Autor Tópico: E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?  (Lida 8957 vezes)

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Offline CoqueiroVermelho

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Re: E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #25 Online: 30 de Setembro de 2006, 08:02:00 »
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É claro que alguns fatores históricos pesaram.Por exemplo, se Portugal tivesse promovido a industrialização no século XVIII , os colonos portugueses que se instalassem no Brasil teriam acumulado um aprendizado para conseguir fomentar um mercado interno aqui e poderiam romper com a dependência excessiva que a economia brasileira teve da agroexportação ao longo de sua história econômica.

Como fazer um crescimento industrial no Brasil, cheio de pobres e escravos?  Mais na verdade, na época, Portugal tentou industrializar o Brasil, porem os tratados com a Inglaterra fizeram o Brasil ficar infestado de produtos ingleses, impedindo nosso crescimento industrial, e mais uma vez a Inglaterra mostra sua mão do desenvolvimento  ;P forçando o Brasil abraçar sua economia  ::)
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Offline Huxley

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Re: E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #26 Online: 30 de Setembro de 2006, 11:05:24 »
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É claro que alguns fatores históricos pesaram.Por exemplo, se Portugal tivesse promovido a industrialização no século XVIII , os colonos portugueses que se instalassem no Brasil teriam acumulado um aprendizado para conseguir fomentar um mercado interno aqui e poderiam romper com a dependência excessiva que a economia brasileira teve da agroexportação ao longo de sua história econômica.

Como fazer um crescimento industrial no Brasil, cheio de pobres e escravos? Mais na verdade, na época, Portugal tentou industrializar o Brasil, porem os tratados com a Inglaterra fizeram o Brasil ficar infestado de produtos ingleses, impedindo nosso crescimento industrial, e mais uma vez a Inglaterra mostra sua mão do desenvolvimento ;P forçando o Brasil abraçar sua economia ::)

Na verdade, esse é outro mito que o economista paraibano Celso Furtado destrói na obra que citei.Como fazer um crescimento industrial , cheio de pobres e escravos? OS EUA já chegou a ter um número de escravos maior do que o do Brasil.Em primeiro lugar, a industrialização pela manufatura não precisa de um mercado amplo para surgir.Dado as guerras que a Inglaterra se envolveu, isso cortou por vários anos o suprimento de manufaturas inglesas as Antilhas, o que criou um forte estímulo a produção interna americana.


Já no século XVII, já existia em Massachussets lei obrigando todas as famílias já produziam os tecidos que necessitavam e foi proibida a exportação de matérias-primas que fossem manufaturadas localmente.Aí é que vemos a importancia histórica da composição da elite americana da época (a maioria formada por pequenos agricultures e grandes comerciante urbanos) ser diferente da do Brasil (a maioria formada por grandes agricultores escravistas).

Também não tem fundamento a alegação que o Brasil perdeu sua chance de se industrializar porque não se protegeu contra produtos ingleses através de tarifas de importação.Isso porque na época, o Brasil teve uma depreciação na moeda tão grande que isso servia praticamente como uma tarifa de importação.

Vou colocar dois trechos do livro que citei:

"Se se houvesse adotado, desde o começo, uma tarifa geral de 50% ad valorem, pssivelmente o efeito protecionistas não tivesse sido tão grande como resultou ser com a desvalorização da moeda."

E por fim:

"O protecionismo surgiu nos EUA, como sistema como sistema geral de política econômica, em etapa já bem avançada do século XIX, quando as bases da economia americana já haviam se consolidado.Pela primeira tarifa norte-americana, os tecidos de algodão pagavam tão-somente 5% ad valorem, e a média para todas as mercadorias era 8,5%.Vários ajustamentos permitiram que as tarifas de algodão alcançasse 17,5%, em 1808, época em que a indústria têxtil norte-americana já se podia considerar consolidada."

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Offline Huxley

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Re: E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #27 Online: 30 de Setembro de 2006, 11:14:21 »
(...) Esqueçam essa balela simplista de dizer que o Brasil é subdesenvolvido porque foi colônia de exploração ou porque foi colonizado por Portugal.

(...)
se o Brasil tivesse promovido a industrialização concomitantemente com a qualificação e educação de sua população, nosso país seria classificado hoje na mesma categoria de Austrália, Nova Zelândia e Coréia do Sul, ou seja, países desenvolvidos com industrialização tardia.

