Autor Tópico: A enrascada criada pelo Fed para si próprio  (Lida 6399 vezes)

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Rhyan

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A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Online: 07 de Maio de 2011, 16:57:54 »
por Ivan Pongracic Jr., quinta-feira, 5 de maio de 2011



Em um recente trabalho acadêmico, Has the Fed Been a Failure?, ("O Fed foi um fracasso?"), os economistas George A. Selgin, William D. Lastrapes e Lawrence H. White concluem que, ao longo de seus quase 100 anos de existência, a performance do Federal Reserve (o banco central americano) foi predominantemente horrenda.  Infelizmente, o Fed está atualmente engajado em uma política que muito provavelmente fornecerá mais uma evidência para essa tese acadêmica.

Essa política, conhecida como QE — Quantitative Easing [Afrouxamento Quantitativo, eufemismo para "impressão de dinheiro"] —, consiste na compra, pelo Fed, de instrumentos financeiros com longo prazo de maturação, mais particularmente os Treasury bonds (títulos do Tesouro americano com maturação de 10 anos ou mais) e os títulos lastreados por hipotecas.  Desde que o Fed empreendeu a primeira rodada de QE em 2008-10, a atual rodada (anunciada em novembro passado, mas já indicada meses antes) tem sido rotulada de QE2.

O QE2 representa um desvio do Fed em relação aos seus procedimentos habituais, os quais têm o objetivo primário de manipular as taxas de juros de curto prazo por meio da compra de títulos do Tesouro que têm maturação de curto prazo, geralmente menos de um ano [procedimento idêntico faz o Banco Central brasileiro]. Essa ferramenta de política monetária, conhecida como "operações de mercado aberto", foi praticamente relegada a segundo plano há dois anos, desde que o Fed derrubou a taxa básica de juros para quase zero no final de 2008 e a manteve lá desde então.

O Fed recorreu ao QE naquele ano porque a Grande Recessão estava bastante severa.  O objetivo principal do QE1 era comprar dos bancos aqueles títulos lastreados em hipotecas considerados "tóxicos" pelo fato de essas hipotecas serem de alta probabilidade de calote.  Esses títulos lastreados em hipotecas eram como albatrozes rodeando os pescoços dos bancos: caso não fossem quitadas, os balancetes dos bancos iriam para o vermelho.  Isso fez com que o Fed tentasse ajudar os bancos retirando esses passivos de suas mãos.  De forma totalmente espantosa, ao comprar US$ 1,75 trilhão desses títulos, o Fed aumentou a base monetária (papel-moeda mais reservas bancárias) da economia americana em praticamente 200% entre dezembro de 2008 e março de 2010.



Contudo, em vez de estimular a economia por meio de aumentos na quantidade de crédito, grande parte desse dinheiro criado tem permanecido parada dentro dos cofres dos bancos, os quais têm se mostrado relutantes e, na maioria das vezes, incapazes de emprestá-lo.  (Os reguladores, ao longo dos últimos dois anos, aumentaram consideravelmente o rigor dos padrões de concessão de crédito, tornando muito mais difícil alguém ser qualificado para receber empréstimos, especialmente nessas épocas incertas).

Ademais, o Fed começou a pagar aos bancos juros sobre as reservas que eles mantêm voluntariamente depositadas junto ao Fed.  É por isso que esse gigantesco aumento da base monetária não gerou um grande aumento na oferta monetária, que é a quantidade de dinheiro circulante na economia (papel-moeda em poder do público mais depósitos à vista).  É por isso também que a taxa de inflação de preços oficial tem se mantido baixa.

Dado o fracasso do QE1 em trazer as taxas de crescimento e desemprego de volta aos níveis normais, o Fed embarcou em outra rodada de expansão monetária.  No início de novembro de 2010, a instituição anunciou seu objetivo de comprar US$ 600 bilhões em títulos do Tesouro de longo prazo com o intuito de reduzir seus juros (os quais servem de referência para várias outras taxas de juros de longo prazo) e consequentemente estimular os empréstimos, principalmente para o combalido setor imobiliário, bem como aumentar a inflação de preços, a qual, segundo o Fed, está baixa demais, o que seria inconsistente com uma robusta taxa de crescimento econômico.

