Autor Tópico: Cuidado com o astroturf  (Lida 412 vezes)

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Offline Horacio

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Cuidado com o astroturf
« Online: 27 de Julho de 2019, 18:57:53 »
Astroturf são movimentos que surgem na sociedade aparentando serem organicos, espontaneos, mas não é difícil para os mais atentos identificar os sinais de que na verdade são manipulados. A palestra a seguir dá mais detalhes:
(legendas em portugues)


« Última modificação: 27 de Julho de 2019, 19:20:01 por Horacio »

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #1 Online: 27 de Julho de 2019, 19:31:29 »
A apresentação dela parece ir além de só explicar o que é astroturfing e flertar com movimentos de teoria da conspiração e pseudo ciência, com apelo a piedade e argumento circular.

Citar
https://en.wikipedia.org/wiki/Sharyl_Attkisson

Attkisson has received criticism for publishing stories suggesting a possible link between vaccines and autism, a theory that has been rejected by the scientific community.[7][8][9][10]



Mais sobre astroturfing:

<a href="https://www.youtube.com/v/Fmh4RdIwswE" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/Fmh4RdIwswE</a>





Problemas na pesquisa farmacêutica:

<a href="http://www.youtube.com/v/RKmxL8VYy0M" target="_blank" class="new_win">http://www.youtube.com/v/RKmxL8VYy0M</a>

Com legendas:

http://www.ted.com/talks/ben_goldacre_what_doctors_don_t_know_about_the_drugs_they_prescribe.html



A legenda dá "publication bias" como "publicação tendenciosa", mas acho que seria mais apropriado algo como "viés de publicação".

Citação de: Ben Goldacre
Drug companies hide trial results. They pretend they don't, so they can carry on. My NYtimes op-ed nyti.ms/XPR2AC

http://www.nytimes.com/2013/02/02/opinion/health-cares-trick-coin.html?src=me&ref=general&_r=0




Sobre credulidade da mídia:

Citar

<a href="https://www.youtube.com/v/fTHg-tGvlJ8" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/fTHg-tGvlJ8</a>

Using only $1,000 over the course of one week, Mekki Leeper sets out to fabricate an absurd alternative medicine company and fool the world into thinking it’s real.
 


Uma versão daquela manobra do "Carlos" por James Randi, mas em vez da encenação de um paranormal, uma farsa sobre produto de medicina alternativa (lenços usados a 80 dólares), pregando uma peça nos maiores noticiários.

Mostra que aparentemente o problema maior é rigor jornalístico do que falta de ceticismo quanto a essas coisas.

Offline Horacio

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #2 Online: 27 de Julho de 2019, 20:05:10 »
"A apresentação dela parece ir além de só explicar o que é astroturfing e flertar com movimentos de teoria da conspiração e pseudo ciência, com apelo a piedade e argumento circular."

-------------------------------

Foi mais rápida do que eu pensava a cartada "conspiratória". E combinada com um citação da wiki-astroturf-pedia fica ainda mais reveladora da força do astroturf na modelagem do nosso senso crítico.
« Última modificação: 27 de Julho de 2019, 20:23:25 por Horacio »

Offline Sergiomgbr

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #3 Online: 27 de Julho de 2019, 20:11:27 »
Esse tal de Astroturf ai é ideológico, surge de doutrinas.
Até onde eu sei eu não sei.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #4 Online: 27 de Julho de 2019, 21:07:41 »
Foi mais rápida do que eu pensava a cartada "conspiratória". E combinada com um citação da wiki-astroturf-pedia fica ainda mais reveladora da força do astroturf na modelagem do nosso senso crítico.


Você acredita que todo mundo defendendo alguma coisa que diverge do mainstream está correto, e se você aponta isso, é astroturfing? :hein:

Não tem absolutamente nada de resultado de astroturfing no meu comentário. É até mais o contrário, ela é astroturfer de teorias alternativas sem credibilidade científica.

E o mencionado na wikipédia, que está longe de ser uma "organização" de astroturfing, não é fundamentalmente diferente do que aquilo que ela mesma mencionou sobre si, direta ou implicitamente. Isso ilustra bem como certas narrativas fortalecem um viés de confirmação completamente acrítico, a pessoa mal lê o que é escrito e já acha que confirma aquilo que pensa.








