, de fazer fios ou sapatos, era apenas uma conditio sine qua non, pois o trabalho para criar valor, tem de ser despendido em forma útil. Mas, o decisivo foi o valor-de-uso específico da força de trabalho, o qual consiste em ser ela fonte de valor e de mais valor que o que tem. Este é o serviço específico que o capitalista dela espera. E ele procede no caso de acordo com as leis eternas da troca de mercadorias. Na realidade, o vendedor da força de trabalho, como o de qualquer outra mercadoria, realiza seu valor-de-troca e aliena seu valor-de-uso. Não pode receber um, sem transferir o outro. O valor-de-uso do óleo vendido não pertence ao comerciante que o vendeu, e o valor-de-uso da força de trabalho, o próprio trabalho, tampouco pertence a seu vendedor. O possuidor do dinheiro pagou o valor diário da força de trabalho; pertence-lhe, portanto, o uso dela durante o dia, o trabalho de uma jornada inteira. A manutenção quotidiana da força de trabalho custa apenas meia jornada, apesar de a força de trabalho poder operar, trabalhar uma jornada inteira, e o valor que sua utilização cria num dia é o dobro do próprio valor-de-troca. Isto é uma grande felicidade para o comprador, sem constituir injustiça contra o vendedor. [...]

https://www.marxists.org/portugues/marx/1867/ocapital-v1/vol1cap07.htm#c7s1


Citar
https://anarchopac.wordpress.com/2017/09/07/marx-and-engels-were-not-egalitarians/

[...] In March 1875 Engels complained in a letter that the programme mistakenly advocated “[t]he elimination of all social and political inequality”, rather than “the abolition of all class distinctions”. For Engels, the goal of total social equality was impossible and represented the ambitions of an under-developed form of socialism. He wrote,

Citar
As between one country, one province and even one place and another, living conditions will always evince a certain inequality which may be reduced to a minimum but never wholly eliminated. The living conditions of Alpine dwellers will always be different from those of the plainsmen. The concept of a socialist society as a realm of equality is a one-sided French concept deriving from the old “liberty, equality, fraternity,” a concept which was justified in that, in its own time and place, it signified a phase of development, but which, like all the one-sided ideas of earlier socialist schools, ought now to be superseded, since they produce nothing but mental confusion, and more accurate ways of presenting the matter have been discovered.(Engels 1875)

[...]

 Marx claims that advocating equality along one dimension, such as everyone in a society earning the same amount of money per hour worked, will lead to inequality along other dimensions. Everyone earning an equal amount per hour of work would, for example, lead to those who work more having more money than those who work less. As a result, those unable to work a large amount (if at all) such as disabled people, old people, or women who are expected to do the majority of housework, will be unequal with those who can work more, such as the able-bodied, young people, or men. Or those doing manual labour, and so unable to work long hours due to fatigue, will be unequal to those who engage in non-manual labour and so can work more hours. If a society decides to instead ensure equality of income by paying all workers the same daily wage then there would still be inequality along other dimensions. For example, workers who don’t have to provide for a family with their wage will have more disposable income than workers with families. Therefore we can never reach full equality but merely move equality and inequality around along different dimensions.

If Marx was not an egalitarian in the strict sense of the term then what was he? The answer in short is a believer in human freedom and human development. For Marx, the “true realm of freedom” consists in the “development of human powers as an end in itself”.  (Marx 1991, 959) As a result, he conceives of a communist society as one in which “the full and free development of every individual forms the ruling principle”. (Marx 1990, 739) In such a society there are “universally developed individuals, whose social relations, as their own communal . . . relations, are hence also subordinated to their own communal control”. This “communal control” includes “their subordination of their communal, social productivity as their social wealth”. (Marx 1993, 162, 158) Marx therefore justified the forms of equality he did advocate, such as the communal ownership and control of the economy, on the grounds that they led to human freedom and human development, rather than simply because they were egalitarian.

[...]




Ao contrário do que podem imaginar muitos, também não era fã de impostos:

Citar

https://www.panarchy.org/marx/taxation.html

Note

During the Revolutions of 1848 in the German states, the royal and military aristocracy prohibited the first popularly elected parliament from assembling, and that parliament responded by declaring the government out-of-business:

So long as the National Assembly is not at liberty to continue its sessions in Berlin, the Brandenburg cabinet has no right to dispose of government revenues and to collect taxes.

