Autor Tópico: Cuidado com o astroturf  (Lida 532 vezes)

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Offline Sergiomgbr

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #25 Online: 28 de Julho de 2019, 00:27:10 »
Muito bem, agora você foi razoável. Não precisava tanto fuzuê...
Até onde eu sei eu não sei.

Offline Sergiomgbr

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #26 Online: 28 de Julho de 2019, 00:28:15 »
Apesar de ainda expressar alguma ambiguidadesinha... ::)
Até onde eu sei eu não sei.

Offline Pedro Reis

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #27 Online: 28 de Julho de 2019, 01:41:03 »
Vamos lá...

Não é plausível que os próprios terraplanistas estivessem contratando empresas de marketing virtual. Dentro de uma lógica custo\benefício não se justifica. A maioria deles é gente de baixo nível sócio econômico e o que ganham (financeiramente) com isso não permitiria esse tipo de investimento. A menos que muitos se unissem em uma espécie de cooperativa terraplanista,
mas... (atente para este fato!) para que se chegasse ao ponto de haver um simpósio nacional da Terra plana a coisa precisava tomar o vulto que tem hoje. Só assim, nessa proporção, é que faz sentido especular que várias pessoas se articularam para investir em estratégias mais sofisticadas. Mas na verdade a galinha teria que vir antes do ovo: quero dizer, na realidade a coisa só tomou
esta proporção porque existiu um investimento substancial. É claro que é uma evidência anedótica, estou falando de coisas que observei e que você certamente não viu, mas, perceba que não é fácil convencer pessoas no séc. 21 que a Terra é plana. Especialmente convencer quem tem acesso a ferramentas de informação como a internet. Hoje, no Brasil, 7% das pessoas diz crer que a Terra
é plana. Como se chegou a isso? O J. Martins teria feito isso tudo sozinho? Não, nós vimos todas as técnicas que a jornalista descreve na palestra sendo usadas e que surtiram esse estado de delírio coletivo. Inclusive o marketing virtual, pessoas sendo pagas para mentirem avassaladoramente em redes sociais... Não foi o Martins (o cara que começou com isso no Brasil) o responsável por isso. De jeito nenhum, é impossível.

Talvez a maneira mais fácil de se entender que existiu investimento inicial, ideia inicial, planejamento inicial, é fazer uma espécie de "engenharia reversa" da coisa. Tente imaginar que você pretende ganhar dinheiro com monetização de vídeos que provam que sacis existem... Então você vai precisar que centenas de milhares de pessoas acreditem que sacis existem para se
interessarem pelo seu canal e assim você terá as tais monetizações. O problema é que ninguém acredita em saci e não é fácil convencer a milhões que sacis existem. Logo você, com seu canal, com sua página no Facebook, seu blog, etc, vai precisar criar a onda do saci, mas para isso você precisa de público, mas para ter público precisa que muitos comecem a acreditar em sacis... A circularidade das pré-condições impediria que você ganhasse dinheiro engabelando os crentes em sacis. Você ou qualquer um que tentasse emplacar a onda da crenças em sacis para faturar com isso. Ora, não há como: a pessoa ficaria falando sozinha sobre sacis o resto da vida e nunca teria público virtual suficiente de onde pudesse extrair algum retorno material.

Na verdade é muito mais difícil fazer alguém acreditar que a Terra é plana do que fazer crer em sacis. Muito mais! Porque qualquer um pode verificar por si mesmo que a Terra é redonda, e é fácil. Já se convencer que sacis não existem é uma questão de bom senso, mas não imediatamente verificável.

A partir desse experimento mental compreendemos a improbabilidade do terraplanismo ter surgido espontaneamente, como um boato, ou mesmo como invenção isolada de alguém, e ter tomado a proporção que tomou. Difere fundamentalmente em aspectos característicos de movimentos que surgem ao acaso e sem apoio direcionado.

Uma comparação interessante que se pode fazer é com o fenômeno dos boatos absurdos que circulavam durante a campanha eleitoral nos Estados Unidos. Investigações apontam que houve participação dos russos na difusão de alguns destes boatos. Evidentemente teria que haver, porque alguns eram absurdos demais para que se tornassem popularmente críveis. Se não tivessem sido trabalhados e martelados suficientemente, não teriam convencido a um número suficiente de pessoas a ponto de se configurar a existência de boato.