Esse tal de Astroturf ai é ideológico, surge de doutrinas.

É mais o contrário. Parte de interesses privados, e este então tentará fomentar ideologias favoráveis, sob uma fachada de algo espontâneo, "grassroots."

Quando algo já parte de ideologia, é só "ativismo," ou think-tanks mais genuínos. Nesses casos haverá menos camadas de acobertamento dos interesses financiadores e etc.

Mas ambas as coisas podem até se mesclar.

Offline Horacio

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #5 Online: 27 de Julho de 2019, 21:16:27 »
Você acredita que todo mundo defendendo alguma coisa que diverge do mainstream está correto, e se você aponta isso, é astroturfing?

------------------
Substituir argumentos por termos fortes como pseudo-ciencia e conspiracionismo, e citar uma fonte como wikipedia é a própria essencia do astroturfing. São os sinais típicos, que são mencionados no vídeo para ficarmos atentos.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #6 Online: 27 de Julho de 2019, 21:22:05 »
Eu vi o vídeo antes de comentar. Não fiz substituição de argumento por "termos fortes," são termos descritivos do que o que ela está falando. E é arguemtnação circular dizer que citar a wikipédia é "sinal de astroturfing." Como disse, a citação é limitada ao que já era exposto no vídeo por ela mesma. E com uma série de referências. São todas organizações astroturfers contra a verdade secreta das vacinas causando autismo? Como chamar isso, além de "conspiração"?

Você se evadiu de responder o que eu perguntei e tentou me desqualificar, ilustrando novamente o viés de confirmação.

Offline Sergiomgbr

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #7 Online: 27 de Julho de 2019, 21:23:41 »
Tudo que é pós espontâneo é engenharia social, é nesse sentido a relação com ideologia.
Até onde eu sei eu não sei.

Offline Fenrir

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #8 Online: 27 de Julho de 2019, 21:25:18 »
Não conhecia o termo

Da Wikipedia:
...Astroturfing is the practice of masking the sponsors of a message or organization (e.g., political, advertising, religious or public relations) to make it appear as though it originates from and is supported by grassroots participants. It is a practice intended to give the statements or organizations credibility by withholding information about the source's financial connection. The term astroturfing is derived from AstroTurf, a brand of synthetic carpeting designed to resemble natural grass, as a play on the word "grassroots". The implication behind the use of the term is that instead of a "true" or "natural" grassroots effort behind the activity in question, there is a "fake" or "artificial" appearance of support...

Acho que a Templeton Foundation faz isso, financiando pesquisas que tentam sujar a física com lixo espiritual
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"No testimony is sufficient to establish a miracle, unless the testimony be of such a kind, that its falsehood would be more miraculous, than the fact, which it endeavors to establish"
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Offline Buckaroo Banzai

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #9 Online: 27 de Julho de 2019, 21:39:22 »
Não conheço essa fundação, mas apenas por essa descrição que está dando, me parece mais o caso de "think" tank genuíno que havia falado, algo verdadeiramente espontâneo, e não um ativismo de fachada forjado por algum grande interesse.

"Think"-tanks genuínos podem defender bullshit do grosso, de maneira espontânea. Imagino que organizações esotéricas e várias coisas pseudo-científicas sejam assim. Em boa parte do tempo não vai ter a figura do "grande interesse" meio oculto por trás de uma fachada popular, os maiores interessados já devem estar mais expostos.

"Astroturfing" vai se dar nas linhas de organizações com nomes como "cidadãos pela defesa da liberdade, desenvolvimento, e ciência," que terá como pauta argumentos anti-aquecimento global ou anti-regulações contra poluição diversas e etc, na linha de que essas coisas não fazem tão mal quanto os "comunistas" dizem e etc e tal. Mas isso vai ser uma fachada onde se chega na outra ponta em figuras como os irmãos Koch ou sei lá quem.

Algumas vezes algo onde a manifestação popular vai ser naturalmente mais direta (meio como "motoristas pelo direito de gasolina mais potente"), acho que o vídeo do John Oliver dá exemplos.

