Autor Tópico: Escola Pública  (Lida 3613 vezes)

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Offline Claudio Loredo

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Escola Pública
« Online: 25 de Novembro de 2005, 21:37:02 »
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O Brasil é governado por uma elite que despreza o seu povo, tanto ou mais hoje em dia do que no tempo do Império. Somos um país dividido entre uma elite rica e uma plebe excluída, da mesma forma como antes éramos divididos entre índios e cristãos, escravos e senhores. A República foi proclamada 115 anos atrás, mas ainda não foi implantada. Por desprezar o povo, a elite relega a educação das crianças desse povo. Quando precisou de escola para seus filhos, essa elite fez boas escolas públicas para poucos; eram boas, mas para poucos. Quando foi preciso ampliar o número de alunos, pela pressão natural do processo histórico, os governos das elites abandonaram a escola pública aos municípios e estados, levaram seus filhos para as escolas particulares e passaram a financiá-las com recursos públicos, sob a forma de isenções e subsídios.

Cristovam Buarque
 


O Brasil é vice campeão mundial em concentração de renda e desigualdade social, perdendo apenas para um pequeno país africano. A maior causa deste problema é a negação da educação às camadas mais pobres da nossa sociedade.

O descaso com a educação é bastante visível. Durante o governo de FHC, entrou em vigor a aprovação automática que impede os alunos com fraco desempenho escolar de repetirem de ano. Resultado: muitos alunos chegam analfabetos na quinta série do primeiro grau.

Os salários dos professores é insuficiente e não há condições de ensino de qualidade. A escola pública é uma farsa que só serve para evitar que as crianças mais pobres fiquem na rua. É necessário que toda nossa sociedade se conscientize deste problema e lute para mudar esta realidade.

Enquanto isto, as escolas particulares dão bem melhores condições de ensino aos seus alunos. Aumentando assim, a distância de futuras possibilidades de ascensão social entre os alunos da rede pública e privada.

As primeiras escolas criadas no Brasil foram as jesuítas, cujo ensino era voltado a doutrinação religiosa, ou seja, lavagem cerebral nas crianças. Até hoje as escolas públicas existem apenas para domesticar os filhos dos pobres  e perpetuar sua invisibilidade social.

Nosso ensino não tem valorizado a diversidade étnica e cultural brasileira. Ainda aprende-se história sob o ponto de vista europeu, ignorando-se a história africana, continente do qual o povo brasileiro é originário.

Os mais de 200 anos de escravidão deixaram injustiças que persistem até hoje. Nossos indicadores sociais demonstram que a qualidade de vida dos brancos é superior a dos negros. O  mesmo refletindo-se nos níveis de escolaridade. Para corrigir todas as injustiças históricas cometidas contra esses brasileiros, é necessário um investimento maciço em educação por parte do governo para que haja mais igualdade de oportunidades entre todos.

A ausência de uma escola pública de qualidade trás pobreza e miséria, principalmente devido as exigências do mercado profissional que exclui quem possui pouco estudo. A pobreza é uma perda econômica, pois ela significa recursos humanos não aproveitados. Reverter essa situação significa dar a cada brasileiro acesso a uma escola pública de ótima qualidade.
Claudio Loredo

Offline Roberto

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Escola Pública
« Resposta #1 Online: 26 de Novembro de 2005, 13:39:01 »
Não adianta. Nossa elite intelectual atual, da qual Cristóvam Buarque é um legítimo representante, nunca será capaz de superar por completo a dependência da lente marxista da "luta de classes" para o seu (des)entendimento da realidade social. E continuarão a emitir juízos falaciosos de problemas sociais reais, como a má qualidade da escola pública (que pode ser muito bem explicada sem recorrer a tanto simplismo), convencendo no meio do caminho muitos incautos, maravilhados com o prestígio acadêmico deles.
Se eu disser ou escrever hoje algo que venha a contradizer o que eu disse ou escrevi ontem, a razão é simples: mudei de idéia.

