Autor Tópico: 'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia  (Lida 24727 vezes)

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Offline Buckaroo Banzai

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #175 Online: 08 de Julho de 2016, 02:02:59 »
<a href="https://www.youtube.com/v/3wjKl4ZonDc" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/3wjKl4ZonDc</a>


Diz ele que agora o discurso dos brexiitas é praticamente algo que, com poucas modificações nas frases, poderia estar se ouvindo de quem defendesse a pernanência na UE antes do referendo.... :biglol: de um dia para outro, o discurso muda de "esse será nosso DIA DA INDEPENDÊNCIA!!!1111", para um mais modesto "nós precisamos de muitos laços estreitos com toda a Europa". Junto com abdicações necessárias a todas as principais promessas de campanha, como dinheiro que deixaria de ir para a UE, e controle de fronteiras.

...

Eu fico imaginando até que talvez os brexiitas talvez nem esperassem realmente ganhar o referendo eles mesmos, preferindo apenas manter carreiras políticas nesse nicho secundário de "eternos descontentes" (não necessariamente demonstração disso, mas bem condizente com isso, é a demissão do líder do UKIP).

Offline Lorentz

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #176 Online: 08 de Julho de 2016, 20:46:05 »
O Buck redescobriu o canal do thunderfoot.

Que pena que ele ainda não operou a batata da boca.
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Offline Jack Carver

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #177 Online: 09 de Julho de 2016, 18:02:49 »
Os liberais ainda estão a comemorar.

<a href="https://www.youtube.com/v/S4iKkXSaKxI" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/S4iKkXSaKxI</a>

Governo britânico descarta segundo referendo sobre o Brexit
O Brasil é um país de sabotadores profissionais.

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Offline Buckaroo Banzai

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #178 Online: 09 de Julho de 2016, 19:39:29 »
Não, a posição pró-Brexit e contra não coincide 100% entre liberais e não-liberais.

Citar
[...] Osborne did not specify a date for cutting corporation tax to below 15 percent. In his most recent budget statement, announced in March, Osborne announced a cut in the corporation tax to 17 percent by 2020, down from 20 percent now. [...]

http://fortune.com/2016/07/04/uk-business-tax-cut-brexit/


Citar
Brexit will mean higher taxes, less spending for U.K.

U.K. Treasury chief George Osborne has no doubts: Britain will "absolutely" have to cut spending and raise taxes following its vote to leave the European Union.
"It's very clear that the country is going to be poorer as a result of what's happening to the economy," Osborne told the BBC on Tuesday.
...
http://money.cnn.com/2016/06/28/news/economy/uk-economy-brexit-taxes-spending-austerity/

Offline Gauss

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #179 Online: 09 de Julho de 2016, 20:43:58 »
Liberalismo=Nacionalismo?
Citação de: Gauss
Bolsonaro é um falastrão conservador e ignorante. Atualmente teria 8% das intenções de votos, ou seja, é o Enéas 2.0. As possibilidades desse ser chegar a presidência são baixíssimas, ele só faz muito barulho mesmo, nada mais que isso. Não tem nenhum apoio popular forte, somente de adolescentes desinformados e velhos com memória curta que acham que a ditadura foi boa só porque "tinha menos crime". Teria que acontecer uma merda muito grande para ele chegar lá.


Offline Pagão

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #181 Online: 14 de Julho de 2016, 07:31:35 »
http://www.dn.pt/portugal/interior/costa-recusa-visto-previo-bruxelas-vai-ter-oe-ao-mesmo-tempo-do-que-o-parlamento-5283644.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+DN-Portugal+(DN+-+Portugal)

Recusa de visto prévio de Bruxelas... Estes socialistas estão a ter mais dignidade do que os conservadores e liberais que pareciam meros sabujos de Bruxelas... Estou surpreendido por os mínimos do patriotismo estarem a vir do Partido Socialista, que sobre foi o mais "europeísta" de todos... As voltas que a história dá.
Nenhuma argumentação racional exerce efeitos racionais sobre um indivíduo que não deseje adotar uma atitude racional. - K.Popper

Offline Diegojaf

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #182 Online: 14 de Julho de 2016, 16:00:12 »
Os liberais ainda estão a comemorar.

Liberais, pero no mucho...