O anúncio do QE2 foi recebido com amplo ceticismo e até mesmo com total escárnio — desde economistas monetários ilustres como John Taylor até políticos como Sarah Palin ridicularizaram a ideia.  O presidente do Fed Ben Bernanke e seus subrdinados, por sua vez, reagiram montando um vasto esquema de defesa, com Bernanke até mesmo concedendo uma entrevista ao programa 60 Minutes, no início de dezembro.  Porém, suas declarações caíram no vazio.  Todos os presidentes do Fed sempre juram que não são os culpados pelas calamidades econômicas que ocorrem sob suas gestões, jurando que, não fossem suas medidas tomadas, as coisas estariam muito piores.  Apenas alguns anos depois é que as subsequentes autoridades do Fed passam a reconhecer os insucessos das medidas tomadas pelas gestões anteriores.

Expectativas de inflação

Os críticos do QE2 apontaram dois problemas dessa política: primeiro, o Fed aparentemente está ignorando o papel-chave que as expectativas inflacionárias têm sobre sua capacidade de provocar algum resultado macroeconômico.  As medidas do Fed nos remete novamente à década de 1960, quando a ortodoxia keynesiana se baseava na hoje desacreditada Curva de Phillips para controlar a economia.  A Curva de Phillips pretendia mostrar que havia uma relação estável e inversa entre inflação e desemprego; sendo assim, as autoridades econômicas tinham apenas de aumentar a inflação para reduzir o desemprego a um nível aceitável.  Acontece que isso só funcionava enquanto as expectativas inflacionárias das pessoas não se alteravam — obviamente, tão logo a inflação subia, as expectativas inflacionárias subiam junto, levando no final a um aumento, e não a uma redução, do desemprego.

Após a dolorosa estagflação da década de 1970, bem como o contínuo bombardeio inclemente dessa teoria por alguns dos mais respeitáveis economistas da metade final do século passado (incluindo Milton Friedman), era de se esperar que o Fed houvesse aprendido em definitivo o quão difícil é controlar as expectativas inflacionárias, bem como o quão fundamentais elas são para a capacidade do Fed controlar a própria inflação.  Entretanto, o Fed hoje parece estar comprometido em levar os EUA novamente para essa estrada da perdição.  (E, com efeito, os juros dos títulos de longo prazo do Tesouro acabaram subindo, ao invés de cair, logo nas seis primeiras semanas do QE2, possivelmente porque as expectativas inflacionárias — um componente-chave das taxas de juros de longo prazo — subiram).

Se o Fed tivesse um martelo

O segundo problema com o QE2 é que o Fed está preso em um modelo econômico inapropriado, que incorpora perfeitamente aquele ditado que diz que "quando tudo o que você tem é um martelo, todos os problemas se parecem com um prego".  O Fed realmente possui apenas uma ferramenta para fazer política: elevar ou diminuir as taxas de juros, sejam elas de curto ou longo prazo.  Consequentemente, para o Fed, todos os problemas econômicos parecem ser resolvíveis por meio do uso dessa ferramenta.  E o Fed a utilizou entusiasmadamente ao longo dos últimos dez anos, derrubando a taxa básica de juros para níveis então recordes em 2003-05, estimulando um enorme boom no endividamento público e privado, jogando a taxa média de poupança dos americanos para o terreno negativo pela primeira vez na historia dos EUA.



Hoje é cada vez mais aceita a teoria de que foi essa frouxa política monetária uma das principais causas — senão a principal — da Grande Recessão.  Durante os últimos dois anos, indivíduos e empresas estão cortando gastos, aumentando sua poupança e quitando suas dívidas — ou seja, tentando sair da ressaca keynesiana.  Porém, o Fed não aceita isso: se os americanos não voltarem a pegar empréstimos e a gastar como antes, o Fed irá reduzir não apenas as taxas de juros de curto prazo, mas também as de longo prazo.  Em outras palavras, ele irá fazer aos americanos uma oferta irrecusável — e os EUA voltarão àquele carrossel tétrico.