Como diria um certo economista "Subdesenvolvimento não é falta de recursos, é falta de vergonha".

Está me parecendo que você se contradisse.

Não acho que me contradisse.Note que não estou sendo simplista.Veja que eu considerei que se o Brasil tivesse mantido, em épocas depressivas, taxas de crescimento iguais a de épocas adjacentes, nossa renda per capita seria elevada.Com renda per capita elevada e com um parque industrial complexo e diversificado, só faltariam duas coisas que nos separam do desenvolvimento:distribuição de renda, investimento em educação e ciência/tecnologia.
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Offline Quereu

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Re: E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #28 Online: 30 de Setembro de 2006, 11:17:43 »
Huxley,

Não sou versado em economia mas já li que o grande desenvolvimento da economia de uma país se dá quando ele adota o Liberalismo como doutrina econômica. Foi o Liberalismo que permitiu a revolução industrial. Essa afirmação é correta? Perdoem-me se essa pergunta se desvia do tema do tópico!!!!!!!!
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Offline Huxley

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Re: E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #29 Online: 02 de Outubro de 2006, 20:52:33 »
Huxley,

Não sou versado em economia mas já li que o grande desenvolvimento da economia de uma país se dá quando ele adota o Liberalismo como doutrina econômica. Foi o Liberalismo que permitiu a revolução industrial. Essa afirmação é correta? Perdoem-me se essa pergunta se desvia do tema do tópico!!!!!!!!

Essa afirmação não é correta, porque ainda na época de manufatura a indústria inglesa se beneficiou de medidas protecioniostas para passar pela transição de manufatura para maquinofatura.Com o desenvolvimento da mecanização, a Inglaterra rompeu o acordo que tinha Portugal e abriu seu mercado a competição internacional.Foi neste contexto que a Inglaterra se industrializou, mas não foi imprescindível ao processo.O Japão e os tigres asiáticos se industrializaram e se desenvolveram com amplo dirigismo estatal.

A correlação que exste entre liberdade econômica e desenvolvimento é esta: países com pouca liberdade econômica geralmente não são ricos, ao passo que aqueles com liberdade alta ou moderada sim.Veja o ranking Heritage de "Index Economic Freedom":
http://www.heritage.org/research/features/index/countries.cfm

Mas não se engane, liberalizar a economia não está isenta de custos.A Inglaterra ampliou o crescimento econômico com a neolberal Magareth Thatcher, mas a desigualdade social aumentou.

O que se fala por liberdade econômica não é a mesma coisa que liberalismo.A última está extinta definitivamente desde a quebra da Bolsa de Nova York de 1929, ou seja, a doutrina que enfatiza a iniciativa individual, a concorrência entre agentes econômicos, e a ausência de interferência governamental, como princípios de organização econômica.

Hoje se fala em liberdade econômica em termos de graus de liberdade e não se este país é ou não é liberal (existem formas intermediárias entre isso e o estatismo absoluto).Entre as coisas que define se o país está mais para cá do que para lá, estão:

1) parcela do PIB gasta pelo governo ; 2) fração do PIB produzida pelo Estado; 3) interferência do Estado no fluxo de mercadorias, capital e trabalho; 4) carga fiscal e 5) a proliferação de regulamentos, caracterizando a "ditadura do burocrata".

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Offline Quereu

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Re: E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #30 Online: 03 de Outubro de 2006, 14:52:13 »
Excelente seu texto, huxley.

Mais perguntas.

O Brasil precisa de mais ou menos liberdade econômica?

O desenvolvimento econômico existe sem crescimento? Pode haver Estado de bem-estar sem desenvolvimento? Aumento de bem-estar social é igual a bem-estar econômico?

O que é mais nocivo para o desenvolvimento do país: mais liberdade econômica ou mais estatismo?

As economias estatizadas do bloco soviético eram pobres? É verdade que o bloco vivia uma carestia constante de produtos e serviços? Por quê?

Por que o império desmoronou? O capitalismo tornou-se triunfante? Que esperanças sobraram aos socialistas?
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Offline Agnostic

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Re: E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #31 Online: 03 de Outubro de 2006, 15:18:46 »
Citação de: Huxley
O que se fala por liberdade econômica não é a mesma coisa que liberalismo.A última está extinta definitivamente desde a quebra da Bolsa de Nova York de 1929, ou seja, a doutrina que enfatiza a iniciativa individual, a concorrência entre agentes econômicos, e a ausência de interferência governamental, como princípios de organização econômica.