Offline Pedro Reis

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #10 Online: 27 de Julho de 2019, 21:39:37 »
Não conhecia este termo: "astroturfing". Que legal que deram um nome.

Venho observando isso ocorrer há tempos: terraplanismo foi impulsionado por astroturfing, o negacionismo climático também e há dois caras aqui no Brasil que claramente estão sendo pagos para desacreditar o aquecimento global. A campanha do Bolsonaro, pode não se encaixar exatamente na definição de astroturfing, mas usou e abusou destas técnicas.  Isso está acontecendo em escala, e é impressionante.

Basicamente astroturfing é "inundar" as mídias com informações ou opiniões que parecem vir de fontes espontâneas e imparciais, quando na verdade existem interesses primários por trás, estimulando estas pessoas.


Offline Buckaroo Banzai

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #11 Online: 27 de Julho de 2019, 21:56:47 »
Que evidência há de astroturfing terraplanista? Quem ganha com isso?

Lembrando não ser um ganho direto, isso é, o cara vender livros e cursos de terra-planismo. E sim algo como, sei lá, talvez turismo local achando que lucra mais se as pessoas têm mais medo de navegar e voar, achando que vão cair fora do mundo ou na ilha do "Lost."

Eu cogito no máximo nessa linha algo nas linhas das teorias de conspiração russas sobre os EUA, que deixa de ser astroturfing também. O ganho seria apenas que "perdessem tempo" com isso e ficassem com mais fama de burros. Uma versão "virtual" e "stealth" de bombardear bibliotecas de um país, de certa forma. Mas há o risco da coisa se propagar mesmo para dentro do próprio território, como deve ocorrer mesmo, já que não é algo mais especificamente anti-americano, então isso deve reduzir as probabilidades dessa origem.

Offline Horacio

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #12 Online: 27 de Julho de 2019, 22:37:37 »
Astroturfing é sobre manipulação e controle do debate e das disputas politicas. Temas sensiveis como genero, meio-ambiente, imigração, finanças, geo-politica, industria farmaceutica, etc... hoje têm seu debate restringido e controlado por esse tipo de ação. Requer muito poder economico para ser bem implementado, grandes empresas de relações publicas, grandes redes de relacionamento, ampla utlização de lobbies e meios de comunicação de massa, uma grande rede de organizações não governamentais, controle sobre a academia e o finaciamento de pesquisas, bom relacionamento com as gigantes da internet como google, facebook, wikipedia... Por isso o mainstream politico e científico tem enorme vantagem na sua implementação, a comunidade alternativa não tem folego para operar esse esquema. Já o uso indiscriminado de expressões como teorias conspiratórias e afins é essencial para desencorajar os dissidentes a se manifestarem, sob pena de estigmatização social e ruína de carreiras. Sem dúvida, entender o funcionamento desse esquema e se defender dele é essencial nos dias de hoje.

Offline Pedro Reis

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #13 Online: 27 de Julho de 2019, 22:51:42 »
Que evidência há de astroturfing terraplanista?

Há muitas evidências, como empresas de marketing virtual contratando pessoas para comentar em redes sociais. É uma evidência de que há, ou houve, investimento. Porque um terraplanista não teria como arcar com esse tipo de custo em favor do seu canalzinho no Youtube.

Um cara como o Afonso Vasconcelos gravando 200 vídeos "provando" que a Terra é plana... não tem explicação plausível a não ser a de que ele esteja sendo financiado. Afonso agora está com um patreon no canal, mas até 2019 ele não tirava dinheiro do "Ciência de Verdade".

Uma evidência interessante mas que deve passar desapercebida por quase tudo mundo, é que uma extensa base de argumentação já havia sido construída antes da coisa tomar impulso, antes de virar uma onda. Que é o contrário do que você poderia esperar de uma teoria da conspiração que surge espontaneamente e vai crescendo, recebendo acréscimos dos que vão aderindo. Isso requer uma iniciativa organizada, alguém tem que pensar e pensar bastante em como fazer essa coisa funcionar. Essa iniciativa não pode ter partido desses terraplanistas de internet, que ganham um cascalho no YT, porque ainda não havia um mercado consumidor de terraplanilsons que justificasse ou motivasse o trabalho e o investimento. Existiu até mesmo uma necessária teoria da conspiração preparatória para desacreditar a NASA, aquela que alegava que a ida do homem à lua foi uma farsa.

