Autor Tópico: O Brasil está preparado para o voto facultativo?  (Lida 3271 vezes)

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Atheist

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Re: Re.: O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #25 Online: 22 de Setembro de 2005, 14:29:23 »
Citação de: Fernando
Extermistas fiéis as suas ideologias iriam correr as urnas enquanto os alguns liberais iriam ficar em casa deixando que o destino de seu país fosse decidido por outras pessoas. Dando um exemplo simples.


E onde está a diferença em relação ao voto obrigatório, além do fato que eu não posso escolher se quero ou não exercer meu direito?

Citação de: Fernando
Muitos brasileiros iriam aproveitar a situação para não votar.


Não há como saber se não se aprovar o voto facultativo.

Citação de: Fernando
Isso acabaria com o espírito de cidadania de muita gente, é preocupante.


Se já há os que não vão votar, já há os que estão desiludidos com o espírito de cidadania, afinal, votar não vem resolvendo problema algum. Meu espírito de cidadania já foi por água abaixo vendo o quanto os deputados ganham para não fazer nada, ou o quanto é roubado. Não a minha liberdade de não participar deste processo obrigatório.

Sendo livre, vou votar se eu sentir que há algum candidato que mereça o voto. Se não há, de que adianta votar? Não votaram no menos pior nas últimas eleições e deu no que deu? A obrigatoriedade não impediu nada ainda.

Citação de: Fernando
O Brasil não possui consciência ainda para termos voto facultativo.


Não há provas disso.

Atheist

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Re: Re.: O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #26 Online: 22 de Setembro de 2005, 14:31:01 »
Citação de: Fernando
Citação de: Marcelo Terra
Se o voto é obrigatório por que existe a opção de votar em branco?

O voto é obrigatório para que todo cidadão exerça sua cidadania colocando sua opinião sobre decisões políticas do país. O voto em branco serve para aquelas pessoas que não possuem opinião, ou que querem deixar que a decisão fique nos votos dos outros.


Cidadania deve ser algo natural, não imposto. Se for facultativo, quem tiver interesse vota.

Offline Südenbauer

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Re: Re.: O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #27 Online: 22 de Setembro de 2005, 14:48:03 »
Citação de: Elremosh Deff
Citação de: Fernando
Citação de: Marcelo Terra
Se o voto é obrigatório por que existe a opção de votar em branco?

O voto é obrigatório para que todo cidadão exerça sua cidadania colocando sua opinião sobre decisões políticas do país.


Está brincando né?

Nem a minha vó ousaria me contar uma estorinha dessa...

Ninguém pode (ou deve) me obrigar a expôr a minha opinião. E lembre-se que nesse caso, não se trata de uma opinião, mas de um VOTO. E tendo em mente a importância e o significado de um voto, eu não posso acreditar que me obrigam a isso somente para que eu exponha a minha opinião sobre as decisões políticas.

O voto é secreto, e não és obrigado a escolher um candidado, podes votar em branco.

Offline Marcelo Terra

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Re: Re.: O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #28 Online: 22 de Setembro de 2005, 15:00:38 »
Citação de: Fernando
O voto é secreto, e não és obrigado a escolher um candidado, podes votar em branco.


Então o que é obrigatório não é o voto, é o comparecimento? Pra que preciso me dirigir a uma seção eleitoral para não votar? Não é mais fácil "não votar" não votando?

Offline Südenbauer

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Re: Re.: O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #29 Online: 22 de Setembro de 2005, 15:00:40 »
Citação de: Atheist
Citação de: Fernando
Extermistas fiéis as suas ideologias iriam correr as urnas enquanto os alguns liberais iriam ficar em casa deixando que o destino de seu país fosse decidido por outras pessoas. Dando um exemplo simples.


E onde está a diferença em relação ao voto obrigatório, além do fato que eu não posso escolher se quero ou não exercer meu direito?

Com o voto facultativo corre-se o risco de uma pequena minoria ganhar. IURD por exemplo..

Citação de: Atheist
Citação de: Fernando
Muitos brasileiros iriam aproveitar a situação para não votar.


Não há como saber se não se aprovar o voto facultativo.

Tudo deve ser experimentado para sabermos se é bom ou ruim?

Citação de: Atheist
Se já há os que não vão votar, já há os que estão desiludidos com o espírito de cidadania, afinal, votar não vem resolvendo problema algum. Meu espírito de cidadania já foi por água abaixo vendo o quanto os deputados ganham para não fazer nada, ou o quanto é roubado. Não a minha liberdade de não participar deste processo obrigatório.

Sendo livre, vou votar se eu sentir que há algum candidato que mereça o voto. Se não há, de que adianta votar? Não votaram no menos pior nas últimas eleições e deu no que deu? A obrigatoriedade não impediu nada ainda.