Em paralelo ao QE2, o Fed lançou uma segunda política, essa curiosamente de cunho fiscal: vai utilizar os fundos advindos da maturação dos títulos lastreados em hipotecas que estão em seu portfólio para comprar os títulos de longo prazo do Tesouro.  Agindo assim, ele não estará "imprimindo dinheiro".  (Com efeito, o próprio QE2 pode ser visto como uma política de não impressão de dinheiro — afinal, o Fed está "apenas" criando reservas eletrônicas nas contas dos bancos.)  Porém, vale ressaltar, essa política de "reinvestimento" dos fundos coletados com a maturação dos títulos lastreados em hipotecas está sendo feita em paralelo ao QE2.

A intenção disso tudo é alterar a composição do balancete do Fed: menos títulos lastreados em hipotecas, mais títulos do Tesouro.  Isso pode até gerar algum efeito macroeconômico (assunto atualmente bastante debatido na blogosfera), mas certamente não muito, seja sobre o desemprego ou sobre a inflação. 

O fato é que os economistas já estão notando, de modo crescente, a inconsistência entre as palavras e os atos do Fed; porém, tudo o que eles têm feito em reação a isso é apenas coçar a cabeça.  Caso as coisas deem errado, a principal vítima do QE2 será Bernanke e seu comprometimento aos seus próprios ideais.  Ele sempre foi visto como o principal proponente da política de metas de inflação, a qual enfatiza a importância de uma contínua, meticulosa, completa e clara comunicação junto ao público, tudo pelo bem da transparência e da prestação de contas.  Tudo isso parece ter sido jogado no lixo atualmente.  Não apenas o Fed não está sendo transparente, como também pode estar sendo culpado de estar diligentemente enganando o povo americano.  Após três décadas de crescente transparência, parece que o Fed está voltando ao seu velho estilo impenetrável.

Pode ser difícil aceitar que o Fed esteja disposto a arriscar sua duramente ganha credibilidade apenas para conseguir gerar algum estímulo de curto prazo na economia.  Entretanto, é possível que toda essa política esteja sendo feita por um motivo muito maior: a política fiscal do governo americano, a qual tem estado em total descontrole nos últimos três anos.  O governo federal expandiu a dívida em US$ 5 trilhões desde 2008, com vários outros trilhões ainda por vir, tudo financiado com a emissão de novos títulos do Tesouro.  Esse maciço aumento na oferta de títulos derrubou os preços deles e, consequentemente, elevou os juros pagos por eles — bem como os juros de longo prazo.  Considerando-se o estado extremamente frágil do mercado imobiliário, taxas de juros de longo prazo em ascensão é a última coisa que o Fed quer ver; por isso, não é surpresa alguma que ele esteja comprando títulos de longo prazo justamente com o intuito de derrubar esses juros.

Ainda mais problemático é o fato de que o Fed pode estar comprando títulos do Tesouro com o objetivo de manter baixos os custos do financiamento da crescente dívida do governo federal.  Se isso de fato for o que está por trás do QE2 — algo que o Fed, nada surpreendentemente, nega —, tal medida representaria uma profunda ruptura com a história moderna.  No "Acordo de 1951", o Fed reafirmou seu controle sobre a política monetária após ter mantido por dez anos os juros sobre os títulos do Tesouro em níveis muito baixos — tudo com o intuito de baratear para o governo americano o financiamento da Segunda Guerra Mundial.  Se o Fed voltar a ser visto como uma simples marionete do Tesouro, os investidores poderão rapidamente perder a confiança na possibilidade de haver tanto uma recuperação econômica quanto uma inflação baixa, para não falar da viabilidade de longo prazo da gigantesca dívida do governo federal.

Com o passar do tempo, a economia americana voltará a crescer, e isso provavelmente fará com que as reservas bancárias que estão sendo voluntariamente mantidas ociosas depositadas junto ao Fed comecem a fluir para a economia, gerando crédito barato.  Quando esse dinheiro começar a entrar na economia, as taxas de inflação de preços inevitavelmente irão subir.  O Fed pode ou não conseguir manter esse processo sob controle, mas isso não importará muito, dado que o estrago já terá sido feito.