As ideias parecem toscas e são, mas se você considerar a quem elas se destinam, que tipo de pessoa querem enganar com isso, se percebe que foi algo bem pensado. As argumentações são articuladas e bem amarradas. Por exemplo: foram buscar na figura obscura de Nikola Tesla um personagem para ser transformado em herói da Ciência perseguido. Algo bastante perspicaz porque Tesla tem, de fato, todos os atributos para se criar este personagem, atributos muito peculiares.


Quem ganha com isso?




Deixa os cara brincar.



Mas eles não estão brincando.

Muad, no Kentucky existe um museu do criacionismo que mais parece um estúdio da Universal. Impressionante, é uma disneylândia do fundamentalismo cristão. Porque museu mesmo não é, já que não há museu do que não existe nem nunca existiu.


O tamanho do investimento em uma maluquice como essa prova que não é brincadeira. Não sei
quanto custou para construir mas recentemente o museu recebeu o acréscimo de uma réplica da
Arca de Noé ao custo de 100 milhões de dólares. 100 milhões só a arca! Você acredita que alguém
invista cem milhões de dólares de brincadeira?

É natural que as pessoas duvidem que estas "multinacionais" evangélicas, e demais denominações
que se associam por afinidades naturais, possam extrapolar para manter seu status quo se estas pessoas não fazem ideia do tamanho dessa indústria, do seu poder econômico, sua capacidade de
influência e poder de articulação política e também do quanto estes interesses se sentem ameaçados por algumas mudanças inexoráveis do mundo.

Mas se tomarmos como parâmetro a Europa ocidental, vemos que é possível que no espaço
de apenas duas gerações a religião passe a ter um papel menos que secundário nas sociedades de países mais desenvolvidos. No norte da Europa, em países que durante séculos foram fortalezas do protestantismo, de repente em pouquíssimo tempo religião perdeu relevância completamente.

Essa é uma perspectiva que preocupa tanto a indústria evangélica norte-americana quanto as políticas anti-tabagistas afetavam a indústria do cigarro ou o controle de emissões de CO2 afeta
a indústria do petróleo. Não surpreendentemente a reação também é de muitas formas semelhante.

Mas qual é o diagnóstico que estes caras fazem sobre as causas do declínio da influência das
religiões organizadas nas sociedades mais desenvolvidas? Bom, primeiramente acham que o relativismo inerente a um mundo globalizado cada vez menor, onde todos estão expostos a um caleidoscópio cultural que apresenta mixados, distintos paradigmas e valores, induz naturalmente ao questionamento de uma religião que se auto proclame como verdade absoluta. É muito mais difícil para um ocidental do séc. 21 digerir que Jesus é o único caminho, verdade e vida, e a bíblia o único texto sagrado ditado pelo único deus verdadeiro, do que era para um ocidental no séc. 19.

Também interpretam várias mudanças culturais como inimigas da religiosidade. Especificamente daquela religiosidade mais sistemática que é praticada no âmbito de uma instituição religiosa organizada. Essas mudanças seriam a disseminação do uso de drogas, a liberdade sexual que inclui também a liberdade de opções sexuais, a desassociação do conceito de gênero do sexo biológico, o volatilidade cada vez maior das famílias, a prevalência do individualismo e coisas assim que de fato tendem a afastar o homem moderno, urbano, da autoridade e influência de uma instituição religiosa.

Você imagina que cultos da Igreja Presbiteriana façam parte do estilo de vida de uma maconheira promíscua bissexual andrógina com cabelo pintado de azul?