Vote em branco.

Citação de: Atheist
Citação de: Fernando
O Brasil não possui consciência ainda para termos voto facultativo.


Não há provas disso.

Sim, é só o que eu costumo observar.

Atheist

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Re: Re.: O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #30 Online: 22 de Setembro de 2005, 15:13:34 »
Citação de: Fernando
Com o voto facultativo corre-se o risco de uma pequena minoria ganhar. IURD por exemplo..


Até pouco tempo atrás, os petistas eram uma minoria radical. Só teriam chance de ganhar uma eleição desta forma... Será mesmo?

Deve-se lembrar que haverá campanha de qualquer forma. Os adversários da IURD vão querer derrotá-la, e para isso, deverão apresentar propostas. Se ninguém mais apresentar propostas de modo que incite a população a comparecer e votar, paciência, merecemos a IURD.

Citação de: Fernando
Tudo deve ser experimentado para sabermos se é bom ou ruim?


Bom ou ruim é um ponto de vista. Eu acho que seria muito bom que o voto fosse facultativo, seria a alforria. Deixaríamos de ser escravos de um sistema e passaríamos a poder mudar alguma coisa realmente.

Citação de: Fernando
Vote em branco.


E por que não posso ficar em casa, como bem observou o Marcelo?

Offline Elremosh Deff

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Re: Re.: O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #31 Online: 22 de Setembro de 2005, 16:52:23 »
Citação de: Marcelo Terra
Citação de: Fernando
O voto é secreto, e não és obrigado a escolher um candidado, podes votar em branco.


Então o que é obrigatório não é o voto, é o comparecimento? Pra que preciso me dirigir a uma seção eleitoral para não votar? Não é mais fácil "não votar" não votando?


 :vitoria:
Um herói é aquele que faz o que pode.

Romam Rolland

Offline Elremosh Deff

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Re: Re.: O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #32 Online: 22 de Setembro de 2005, 16:55:37 »
Citação de: Fernando
O voto é secreto, e não és obrigado a escolher um candidado, podes votar em branco.


Dessa forma estaria entregando o meu voto para um qualquer, até mesmo para um candidato do partido da IURD.

Qual a diferença entre não votar, e anular o voto?
Um herói é aquele que faz o que pode.

Romam Rolland

Offline n/a

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Re: Re.: O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #33 Online: 22 de Setembro de 2005, 18:14:19 »
Citação de: Claudio Loredo
A solução para este dilema é convencer o maior número possível de pessoas a pelo menos votar no menos pior. Para que o pior não aconteça. Acho isto melhor do que obrigar todo mundo a votar.


O difícil é fazer isso, né?

Na desistência de várias pessoas em votar no "menos pior", ficando em casa, imagino, com exagero para retratar alguns grupos que poderiam crescer, o congresso dividido ao meio entre os homens com o Manifesto Comunista na mão e entro os outros com a Bíblia.

Offline Marcelo Terra

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Re: Re.: O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #34 Online: 22 de Setembro de 2005, 18:43:24 »
Citação de: Ricardo M
Na desistência de várias pessoas em votar no "menos pior", ficando em casa, imagino, com exagero para retratar alguns grupos que poderiam crescer, o congresso dividido ao meio entre os homens com o Manifesto Comunista na mão e entro os outros com a Bíblia.


E os que estariam com um em cada mão?  :lol:

Offline n/a

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Re: Re.: O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #35 Online: 22 de Setembro de 2005, 18:45:46 »
Citação de: Marcelo Terra
Citação de: Ricardo M
Na desistência de várias pessoas em votar no "menos pior", ficando em casa, imagino, com exagero para retratar alguns grupos que poderiam crescer, o congresso dividido ao meio entre os homens com o Manifesto Comunista na mão e entro os outros com a Bíblia.


E os que estariam com um em cada mão?  :lol:


E com que mão eles iam carregar a mala de dinheiro?  :D  :lol:

Offline Aronax

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Re: Re.: O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #36 Online: 22 de Setembro de 2005, 21:03:01 »
Citar
Citação de: Ricardo M
[
 :lol:


E com que mão eles iam carregar a mala de dinheiro?  :D  :lol:
[/quote]
Vc não sabe que agora se usa a cueca para isto? :D
Uma verdade ou um ser podem ser vistos de vários pontos, porém a verdade e o ser estão acima de pontos de vista.

Offline Pasteur

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Re:O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #37 Online: 14 de Setembro de 2016, 09:22:34 »
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10 motivos para ser a favor do voto obrigatório

1- O voto obrigatório faz com que a maioria ou todos estejam representados. O voto é um poder-dever.