Offline Claudio Loredo

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Escola Pública
« Resposta #2 Online: 26 de Novembro de 2005, 16:09:16 »
Citação de: Roberto
E continuarão a emitir juízos falaciosos de problemas sociais reais, como a má qualidade da escola pública (que pode ser muito bem explicada sem recorrer a tanto simplismo)


Roberto,

Qual a sua opinião sobre o tema? como você explica o problema? e como solucionar?
Claudio Loredo

Rhyan

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Re.: Escola Pública
« Resposta #3 Online: 26 de Novembro de 2005, 18:28:22 »
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O Brasil é governado por uma elite que despreza o seu povo

Pensei que estivesse falando do PT.

Só esqueceu de colocar o 'neoliberalismo' como a causa de todas as desigualdades. Aí sim estaria completo.

Offline Claudio Loredo

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« Resposta #4 Online: 27 de Novembro de 2005, 14:29:04 »
Mais que merda.  :/  Quanta merda. É muita merda mesmo.  :cavalo:

Eu escrevo um texto criticando a péssima qualidade das escolas públicas no Brasi e o seu abandono. O que fazem? Um critica o Buarque dizendo que ele não pode falar mal da elite porque ele é elite. O outro se ofende porque acha que o texto do Critovam criticou o neoliberalismo.

Putz! mas e o assunto do tópico? Ninguém fala nada. Só conseguem condenar o Cristovam Buarque, mas não conseguem condenar o abandono do ensino público brasileiro. por que?
 :demente:

Simplesmente porque pobre não vale nada. Porque pobre é invisível. Porque filho de pobre tem mais é que levar fumo e morrer.

O desprezo pelas crianças pobres é tão grande que vocês acham normal que elas não tenham direito ao estudo, mas ficam indignados quando vêem um representante da elite criticar este fato. Não aceitam que sendo elite, alguém fale em nome do povo mais pobre.

É muita merda mesmo.  :cry:
Claudio Loredo

Offline Südenbauer

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Re.: Escola Pública
« Resposta #5 Online: 27 de Novembro de 2005, 15:18:23 »
Você está exagerando levando as coisas pelo lirismo....

Offline Donatello

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Re.: Escola Pública
« Resposta #6 Online: 27 de Novembro de 2005, 18:29:36 »
Citação de: Metrópole-Legião Urbana Renato Russo


É sangue mesmo, não é mertiolate"
E todos querem ver
E comentar a novidade.
"É tão emocionante um acidente de verdade"
Estão todos satisfeitos
Com o sucesso do desastre:
Vai passar na televisão
"Por gentileza, aguarde um momento.
Sem carteirinha não tem atendimento -
Carteira de trabalho assinada, sim senhor.
Olha o tumulto: façam fila por favor.
Todos com a documentação.
Quem não tem senha não tem lugar marcado.
Eu sinto muito mas já passa do horário.
Entendo seu problema mas não posso resolver:
É contra o regulamento, está bem aqui, pode ver.
Ordens são ordens.
Em todo caso já temos sua ficha.
Só falta o recibo comprovando residência.
Pra limpar todo esse sangue, chamei a faxineira -
E agora já eu vou indo senão perco a novela
E eu não quero ficar na mão,eu não quero ficar na mão,eu não quero ficar na mão,eu não quero ficar na mão


Fala,Cláudio...Não se irrite tanto,faz mal ao coração :lol: !

Estudei em escolas públicas desde a terceira série do primário.

Bem...acredito que o maior problema das escolas públicas não é a falta de verba,nem baixos salários,nem a falta de infra -estrutura nem,muito menos, aquela história de que os estudantes de escola pública não gostam de estudar( e,pasmem, há quem diga ,já lí até no CC mesmo um post que dizia isto).

O grande problema,ao meu ver,da precariedade no ensino público está no funcionalismo .Já tinha iniciado um tópico semelhante no Ateus.Net falando sobre isso.

Sou radicalmente contra a privatização,ou terceirzação do ensino público ou de outras áreas como saúde,limpesa urbana...Por mim, mesmo em outras áreas(comércio,produção,tranportes) o estado deveria ter participação massiva,que dirá nestas.Pode parecer contraditório,portanto,fazer críticas ao funcionalismo público,mas entendo que este seja um dos maiores motivos da má qualidade do serviço público e ,particularmente,o maior responsável pela péssima qualidade de ensino a que são submetidos, os pobres.