Por fim enxergam a boa educação como a mais terrível ameaça: o acesso a conhecimentos científicos que contradizem e desautorizam os textos sagrados. Vivemos em uma era em que a Ciência assumiu uma autoridade que até então era exclusiva das religiões. Antigamente se o Papa decretasse um dogma poucos se atreveriam a questionar. Se alguma interpretação em particular da
bíblia se impusesse também seria automaticamente aceita como verdade absoluta. Mas hoje, quando se diz "tal é cientificamente comprovado", isto é o que os leigos tomam por dogma. Entre a garantia papal e o teste do C14, o público tem muito mais fé no veredicto científico sobre a idade do Santo Sudário. E assim é porque mesmo que mesmo que uma pessoa não compreenda nada sobre Ciência, ela vive cercada pelos milagres tecnológicos provenientes do conhecimento científico. Nós aprendemos empiricamente que Ciência é um troço que funciona, que de alguma forma tem fundamento. Já as orações...

Logo, essa mega indústria que levanta 100 milhões de dólares ao estalar dos dedos para uma peça de propaganda, ela entende que nesse mundo globalizado de relativismos pós-modernos, de diversidade de valores, de uma sociedade competitiva que promove o individualismo e a busca pela realização pessoal, que valoriza o hedonismo e ainda por cima apresenta o materialismo científico como alternativa superior aos misticismos, nesse mundo talvez não a religiosidade, mas certamente as instituições religiosas perderão espaço.

Uma realidade que já se verifica na Noruega, na Holanda, na Dinamarca, no Reino Unido, no Japão, em Israel... na França onde a igreja católica já teve até que vender igrejas por não poder mantê-las.

Imagino que quando lideranças religiosas norte-americanas perceberam quão rapidamente a influência protestante definhava na Europa do pós-guerra, puderam projetar o que ocorreria nos Estados Unidos. É quando nós vemos, em meados dos anos 60, o recrudescimento do criacionismo, que havia perdido força a partir do julgamento de Scopes em 1929, quando fracassou a tentativa de barrar o ensino da Teoria da Evolução. Os novos criacionistas então tentam incluir o ensino da versão bíblica nos currículos, mas perdem essa nova batalha judicial. Aí inventam o Criacionismo Científico, que foi meramente uma tentativa de burlar a lei, e em 1970 um pilantra chamado Heny Morris funda o ICR. Também não conseguem tornar legal o ensino dessa versão pseudo-científica
do Gênesis, mas o movimento literalista bíblico americano continua a se expandir, se torna cada vez mais articulado, passa a investir em representatividade política e experimenta novas estratégias. E de certa forma, mesmo perdendo as mais importantes batalhas judiciais, estes poderosos interesses acabaram atingindo seus objetivos.

Isso não é nenhuma brincadeira. Não para eles.

1 bilhão de dólares por ano é o que eles conseguem fazer o país gastar com o ensino da fábula da Criação.

Citação de: Revista Exame
EUA gastam US$1 bilhão por ano para ensinar criacionismo

Acredite: gasto americano para ensinar teoria em escolas é maior que o PIB de 23 países no mundo

São Paulo – Quanto pesa no bolso de um país seguir os ensinamentos da Bíblia nas escolas durante as aulas de ciência?

Muito, pelo visto, se observarmos os Estados Unidos.

Segundo reportagem do Politico, o governo americano gasta 1 bilhão de dólares por ano para ensinar a teoria do criacionismo nas escolas.

Esse montante é bem significativo: maior que o PIB de 23 países, segundo a ONU, como os orçamentos de Zanzibar e São Tomé e Príncipe.

O recurso é gasto em forma de subsídios públicos destinado a escolas privadas.

Os programas didáticos de muitas dessas escolas nem incluem, paralelamente aos ensinamentos cristãos, a teoria da evolução ou outros fatos científicos.

E os livros vão além da criação do mundo em sete dias, segundo a reportagem: desdenham do secularismo, desacreditam momentos de descobertas científicas históricas e até hostlizam cientistas famosos.

Leis

Nos EUA, as escolas públicas, por lei, não podem colocar a teoria criacionista no currículo. Mas estados como Louisiana e Tennessee decidiram criar leis próprias para permitir isso.

Um levantamento da Slate achou dezenas de escolas, públicas e privadas, que ensinam criacionismo aos alunos.

Em Indiana, por exemplo, são 37 escolas. Na Flórida, 134.

Você ainda duvida da origem desse movimento global com objetivo de desacreditar a Ciência? É tão difícil enxergar a quê isso interessa?