2- O voto obrigatório faz com que ninguém possa reclamar do seu governo, uma vez que participou da eleição. O voto obrigatório não constitui ônus para o país e o constrangimento ao eleitor é mínimo comparado com os benefícios que oferece ao processo.

3- No voto obrigatório todas as parcelas da população escolhem seus representantes de forma equitativa, pobres e ricos.

4- No voto obrigatório, o cidadão é obrigado a separar parte do seu tempo para se informar sobre os candidatos, assim se aproximando da política.

5- No voto facultativo, as abstenções aumentarão tanto que alguns grupos ficarão super representados.

6- No voto facultativo, é preciso não apenas fazer campanha para que eleitor vote em você, mas também campanha que ele saia de casa. As campanhas seriam mais estratégicas e caras, dando vantagens aos grandes partidos.

7- O voto facultativo daria vantagem a quem tivesse o domínio do poder econômico, podendo estes procurar com mais facilidade onde estão os eleitores que querem votar e fazer campanha apenas para eles.

8– No voto facultativo, boa parte da população que tem escolaridade e acompanha a política ficaria enojada em ter de votar em algum político, enquanto os pobres facilmente alienáveis votariam em massa em que lhes oferecesse algum benefício.

9- O voto facultativo é mais propenso a fraudes. Sem saber quantas pessoas votarão, é mais fácil corromper o sistema.

10- O voto facultativo no final da contas apenas favoreceria a minorias eleitorais com peso eleitoral, que seriam paparicadas pelos candidatos por toda a campanha em detrimento da maioria da população.

Dessa forma, como acontece nos EUA, a agenda da eleição seria ditada por pequenos grupos que distoam dos padrões da maioria da sociedade.

10 motivo para ser a favor do voto facultativo

1- O voto facultativo é democrático, pois dá ao cidadão direito de participar ou não da eleição, sem que para isso precise pagar por algo ou perder algum direito.

2- Com o voto facultativo, menos pessoas votariam. Quem iria votar seria apenas os eleitores conscientes que creem na ideologia dos partidos. Os partidos se fortaleceriam, assim como o debate.

3- No voto facultativo, o candidato teria que agradar sua base de apoio, do contrário, esta ficaria em casa no dia da eleição. Logo, os canditatos teriam que mostrar mais serviço.

4- No voto facultativo, as minorias ganham força, tendo o governante obrigação de atender as demandas de algumas delas.

5- No voto facultativo, as campanhas não poluiriam tanto as ruas. Com o passar do tempo, o marketing estratégico iria focar a campanha tão bem que quem não quisesse votar ficaria cada vez menos encomodado com as eleições.

6- No voto facultativo, as campanhas acabariam por ficar mais baratas, uma vez que não seria preciso atingir toda a população. Isso poderia até mitigar a corrupção, pois quanto mais cara a campanha, mais interesses escusos serão atendidos.

7- O voto facultativo vai aproximar o cidadão que quer participar e afastar aquele que não quer. A democracia prevalecerá na medida em que os políticos tenham que motivar as pessoas a interagir com o processo democrático. O voto facultativo é melhor, pois nada que seja compulsório pode ser cabalmente democrático.  O voto é um direito, não um dever.

8- A participação de todos no processo eleitoral é um mito. Atualmente, mais de 20% dos brasileiros já ficam em casa no dia da eleição. O voto facultativo apenas ia regulamentar o que já existe.

9- O voto facultativo é adotado nas maiores democracias do mundo. Será que o voto facultativo dos Estados Unidos é menos democrático que o voto obrigatório do Brasil?

Não há, no mundo, uma democracia representativa que não faculte o voto.

10- Levando em consideração a atual participação popular nos níveis da eleições municipais, estaduais e federais, pouco seria mudado se o voto fosse facultativo, levando em consideração que muitos já se abstem.

Futuros catastróficos nunca surgiriam do voto facultativo, tanto é que as maiores democracias do mundo já o adotam. A faculdade do voto apenas traria lisura e legitimidade ao processo eleitoral.

fonte

Em alguns países desenvolvidos o voto é obrigatório: Bélgica, Austrália, Luxemburgo e Singapura.

Não tenho opinião formada, mas inicialmente tenho mais simpatia pelo voto obrigatório. O voto mais do que obrigação seria um dever, não se acomodar...

Offline Gauss

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Re:O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #38 Online: 14 de Setembro de 2016, 09:53:34 »
Sou a favor do voto facultativo justamente por estimular o voto consciente. As pessoas não se sentem bem quando o voto é obrigatório, tanto que no tempo das cédulas era comum os votos de protesto. Se olhar bem, até hoje existe voto de protesto, Tiririca já foi eleito e reeleito...

O voto consciente evitaria bizarrices deste tipo.

Ou não.
“A matemática é a rainha das ciências.”
Carl Friedrich Gauss.