Bernanke e os outros executivos do Fed claramente ainda não entenderam o ponto fundamental levantado por Ludwig von Mises e Friedrich Hayek: a manipulação artificial das taxas de juros por um banco central distorce a realidade microeconômica, deturpando os preços relativos e enviando sinais errôneos tanto para empreendedores quanto para consumidores.  Isso faz com que as decisões sejam tomadas de modo falho, o que resulta em ainda mais investimentos errôneos, más alocações de recursos e mais bolhas de ativos.  Em outras palavras, ao não permitir que os preços caiam para seus níveis corretos, para os níveis em que deveriam caso não tivesse havido estímulos, e que corrigiriam todas as distorções da estrutura da economia, o Fed na verdade está impedindo que a economia se ajuste e que uma genuína recuperação possa ocorrer.  O QE2 apenas prolonga esses erros.


Ivan Pongracic Jr. é professor adjunto de economia da Hillsdale College e autor do livro Employees and Entrepreneurship.


Fonte: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=972

Offline Geotecton

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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #1 Online: 07 de Maio de 2011, 17:37:20 »
Só um detalhe: O FED é uma instituição privada.

Não é o Tesouro estadunidense o responsável pelas duas emissões desvairadas de papel-moeda.
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Rhyan

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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #2 Online: 07 de Maio de 2011, 17:39:43 »
Instituição privada onde o presidente é nomeado pelo presidente dos EUA.


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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #3 Online: 07 de Maio de 2011, 19:30:23 »
Só um detalhe: O FED é uma instituição privada.

Não é o Tesouro estadunidense o responsável pelas duas emissões desvairadas de papel-moeda.

Tinha comigo que era pública... Tal qual os BCs mundo afora.

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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #4 Online: 07 de Maio de 2011, 19:35:15 »
Só um detalhe: O FED é uma instituição privada.

Não é o Tesouro estadunidense o responsável pelas duas emissões desvairadas de papel-moeda.
Tinha comigo que era pública... Tal qual os BCs mundo afora.

Eu também pensava assim até o final dos anos 80, quando eu li um ensaio crítico de Galbraith.
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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #5 Online: 08 de Maio de 2011, 12:16:15 »
Já está mais do que na hora do FED se aposentar.
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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #6 Online: 08 de Maio de 2011, 16:26:16 »

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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #7 Online: 08 de Maio de 2011, 18:43:16 »
Só um detalhe: O FED é uma instituição privada.

Não é o Tesouro estadunidense o responsável pelas duas emissões desvairadas de papel-moeda.
Tinha comigo que era pública... Tal qual os BCs mundo afora.

Eu também pensava assim até o final dos anos 80, quando eu li um ensaio crítico de Galbraith.


Acho que já li algo à respeito quanto ao BC americano ser na verdade uma instituição privada ou algo como sua relação carnal com o sistema de ganhos dos bancos privados, é mais ou menos isso?

Rhyan

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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #8 Online: 08 de Maio de 2011, 20:35:12 »
Parabéns aos keynesianos:

"Vejam que lindas a situação dos países em 2010:
Grécia: Dívida de 140% do PIB e 443% da receita
Irlanda: Dívida de 97% do PIB e 347% da receita
EUA: Dívida de 92% do PIB e 400% da receita
Alemanha: Dívida de 76% do PIB e 195% da receita
Espanha: Dívida de 64% do PIB e 200% da receita

Zona do Euro: Dívida de 85% do PIB e 216% da receita"

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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #9 Online: 08 de Maio de 2011, 21:29:01 »
Parabéns aos keynesianos:

"Vejam que lindas a situação dos países em 2010:
Grécia: Dívida de 140% do PIB e 443% da receita
Irlanda: Dívida de 97% do PIB e 347% da receita
EUA: Dívida de 92% do PIB e 400% da receita
Alemanha: Dívida de 76% do PIB e 195% da receita
Espanha: Dívida de 64% do PIB e 200% da receita

Zona do Euro: Dívida de 85% do PIB e 216% da receita"

É fora do contexto de sua postagem, mas eu pergunto: No seu entender a crise de 2008 foi por causa dos Estados?
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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #10 Online: 09 de Maio de 2011, 10:11:28 »
Parabéns aos keynesianos:

"Vejam que lindas a situação dos países em 2010:
Grécia: Dívida de 140% do PIB e 443% da receita
Irlanda: Dívida de 97% do PIB e 347% da receita
EUA: Dívida de 92% do PIB e 400% da receita
Alemanha: Dívida de 76% do PIB e 195% da receita
Espanha: Dívida de 64% do PIB e 200% da receita

Zona do Euro: Dívida de 85% do PIB e 216% da receita"

É fora do contexto de sua postagem, mas eu pergunto: No seu entender a crise de 2008 foi por causa dos Estados?