Por exemplo, um destes boatos ridículos em que muitos americanos acreditam até hoje é o de que Michele Obama é na verdade um homem. Mas se você disser isto a alguém assim sem mais nem menos, do nada, a pessoa vai rir. Por mais que ela tenha antipatia pelo Obama, não dará crédito a uma bobagem dessas. Para alguém chegar a considerar esta hipótese é preciso que a alegação venha acompanhada de um argumento mais elaborado, de dezenas de falsas evidências capciosamente construídas, de vídeos manipulados, de gráficos, de memes, etc... A coisa já teria que existir num certo volume e uma certa sofisticação para chegar a se tornar um boato.

Claro, depois que algo assim toma vulto é provável que outros entrem na brincadeira e acrescentem memes e inventem novas provas de que Michele nasceu homem e espalhem estas "provas" pelas redes sociais. Mas para chegar a convencer um grupo inicial significativo de pessoas de que Michele Obama é na verdade um traveco, é preciso que toda a teoria da coisa já tenha sido criada e que tenha sido bem pensada antes de se gerar o boato. E só aconteceu porque não foi totalmente grassroots, mas havia gente na Macedônia pensando e trabalhando com o objetivo de minar a candidatura democrata. E sendo paga pra isso!

Também não se deve confiar em nada do que Nando Moura diz. O YT não divulga o algoritmo, mas estima-se (com base nos que os youtubers ganham) que o CPM seja em média $1. (confira no google!). Ou seja, um dólar por mil visualizações. Isso em média. Então é preciso 1 milhões de visualizações para o YT pagar 1000 dólares. No vídeo abaixo, por volta do min. 2:30, o próprio Afonso Vasconcelos diz que o canal dele tinha 7 milhões e 500 mil visualizações. ( Para mais de 400 vídeos que ele gravou! ). É só fazer as contas: nestes anos, desde que ele criou o Ciência de Verdade, deve ter rendido uns 7.500 dólares! Não deve dar uma renda nem de 250 dólares/mês, o que evidentemente não justifica (financeiramente) o trabalho de produzir centenas de vídeos. Muito menos pagaria outros investimentos além do de manter propriamente o canal. Essa é a realidade, ninguém vive de monetização e 100 dólares é grana pra quem ganha salário mínimo, é grana para os terraplanistas mais conhecidos, mas não é grana para alguém com o perfil sócio-econômico do Afonso. É um dinheirinho bom pra quem tá ferrado, mas quem ganha 800 reais por mês com YT não tem dinheiro pra contratar serviços de empresas de marketing virtual.


Sim, na verdade existe uma "fachada" de que isso surgiu do nada, espontaneamente, ninguém via instituições religiosas se comprometendo com o terraplanismo. É o que você acredita, é o que a maioria pensa e só assim a estratégia de astroturfing se torna efetiva. Mas qual, afinal, a intenção por trás disso? O que se pretende atingir com uma maluquice dessas?

É preciso entender que fazer pessoas acreditarem que a Terra é plana nunca foi um objetivo em si mesmo. Não é um fim, é um meio. Ao contrário do DI, que é quase um fim. Ao contrário do criacionismo, que é O objetivo do fundamentalismo cristão, o terraplanismo é uma ferramenta. Esses interesses estão na origem de toda essa onda anti-ciência que se observa hoje em dia e que foi disseminada valendo-se de estratégias de astroturfing. Eles criaram esse movimento "worldwide" de de desconfiança, preconceito e até rejeição da Ciência. Isso está sendo fomentado pelos interesses do fundamentalismo cristão de raízes norte-americanas.  O objetivo declarado deles ( vide documento da cunha ) é penetrar na Academia e estabelecer um novo paradigma do que seria Ciência. Mas isso não será possível sem que antes se produza o descrédito generalizado do atual paradigma e até da própria Academia. Se é uma meta atingível, não sei, mas essa gente
acredita piamente que sim. Assim como acreditam piamente que é possível convencer às pessoas que Noé enfiou centenas de milhões de bichos no navio, e acreditam a ponto de investir 100 milhões de dólares numa réplica da arca. E o que a "ideologia terraplanista" está fazendo na prática é embrulhar um agressivo discurso anti-ciência direcionado especificamente a uma parcela mais simplória da população.