Offline Pasteur

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Re:O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #39 Online: 14 de Setembro de 2016, 10:15:18 »
Sou a favor do voto facultativo justamente por estimular o voto consciente. As pessoas não se sentem bem quando o voto é obrigatório, tanto que no tempo das cédulas era comum os votos de protesto. Se olhar bem, até hoje existe voto de protesto, Tiririca já foi eleito e reeleito...

O voto consciente evitaria bizarrices deste tipo.

Ou não.


Tiririca seria eleito até se o voto fosse facultativo...

Precisamos observar se bizarrices que podem acontecer com o voto obrigatório é um preço a pagar que compense alguma vantagem. O negócio é pesar os prós e os contras.

Offline Gauss

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Re:O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #40 Online: 14 de Setembro de 2016, 10:27:45 »
Não entendo como o voto facultativo seria mais propenso a fraudes. Como funciona em países como os EUA, Alemanha, etc.? É  comum fraudes por lá?
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Offline Luiz F.

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Re:O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #41 Online: 14 de Setembro de 2016, 10:53:18 »
Citar
10 motivos para ser a favor do voto obrigatório

[...]2- O voto obrigatório faz com que ninguém possa reclamar do seu governo, uma vez que participou da eleição. [...]
fonte

 :? To tentando entender o raciocínio que levou a essa conclusão, mas tá difícil...

Tipo: O cara é eleito democraticamente, mas começa a criar políticas de discriminação a alguma minoria da moda, por ter sido eleito democraticamente ele está acima de reclamação? O fato de todas as pessoas serem obrigadas a dar sua opinião no pleito dá o poder de fazer qualquer coisa sem ser admoestado por isso.

"Ah, todo mundo votou e o cara foi eleito, então para de reclamar dos campos de concentração que ele faz."
"Você realmente não entende algo se não consegue explicá-lo para sua avó."
Albert Einstein

Offline Gauss

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Re:O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #42 Online: 14 de Setembro de 2016, 11:12:58 »
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8– No voto facultativo, boa parte da população que tem escolaridade e acompanha a política ficaria enojada em ter de votar em algum político, enquanto os pobres facilmente alienáveis votariam em massa em que lhes oferecesse algum benefício.

Já vi argumentos em favor do voto obrigatório que afirmam justamente o contrário, pois no voto facultativo é justamente os mais velhos e ricos com maior escolaridade que comparecem às urnas. Dizem as más línguas que se nos EUA o voto fosse obrigatório os Democratas venceriam mais eleições, pois as minorias, os mais jovens e os mais pobres (que são a base do colegiado democrata) são os que menos comparecem nas urnas.

E o autor se contradiz no tópico anterior a esse:
Citar
7- O voto facultativo daria vantagem a quem tivesse o domínio do poder econômico, podendo estes procurar com mais facilidade onde estão os eleitores que querem votar e fazer campanha apenas para eles.
Geralmente a escolaridade é proporcional a renda. Várias pesquisas indicam isso. O  voto facultativo daria vantagem ou desvantagem aos mais ricos? Fiquei confuso.
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Offline Entropia

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Re:O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #43 Online: 14 de Setembro de 2016, 13:11:24 »
Acho legal que os pontos contra o voto facultativo podem ser resumidos a "As pessoas vao poder decidir o que querem fazer, e isso é ruim!!!11". Ou seja vou poder fazer o que quiserem. Eu nao vejo sentido em forcar alguém a participar de algo que ela nao quer.

Problemas com representacao e minorias com mais forca? Bem, se isso for um problema, que está se ferrando com isso vai passar a ter vontade de votar pra mudar. Passar por um mal Governo nao é novidade, e muitas pessoas só aprendem na porrada, mais fácil dar valor a votar se elas perceberam que estao se prejudicando com isso, do que forcá-las "para o seu bem"

Skorpios

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Re:O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #44 Online: 14 de Setembro de 2016, 13:40:59 »
Uma boa matéria a respeito do voto.

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Quem manda na nação: o voto ou o dinheiro? Como os donos do poder (as elites dirigentes) dominam?

Não há manual de ciência política que não ensina o valor igualitário do voto nas democracias (cada cabeça um voto). Como as pesquisas não mostram o real funcionamento do poder, sim, as aparências, quem vê superficialmente o resultado da eleição de 2014 chega à seguinte conclusão: nas classes A e B, de cada três votos, dois foram para Aécio. Nas classes D e E, de cada três votos, dois foram para Dilma. Na classe C houve divisão mais proporcional.

Dilma liderou entre os eleitores com até 2 salários mínimos (teve 63%); Aécio apareceu na frente entre os que ganham mais de 10 salários mínimos (teve 65%) (ver Datafolha). O senso comum afirmou: os pobres elegeram Dilma. As classes populares deram mais votos para Dilma (e elas são mais numerosas). Então quem manda no Brasil (e em todas as democracias do mundo) é o voto? Vamos entender o tema.