Isso não me impede de defender a manutenção do caráter público e estatal do ensino,nos mesmos termos que vigem atualmente:contratação exclusivamente através de concurso e estabilidade funcional.Entendo que este binômio(concurso + estabilidade) funciona como coquetel de remédios contra a AIDS que eu compararia,no caso,ao nepotismo,à concentração de renda- que se intensifica quando o estado terceiriza funções-, ao privilégio de determinadas áreas geográficas mais abastadas -visto que o interesse comercial se já era prevalente agora seria exclusivo(quem mora no Rio e assiste às brigas entre Estado e concessionária acerca dos futuros caminhos do Metrô sabe do que estou falando)-,à redução da qualificação profissional.Entretanto,assim como o tal coquetel, este binômio tem lá seus efeitos colaterais.E assim como existem casos de pessoas que morrem em decorrência dos efeitos da quimioterapia,e não do câncer propriamente dito,o principal efeito colateral do binômio concurso+estabilidade pode se mostrar tão grave quanto,qual seja o profundo desinteresse da grande parte dos professores de escola pública na evolução intelectual dos alunos,visto que disto não depende a manutenção nem de seus empregos nem de seus salários.

Então o que mais se vê nessas escolas são professores que entram em sala com 40 minutos de atraso,outros que gastam fatias enormes do tempo de aula discutindo futebol com os alunos mais desinteressados,professor que passa o ano todo dando um único conteúdo:tive um de quimica,no primeiro ano,que só passou estrutura fundamental do átomo (número e massa atômicos e níveis de energia),óbvio que todos chegamos ao segundo ano sabendo patavinas de química do primeiro,o livro de primeiro ano tinha 16 capítulos e o filho da puta deu 2...

O que fazer então?Acredito que para este problema a solução fosse muito simples e viável.Criar um mecanismo de avaliação que permitisse definir quais professores conseguiram levar os alunos adiante e quais não tiveram o mesmo desempenho.E dar a cada um desses professores bônus ou descontos salarias de acordo com a evolução que cada aluno tenha apresentado,durante o ano na sua disciplina.

Exemplificando:no final do ano letivo de 2005 os alunos da sexta série da escola municipal  X passariam por uma prova sem valor para composição de nota,digamos que a média seja 4,5(deficitária,portanto).Digamos que ano seguinte o professor Fulano de Tal da Silva pegue essa turma, e ao fim do ano ela passe por uma avaliação (agora com conteúdo de sétima série,claro),e tire uma média de 7,2.Bônus máximo,o professor teria conseguido reverter o quadro.

Digamos que ele mantivesse por volta dos 5 pontos:manutenção do salário.

Suponhamos que tem havido uma redução nas notas:corte nos benefícios.

Tenho certeza que se o funcionário público tiver algo a perder com um mal serviço e algo a ganhar com um bom trabalho a atitude muda e os serviços públicos melhoram.O único porém é que essas avaliações têm que garantir to tipo de escudo contra qualquer subjetividade,para garantir que ninguém seja beneficiado por nepotsmo ou sofra perseguições.

E poderiam haver outros mecanismos de avaliação para outra áreas...Exemplo,ao final de cada atendimento em uma clínica do SUS,o usuário receberia uma ficha de avaliação relativa a n pontos do atendimento(isso acontece em algumas empresas privadas:sou doador regular de sangue e em uma das vezes doei em um hemocentro particular,no fim da doação tinha um questionáriozinho pra responder:qual atendente foi mais cordial,qual foi menos,se a enfermeira tinha sido couidaosa...)Neste caso,quanto maior fosse as notas dadas pelos usuários,maior o bônus,claro.

Offline Luis Dantas

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Re.: Escola Pública
« Resposta #7 Online: 27 de Novembro de 2005, 20:07:17 »
O problema que Cláudio levanta é muito real.  A deficiência da educação pública é uma bomba-relógio que chega a ser risco de segurança nacional.