Hoje se fala em liberdade econômica em termos de graus de liberdade e não se este país é ou não é liberal (existem formas intermediárias entre isso e o estatismo absoluto).

Muito boa explicação. :-)
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Offline Huxley

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Re: E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #32 Online: 03 de Outubro de 2006, 19:45:52 »
O desenvolvimento econômico existe sem crescimento?

Não há casos registrados disso.Não crescimento significa não ampliação do investimento e do emprego.Ainda mais numa situação de incerteza, as pessoas consomem parcela menor de salário, o que piora ainda mais a capacidade de investir e aumentar a produtividade.

Pode haver Estado de bem-estar sem desenvolvimento?

Claro, mas apenas para aqueles que já se desenvolveram e a França é um exemplo disso.E o Brasil está aumentando o seu bem-estar social sem crescimento anual da renda per capita próximo de zero.Houve redução do número de pobres e da desigualdade nos últimos anos.

Aumento de bem-estar social é igual a bem-estar econômico?

Não necessariamente, e o Brasil dos últimos anos é um exemplo disso, como já falei.Mas quando a distribuição de renda melhora e como inevitavelmente as pessoas pobres gastam parcelas maiores de seus salários, isso pode servir como impulso para o desenvolvimento econômico.Esse é o caso onde a recessão de um país for causada pela escassez de demanda...No Brasil, se diz que a estagnação é causada pela oferta, dado a carga fiscal alta e a proliferação de regulamentos.


Quanto as demais perguntas, acho melhor deixar um artigo aqui, para diminuir a carga sobre mim.O artigo abaixo reflete a opinião de Roberto Campos e não a minha.


http://www.econ.puc-rio.br/gfranco/RobertoCampos.htm

Folha de São Paulo, 15/09/96



O mistério do desenvolvimento

ROBERTO CAMPOS

O vício intrínseco do capitalismo é a partilha desigual do sucesso; o vício intrínseco do socialismo é a partilha equitativa do fracasso" Winston Churchill.

 Por que alguns países conseguem ficar ricos e outros continuam pobres? Eis o mistério irresoluto do desenvolvimento econômico. Os idiotas latino-americanos (quão numerosos, santo Deus!) vangloriam-se das "riquezas naturais" deste continente, que zelosamente protegem da cobiça estrangeira, à espera de prosperidade futura. Se isso fosse verdade o Brasil e o Zaire seriam riquíssimos e o Japão e a Coréia do Sul, mendicantes. Culturalmente, a primeira higiene mental a fazermos é expungir dos dicionários a expressão "riquezas naturais", substituindo-a por "cadáveres geológicos". Desenvolvimento se faz com riquezas artificiais; educação e tecnologia.

Abundantes, no caso em tela, são as falsas correlações. Desapontadamente, não parece existir correlação entre democracia e desenvolvimento. O "milagre brasileiro" do crescimento ocorreu sob o governo autoritário do presidente Médici, de 1968 a 73. Taiwan e Coréia deslancharam sua corrida desenvolvimentista sob regimes ditatoriais, o mesmo ocorrendo com o Chile. Tudo o que se pode dizer é que, atingido um certo nível de progresso, crescem os reclamos de liberdade política. O desenvolvimento econômico é um indutor de pressões em favor da democratização política. Mas a recíproca não é verdadeira. O economista Robert Barro sustenta o ponto de vista de que, para os países muito pobres, a democracia, com seu viés distributivista, pode ser um luxo insustentável. É também falsa a correlação entre socialismo (ou dirigismo estatal) e desenvolvimento econômico. O colapso do comunismo revelou ser ele uma receita de fracasso. Incidentalmente, a noção de que um bom nível educacional é garantia de desenvolvimento se provou falsa na Europa Oriental, onde a extinção do analfabetismo e o avanço científico não evitaram a estagnação econômica. A educação não supre a falta de ingredientes fundamentais, como a concorrência no mercado e o direito de propriedade privada.