Regra 1: o voto legitima o governante (o político) a tomar decisões em nome do povo (os legitima para governarem). Só isso. Nesse sentido, a democracia é puramente procedimental (Schumpeter).

Regra 2: mas quem influencia na tomada das decisões? Em regra, o dinheiro (ou seja: os interesses dos mais poderosos).

O voto diz quem pode tomar decisões (governar) em nome do povo. O dinheiro diz quais decisões devem ser tomadas (como se deve governar). Se o dinheiro público pode construir uma escola e um hospital ou ser emprestado com taxas privilegiadas para algumas empresas poderosas, quem influencia nessa decisão?

Crédito privilegiado com o dinheiro público

No governo FHC o dinheiro público dos fundos de pensão e do BNDES foi usado para que empresas privadas comprassem empresas públicas (ver Sérgio Lazzarini, Capitalismo de laços). Houve “privatização”, sem desestatização. No governo lulopetista os chamados “campeões nacionais” (JBS, Eike Batista, Odebrecht etc.) levaram fortunas em créditos subsidiados.

O governo Temer acaba de tomar a decisão de que R$ 5 bilhões do BNDES serão emprestados a taxas diferenciadas para empresas que queiram comprar outras em dificuldades financeiras.

Todos são exemplos do “capitalismo à brasileira” (que enriquece alguns poucos com o dinheiro público privilegiado).

Quem influencia essas decisões de favorecimentos dos donos do poder? O voto ou o dinheiro? Quais empresas são escolhidas? As mais influentes, evidentemente, levam o dinheiro público para suas contas (e sua prosperidade financeira).

Nessa hora, frente ao poder do dinheiro (dos donos do poder), o voto tanto dos eleitores médios como o da base vira pó. Os que financiam as campanhas eleitorais levam vantagens imensas.

Num país com hiperescassez de crédito (e muito caro), ter dinheiro público privilegiado para poder comprar empresas à beira da falência por valor muito aquém do normal é um tremendo negócio.

Isso gera fortunas para alguns privilegiados (sendo patente a confusão entre o público e o privado, conforme a tradição patrimonialista). E o governo atende os interesses tanto de quem está falindo como de quem está comprando.

Quais empresas falidas serão beneficiadas e quais empresas compradoras serão aquinhoadas? Somente as que pertencem ao “clube dos donos do poder” terão acesso ao benefício.

“A linha foi uma grande jogada. Muitos players estratégicos que não têm acesso a capital porque o mercado de crédito está difícil terão uma linha para comprar ativos baratos e, com esses ativos, poderão voltar a crescer e a ganhar dinheiro”, disse Marcelo Gomes, diretor-executivo da consultoria Alvarez & Marsal (Valor Econômico).

Mais: a nova lei de falências (nº 11.101, de 2005) criou mecanismos para dar garantia aos compradores de ativos de empresas em recuperação judicial. O artigo 60 da lei garante que não haverá sucessão de dívidas para o comprador do ativo que for segregado na chamada Unidade Produtiva Isolada (UPI). A UPI “blinda” o investidor na compra do ativo da empresa em recuperação judicial de potenciais sucessões de dívidas.

A obtenção de créditos públicos privilegiados não é a cleptocracia. Cleptocracia é o funcionamento das instituições (das leis, da Justiça, da mídia, da política e da economia) que fomentam ou acobertam esse crédito público favorecido em benefício de poucos (de algumas elites), sobretudo quando sem critérios transparentes.

Segundo o economista José Roberto Afonso, do Ibre/FGV, o elevado endividamento das empresas, que acabaram asfixiadas pelo aumento dos juros e alta do dólar, levou o banco (BNDES) a agir. “Pelo visto, o mercado não deu conta. E esperava-se que estrangeiros entrassem e comprassem as empresas brasileiras em má situação financeira, mas também não devem estar dando conta.” Ele critica, porém, que seja o BNDES o instrumento escolhido pelo governo para mitigar o problema. “Foge ao padrão do BNDES, que é o fomento para projetos de novos investimentos”, diz ele. “O BNDES é usado para fazer uma função que é própria do governo ou do Banco Central” (Folha).

Estudo de dois cientistas políticos norte-americanos

Mas não é novidade que os donos do poder (as elites dirigentes ou supercidadãos) dominam o poder econômico-financeiro, o político, o jurídico (até onde este permite) e o social (mídias, escolas, intelectuais etc.).

Os detentores de mais capitais (econômico, cultural, social, relacional etc.) contam com mais acesso ao poder político (logo, ao domínio da sociedade) e isso ocorre inclusive nas democracias (onde prospera o “mito” de que os votos possuem o mesmo valor).