"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto." - Rui Barbosa

http://umzumbipordia.blogspot.com - Porque a natureza te odeia e a epidemia zumbi é só a cereja no topo do delicioso sundae de horror que é a vida.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #183 Online: 14 de Julho de 2016, 17:25:47 »
Citar
http://www.economist.com/news/latin-america/21697097-leaving-eu-would-come-heavy-cost-treasury-analysis-suggests-costs-brexit-would



[...] The resultant numbers are large. Even for the EEA option, which best preserves British access to the EU’s single market, the analysis points to a GDP loss of around 3.8%. The Swiss/Canadian negotiated option, which gives some access but not for most services (including financial services), yields Mr Osborne’s central estimate of 6.2%. For the WTO option, which would mean losing privileged access to the single market and facing some tariffs on trade, the figure is 7.5%. As a body much concerned with its own revenues, the Treasury also assesses the effects on public-sector receipts. On its central estimate, these would be £36 billion lower—a sum that, as the authors point out, is roughly equivalent to 35% of annual spending by the National Health Service in England.

The Treasury’s numbers are bigger than those in some other recent studies, but that is mainly because they include the dynamic effects on productivity. A similar dynamic study by researchers at the Centre for Economic Performance, London School of Economics (LSE), came up with even bigger losses. To the disgust of Brexiteers, the Treasury agrees with the Bank of England that the benefits of EU membership considerably outweigh the costs. And it dismisses the possibility of a boost from less regulation in a post-Brexit world by pointing out that Britain is relatively lightly regulated already. [...]



<a href="https://www.youtube.com/v/uH_tFEuYT4Y" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/uH_tFEuYT4Y</a>



Parece que boa parte do apelo ao voto é bem similar àquelas propostas esquerdistas brasileiras de calotear a dívida externa; populismo com uma visão de apenas um palmo a frente do nariz, "menos dinheiro vai embora = temos mais dinheiro."

Offline Diegojaf

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #184 Online: 27 de Julho de 2016, 20:26:45 »
:histeria:

É sério... Assistam isso:
UK Foreign Minister Boris Johnson Grilled About His Anti-Hillary Clinton and Obama Comments
http://abcnews.go.com/International/uk-foreign-minister-boris-johnson-grilled-anti-hillary/story?id=40703695

Não vejo a hora de quando ele estiver com Putin e perguntarem sobre quando ele comparou o Putin ao Elfo Dobby de Harry Potter... :lol:
"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto." - Rui Barbosa

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Offline Gigaview

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #185 Online: 27 de Julho de 2016, 23:16:14 »
O Boris Johnson é um bobão igual ao Farage. Acho que o cargo de chanceler foi uma armação da Theresa May para desgastar ainda mais sua imagem.
« Última modificação: 27 de Julho de 2016, 23:19:38 por Gigaview »
Brandolini's Bullshit Asymmetry Principle: "The amount of effort necessary to refute bullshit is an order of magnitude bigger than to produce it".

Pavlov probably thought about feeding his dogs every time someone rang a bell.

Offline Jack Carver

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #186 Online: 28 de Julho de 2016, 01:45:59 »
Começo a desconfiar que a chance do RU não sair de fato da UE é a mesma de um segundo país da UE decidir sair. É esperar para ver.

<a href="https://www.youtube.com/v/gFRd9VqKYM8" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/gFRd9VqKYM8</a>
<a href="https://www.youtube.com/v/ONM2mTiLCV4" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/ONM2mTiLCV4</a>


PS: A propósito, Nigel Farage tem dado entrevistas para o Infowars.



« Última modificação: 28 de Julho de 2016, 15:05:26 por Jack Carver »
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Offline Jack Carver

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #188 Online: 29 de Julho de 2016, 17:00:51 »
<a href="https://www.youtube.com/v/uQCQECpRyqw" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/uQCQECpRyqw</a>

Já deram o rótulo de The George Washington Of The UK   :D
O Brasil é um país de sabotadores profissionais.

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Offline Gauss

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #190 Online: 29 de Julho de 2016, 23:00:46 »
...porque Washington declarou a independência e largou a carreira política imediatamente? :hein:

Na verdade antes de largar a carreira política ele foi presidente por 8 anos.
Citação de: Gauss
Bolsonaro é um falastrão conservador e ignorante. Atualmente teria 8% das intenções de votos, ou seja, é o Enéas 2.0. As possibilidades desse ser chegar a presidência são baixíssimas, ele só faz muito barulho mesmo, nada mais que isso. Não tem nenhum apoio popular forte, somente de adolescentes desinformados e velhos com memória curta que acham que a ditadura foi boa só porque "tinha menos crime". Teria que acontecer uma merda muito grande para ele chegar lá.