Karl Marx, via his newspaper, the Neue Rheinische Zeitung, published this decree, adding: "From today, therefore, taxes are abolished! It is high treason to pay taxes. Refusal to pay taxes is the primary duty of the citizen!" Marx was later prosecuted for promoting tax resistance, but was acquitted after arguing that it was not illegal to promote tax resistance against an illegal government.

(from Wikipedia)

The idea that Marx was in favour of progressive taxation emerges only in the Communist Manifesto as a preliminary measure towards the extinction of the state. Unfortunately this error of judgement has costed very dear to Marx because it is the one that has stuck with ideologues of all stripes.
The passages here presented try to show that Marx was not keen on taxation as state socialists and state liberals would make us to believe.

 

 

No Tax Payments!
by Karl Marx

Cologne, November 16. All the Berlin newspapers, with the exception of the Preussische Staats-Anzeiger, Vossische Zeitung, and Neue Preussische Zeitung, have failed to arrive.

The Civil Guard in the wealthy south-western district of Berlin has been disarmed, but only there. It is the same battalion that dastardly murdered the engineering workers on October 31. The disarming of this battalion strengthens the popular cause.

The National Assembly was again driven out of the Kolnische Rathaus by force of arms. It assembled then in the Mielenz Hotel, where finally it unanimously (by 226 votes) passed the following resolution on the non-payment of taxes:

"So long as the National Assembly is not at liberty to continue its sessions in Berlin, the Brandenburg cabinet has no right to dispose of government revenues and to collect taxes.

"This decree comes into force on November 17.

"The National Assembly, November 15."

From today, therefore, taxes are abolished! It is high treason to pay taxes. Refusal to pay taxes is the primary duty of the citizen!

(Neue Rheinische Zeitung n°145, November 1848)

 

 

The Trial of the Rhenish District Committee of Democrats
by Karl Marx

...

Gentlemen, the public prosecutor has described the refusal to pay taxes as a measure "which shakes the foundations of society". The refusal to pay taxes has nothing to do with the foundations of society.

Generally speaking, why do taxes, the granting or the refusal of taxes, play such an important role in the history of constitutionalism? The reason is very simple. Just as serfs purchased privileges from the feudal lords with ready money, so did entire nations purchase privileges from feudal monarchs with ready money. Monarchs needed money for their wars with foreign nations and especially for their struggle against the feudal lords. The more trade and industry developed the greater grew their need for money. But the third estate, the middle classes, grew to the same extent and disposed of increasing financial resources; and in the same degree they purchased liberties from the monarchs by means of taxes. To make sure of these liberties they retained the right at definite intervals to renew the monetary obligations, i.e., the right to vote or to refuse to vote taxes. You can trace the details of this development especially well in English history.

In medieval society, therefore, taxes were the only bond between the emerging bourgeois society and the ruling feudal state, a bond which compelled the state to make concessions to bourgeois society, to meet its needs and adjust itself to its growth. In modern states this right to grant and refuse taxes has been turned by bourgeois society into a means of controlling the government, the body administering its common interests.

You will find therefore that partial tax refusal is an integral part of every constitutional mechanism. This type of tax refusal operates whenever a budget is rejected. The current budget is voted only for a definite period; moreover after being prorogued the chambers must be reconvened after a very short interval. It is thus impossible for the Crown to make itself independent. Rejection of a budget means a definite tax refusal if the cabinet does not win a majority in the new chamber or if the Crown does not nominate a cabinet in accordance with the wishes of the new chamber. The rejection of a budget is therefore the parliamentary form of a refusal to pay taxes. This form could not be employed in the conflict under consideration because a constitution did not yet exist, but had first to be produced.

But a refusal to pay taxes as it occurred here, a refusal which not only rejects a new budget but prohibits even the payment of current taxes, is by no means exceptional. It happened very frequently in the Middle Ages. Even the old German Imperial Diet and the old feudal Diets of Brandenburg passed resolutions refusing to pay taxes. Nor is there any lack of examples in modern constitutional states. The refusal to pay taxes led in Britain in 1832 to the downfall of Wellington's cabinet. And in Britain it was not Parliament which decided to refuse taxes, but the people which proclaimed and carried out this decision on its own authority. Britain, however, is the historic land of constitutionalism.