No Brasil (como em tantos outros países) sempre se viveu essa realidade. Portanto, nada de inusitado. O que nos faltava era uma comprovação de tudo isso.

Essa confirmação veio com um estudo de dois cientistas políticos (Martin Gilens, da Princeton University, e Benjamin Page, da Northwestern University), que chegaram a algumas conclusões com implicações dramáticas para o funcionamento da democracia – seja nos EUA, seja em outros países (ver Dani Rodrik, Valor Econômico 11/9/14).

Foram usadas pesquisas de opinião pública em cerca de 2 mil questões de política governamental entre 1981 e 2002. A dupla analisou duas coisas: (a) se governo federal dos EUA adotou a política em questão no exercício do mandato seguinte à pesquisa e (b) mensuraram em que medida o resultado coincidiu com as preferências dos distintos eleitores (comparando os donos do poder com o restante da população).

Diferentemente do que ocorre com os “eleitores da base da pirâmide” ou subcidadãos (mais ou menos 2/3 da população, no caso brasileiro), os “eleitores médios” ou cidadãos (classes A e B: grosso modo, quase 1/3 da população, no caso do Brasil) aparentemente contam com muita influência nas políticas do governo.

Mas isso ocorre somente na medida em que seus interesses coincidem com os dos donos do poder (que não chegam nem a 0,1% dos habitantes, no Brasil). Quando tais interesses são conflitantes, normalmente predominam as políticas sustentadas pelas elites dirigentes.

As preferências desse “eleitor médio” (cidadãos) e das elites econômicas (supercidadãos) não são muito diferentes no que diz respeito à maioria das questões de política de governo. Por exemplo, ambos os grupos de eleitores gostariam de ver uma defesa nacional forte e uma economia saudável (ver Dani Rodrik, citado).

Quando tais interesses são conflitantes (por exemplo: que se use o dinheiro público para subsidiar empréstimos privilegiados para algumas empresas), o efeito do “eleitor médio” cai para níveis insignificantes, ao passo que o das elites econômicas permanece substancial.

Conclusão: quando os interesses das elites dirigentes são distintos daqueles do restante da sociedade, é a opinião das elites que conta – quase exclusivamente.

Gilens e Page relatam resultados semelhantes para grupos de interesse organizados, que exercem uma influência poderosa sobre a formulação de políticas. Como ressaltam os autores, “faz muito pouca diferença o que o público em geral pensa” depois que são levados em conta os alinhamentos dos grupos de interesse organizados (eleitores médios) e as preferências dos donos do poder.

Quando há coincidência entre os interesses dos eleitores médios com os dos donos do poder (das elites), é inegável sua força política, porque nesse caso os políticos, que já atendem preponderantemente os interesses dos donos do poder (que são os que financiam suas campanhas eleitorais), também favorecem os eleitores médios. Quando há descoincidência, preponderam os interesses dos donos do poder (em detrimento do restante da população).

Offline Buckaroo Banzai

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Re:O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #45 Online: 14 de Setembro de 2016, 15:39:18 »
Acho legal que os pontos contra o voto facultativo podem ser resumidos a "As pessoas vao poder decidir o que querem fazer, e isso é ruim!!!11". Ou seja vou poder fazer o que quiserem. Eu nao vejo sentido em forcar alguém a participar de algo que ela nao quer.

Ao mesmo tempo em que vários deles simplesmente não são exclusivos do voto facultativo, até custa acreditar que alguém tenha escrito isso. Tem um de propaganda ser mais cara, que acho que era contradito no ítem seguinte, que sugeria que seria mais eficaz campanha menos populista. Isso ainda nem toca em problemas inerentes à propaganda política em si.

Esse de "o eleitor não pode reclamar depois" sugere que foi escrito pelo mesmo petista que inventou o argumento de que uma presidenta eleita democraticamenta nãa pode sofrer impedimenta.



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Problemas com representacao e minorias com mais forca? Bem, se isso for um problema, que está se ferrando com isso vai passar a ter vontade de votar pra mudar. Passar por um mal Governo nao é novidade, e muitas pessoas só aprendem na porrada, mais fácil dar valor a votar se elas perceberam que estao se prejudicando com isso, do que forcá-las "para o seu bem"

A própria questão de "representatividade" no voto é essencialmente falsa. Os votos dos perdedores vão pelo ralo. Se estivéssemos falando de resultados de plebiscitos cujas proporções servissem de parâmetro para encontrar políticas de maior consenso, aí sim, haveria o que falar em representatividade. Ou mesmo aqueles sistemas que não contam só o mais votado, mas também a menor rejeição geral, algo mais próximo de consenso. Mesmo a eleição de legisladores não é algo que se possa dizer, "minha nossa, como que a população é representada dessa forma, meu deus".