A crise foi de confiança antes de mais nada, o mercado financeiro recolheu seu dinheiro por causa da desconfiança generalizada de que os maiores bancos privados do mundo não pudessem honrar seus compromissos, e a inadimplência se generalizasse mundo afora. Até então esses países podiam rolar suas enormes dívidas tranquilamente devido ao fluxo de capital e poupança externa que entrava no país. Desde então o mercado ficou mais exigente , e esses países se tornaram insolventes, além do que muitos países precisaram socorrer bancos, empresas e garantir uma liquidez e um insvestimento mínimo para seus cidadãos e países, gastando bilhões de dólares em recursos do tesouro nacional, minguando os recursos dos países. Como o mercado financeiro ficou muito arisco com países com grandes dívidas, eles passaram a ter que ser socorridos por outros países e organismos financeiros para honrar seus compromissos da dívida.

Offline Liddell Heart

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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #11 Online: 09 de Maio de 2011, 18:08:41 »
Parabéns aos keynesianos:

"Vejam que lindas a situação dos países em 2010:
Grécia: Dívida de 140% do PIB e 443% da receita
Irlanda: Dívida de 97% do PIB e 347% da receita
EUA: Dívida de 92% do PIB e 400% da receita
Alemanha: Dívida de 76% do PIB e 195% da receita
Espanha: Dívida de 64% do PIB e 200% da receita

Zona do Euro: Dívida de 85% do PIB e 216% da receita"

É fora do contexto de sua postagem, mas eu pergunto: No seu entender a crise de 2008 foi por causa dos Estados?

Juros baixos, subsídios à moradias, e outros, podem explicar o papel do Estado na crise.  Muitos já alertavam sobre a crise ainda em 2006.

Mesmo com os keynesianos democratas no poder, a economia americana não anda lá tão bem.
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« Resposta #12 Online: 09 de Maio de 2011, 18:51:59 »
Parabéns aos keynesianos:

"Vejam que lindas a situação dos países em 2010:
Grécia: Dívida de 140% do PIB e 443% da receita
Irlanda: Dívida de 97% do PIB e 347% da receita
EUA: Dívida de 92% do PIB e 400% da receita
Alemanha: Dívida de 76% do PIB e 195% da receita
Espanha: Dívida de 64% do PIB e 200% da receita

Zona do Euro: Dívida de 85% do PIB e 216% da receita"

Há países "austríacos" para comparação?

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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #13 Online: 09 de Maio de 2011, 20:11:04 »
Parabéns aos keynesianos:

"Vejam que lindas a situação dos países em 2010:
Grécia: Dívida de 140% do PIB e 443% da receita
Irlanda: Dívida de 97% do PIB e 347% da receita
EUA: Dívida de 92% do PIB e 400% da receita
Alemanha: Dívida de 76% do PIB e 195% da receita
Espanha: Dívida de 64% do PIB e 200% da receita

Zona do Euro: Dívida de 85% do PIB e 216% da receita"

Há países "austríacos" para comparação?


Não. A economia austríaca ainda é um pouco underground, mesmo que seus "seguidores", como Wilhelm Röpke, pai do liberalismo social, tenham conseguido muitos adeptos entre os governantes.
Mas existe países bem próximos, economicamente, do liberalismo clássico: Hong Kong e Singapura. Talvez o Chile entraria aí.