A solução, inevitavelmente, PASSA pelo cuidado com a qualidade da educação pública.  Mas na minha opinião as causas estão mais abaixo, na própria falta de cidadania do brasileiro.  Brasileiro é muito oportunista, só quer cuidar do próprio quintal, não do bem-estar da rua, que dirá da nação.

Há iniciativas mais ou menos isoladas indo na direção certa, mas a política nacional não se interessa por elas.  Infelizmente nosso sistema político e eleitoral é muito eficaz em afastar os que tem verdadeira preocupação social.

Mas não vejo mesmo alternativa de solução efetiva que não passe pela CRIAÇÃO DE MENTALIDADE SOCIAL.  É preciso que a comunidade pare de esperar que "o governo" distante, abstrato e impessoal forneça mudanças significativas que ela própria não quer se incomodar de pensar quais poderiam ser, arregace as mangas e ponha as mãos na massa ela própria.  Iniciativas educacionais comunitárias são um dos melhores campos de ação para ONGs no Brasil no futuro previsível.
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Em 18 de janeiro de 2010, ainda não vejo motivo para postar aqui. Estou nos fóruns Ateus do Brasil, Realidade, RV.  Se a Moderação reconquistar meu respeito, eu volto.  Questão de coerência.

Offline Freddy Hazuki

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Re.: Escola Pública
« Resposta #8 Online: 27 de Novembro de 2005, 22:16:52 »
Uma das maiores cagadas da educação brasileira é poder fazer supletivo com 18 anos, de graça. Muuuuuuuuita gente q eu conheço, q reprovo no último ano, assim como eu :D , pega e faz supletivo gratuíto.

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Offline Vito

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Re.: Escola Pública
« Resposta #9 Online: 27 de Novembro de 2005, 22:51:05 »
Não sei dizer.
Tenho meu irmão velho é vagabundo. Não ajuda nada e nem minha mãe. Parou estudar 2º Ano agora ele tem 23 anos...  :roll:

Mas porque alguns alunos não gostam dever atividades e ficam enrolando os professores. Com a nota baixa...

Até eles podem matar aula e fumar cigarrinho ou sair com os amigos ou voltar para em casa ou trabalhar.

Existem jovens não teu tempo trabalhar e estudar a noite. E passa sono quando estava dormindo a sala de aula.

Já perdi 2 vezes. Primeira série e Setíma Série onde eu estudei escola pública. Agora marticular oitava série, Já estou saco cheio pagar recuperação 10 reais cada uma matéria. Sem contar tenho mais de 6 matérias recuperação. Os professores ignoram que sou dificiência auditivo. Falam eu não sou dificiência auditivo e fala sou 100%.
Imagine eu não sei escutar nada que estão falando aí. Já pediu colocar a cadeira perto a mesa professor.
E também pediu as colegas ajudar. Nada isso... Eles mandam para eu COIPAR os dever.
Que isso? É molde...

Hoje vou ver dar passar de ano, vou para primeiro ano no segundo grau.
É duro mesmo.

Offline Luis Dantas

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Re: Re.: Escola Pública
« Resposta #10 Online: 27 de Novembro de 2005, 23:25:34 »
Citação de: Freddy Hazuki
Uma das maiores cagadas da educação brasileira é poder fazer supletivo com 18 anos, de graça. Muuuuuuuuita gente q eu conheço, q reprovo no último ano, assim como eu :D , pega e faz supletivo gratuíto.

*supletivo público


Isso em si não é problema, ou não deveria ser.  Se o ensino básico fosse melhor cuidado, esse atalho não seria tão atraente.

Até porque vestibulares e concursos não perdoam.
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Offline Pregador

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« Resposta #11 Online: 28 de Novembro de 2005, 09:44:29 »
Eu estudei em escola pública 11 anos e tinha uma qualidade aceitavel, por isso, nem toda escola publica é ruim assim. Mas é verdade que o investimento em educação e pifio, enquanto se repassam somas enormes ao Ministerio da Refoma Agraria e a entidades do MST para posteriormente invadirem terras e efetuarem a pilhagem de recursos ambientais. Se todo este dinheiro deste Ministerio fosse para a educaçao se estaria distribuindo renda a longo prazo com muito maior efetividade. Educação e a chave para o progresso. Quando as universidades publicas, estas no meu entender deveriam ser privatizadas, uma vez que, e justamente a elite, ou os mais favorecidos em cavalar maioria que usufruem dela. (o teclado esta ruim, por isso falta acentuaçao).
"O crime é contagioso. Se o governo quebra a lei, o povo passa a menosprezar a lei". (Lois D. Brandeis).