Mais plausível é admitir-se uma conexão entre capitalismo e desenvolvimento. Ambas as coisas são demonstradas pelo contraste entre a Alemanha Ocidental e a Oriental ou entre o Sul e o Norte da Coréia, zonas onde os dois sistemas se contrapõem. Entretanto a superioridade do capitalismo só ocorre no caso do capitalismo competitivo - liberal ou neoliberal - e não do capitalismo de Estado praticado na América Latina, que é um misto de mercantilismo e socialismo.

Durante certo tempo prosperou entre nós a tese de que um pouco de inflação e uma pitada de dirigismo (agindo o governo como motor de crescimento) resolveriam a charada. Mas a experiência revelou que a inflação, como a gravidez, não se autolimita, e que sem moeda estável pode haver surtos de crescimento, porém não desenvolvimento sustentado. Quanto aos governos, escolhem investimentos errados, desperdiçam demais (Brasília foi um monumental desperdício) e sofrem de descontinuidade administrativa.

A teoria neoclássica do desenvolvimento, baseada toda ela no livro de Adam Smith, de 1776, sobre "as causas de Riqueza das Nações", era fundamentalmente otimista. A acumulação de capital e do progresso tecnológico (num sistema de livre comércio e instituições políticas estáveis) impulsionariam o crescimento. Mas entraria em função o princípio dos "rendimentos decrescentes", isto é, os rendimentos por unidade de capital tenderiam a decrescer no curso do tempo. O capital tenderia então a emigrar para os países menos desenvolvidos, onde seu rendimento seria maior. Disso resultaria uma "convergência", isto é, os países mais pobres tenderiam a crescer mais rapidamente, diminuindo-se assim a brecha que os separa dos mais desenvolvidos.

A evidência histórica, entretanto, é inconclusiva. Houve rápida "convergência" no caso de países novos de cultura anglo-saxônica (Estados Unidos, Canadá, Austrália etc.), que enriqueceram em pouco mais de um século. Isso documenta a importância de um clima institucional propício  - estabilidade política, respeito à propriedade privada, governo pouco intrusivo, valorização da atividade empresarial. Na América Latina, África e boa parte da Ásia, onde o clima institucional apresenta características opostas, não houve o mesmo grau de convergência. O rápido desenvolvimento do Leste da Ásia é coisa recente e talvez tenha algo a ver com a ética confuciana  - frugalidade, disciplina e educação como símbolo de status.

A teoria neoclássica está hoje sujeita a intenso revisionismo. Paul Romer começou a questionar em 1986 a "lei dos rendimentos decrescentes", sugerindo que se o conceito de "capital" fosse ampliado para incluir o "capital humano'', poderia haver crescimento indefinido, através de inovações que geram inovações, ou de utilização mais eficaz de tecnologias já existentes. Robert Barro desenvolveu o conceito de "convergência condicional". O desenvolvimento pode ser freado por políticas governamentais equivocadas, que não priorizam adequadamente a educação, ou que através de excessivo dispêndio governamental, como proporção do PIB, roubam espaço à atividade privada. No cenário brasileiro, Gustavo Franco, do Bacen, denuncia duas errôneas identificações: a identificação entre desenvolvimento e gasto público e a identificação entre "soberania" e "autarquia".

Acumulam-se evidências empíricas de que, de um modo geral, tendem a crescer mais rapidamente os países que mantêm baixa inflação, impostos moderados, participação modesta do governo no PIB, priorizam a educação básica e se inserem na economia internacional com alto nível de importações e exportações.

Haverá alguma variável particularmente crucial? Paul Krugman enfatiza a "produtividade", isto é, a eficiência no uso dos fatores e insumos. Jeffrey Sachs atribui particular importância à "liberalização comercial". Analisando uma amostra de 111 países, concluiu que os países "abertos" tendem a crescer mais, e sofrer menos crises de balanço de pagamentos, que os países de economia "fechada". Esse o contraste básico entre o Leste Asiático, que adotou uma orientação exportadora, e os países da América Latina, que até recentemente eram dominados pela doutrina da "industrialização substitutiva de importações". Para Robert Barro, uma variável importante é a proporção do dispêndio governamental no PIB. Quanto mais alto esse dispêndio, mais reduzido o crescimento, pois o motor do desenvolvimento é o setor privado. O sociólogo Mancur Olson acentua que, nas economias subdesenvolvidas, o "mau uso" costuma ser um fator limitativo mais grave que a "insuficiência" de recursos. Todos concordam em que a segurança jurídica da propriedade privada é o mais fundamental dos incentivos ao desenvolvimento.

