Moléculas orgânicas em berçários de estrelas e nuvens de poeira interestelar- 08 de agosto 2006.
Um estudo de dois anos de enormes nuvens de pó interestelar apresentou oito moléculas orgânicas em duas regiões diferentes do espaço. Uma das regiões é um berçário de estrelas em uma área bastante iluminada, enquanto que a outra se encontra em um local vazio e sem estrelas. O trabalho, detalhado na edição atual da revista Astrophysical Journal, apóia outros estudos recentes sugerindo que as moléculas mais importantes para a vida se formam comumente nas nuvens de gás e de pó que se condensam para formar estrelas e planetas.
As moléculas foram descobertas usando o telescópio de Green Bank, em West Virginia, EUA. "Haver encontrado oito moléculas orgânicas no espaço de dois anos é algo verdadeiramente surpreendente”, disse o diretor do estudo Jan Hollis do NASA Goddard Space Flight Center.(Centro de vôos espaciais Goddard de a NASA)
Cinco das moléculas foram descobertas em Sagitário B2(N), uma nuvem de pó de formação de estrelas localizada a 26.000 anos luz da Terra próximo do centro da nossa galáxia a Via Láctea. Este berçário estelar é o maior depósito conhecido de moléculas complexas interestelares. As outras três moléculas foram encontradas na nuvem molecular de Touro (TMC-1), localizada a tão só 450 anos luz de distância. TMC-1 não tem estrelas; é frio e escuro e tem uma temperatura de apenas 10 graus acima do zero absoluto.

Ilustração artística do ciclo químico cósmico. As estrelas expulsam matéria para o espaço, o qual forma grandes nuvens de gás e poeira. Estas nuvens se condensam para formar planetas, estrelas, meteoritos e cometas. Crédito: Bill Saxton, NRAO/AUI/NSF.
A descoberta destas moléculas orgânicas nas regiões mais frias do meio interestelar muda a percepção atual de que moléculas orgânicas grandes só poderiam ter sua origem em núcleos moleculares quentes, forçando a uma revisão dos paradigmas da química interestelar".
Muitas das recém detectadas moléculas são danosas para os organismos da Terra, porém uma das moléculas descobertas em Sagitário B2(N), chamada acetamida, contém um tipo de ligação química que é importante para unir cadeias de aminoácidos, os blocos moleculares de construção das proteínas. Formada por 9 átomos, a acetamida é a maior molécula encontrada no espaço que tem esse tipo de ligação.
As moléculas recém encontradas elevam o número total de moléculas de relevância biológica encontradas no espaço para a cifra de 141. Já se havia encontrado previamente benzeno, uma molécula de carbono em forma de anel importante para a vida na Terra, ao redor de estrelas, e aminoácidos intactos em meteoritos que se chocaram contra a Terra.
Com esse trabalho, reforça-se a hipótese de que os ingredientes químicos necessários para a vida começaram a tomar forma muito antes de que nosso planeta chegar a formar-se. A maioria dos cientistas aceitam hoje em dia a hipótese de que os meteoritos ancestrais e os cometas ajudaram a que se iniciasse a vida em nosso planeta ao trazer uma considerável quantidade de água, moléculas de origem orgânica e ainda aminoácidos à Terra.
Assim, há um reforço da idéia de que essas moléculas orgânicas encarceradas foram seguramente formadas nas grandes nuvens de poeira e gás que eventualmente se converteram em planetas, estrelas, cometas e meteoritos. As nuvens de poeira se formam quando os eventos como as Novas e Supernovas fazem com que os elementos químicos e as moléculas criadas durante as reações termonucleares dentro das estrelas, são ejetados até o espaço.
Fonte: Space.com:
http://www.space.com/scienceastronomy/060808_st_life_molecules.html