Rhyan

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #191 Online: 30 de Julho de 2016, 00:48:59 »
As causas do Brexit, a história da União Europeia e suas duas ideologias conflitantes
por Diversos Autores, sexta-feira, 24 de junho de 2016

Desde o início da União Europeia, tem havido um conflito entre os defensores de dois ideais diferentes.  Qual postura o continente europeu deve adotar: a visão liberal-clássica ou visão socialista?
Para se entender melhor as motivações do Brexit, é importante estar familiarizado com essas duas visões divergentes e essenciais, assim como as subsequentes tensões que vieram à tona em decorrência delas.

A visão liberal-clássica

Os pais fundadores da União Europeia, Robert Schuman (França [nascido em Luxemburgo]), Konrad Adenauer (Alemanha) e Alcide de Gasperi (Itália), todos católicos que falavam alemão, eram adeptos da visão liberal-clássica para a Europa. Eles também eram democratas-cristãos.

A visão liberal-clássica considera a liberdade individual como sendo o mais importante valor cultural dos europeus e do cristianismo.  De acordo com essa visão, a função dos estados soberanos europeus é proteger os direitos de propriedade e a economia de livre mercado em uma Europa de fronteiras abertas, permitindo desta forma o livre comércio de bens, serviços e idéias.

O Tratado de Roma, assinado em 1957, foi a principal realização para a criação de uma Europa baseada no liberalismo clássico.  O tratado estabeleceu quatro liberdades básicas: livre circulação de bens, livre oferta de serviços, livre movimentação de capital financeiro e livre migração.  O tratado também restaurou direitos que haviam sido essenciais para a Europa durante a vigência do período liberal-clássico no século XIX, mas que haviam sido abandonados durante a era do nacionalismo e do socialismo.  O tratado representou a rejeição da era do socialismo, período esse que havia gerado conflitos entre as nações européias, culminando em duas guerras mundiais.

A visão liberal-clássica visa à restauração das liberdades do século XIX.  A livre concorrência, sem barreiras à entrada nos mercados, deveria prevalecer em um mercado comum europeu.  De acordo com essa visão, ninguém poderia proibir um cabeleireiro alemão de cortar cabelos na Espanha, e ninguém poderia tributar um inglês que quisesse transferir dinheiro de um banco alemão para um banco francês, ou que quisesse investir no mercado de ações da Itália.

Ninguém poderia impedir, por meio de regulamentações, que uma cervejeira francesa vendesse suas cervejas na Alemanha.  Nenhum governo poderia dar subsídios, algo que distorce e corrompe o sistema de livre concorrência.  Ninguém poderia impedir que um dinamarquês fugisse de seu estado assistencialista e de sua alta carga tributária e migrasse para um estado com uma carga tributária mais baixa, como a Irlanda.

Para atingir esse ideal de cooperação pacífica e prosperidade comercial, o único pré-requisito necessário seria a liberdade.  De acordo com essa visão, não haveria nenhuma necessidade de se criar um super-estado europeu.  Com efeito, a visão liberal-clássica é completamente cética no que concerne a um estado central europeu; tal criação é considerada prejudicial e perniciosa para as liberdades individuais.

Filosoficamente falando, muitos defensores dessa visão são inspirados pelo catolicismo, e as fronteiras da comunidade europeia são definidas pelo cristianismo.

De acordo com a doutrina social católica, o princípio da subsidiariedade deveria prevalecer: os problemas deveriam ser resolvidos no nível mais baixo e menos concentrado possível dos arranjos.  A única instituição centralizada europeia aceitável seria uma Corte de Justiça Europeia, com suas atividades sendo restritas à resolução de conflitos entre os estados-membros e à garantia das quatro liberdades básicas.

Do ponto de vista liberal-clássico, deveria haver vários sistemas políticos concorrentes, como ocorreu na Europa durante séculos.  Desde a Idade Média até o século XIX, existiram sistemas políticos muito diferentes, tais como as cidades independentes de Flandres (região no noroeste da Europa, que inclui partes da Bélgica, França e Holanda), da Alemanha e do norte da Itália.  Havia reinados, como os da Bavária e da Saxônia, e havia repúblicas, como a de Veneza.

A diversidade política era demonstrada de modo mais explícito na fortemente descentralizada Alemanha.  Sob essa cultura de diversidade e pluralismo, a ciência e a indústria se desenvolveram e prosperaram.[1]

A concorrência em todos os níveis é essencial para a visão liberal-clássica.  Ela gera uma congruência, uma vez que a qualidade dos produtos, os preços dos fatores de produção e, principalmente, os salários tendem a convergir.  O capital vai para os locais onde os salários são menores, o que provoca sua elevação; os trabalhadores, por outro lado, vão para onde os salários são mais altos, o que faz com que essa maior oferta de mão-de-obra os reduza.  Os mercados oferecem soluções descentralizadas para os problemas ambientais, baseando-se na propriedade privada.  A concorrência política assegura o mais importante valor europeu: a liberdade.