Rhyan

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Re:O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #46 Online: 15 de Setembro de 2016, 22:01:07 »
Quem defende voto obrigatório merece uma morte lenta e dolorosa.

Voto branco e nulo não são contabilizados, qual o sentido de alguém sair de casa pra votar branco ou nulo se não vai fazer a menor diferença na eleição?

Só país ridículo tem esse tipo de obrigação.

Rhyan

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Re:O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #47 Online: 15 de Setembro de 2016, 22:21:42 »
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10 motivos para ser a favor do voto obrigatório

1- O voto obrigatório faz com que a maioria ou todos estejam representados. O voto é um poder-dever.

Todos quem? Um presidente eleito tem mais ou menos 1/4 da população, um pouco mais de 1/3 dos eleitores e um pouco mais de metade votos válidos. (dados de 2014)

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2- O voto obrigatório faz com que ninguém possa reclamar do seu governo, uma vez que participou da eleição. O voto obrigatório não constitui ônus para o país e o constrangimento ao eleitor é mínimo comparado com os benefícios que oferece ao processo.

Pura bobagem. qualquer um pode reclamar de qualquer governo independente do voto.

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3- No voto obrigatório todas as parcelas da população escolhem seus representantes de forma equitativa, pobres e ricos.

Falso por questões básicas de proporcionalidade.

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4- No voto obrigatório, o cidadão é obrigado a separar parte do seu tempo para se informar sobre os candidatos, assim se aproximando da política.

hahahah, quem acredita nisso? Esse tempo, se existir, é sobre quem tem a campanha mais emocional ou quem promete mais assistencialismo. O famoso mito do eleitor racional.

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5- No voto facultativo, as abstenções aumentarão tanto que alguns grupos ficarão super representados.

Já há vários grupos assim, se chamam "grupos de interesse". Não existe nenhuma eleição sem esse tipo de vício democrático.

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6- No voto facultativo, é preciso não apenas fazer campanha para que eleitor vote em você, mas também campanha que ele saia de casa. As campanhas seriam mais estratégicas e caras, dando vantagens aos grandes partidos.

Ok, desde que não tenha dinheiro público em campanhas e que propaganda obrigatória e "gratuita" sejam abolidas, não há problemas mais graves do que os que já existem.

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7- O voto facultativo daria vantagem a quem tivesse o domínio do poder econômico, podendo estes procurar com mais facilidade onde estão os eleitores que querem votar e fazer campanha apenas para eles.

Isso não existe com voto obrigatório?

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8– No voto facultativo, boa parte da população que tem escolaridade e acompanha a política ficaria enojada em ter de votar em algum político, enquanto os pobres facilmente alienáveis votariam em massa em que lhes oferecesse algum benefício.

Que tal o voto do pobre valer 1/3? hahaha, cada argumentação. Capaz de pobre votar "melhor" que playbozinho de federal (geralmente do pçol ou pstu).

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9- O voto facultativo é mais propenso a fraudes. Sem saber quantas pessoas votarão, é mais fácil corromper o sistema.

O sistema é imune a fraudes atualmente? Isso é dever do TSE, não é problema meu.

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10- O voto facultativo no final da contas apenas favoreceria a minorias eleitorais com peso eleitoral, que seriam paparicadas pelos candidatos por toda a campanha em detrimento da maioria da população.

O problema dos cacifes dos grandes partidos, algo que não existe hoje, certo?

Pessoal faz um malabarismo pra tentar justificar um absurdo, e ainda querem fingir que a democracia é uma coisa bonita. É só ver os grandes políticos do Brasil, fazer uma lista de nomes, não achar nada de bom e concluir que a democracia só elege o que há de pior na sociedade. Mas ainda vão ter aqueles falando em "voto certo", que diabos é isso?

Offline JJ

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Re:O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #48 Online: 27 de Junho de 2018, 08:35:51 »

Razão, emoção e eleição.


Luciano Pires - 02/10/2014
 

Domingo será a sétima vez que irei às urnas para eleger diretamente um Presidente da República, e não me lembro de uma campanha tão indefinida como esta. E o que mais tem me chamado a atenção é a motivação das pessoas que vão às urnas. A maioria está indo votar contra, não a favor. Explico.


Há muito os estudos psicológicos dizem que o ser humano se motiva muito mais para evitar a dor do que buscar o prazer. A perspectiva de vitória de um candidato que não representa nossos credos e valores, provoca angústia, medo, raiva ou uma combinação disso tudo, causando impacto no momento da votação. Por mais que façamos nossos julgamentos baseados em fatos e na razão, na hora do voto a emoção tem papel fundamental: queremos evitar a dor!