Me arrisco dizer que um país social liberal é Taiwan(Formosa).
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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #14 Online: 09 de Maio de 2011, 20:16:13 »
Eu acho Singapura interessante não só como modelo de sucesso de livre-mercado, como também por não seguir 100% essa cartilha e cometer a heresia da larga maioria das pessoas morarem em casas subsidiadas pelo governo.

http://en.wikipedia.org/wiki/Public_housing_in_Singapore

Offline Geotecton

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« Resposta #15 Online: 09 de Maio de 2011, 20:23:32 »
Parabéns aos keynesianos:

"Vejam que lindas a situação dos países em 2010:
Grécia: Dívida de 140% do PIB e 443% da receita
Irlanda: Dívida de 97% do PIB e 347% da receita
EUA: Dívida de 92% do PIB e 400% da receita
Alemanha: Dívida de 76% do PIB e 195% da receita
Espanha: Dívida de 64% do PIB e 200% da receita

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É fora do contexto de sua postagem, mas eu pergunto: No seu entender a crise de 2008 foi por causa dos Estados?

Juros baixos, subsídios à moradias, e outros, podem explicar o papel do Estado na crise.  Muitos já alertavam sobre a crise ainda em 2006.
[...]

Então não houve nenhuma responsabilidade do sistema bancário privado?
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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #16 Online: 09 de Maio de 2011, 20:44:03 »
Eu acho Singapura interessante não só como modelo de sucesso de livre-mercado, como também por não seguir 100% essa cartilha e cometer a heresia da larga maioria das pessoas morarem em casas subsidiadas pelo governo.

http://en.wikipedia.org/wiki/Public_housing_in_Singapore

Singapura mantém um sistema econômico de altíssima mobilidade social, gerada, talvez, pelo não-intevencionismo, e um Estado minamamente provedor. Eu Diria que é um país que transitou do liberalismo social para algo próximo ao liberalismo clássico.
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« Resposta #17 Online: 09 de Maio de 2011, 20:46:39 »
Parabéns aos keynesianos:

"Vejam que lindas a situação dos países em 2010:
Grécia: Dívida de 140% do PIB e 443% da receita
Irlanda: Dívida de 97% do PIB e 347% da receita
EUA: Dívida de 92% do PIB e 400% da receita
Alemanha: Dívida de 76% do PIB e 195% da receita
Espanha: Dívida de 64% do PIB e 200% da receita

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É fora do contexto de sua postagem, mas eu pergunto: No seu entender a crise de 2008 foi por causa dos Estados?

Juros baixos, subsídios à moradias, e outros, podem explicar o papel do Estado na crise.  Muitos já alertavam sobre a crise ainda em 2006.
[...]

Então não houve nenhuma responsabilidade do sistema bancário privado?

Bem, a responsabilidade dos bancos foi terem obedecido o Estado, e terem dado crédito fácil e vasto, principalmente para pessoas com fama de "caloteiros".
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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #18 Online: 09 de Maio de 2011, 20:49:45 »
Sobre o Chile, não há dúvidas que ele é uma exceção na América Latina:
http://www.cepal.cl/publicaciones/xml/9/41799/PSE-panoramasocial2010.pdf
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Offline HSette

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« Resposta #19 Online: 09 de Maio de 2011, 20:58:27 »
Parabéns aos keynesianos:

"Vejam que lindas a situação dos países em 2010:
Grécia: Dívida de 140% do PIB e 443% da receita
Irlanda: Dívida de 97% do PIB e 347% da receita
EUA: Dívida de 92% do PIB e 400% da receita
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Há países "austríacos" para comparação?


Não. A economia austríaca ainda é um pouco underground, mesmo que seus "seguidores", como Wilhelm Röpke, pai do liberalismo social, tenham conseguido muitos adeptos entre os governantes.
Mas existe países bem próximos, economicamente, do liberalismo clássico: Hong Kong e Singapura. Talvez o Chile entraria aí.

Me arrisco dizer que um país social liberal é Taiwan(Formosa).

Afinal, qual é mesmo o status político da Ilha de Formosa?

Não compreendo patavina da confusão entre China e Taiwan.
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"Por quê?"
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Chaves

Offline Geotecton

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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #20 Online: 09 de Maio de 2011, 21:04:09 »
Afinal, qual é mesmo o status político da Ilha de Formosa?

A China considera-a uma província rebelde e anseia pela sua re-integração.

Muitos países consideram-na um país independente, inclusive aceitando representação diplomática dela.


Não compreendo patavina da confusão entre China e Taiwan.