A concorrência tributária promove alíquotas de impostos mais baixas, bem como a responsabilidade fiscal.  As pessoas "votam com seus pés", saindo dos países com carga tributária abusiva, como fazem as empresas.  Nações soberanas concorrendo entre si com diferentes cargas tributárias são vistas como a melhor proteção contra a tirania.  A concorrência também se dá na questão das moedas.  Diferentes autoridades monetárias competem para oferecer a moeda de maior qualidade.  As autoridades que oferecem moedas mais estáveis exercem pressão sobre as autoridades mais displicentes, e estas são obrigadas a se adequar e seguir o exemplo daquelas.

A visão socialista

Em direta oposição à visão liberal-clássica tem-se a visão socialista ou imperial da Europa, defendida por políticos como Jacques Delors e François Mitterrand.  Uma coalizão de interesses estatistas entre grupos nacionalistas, socialistas e conservadores faz o que pode para promover e avançar sua agenda.  Tal coalizão sempre quis ver a União Europeia como um império ou uma fortaleza: protecionista para quem está de fora e intervencionista para quem está dentro.

Esses estatistas sonham com um estado centralizado e controlado por tecnocratas eficientes — atributo este que todos os tecnocratas estatistas imaginam ter.

Dentro desse ideal, o centro do Império deveria governar toda a periferia.  Haveria uma legislação comum e centralizada.  Os defensores da visão socialista para a Europa querem erigir um megaestado europeu, reproduzindo as nações-estado em um nível continental.  Eles querem um estado assistencialista europeu que garanta a redistribuição de riqueza, a regulamentação econômica e a harmonização das legislações dentro da Europa.

A harmonização dos impostos e as regulamentações sociais seriam executadas pelo mais alto escalão da burocracia.  Se o imposto sobre valor agregado estiver variando entre 15 e 25% dentro União Europeia, os socialistas iriam harmonizá-lo em 25% para todos os países.  Tal harmonização das regulamentações sociais é do interesse dos mais protegidos, mais ricos e mais produtivos trabalhadores, que podem "arcar" com os custos dessas regulamentações — ao passo que seus concorrentes não podem.  Por exemplo, se as políticas sociais alemãs fossem aplicadas aos poloneses, estes teriam grandes problemas para concorrer com aqueles.

A intenção desse ideal socialista é conceder cada vez mais poderes para o estado central — isto é, para Bruxelas.  A visão socialista para a Europa é a ideal para a classe política, para os burocratas, para os grupos de interesse que fazem lobby, e para os setores protegidos e subsidiados que querem criar um poderoso estado central visando ao seu próprio enriquecimento.

Partidários dessa visão apresentam um megaestado europeu como uma necessidade, e consideram sua total implementação apenas uma questão de tempo.

Ao longo desse caminho socialista, o estado central europeu iria se tornar um dia tão poderoso, que os estados soberanos passariam a lhe prestar total subserviência.  (Já podemos ver os primeiros indicadores de tal subserviência no caso da Grécia.  A Grécia se comporta hoje como um protetorado de Bruxelas, que diz ao governo grego como ele deve lidar com seus problemas).

A visão socialista não fornece nenhuma limitação geográfica explícita para o estado europeu — ao contrário da visão liberal-clássica inspirada no catolicismo.  A concorrência política é vista como um obstáculo para o estado central, o qual, no ideário socialista, deve sair completamente de qualquer controle por parte do público.  Nesse sentido, o estado central, na visão socialista, se torna cada vez menos democrático à medida que o poder vai sendo deslocado para burocratas e tecnocratas.

(Um bom exemplo disso é a Comissão Europeia, o corpo executivo da União Europeia.  Os membros da comissão não são eleitos, mas sim designados pelos governos dos estados-membros.  E o próprio Parlamento Europeu é totalmente impotente para impedir ou revogar os atos da Comissão Europeia.)

Historicamente, os precedentes para esse velho plano socialista de criar um estado central controlador na Europa foram estabelecidos por Carlos Magno, Napoleão, Stalin e Hitler.  A diferença, entretanto, é que dessa vez nenhum meio militar seria necessário.  A mera coerção do poder estatal seria a mola propulsora para a criação de um poderoso estado central europeu.