Pode não parecer plausível que cientistas mequetrefes sejam financiados para endossar desinformação somente quando não se tem ideia do quanto é realmente investido nessa guerra pelos corações e mentes do público.

Offline Sergiomgbr

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #14 Online: 27 de Julho de 2019, 22:51:50 »
A coisa de dizer que raças não existem. ::)
Até onde eu sei eu não sei.

Offline Pedro Reis

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #15 Online: 27 de Julho de 2019, 22:55:07 »
Astroturfing é sobre manipulação e controle do debate e das disputas politicas. Temas sensiveis como genero, meio-ambiente, imigração, finanças, geo-politica, industria farmaceutica, etc... hoje têm seu debate restringido e controlado por esse tipo de ação. Requer muito poder economico para ser bem implementado, grandes empresas de relações publicas, grandes redes de relacionamento, ampla utlização de lobbies e meios de comunicação de massa, uma grande rede de organizações não governamentais, controle sobre a academia e o finaciamento de pesquisas, bom relacionamento com as gigantes da internet como google, facebook, wikipedia... Por isso o mainstream politico e científico tem enorme vantagem na sua implementação, a comunidade alternativa não tem folego para operar esse esquema. Já o uso indiscriminado de expressões como teorias conspiratórias e afins é essencial para desencorajar os dissidentes a se manifestarem, sob pena de estigmatização social e ruína de carreiras. Sem dúvida, entender o funcionamento desse esquema e se defender dele é essencial nos dias de hoje.

Concordo plenamente. A maior dificuldade é convencer as pessoas que é real. Mas não só é real, como é nítido.

Offline Pedro Reis

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #16 Online: 27 de Julho de 2019, 23:01:32 »
A coisa de dizer que raças não existem. ::)

É, o marxismo cultural está sendo disseminado por astroturfing. Convencer as pessoas que raças não existem faz parte do plano... Ah, Sérgio, essa conspiração comunista é que não existe!

Por ironia você só acredita nessas bobagens porque é mais uma vítima do astroturfing.

Offline Sergiomgbr

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #17 Online: 27 de Julho de 2019, 23:06:33 »
Ad hominenzim costumerin seuzim...
Até onde eu sei eu não sei.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #18 Online: 27 de Julho de 2019, 23:57:13 »
Que evidência há de astroturfing terraplanista?

Há muitas evidências, como empresas de marketing virtual contratando pessoas para comentar em redes sociais.

Isso não é evidência de astroturfing.

Evidência disso seria você encontrar esse marketing virtual sendo pago pela "Objetivos Escusos SA," e não pelo próprio terraplanista.



Citar
É uma evidência de que há, ou houve, investimento. Porque um terraplanista não teria como arcar com esse tipo de custo em favor do seu canalzinho no Youtube.

De quanto foi esse investimento, você objetivamente sabe? O youtuber "Nando Moura" afirmou que só de fazer um vídeo sobre sofrer um processo já ganha dinheiro o bastante para pagar o processo.


Citar
Um cara como o Afonso Vasconcelos gravando 200 vídeos "provando" que a Terra é plana... não tem explicação plausível a não ser a de que ele esteja sendo financiado. Afonso agora está com um patreon no canal, mas até 2019 ele não tirava dinheiro do "Ciência de Verdade".

O canal dele não é monetizado? Ele fazia palestras, cursos?

Citar
Quem ganha com isso?




Deixa os cara brincar.



Mas eles não estão brincando.

Muad, no Kentucky existe um museu do criacionismo que mais parece um estúdio da Universal. Impressionante, é uma disneylândia do fundamentalismo cristão. Porque museu mesmo não é, já que não há museu do que não existe nem nunca existiu.


O tamanho do investimento em uma maluquice como essa prova que não é brincadeira. Não sei
quanto custou para construir mas recentemente o museu recebeu o acréscimo de uma réplica da
Arca de Noé ao custo de 100 milhões de dólares. 100 milhões só a arca! Você acredita que alguém
invista cem milhões de dólares de brincadeira?

[...]