Há errôneas percepções no Brasil sobre o grau de intervenção governamental na economia. Se mensurada corretamente, ela é enorme. Robert Skidelsky, o grande biógrafo de Keynes, sugere cinco medidas da intromissão "coletivista": 1) a parcela do PIB gasta pelo governo (na América Latina tipicamente 40%, o dobro do nível asiático); 2) a fração do PIB produzida pelo Estado (alta no Brasil, em virtude dos monopólios estatais); 3) interferência do Estado no fluxo de mercadorias, capital e trabalho; 4) a carga fiscal (que no Brasil teria de incluir o imposto inflacionário) e 5) a proliferação de regulamentos, caracterizando a "ditadura do burocrata".

Tudo posto e disposto, a economia brasileira está muito mais para "coletivista" do que para "liberal"!

Nada disso responde adequadamente à questão inicial: por que alguns países enriquecem e outros, não? Há mais perguntas que respostas. Mas, como dizia Whitehead, metade da ciência não é dar respostas exatas e sim fazer as perguntas corretas.

Roberto Campos, 78, economista e diplomata, é deputado federal pelo PPB do Rio de Janeiro. Foi senador pelo PDS-MT e ministro do Planejamento (governo Castello Branco). É autor de "A Lanterna na Popa" (Ed. Topbooks, 1994).



« Última modificação: 03 de Outubro de 2006, 19:47:50 por Huxley »
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Offline Ego

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Re: E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #33 Online: 03 de Outubro de 2006, 20:24:30 »
Não, não acredito que seriamos desenvolvidos se tivessemos sido colonizados pelos ingleses.

De certa forma, sofremos uma influência inglesa em nossa colonização, afinal, a nossa divida externa começou com Portugal que devia para a Inglaterra, segundo o que eu me lembre (se tiver errado me digam). Isso não fez do Brasil é um país melhor, pelo contrário.

E também não ajuda em nada a responder à pergunta, Ego.  A "influência" de um credor é muito limitada.

Pode ser limitada, mas tem uma influência que perdura até os dias de hoje, negativamente.
Visite meu blog, "Fat Free: A Vida Com Um Exaustor":

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Offline Pagão

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Re: E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #34 Online: 16 de Janeiro de 2011, 13:45:56 »
Se o Brasil tivesse sido colonizado pelos ingleses será que sequer era um país? Ninguém pode garantir que se tivesse mantido unido... a monarquia incial pós e pré independência (D. João VI e o Rio como verdadeira capital do Império Português) foi vital para a unidade brasileira... E a verdade é que é um grande país com o grande futuro e atual potência dominante na América Latina... mais importante do que as ex-colónias espanholas. Ninguém vê o Brasil como "subdesenvolvido"...
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Offline Derfel

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Re: E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #35 Online: 20 de Janeiro de 2011, 20:00:23 »
Já eu digo que não existe "se" em história, apenas um exercício de imaginação. Se tivéssemos sido colonizados por ingleses poderíamos estar entre os EUA e a Jamaica. :)

Já leu os livros 1808 e 1822 do Laurentino Gomes, Sodré?

Offline Geotecton

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Re: E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #36 Online: 20 de Janeiro de 2011, 22:17:35 »
EUA, Canadá e Austrália tem em comum um grande e rico território e a predominância inicial da colonização inglesa. E todos são países de primeira linha.
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Offline Derfel

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Re: E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #37 Online: 20 de Janeiro de 2011, 23:38:20 »
mas não foi a colonização britânica per si que os deixaram assim, mas todo processo de colonização adequado. Caso contrário a Jamaica e a Guiana estariam no mesmo patamar desses.

Offline Geotecton

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Re: E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #38 Online: 21 de Janeiro de 2011, 00:39:36 »
mas não foi a colonização britânica per si que os deixaram assim, mas todo processo de colonização adequado. Caso contrário a Jamaica e a Guiana estariam no mesmo patamar desses.