É evidente que qualquer pessoa que se converta ao terraplanismo automaticamente se converte ao criacionismo. Porque uma Terra plana coberta por uma gigante cúpula girante de vidro com as estrelinhas todas grudadas , jamais poderia existir se não fosse por criação sobrenatural. Não há terraplanista que não seja criacionista, mas não me parece que o objetivo imediato seja ganhar adeptos para o literalismo bíblico. Isso parece funcionar como uma ferramenta muito eficaz para embrulhar todo um discurso promovendo o descrédito do conhecimento científico, algo a que os fundamentalistas se dedicam desde sempre.
« Última modificação: 28 de Julho de 2019, 10:30:37 por Pedro Reis »

Offline Pedro Reis

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #28 Online: 28 de Julho de 2019, 10:01:39 »
O que o cara lá disse com todas as letras é que não descarta raça como conceito científico, apesar de pressões ideologicas(na acepção dele, "princípios éticos")em contrário.

Sérgio, eu sei o que se passa dentro da sua cabeça. Sei como ela funciona.

Você sofreu uma lavagem cerebral aplicada pelo astroturfing que promove a crença na insidiosa conspiração marxista em marcha pelo domínio mundial. (Sim, existe!). Está convencido que questionar noções popularescas de raça é uma das estratégias do marxismo cultural e portanto
algo maléfico, extremamente perigoso e que deve ser combatido a qualquer custo. Nem que para isso tenhamos que abraçar o mal menor do racismo na sociedade.

Na verdade nem a esquerda costuma se entusiasmar muito com a ideia de questionar o conceito de raça, porque os movimentos de esquerda gostam de levantar as bandeiras das minorias. É da esquerda o discurso de "dívida histórica", por exemplo. E convenhamos, para esse discurso é desconcertante que alguém com a aparência do puxador de samba da Beija-Flor tenha ascendência predominante de opressores europeus. Quem gosta de apontar incongruências como esta são justamente os críticos do sistema de cotas defendido pelas administrações petistas e partidos de esquerda em geral.

Então você pode desencanar disso, não precisa acreditar mais que todo índio é indolente e que todo judeu é pão duro por receio de estar fazendo coro com o marxismo cultural.

Quanto ao texto, se você reler agora, já livre de qualquer paranoia, vai entender que o cara basicamente disse que para a Biologia o conceito de raça é uma ferramenta da taxonomia, definido arbitrariamente, mas que qualquer definição deve atender a critérios racionais de classificação. A similaridade genética entre indivíduos é informação até certo ponto útil quando se pretende estimar a taxa de incidência de determinados traços, mas esta similaridade não corresponde diretamente às noções mais popularmente aceitas do que seriam as raças humanas.

Por exemplo: se diz que a raça negra tem mais propensão à anemia falciforme, que é genética. Esta seria uma informação útil para um médico ao examinar um paciente se fosse precisa. Então, em prejuízo da Medicina mas em benefício do discurso politicamente correto, estaria se negando que exista essa coisa assim tão bem definida tal como uma "raça negra".

Mas não é o caso, porque na verdade para algumas populações na África que viviam em regiões onde a malária era endêmica, a anemia falciforme era uma proteção natural. Isso fez com que em algumas populações a incidência chegasse a 40%, enquanto em outras era relativamente esparsa. Porém, como você pode conferir no estudo que eu vou linkar abaixo, o conceito cientificamente
impreciso mas culturalmente arraigado de "raça negra", mais prejudicou que auxiliou as pesquisas científicas sobre a anemia
falciforme no Brasil e nos Estados Unidos até meados do século 20.

O médico João Maia de Mendonça fez extensa pesquisa onde classificou os grupos a serem estudados como  melanodermos (negros), faio-dermos (descendentes de negros e brancos), xantodermos (descendentes de brancos e índios) e leucodermos (brancos). E ainda subdividiu os negros em 3 subgrupos de acordo com o grau de negritude. Porém ao pesquisar a incidência de hemácias falciformes obteve resultados inconclusivos, confusos. Encontrou maior incidência entre os faio-dermos de pigmentação moderada que os de pigmentação mais escura. O que ainda contrariava estudos de autores americanos que haviam encontrado maior incidência entre negros de pele mais clara.

