29 de julho de 2005
à exemplo do linux
Dinamarqueses criam cerveja com "código aberto" Um grupo de estudantes da Universidade de Informática de Copenhague, na Dinamarca, criou o que eles estão chamando de "primeira cerveja de código aberto". A idéia vem dos programas de computador de código aberto, como o Linux. O código desses programas está disponível para o público fazer mudanças e melhorá-los. Essas mudanças são então compartilhadas com o resto do público.
A cerveja chama-se Vores Oel, ou Nossa Cerveja, em tradução ao pé da letra. Ramus Nielsen, que lidera um grupo de artistas de Copenhague chamado Superflex, teve a idéia para desafiar o conceito de cerveja "patenteada". Nielsen foi fazer uma palestra a respeito de propriedade intelectual e patente na Universidade de Informática de Copenhague e perguntou aos estudantes para pensar sobre a idéia de aplicar a idéia de código aberto fora do mundo digital. "Por que não pegar estas idéias e aplicá-las a outros setores também?", perguntou Nielsen.
Questionado por que a cerveja foi o produto escolhido, Nielsen explicou: "É um produto que a gente gostaria que fosse grátis, mas, infelizmente, não é. Então eu achei que era um meio apropriado de confrontar essas questões". O grupo é integrado por 15 estudantes. "Cerveja é um assunto de diversão num ambiente de universidade. É algo mais estimulante do que trabalhar com um objeto que não é comestível ou que não pode ser bebido", disse Thorarin Stefansson, um dos participantes.
Versão 1.0Para começar o projeto, os estudantes se reuniram com o autor de um livro sobre fabricação caseira de cerveja. Chegaram a um acordo sobre que tipo de cerveja queriam, compraram os ingredientes e fabricaram mais de 100 litros no restaurante da universidade. A "Nossa Cerveja" é mais escura e pesada do que a tradicional cerveja dinamarquesa, e os estudantes decidiram colocar um ingrediente diferente: guaraná. Stefansson conta que ele e os demais estudantes decidiram batizar o produto de Nossa Cerveja, Versão 1.0. "Como na indústria de programas de computadores, a primeira versão é a 1.0. Abre espaço para o aperfeiçoamento".
O grupo também criou uma página na internet para a cerveja, com música tema e efeitos sonoros. Tudo de código aberto. E, o mais importante, os estudantes liberaram a receita sob a Licença Criativa de Bens Comuns. "Você é livre para mudar (a receita). Mas, se você usa a nossa receita como base para a sua cerveja, é preciso abrir (o código da) sua receita também. Este é o sistema legal que segue a cerveja", disse Nielsen. Os autores das novas receitas podem até vender suas cervejas, mas precisam dar o crédito da receita inicial à Nossa Cerveja.
Nielsen afirmou que o projeto já é um sucesso. "Temos um monte de questões enviadas por pequenos fabricantes de cerveja do Brasil, do México e até do Afeganistão", disse. Para Nielsen, o projeto da "Nossa Cerveja" visa mostrar que o modelo de código aberto pode ser usado para outros produtos, como por exemplo, no caso de países em desenvolvimento usando o conceito para fabricar medicamentos de combate à Aids.
Com agênciasFonte:
http://www.vermelho.org.br/diario/2005/0729/0729_codigo-cerveja.aspUma segunda versão da notícia:
Cerveja Livre?
Editoria: Comunidade
21/Jun/2005 - 21:59
Artistas misturam política na fórmula da cerveja
Folha de São Paulo - Índice de notícias - //21/06/2005
DIEGO ASSIS DA REPORTAGEM LOCALEnquanto o mundo digital se divide entre os favoráveis, os contrários e os indiferentes aos ditos programas de código aberto ou softwares livres, na Dinamarca real, os artistas Rasmus Nielsen, Jakob Fenger e Bjoernstjerne Christiansen resolveram abrir uma cerveja. Literalmente.