Far be it from me to deny that the English revolution, which brought Charles I to the scaffold, began with a refusal to pay taxes or that the North American revolution, which ended with the Declaration of Independence from Britain, started with a refusal to pay taxes. The refusal to pay taxes can be the harbinger of unpleasant events in Prussia too. It was not John Hampden, however, who brought Charles I to the scaffold, but only the latter's own obstinacy, his dependence on the feudal estates, and his presumptuous attempt to use force to suppress the urgent demands of the emerging society. The refusal to pay taxes is merely a sign of the dissidence that exists between the Crown and the people, merely evidence that the conflict between the government and the people has reached a menacing degree of tensity. It is not the cause of the discord or the conflict, it is merely an expression of this fact. At the worst, it leads to the overthrow of the existing government, the existing political system. The foundations of society are not affected by this. In the present case, moreover, the refusal to pay taxes was a means of society's self-defense against a government which threatened its foundations.

(Neue Rheinische Zeitung No. 231 and 232, 1849)

 

 

Taxes and state bureucracy

Taxes are the life source of the bureaucracy, the army, the priests, and the court – in short, of the entire apparatus of the executive power. Strong government and heavy taxes are identical. By its very nature, small-holding property forms a basis for an all-powerful and numberless bureaucracy. It creates a uniform level of personal and economic relationships over the whole extent of the country. Hence it also permits uniform action from a supreme center on all points of this uniform mass. It destroys the aristocratic intermediate steps between the mass of the people and the power of the state. On all sides, therefore, it calls forth the direct intrusion of this state power and the interposition of its immediate organs. Finally, it produces an unemployed surplus population which can find no place either on the land or in the towns and which perforce reaches out for state offices as a sort of respectable alms, and provokes the creation of additional state positions. By the new markets which he opened with bayonets, and by the plundering of the Continent, Napoleon repaid the compulsory taxes with interest. These taxes were a spur to the industry of the peasant, whereas now they rob his industry of its last resources and complete his defencelessness against pauperism. An enormous bureaucracy, well gallooned and well fed, is the “Napoleonic idea” which is most congenial to the second Bonaparte. How could it be otherwise, considering that alongside the actual classes of society, he is forced to create an artificial caste for which the maintenance of his régime becomes a bread-and-butter question? Hence one of his first financial operations was the raising of officials’ salaries to their old level and the creation of new sinecures.

(Karl Marx, The Eighteenth Brumaire of Louis Bonaparte, 1852, Chapter VII)

 

 

State debts and taxation

As the national debt finds its support in the public revenue, which must cover the yearly payments for interest, &c., the modern system of taxation was the necessary complement of the system of national loans. The loans enable the government to meet extraordinary expenses, without the tax-payers feeling it immediately, but they necessitate, as a consequence, increased taxes. On the other hand, the raising of taxation caused by the accumulation of debts contracted one after another, compels the government always to have recourse to new loans for new extraordinary expenses. Modern fiscality, whose pivot is formed by taxes on the most necessary means of subsistence (thereby increasing their price), thus contains within itself the germ of automatic progression. Overtaxation is not an incident, but rather a principle. In Holland, therefore, where this system was first inaugurated, the great patriot, DeWitt, has in his “Maxims” extolled it as the best system for making the wage labourer submissive, frugal, industrious, and overburdened with labour.

The great part that the public debt, and the fiscal system corresponding with it, has played in the capitalisation of wealth and the expropriation of the masses, has led many writers, like Cobbett, Doubleday and others, to seek in this, incorrectly, the fundamental cause of the misery of the modern peoples.

(Karl Marx, Capital, vol. I, 1867).

 



Trotsky mencionou a ingenuidade em se supor poder ter um planejamento central da economia, e da importância do mercado como rede de informações que realiza o próprio planejamento mecânicamente:

Citar
https://www.marxists.org/archive/trotsky/1932/10/sovecon.htm

[...]