Offline Rodion

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Re.: Escola Pública
« Resposta #12 Online: 28 de Novembro de 2005, 12:05:27 »
como assim loredo, só criticamos? não falei nada porque não gosto de repetir. já falei uma, duas, talvez três vezes sobre o sistema de vouchers, proposto por friedman, em uso na suécia e no chile. já falei também de que o nosso investimento em educação não é tão baixo, sendo comparável ao irlandês. salários de professor? quanto ganha um professor de escola pública, uns 700 reais mais aumentos ao longo da carreira? vocês acham isso pouco em um país com a realidade brasileira?

eu tenho uma leve suspeita de que, por exemplo, dobrar o investimento no ensino básico não vai fazer diferença alguma ou fazer pouca diferença. seria ingenuidade achar o contrário, conhecendo o brasil.
"Notai, vós homens de ação orgulhosos, não sois senão os instrumentos inconscientes dos homens de pensamento, que na quietude humilde traçaram freqüentemente vossos planos de ação mais definidos." heinrich heine

Offline Pregador

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« Resposta #13 Online: 28 de Novembro de 2005, 13:26:04 »
De fato, os salários dos professores não são tão ruins assim. Mas o gasto com educação deveria aumentar sim. Não interessa de o país X ou Y gasta mais ou menos. No meu ver deveria-se gastar uma quantia obscena com educação.
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Offline Rodion

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« Resposta #14 Online: 28 de Novembro de 2005, 13:38:30 »
Citação de: AMON
De fato, os salários dos professores não são tão ruins assim. Mas o gasto com educação deveria aumentar sim. Não interessa de o país X ou Y gasta mais ou menos. No meu ver deveria-se gastar uma quantia obscena com educação.


mas aí vem aquele problema... pra pôr na educação, tiramos de onde? da saúde? do pagamento dos juros das dívidas? dos investimentos em infra estrutura?

não adianta, como daniel reynaldo posicionou-se acima, colocar-se contra todo tipo de terceirização. tirar mais dinheiro de onde? os tributos já são absurdos. a proposta, no entanto, foi boa. se é pra botar a educação inteira nas mãos do estado, há de ter um incentivo pra esse professores (e não simplesmente de 'aumento de salário').
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Offline Roberto

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« Resposta #15 Online: 28 de Novembro de 2005, 13:55:30 »
Citação de: Claudio Loredo

Roberto,

Qual a sua opinião sobre o tema? como você explica o problema? e como solucionar?


A questão, Cláudio, é que é difícil explicar em poucas linhas o problema, que tem várias nuances. A propalada insuficiência de investimentos é apenas uma delas (e a própria insuficiência de investimentos é algo passível de investigação mais aprofundada, não é meramente um "complô das elites insensíveis", como Buarque quer crer). Mas há muitos outros problemas (má alocação de recursos, grevismo crônico, falta de comprometimento dos pais com a educação dos filhos, opções pedagógicas equivocadas, etc) tão ou, arrisco dizer, mais importantes quanto a falta de grana, e que não são atacados como se deveria.

Pergunto: que tipo de qualidade no ensino sobrevive a greves de até 90 dias, que se repetem periodicamente todos os anos (e que nunca dão em nada)? Que tipo de qualidade de ensino sobrevive à falta de mecanismos que obriguem (isso mesmo, obriguem) os alunos a estudar? Que tipo de qualidade de ensino sobrevive à estupidez politicamente correta de que não deve haver salas "avançadas" nas escolas públicas (o que termina por misturar o aluno interessado e o que não está nem aí num mesmo espaço, nivelando o ensino necessariamente por baixo)?
Se eu disser ou escrever hoje algo que venha a contradizer o que eu disse ou escrevi ontem, a razão é simples: mudei de idéia.