Basta dar uma olhada nas mídias sociais e conversas de elevador para perceber que as pessoas são muito mais passionais quando falam dos candidatos nos quais não pretendem votar, do que na defesa de seus candidatos preferidos. Não fiz nenhum cálculo preciso, mas acredito que 60% das propagandas eleitorais são focadas nos pontos negativos dos oponentes. Nas mídias sociais esse número sobe facilmente para 90%! E aí fica difícil…


No último debate, por exemplo, depois de duas horas só restou o escândalo do nanico Levy Fidelix contra o casamento gay…


Já imaginou a eleição do maior jogador de futebol do mundo, entre Neymar e Messi, onde são mostradas apenas as jogadas ruins de cada um, para que escolhamos o que menos erra? Esquisito… Mas em política é assim! Uma vez que “evitar a dor” merece muito mais atenção do que “buscar o prazer”, é natural o foco no torto em vez de no direito.


Então é errado votar com a emoção? Claro que não. É ela que nos engaja na defesa das causas que nos são caras. Devemos seguir, sim, a emoção. Mas um pouco de razão nunca é demais, não é?


De qualquer forma, não deixa de ser triste a percepção de que no domingo irei às urnas para votar contra. Contra o atraso, contra a desonestidade, contra os que, por conveniência, nunca sabem de nada, contra os que se pretendem donos da verdade, contra os que acham que têm o monopólio da ética, contra os que mentem descaradamente, contra os que tratam bandidos como heróis. Contra os que pensam apenas em si e na manutenção do poder.


Mas essa tristeza é menor que a alegria da certeza de que votarei a favor do Brasil.


Vote você também.


http://www.portalcafebrasil.com.br/artigos/razao-emocao-e-eleicao/



Offline JJ

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Re:O Brasil está preparado para o voto facultativo?
« Resposta #49 Online: 27 de Junho de 2018, 08:48:18 »
OS SENTIMENTOS DOS ELEITORES IMPORTAM PARA A EXPLICAÇÃO DO COMPORTAMENTO DO ELEITOR?

Feelings of voters care for explanation of the behavior of voter?

Adriano Oliveira
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
adrianopolitica@uol.com.br


Carlos Gadelha
Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN)
carlos.gadelha@hotmail.com


Resumo: O presente artigo analisa como a aversão ao risco interfere no julgamento que os eleitores fazem do desempenho do governo. Ameaças emitem sinais de alerta e denotam certa deficiência do governo. A análise aqui elaborada se utiliza de prospect theory para delimitar como a aversão ao risco atua diretamente no modo como o governo é visto.


Link para baixar:

http://cenariointeligencia.com.br/files/osentimentosdoseleitores.pdf


[...]



Considerações finais

Os indivíduos verbalizam os seus sentimentos e através deles revelam as suas escolhas eleitorais. Antes dos sentimentos, estão presentes as emoções, as quais proporcionam sentimentos. Os dados apresentados neste artigo sugerem que os eleitores sofreram emoções, sentimentos foram criados e quando estimulados, os verbalizaram. Ao fazerem isso, os eleitores revelam as suas escolhas eleitorais.


As associações significativas entre sentimentos e intenção de voto e avaliação da administração sugerem possíveis relações de causalidade. Considera-se neste artigo que os sentimentos são novos determinantes do voto. Entretanto, salienta-se que a interpretação dos sentimentos exige  abordagem subjetiva, ou seja: é necessário identificar, através de pesquisas qualitativas, as razões dos eleitores terem determinados sentimentos pelos candidatos – Por exemplo: Por que você tem medo de João da Costa? Com isto, a interpretação dos sentimentos e suas possíveis relações de causalidade para com as escolhas do eleitor adquirem maior força explicativa.


Os sentimentos são variáveis de controle da variável intenção de voto. Se 13% dos eleitores admiram o candidato Mendonça Filho, é factível prognosticar que neste universo, parcela majoritária dos eleitores escolherá ele para ser prefeito do Recife. A factibilidade desta suposição é em razão dos resultados revelados pelos variados testes de Qui-Quadrado apresentados neste artigo.


Contudo, se outros testes a serem realizados, com base em outras pesquisas, revelarem que não existem associações significativas entre sentimentos e intenção de voto ou avaliação da administração? Se assim ocorrer, estar-se-á diante de novas premissas, dentre estas: eleitores admiram dado candidato. Mas isto não significa que eles escolhem o candidato que mais admira para ser prefeito. Diante de tal possibilidade, os sentimentos não perdem a sua força explicativa do comportamento eleitoral. Revelam a possibilidade de que outros sentimentos têm associações significativas ou relações causais com a intenção de voto. Assim sendo, é necessário identificá-los e interpretá-los.





 

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