If a universal mind existed, of the kind that projected itself into the scientific fancy of Laplace – a mind that could register simultaneously all the processes of nature and society, that could measure the dynamics of their motion, that could forecast the results of their inter-reactions – such a mind, of course, could a priori draw up a faultless and exhaustive economic plan, beginning with the number of acres of wheat down to the last button for a vest. The bureaucracy often imagines that just such a mind is at its disposal; that is why it so easily frees itself from the control of the market and of Soviet democracy. But, in reality, the bureaucracy errs frightfully in its estimate of its spiritual resources. In its projections it is necessarily obliged, in actual performance, to depend upon the proportions (and with equal justice one may say the disproportions) it has inherited from capitalist Russia, upon the data of the economic structure of contemporary capitalist nations, and finally upon the experience of successes and mistakes of the Soviet economy itself. But even the most correct combination of all these elements will allow only a most imperfect framework of a plan, not more.

The innumerable living participants in the economy, state and private, collective and individual, must serve notice of their needs and of their relative strength not only through the statistical determinations of plan commissions but by the direct pressure of supply and demand. The plan is checked and, to a considerable degree, realized through the market. The regulation of the market itself must depend upon the tendencies that are brought out through its mechanism.

[...]


Offline -Huxley-

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Re:Quem diria hein? Marx era contra o protecionismo e a favor da livre concorrência
« Resposta #2 Online: 18 de Julho de 2019, 15:24:14 »
A defesa de Marx da livre concorrência capitalista é igual a defesa do pecuarista da vaca. Ambos acham que é preciso alimentar e cuidar dela primeiramente para depois matá-la.
« Última modificação: 18 de Julho de 2019, 15:36:07 por -Huxley- »

Offline Sergiomgbr

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Re:Quem diria hein? Marx era contra o protecionismo e a favor da livre concorrência
« Resposta #3 Online: 18 de Julho de 2019, 15:43:44 »
Não existe livre concorrência objetivamente, pois a livre concorrência termina onde acontecem os acordos.
Até onde eu sei eu não sei.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Quem diria hein? Marx era contra o protecionismo e a favor da livre concorrência
« Resposta #4 Online: 18 de Julho de 2019, 16:10:24 »
A defesa de Marx da livre concorrência capitalista é igual a defesa do pecuarista da vaca. Ambos acham que é preciso alimentar e cuidar dela primeiramente para depois matá-la.

Na verdade parece que a argumentação dele é que o problema é tender ao monopólio.

Mas talvez você tenha que ler nas entrelinhas para detectar o satanismo implícito. Se fazendo perguntas e respondendo a elas mesmas, sem muita consulta à fonte. Como, "Marx é mau, portanto, só poderia estar mentindo, logo, quer mesmo destruir tudo e trazer o sofrimento à humanidade, e não liberdade e desenvolvimento humanos. E afirmar o contrário seria exatamente o esperado de um mentiroso, o que comprova que ele mentia."

Offline Sergiomgbr

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Re:Quem diria hein? Marx era contra o protecionismo e a favor da livre concorrência
« Resposta #5 Online: 18 de Julho de 2019, 16:40:17 »
Ou é mau ou então é burro mesmo e tremendamente equivocado. E os que o seguem, que fazem da obra dele um cavalo de batalha também. Na história o que não falta são exemplos, Aristóteles por exemplo.
Até onde eu sei eu não sei.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Quem diria hein? Marx era contra o protecionismo e a favor da livre concorrência
« Resposta #6 Online: 18 de Julho de 2019, 16:59:49 »
Sugerir que ele fosse "burro" é simplesmente risível. Tremendamente equivocado, okay, mas burro e cara de pum é o cúmulo do futebolismo político-ideológico, igual aos gritos "morte ao capital" do time auri-vermelho.

Offline -Huxley-

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Re:Quem diria hein? Marx era contra o protecionismo e a favor da livre concorrência
« Resposta #7 Online: 18 de Julho de 2019, 18:43:33 »
A defesa de Marx da livre concorrência capitalista é igual a defesa do pecuarista da vaca. Ambos acham que é preciso alimentar e cuidar dela primeiramente para depois matá-la.

Na verdade parece que a argumentação dele é que o problema é tender ao monopólio.