Offline n/a

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« Resposta #16 Online: 28 de Novembro de 2005, 13:58:30 »
Citação de: AMON
Eu estudei em escola pública 11 anos e tinha uma qualidade aceitavel, por isso, nem toda escola publica é ruim assim. Mas é verdade que o investimento em educação e pifio, enquanto se repassam somas enormes ao Ministerio da Refoma Agraria e a entidades do MST para posteriormente invadirem terras e efetuarem a pilhagem de recursos ambientais. Se todo este dinheiro deste Ministerio fosse para a educaçao se estaria distribuindo renda a longo prazo com muito maior efetividade. Educação e a chave para o progresso. Quando as universidades publicas, estas no meu entender deveriam ser privatizadas, uma vez que, e justamente a elite, ou os mais favorecidos em cavalar maioria que usufruem dela. (o teclado esta ruim, por isso falta acentuaçao).


E a "elite" não paga impostos? Não tem direito a nada? Não são brasileiros?

E desde quando só rico estuda em universidade pública? Veja, do site da Fuvest, a renda familiar dos matriculados em 2005 na USP:

311 (2.8%)     Inferior a 500   
1883 (17.2%)     Entre 500 e 1500   
2691 (24.7%)     Entre 1500 e 3000   
2381 (21.8%)     Entre 3000 e 5000   
1526 (14%)     Entre 5000 e 7000   
1120 (10.2%)     Entre 7000 e 10000   
975 (8.9%)     Superior a 10000

Como você vê, quase 45% tem renda familiar menor de 3000 reais por mês. Será que pagar para ver os filhos estudarem não seria um peso ara essas famílias? E, se fosse para seguir o alto nivel, seria necessário cobrar caro. Os 1000 reais mensais da PUC ou os 2000 da FGV.

E, na verdade, o sistema de ensino superior no Brasil já é privatizado. Apenas alguns centros públicos continuam. Falta é que o MEC realmente fiscalize as universidades. Uma boa idéia seria um exame anual para os formandos de todos os cursos (ou ao menos os mais tradicionais): uma espécie de "exame da ordem", só que promovido pelo MEC. Não passou? Fica sem diploma.

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Re.: Escola Pública
« Resposta #17 Online: 28 de Novembro de 2005, 14:05:33 »
Algumas idéias para melhorar o ensino público brasileiro:

- Dividir as salas conforme as notas: os melhores em uma, os próximos em outra, os piores em uma última, supondo três classes da mesma série. Permite aos interessados e dedicados um melhor nível e velocidade nas aulas.

- Exames Nacionais obrigatórios promovidos pelo MEC no final dos ciclos: quarta série do EF, oitava, e terceira série do EM. Não passou, não é permitido se matricular na série seguinte.

- Com base nesse exame, dividido por matérias, ver as dificuldades maiores das turmas. Ninguém da oitava série da Escola Estadual Fulano de Tal foi bem em História? Deve-se ver se o problema não está no professor e, se necessário, afasta-lo.

- Isso não sei como funciona atualmente, mas seria bom permitir que a coordenação das escolas pudesse escolher implantar materiais didáticos (Anglo, Objetivo, COC), que são apostilas mais voltadas para o vestibular, com centenas de exercícios, etc. Imagino que hoje ainda se use aqueles livros antigos.

Offline Pregador

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« Resposta #18 Online: 28 de Novembro de 2005, 14:08:32 »
Citação de: Ricardo M
Citação de: AMON
Eu estudei em escola pública 11 anos e tinha uma qualidade aceitavel, por isso, nem toda escola publica é ruim assim. Mas é verdade que o investimento em educação e pifio, enquanto se repassam somas enormes ao Ministerio da Refoma Agraria e a entidades do MST para posteriormente invadirem terras e efetuarem a pilhagem de recursos ambientais. Se todo este dinheiro deste Ministerio fosse para a educaçao se estaria distribuindo renda a longo prazo com muito maior efetividade. Educação e a chave para o progresso. Quando as universidades publicas, estas no meu entender deveriam ser privatizadas, uma vez que, e justamente a elite, ou os mais favorecidos em cavalar maioria que usufruem dela. (o teclado esta ruim, por isso falta acentuaçao).