Se eles são terraplanistas eles mesmos, e de fato bancam autores, então isso não é astroturfing, mas "grassroots."

Astroturfing seria caracterizado em haver uma "fachada" popular/espontânea que eles tentam encobrir.



Citar
Por fim enxergam a boa educação como a mais terrível ameaça: o acesso a conhecimentos científicos que contradizem e desautorizam os textos sagrados. Vivemos em uma era em que a Ciência assumiu uma autoridade que até então era exclusiva das religiões. Antigamente se o Papa decretasse um dogma poucos se atreveriam a questionar. Se alguma interpretação em particular da
bíblia se impusesse também seria automaticamente aceita como verdade absoluta. Mas hoje, quando se diz "tal é cientificamente comprovado", isto é o que os leigos tomam por dogma. Entre a garantia papal e o teste do C14, o público tem muito mais fé no veredicto científico sobre a idade do Santo Sudário. E assim é porque mesmo que mesmo que uma pessoa não compreenda nada sobre Ciência, ela vive cercada pelos milagres tecnológicos provenientes do conhecimento científico. Nós aprendemos empiricamente que Ciência é um troço que funciona, que de alguma forma tem fundamento. Já as orações...

A idéia é que eles não seriam terraplanistas eles mesmos, mas vissem na promoção disso um "adubo" para o criacionismo prosperar?

Não sei, acho que vale mais investir diretamente em promoção do que de fato acreditam mesmo. Ou estratégias mais diretamente relacionadas, como "desenho inteligente" e "estudo crítico da evolução."

Qual seria o "plano de negócios" disso? Vamos jogar esse dinheiro pelo ralo e esperar que seja melhor para nós? Como eles estudariam a atribuição de que o investimento secreto em terraplanismo estaria trazendo ou retendo mais adeptos ao criacionismo não-terraplanista?

Diferentemente dos casos definitvamente sabidos de astroturfing (não o descrito no primeiro vídeo aqui, que é quase "astroturfing jornalístico" de anti-vacinas), os ganhos potenciais me parecem muito mais dúbios.



Citar
Você ainda duvida da origem desse movimento global com objetivo de desacreditar a Ciência? É tão difícil enxergar a quê isso interessa?

Pode não parecer plausível que cientistas mequetrefes sejam financiados para endossar desinformação somente quando não se tem ideia do quanto é realmente investido nessa guerra pelos corações e mentes do público.

Digo apenas que há:

1. casos de astroturfing mais conhecidos (com financiadores específicos traçados), talvez outros suspeitos, onde a conexão entre o ganho é mais específica, clara. Nas linhas de "pais unidos pela educação escolar responsável," tendo entre suas pautas combater "histeria ambientalista" e etc. O vídeo do John Oliver dá exemplos reais.

2. movimentos "grassroots" legítimos defendendo idiotices/pseudo-ciências e angariando recursos em doações de pessoas, e etc. Talvez em alguns casos cooptados por grupos de interesse endinheirados

3. indivíduos excêntricos e/ou oportunistas, que ou acreditam de fato nas coisas bizarras que defendem pela internet, ou vêem em fingir isso um bom jeito de faturar dinheiro. E inclui investir dinheiro. Recentemente o advogado de Alex Jones (infowars) praticamente admitiu isso implicitamente, dizendo que ele é um "personagem."


Todas essas coisas factualmente existem. Para tecer especulações sobre onde alguém em particular se encaixa numa dessas tipologias, ou talvez numa situação "intermediária," precisaria pesquisar coisas específicas, e não tenho interesse nisso. É trabalho de jornalistas, que vão e acham coisas como as rotas do dinheiro das empresas de fachada e etc e tal. De modo geral o astroturfing será um pouco mais evidente, ou, mais provável onde há um ganho mais direto com a promoção popular de fachada. Para os outros casos vai se tornando mais provável bizarrices em que parte das pessoas legitimamente acreditam ou "pilantragem" em cima de click-baits. Até canal de "tutoriais falsos" no youtube tem.


Ah, em algum lugar também tem aquelas teorias da conspiração anti-americanista de fabricação russa, onde devem ser mais prováveis quando a coisa ajuda a difamar ou conturbar a América, de maneira mais inerentemente contida.