De um ponto de vista tático, situações específicas de crise seriam utilizadas pelos partidários da visão socialista para criar novas instituições (tais como o Banco Central Europeu (BCE), ou, possivelmente, um Ministério Europeu das Finanças), bem como para ampliar os poderes das atuais instituições, como a Comissão Europeia e o próprio BCE.

A visão liberal-clássica e a visão socialista para a Europa são irreconciliáveis.  Com efeito, o aumento no poder de um estado central — como proposto pela visão socialista — implica uma redução das quatro liberdade básicas (livre circulação de bens, livre oferta de serviços, livre movimentação de capital financeiro e livre migração) e certamente liberdades civis cada vez menores.

A história de uma batalha entre duas visões

Essas duas visões têm travado batalhas entre si desde os anos 1950.  No início, o projeto das Comunidades Europeias era mais fiel à visão liberal-clássica.

As Comunidades Europeias eram formadas pela Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, que criava um mercado comum para carvão e aço; pela Comunidade Econômica Europeia, que promovia a integração econômica; e pela Comunidade Europeia da Energia Atômica, que criava um mercado especial para energia nuclear, fazendo sua distribuição pela Comunidade.

A Comunidade Europeia era composta por estados soberanos e assegurava as quatro liberdades básicas.  Do ponto de vista do liberalismo clássico, um dos principais defeitos de nascença do projeto eram os subsídios e as intervenções da política agrícola.  Da mesma forma, desde seu nascimento, o único poder legislativo pertencia à Comissão Europeia.  Assim, uma vez que a Comissão fizesse uma proposta legislativa, o Conselho da União Europeia poderia sozinho, ou em conjunto com o Parlamento Europeu, aprovar a proposta.

Esse arranjo já continha em si as sementes da centralização.  Consequentemente, o arranjo institucional, desde seu início, havia sido projetado para acomodar a centralização e o controle sobre as opiniões minoritárias, uma vez que a unanimidade não era necessária para todas as decisões, e as áreas em que a regra da unanimidade se fazia necessária foram sendo reduzidas ao longo dos anos.

O modelo liberal-clássico é defendido tradicionalmente pelos democratas-cristãos e por países como Holanda, Alemanha e Reino Unido.  Porém, os social-democratas e socialistas, normalmente liderados pelo governo francês, defendem a versão imperialista da Europa.  Com efeito, em decorrência de sua rápida queda em 1940, dos anos da ocupação nazista, de seus fracassos na Indochina, e da perda de suas colônias africanas, a classe dominante francesa utilizou a Comunidade Europeia para readquirir sua influência e seu orgulho, e para se recuperar da perda de seu império.[2]

Com o passar dos anos, houve uma lenta porém contínua tendência rumo ao ideal socialista: os países-membros foram sendo obrigados a direcionar cada vez mais dinheiro de impostos de seus cidadãos para custear os orçamentos cada vez maiores da União Europeia; houve uma crescente perda de autonomia nacional, com sua transferência praticamente integral para Bruxelas; e, após a crise financeira de 2008, adotou-se uma nova política regional que efetivamente redistribui riquezas por toda a Europa.

Tudo isso culminou na situação atual.

Só o Reino Unido, em termos líquidos, paga 136 milhões de libras por semana para a União Europeia.  Por outro lado, a Grécia há muito tempo não contribui nada para o orçamento da UE, dado que a Alemanha cobre indiretamente suas contribuições por meio de empréstimos que a UE faz para a Grécia.

Inúmeras regulamentações econômicas e "harmonizações burocráticas e tributárias" ajudaram a empurrar ainda mais o arranjo para essa direção socialista.  As políticas intervencionistas e centralizadoras da União Europeia criaram uma sombria situação econômica e financeira para seus países-membros: desemprego em massa, finanças públicas descontroladas, e perspectivas de crescimento desanimadoras.

Tudo isso insuflou os desejos separatistas da população do Reino Unido.  A imposição da União Europeia para que o país aceitasse imigrantes muçulmanos após o conflito na Síria foi a gota d'água.

A integração forçada

Com a recente enxurrada de refugiados e imigrantes entrando na Europa, a pressão dos cidadãos britânicos sobre para a saída aumentou.  Os burocratas de UE propuseram espalhar os imigrantes por vários países da Europa de acordo com um plano de re-assentamento pré-definido.  Naturalmente, os britânicos não gostaram da ideia, pois, além das questões que envolvem a segurança nacional, os novos imigrantes geram uma pressão adicional sobre o estado assistencialista britânico.