Eu nada hipotetizei. Apenas fiz uma observação.
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Offline Pagão

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Re: E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #39 Online: 21 de Janeiro de 2011, 10:07:39 »
EUA, Canadá e Austrália tem em comum um grande e rico território e a predominância inicial da colonização inglesa. E todos são países de primeira linha.
Mas o Brasil não é um país de primeira linha?

É verdade que os Andes e o domínio espanhol no Peru impediu o Brasil de ter costa também para o Pacífico, o que muito ajudaria ao desenvolvimento do seu interior. Além disso a vegetação e o clima coloca obstáculos superiores aos dos grandes países anglofónos. Os desafios naturais eram maiores para a colonização interna brasileira... parece-me. As zonas tropicais são mais trabalhosas... os holandeses não se deram lá muito bem... 
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Offline EuSouOqueSou

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Re: E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #40 Online: 21 de Janeiro de 2011, 11:02:17 »
Isso é balela não importa quem nos colonizou poderia ter sido ingleses, espanhóis portugueses, franceses e vai crescendo a lista.... Aqui tem recursos perfeitos para o mercantilismo e nas treze colônias não, esse é o ponto, os ingleses não queriam levar algum tipo de progresso para as treze colônias, por exemplo, queriam era explorar tanto quanto os portugueses, espanhóis, franceses, se as treze colônias tivessem condições para o mundo mercantilista da época como, por exemplo, ouro, prata, ou solo e clima propicio para plantação de açúcar não duvide que o governo inglês teria o maior prazer em explorar aquilo tudo com leis e leis para vigiar e controlar as colônias, ou seja, não duvido nada que as treze colônias iria se tornar uma Jamaica no futuro... Mais como não existia nada no momento lá que daria lucro para o governo inglês praticamente eles deixaram as treze colônias sem nem uma atenção e isso na historia se chama negligencia salutar.
Agora no caso do Brasil os portugueses descobriram que no Brasil havia clima quente e úmido, bons solos para o açúcar, ouro... e por isso não queriam perde a boca e implantaram o monopólio colonial do mercantilismo.
Agora pensem bem, se por acaso a Inglaterra colonizasse o Brasil com tudo isso de recursos que se tinha na época, alguém acha que o governo inglês iria deixar passar essa boquinha? Para min esta mais claro que iriam explorar tanto quanto os portugueses, como fizeram na Jamaica e outras colônias...

Sou da mesma opinião. Basta ver as outras ex-colonias na África, Hong Kong, India. No Japão eles foram expulsos pela política e sentimento "anti-estrangeiros". Austrália era uma colonia penal, EUA já explicado acima.

Minha conclusão: a origem dos colonizadores não é o fator determinante do desenvolvimento da colônia.
Qualquer sistema de pensamento pode ser racional, pois basta que as suas conclusões não contrariem as suas premissas.

Mas isto não significa que este sistema de pensamento tenha correspondência com a realidade objetiva, sendo este o motivo pelo qual o conhecimento científico ser reconhecido como a única forma do homem estudar, explicar e compreender a Natureza.

Offline Pregador

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Re: E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #41 Online: 21 de Janeiro de 2011, 11:24:32 »
A verdade é que se estes ingleses viessem para cá para se estabelecer em definitivo, formar uma nova pátria, quem sabe as coisas fossem diferentes. Ex: as treze colônias fossem aqui e não na américa do norte.

Aqui foi diferente, foi colônia extrativista e o Rei de Postugal virou Imperador do Brasil, e continuamos em situação de dependência da metrópole mesmo após independentes. Somente muitos anos depois o Brasil ganhou mais autonomia e soberania e hoje alcançou a plenitude, mas é meio recente.
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Offline Fenrir

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Re:E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #42 Online: 15 de Abril de 2018, 10:39:27 »
Ressuscitando um tópico antigo...
Ninguem comentou que, independentemente da forma de colonização, seríamos todos falantes nativos do inglês, que hoje é língua franca.
Isso faria sim, uma grande diferença.

Acho que pelo menos os indicadores de educação nossos não seriam tão ruins, pois para cada livro ou material educativo de qualqer espécie
e de qualidade escrito em portugues, deve ter mais que 10 vezes este numero em lingua inglesa.
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Offline Arcanjo Lúcifer

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Re:E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #43 Online: 15 de Abril de 2018, 10:43:40 »
Outro problema dessa merda de lugar deve ser a localização geográfica, abaixo da linha do equador quase só tem bocada infecta.