Onde o Dr. Mendonça errou? É certo que anemia falciforme é hereditária e se verifica uma grande incidência em algumas populações na África. Mas a concepção de raça que ele tinha não ajudava muito. Parece que a presunção do Dr. Mendonça era de que aquela era uma doença da raça negra, portanto quanto mais preto fosse o preto, mais provável deveria de ser portador dessa condição.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702011000200007

Veja o que diz o site da Associação Brasileira de Hematologia:

Citar
2) A doença predomina em pessoas afro-descendentes, já que o gene da HbS teve origem no continente africano. Porém, em países com alta miscigenação entre as etnias, como ocorre no Brasil, qualquer pessoa pode ter a anemia falciforme.

"Predomina em afro-descendentes"... o problema é que afro-descendente não é raça! Afro-descendentes é que tem algum ancestral que veio da África há menos de 500 anos. E existe tanta variedade entre as populações africanas quanto existe entre as populações do humanas do mundo. Na África você encontra desde a tribo dos pigmeus até guerreiros masai de mais de 2 metros de altura, e uma variedade incrível de etnias. Em algumas o gene da Hbs pode ser tão raro quanto antigos vikings da Noruega. Logo, esse conceito de "raça negra" jamais teria sido criado pela objetividade científica, mas ao contrário tem origem sócio-política-cultural. Porém, como se viu,
essa contaminação histórica-sócio-política-cultural acaba por contaminar prejudicialmente a própria objetividade científica. Afinal de contas o próprio cientista em última instância também é um indivíduo inserido em algum contexto de crenças e valores culturais.

Mesmo a ABHH alerta que em um país miscigenado como o nosso, ser ou não "negro" não diz muito sobre as chances de uma pessoa ser ou não portadora dessa doença. Esse exemplo, que vem se juntar a outros que o Banzai já te apresentou,  deve ajudar a entender o problema com
esta sua noção de raça e o porquê dela ser atualmente questionada como critério de classificação científica. Não tem nada a ver com militância de espécie alguma, muito menos marxismo cultural, é apenas razão e lucidez. Coisa que faltou um pouco aos pesquisadores dos anos 30 e 40, que tentaram até encontrar correlações entre a incidência de anemia falciforme e o grau de pigmentação da pele.

Porque o conceito então de raça, especialmente o conceito de "raça negra" ( que era semelhante a este que você ainda acredita "existir" ) era impreciso demais para ser útil como critério de classificação e delimitação científica.

Agora deu para entender o que eu quis dizer?


Mantenho o que eu disse lá.

Existem a depender do critério adotado. Os critérios de semelhanças fenotípicas, e de fundo genotípico, mesmo que discretos.

Claro que existem a depender do critério adotado. Porque o critério adotado, o sistema de classificação adotado, é que faz as subespécies existirem por definição. E também as espécies, os gêneros, famílias ...

Mas esta confusão entre semelhanças fenotípicas e proximidade genética é que não é um bom critério científico a se adotar, mas é justamente o critério que a sua concepção de raça humana intuitivamente adota.

Offline Sergiomgbr

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #29 Online: 28 de Julho de 2019, 12:25:07 »
Texto falacioso.
Até onde eu sei eu não sei.

Offline Pedro Reis

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #30 Online: 28 de Julho de 2019, 14:13:10 »
😀

Offline Geotecton

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #31 Online: 28 de Julho de 2019, 14:35:21 »
Texto falacioso.

Rebata com argumentos.

Elabore!
Foto USGS

Offline Sergiomgbr

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #32 Online: 28 de Julho de 2019, 15:41:44 »
Texto falacioso.

Rebata com argumentos.

Elabore!
Falácia não se rebate.


Sérgio, eu sei o que se passa dentro da sua cabeça. Sei como ela funciona.

Você sofreu uma lavagem cerebral aplicada pelo astroturfing que promove a crença na insidiosa conspiração marxista em marcha pelo domínio mundial. (Sim, existe!). Está convencido

« Última modificação: 28 de Julho de 2019, 15:50:34 por Sergiomgbr »
Até onde eu sei eu não sei.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:Cuidado com o astroturf
« Resposta #33 Online: 28 de Julho de 2019, 16:27:07 »
Vamos lá...

Não é plausível que os próprios terraplanistas estivessem contratando empresas de marketing virtual. Dentro de uma lógica custo\benefício não se justifica. A maioria deles é gente de baixo nível sócio econômico e o que ganham (financeiramente) com isso não permitiria esse tipo de investimento.

Qual foi o investimento deles? Você tem esse dado, ou apenas assume que foi algo astronômico, para assim servir de "evidência" à hipótese de astroturf?

 

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