E, mesmo que absolutamente nenhum imigrante fosse realocado para o Reino Unido, os britânicos ainda assim teriam de financiar ao menos parcialmente o re-assentamento dos imigrantes no resto da Europa por meio dos impostos que pagam para sustentar a União Europeia.

Mas essa questão da imigração é mais antiga.  Foi só agora que o caldo entornou de vez, mas os conflitos gerados são antigos. Não apenas o influxo de imigrantes afetou o mercado de trabalho para os trabalhadores britânicos menos qualificados (insuflando os argumentos nacionalistas e protecionistas), como também afetou a cultura britânica, até mesmo o idioma.  Já em 2009, o inglês não era o primeiro idioma de mais de meio milhão de estudantes nas escolas primárias da Grã-Bretanha.  Isso mexeu com os brios de uma parte da população.

Por toda a Europa, a onda de imigração muçulmana em massa é frequentemente apresentada pelos políticos e intelectuais progressistas como sendo um grande salto para a frente, tornando a Europa uma sociedade mais multicultural (conceito esse que sempre foi promovido por essas pessoas como sendo o ideal).

No entanto, essa insistente ideia do "multiculturalismo" (uma versão do "marxismo cultural") pouco ou quase nada tinha a ver com diversidade ou interações culturais positivas, como se propagandeava.  Em sua essência, políticas de integração forçada, ao criarem inevitáveis conflitos, abrem espaço para os governos intervirem mais amplamente na sociedade sob o pretexto de estar agindo como o protetor daquelas "minorias discriminadas", as quais vão se tornando cada vez mais dependentes do estado.

Políticos adoram esse arranjo, pois ele lhes confere mais poderes discricionários e mais argumentos para se criar novos programas de redistribuição de renda.  A divisão social, as tensões e as discordâncias inevitavelmente geradas por esse arranjo criam um terreno fértil para mais restrições sobre as liberdades pessoais e a autonomia do indivíduo.

O Brexit

Os defensores da saída da União Europeia argumentaram que o Reino Unido havia perdido sua soberania e sua autonomia para tomar decisões — pois estas haviam sido transferidas para Bruxelas —, e estava pagando um alto preço, tanto político quanto econômico, para fazer parte da UE.

A crise da imigração e a incapacidade de se adotar políticas nacionais autônomas para lidar com ela foi apenas mais uma manifestação dessa excessiva centralização de poderes em Bruxelas.

Em tese, com sua saída, a população do Reino Unido não mais terá de dar satisfações a uma entidade superior localizada em outro país, vista como intrusiva.  Tampouco sua população poderá ser tolhida por essa entidade estrangeira.  Os indivíduos poderão agora usufruir uma maior autonomia, podendo, agora localmente, resolver os problemas que são do interesse do povo britânico, e não da conveniência de burocratas em Bruxelas.

O fato é que o atual conceito de estado-nação é contrário à ideia de liberdade individual.  Não há como ele ser reconciliado com a ideia de liberdade individual.  E a situação fica ainda pior quando estados-nações começam a criar uniões, tentando unificar seus poderes em uma única estrutura burocrática — como a União Europeia.

Com a saída do Reino Unido da União Europeia, os britânicos têm em mãos uma oportunidade de frustrar o rolo compressor de Bruxelas, pelo menos por algum tempo, e decidirem com mais autonomia sobre o que realmente querem.  No fundo, tudo se resume a esse pergunta: "quem deve decidir por nós?"

É verdade que os libertários não deveriam se preocupar com o conceito político "soberania nacional".  Governos, em qualquer nível, não são regentes soberanos e jamais deveriam ser considerados dignos de determinar o curso de nossas vidas.  No entanto, também é verdade que, quanto mais enfraquecido o elo entre o indivíduo e o corpo político que pretende lhe governar, maior a autonomia e o poder desse indivíduo.

Em última instância, o Brexit não foi um referendo sobre livre comércio, imigração, ou regras burocráticas impostas pelo (pavoroso) Parlamento Europeu e pela (pavorosa) Comissão Europeia.  Foi, isso sim, um referendo sobre uma maior autonomia individual e sobre um menor poder a entidades políticas globalistas.

Libertários deveriam ver a descentralização e a redução do poder estatal como sempre sendo algo positivo, independentemente de quais sejam as motivações por trás de tais movimentos.  Reduzir o tamanho, o escopo e o poder de domínio de qualquer estado (ou de qualquer união de estados) é decididamente algo saudável para a liberdade.