E a "elite" não paga impostos? Não tem direito a nada? Não são brasileiros?

E desde quando só rico estuda em universidade pública? Veja, do site da Fuvest, a renda familiar dos matriculados em 2005 na USP:

311 (2.8%)     Inferior a 500   
1883 (17.2%)     Entre 500 e 1500   
2691 (24.7%)     Entre 1500 e 3000   
2381 (21.8%)     Entre 3000 e 5000   
1526 (14%)     Entre 5000 e 7000   
1120 (10.2%)     Entre 7000 e 10000   
975 (8.9%)     Superior a 10000

Como você vê, quase 45% tem renda familiar menor de 3000 reais por mês. Será que pagar para ver os filhos estudarem não seria um peso ara essas famílias? E, se fosse para seguir o alto nivel, seria necessário cobrar caro. Os 1000 reais mensais da PUC ou os 2000 da FGV.

E, na verdade, o sistema de ensino superior no Brasil já é privatizado. Apenas alguns centros públicos continuam. Falta é que o MEC realmente fiscalize as universidades. Uma boa idéia seria um exame anual para os formandos de todos os cursos (ou ao menos os mais tradicionais): uma espécie de "exame da ordem", só que promovido pelo MEC. Não passou? Fica sem diploma.


Sou absolutamente contrário a exames como o da ordem que são usados como instrumento de manipulação, certas coisas do exame da ordem beiram o inimaginável. A elite paga impostos sim e muito por sinal e também tem direito. Agora, como você vê em torno de 55% tem renda superior ou igual a R$ 3.000,00 o que é uma renda altíssima para o padrão do Brasil. 55% é um número muito alto. Na minha opinião as universidades deviam ser sim privatizadas e o governo poderia agir por meio de concessão de bolsas ou incentivos a estes universidades. Poderia-se conceder bolsas para carentes ou por mérito de quem conseguiu grande destaque em alguma área e claro, que não seja milionário.
"O crime é contagioso. Se o governo quebra a lei, o povo passa a menosprezar a lei". (Lois D. Brandeis).

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Re.: Escola Pública
« Resposta #19 Online: 28 de Novembro de 2005, 14:08:45 »
O que não dá pra dizer é que a elite "não quer permitir" que os jovens estudem. Se eu fosse presidente da Nestlé do Brasil, eu ia querer que todo mundo estudasse bastante e que todos conseguissem empregos muito bem remunerados. Daí todos iriam comprar muitos produtos meus.  :D

Offline n/a

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« Resposta #20 Online: 28 de Novembro de 2005, 14:18:02 »
Citação de: AMON
Citação de: Ricardo M
Citação de: AMON
Eu estudei em escola pública 11 anos e tinha uma qualidade aceitavel, por isso, nem toda escola publica é ruim assim. Mas é verdade que o investimento em educação e pifio, enquanto se repassam somas enormes ao Ministerio da Refoma Agraria e a entidades do MST para posteriormente invadirem terras e efetuarem a pilhagem de recursos ambientais. Se todo este dinheiro deste Ministerio fosse para a educaçao se estaria distribuindo renda a longo prazo com muito maior efetividade. Educação e a chave para o progresso. Quando as universidades publicas, estas no meu entender deveriam ser privatizadas, uma vez que, e justamente a elite, ou os mais favorecidos em cavalar maioria que usufruem dela. (o teclado esta ruim, por isso falta acentuaçao).


E a "elite" não paga impostos? Não tem direito a nada? Não são brasileiros?

E desde quando só rico estuda em universidade pública? Veja, do site da Fuvest, a renda familiar dos matriculados em 2005 na USP:

311 (2.8%)     Inferior a 500   
1883 (17.2%)     Entre 500 e 1500   
2691 (24.7%)     Entre 1500 e 3000   
2381 (21.8%)     Entre 3000 e 5000   
1526 (14%)     Entre 5000 e 7000   
1120 (10.2%)     Entre 7000 e 10000   
975 (8.9%)     Superior a 10000

Como você vê, quase 45% tem renda familiar menor de 3000 reais por mês. Será que pagar para ver os filhos estudarem não seria um peso ara essas famílias? E, se fosse para seguir o alto nivel, seria necessário cobrar caro. Os 1000 reais mensais da PUC ou os 2000 da FGV.