Inspirados pelo pensamento do professor de Stanford Lawrence Lessig, idealizador das licenças de "alguns direitos reservados" do Creative Commons e autor do manifesto pela flexibilização das práticas de copyright "Free Culture", os integrantes do coletivo ativista Superflex criaram a primeira cerveja de "código" aberto de que se tem notícia.
Batizada de Vores Oel, Our Beer ou, em bom português, Nossa Cerveja, a fórmula da bebida está disponível no site do projeto (voresoel.dk) e já pode ser copiada, alterada, embalada e revendida por quem quiser. De acordo com a licença Creative Commons escolhida pelo grupo, no entanto, quem o fizer deve seguir a etiqueta de manter o "código fonte" de sua cerveja igualmente aberto.
"A maioria dessas licenças [Creative Commons, GPL do Linux] são para coisas digitais. O que aconteceria se você pegasse algo analógico, como cerveja, que todo mundo bebe, aplicasse o pensamento de "open source" a ele e pedisse a todos: "Por favor, copiem isto!'?", provoca Rasmus Nielsen, 35, um dos fundadores do Superflex, que em grande parte de seus trabalhos propõe o uso da "cópia como uma estratégia criativa, econômica e política".
Seus trabalhos recentes incluem a instalação de estações de biogás em campos de arroz na Tailândia, distribuição de kits para construção de saunas improvisadas na praia e outras "molecagens" encampadas por bienais de Veneza, Berlim e semelhantes. "A cerveja é mais um veículo para propor uma idéia, como um artigo de jornal. Você pode contar uma história com ela, sobre como o copyright está influenciando nossas vidas", sugere Rasmus. "Mas em vez de escrever um artigo denunciando, fazer uma manifestação na rua ou se filiar a um partido, você pode usar o mercado como uma espécie de arena para fazer afirmações políticas."
Afirmação esta que, segundo o grupo, não é tão complicada. "Qualquer um pode fazer cerveja na sua cozinha. É mais fácil, provavelmente, do que fazer farinha. A gente fez 500 litros em Copenhague e custou US$ 10 ou US$ 15 [R$ 25 ou R$ 37]", revela Rasmus. Mas gasto é gasto. E por isso o coletivo concordou que seria melhor incluir em sua licença de cópia um senão que permita que o novo fabricante possa comercializar a, digamos, Sua Cerveja -"Não é tão fácil quanto copiar um software", reconhece.
E já que é no (super)mercado que a sua arte/provocação política deve ser exposta, nada mais coerente que abrir uma loja própria. Inaugurada neste mês pelos integrantes do coletivo, a Copyshop comercializa, além da Nossa Cerveja, produtos como o Black Spot Sneakers, espécie de tênis All Star genérico fabricado por uma cooperativa em Portugal; a Meca-Cola, refrigerante produzido por ativistas tunisianos para apoiar a causa palestina; e o Guaraná Power, este criado pelo próprio Superflex em colaboração com camponeses de Maués, na Amazônia. (O grão brasileiro, inclusive, faz parte da receita de sua cerveja subversiva).
"Não criamos a loja para fazer dinheiro, mas para nos colocarmos dentro do campo de batalha, onde as coisas acontecem de verdade", defende Rasmus. "A cerveja é só para propor uma idéia. Não planejamos montar uma fábrica." Cerveja, sapatos, guaraná... o que aconteceu com o bom e velho quadro pendurado na parede?
"A arte não é algo como a lei da gravidade ou um produto que a gente encontre na natureza. Arte é uma construção e muda o tempo todo. Como artistas, usamos as galerias e instituições para propor modelos e experiências que, às vezes, podem ser aplicados fora do contexto da arte." E completa: "A diferença entre o mundo da arte e o de um cientista ou de um homem de negócios é que [como artista] você pode se permitir fazer perguntas bobas, sem necessariamente ter de ter lucro ou apresentar um resultado acadêmico. Já fizemos contato com gente na Austrália, no México e nos EUA que queria produzir a cerveja. E aí você pode imaginar, talvez um dia, essa cerveja se tornando uma marca realmente grande, mas uma marca que não pertence a ninguém."
Fonte:
http://portal.softwarelivre.org/news/4311Saúde!!!