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Philipp Bagus, professor adjunto da Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro A Tragédia do Euro.

Jeff Deist, o atual presidente do Ludwig von Mises Mises Institute.

Claudio Grass, diretor e presidente da empresa suíça Global Gold.

 

Leia também:

O Reino Unido e sua eventual saída da União Europeia - quais as implicações?

Na questão do "Brexit", tanto os defensores da "saída" quanto os da "permanência" deveriam relaxar

A Grã-Bretanha e sua saída da União Europeia


[1]  Roland Vaubel, "The Role of Competition in the Rise of Baroque and Renaissance Music," Journal of Cultural Economics 25 (2005): pp. 277-97, argumenta que o surgimento da música barroca e renascentista na Alemanha e na Itália resultou da descentralização desses países e da subsequente concorrência entre eles

[2] Larsson, Hans Albin. 2004. "National Policy in Disguise: A Historical Interpretation of the EMU.", p. 162.  Como escreve Larsson: "A arena na qual a França buscou ressuscitar sua honra e influência internacional foi a Europa Ocidental.  Como principal país da Comunidade Econômica Europeia, a França recuperou influência e, com isso, recompensou a perda de seu império — e tudo isso dentro de uma área onde a França, tradicionalmente e de diversas maneiras, sempre procurou ter domínio e influência".

Já em 1950, o premiê francês René Pleven, propôs criar um Exército Europeu como parte da Comunidade de Defesa Europeia (sob a liderança da França).  Ainda que o plano tenha fracassado, ele fornece evidências de que, desde o início, os políticos franceses pressionaram pela centralização e pela visão imperial da Europa.  Uma exceção foi o presidente Charles de Gaulle, que se opunha a um estado europeu supranacional.  Durante a "crise da cadeira vazia", em junho de 1965, a França abandonou seu assento no Conselho dos Ministros por seis meses em protesto contra um ataque à sua soberania.  A Comissão havia pressionado por uma centralização do poder.  Entretanto, de Gaulle também estava tentando melhorar a posição e liderança da França nas negociações acerca da Política Comum Agrícola.  A Comissão havia proposto a criação de uma decisão por maioria de votos nesse quesito.  Os agricultores franceses eram os principais beneficiários dos subsídios, ao passo que a Alemanha era a principal contribuinte.  A decisão por maioria de votos poderia ter privado os agricultores franceses de seus privilégios.

Fonte: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2449

Offline Agnoscetico

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #192 Online: 13 de Novembro de 2016, 18:07:43 »

http://exame.abril.com.br/mundo/mudancas-legais-geram-protestos-separatistas-em-barcelona

Mudanças legais geram protestos separatistas em Barcelona

Milhares de separatistas catalães se reuniram em Barcelona neste domingo (13) para protestar por mudanças contra políticos pró-independência

Barcelona – Milhares de separatistas catalães se reuniram em Barcelona neste domingo (13) para protestar contra uma série de mudanças legais feitas pelo governo da Espanha contra políticos pró-independência da região.

Diversos legisladores da Catalunha enfrentam processos judiciais impostos pelo governo espanhol por terem promovido um referendo sobre a independência em 2014 em desobediência a uma ordem judicial. Os processos envolvem ainda leis regionais desenhadas para preparar o caminho para a independência.

Entre os políticos envolvidos nos processos estão o ex-presidente regional, Artur Mas, e o atual porta-voz do parlamento local, Carme Forcadell. Ambos estiveram presentes nos protestos desse domingo.

Jordi Cuixart, presidente do grupo Omnium, que defende o separatismo, disse que tinha uma mensagem ao estado espanhol. “Se você atacar seus representantes democraticamente eleitos, vão atacar suas instituições”, disse.

O movimento separatista tem crescido em anos recentes nas regiões mais ricas que falam catalão além de espanhol. Separatistas reclamam que a Catalunha paga mais impostos do que deveria ao governo central.

Fonte: Associated Press.


Offline André Luiz

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #193 Online: 13 de Novembro de 2016, 18:55:03 »
É tão desagradável assim para um catalão ser parte da Espanha? 

Rhyan

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #194 Online: 13 de Novembro de 2016, 19:06:25 »
Secessão deveria ser um direito dado de forma absoluta, em qualquer região, inclusive individual, como defendia Mises. Se não me engano, a constituição de Liechtenstein permite a secessão regional se ela for requerida e houver um plebiscito aprovando.