Não pode ser coincidência.




Offline Arcanjo Lúcifer

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Re:E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #44 Online: 15 de Abril de 2018, 10:46:32 »
Pode conferir, tirando a Austrália só tem lixo.


Offline Fenrir

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Re:E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #45 Online: 15 de Abril de 2018, 10:55:26 »
Esqueceu da Nova Zelandia
E abaixo da linha do equador, tem bem menos terras e países. A Antartida obviamente não conta.
Portanto, só pelo menor número já seria de esperar que houvessem menos países desenvolvidos no sul.
E em adição a isso, boa parte dos países abaixo do equador foram colônias de exploração e povoados numa época bem mais recente,
como foi o caso da AL inteira.
À parte os nativos, quantos anos de história a AL tem? 500. Europa e Ásia tem milênios.
Não me admira que o sul fique tão atras.
« Última modificação: 15 de Abril de 2018, 10:57:53 por Fenrir »
"Heaven and Earth are not benevolent; They treat the myriad of creatures as straw dogs"
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"No testimony is sufficient to establish a miracle, unless the testimony be of such a kind, that its falsehood would be more miraculous, than the fact, which it endeavors to establish"
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Offline André Luiz

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Re:E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #46 Online: 15 de Abril de 2018, 10:59:20 »
Impossível saber, cada movimentação no mapa iria gerar uma resposta por parte dos adversários

Se os ingleses tivessem vindo pra cá a américa do norte seria espanhola, francesa, holandesa...

Foi o tema do último Nerdcast,  uma das conclusões foi que ninguém teria força ou gente o suficiente pra estar em todos os lugares ao mesmo tempo, sempre teria alguém com um flanco exposto.

Offline Arcanjo Lúcifer

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Re:E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #47 Online: 15 de Abril de 2018, 11:00:33 »
Então, quase só tem tranqueiras que depois de séculos do fim da colonização ainda estão atoladas na lama.

Deve ser o clima tb, onde tem clima frio a população se desenvolveu com mentalidade de evitar desperdício a todo custo.

Ou trabalhava para sobreviver ao inverno ou morria de fome.


Offline Fenrir

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Re:E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #48 Online: 15 de Abril de 2018, 11:05:58 »
Então, quase só tem tranqueiras que depois de séculos do fim da colonização ainda estão atoladas na lama.

Deve ser o clima tb, onde tem clima frio a população se desenvolveu com mentalidade de evitar desperdício a todo custo.

Ou trabalhava para sobreviver ao inverno ou morria de fome.

Este é um ponto que já refleti um pouco. Já pensei se no fundo, a nossa perdição não foi o clima e natureza exuberantes.
Como tambem se o frio nos torna mais propícios ao trabalho.
Eu particularmente prefiro trabalhar no frio. Calor só nas férias ou ao dormir.
« Última modificação: 15 de Abril de 2018, 11:15:49 por Fenrir »
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Offline Fenrir

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Re:E se tivessemos sido colonizados pelos Ingleses? Seriamos desenvolvidos?
« Resposta #49 Online: 15 de Abril de 2018, 11:09:42 »
Impossível saber, cada movimentação no mapa iria gerar uma resposta por parte dos adversários

Se os ingleses tivessem vindo pra cá a américa do norte seria espanhola, francesa, holandesa...

Foi o tema do último Nerdcast,  uma das conclusões foi que ninguém teria força ou gente o suficiente pra estar em todos os lugares ao mesmo tempo, sempre teria alguém com um flanco exposto.

Realmente não teria. Por exemplo, Gibbon relata que o imperador Augusto achou por bem fixar o império romano em certos limites
porque percebeu que quanto mais expandisse, mais difícil a manutenção do império.
Tanto é que depois disso, os Romanos só chegaram a anexar a dácia (~Romênia), a inglaterra e parte do oriente médio (por pouco tempo).
por exemplo, embora a Irlanda estivesse ali ao lado (da inglaterra), eles nem se deram ao trabalho de coloniza-la
Sem contar que se uma pequena mudança no passado possa alterar tanto o futuro, imagine uma desta magnitude: Brasil ou AL anglo-saxônica
« Última modificação: 15 de Abril de 2018, 11:16:59 por Fenrir »
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