E, na verdade, o sistema de ensino superior no Brasil já é privatizado. Apenas alguns centros públicos continuam. Falta é que o MEC realmente fiscalize as universidades. Uma boa idéia seria um exame anual para os formandos de todos os cursos (ou ao menos os mais tradicionais): uma espécie de "exame da ordem", só que promovido pelo MEC. Não passou? Fica sem diploma.


Sou absolutamente contrário a exames como o da ordem que são usados como instrumento de manipulação, certas coisas do exame da ordem beiram o inimaginável. A elite paga impostos sim e muito por sinal e também tem direito. Agora, como você vê em torno de 55% tem renda superior ou igual a R$ 3.000,00 o que é uma renda altíssima para o padrão do Brasil. 55% é um número muito alto. Na minha opinião as universidades deviam ser sim privatizadas e o governo poderia agir por meio de concessão de bolsas ou incentivos a estes universidades. Poderia-se conceder bolsas para carentes ou por mérito de quem conseguiu grande destaque em alguma área e claro, que não seja milionário.


Bolsas, não. "Ricos" pagam tantos impostos quanto "pobres", até mais. Se os segundos podem estudar de graça, os primeiros também devem poder, são brasileiros da mesma maneira.

Uma idéia interessante, nesse sentido, seriam financiamentos: quem não podesse pagar durante o curso poderia deixar para depois de formado, quando se espera que ele já tenha uma renda. Sem juros, só com correção monetária.

Não seria nem preciso privatizar as universidades (por isso atingiria as pequisas, por exemplo).

O problema é que o cara que se formar em Medicina, Engenharia, Direito ou Administração provavelmente teria como pagar facilmente depois de formado, mas o que cursou em Ciências Sociais, Filosofia, ou até mesmo as licenciaturas, onde não há muito campo de trabalho nem salários muito altos, não.

Provavelmente as pessoas deixariam de freqüentar cursos assim, pensando que depois terão de pagar por eles. Entretanto, eles são tão importantes para o país quanto os mais rentáveis.

Sobre o exame, da maneira que entendi, você não questiona a sua existência, mas o modo como ele é conduzido então, certo?

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Re.: Escola Pública
« Resposta #21 Online: 28 de Novembro de 2005, 14:18:26 »
É, até pra elite é interessante que todos estudem...
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Re: Re.: Escola Pública
« Resposta #22 Online: 28 de Novembro de 2005, 14:24:42 »
Citação de: AMON
É, até pra elite é interessante que todos estudem...


Pois é, ser rico em país rico é muito melhor do que ser rico em país pobre. Sem violência, sem favelas "enfeiando" a paisagem e, principalmente, muito mais mercado consumidor para fazer todo mundo ganhar mais dinheiro.  :D

Tanto que os homens mais ricos do Brasil devem ficar no chinelo se comparados com os mais ricos dos países desenvolvidos, imagino.

Offline Claudio Loredo

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« Resposta #23 Online: 28 de Novembro de 2005, 14:27:23 »
Citação de: bruno


mas aí vem aquele problema... pra pôr na educação, tiramos de onde? da saúde? do pagamento dos juros das dívidas? dos investimentos em infra estrutura?


Tira da corrupção.   :)
Claudio Loredo

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« Resposta #24 Online: 28 de Novembro de 2005, 14:29:45 »
Citação de: Claudio Loredo
Citação de: bruno


mas aí vem aquele problema... pra pôr na educação, tiramos de onde? da saúde? do pagamento dos juros das dívidas? dos investimentos em infra estrutura?


Tira da corrupção.   :)



Silmples, do Ministério da Reforma Agrária  :) , dá até para extingiu-lo e economizar os salários de todo um ministério, do INCRA etc  :) . E da corrupção também claro.
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