Offline Agnoscetico

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #195 Online: 13 de Novembro de 2016, 21:28:30 »
Secessão deveria ser um direito dado de forma absoluta, em qualquer região, inclusive individual, como defendia Mises. Se não me engano, a constituição de Liechtenstein permite a secessão regional se ela for requerida e houver um plebiscito aprovando.

Se for assim, a California poderia ter secessão, já que de muitos que votaram na Hillary teve que mencionou isso. Seria um Calixit. Ou então secessão dos estados interioranos que votaram em Trump formarem países próprios.

Offline El Elyon

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #196 Online: 13 de Novembro de 2016, 23:24:00 »
Citar
Se for assim, a California poderia ter secessão, já que de muitos que votaram na Hillary teve que mencionou isso. Seria um Calixit. Ou então secessão dos estados interioranos que votaram em Trump formarem países próprios.

Sim, porque não? Tenho quase certeza que o Libertário não se oporia a isso (embora creio que ele considere isso um mal menor).  :)

Embora eu não seja um entusiasta do modelo secessionista (por nenhum motivo além da sua quase impossibilidade de ocorrer por vias não-violentas), eu não vejo motivos para impedir que certos povos/grupos de pessoas vivam de acordo com suas próprias leis e reconhecendo o tipo de soberano/governo que consideram legítimos. Tanto que no caso dos Estados Unidos, que surgiu como uma federação de Estados unidos em torno de uma Constituição Federal enxuta e um Exército Comum (por isso o nome, aliás) que precisaram de ao redor de 150 anos (entre a Independência e a ascensão do Progressivismo Clássico, de Roosevelt) para ter algo que um Brasileiro reconheceria como um governo federal forte e capaz de se impor. Há até uma anedota que diz que por um certo tempo, a grafia mais comum era these United States, não the United States.
"As long as the Colossus stands, Rome will stand, when the Colossus falls, Rome will also fall, when Rome falls, so falls the world."

São Beda.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #197 Online: 14 de Novembro de 2016, 06:50:35 »
O problema talvez fosse se essas secessões se dessem pelos mesmos critérios que fazem com que o voto popular perca. Parece receita para encrenca.

Também haverá naturalmente alguma analogia em coisas como xária e "no-go-zones" com a motivação da secessão sulista americana. Isso é, mesmo que as pessoas não tenham grande apego nacionalista à formação atual de um país, sua fragmentação por diferenças dessa natureza pode encontrar maior resistência.

Offline Nowa

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #198 Online: 14 de Novembro de 2016, 15:47:32 »
<a href="https://www.youtube.com/v/3wjKl4ZonDc" target="_blank" class="new_win">https://www.youtube.com/v/3wjKl4ZonDc</a>


Diz ele que agora o discurso dos brexiitas é praticamente algo que, com poucas modificações nas frases, poderia estar se ouvindo de quem defendesse a pernanência na UE antes do referendo.... :biglol: de um dia para outro, o discurso muda de "esse será nosso DIA DA INDEPENDÊNCIA!!!1111", para um mais modesto "nós precisamos de muitos laços estreitos com toda a Europa". Junto com abdicações necessárias a todas as principais promessas de campanha, como dinheiro que deixaria de ir para a UE, e controle de fronteiras.

...

Eu fico imaginando até que talvez os brexiitas talvez nem esperassem realmente ganhar o referendo eles mesmos, preferindo apenas manter carreiras políticas nesse nicho secundário de "eternos descontentes" (não necessariamente demonstração disso, mas bem condizente com isso, é a demissão do líder do UKIP).

Thundercuck é tipo o Pirula da Inglaterra: só porque entendem alguma coisa de biologia acham que os palpites deles sobre política valem qualquer coisa.

Offline Buckaroo Banzai

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Re:'Brexit' ou o Reino Unido separado da União Européia
« Resposta #199 Online: 14 de Novembro de 2016, 16:04:28 »
Mas deve estar certo em praticamente todos os pontos feitos.

Brexit não faria o RU economizar em nada, teria na verdade mais gastos com novos acordos e nova legislação para dar conta de algo que a atual já resolve, ficaria sujeito a possíveis sanções dos principais parceiros comerciais, o RU perde posição de influência interna mais "libertária" na UE, etc, etc.

Engabelação populista em que as pessoas caíram* apenas devido à proposta ter algum apelo libertário, muito embora mesmo este fosse substancialmente composto de engabelação.


* daquelas que não votaram a favor apesar de acharem que fosse perder, como voto de protesto, o que parece que não foi pouca gente. Talvez até o próprio líder do movimento, que pulou fora imediatamente em seguida.

 

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