Enquanto existir o EUA, existirá uma Taiwan independente.
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Offline Geotecton

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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #21 Online: 09 de Maio de 2011, 21:14:19 »
Bem, a responsabilidade dos bancos foi terem obedecido o Estado, e terem dado crédito fácil e vasto, principalmente para pessoas com fama de "caloteiros".

Não concordo meu caro Liddel Heart.

Os bancos não obedeceram ao Estado e sim à falta de escrúpulos e à ganância de seus CEOs, que viram uma oportunidade ímpar de colocar os seus lucros em patamares muito elevados, baseando-se em uma expansão de crédito sem as garantias adequadas. Outro fator que ajudou foi a quase que total ausência de regulamentações.

E a maioria das pessoas que teve problemas não era constituída de "caloteiros" compulsórios. Esta maioria foi levada a esta condição por ignorância e ganância, na maior parte dos casos.
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Offline HSette

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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #22 Online: 09 de Maio de 2011, 21:15:35 »
Afinal, qual é mesmo o status político da Ilha de Formosa?

A China considera-a uma província rebelde e anseia pela sua re-integração.

Muitos países consideram-na um país independente, inclusive aceitando representação diplomática dela.


Não compreendo patavina da confusão entre China e Taiwan.

Enquanto existir o EUA, existirá uma Taiwan independente.

Mesmo uma pesquisa na internet é confusa.

O que me chamou a atenção é que existe o reconhecimento por vários países, mas muitos deles retrocederam dessa posição nos últimos anos, passando a ratificar a posição da República Popular da China.

Provavelmente, a influência do poderio econômico da China está pesando fortemente na diplomacia.
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Chaves

Offline Geotecton

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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #23 Online: 09 de Maio de 2011, 22:02:37 »
Singapura mantém um sistema econômico de altíssima mobilidade social, gerada, talvez, pelo não-intevencionismo, e um Estado minamamente provedor. Eu Diria que é um país que transitou do liberalismo social para algo próximo ao liberalismo clássico.

Singapura é uma frágil singularidade.

a) É uma democracia de fachada, no qual o Partido Popular domina há quase 50 anos.

b) É um país muito fraco militarmente, com uma superfície exígua e uma população pequena.

c) É um país muito vulnerável às variações climato-metereológicas, pois uma parte significativa de seu território está a menos de 2 metros acima do nível do mar.

d) É um país que não possui nenhum bem mineral explotável (com a possível exceção de "pedra brita"); possui uma área agriculturável muito pequena (totalmente insuficiente para prover a sua população) e não tem nenhuma fonte própria expressiva de energia.
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Offline _Juca_

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Re: A enrascada criada pelo Fed para si próprio
« Resposta #24 Online: 09 de Maio de 2011, 22:25:32 »
Bem, a responsabilidade dos bancos foi terem obedecido o Estado, e terem dado crédito fácil e vasto, principalmente para pessoas com fama de "caloteiros".

Não concordo meu caro Liddel Heart.

Os bancos não obedeceram ao Estado e sim à falta de escrúpulos e à ganância de seus CEOs, que viram uma oportunidade ímpar de colocar os seus lucros em patamares muito elevados, baseando-se em uma expansão de crédito sem as garantias adequadas. Outro fator que ajudou foi a quase que total ausência de regulamentações.

E a maioria das pessoas que teve problemas não era constituída de "caloteiros" compulsórios. Esta maioria foi levada a esta condição por ignorância e ganância, na maior parte dos casos.

O problema começou lá atrás quando Alan Greespan do alto de sua "genialidade", então tão alardeada, baixou a fiscalização sobre os bancos, no melhor contexto "Consenso de Washignton", obedecendo à necessidade dos EUA estimularem o consumo e compensar seu crescente déficit corrente, dado que estavam mergulhados no gasto de duas guerras simultâneas, e não poderiam se dar ao luxo de uma recessão naquele momento, tão pouco poderiam ou queriam contigenciar seus gastos. Assim os bancos americanos estavam livres para vender seus créditos sem quase nenhum tipo de controle, o que culminou naquilo que a gente já sabe. Fico pensando no quanto Bin Laden sabia que tudo isso poderia acontecer depois do 11/9 ? É instigante.

 

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