<a href="https://www.youtube.com/v/tR_6dibpDfo" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/tR_6dibpDfo</a>



Offline Buckaroo Banzai

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #20 Online: 28 de Julho de 2019, 00:08:00 »
Astroturfing é sobre manipulação e controle do debate e das disputas politicas. Temas sensiveis como genero, meio-ambiente, imigração, finanças, geo-politica, industria farmaceutica, etc... hoje têm seu debate restringido e controlado por esse tipo de ação. Requer muito poder economico para ser bem implementado, grandes empresas de relações publicas, grandes redes de relacionamento, ampla utlização de lobbies e meios de comunicação de massa, uma grande rede de organizações não governamentais, controle sobre a academia e o finaciamento de pesquisas, bom relacionamento com as gigantes da internet como google, facebook, wikipedia... Por isso o mainstream politico e científico tem enorme vantagem na sua implementação, a comunidade alternativa não tem folego para operar esse esquema. Já o uso indiscriminado de expressões como teorias conspiratórias e afins é essencial para desencorajar os dissidentes a se manifestarem, sob pena de estigmatização social e ruína de carreiras. Sem dúvida, entender o funcionamento desse esquema e se defender dele é essencial nos dias de hoje.

Você acredita que vacinas causam autismo, e quem defende o contrário é ou engabelado por ou parte duma "armação" de poderosos e wikipedistas para silenciar essa verdade?

Offline Sergiomgbr

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #21 Online: 28 de Julho de 2019, 00:08:33 »
De novo isso... Já expus minha compreensão da questão tópico da muié gostosa e você desconversou...

Mantenho o que eu disse lá.

A coisa de dizer que raças não existem. ::)

Quantas raças existiriam, e quais seriam os critérios científicos de sua "delineação"?
Existem a depender do critério adotado. Os critérios de semelhanças fenotípicas, e de fundo genotípico, mesmo que discretos.
« Última modificação: 28 de Julho de 2019, 00:15:54 por Sergiomgbr »
Até onde eu sei eu não sei.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #22 Online: 28 de Julho de 2019, 00:11:41 »
Você não respondeu isso, apenas citou como compartilhando a opinião de um texto ao mesmo tempo em que o contrariava nos pontos fundamentais (o texto falava apenas de "raças" ser útil como aproximação grosseira de populações/linhagens, ou de sua genética, o que acho que virtualmente não é negado por ninguém de maneira "absoluta"*). E na verdade você quem desconversou.



* excluindo os tipos que supostamente achariam que homem também poderia engravidar se quisesse, ou que a noção de "instintos lingüísticos" seria "ciência burguesa." Mas mesmo a estes últimos a negação disso seria ou uma cosia muito superficial, retórica, à qual eles mesmos acabariam sendo forçados a retroceder em afirmações do tipo "na verdade o que quero dizer é só que as ditas raças não são tão divergentes como os racistas afirmam, não há divergência biológica racial de importância social, senão a cor da pele em determinar o preconceito." Quando não, então seria pós-modernismo vibracional quântico, aí não tem nem o que fazer.

Offline Sergiomgbr

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #23 Online: 28 de Julho de 2019, 00:18:13 »
O que o cara lá disse com todas as letras é que não descarta raça como conceito científico, apesar de pressões ideologicas(na acepção dele, "princípios éticos")em contrário.
Até onde eu sei eu não sei.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #24 Online: 28 de Julho de 2019, 00:23:35 »
Mais do que defender raça como conceito científico, ele defendeu a posição pragmática de designações raciais sociais como correlatas a genética, enfatizando que isso não é a posição de "negação forte" de raça. "Negação forte" seria o porra-louquismo de "genética não existe, é coisa da burguesia eurocêntrica," já a "negação fraca" é fundamentalmente uma diferente ênfase na argumentação de "na verdade o que quero dizer é só que as ditas raças não são tão divergentes como os racistas afirmam, não há divergência biológica racial de importância social, senão a cor da pele em determinar o preconceito."

Onde ele se aproximou ao dizer, não só que não faz a negação forte, como que a realidade biológica deve diferir muito das noções leigas, sociais.

 

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