Mas talvez você tenha que ler nas entrelinhas para detectar o satanismo implícito. Se fazendo perguntas e respondendo a elas mesmas, sem muita consulta à fonte. Como, "Marx é mau, portanto, só poderia estar mentindo, logo, quer mesmo destruir tudo e trazer o sofrimento à humanidade, e não liberdade e desenvolvimento humanos. E afirmar o contrário seria exatamente o esperado de um mentiroso, o que comprova que ele mentia."

Marx não se limitou a dizer que o problema da concorrência capitalista era que ela tendia ao monopólio. Na verdade, ele via com pessimismo o futuro do capitalismo por causa do que ele acreditava ser a lei dos rendimentos decrescentes do capital e a tendência da queda da taxa de lucro (algo que produziria crises de superprodução, etc.). Ainda assim, segundo Marx, o socialismo não pode ser implantado antes que o capitalismo desenvolva suas potencialidades até o esgotamento ("nenhuma ordem social perece antes de se terem desenvolvido todas as forças produtivas às quais pode dar curso”). Além de "aperfeiçoar o capitalismo", a função do governo "popular" de transição seria acelerar esse esgotamento. Como ele disse em Manifesto Comunista:

"A última etapa da revolução proletária é a constituição do proletariado como classe dominante... O proletariado servir-se-á da sua dominação política para arrancar progressivamente todo o capital da burguesia, para centralizar todos os meios de produção nas mãos do Estado, isto é, do proletariado organizado..."
« Última modificação: 18 de Julho de 2019, 19:10:50 por -Huxley- »

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Quem diria hein? Marx era contra o protecionismo e a favor da livre concorrência
« Resposta #8 Online: 18 de Julho de 2019, 20:17:54 »
E logo em seguida ele conclui:

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When, in the course of development, class distinctions have disappeared, and all production has been concentrated in the hands of a vast association of the whole nation, the public power will lose its political character. Political power, properly so called, is merely the organised power of one class for oppressing another. If the proletariat during its contest with the bourgeoisie is compelled, by the force of circumstances, to organise itself as a class, if, by means of a revolution, it makes itself the ruling class, and, as such, sweeps away by force the old conditions of production, then it will, along with these conditions, have swept away the conditions for the existence of class antagonisms and of classes generally, and will thereby have abolished its own supremacy as a class.

In place of the old bourgeois society, with its classes and class antagonisms, we shall have an association, in which the free development of each is the condition for the free development of all.


Parece bem distinto de "cuidar da concorrência para depois matar;" na verdade o "abate" já é declarado como necessidade a algo que já tem concorrência precária e em declínio que julgava inevitável.

Então em vez deixar as coisas culminarem no monopólio de uma classe opressora, via como preferível a classe oprimida tomar esse proto-monopólio visto como inevitável, culminando então no fim do sistema de classes/castas, "anarquia", livre de antagonismos, na qual "o desenvolvimento livre de cada um é condição para o livre desenvolvimento de todos".

Offline -Huxley-

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Re:Quem diria hein? Marx era contra o protecionismo e a favor da livre concorrência
« Resposta #9 Online: 18 de Julho de 2019, 22:16:08 »
O escrito de Marx sobre a queixa contra o protecionismo mostra que ele concorda que as estruturas de mercado mais concentradas, como oligopólios e monopólios, tendem a desaparecer diante da concorrência. No caso específico mencionado no artigo do IMB, ele cita a concorrência estrangeira.

Em trecho algum de Manifesto Comunista, Marx fala em implantar logo o Grande Cartel, organizado e controlado compulsoriamente pelo Estado. As 10 medidas sugeridas no Manifesto são reformas sociais compatíveis com a expressão que eu usei, isto é, "aperfeiçoar o capitalismo". Só há menção de monopólio estatal no crédito e nos transportes. Se o próprio Lênin, subindo ao poder no bojo de uma revolução armada, não implantou logo o comunismo, e sim apenas um “capitalismo aperfeiçoado” (Nova Política Econômica), por que o Marx haveria de fazer mais, se levado ao poder pela via gradual que ele mencionou no Manifesto?
« Última modificação: 19 de Julho de 2019, 10:39:39 por -Huxley- »

 

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